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Talvez a simbologia do título acima seja um exagero, mas sou feita de exagero, talvez seja um mal entendido, quem morreu pode morrer de novo? Talvez, já são 21 anos morrendo lentamente, mas dessa vez o encontro nada romântico com a dona Morte foi bem mais surreal.
𝕸𝖔𝖗𝖇𝖎𝖉𝖆 𝖊 𝕯𝖊𝖘𝖆𝖑𝖒𝖆𝖉𝖆 𝖆𝖕𝖗𝖊𝖘𝖊𝖓𝖙𝖆:
A Morte encontra a Mórbida e seu desejo por uma supernova
Quis tanto morrer que quase morri de medo quando quase morri
Quando quase morri o tempo parou, mas tudo continuou ao mesmo tempo
O mundo não parou pra mim
O céu não ficou roxo por minha causa
É narcisista demais pensar assim?
Egoísmo talvez?
É contraditório com toda certeza
Eu queria morrer a tanto tempo mesmo me sentindo morta a tanto tempo
Tudo a tanto tempo ao mesmo tempo
O mundo parece que parou a muito tempo
Mas não por causa de mim, apenas pra mim
Mas não no sentido belo e encantador onde todos são meus servos
É apenas um eterno inverno no calor infernal desse cemitério incrépito
Estou presa comigo mesma e nem sei quem sou
Talvez por isso seja tão assustador
As vozes são minha, mas não conheço elas e tenho medo delas
Tenho medo de mim e das minhas 3 mil versões
Um completo metamorfo ambulante que serve as versões que mais agradam aqueles que tenho no momento
Estou presa no corpo morto que quase morreu
Eu paralisei quando vi ali naquele momento o que as palavras em latim já me perseguiam a tanto tempo o tempo todo
memento mori
Talvez o 0,2 segundos teriam me matado
Eu fugi da morte mesmo sem saber?
Logo eu que amava dizer que eu e ela andávamos de mãos dadas e como queria eu tocar ela
Mas talvez tenho sido ela que tenha me tocado hoje, o arranhão deixou a mancha na pele
Mas a marca na alma ficou quando fiquei sozinha no corredor esperando ser atendida
Era eu presa a mim mesmo e o eterno medo de morrer só
Mas eu já sei que todo mundo morre só
Mas o arranhão foi sentir que naquelas horas que passei, eu só queria uma companhia
A morte me tocou e me mostrou meu maior medo
Não é sobre medo da morte
É o medo de ser esquecido, os carros iriam continuar a rodar, as pessoas continuariam a trabalhar mesmo com meu corpo estirado no chão ou sendo levado pra ambulância
Te juro que não é narcisismo, não é maldade
Mas as vezes eu queria gritar e o mundo parar SÓ para mim
Quero mover as nuvens do céu e poder ver toda a galáxia com meu fracos olhos humanos
Quero vestir um anel de poeira mística na minha cintura e ser admirada por todos como uma divindade
Aquela que sempre vai ter alguém rezando por ela
Aquela que morreu a milhares de anos, mas ainda conseguimos admirar a beleza dela sem igual sem nem a tocar
Mesmo sozinha ela está acompanhada
Ela brilha sem igual e os humanos são fascinados por ela
Não é apenas sobre medo da morte
É o medo infantil do abandono, quando você olha ao redor e percebe que você é seu dono
O dono que se abandonou
Nisso a morte me relembrou mais uma vez como eu me abandonei milhares de anos por outras crianças abandonadas
Medo de ser abandonado por alguém quando tudo que você faz é abandonar a si mesmo e eternamente selar a si o destino de sempre se sentir só
Aquelas que você ama te abandonam
Você já se abandonou ao mesmo tempo a tantos anos
Mas aí a morte me mostrou que se a casa e a criança já estão abandonadas, que medo de morrer é esse?
