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1.ª edição: da Autora, Lisboa, 1985
Adília Lopes, a freira poetisa barroca.
PATRONYMICA ROMANICA
«mais où sont les dames d'antan, et leurs noms...?» JOSEPH-MARIA PIEL, «Sobre Mumadona e nomes de outras donas medievais»
Maria José Silva bióloga amiga da minha mãe Maria José Viana a minha mãe e a minha avó Maria José Fidalgo o fidalgo aprendiz Maria José Fidalgo de Oliveira o Cavaleiro de Oliveira ou o Monsieur de la Souche já não sei se da Escola de Mulheres se do Burguês Fidalgo Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira freira poetisa barroca
Adília Lopes Poema do livro "Clube da poetisa morta" (1997)

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𝐀 𝐅𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚 II 🕯️
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☩ “Você tem fé suficiente para enfrentar o mal?” -A Freira 2 ☩
☩ “Ela nunca foi apenas uma freira.” -A Freira 2 ☩
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⛧ O filme se passa em 1956, alguns anos após os acontecimentos do primeiro A Freira. Uma série de mortes misteriosas de membros da Igreja começa a acontecer em diferentes partes da Europa. Todas apresentam sinais semelhantes, indicando a atuação da entidade demoníaca Valak, que voltou a se manifestar. Diante disso, o Vaticano decide enviar novamente a Irmã Irene para investigar os casos. Ela agora vive em um convento na França e tenta levar uma vida comum, mas é forçada a retornar ao confronto direto com o mal. Irene é acompanhada pela irmã Debra, uma noviça que ainda está em formação e passa a ajudá-la durante a investigação. As duas chegam a um internato na França, onde eventos estranhos vêm ocorrendo após a morte de um padre local. Aos poucos, fica claro que Valak está se movendo de lugar em lugar, seguindo uma rota específica, e que seus ataques não são aleatórios. O demônio busca algo: relíquias sagradas ligadas ao poder de Cristo, capazes de torná-lo ainda mais forte. Paralelamente, o filme apresenta Maurice, o mesmo homem possuído no primeiro filme. Embora aparentemente esteja vivendo normalmente, ele continua sendo usado por Valak como hospedeiro, sem ter total consciência disso. O demônio age através dele em vários momentos, cometendo assassinatos e espalhando sua influência. Durante a investigação, Irene descobre que tem uma ligação especial com Santa Luzia, uma santa mártir associada à visão:
Isso se torna relevante porque Valak está ligado a símbolos de cegueira, olhos e perda da visão. A conexão sugere que Irene pode ter um papel específico na luta contra o demônio. O clímax do filme acontece quando Irene e Debra confrontam Valak diretamente. O demônio tenta completar seu objetivo ao obter a relíquia sagrada, o que lhe daria vantagem definitiva. A batalha final envolve rituais, símbolos cristãos e a tentativa de exorcizar Valak mais uma vez, ao mesmo tempo em que Maurice luta contra a possessão. No desfecho, Valak é temporariamente derrotado, mas não destruído de forma definitiva. Maurice sobrevive, mas fica implícito que os efeitos da possessão não desapareceram completamente. O filme termina reforçando que o mal continua existindo e que Valak permanece como uma ameaça ativa dentro do universo de Invocação do Mal. ⛧
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Acho Maurice muito bonito e cavalheiro, ele tem jeito de marido.
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☩ “Deus testa os que ainda acreditam.” -A Freira 2 ☩
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O Voto Quebrado de Monsanto
No cume do Parque Florestal de Monsanto, longe do bulício da Lisboa moderna e dos seus efémeros prazeres, ergue-se o que resta do Forte de Monsanto. As suas ruínas não são meras pedras decrépitas; são as costelas expostas de uma tragédia há muito sepultada sob o manto verde da vegetação. Hoje, servem de miradouro para vistas deslumbrantes sobre a capital e o Tejo, mas os locais mais antigos e supersticiosos evitam a estrutura ao cair da noite. Eles não olham para o rio, mas para o abismo do tempo. Eles conhecem a verdadeira história, a que não está nos guias turísticos, mas que se escreve nas paredes húmidas com a caligrafia da dor: a lenda do fantasma da freira que vagueia pelos corredores vazios e pelas celas frias, um espectro condenado a uma penitência eterna, não pela quebra de um voto de castidade, mas pelo crime imperdoável de um amor que desafiou Deus e os homens.
