Preciso de minha vontade inata de poetizar dores, amores e tudo que carrego nessa casca de humano imprestável. Para pouco mais do que isso serve o homem e toda a sua lábia de ser maldido. Sacos de ossos e carne balançam fazendo os cachorros latirem, correrem e darem de beber aos seus filhotes bastardos de uma cadela qualquer. Aos latidos se comem, se matam e marcam seus territórios com urina azeda. Assim como o homem, que é também bicho. Minhas teorias a cerca das coisas não faz as cordas vocais vibrarem em harmonia, pelo contrário, faz a voz bater nos dentes e voltar para o oco do intestino passando pelas labaredas da garganta e sendo rasgada nas gameleira da língua. Do homem quero a apenas a arte desprezada e a ciência inconclusa sobre as coisas do mundo. Não mais que as coisas mundanas, os cânticos ritualísticos, as moradas paupérrimas e, claro, a vontade de ser feliz na triste experança de uma existência mórbida. Dele se escondem, nas escuras ruas em tardes de bruma, os lamentos dos outros. Os latidos dos outros e a bebida dos filhos bastardos. Malditos seres que devem ser e não são. Ameniza a minha culpa saber que, antes de minhas palavras afogarem a carcaça dos homens, esses perdem o fôlego ao simplesmente serem paridos das cadelas. Minha vontade muda, não mais dores e amores, agora poetizo as vertentes do pensamento humano e suas deficiências que ousam dizer serem de cunho psicológico. Deixem as coisas da mente fora disso. O que o homem tem e o que deve buscar é o caráter de alma.
Ontrológico e Eufemizador









