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Entrevista --- Lua Serena
Lua Serena¬ Saiba um pouco mais sobre essa 'bruxa multimídia', que nos conta sobre a sua trajetória pagãLua Serena é praticante da Arte há mais de 15 anos, dos quais, pelo menos dez são dedicados ao trabalho público na comunidade pagã. Como taróloga e numeróloga, ministra cursos, palestras e workshops sobre a arte divinatória do tarot, pelo Brasil. Além de seus espaços pessoais na web, esta bruxa "multimídia" contribui como colunista em diversos sites pagãos. Dedicando-se aos estudos holísticos, Lua traz em seus ensinamentos o enfoque na Arte e na conexão com a natureza e os Deuses Antigos. Uma de suas contribuições mais importantes é a lista de discussões e do blog sobre bruxaria Caldeirão de Circe, que no ano de 2011 completou 10 anos. Através desta lista, Lua Serena escreve diversos artigos sobre Bruxaria e esclarece as dúvidas dos que buscam esclarecimentos sobre a Wicca e o Paganismo. Além disso, Lua atualmente dedica boa parte do tempo ao Semente Ancestral, coven fundado por ela e seu consorte, e cujos trabalhos e encontros ocorrem em Taubaté, interior de São Paulo.1. Como foi o início do seu caminho mágico? Como foi que tudo começou?Puxa... é gostoso lembrar! Acredito que comecei como a maioria, adolescente, cheia de dúvidas e me sentindo a estranha do pedaço. No início pelos livros, depois, lá pelo ano de 1999, pela internet. A internet me proporcionou grandes amizades, muitas das quais mantenho até hoje. Como disse, sempre me achei diferente, um pouco fora do contexto... estranha. Por isso mesmo nunca me enquadrei nos ditames das religiões ortodoxas. Quando encontrei a Bruxaria, me senti em casa. Percebi que havia muito mais gente "estranha" como eu no mundo... foi um momento muito mágico de reencontros e descobertas. O começo é sempre profundamente mágico para todos que (re)encontram a Arte. Poderíamos escrever um livro com as porções de histórias que cada um de nós colecionamos ao começar a caminhada bruxística. 2. Você possui um site e é mediadora de uma lista de discussão sobre a Wicca desde 2001! Como você vê a procura pela Arte desde o início do 'Caldeirão de Circe' até hoje?O 'Caldeirão de Circe' nasceu de uma dissidência de uma antiga lista de discussão chamada Caminho de Wicca. O Caldeirão era, em princípio, uma lista fechada. Depois abrimos a toda comunidade. Em 2003 montamos o blog do Caldeirão de Circe e a lista acabou crescendo bastante. Como toda lista e também blog, o Caldeirão sempre oscilou entre a movimentação e a calmaria. Então, em 2008 iniciei os estudos de Tarô com enfoque pagão, tanto no blog, como na lista. Foi muito enriquecedora para mim essa experiência. Acabou surgindo a ideia de um livro sobre Tarô com enfoque pagão, que está hoje em fase de finalização. Acredito que deve sair no final de 2012, início de 2013. Tudo isso graças exatamente à procura das pessoas pelo Caldeirão. Observando a trajetória do Caldeirão de Circe nesses dez anos, posso dizer que a Arte cresceu bastante no Brasil. Algumas ideias sobre a Arte hoje são mais sólidas, outras permanecem altamente polêmicas, como a questão de autoiniciação, conceitos de Wicca/Bruxaria/Paganismo, etc. De todo modo, hoje temos grandes ativistas da Arte trabalhando em prol do esclarecimento, temos muitos eventos grandes que há dez anos nem se imaginava, temos publicações boas sobre tema, as redes sociais também promovem a grande integração entre os praticantes. Enfim, o caminho está mais aberto às pessoas, diria até mais fácil no quesito integração. Creio que ainda falta bastante coisa a ser feita, mas estamos caminhando muito bem.3. Além disso, você também dá palestras, cursos, workshops e contribui com vídeos no 'Vlog Pagão'... Ufa! (rs) Esta interação surgiu naturalmente? Ufa mesmo, não é?! Sim, eu diria que surgiu naturalmente. Acredito que cada um de nós tem um perfil, alguns são mais ativos, mais abertos ao mundo, mais