Desculpe a brincadeira no final do vídeo meu amigo @fernando_alvim mas, os 'memes' hoje em dia é o que rende audiência. 😂 😂 😂 #canalq #fernandoalvim https://www.instagram.com/p/B8trdsrFtdt/?igshid=1tryoadgbje2t
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Desculpe a brincadeira no final do vídeo meu amigo @fernando_alvim mas, os 'memes' hoje em dia é o que rende audiência. 😂 😂 😂 #canalq #fernandoalvim https://www.instagram.com/p/B8trdsrFtdt/?igshid=1tryoadgbje2t

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Entrevista hoje no #VidaAlvim no @canalq brevemente disponível #crassh #crasshpt #canalq #fernandoalvim (em Canal Q)
Nos bastidores a ver a @seecarladraw a ser geeky na têbê <3 #ÉaVidaAlvim #canalQ #entrevista #interview #tv #fotografia #foto #photo #backstage #fernandoalvim
Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes - em mais casos do que se possa imaginar - existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram - querem! - mas quando gostam - e podem gostar muito - há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”. Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos... E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que - aqui entre nós - é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou - e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide - foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados? Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é difícil - dizem - é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ai que não vi a tua chamada não atendida”. Quando se gosta de alguém - mas a sério, que é disto que falamos - não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há SMS que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste. Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém - e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.
Fernando Alvim
Meu amor, escrevo-te para te dizer que deixaste cá os teus brincos. Estão no quarto, do lado onde pões sempre as tuas coisas e te vais esquecendo delas à medida que sais com aquela pressa. Sempre com aquela pressa. Meu amor, tenho ciúmes desse teu emprego, dessa tua vida, porque ela me tira de ti mais que nenhuma outra coisa. Gostava que desistisses desse teu emprego, meu amor mais lindo, para eu desistir também do meu e assumirmos que a nossa profissão é amarmo-nos como se fôssemos uma empresa dessas que para aí andam a fechar e a despedir gente. Em vez de pegarmos ao emprego, devíamos pegar ao amor. Numa fase inicial amávamo-nos das 9 às 5. E depois daí, saíamos fora do expediente e dedicávamo-nos ás horas extraordinárias que desde sempre foram mais lucrativas. (…) Meu amor, estivemos tanto tempo juntos desta vez que quero que saibas que todo eu cheiro a ti. O meu quarto cheira a ti. A minha cama, a minha roupa, esta carta, o teu cheiro está em toda a parte como se fosse um pólen poderoso que anuncia a Primavera. Meu amor, nunca mais saias desta cama, vem para aqui de novo, estávamos tão bem a ouvir rádio, tão quentes aqui dentro, que quando saíste juro que foi igualito a teres aberto uma janela do carro naqueles dias de geada em Bragança. Meu amor, não me voltes a sair assim da cama. Esquece lá o emprego, a vida lá fora, o que dizem os jornais, porque nada é mais importante do que este quente da cama, ouvir a vizinha do lado a cantar Roberto Carlos sem que esta nos ouça a rir, os carros a passarem na rua com velocidades de arrepiar um qualquer radar. Meu amor, não me voltes a sair da cama tão depressa, porque um dia destes agarro-me a ti e juro que vou encavalitado em ti até esse maldito emprego, de pijama e tudo, só para teres vergonha e não me voltares a sair nunca mais, sobretudo com aquela pressa.
No dia em que fugimos tu não estavas em casa, Fernando Alvim

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AMOR DE LÍNGUA Sou a favor dos beijos com língua. Sou contra os chochos. Pronto, podem prender-me. Onde é a esquadra mais próxima? Estão aqui as minhas duas mãos, ficarei na cela que me propuserem. Mas antes disso, deixem que me explique, fazendo de todos os que agora estão a ler isto – e gosto de pensar que são muitos – uma espécie de jurados à americana, como nas séries, como na televisão. De modo que é isto, não gosto de chochos. Para começar, porque nunca sei como é que se escreve (xoxos?!). Depois, porque só a palavra em si é chochinha. Quando os chochos chegam a uma relação, algo vai mal. E tenho reparado que são muitos os casais a despedirem-se com um, quando se separam para o emprego. É o clássico, o carro pára, um deles deixa o outro no local do emprego, diz-se até logo e cá está, como diria Gabriel Alves “ohhhhhh, um xooooxinhhho caro telespectador, aí está uma perfeita leitura de jogo, e aqui o temos, um chocho de grande amplitude técnica! Uma maravilha, um hino aos que beijam por esse Portugal fora!”. Mentira. Gabriel Alves nunca diria uma coisa destas pois, tal como eu, sabe que um chocho nunca pode ter qualquer espécie de amplitude técnica. Quando muito, o chocho é o primeiro passo para o beijo na testa. E isso dava eu à minha avó, que Deus a tenha. Por isso sou tão contra e só admito o chocho em situações de iminente exposição pública. O caso do carro, não é suficiente exposição. Um homem, ao despedir-se da sua mulher, deve – no mínimo – dar um pouco da sua língua. E ela também. O amor não pode ser celebrado com um chocho. O amor tem que ter língua. E esta deve ser usada, que é para isso que ela serve. O problema do amor é ter deixado a língua cá dentro. De a ter retraído com o passar do tempo. De a ter cativa na sua boca. O amor, esse que nos encosta à parede e nos apressa os compassos cardiovasculares e nos tira a roupa e nos desmancha a cama e nos faz não atender o telefone – porque é que nos ligam sempre a estas horas? –, esse amor de que agora falo, que nos faz sentir vontade de chegarmos a casa mais cedo e mandarmos uma SMS a dizer que estamos inquietos no trabalho só de pensar que daqui a pouco estaremos juntos – e vamos estar juntos – e telefonar só para ouvir a voz do outro, e mandar uma tosta mista para o emprego dela com um papel a dizer “Toma, é para ti!”, esse amor precisa de língua! E, por isso mesmo, nunca se poderá celebrar com um chochinho!
Fernando Alvim; Não és tu, sou eu