GATECRASHERS: A Ruína da Essência Âmbar | Cap. 1 - Externos | Essência Âmbar
25 de Abril de 2089, 09h00, Essência Âmbar
São Paulo, Brasil
A distorção espaço-temporal os cospe como algo indigesto. Eles são jogados cada um numa parte do que parece um ambiente cercado por árvores de grande e médio porte, além de alguns arbustos, galhos e detritos acima de uma serapilheira. Uma mata não tão fechada, mas excepcionalmente camuflada e silenciosa. É nesse cenário onde eles se surpreendem e levantam, um a um, procurando uns aos outros com os olhos, numa atmosfera de desconforto, mas ao mesmo tempo dúvida sobre o que aconteceu. Eles estão sozinhos em meio ao desconhecido.
— Pessoal, tá tudo bem? — O rapaz que tem por volta dos seus 16 anos passa as mãos sobre o próprio tecido da própria roupa, tirando a sujeira de terra que acaba manchando.
— Sim... Miku confusa! Boruto, você tá bem? — Perguntou Miku, tirando pequenos galhos do próprio cabelo de cor turquesa e azul-esverdeado. Ela se aproxima do rapaz, um tanto preocupada com ele, mas ao mesmo tempo apreensiva pelo lugar que chegaram.
— Você é estranha, hein? Ainda não parou de me chamar por esse nome. Eu sou Naruto... Na-ru-to Uzu-ma-ki! — Disse Naruto, facilmente irritado e agitado.
— Gomen... Miku lembra de alguém que parece com você. Mas agora não tem muito tempo! Não é esse lugar que Miku esperava encontrar... — Pontuou Miku, um pouco confusa. Esse não é o Mundo Pokémon? Ela se mostra um tanto assustada. Parece um mundo extremamente diferente, mais sombrio.
— Não é? Caramba, jurei que essa missão me ajudaria no treinamento do meu jutsu novo. Sakura vai me matar. Por que eu fui confiar naquela rena esquisita? — Naruto ignora o primeiro comentário, focando no atual problema enquanto começa a explorar ao redor de onde eles estão, buscando pistas.
— Rudolph não é esquisito. Acho que ele só se enganou. Não vamos nos desesperar, okay? No final as coisas vão dar certo! — De uma maneira fofa, a personalidade radiante de Miku se contrasta ao ambiente sombrio enquanto Naruto busca qualquer informação em meio à vegetação um tanto densa onde estão.
— Vou tentar encontrar eles rapidinho. Deixa comigo! — Naruto faz um conjunto de sinais com as mãos, mas antes mesmo de dizer qualquer coisa, escuta um som abafado, quase que de um choro.
— Naruto? Você está bem? — Miku nota a hesitação do garoto de cabelos espetados e loiros. Sua feição muda para estado de alerta.
— Tô ouvindo alguma coisa. Acho que pode ser rena esquisita ou aquela águia barulhenta. — Naruto corre em direção ao som, que não está muito distante de onde ele e Miku estão.
— Espera, Naruto! Por favor! — Miku segue o rapaz, tentando alcançar a sua velocidade enquanto sua própria voz tremula como uma voz com interferência ou algo eletrônico semelhante.
Ao se aproximarem de uma árvore a alguns poucos metros, Naruto e Miku encontram o que identificam rapidamente como uma bola de neve presa dentro de um buraco no tronco. A bola de neve se contorce enquanto a voz abafada parece chorar.
— Tem neve dentro desse tronco de árvore? Ela tá se mexendo como um fan... fantasma! — Naruto muda a expressão, agindo de maneira um tanto cômica, se escondendo atrás de Miku. Ele treme, apreensivo de que aquilo possa ser alguma entidade paranormal.
— Narutinho, não precisa ter medo... Olaf, é você? Sou eu, Miku! — Miku prontamente se aproxima da bolinha de neve presa no tronco de árvore, tentando puxá-la sem machucar o boneco de neve. No entanto, ao apertar com mais força, ele se desmonta inteiro, dando um susto nela mesma e em Naruto.
— Tá tudo bem, crianças! Não tenho crânio e nem ossos, então dá pra reparar facinho. Obrigado. — Disse o boneco de neve, facilmente se remontando enquanto agradece a Naruto e Miku.
— Um boneco de neve falar já era bem esquisito pra mim, tô certo! — Naruto cruza os braços, colocando um pouco da língua pra fora.
— Minna, Miku não tá entendendo nadinha! Esse era pra ser o Mundo Pokémon. Não era nada assim! Rudolph e Júpiter desapareceram e os outros também. Como Miku, Naruto e Olaf chegaram aqui? — A vocaloid expressa sua dúvida e medo pelas palavras, deixando oscilações no seu padrão vocal, como de costume.
— Agora que eu estou vendo, é bem diferente de Arendelle. E está um pouco... quente nessa floresta. Por que não procuramos outro lugar para ficar enquanto pensamos no que fazer? — Olaf sugere a ideia enquanto sente um pouco de água escorrer do próprio corpo.
