Revolução...
Você entende que é difícil e quase impossível me calar diante disso?
Você tem noção que meus olhos choram?!
A minha alma se despedaça
É quase que um grito de todos os meus ancestrais que foram escravizados
Eles não admitem que isso continue acontecendo
Dói
E eu sei que meus ancestrais que foram acorrentados, amordaçados e chicoteados.
Sente toda essa energia
E eles gritam
E eu ouço o lamento deles
É um grito dolorido
É um cântico na plantação de cana entoado em forma de luto
As mães colocam seus rostos no chão
Elas já não têm mais esperanças
Os meus irmãos rasgam o pouco de pano que cobrem seus corpos negros e maltratados
Meus avós choram um choro silencioso de quem não tem mais forças para se despedaçar
E sinto isso sabe
É uma mistura de tudo
Eles deixaram esse mundo
Sem saber o que aconteceriam com os seus
Eles devem estar revoltados
Por que eles sempre foram castigados
Sua negra carne violada
Seu sangue carmim escorrendo como um vertente por sua pele preta rasgada
Você sente isso?
Você sente a minha dor?
Você sente a dor dos meus ancestrais?
Eles urravam feito animais
Mas sabem, eles não eram animais.
Os animais sem sentimentos eram os que erguiam os seus chicotes com aquela cara de escárnio
Você sente minha dor?
Essa dor que tira minhas lágrimas mais doídas?
Essa dor que se aloja no meu peito?
Essa dor que parece que estou a séculos de luto?
O luto não sai de mim.
Quando eu acho que posso sair do luto
Um irmão meu é morto, pelas mesmas mãos autoritárias e os mesmos sorrisos de escárnio.
Você realmente sente a minha dor?
Você a sente quando meu irmão preto é morto pelo simples fato dele ser preto?
E eu não suportaria ficar calada agora
Eu não aguento mais esse silêncio imposto
Você vai ter que fechar a sua boca e me ouvir
Você vai ter que abrir bem seus ouvidos e escutar os gritos de dor dos meus ancestrais
Do choro da criança tirada à força dos braços da sua mãe, da sua mãe terra.
Dos meus que morreram no porão de um navio e foram jogados no mar para servir de comida para os tubarões
Das minhas irmãs estupradas por seus carrascos. Elas gritavam a sua dor. A dor era tanta que elas preferiam a morte a se submeterem aos caprichos desses monstros que sempre usurparam nossos corpos.
Você sente minha dor?
Você sente minha dor?
Ou você só usa uma hashtag?
Eu não aguento ficar calada
Eu me liberto dos grilhões
Eu me liberto das amordaças
Eu me liberto
E vocês vão ter que me ouvir
Vocês vão ouvir meus ancestrais cantando um blues da revolução
Eu sinto isso
Eles gritam as dores deles em uma melodia triste e chorosa.
Anunciando uma revolução.















