Eles descobriram, Justin.
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Eles descobriram, Justin.
Kaylee Brown

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32. Uma dose
Luna’s POV
Depois que convidei a Alícia e o João para se juntarem a nós, ele saiu andando na frente e deixou nós duas pra trás, trocamos algumas palavras enquanto andávamos na direção dos três e ela de cara já me fez rir quando ironizou sobre fazer tanto tempo que não nos víamos e dizer que estava com saudades. Era legal estar com ela, ela sempre conseguia me fazer rir, gostava de pessoas assim. Quando nos juntamos ao três, que já estavam virando melhores amigos, ficamos conversando, ou melhor, ouvindo o João contar umas histórias completamente malucas pelas quais ele passava. Malucas e hilárias. Minha barriga chegava a doer de tanto que eu estava rindo de tudo aquilo. Ok, a bebida estava ajudando, mas as histórias não deixavam de ser engraçadas. Em um determinado momento me peguei olhando para a Alícia e pensando no quanto o sorriso e a risada dela eram uma graça. Ai meu Deus, Luna! Depois disso parei de prestar atenção completamente no assunto, só conseguia pensar no quanto o fio da minha vida estava embolado e cheio de nós. Nós que eu precisava desatar pra poder decidir o que eu devia fazer. Acordei dos meus pensamentos quando senti um olhar em cima de mim, o João ainda falava sem parar e Gustavo e Carol prestavam atenção nele, rindo sem parar também. Olhei para o lado e Alícia era quem estava me olhando, um sorriso estampou meu rosto imediatamente e eu decidi que era hora de dar uma volta e pensar um pouco sozinha. — Acho que eu vou andar um pouco, gente. – Falei pegando impulso pra me levantar. – Fui. – Completei, já saindo dali. Ouvi Carol me chamar, mas não me importei, queria mesmo andar um pouco, pegar um vento e ficar sóbria. Continuei andando e logo ouvi Alícia me chamar, olhei para trás e ela estava vindo na minha direção, parei para espera-la e quando ela me alcançou perguntou se poderia ir comigo. — Claro que sim, somos amigas!!! – Falei entusiasmada, enquanto abria um sorriso. É, eu estava bem bêbada ainda. Ela começou a me acompanhar e durante alguns minutos nós não falamos nada, andávamos olhando pro chão e vez ou outra eu levantava o rosto para olhar pra frente ou para o mar, mas resolvi quebrar o silêncio falando do Gabriel. Eu sei, não era uma boa opção, eu deveria era esquecê-lo mesmo, mas queria saber se ele havia dito alguma coisa sobre mim pra ela, eles eram amigos, então existia essa possibilidade. — Seu amigo me ligou hoje. – Falei. Ela ficou calada por mais alguns segundos, suspirou e respondeu: — Eu imaginei que ele ligaria... Soltei um suspiro também e tornei a falar: — Fiquei triste por um tempo, sabe? Me senti meio mal. – Falei enquanto chutava algumas pedrinhas na areia.