— O boneco de neve tem razão. Vamos continuar por aqui. — Acatou Naruto, seguindo com Miku enquanto Olaf lidera a caminhada.
Conforme caminham pelas veredas, empurrando os galhos e arbustos, o trio enxerga uma pequena fonte de água, usando-a para encontrar alguma saída da mata. Foi uma boa decisão, pois à medida que se deslocaram pela trilha, menos árvores foram ficando. Logo, os céus passaram a ser mais visíveis, porém, com nuvens densamente cinzentas, mas sem qualquer sinal de tempestade. Miku, Naruto e Olaf se entreolham quando finalmente chegam a uma estrada. Há inúmeros carros abandonados, completamente enferrujados. Aparentemente, todos eles foram deixados ali há muito tempo. Em uma parte superior da estrada, há uma placa com um dizer escrito.
— O que são essas coisas? — Perguntou Naruto, se aproximando dos veículos enferrujados, cobertos de vinhas secas.
— Carros. Muitas pessoas usam isso pra andar pelos lugares. — Miku responde de maneira objetiva, olhando para Naruto enquanto ele apresenta um olhar curioso para a carcaça de metal abandonada.
— Bem-vindo a São Paulo. — Olaf lê o que está na grande placa, explicando para Naruto e Miku, que aparentemente não sabem ler este idioma: — Parece que existe uma cidade mais a frente, amigos.
— São Paulo? Tem certeza disso, boneco de neve? Eu nunca vi um nome esquisito desse pra uma vila. — Naruto demonstra estranheza pelas coisas que já viu neste mundo, mesmo estando aqui há pouco mais de trinta minutos.
— Eu tenho certeza, sim. Uma amiga me ensinou a ler. Eu aprendi direitinho. Acho que não tem outra maneira de encontrarmos Rudolph. Temos que seguir por essa estrada até chegar no vilarejo. — Sugeriu o boneco de neve, com uma aparência otimista e amigável.
— Miku não tem certeza se é uma boa ideia. Talvez algo tenha trazido Olaf, Naruto e Miku pra um lugar errado. Não é nada igual ao Mundo Pokémon que Miku conheceu... Gomen, mas Miku tem medo do que pode encontrar. — A vocaloid junta as mãos e se demonstra apreensiva.
— Mas você não disse que vai dar tudo certo no final? Eu não vou deixar ninguém pensar de forma pessimista! Vamos encontrar a rena esquisita e a água barulhenta. É uma promessa! — Cerrando o punho direito, Naruto estende seu braço em direção à placa, tentando levantar o astral de Miku enquanto Olaf dá risinhos, saltitando.
Miku esboça um sorriso, deixando sua apreensão de lado enquanto sua personalidade radiante retorna. Mesmo sem saber onde estão, Naruto tem razão. Tanto ele, como Miku e Olaf são figuras otimistas. Eles não podem perder a esperança agora. No entanto, quando então decidem caminhar em direção à cidade, escutam ruídos semelhantes à rosnados ou grunhidos.
— Vocês ouviram essas coisas? — Naruto fica sério, pegando uma kunai enquanto empurra Miku e Olaf para que se abaixem próximos a uma das carcaças de carro.
— Sim. — Miku assente, ajustando o microfone auricular enquanto sente as vibrações no ar que se misturam ao som do mover de arbustos e galhos. Algo está saindo a mata de onde eles vieram. Não é um simples ruído de algo, mas um ruído múltiplo.
— Acho que entramos numa fria. — Olaf pontua, tremendo seu corpinho enquanto fica atento aos ruídos.
De repente, um odor fétido sobe no ar enquanto uma horda de cerca de 15 silhuetas se arrasta, saindo da lateral da rodovia. Seus corpos estão em decomposição como mortos, mas eles se movem e grunhem de forma selvagem, andando como monstros.
— Que fedor... — Naruto cobre o rosto, sentindo o miasma impregnar suas narinas, forçando-o a curvar a cabeça em silêncio.
— Miku, você sabe o que são essas coisas? — Perguntou Olaf, esboçando surpresa, mas também uma expressão de que não está acreditando que aquilo que está vendo é de fato real.
— S-são... Pikachu! Miku lembra... — Miku cobre a própria boca enquanto seus olhos lacrimejam, parte pelo odor forte de carne podre, mas também pela opaco sentimento que emana daqueles Pokémon que se locomovem. Eles estão vivos ou mortos? O sentimento invade o coração meigo da vocaloid, que paralisa.
Conforme a horda se arrasta para fora da mata e alcança a rodovia, o odor as acompanha, assim como os ruídos de suas vozes maculadas. Assim como Miku, Olaf se paralisa, pois nunca viu nada parecido com aquilo. Nas mãos, Naruto segura uma kunai, um objeto cortante semelhante a um punhal, preparado para atacar. Os monstros zumbificados se arrastam e seguem a estrada, passando por dentre os carros, cercando rapidamente o trio que permanece parado, torcendo para que aquilo passe.