Esta é a história de Leonor, um lírio pálido cortado à nascença pelo destino.
Leonor não era uma freira comum. No século XVIII, uma era de sombras e superstição, antes das ordens religiosas serem suprimidas e a vida conventual se tornar uma relíquia do passado, ela vivia no Convento de São Domingos de Benfica. Era uma mulher de uma beleza invulgar, uma beleza que era simultaneamente uma bênção e uma maldição. Os seus olhos cor de avelã eram espelhos de uma paixão que o mundo lhe negava, um fogo silencioso que ardia por trás das grades invisíveis da sua existência monástica. A sua entrada para o convento não foi um chamamento divino, mas uma imposição familiar, um arranjo frio e calculista para salvar a honra da sua nobre, mas empobrecida, família. Ela foi vendida ao silêncio e à clausura, um sacrifício no altar da reputação.
A vida de clausura pesava-lhe na alma como uma lápide de mármore. As orações mecânicas eram como as correntes que a prendiam a um destino que não escolhera. O silêncio imposto não era paz, mas o som ensurdecedor da sua própria alma a gritar por liberdade. As paredes altas que a separavam do pulsar da cidade lá em baixo, do riso, da dança e do perigo, tudo a consumia. Leonor sonhava com o amor, com a liberdade, com a vida. Sonhava com a vertigem da paixão, com um toque que lhe incendiasse a pele fria.
O seu destino mudou quando a guerra se aproximou, um espectro de ferro e fogo que se arrastava pela Europa. As tropas francesas de Napoleão invadiram Portugal, e a cidade preparava-se para a defesa. O Forte de Monsanto, então uma estrutura militar rudimentar, foi reforçado. O forte era um castelo gótico por excelência, um monumento à opressão, com as suas ameias a rasgar o céu tempestuoso e os seus corredores a cheirar a mofo e a desespero.
Entre os oficiais responsáveis pela defesa estava o Capitão Rodrigo de Meneses. Rodrigo era a encarnação do herói byroniano: audaz, melancólico, com um sorriso fácil que escondia tormentos interiores e olhos vivos que tinham visto demasiado derramamento de sangue. Ele rapidamente se apercebeu da melancolia da freira, uma flor rara e exótica num jardim de ervas daninhas, durante as raras ocasiões em que as religiosas ajudavam a tratar dos feridos de guerra nos arredores do forte.
A atração foi mútua e imediata, um fogo proibido que ardeu nas sombras da guerra, com a intensidade de um relâmpago numa noite escura. Era um amor que não podia existir à luz do dia, um amor nascido do desespero e da proximidade da morte. Encontravam-se em segredo, sob o manto da escuridão e do nevoeiro. As passagens estreitas e os recantos escuros do forte, que mais tarde se tornariam a sua prisão, foram o palco dos seus encontros apaixonados, o único refúgio num mundo em guerra. Leonor quebrou os seus votos, entregando-se a Rodrigo com a intensidade de quem nunca tinha conhecido a paixão, com a urgência de uma alma que se liberta das suas correntes. O seu amor era a sua rebelião, o seu único acto de livre arbítrio.
O romance, contudo, não podia permanecer escondido para sempre. O destino, essa entidade cruel e omnipresente, interveio sob a forma de uma freira invejosa. Irmã Violante, cujo coração era tão frio e duro como as pedras do convento, movida pelo ciúme ou talvez por um zelo religioso doentio, denunciou-os à Madre Superiora e, pior ainda, ao comandante do forte, um homem cuja alma era feita de granito e disciplina militar.