E então ela começou a falar diversas coisas bonitinhas do tipo “ele é um idiota”, “ele não te merece” e “ele não merece nenhuma lágrima e nem pensamento seu”. Ok, ela já tinha dito aquilo outras vezes, mas cada vez que ela falava parecia que era a primeira vez, eu sentia sinceridade nas palavras dela, de maneira alguma pensei naquilo como um discurso decorado pra fazer alguém se sentir menos idiota. Ela era sincera em cada palavra dita. Mas foi quando ela disse “Se eu fosse ele, jamais deixaria uma garota como você escapar dos meus braços” que eu não consegui me segurar e a olhei no mesmo instante, deixando o sorriso mais verdadeiro do mundo escapar. Eu sabia que ela não queria ter dito aquilo, e por esse mesmo motivo gostei tanto. Mais uma vez ela estava sendo sincera, e deixar aquilo escapar mostrou que ela realmente sentia. E eu queria beijá-la, queria esquecer do mundo por algum tempo enquanto estivesse nos braços dela, por que ela conseguia me fazer esquecer do mundo quando me beijava. — Alícia? – Chamei. — Sim, Luna. – Ela respondeu, piscando algumas vezes. — Posso te pedir uma coisa? – Perguntei em meio a sorrisos. — Claro! — Me dá um beijo? – Perguntei, novamente, entre sorrisos. Ela ficou calada, me olhando estática, e eu soltei uma leve risada enquanto dava um passo na direção dela, agora estávamos bem próximas e não demorou muito até ela tomar a iniciativa de me beijar. Nossas bocas deslizavam devagar uma na outra e sua língua explorava toda a minha boca. Ainda estávamos um pouco distantes uma da outra, então tratei logo de segurar sua cintura e trazer seu corpo pra junto do meu. Nosso beijo foi bom, assim como o primeiro, e eu queria poder me lembrar dele depois, quando estivesse sóbria. Eu ainda estava muito confusa em relação a tudo aquilo, sabe?! Meus sentimentos por uma garota. Mas eu não podia esconder e negar que gostava de ficar com ela e que ela me atraía. E por que eu teria vergonha daquilo? Nosso beijo durou mais alguns minutos, ou horas, não sei... Eu simplesmente perdi a noção do tempo enquanto estava nos braços dela. Clichê né? Eu sei, mas ela fazia meu estômago se encher de borboletas, o tempo parar e todo o barulho do mundo se calar. Meu Deus, eu estava na merda! Era possível se apaixonar por alguém apenas com um — e agora dois — beijos? Não, claro que não. Era só coisa da minha cabeça, com certeza era. Ela beijava bem, isso era verdade, mas o resto se dava pelo fato de eu estar bêbada. Encerramos o beijo com alguns selinhos e quando abri meus olhos pude ver que Alícia sorria, ainda com seus olhos fechados. Sorri instantaneamente e lhe dei mais um selinho antes de sair de seus braços e soltar uma risada enquanto voltava a andar de forma cambaleante.
Alícia logo me alcançou e depois que chegamos em uma determinada parte da praia resolvemos voltar. Quando chegamos onde os três estavam João veio na nossa direção e puxou Alícia para um canto, sentei-me ao lado da Carol, que estava bebendo catuaba, e ela me olhou. — Onde vocês foram? — Só andamos um pouco. – Menti. – Eu queria pensar numas coisas, aí ela me fez companhia. — Entendi. — Ae, Luninha, chega mais! – João veio na minha direção e segurou meu braço, me puxando. — Que foi? – Perguntei enquanto ele me puxava. — Tô afim de te dar um beijo. – Ele disse, já vindo com a boca na minha direção. — Tá louco? – Eu ri. — João, velho... – Ouvi Alícia dizer e a olhei. O João passou o braço na minha cintura, me prendendo ali, e voltou a tentar me beijar, enquanto eu tentava desviar, virando o rosto e tentando me afastar. — Ah, qual é!!! – Disse com a voz arrastada. – É só um beijo, vai... – Completou tentando me beijar de novo. — Não João! – Eu ri, ainda tentando me soltar. — João, ela não quer, cara. – Alícia disse novamente, tentando puxá-lo. — A Lícia disse que tu não tá namorando mais, então me dá um beijo, vai... Só um. – Insistiu. — Não, João. Sério. – Ri. – Tu tá bêbado! — Não tô.... – Ele disse arrastado novamente. — Bêbado e chapado. – Falei finalmente me soltando dele, mas ele veio tentar me agarrar de novo. — Eu só quero um beijo. Só um. – Disse segurando minhas mãos para que eu me virasse pra ele. – Eu não sou feio, sou? — Não João, mas... — Então porra, me dá um beijo! – Ele me interrompeu e me puxou novamente. Desta vez quase nos beijamos, eu não estava esperando pelo puxão, mas consegui reagir de forma rápida e virar meu rosto, recebendo um beijo no canto da boca. — João, caralho! – Alícia disse nervosa, se colocando entre a gente e o empurrando. – É melhor a gente ir embora, tu tá perdendo a noção já. — Relaxa, Alícia. – Falei. — É velho, ouve a mina e relaxa. Eu só tô querendo um beijo, não é não, Luninha? – Ele me olhou e piscou, me fazendo rir. — Tá velho, mas ela já disse que não quer, então respeita. — Ela quer sim, tá só fazendo graça. Tu sabe que essas minas são assim. – Ele riu. – Vem cá vai, Luna. Vamos dar uma volta, ir lá pra casa... – Completou, dizendo a última frase com um sorriso travesso. Eu gargalhei, mas Alícia fechou ainda mais a cara e o xingou novamente. Se eu não estivesse bêbada ainda eu também acharia ruim, mas eu só estava vendo graça naquilo, aliás, não só eu, como Carol e Gustavo também, que estavam sentados acompanhando tudo e rindo. A única que não estava gostando de tudo aquilo era a Alícia, que decidiu levar o João pra casa logo.