— Vocês não vão seguir pra cidade. — Disse uma silhueta que saiu do mesmo local de onde os monstros vieram. Ao alcançar a estrada, os zumbificados percebem a sua presença e rosnam, andando no sentido oposto para tentarem pegá-lo. Em resposta, a pessoa retira dos próprios utensílios um livro muito antigo. Há um certo símbolo na capa que não parece ornar com o título do mesmo: "Ariano Suassuna - um Perfil Biográfico". Ao jogá-lo no chão, o vento movimenta suas folhas, deixando o som dos grunhidos acompanharem o tormento do que pode acontecer a seguir.
De repente, uma luz amarronzada começa a emanar do livro, pouco a pouco o convertendo numa chama que o parece consumir. Logo, a silhueta de um Pokémon é formada: um Pangoro, que se posiciona em frente aos monstros que se aproximam, sedentos por carne e violência.
— Zé, não deixa que eles sigam pra cidade! — Soco de Gelo! — Disse a silhueta em que não é possível decifrar claramente a voz.
— Narutinho, não vai! — Miku se mantém imóvel, colada na lateral do para-choque da carcaça do carro.
— Eu não vou ficar parado aqui enquanto aquelas coisas estão deixando a gente preso aqui! — Naruto salta pelo carro, fazendo um sinal de mãos, exclamando enquanto mergulha na batalha: — Jutsu Multiclones das Sombras! — Profere o ninja, entrando no confronto.
Conforme a luta acontece, a silhueta estranha acompanhada do Pokémon que surgiu de um livro velho recebe a ajuda de Naruto e seus clones. O estranho nota a capacidade do rapaz em se multiplicar, além da sua destreza e força. A cada golpe, cada um dos monstros é derrotado. Seus corpos pútridos se fragmentam com facilidade, derramando sangue na estrada, mas Naruto rapidamente percebe que para que seus movimentos parem decisivamente, é necessário proferir golpes na cabeça.
— Você é bem rápido! Como consegue se multiplicar assim? Pensei que só as criaturas como meu amigo Zé tinham esses superpoderes. — Disse a pessoa misteriosa, em meio aos corpos decaídos dos monstros finalizados.
— A pergunta de verdade é: quem é você? E que lugar é esse? — Perguntou Naruto, sem grande simpatia. Ele observa o Pokémon que entende como um urso com cara de poucos amigos. Em seguida, seus clones desaparecem, mas ele não recolhe a kunai.
— Gomen, Naruto não quis falar assim. Por favor, Miku, Naruto e Olaf são boas pessoas. Obrigada por ter tirado os Pikachu ferozes daqui, mas... — Miku sai de trás do carro, assim como Olaf. Ao tentar amenizar a situação, ela se dá conta dos corpos decepados dos Pikachu e acaba se perdendo nos pensamentos. Ela não entende como e por que aqueles Pokémon estavam fazendo aquilo.
— Olá, meu nome é Olaf! Acabamos vindo parar aqui por engano. Assim como Miku falou, muito obrigado pela ajuda! Você sabe o que tem em São Paulo? — Perguntou o boneco de neve, meio desconfiado enquanto o urso rosna.
— Uma garota de cabelo verde que fala sobre si mesma em terceira pessoa, um boneco de neve falante e um garoto que se multiplica... Querem saber o que tem em São Paulo? Nada. Nem em São Paulo, nem em lugar nenhum mais. — Disse a silhueta, de feição séria, mas com um toque cômico enquanto tira respingos de sangue da própria roupa.
— Miku, Naruto e Olaf são externos. Eles nos chamavam assim quando chegamos... Não deve ter mudado tanto assim, não? — A vocaloid tenta trazer à tona seu conhecido otimismo, buscando ignorar os restos mortais dos zumbis e o sangue que se espalhou no chão. Ela tenta usar o vulgo que ela e outros do passado receberam quando chegaram ao Mundo Pokémon da última vez.
— Externos? Que nome estranho. Acho bem melhor "Penetras", ou Gatecrashers. — Disse a silhueta de olhar misterioso, mas atento a todos os movimentos. Suas vestes e atitudes parecem de alguém experiente no meio em que vive. Mesmo em possível pouca idade, carrega consigo uma aura de sobrevivência e adaptação.
Naruto, Miku e Olaf ficam imóveis enquanto olham de forma séria para a pessoa estranha e seu Pokémon. Uma nova aventura começa em um mundo desconhecido para eles. Mas quem dera se desconhecido fosse apenas o mundo. Há muito mais para vir.
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Readers discovered the adventures of the students of Academy 27 and now the series is coming to print on March 26th, 2024.
@gatecrasherspod covered our book launch! if you want to learn about Academy 27, and why you should read the adventures of students on Mars, check this out.
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Hot damn, my first real piece in almost a year. I've got some meaty, piss-people-off stuff coming up soon, but getting back in the swing of things with a book I couldn't help but love.
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Samm analyses The House in Fata Morgana and its place among the videogame medium as an example of its narrative potential.
Hello all~! This month, I contributed a piece to GateCrashers on the masterwork of narrative design that is The House in Fata Morgana. If tragedies and visual novels are up your alley, be sure to give it a read! ^^