Nosso Tempo (A Dramione Fanfic) - Capítulo 21: A primeira tarefa
Na manhã da primeira tarefa, Hermione acordou quase que de supetão. Não estava atrasada, mas o desespero ainda a acometia tão forte como se estivesse.
Havia passado o dia anterior inteiro ajudando Harry a praticar o Feitiço Convocatório, e ele tinha se saído bem em convocar a Firebolt de poucos metros de distância, mas, ao avançarem para distâncias maiores, as falhas se multiplicaram. A vassoura vinha em disparada para a direção errada, ou sequer saía do lugar. Harry terminara a noite ainda praticando, mesmo depois de dispensar Hermione quando Gina veio chamá-los para o jantar.
E era por isso que agora a ansiedade a corroía. Precisava encontrá-lo. Precisava ter certeza de que ele havia conseguido aperfeiçoar o feitiço. Pois, se não tivesse… temia pelo que seria dele naquela arena.
O sangue dela gelava só de pensar.
— Simas, você viu o Harry? - Perguntou Hermione quando não o encontrou na sala comunal e nem no salão principal.
— Acho que o vi no pátio agora a pouco.
Ela disparou para lá, mas, quando chegou, não havia sinal algum do Harry. Perguntou a alguns garotos da Corvinal que estavam por ali se haviam o visto, mas eles apenas negaram, alegando não terem visto Harry naquela manhã.
— Mas que droga, Harry! - Esbravejou Hermione, andando de um lado para o outro no castelo à procura do amigo.
Não importava o quão rápido seus pés a carregassem, o castelo era grande demais para que ela conseguisse vasculhar tudo sozinha. Quando deu-se conta, já estava na hora da primeira tarefa e os professores estavam passando pelos corredores informando o caminho até o estádio improvisado para o evento.
Hermione correu até a arena que ladeava a floresta, passou apressada por Fred e Jorge que gritavam recolhendo apostas, mas, ao invés de seguir com os demais alunos para as arquibancadas, avançou sorrateiramente até uma grande barraca onde viu Cedrico entrar.
Decerto é a barraca dos campeões. Concluiu em meio ao desespero de encontrar o amigo.
— Harry! - Sussurrou Hermione através da lona, esperando que ele a ouvisse e viesse ao seu encontro. — Harry! - Insistiu e viu uma sombra se aproximar do outro lado do tecido.
— Hermione? - A voz dele ecoou do lado de dentro e Hermione respirou profundamente, quase como se tivesse prendendo o ar por todo o caminho até ali.
— Harry… você conseguiu? Conseguiu dominar o Feitiço Convocatório? - Perguntou, cada palavra pesando em sua garganta diante do medo de ouvir a resposta.
— Sim, consegui.
— Ótimo. - Resfolegou, segurando-se para não deixar transparecer para ele o quanto estava apavorada. Precisava ser forte por ele. Não podia se permitir contagiá-lo com seu desespero. — Só precisa se concentrar e depois disso…
— Derrotar o dragão. - Atalhou Harry em um tom que era mais conformado do que apavorado, algo que arrebatou Hermione para pensamentos trágicos de que ele poderia realmente morrer naquela arena.
Claro, haviam os tratadores de dragões à espera para intervir, assim como a presença de todos os professores de Hogwarts, então isso garantia um pouco de segurança a todos. Mas, ainda assim, bastava um segundo, um passo em falso, um feitiço mal lançado, para que a vida de qualquer um dos campeões fosse findada.
Quando deu-se conta, já havia empurrado a lona da barraca para o lado e pulado para abraçar Harry. Talvez fosse a última vez que faria aquilo. Sentiu os braços dele tremerem contra suas costas. Por mais que tentasse manter-se firme, estava inegavelmente apavorado. E ninguém poderia sequer culpá-lo por isso. Só um louco não estaria se tremendo de medo com o destino iminente de enfrentar um dragão adulto.
A boca de Hermione se abriu para desejar boa sorte ao amigo, mas antes que o fizesse o som alto de um obturador de câmera e um flash forte de luz invadiram a barraca, forçando-a a praticamente pular para fora dos braços de Harry. Ambos com os rosto estupefatos ao fitarem Rita Skeeter, a repórter do Profeta Diário que vinha cobrindo o torneio, adentrando a barraca na maior cara de pau, com seu fotógrafo vindo logo atrás.
