𝖢𝖠𝖯𝖨́𝖳𝖴𝖫𝖮 𝟤 ── 𝐀 𝐑𝐄𝐕𝐄𝐋𝐀𝐂̧𝐀̃𝐎.
A cidade de Khadel parecia respirar ansiedade. Os comentários ecoavam pelos becos estreitos e pela praça, cheia de pessoas, enquanto a velha lenda ganhava vida em conversas sussurradas. Centenas de olhos buscavam respostas nas sombras, acreditando que o amor, outrora banido por um encantamento, pudesse finalmente florescer novamente. Cem anos de silêncios forçados e corações apagados convergiam para este momento: o renascimento de um sentimento perdido. Mas como encontrar as almas que carregavam a chave para quebrar a maldição? Quem, entre eles, teria a coragem de encarar o eco de suas vidas passadas?
Naquela noite fria de uma quarta-feira qualquer, enquanto uma neblina incomum envolvia a cidade como um véu esquecido, algo estava prestes a mudar.
Neslihan caminhava pelas ruas cobertas pela névoa, o peso de um dia de trabalho estampado nos ombros, quando um som peculiar cortou o silêncio. Um choro fraco, agudo, que a fez parar. Não era apenas dor, mas um apelo — quase humano. “Nesi, me ajuda”, parecia dizer, com uma voz estranhamente familiar. Olhou ao redor, mas a cidade estava deserta, e a névoa espessa tornava impossível enxergar além de alguns metros. Ainda assim, conseguiu ver um filhote de cachorro correr para dentro da floresta. Seu coração disparou, e, impulsionada por um instinto incontrolável, seguiu o som.
Ao mesmo tempo, do outro lado da praça, Graziella deixava o salão, admirando as unhas recém-feitas, quando ouviu uma risada que a congelou. Ela conhecia aquela risada. Seu coração deu um salto ao avistar Romeo, seu filho, parado sozinho sob a luz pálida de um poste. “Quem te deixou aqui, meu amor?”, perguntou, mas ele apenas sorriu e gritou: “Vem, mamãe!” Antes que pudesse detê-lo, o menino desapareceu na floresta. Desesperada, ela correu atrás dele, chamando-o.
Já no The Loft, Christopher guardava seu violão após mais uma noite vazia, suas melodias ecoando apenas para as paredes do lugar. Cabisbaixo, prestes a sair, seus passos foram interrompidos por um piano tocando ao longe. A melodia era estranha, mas profundamente comovente, como se puxasse cada fibra de sua alma. Sem pensar, ele seguiu o som, mesmo que o levasse para dentro da floresta envolta em mistério.
Aaron caminhava apressado em direção ao The Loft para mais um turno, mas parou ao sentir o cheiro inconfundível de bolo de chocolate. Não era qualquer bolo; era o de sua mãe, com a pitada de canela que sempre o fazia voltar à infância. O aroma o envolveu como um abraço caloroso, e, sem perceber, ele se desviou do caminho. O cheiro vinha da floresta. Quem estaria cozinhando ali? Não fazia sentido, mas algo em seu peito insistia que ele precisava seguir.
A filha do pastor foi a última a sair da igreja após a missa e foi surpreendida pela densa neblina, algo difícil de acontecer em Khadel naquela época do ano, tão quente e florida. Uma amiga do coral surgiu de repente, ofegante, pedindo ajuda para uma menina machucada. Sem hesitar, Pasqualina se deixou guiar, mas a mulher logo se afastou, desaparecendo na bruma. “Espere!”, ela gritou, o coração acelerado, correndo atrás da silhueta que se distanciava.
Gianna, sempre envolta em mistério, saía da Pensione Bella Vista em silêncio, mas a quietude do lado de fora a preocupou. Nenhum olhar curioso, nenhum murmúrio — exceto o sussurro que a paralisou. Uma voz que ela não tinha certeza se já ouviu, mas que pareciam muito familiar. “Mãe?” A palavra escapou como um sopro. A voz sussurrava seu nome, atraindo-a para dentro da neblina. Sem saber o que a esperava, ela seguiu, o coração descompassado.
Olivia saía do La Bottega com sua bolsinha de frutas frescas, mas hesitou ao se deparar com a inesperada neblina que tomava a cidade. Tudo estava quieto, vazio demais. De repente, uma melodia familiar rompeu o silêncio: Tale as Old as Time, de A Bela e a Fera, cantada em italiano pela doce voz de Alicia, sua irmã falecida. O coração de Olivia disparou. Alicia sempre cantava essa música quando ela tinha medo, trazendo conforto com seu filme favorito de infância. “Vem cantar comigo, Liv”, ouviu a voz sussurrar. Com os olhos marejados, Olivia seguiu o som, os passos guiados por uma mistura de saudade e fascínio, desaparecendo na escuridão da floresta.
