TEÓLOGO NO SHABBAT - Reflexões
»Teólogo liberal Anselmo borges » O que é que se diz sobre o mal? Comecei por recordar que há muitos tipos de mal: o mal físico, o mal moral, o mal metafísico, o mal fora de nós, o mal em nós... [...] Porque, quando o mal se abate sobre nós - um cancro, um terramoto, um tsunami, um filho que se nos morre desfeito em dores e perante a nossa impotência total, quando nos destruímos mutuamente, quando tudo se afunda sob os nossos pés, quando o futuro todo se apaga... -, aí gritamos, choramos, blasfemamos, oramos..., não debatemos.
Leitor lamenta desaparecimento do icónico artista nova-iorquino, fundador dos Velvet Underground.
O dia em que Lou Reed morreu não devia fazer parte do calendário. O homem que deu voz a inúmeros problemas sociais faleceu com 71 anos. O álbum New York demonstra o pendor de intervenção social do artista ao retratar questões candentes como a gincana das agências de rating, os monstros especuladores bolsistas e as questões raciais. Sweet Jane reluz no firmamento musical, como escreveu Camões quando "transforma-se o amador na coisa amada". Há pessoas que pela sua postura cultural reafirmam a validade da vida como total empenho do ser na sua melhoria. Músicas e palavras forma o perfeito par para lembrar a todas as pessoas a urgência da doação. A solo, Lou Reed demonstrou a sua capacidade de conduzir as palavras e a música ao coração de todos os que fazem da vida uma leitura diferente das relações entre as pessoas. Como escreveu Nietzsche, "o mundo sem música seria um erro".
Ao longo do tempo, houve tentativas várias de solução para o mal, sobretudo quando nos confrontamos com Deus. Como é que Deus é compatível com todo o calvário do mundo? Lá está Epicuro: ou Deus pôde evitar o mal e não quis; então, não é bom. Ou quis e não pôde; então, não é omnipotente. Ou quis e pôde; então, donde vem o mal? Na sua justificação de Deus, Leibniz concluiu que este é o melhor dos mundos possíveis. Schopenhauer contrapôs: este mundo não passa de uma arena de seres torturados, que sobrevivem devorando-se uns aos outros, ele "é o pior dos possíveis". A solução gnóstica e dualista coloca o mal no interior da Divindade. Há quem pense que devíamos despedir-nos do Deus omnipotente e ir ao encontro do Deus sofredor e crucificado. Segundo Kant, toda a tentativa de teodiceia teórica fracassa.
Penso que é o teólogo A. Torres Queiruga que abre para uma correcta reflexão, ao exigir uma ponerologia (de ponerós, mau): tratar do mal, antes de qualquer referência a Deus, pois o mal atinge todos, crentes e não crentes. Aí, percebe-se que a raiz do mal é a finitude. O mundo é finito e, por isso, não podendo ser perfeito, tem falhas e carências, choques.
Assim, Deus é omnipotente e infinitamente bom. Mas pretender que poderia acabar com o mal no mundo, criando-o perfeito, mas não quer, é uma contradição. Não tem sentido perguntar por que é que Deus não criou um mundo perfeito, pois Deus não pode criar outro Deus. Não se diz que há algo que Deus não pode fazer, apenas se nega uma contradição. Se o mundo inevitavelmente finito não pode ser perfeito, não podemos pretender que Deus o faça.
Viúva de Lou Reed diz que ele morreu a fazer Tai Chi
por I.P. com agênciasOntem
O judeu Lou Reed morreu a "observar as árvores e a fazer a famosa posição 21 do Tai Chi". Quem o diz é a sua viúva, Laurie Anderson. O músico faleceu no domingo (dia 27), aos 71 anos, na sequência de um problema no fígado.
A artista Laurie Anderson publicou ontem, dia 31, um texto no jornal East Hampton Star, prestando homenagem ao cantor, guitarrista, compositor e praticante de Tai Chi, arte marcial reconhecida também como uma forma de meditação.
De acordo com o seu médico, Charles Miller, da Cleveland Clinic, em Ohio, onde o cantor fez um transplante de fígado em abril, disse que "Lou lutou com todas as suas forças até ao fim" e confirmou que "ele estava a fazer os seus exercícios de Tai Chi uma hora antes da sua morte".