— Amor juvenil. - Disse ela com uma voz tão nojenta que o espanto de Hermione evaporara instantaneamente, deixando para trás apenas um semblante franzido de desgosto. — Oh! - Soltou um gritinho agudo enquanto avançava a passos curtos e rápidos na direção deles. — Que… hã… emocionante. - Comentou enquanto apontava para uma pena verde e um bloquinho de papel que vinham flutuando ao lado dela. Voltou os olhos para eles, abrindo um sorriso venenoso nos lábios, e continuou: — Se o pior de tudo acontecer hoje… vocês podem até sair na primeira página.
Como ela podia achar engraçado que a vida de adolescentes estivesse em risco? Era um absurdo!
Novamente a boca de Hermione se abriu, dessa vez pronta para retrucar algo, mas, antes que pudesse sequer juntar as palavras, uma voz grave soou por de trás de Rita, atraindo a atenção de todos.
— Nãu tem nadá para fazér aki!
Era Viktor Krum.
Ele encarava Rita com ainda mais desapreço que Hermione, mas isso não pareceu intimidar a repórter, que se virou para ele, com um sorriso ainda maior estampado nos lábios nojentos dela.
— Êssa barraca é pra campiõens... i amígos. - Continuou ele, firme e impassível, em meio a seu estranho sotaque estrangeiro.
— Ah… Está bem… Não tem problema. Já conseguimos o que queríamos. - Anunciou Rita, sorrindo satisfeita, e então virou-se para a saída, mas não antes de fazer sua pena encantada rodopiar no ar e deslizar pela lateral do rosto do búlgaro, que continuou sério e de cenho franzido até que a figura da repórter desaparecesse através da lona.
Um silêncio um pouco desconfortável pairou por meio segundo na barraca, até ser abruptamente encerrado pela chegada de Ludo Bagman e os diretores das três escolas participantes do torneio.
— Bom dia campeões! Juntem-se… juntem-se, por favor. - Disse Bagman, gesticulando animadamente com os braços.
Hermione encolheu-se para o lado, sendo quase empurrada pela presença espalhafatosa do ex-jogador de quadribol, e o ouviu continuar:
— Você esperaram, imaginaram e, finalmente, este momento chegou. - Disse com um sorriso largo e teatral. — Um momento glorioso que apenas vocês quatro poderão desfrutar…
A voz de Ludo morreu em meio a uma expressão confusa, quando seus olhos, que antes tanto deslizavam de um lado para o outro, empolgados com a situação, pousaram por sobre a figura deslocada de Hermione.
— Hã… e quem seria você, senhorita? - Perguntou ele, em um tom que poderia ser considerado dramático, se Hermione não estivesse tensa demais para notar.
— Senhorita Granger. - Apontou Dumbledore, que estava do outro lado de Bagman, e a fitou com sua habitual curiosidade penetrante e julgadora, que só aqueles olhos azuis profundos conseguiam ter. — O que está fazendo aqui?
Hermione encarou o diretor. Seus olhos piscando, o cenho franzindo-se de leve, e a boca já se abrindo para responder, mas ao invés de rolar palavras para fora, apenas puxou o ar com força, enquanto sua mente parecia ter se tornado um quadro em branco.
— Desculpe… Eu já… estou indo.
Lançou um último olhar apreensivo na direção de Harry, que imediatamente lhe devolveu um aceno positivo, e apressou-se em se retirar da barraca.
Não havia mais nada que pudesse fazer.
Atravessando a lona pesada da barraca, agora com a cabeça um pouco mais leve ao saber que Harry havia aprendido o Feitiço Convocatório, Hermione notou pela primeira vez naquele dia o quão frio estava o ar daquela manhã. Por sorte, estava devidamente agasalhada com um casaco grosso e um cachecol, os quais nem se lembrava de ter escolhido em meio à pressa. Aquela manhã toda pareciam um grande borrão em sua mente.
Puxou aquele ar congelante para dentro dos pulmões, e o expirou com força em meio a um suspiro que era tudo menos de alívio. Sentiria-se aliviada apenas no momento em que Harry estivesse são e salvo, bem longe de qualquer criatura mortal que aquela arena abrigava.
— Granger?
A voz de Draco a arrancou de seus pensamentos e, ao encarar aqueles olhos tão cinzentos quanto o céu daquela manhã, despertou para perceber que estava já há um bom tempo parada em frente da barraca dos campeões, com o que provavelmente era a maior cara de apreensão que se era possível ter.