Matteo, saía da academia da Casa Comune, sem surpreender ninguém por estar lá até tarde, carregando um caderno abarrotado de anotações. Mas um vento súbito arrancou as páginas de suas mãos, espalhando-as como folhas ao vento. Desesperado, ele correu atrás delas, o orgulho aliviado pela ausência de testemunhas. As folhas voavam em direção à floresta, como se brincassem com ele, aguardando que se aproximasse antes de voarem mais fundo na neblina.
Camilo, ao estacionar diante do Il Giardino, mal teve tempo de desligar o carro antes de ser tomado por uma visão impossível. A mulher parada à sua frente, que ele não via desde os seis anos, sorriu e fez um gesto silencioso com a mão. “Mãe?”, ele murmurou, o peito apertado. Sem pensar, seguiu-a para além da luz dos postes, perdido na penumbra.
Helena deixava o estúdio de teatro da Casa Comune quando um assobio suave cortou a noite: Lavender's Blue Dilly Dilly. Seu coração se aqueceu e apertou ao mesmo tempo, a doce lembrança da canção de ninar preenchendo o ar. “Quem está aí?”, chamou, mas ninguém respondeu. Ainda assim, com um sorriso trêmulo, ela seguiu o som, incapaz de resistir, os passos leves e delicados como se dançasse para um destino desconhecido.
Quando chegaram à cachoeira, algo os atingiu como um choque de realidade. Todos os sons, imagens e cheiros que os levaram até ali haviam desaparecido como fumaça. Não haviam mais os sons que os tinham atraído — a risada de Romeo, o choro do cachorrinho, o assobio de Lavender’s Blue, o cheiro do bolo de chocolate com canela — tudo se esvaiu sem explicação. A névoa os envolvia, mas de uma maneira diferente agora, sem o calor do sonho que os tinha guiado até ali. O desespero de Matteo por suas folhas, o eco da canção de Alicia para Olivia, a mãe de Camilo que o abandonou, a voz que Gianna acreditava ser de sua mãe, a música que atraiu o nosso romântico, a amiga da igreja da filha do pastor, nada mais parecia existir. O que restava era apenas o som monótono da cachoeira, sua queda pesada e constante, misturado ao canto dos grilos, como se o mundo inteiro tivesse desacelerado, deixando-os ali, sozinhos e perplexos, sem mais respostas.
Confusos, olharam ao redor, tentando entender como haviam chegado ali, como haviam seguido as ilusões sem sequer perceber o caminho, sem questionar o quanto aquilo parecia estranho. Mas lá estavam eles. Todos chegaram ao seu destino, essa era a sensação, mesmo que ainda não entendessem o motivo. Cada um estava preso à lembrança do que os guiara: a música familiar, o cheiro, o som das vozes que chamavam, mas agora, naquele lugar isolado e quase sombrio, tudo parecia irreal, como se nada fizesse sentido. Eles se olharam, só então notando a presença dos outros ali, mas não tiveram tempo de dizer ou perguntar nada.
O som da Cascata Jack, que até então era um rugido constante e imponente, desapareceu por completo. Os dez khadelianos, parados diante da majestosa queda d'água, trocaram olhares incertos. O barulho, que antes preenchia cada canto do vale, foi lentamente sendo substituído por um silêncio denso e carregado, como se o mundo ao redor tivesse se calado para sempre. Era angustiante. De repente, a cascata se abriu, revelando uma fenda estreita e irregular nas pedras. De dentro da abertura, uma luz suave e mística pulsava, parecendo chamá-los com uma urgência silenciosa.
— Vocês sentiram isso? — murmurou Gianna, enquanto dava um passo hesitante para frente.
O grupo avançou com cautela, seus passos abafados pela terra úmida. Ao atravessarem a fenda, depararam-se com uma caverna oculta, onde uma parede de pedra coberta de musgo dominava o espaço. A luz emanava delicadamente das fissuras entre os blocos, iluminando símbolos entalhados na rocha — runas antigas, figuras complexas e marcas que pareciam ecoar algo profundamente familiar.
Aaron, o mais pragmático entre eles, aproximou-se da parede com o cenho franzido. Seus olhos examinavam as marcas, mas não encontrava explicações lógicas. Quando sua mão tocou a superfície fria, algo profundo e desconhecido se despertou. Uma onda de calor percorreu seu corpo, e ele recuou rapidamente, respirando com dificuldade.
— É como se a pedra estivesse viva. — observou Neslihan, depois de ter o mesmo instinto de tocar uma das runas e sentir o calor subir pelo braço e se espalhar pelo corpo.
Todos seguiram o impulso, colocando as mãos em diferentes partes da parede marcada, como se algo chamasse por eles, algo além de sua compreensão. Subitamente, o ambiente ao redor deles parecia se alterar. O ar ficou denso, as marcas na parede ganharam cores brilhantes, como pedras preciosas reluzindo dentro da gruta que pareciam ter despertado algo. Uma voz suave começou a ecoar pelas paredes da caverna, tão clara que parecia vir de dentro da própria terra.