Numa noite de nevoeiro cerrado, um nevoeiro tão denso que parecia sugar a luz da lua, enquanto os amantes se encontravam numa torre isolada do forte, um local onde o vento gemia como almas perdidas, foram cercados. Rodrigo, um militar experiente, lutou bravamente, com a fúria de um homem que defende o seu único tesouro, mas a superioridade numérica era esmagadora. Ele foi dominado e preso, aguardando julgamento e fuzilamento por traição e deserção do dever, crimes que empalideciam perante a majestade do amor que sentiam.
Leonor foi arrastada perante um tribunal eclesiástico secreto, uma inquisição de corações e almas. A sua confissão foi um misto de desafio e desespero. Ela não se arrependia do amor; arrependia-se apenas de ter nascido num mundo que o proibia. Temia a punição, mas temia mais ainda um mundo sem Rodrigo. A sentença foi severa, um exemplo sombrio para todas as que ousassem quebrar o sagrado voto de castidade em tempos de guerra.
Não a mataram, nem a prenderam no convento. A sua punição foi ser murada viva numa das celas mais profundas e escuras do Forte de Monsanto, um local onde a sua beleza e paixão seriam consumidas pela escuridão e pelo esquecimento. A cela era um túmulo em vida, um espaço exíguo onde a esperança não podia respirar. Apenas uma pequena abertura foi deixada na parede para lhe passarem água e um pouco de pão, um castigo prolongado e cruel, uma tortura lenta e metódica da alma e do corpo.
A agonia de Leonor durou dias, talvez semanas, o tempo perdeu o seu significado nas trevas. Os seus gritos de desespero e arrependimento, não pelo amor, mas pelo destino cruel que a aguardava, ecoaram pelos corredores do forte, um coro de angústia que se agarrava às paredes como musgo. O seu último desejo, uma súplica sussurrada à abertura na parede, foi ver Rodrigo pela última vez, um último vislumbre do seu amado, mas isso foi-lhe negado. Morreu de fome e de coração partido, com o nome do seu amado nos lábios, um nome que se tornou a sua última oração, o seu último suspiro.
Rodrigo foi fuzilado ao amanhecer, no Pátio das Armas, uma morte rápida e, de certa forma, misericordiosa. Morreu sem saber do destino de Leonor, com a imagem do seu rosto avelã a queimar-lhe a retina, uma visão que o acompanhou para a eternidade.
A história conta que o seu espírito permaneceu no forte. Os soldados que, anos mais tarde, ocuparam o local, relataram visões de uma forma etérea com hábito de freira a vaguear pelas ameias ao luar, um luar pálido e doentio. O rosto era uma máscara de dor e saudade, a personificação da tristeza eterna. Ouviam-se soluços vindos das celas vazias e, por vezes, um arrastar de correntes imaginárias, correntes feitas dos votos que Leonor quebrou e dos laços que a prendiam ao seu amor perdido.
O forte caiu em desuso e degradação, tornando-se as ruínas que hoje conhecemos, um monumento à fragilidade da vida e à força do amor. Mas o fantasma de Leonor, dizem, permanece. Ela é a essência do lugar, a sua alma atormentada.
João, um jovem cético aventurou-se no forte numa noite de lua nova, uma noite de escuridão total. Procurava capturar a essência gótica do local, a beleza melancólica da decadência.
À meia-noite, na câmara onde se dizia que Leonor tinha sido murada, João sentiu uma mudança brusca na temperatura. O ar tornou-se glacial, um frio que lhe penetrou até aos ossos, um frio que trazia consigo a memória do túmulo de pedra de Leonor.
Então, ele viu-a. Uma forma translúcida, flutuando a poucos centímetros do chão, com o hábito a esvoaçar num vento que não existia, um vento de outro mundo. Os olhos de avelã estavam cheios de uma dor profunda e a sua mão esquelética estendeu-se na direção dele, como se pedisse ajuda ou um último abraço, um último pedaço de vida.