Hermione empertigou-se, tentou relaxar os músculos do rosto, e enfim notou uma última leva de alunos chegando na arena junto da professora Sprout. Todos sorrindo e gritando empolgados.
Draco a fitou em silêncio por alguns breves instantes, suas feições pontudas pendendo entre a curiosidade e um semblante sério, até que finalmente um de seus malditos sorrisos presunçosos atravessou seu rosto pálido. Desta vez, porém, havia algo de amargo escondido sob a arrogância habitual.
— Tentando convencer os juízes a te deixarem entrar na arena no lugar do Potter? - Sua voz no mais puro tom de escárnio.
Por um breve segundo, a mente de Hermione ponderou que, se fosse permitido, ela realmente o faria. Sem sequer pestanejar. E mesmo não fazendo a mínima ideia de como ela própria faria para enfrentar um dragão... Mas não demorou-se muito naquele pensamento inútil. Os diretores e juízes jamais permitiriam algo assim, quando nem mesmo haviam permitido Harry renunciar sua participação no torneio.
— Não estou com paciência para as suas piadinhas hoje, Malfoy. - Resmungou ela, seu tom tão irritadiço quanto temeroso, enquanto avançava na direção das escadas de madeira que levavam ao topo da arena.
— Claro, claro. - Cantarolou Draco a seguindo através dos degraus. — Muito preocupada em deixar o santo Potter enfrentar seus desafios sozinho, não é?
Hermione imediatamente parou no meio da escada, sentindo-se bem perto de perder completamente a paciência, e virou-se para o sonserino que encontrava-se apenas dois degraus atrás dela. Daquele ângulo estavam praticamente da mesma altura.
— É sério, Malfoy. - Avisou, sentindo seus lábios tremerem de apreensão diante do que aguardaria Harry naquela arena.
Merlin! Malfoy não poderia deixar de ser um completo babaca apenas por algumas horas até que tudo estivesse acabado?! Gritou em sua mente e, quando o viu recuar e levantar as mãos em uma desdenhosa rendição, compreendeu que seus olhos já haviam falado por ela, transmitindo o pedido silencioso e desesperado que ele soube decifrar.
Ela quase poderia agradecer, se não estivesse tão nervosa… ou se ele não fosse Draco Malfoy.
Ao alcançarem o topo do estádio, ambos notaram o quão lotadas estavam as arquibancadas. E não era para menos, toda Hogwarts, mais os estudantes de Beauxbatons e Durmstrang, parecia ter vindo para testemunhar o espetáculo mórbido que era jogar quatro adolescentes em uma arena para enfrentarem dragões.
Eles por acaso estavam de volta na idade média, com todos aqueles coliseus e tudo mais? Perguntou-se Hermione enquanto observava a multidão vibrar em empolgação. Aquilo tudo era no mínimo bárbaro demais.
Seus olhos rapidamente encontraram as cabeças ruivas de Rony e Gina. Estavam sentados em uma fileira mais à direita juntos de Simas, Dino e Neville, e os cinco, assim como ela, não pareciam tão animados quanto os demais ao redor. Não havia qualquer sinal de lugar vago próximo à eles e, na verdade, nem em qualquer lugar que seu olhar pudesse alcançar, o que fez Hermione imediatamente lamentar ter se demorado tanto na barraca dos campeões.
— Granger. - Chamou Draco, inclinando levemente a cabeça para o lado.
Ela seguiu o gesto dele e avistou um grupo de quatro lufanos do primeiro ano, que aparentemente estavam badernando, e agora encontravam-se sendo retirados pela professora McGonagall, deixando quatro lugares vagos para trás.
Sem ter qualquer outra opção a disposição, Hermione se viu obrigada a seguir junto de Draco até aqueles assentos e sentar-se ao seu lado.
Ao menos eram bons lugares. Conformou-se e, quase que imediatamente, a voz de Ludo Bagman encheu a arena, anunciando o inicio da primeira tarefa.
Enquanto ele fazia o discurso de abertura, cerca de quinze tratadores moveram um dragão cinza-azulado para o meio da arena. As asas eram largas e de um tom quase prateado, muito bonito, mas o focinho era curto, achatado, bem diferente da maioria das espécies que Hermione se lembrava de ter visto nas ilustrações da biblioteca. Reconheceu-o quase de imediato: um Focinho-Curto Sueco. O nome, afinal, descrevia-o com perfeição.