dados a realizar coisas públicas. Outros são mais reclusos, mais discretos, mais fechados. Eu sou do time dos que não param um minuto, (rs), embora tenha também meus raros momentos de parada e descanso. Outra coisa que acredito bastante é que cada um de nós deve fazer algo por aquilo que acredita, seja de forma pública ou não. Cabe a todo praticante da Arte, seja de que vertente for, batalhar para que a imagem da Bruxaria seja mudada. Claro, isso não significa que devemos praticar o proselitismo ou impor verdades, mas devemos primar pela seriedade, coerência e esclarecimento sobre a Arte, dentro e fora do meio pagão. Isso é o que me motiva a realizar tantas atividades. 4. Em agosto deste ano você iniciou um grupo de estudos virtual sobre Bruxaria. Além disso, você já organizou dois círculos de estudos de tarot com enfoque pagão e atualmente coordena o círculo de estudos de tarot "Sibilando", todos na internet. A Internet veio para auxiliar? A amplitude de temas ajuda mais ou atrapalha mais?Sim, em agosto começamos um grupo de estudos de Bruxaria pela lista do "Caldeirão" e tenho recebido vários comentários positivos sobre o desenvolvimento dos temas. Obviamente, algumas críticas se fazem presente, mas são também pertinentes, pois acaba nos fazendo crescer e melhorar sempre. O "Sibilando" foi o terceiro grupo de estudos de Tarô que eu coordenei pela internet. O primeiro também foi pelo Caldeirão de Circe, o segundo foi pela Abrawicca. Foram experiências fantásticas, mas o Sibilando foi realmente o que mais sucesso fez. Ano que vem tem mais, (rs).Analisando esses dez anos... Percebo que a internet ajuda muito por aproximar pessoas. Antes dela, você dificilmente encontrava algum praticante ou até mesmo o autor de um livro. Hoje ela traz essa facilidade, esse acesso. As redes sociais são um instrumento importante para a união dos praticantes. Bom, falar de união entre praticantes é até bem complicado em se tratando de Bruxaria, Paganismo no geral. Acho que isso ocorre por que todo praticante de Bruxaria é um livre pensador (ou pelo menos deveria ser). Somos avessos a regras, mandamentos, imposições. Somos pessoas libertárias, reacionárias, somos agentes de mudança o tempo todo... e para tudo isso há de se ter também muita personalidade. Junte um bando de pessoas assim dentro de um contexto diversificado, que é o caso da Arte. Pronto! Você terá pensamentos diferentes para o mesmo assunto e, muitas vezes, encontrará coerência em todos os lados. Às vezes em nenhum, é verdade, rs*. Mas creio que isso nos faz crescer, aprender... E a internet veio nessa trilha. Só precisamos filtrar algumas coisas. E isso acho que todos aprendem com um pouco de paciência e tempo.5. Como o Tarot passou a fazer parte de sua vida?Na verdade foi antes da Bruxaria. Conheci esse oráculo maravilhoso ainda menina e me encantei. Passei a estuda-lo com mais afinco aos 14 anos. Os anos foram passando e aí, quando a hora certa chegou, me tornei professora dessa arte fantástica. Uma coisa muito legal que o Tarô me proporcionou foi uma visão ampla de processo iniciático. Na Bruxaria nós temos a nossa forma de processo iniciático, mas ele em si não é exclusividade da Bruxaria. Viver é em si um processo iniciático. E no Tarô conseguimos enxergar isso de uma forma única, ampla e ao mesmo tempo pontual. É uma ferramenta maravilhosa. Tão maravilhosa que é o oráculo chefe no meu círculo. O Tarô tem papel fundamental entre os membros do Semente Ancestral.6. Quais as dicas que você dá para os que estão buscando o caminho dentro da Wicca, hoje?Aproveitem o que a internet tem de bom, que é a facilidade de acesso a pessoas que trilham o caminho há mais tempo. Entre em contato com as pessoas que você admira por aquilo que escreve ou fala.Procure ler muito. Em português a gente tem bons livros. Vá em eventos ligados à Arte, são imprescindíveis para quem quer conhecer pessoas, buscar um grupo ou Tradição. Aliás, algo que eu acho