"A luz do celular é a única coisa acesa no quarto. Não é curiosidade. É recaída.
Ele desce a conversa devagar, como se cada mensagem fosse frágil demais pra ser tocada rápido. Ali, ainda existe uma versão de nós que não sabia como ia terminar.
As palavras são as mesmas, mas o peso mudou. O “boa noite” que antes era abrigo agora soa como despedida antecipada. Os áudios curtos, as risadas, os planos jogados no meio da conversa como se o tempo fosse garantido.
Ele para. Fica encarando a tela como se, por alguns segundos, desse pra voltar pra dentro daquilo.
Mas não dá.
O que mais dói não é o fim. É perceber que, em algum ponto daquelas mensagens, tudo ainda era inteiro — e ninguém percebeu o momento exato em que deixou de ser.
Ele bloqueia o celular. O quarto volta a ficar escuro. Mas a conversa continua acesa por dentro."
Coturnos on Antibodies - Prefácio.



