O rugido estrondoso da criatura cortou o ar, interrompendo o entusiasmo teatral de Bagman, que encerrou seu discurso com uma risadinha nervosa antes de anunciar o primeiro campeão:
— Agora, nosso primeiro campeão, Cedrico Diggory!! - Berrou Ludo, fazendo o dragão se remexer nervosamente sobre as pedras, escondendo um ninho de ovos sob seu dorso escamoso.
Os tratadores já haviam se retirado do local, deixando o campo pedregoso completamente vazio, com apenas a presença imponente e ameaçadora do dragão destacando-se ao centro.
Não demorou e logo a figura de Cedrico surgiu através do portão do cercado. Ele estava trajado no preto e amarelo da Lufa-Lufa, mas seu rosto estava completamente verde, como se estivesse prestes a colocar todo o café da manhã para fora.
As arquibancadas vibraram com gritos e balançar de bandeiras, todos agora de pé para terem uma melhor visão do que acontecia no meio da arena. Hermione, no entanto, não conseguia entender aquela empolgação toda da plateia. Eles não tinham noção do risco que Cedrico e os outros estavam correndo naquela tarefa? Pensou, incrédula, enquanto tudo o que conseguia fazer era apertar as mãos em nervoso e ansiedade.
O Focinho-Curto Sueco contorceu-se sem sair do lugar, claramente incomodado com a presença de Cedrico, e rosnou alto, soltando um pouco de fumaça por entre os dentes. Era um óbvio aviso para que ele não se aproximasse mais, mas o que mais restava para ele fazer, quando o objetivo da tarefa era justamente capturar o ovo de ouro escondido entre os demais no ninho do dragão?
Os organizadores do torneio devem estar realmente loucos para pensar que uma prova dessas era uma boa ideia.
Cedrico avançou devagar, os olhos estalados em completa atenção e a mão tremendo ao redor da varinha, mas parou depois de apenas alguns passos, quando o dragão rugiu alto para ele. A fumaça que vazava da boca do dragão tornou-se mais volumosa e escura, mas, antes que as chamas azul-brilhantes jorrassem de sua garganta, Cedrico atirou-se para o lado, bem a tempo de esconder-se por detrás de algumas rochas altas e grossas, que o defenderam de ser completamente carbonizado.
— Aaah, por um triz… por muito pouco. - Narrou Bagman, em um tom que emulava aflição, mas parecia mais empolgado do que qualquer outra coisa.
De onde Hermione estava ela não conseguia ver Cedrico. O lufano mantinha-se escondido atrás da rocha, aguardando o Focinho-Curto parar de rosnar alto e cuspir fumaça. Quando, enfim, isso aconteceu, ela notou, do outro lado do estádio, as pessoas na plateia irromperem em empolgação e gritos de apoio, e, poucos minutos depois, um cachorro de pelo dourado surgiu por detrás da pedra, correndo em direção ao lado oposto da arena, a fim de atrair a atenção do dragão.
Quando finalmente o dragão pareceu morder a isca e avançar contra o cachorro transfigurado, a cabeça de Cedrico espreitou-se ao lado da rocha onde estava escondido e começou a, sorrateiramente, esgueirar-se em direção ao ninho.
— Ele está se arriscando, o campeão. - Disse Bagman e Hermione não pôde deixar de concordar.
Era um plano muito arriscado.
O labrador, agora do outro lado da arena, passou a provocar o dragão, correndo em ziguezague por entre as pedras, avançando e afastando-se repetidas vezes, em uma difícil tentativa de fazer o dragão afastar-se mais alguns passos para longe dos ovos. O dragão, por sua vez, já parecia sem paciência, com fumaça escura e densa vazando por entre os dentes.
Em último avanço mais atrevido do cão, o Focinho-Curto enfureceu-se, arqueou o dorso comprido, como um gato, e atacou o animal de pelos dourados com as garras, sendo forçado a dar mais alguns passos para longe do ninho no processo.
Cedrico não perdeu tempo, ergueu-se por detrás da rocha e correu.
A pressa, no entanto, o traiu.