— As peças voltaram ao tabuleiro… Mas o jogo mal começou. Vocês são o eco de um passado que não perdoa. A verdade está em seus corações e nesta terra marcada por sangue e dor.
— Quem está aí? — exigiu Camilo, os punhos cerrados.
A voz ecoou novamente, desta vez com um tom grave e enigmático, como se estivesse tecendo palavras de um destino inevitável.
— A profecia é real. Vocês são a reencarnação dos apaixonados, os que não puderam viver o amor que foi interrompido há cem anos. Agora, vocês têm a chance de reescrever o que foi perdido. Eu lhes darei um ano para descobrir quem foram em suas vidas passadas, para reconhecer suas almas gêmeas e, por fim, viver o que antes lhes foi negado. O tempo é um aliado traiçoeiro. Se 365 dias não forem suficientes, estarão fadados a mais cem anos de desamor, até receberem uma nova chance.
A voz se tornou mais suave, como se fosse um sussurro levado pelo vento.
— O que vocês buscam nem sempre será revelado com facilidade. Usem o espelho com sabedoria, pois ele guarda a chave para o que está escondido. Mas cuidado! O preço dele é alto. O espelho só mostrará a verdade, se fizerem as escolhas certas. Boa sorte, meus amantes reencarnados! Espero que no fim dessa jornada não sejam mais almas solitárias.
O silêncio se fez novamente, mas a tensão no ar era palpável, como se as palavras da voz ainda pairassem sobre eles, desafiando-os a desvendar os mistérios que estavam prestes a se desenrolar. O brilho das runas foi apagando lentamente, deixando a caverna iluminada apenas pela fenda que antes abrira para eles.
O grupo ficou parado, trocando olhares confusos, sem saber o que dizer, a mente cheia de perguntas não respondidas. O som da caverna parecia ter desaparecido, deixando-os em um silêncio opressor. Mas, de repente, o chão sob seus pés começou a tremer, fraco no início, mas crescendo em intensidade, como se a caverna estivesse reagindo à sua presença. O tremor parecia uma advertência, uma força invisível os empurrando para fora.
A tremedeira se intensificou, fazendo as pedras se deslocarem e o ar vibrar com uma pressão crescente. Em pânico, eles começaram a correr em direção à fenda, e, quando finalmente conseguiram sair, seus corações batiam fortes e descompassados, o corpo ofegante pela pressa. Eles se afastaram rapidamente da entrada da caverna, o corpo ainda em alerta, e viraram-se para ver a fenda começar a se fechar. A água da cachoeira, que antes havia cessado, voltou a cair com seu som pesado, e os grilos recomeçaram seu cricrilar, como se nada tivesse acontecido.
O lugar agora estava iluminado pela lua cheia, mas, ao contrário da sensação de mistério e escuridão que os envolvia quando chegaram ali, o ambiente parecia menos ameaçador, mais calmo, como se o pesadelo tivesse se dissipado. Eles ficaram ali, molhados e dentro da água, se encarando, sem saber o que fazer, as palavras faltando.
Finalmente, Matteo rompeu o silêncio:
— Alguém viu algum espelho?
OOC.
É, agora eles finalmente tiveram a revelação, mas o que isso significa? Bem, vocês vão me responder na primeira task!
A task poderá ter quantos parágrafos quiserem. Pode ser curtinha. Valerá 20 pontos, mas deve estar postada até o dia 19 de janeiro. Passado essa data, a task ainda pode ser postada, mas não valerá ponto algum.
Não se esqueçam de marcar o blog @khdpontos para receber a pontuação da task.
Você pode reescrever o que está aqui sob a visão do seu personagem, ou pular para a parte final.
Mas o que obrigatoriamente precisa conter na task: a reação do seu personagem após saírem da gruta. Ele ficou em silêncio e foi embora confuso? Falou com alguém? Cogitou a possibilidade de ser real? Ficou impactado ou achou tudo uma grande bobeira? Criou teorias da conspiração sobre ser pegadinha, ou acredita que pode quebrar a maldição? Conversou com os outros sobre o que deveriam fazer, pensando em estratégias ou zombou de quem sugeriu fazer alguma coisa? Decidiu ajudar ou vai querer prejudicar aqueles que querem tentar quebrar a maldição? Enfim, a parte principal da task é essa, me contar o que ele sentiu durante a revelação e depois como reagiu.
Não é preciso ter interações sobre isso, mas é permitido.
As interações já é andamento podem continuar como flashback.
Essa é a parte 1 do plot, a parte 2 será postada amanhã, na quinta-feira, às 18h e será uma interação em duplas / casais.
Qualquer outra dúvida, a ask e o chat estarão abertos!
Para vocês visualizarem um pouco melhor como seria, mais ou menos, a caverna e os símbolos coloridos (feito com IA, então relevem qualquer bizarrice):