Lou Reed e Laurie Anderson tinham uma residência em Nova Iorque e, de acordo com viúva, foi lá que o cantor passou os últimos momentos da sua vida. Após a sua morte, Laurie escreveu: "Na semana passada, eu prometi a Lou que o tiraria do hospital e que voltaríamos para casa em Springs. E conseguimos! Lou era um mestre de Tai Chi e passou aqui os seus últimos dias", escreveu, referindo-se ao marido como "um príncipe e um lutador". A viúva escreveu ainda que Lou estava "feliz e arrebatado pela beleza, pela força e pela suavidade da natureza".
A pergunta é outra: se o mal é inevitável, porque é que Deus o criou? Aqui começa a pisteodiceia (de pistis: justificação da fé). Há diferentes pisteodiceias, pois todos têm de enfrentar-se com o mal e cada um encontra a sua resposta. O crente religioso também tem a sua: crê em Deus como Amor e anti-Mal e espera a salvação definitiva e plena para lá da morte. Sem Deus, fica-se com o mal e sem esperança, também para as vítimas inocentes.
2. Poucos dias depois, uma jovem senhora, com uma tese académica já pronta, que acabara de sepultar o pai ainda relativamente jovem, telefona-me e eu sinto e ouço as lágrimas a correr e a voz embargada, a tremer e a suplicar, porque também uma irmã acabava de ter um AVC: "É de mais; por favor, reze, por favor reze, a razão não sabe nada, não pode nada..."
E eu lembrei-me das palavras do início [...]: que, perante o sofrimento atroz, as pessoas não debatem, mas choram, gritam, blasfemam, rezam (talvez tudo isto ao mesmo tempo).
E também me lembrei do que escreveu o filósofo agnóstico J. Habermas sobre o último encontro com o filósofo ateu H. Marcuse, que tinha citado: ele "estava na sala de cuidados intensivos de um hospital de Frankfurt, rodeado de aparelhos nos dois lados da cama. Nesta ocasião, que foi o nosso último encontro filosófico, Marcuse, em conexão com a nossa discussão de dois anos atrás, disse-me: "Sabes? Agora sei em que é que se fundamentam os nossos juízos de valor mais elementares: na compaixão, no nosso sentimento pela dor dos outros"".
Menina de 4 anos violada por professor de escola islâmica
por Agência Lusa, publicado por Susana SalvadorOntem31 comentários
Uma menina de quatro anos foi hospitalizada, em estado crítico, depois de ter sido violada por um professor de uma escola religiosa islâmica (madrassa) na localidade de Vehari, no leste do Paquistão, disse hoje fonte policial.
O principal suspeito da agressão foi detido, depois da denúncia apresentada após a violação da menina, identificada como Sumaya, na terça-feira, no primeiro dia em que a criança frequentou a 'madrassa'.
"Depois de terminar as aulas e mandar as outras crianças para casa, o violador levou Sumaya para um quarto e consumou o crime", disse à agência noticiosa espanhola EFE um responsável policial de Vehari, Rao Tariq Pervez, acrescentando que o suspeito estava na escola há dois meses.
Os familiares encontraram a menina inconsciente, na escola, e levaram-na para uma clínica, "mas a gravidade do estado da criança obrigou à transferência para um hospital, onde foi constatada a violação", afirmou Pervez.
A mesma fonte afirmou que a situação da criança está a evoluir positivamente.
Um outro responsável policial, Sadiq Ali Dogar, declarou ao jornal local Express Tribune que o alegado violador foi detido numa 'madrassa' próxima, onde se tinha escondido. Dois outros professores da escola onde ocorreu a violação fugiram, disse.
O jornal acrescentou que, na sequência do crime, os residentes locais realizaram um protesto e anunciaram um boicote às 'madrassas' da zona.
No mês passado, um grupo de homens violou uma menina de cinco anos, que foi abandonada num hospital da cidade de Lahore, também no leste do Paquistão.
As câmaras de segurança captaram o momento em que a criança foi abandonada, mas a polícia não conseguiu ainda encontrar os autores de crime, que deu origem a grandes manifestações de protesto contra a passividade das autoridades em relação à violência sexual no Paquistão.
As denúncias de violações no país asiático tem vindo a aumentar, enquanto alguns setores políticos e organizações de defesa das mulheres continuam a realizar campanhas para aumentar a visibilidade do problema.
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3509737&page=-1
Estou convicto de que, nisto, quanto à compaixão, Valter Hugo Mãe estará totalmente de acordo comigo.
Joaquim Neto: http://judaismoeliberdade.blogspot.pt/2011/02/jesusyeshuayehoshua-nao-e-mashiach.html
Tema do teólogo cristão progressista»»
Anselmo Borges [em breve aqui: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/cronistas.aspx?seccao=Anselmo%20Borges]