A morte é linda, eu pude ver ela sem morrer aqui entre o mundo dos vivos, o mundo do concreto
Os filhos de Abel sentem que nasceram abandonados selados a um destino de uma cobra que não tem fim
Os filhos de Abel sentem que já nasceram mortos no mundo abstrato transcendental de se apenas existir, não viver, apenas sobreviver
Se todos nós já estamos mortos e abandonados, que medo é esse?
A morte é linda, sempre tão sozinha, nunca admirada, apenas mal falada
Ela também tem suas 3 mil versões
Talvez por isso sempre gostei dela
Ela faz um trabalho lindo e grotesco
Chame isso de romantização, eu não ligo, pelo o menos estou usando o verbo de ação além do papel ou de uma tela
A morte tem me mostrado ultimamente a ação de se romantizar e agir mesmo querendo chorar
Se deixando libertar, pelo o menos imaginar
Chame isso de rimar
Zombe de minha mal rimação
Sou uma adulta criança em eterna formação
Cheia de enganações
Inundada de alucinações
Desejos e fascinações
Quis tanto morrer por tanto tempo por me sentir morta a tanto tempo e ao mesmo tempo a criança abandonada dentro do corpo vivo, mas podre
discretamente persistia pra um dia saber como é viver
A criança abandonada quer saber como é viver aquelas histórias incríveis dos livros onde nem tudo é azul
Mórbida agora tem um gato, ela já não está tão só
Mórbida e seu gato sabem de có a história de Coraline, aqui agora estão eles na espera do final feliz daquela de cabelos marinhos
Tudo na Desalmada Mórbida é contraditório
Azul, Roxo
Tristeza e Ódio
Apatia e Prazer
Preto e Branco
Vermelho, Roxo
Tudo misturado
Bagunçado
Morte e esperança
Não podem elas andar juntas?
Não podem ser elas a andarem de mãos dadas?
Não sei, talvez a Morte seja meio romântica
A morte poderia matar todos os filhos de Abel e criar um mundo só para ela, mas ela apenas assiste, acompanha, dá a mão, chega de lado
Não é isso pura esperança?
A morte podia ter me levado com ela, andar juntas até o fim, mas por mais irônico que soe fiquei com uma perna a mancar, não é meu tempo de com ela andar
Pelo toque da morte eu vi além da sensação de insignificância existencial, eu vi a esperança daquela criança abandonada que se sente morta, mas não morreu
A morte a mostrou isso
A morte de todos, foi ela que me mostrou a esperança
Post tenebras lux
A luz antes de morrer é nada mais que a esperança de não morrer
De voltar do mundo dos mortos assassinados quando crianças e ressurgir na esperança de viver a luz mesmo dentro de sua própria escuridão
Nosce te ipsum
Data: 05/05/26
Acho irônico poder dizer que esse poema nasceu de uma quase morte, não sei se as palavras são incríveis em me permitir dizer isso ou se os seres humanos são fantasticamente insanos e se fascinam pelas coisas mais fúnebres porque essa é ou uma forma de aceitar a morte e viver a vida ou exagerar ela ao puro suco do romantismo e quão mais fantasioso, menos perto da realidade ela está de nos. acredito que um ser humano possa viver os dois ao mesmo tempo em momentos diferentes, seja na diferença entre 20 e 60 anos ou 2 horas de um mesmo dia.
Faz 1 mês que fiz esse poema, de novo, digo agora que é engraçado falar isso, mas quando quase morri eu fiquei estagnada, não tive reação, depois do encontro com a morte e ela me lembrar da esperança, pensei que tudo iria melhorar, mas ai que esta a graça, a Mórbida Desalmada entrou num episódio depressivo pior que antes, não é cômico como os humanos funcionam se auto destruindo enquanto tentam se construir mesmo sem nem saber segurar um martelo a não ser que seja pra acertar a perna e respirar a dor de se sentir minimamente vivo?. quem inventou a mentira que sentir dor é estar vivo? os melancólicos filhos de Abel não podem ouvir essa frase, frases assim criam viciados na dor de se doer pra se sentir menos morto, digo eu como uma filha de Abel.