fundamental é estudar, ler e conhecer pessoas pessoalmente, mas deixar o pedido de dedicação e ingresso em um grupo para uma segunda oportunidade, pois isso já algo bem mais sério. Procure estar certo de que aquela Tradição ou coven é, de fato, o seu lugar. Por que muitas vezes nos enganamos. Além disso tudo, o mais importante: PRATIQUE! Quem não pratica Bruxaria não vive Bruxaria, é apenas um curioso ou pesquisador. Apenas quem pratica Bruxaria realmente acessa os mistérios dos Antigos.7. Como você vivencia a Wicca em sua vida pessoal? Você recebe apoio de sua família? Eu comecei bem jovem, aos 17 anos. Mas meus pais sempre foram muito tranquilos com relação a isso. Até mesmo por que achavam que seria um foguinho de palha, uma bobagem. Bom, a bobagem dura até hoje, (rs). Venho de uma família de católicos, mas sempre foi muito tranquila a aceitação. Me casei com um bruxo também (que, aliás, conheci pela internet), meu filho é livre para seguir ou não a religião. Enfim, minha vida sempre foi bastante suave com relação à minha prática em si. Eu fui solitária por muitos anos, mas ser solitária não significa isolamento. Então muitas vezes celebrei na companhia de amigos. Com o tempo, passei a sentir vontade de fazer parte de algo... Busquei numa Tradição a família espiritual que eu desejava ter. No entanto, os Deuses já haviam me proporcionado isso e eu quase deixei passar por mim. Era o Semente Ancestral, meu círculo. Hoje eu coordeno esse círculo. Nos reunimos mensalmente para os nossos trabalhos, celebramos sempre juntos. Procuro acompanhar o desenvolvimento dos membros cm muito cuidado e de perto, pois ser um sacerdote de alguém envolve muito mais do que simplesmente enviar material para que seja estudado. É cuidado, é análise, é ser um curador. Ou melhor, é ajudar a pessoa a entender que ela é seu próprio curador, e que você, sacerdote, é um instrumento de apoio. Até mesmo por isso, somos um pouco fechados, pois eu não conseguiria fazer bem esse trabalho se tivéssemos muitas pessoas. Então, hoje estou muito mais voltada ao meu grupo e isso com certeza está ligado ao meu próprio desenvolvimento na Arte, pois não há separação e estamos sempre em movimento. Mesmo quem atinge o máximo num caminho sacerdotal é ainda um aprendiz, um caminhante e um curador. De si... e quando nos curamos, curamos o mundo.8. Você já coordenou eventos de cunho ecológico, como projeto socioambiental “Pagãos pela Terra”. Você conseguiu o apoio e a resposta positva da comunidade pagã? Iremos ter mais eventos como este? Sempre me perguntam do "Pagãos pela Terra"... Bem, o "Pagãos pela Terra" teve muitos problemas para ser realizado, a princípio, por falta de experiência na condução dos trabalhos. Nem eu e nem as pessoas envolvidas eram profissionais da área de eventos. Cada um tinha sua profissão e vida. E o Pagãos pela Terra era mais uma atividade a ser desenvolvida. Também tivemos dificuldade na adesão das pessoas. E hoje entendemos que é preciso criar um hábito, é preciso fazer, fazer, fazer... e então as pessoas aos poucos passam a fazer também. É um projeto que eu pretendo retomar em 2012. Queremos que seja um evento gratuito, para a reflexão e ação pagã em prol de causas realmente importantes. Estamos trabalhando nisso, em breve divulgaremos e esperamos poder contar com o pessoal da Tradição Serpente de Prata, pois precisamos de união com pessoas sérias para que de fato possamos mudar as coisas.9. Qual o conselho que você dá para os pagãos que tem projetos semelhantes ao seus e que pretendem levá-los adiante?Façam! Não espere. Faça! Precisamos muito de vozes e mãos pagãs em prol do meio ambiente. Realizem. Façam, mesmo que pareça impossível. Acredite e faça. * Onde encontrar Lua Serena: E-mail de contato: [email protected] Caldeirão de Circe: caldeiraodecirce.blogspot.comBlog Sibilando: gruposibilando.blogspot.comVídeos no Vlog Pagão: vlogpagao.com
Por Aysel Gülbarg [Chris Wolf] © Todos os direitos reservados.