Deixando de lado quase toda a sutileza de antes em prol de chegar o mais rápido possível ao ovo dourado, Cedrico acabou por cometer um grande erro ao atrair a atenção do Focinho-Curto Sueco de volta para si com o som desengonçado de seus passos derrapando por sobre as pedras e cascalhos. A cabeça do dragão voltou-se depressa na direção do campeão, fixando seus olhos amarelos furiosamente nele e, com apenas alguns segundos de respiro, abriu a boca e cuspiu uma rajada fina, mas escaldante, de chamas azul-brilhantes.
Hermione prendeu a respiração e desviou o olhar, apavorada, pensando que o pior havia acontecido, mas quando olhou com mais atenção notou que Cedrico, de alguma forma, naqueles míseros segundos antes do dragão atacar, havia conseguido transmutar uma rocha em uma espécie de escudo de pedra, que o salvou de um destino terrivelmente trágico.
Quando as chamas findaram, o escudo de pedra ardia em um tom alaranjado incandescente. Estava todo rachado e começando a ruir. Cedrico, que rapidamente livrou-se do escudo e correu para trás de uma pedra grande e alta, tinha agora um dos braços, o ombro e uma parte da testa gritando em tons de rosa e vermelho vivo. Seu rosto completamente contorcido de dor.
— Boa tentativa… pena que não deu resultado. - Disse Bagman em um tom levemente desanimado.
Hermione quase não conteve-se em berrar para que ele se calasse, já que não tinha nada de bom para dizer. Cedrico havia quase morrido e ele narrava aquilo como quem narra uma partida de xadrez. É revoltante! Teve que morder os lábios para não cuspir aquilo em voz alta.
De onde estava, ela pôde ver Cedrico usar alguns feitiços de água, para refrescar a pele chamuscada, e urrar de dor. Ele balançou a varinha na direção do cão transmutado, que ainda corria do outro lado da arena, e o fez avançar contra o Focinho-Curto, dessa vez mordendo a ponta da cauda em uma provocação mais ousada.
Por mais que Hermione duvidasse que a mordida do labrador tivesse realmente machucado o dragão, ela o assistiu virar com tudo na direção do cachorro, tentando acertá-lo com a pata, ao passo que a fumaça escura voltava a se acumular em sua boca.
Outro cão correu por detrás da rocha onde Cedrico estava, e juntou-se ao primeiro. Ambos latindo e avançando em mordidas na direção do dragão, mas a criatura escamosa não lançou as chamas. Não até que a fumaça que vazava de sua boca estivesse tão escura e densa quanto uma nuvem de tempestade.
É isso! Percebeu Hermione. Havia um intervalo entre as rajadas de fogo, onde o Focinho-Curto precisava “recarregar” antes de lançar mais chamas. E Cedrico estava tentando se aproveitar disso.
Ele esperou pacientemente por detrás das pedras, até que, finalmente, o dragão avançou para longe dos ovos, e explodiu em chamas contra os dois labradores. Cedrico, sem perder tempo, correu, mancando um pouco por conta da dor, e alcançou o ninho apenas um instante antes do Focinho-Curto notá-lo e partir apressado em sua direção.
Não havia fogo para lançar, mas suas presas e garras ainda eram terrivelmente mortais. Se o alcançasse, seria definitivamente o seu fim.
O lufano apanhou o ovo de ouro em seus braços e correu a toda velocidade para longe. Ele cambaleou, certamente por conta da dor das queimaduras, e apoiou-se contra uma pedra. Talvez tivesse imaginado que o dragão pararia junto ao ninho para proteger os demais ovos, mas quando olhou por cima dos ombros, o Focinho-Curto ainda avançava furioso em sua direção.
Cedrico se desequilibrou um pouco com o susto e tentou se afastar, mas, para sua sorte, antes que as garras afiadas do dragão o alcançassem, os tratadores invadiram a arena, atordoando a criatura e ajudando Cedrico a se retirar para o portão, onde madame Pomfrey o aguardava desesperada, segurando em mãos um recipiente cheio com um empasto alaranjado, que ela imediatamente começou a passar sobre a pele queimada do rapaz.
— Realmente muito bom! - Gritou Bagman com empolgação, mas, agora, as pessoas que vibravam junto a ele eram uma quantidade bem menor do que no inicio da tarefa. Certamente, agora um pouco assustados com a brutalidade daquela prova. — E agora as notas dos juízes!
< Cap anterior | Menu dos capítulos | Próximo cap >
Disponível também no AO3 e no Wattpad

















