O ego que rir por Ășltimo.
Tudo bem. Tudo bem mesmo. Vamos rasgar o verbo de vez. VocĂȘ Ă© incrĂvel na arte de nĂŁo se importar. VocĂȘ veste a indiferença como uma segunda pele, desfilando ela por aĂ como se fosse uma medalha. E o melhor? Convence. Convence todo mundo de que vocĂȘ sĂł se importa com uma coisa: aquela pessoa ao seu lado. Essa que vocĂȘ diz proteger, cuidar, dar paz, segurança.
Mas sabe o que Ă© engraçado? VocĂȘ nĂŁo se importa nem com ela. Nem com ninguĂ©m. O que vocĂȘ realmente protege, o que vocĂȘ embala e acaricia com tanto zelo, Ă© seu ego. Essa coisa frĂĄgil e inflĂĄvel que vocĂȘ construiu, que precisa de validação o tempo todo. Ah, sim, o seu ego. Ele Ă© a estrela do show. O Ășnico que realmente importa.
VocĂȘ diz que ama, que cuida, que faz, mas sĂł quando isso alimenta a imagem perfeita que vocĂȘ criou de si mesmo. Quando isso sustenta o papel de provedor, de resolvedor de problemas, de alguĂ©m indispensĂĄvel. Porque a verdade? VocĂȘ nĂŁo faz nada que nĂŁo sirva ao seu prĂłprio reflexo no espelho.
E o pior Ă© que vocĂȘ Ă© tĂŁo bom nisso que acredita nas prĂłprias mentiras. Acredita que Ă© altruĂsta, acredita que estĂĄ dando tudo de si. Mas sabe pra quem vocĂȘ realmente estĂĄ dando tudo de si? Para o seu ego. E ele ri. Ele gargalha, porque ele Ă© uma piada que vocĂȘ nĂŁo percebe que estĂĄ contando.
E sabe o que mais? Essa agressividade toda que vocĂȘ carrega, esse jeito de resolver as coisas no grito, na imposição, Ă© sĂł mais uma camada do teatro. Porque, no fundo, vocĂȘ Ă© tĂŁo doentio que prefere ser agressivo, prefere ser rude, porque isso mantĂ©m as pessoas afastadas. Assim, ninguĂ©m chega perto o suficiente pra perceber que, por trĂĄs de tudo, nĂŁo tem nada.
Nada alĂ©m de um vazio que vocĂȘ tenta preencher com controle, com poder, com essa falsa sensação de ser indispensĂĄvel. Mas nĂŁo se preocupe. No final, ninguĂ©m se importa tanto assim. Nem vocĂȘ, nĂŁo Ă© mesmo?








