Ah, sim, já tem gente que ganha a vida clonando animais. Mas ainda não no Brasil.
Algumas empresas sul-coreanas e estadunidenses são especializadas na clonagem de animais de estimação, dentre elas a ViaGen Pets and Equine, sediada no Texas.
A empresa texana cobra US$ 50 mil para clonar cães, US$ 30 mil para clonar gatos e US$ 85 mil para clonar cavalos.
Basicamente, a técnica utilizada na clonagem dos animais de estimação é a mesma que fora empregada na clonagem da famosa ovelha Dolly, em 1996.
Veja as principais etapas de clonagem de cães:
1- Definição do cão que se deseja clonar.
2- Células somáticas (geralmente da pele) serão extraídas do animal.
3-Uma fêmea adulta será a doadora de óvulos (ovócitos).
4-O núcleo do óvulo será removido; esse procedimento resultará em um óvulo anucleado.
5- Por meio de descargas elétricas, o óvulo anucleado e a célula somática serão fundidos.
6-Se a fusão for bem sucedida, substâncias presentes no citoplasma do óvulo ativarão os genes da célula somática.
7-A partir da célula somática, ocorrerão sucessivas divisões celulares (mitose). Células embrionárias serão formadas.
8-O embrião (geralmente na fase de blastocisto) será implantado no útero de uma fêmea que fará o papel de barriga de aluguel.
9-Após o tempo de gestação (entre 58 e 69 dias) , a barriga de aluguel dará à luz a um cãozinho "clone", geneticamente igual ao cão adulto doador da célula somática.
Ok, mas os animais clonados nascem saudáveis?
Bem, existe sim a possibilidade de algo sair errado. Especialistas afirmam que a taxa de insucesso é alta. Um relatório de 2018 da Universidade de Columbia em Nova York indicou que a taxa média de sucesso das clonagens é de apenas 20%, além disso, nem todos os animais clonados se tornam adultos saudáveis.
E o clone, desenvolve a mesma personalidade do animal clonado?
Estudos mostram que cada animal tem sua própria personalidade. Cientistas vêm demonstrando que, embora nosso jeito de ser tenha sim um "background" genético, maior parte de nossa personalidade é influenciada pelo meio, por fatores externos, pelas situações que vivenciamos.
Mas por que algumas pessoas querem clonar seus animais de estimação?
Bem, basicamente porque elas amam seus pets e, claro, porque elas podem pagar!
Com mais famílias em casa com seus animais de estimação, mais elas estão percebendo que seus animais de estimação são membros da família.
A ex primeira da-a da Islândia, Dorrit Moussaieff, decidiu clonar seu cão, Samur, antes de ele morrer em 2019 (foto abaixo).
Um veterinário coletou amostras de sangue e de células da pele de Samur, posteriormente enviadas para a ViaGen. " Eu amei tanto esse animal que não fazia sentido não fazê-lo”, disse Dorrit ao jornal The Sun, em uma entrevista.
Outro caso interessante foi o de Richard Remde, que investiu na clonagem do cão boxer de sua namorada, Laura (foto abaixo), em 2015.
Ocorre que certo dia Dylan faleceu e Laura se entregou à tristeza. Para aliviar o sofrimento de sua namorada, Richard Remde literalmente colocou o corpo de Dylan no interior de um freezer. O casal estava disposto a providenciar um funeral, mas ficaram sabendo que cientistas sul-coreanos foram capazes de clonar cães. O Dr. Hwang Woo-suk foi o responsável com sucesso do primeiro cão clonado da história, Snuppy, em 2005.
Então, Richard Remde ligou para o laboratório do Dr. Hwang e depois de algumas tratativas financeiras, enviou células de Dylan (coletadas por um veterinário contratado) à Coréia do Sul.
Depois de muitas idas e vindas, os cientistas sul-coreanos conseguiram obter dois clones de Dylan: Shadow e Chance (foto abaixo).
O sucesso da clonagem impressionou tanto Richard Remde, que hoje ele é uma espécie de "agente internacional de clonagem de animais". Remde viaja para alguns países com o objetivo de coletar células de animais de estimação que as pessoas desejam clonar.
Mas e a bioética, onde fica?
Pois é, perder um ente querido faz parte da vida. A clonagem não trará de volta a pessoa ou qualquer forma de vida que amamos, porque todos nós somos únicos, singulares.
A clonagem de animais, hoje apenas acessível às elites, é eticamente questionável, e não só pelas implicações técnicas e financeiras.
Ora, não seria mais útil à causa animal a adoção?
Por que não deixar o laboratório de biotecnologia de lado, e procurar as diversas (essenciais) entidades que lutam pelos direitos dos animais, muitas das quais responsáveis por projetos de adoção de cães e gatos abandonados ou maltratados?
1-https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2022/04/04/o-polemico-e-caro-procedimento-usado-para-clonar-animais-de-estimacao.ghtml (acesso em 20/04/2022).
2-https://www.the-sun.com/news/3439109/cloned-pets-died/ (acesso em 20/04/2022).
3-https://www.theguardian.com/science/2022/apr/04/pet-cloning-how-the-rich-are-spending-up-to-38000-for-rover-version-20 (acesso em 20/04/2022).