João, paralisado pelo terror, sentiu o toque gelado da sua mão fantasmagórica na sua face. Não era um toque violento, mas desesperado, cheio de um amor que transcendeu a morte, um amor que era tão poderoso que se tornou tangível. Sentiu a história de Leonor a infiltrar-se na sua própria carne, a dor da traição, a agonia da fome, a saudade de Rodrigo. Viu a cara de Rodrigo, o sorriso fácil, os olhos vivos, e sentiu a bala do fuzilamento a atravessar o seu próprio peito. A dor partilhada foi uma epifania sombria.
Ele fugiu do forte. O mundo moderno de João desmoronou-se, substituído por uma realidade onde o amor e a morte dançam um tango eterno nas ruínas de Monsanto.
Hoje, os visitantes do Forte de Monsanto, ao admirarem a vista, por vezes sentem um arrepio inexplicável ou o cheiro subtil de jasmim, a flor favorita de Leonor, um cheiro que flutua no ar como uma promessa de um verão que nunca chega. E se olharem com atenção para a cela vazia na hora crepuscular, talvez vejam a sombra de uma freira, eternamente à espera do seu amor, o seu voto quebrado a pairar no ar como o mais persistente e gótico dos fantasmas de Lisboa, um fantasma que não assusta, mas quebra o coração de quem a vê, um lembrete de que o amor verdadeiro é uma maldição que nem a morte pode quebrar.
Deixe derramar!
Estudar em colégio católico sempre foi um castigo. Mas foi lá que aprendi, numa aula de ciências, que entre 60% e 70% do corpo humano é composto por água. Achei a informação meio doida e, desde então, me perguntava: como diabos essa água não derrama? Como não escorre dos olhos, da pele, da boca, da goela, dos poros? Como o corpo se segura? Ao mesmo tempo, me sentia estranha por pensar nisso. Mas eu sempre percebi minhas estranhezas e as acolhi. Gosto delas. Fazem parte de mim como a água. A única parte boa do colégio católico foi descobrir meu desejo por freiras. Elas me davam um tesão absurdo. Conseguia imaginá-las em uma grande orgia de véus e crucifixos, bocas sussurrando preces profanas entre um gemido e outro. Muita água benta. Foi no meio do sagrado que percebi a água derramar pela primeira vez. Ela escorria quente, entre minhas pernas, logo após uma missa. Eu falei que tinha umas estranhezas. Desde então, percebi que a água sempre derrama. Pelas vias lacrimais, depois de uma bad. Pelas costas, enquanto caminhava pela rua Monsenhor Salviano Pinto no pingo do meio-dia, voltando do inferno do colégio católico e carregando comigo um balde de suor. Mas a melhor forma de derramar é no gozo daquela foda bem dada. Sapatão, rebelde, histérica, ateia, rabugenta. Não aceita nada, nunca entende. Difícil, dizem. Chata. Que seja. O ponto, é que se eu não tivesse cedido ao desejo, jamais entenderia o que Letrux quis dizer em 'Déjà Vu Frenesi': "Todo corpo tem água, lágrima, suor e gozo. Ou a gente chora, ou a gente sua, ou a gente goza.” Com o passar dos anos, a chatice aumenta, o colágeno desaba, mas o tesão encontra novas formas de existir. Freiras quase não existem mais. Não nos meus dias. E acho que a última vez que pisei numa igreja foi quando descobri o desejo pelo sagrado. Sagrado: freiras. Freiras com crucifixos, se chupando, trepando num frenesi de fé. Eu sempre me vejo como espectadora, nunca meto minha língua no meio. Prefiro me derramar na imaginação delas, como uma cena de filme em preto e branco, lento, as bocas entreabertas de êxtase. Descobri muito cedo que minha prece não busca a salvação.
Autor: delirioseu