Intercessões nº727
Traga-me a tua derrota Eu a encarno, transtorno em vitória Os teus suspiros eu faço hinos de catedrais O teu corpo eu reconstruo monumento entre escombros Eu escuto vozes, celebro o espírito Eu sinto sintomas, celebro a ausência Eu tão esvaziado entre hipóteses Por sinônimo clandestino de virtude Perde-se nos estômagos da cidade Seu cheiro de ralo e colônia para ratos Sua virilha entre cigarro e essências de baunilha Este é feitio sinestésico que nos envolve Abstrato como o amor bandeira dois: Lhe digo mentiras, lhe interpreto personas Por duas horas, eis o que terás de mim Se quiseres mais, pague-me mais Entre na roda, emudeça a cantiga O risca faca, sem facas, sem perigo Com unhas e oratórias simbólicas Quem convence mais com seus álibis forjados Colônia, força-me contra o aço Colônia, finca-me os dentes nas botas de couro Colônia, minha língua contra a tua Me ensinando atalhos do teu idioma Eu embargado no céu da aparência Nada sabem se sou beleza ou desleixo Abominado na entrada do purgatório Subversivo demais para este ambiente confortável Obscenidades nessas máquinas Será possível? Em plena luz de neon? Reserve-se nos bordéis que você tanto amaldiçoa Cave as parede em busca de meus gemidos...
















