Eu descamei Ao longo de minhas primaveras O cheiro de juventude imparcial Fora caindo ao cheiro de desespero O meu desejo fora um misto Entre água com a açúcar e corantes de morango Aguava todo o sabor doce Deixando uma acidez de morte As minhas história tem gosto de avesso Sangue, pus e derrota Meu fevereiro pertence ao gosto de aço Recostado em cadeiras de espera Meus segredos tem gosto de histeria Meu histeria tem teu endereço O meu endereço tem a ausência Como uma aparição entre os cômodos Meus pulsos um banquete à formigas Meus joelhos uma amante de asfalto Meus olhos um veículo ao pranto Meus lábios o labirinto de línguas mortas Os meu dedos consumam marca de dentes Meu peito com puros de agulhas O sangue seco e esparramado, hoje fedendo A sorte de um amor prematuro Digo-te dos náufragos de esperança E a mesma entulho nas minhas costas A minha bagagem tem cheiro de Pandora A Noite o cheiro, verte-se em carcaças mortas A minha maneira desbotada e anêmica Lhe manda um amor tórrido e infértil Entre olhos que piscam E gestos que dilatam a pupila
Berlim, Pierrot Ruivo