— Foi mal pelo João. – Ela disse sem graça depois que ele se despediu e tentou me agarrar novamente. – Se cuida, Luna. E vê se não volta pra casa bêbada, viu. – Disse agora dando um sorrisinho. — Hahahaha, eu não estou bêbada. – Falei. — É, eu tô vendo. – Sorriu novamente. – Tchau. Ela se virou para alcançar o João, que já estava um pouco afastado, mas eu segurei seu braço e quando ela se virou pra mim novamente eu depositei um beijo rápido no canto da sua boca. — Obrigada por me defender. – Falei sorrindo, ainda com a boca próxima da dela, em seguida me afastei e voltei para perto da Carol. — Vamos embora também? – Ela perguntou se levantando. — Vamos. – Falei. – Mas antes preciso ficar sóbria. Fomos para o mercado comprar alguns bombons e ficamos sentados na calçada comendo, depois que nós três ficamos sóbrios fomos para casa.
No dia seguinte, felizmente, não acordei de ressaca, apenas com muita sede. Eu me lembrava de tudo da noite passada, inclusive do beijo da Alícia, e me peguei sorrindo lembrando daquilo.
O dia inteiro eu fiquei atoa, apenas ouvindo minha mãe planejar as coisas para o Natal, já que a família iria toda para a minha casa naquele ano. Faltava uma semana para a data e ela já estava a mil, preparando a lista de compras, organizando o amigo oculto e tirando a árvore de natal e os pisca-piscas das caixas. — Monta a árvore pra mim, Luna? – Ela pediu. — Tá, deixa aí, depois arrumo. — Monta agora enquanto eu vou na rua comprar um pisca-pisca, esse aqui está queimado. — Tá, mãe. Fui montar a árvore e quando já estava terminando ela chegou, terminei de arrumar e a ajudei a colocar as luzinhas na árvore e na varanda, depois ficamos resolvendo com o pessoal sobre o amigo oculto e sobre a ceia, que cada um levaria algum prato. No dia seguinte não fiz nada, fiquei em casa assistindo filmes e vez ou outra pensava na Alícia, eu queria ter o número dela, chama-la pra conversar, falar com ela enquanto estivesse sóbria, ter uma conversa normal, saber sobre ela... E enfim, tentar entender o que eu estava sentindo. No domingo combinei com as meninas de irmos pra casa do Lucas só pra ficarmos atoa lá, e depois do almoço eu vesti uma roupinha simples e fui, quando cheguei a mãe dele foi quem abriu o portão pra mim. — Ei! – Ela sorriu pra mim. — Oi tia. – Sorri e a abracei. – Tudo bem? — Tudo ótimo. Sumiu hein, entra aí. — Sumi, mas já estou aqui. – Falei enquanto entrava. O Lucas estava na sala jogando vídeo game com a Marina. — E aí. – Falei pra eles. — E aí piriguete. – Marina disse. — O que temos pra hoje? – Perguntei enquanto dava um abraço no Luc. — Vídeo game ou filme. Vocês decidem, mas Marina tá querendo jogar. — A gente podia ver um filme antes, e depois jogar. – Sugeri. — Pode ser, vamos esperar as meninas chegarem, aí a gente escolhe um filme.
Sentei lá com ele e quando Carol e Rafaela chegaram nós escolhemos um filme e enquanto o mesmo carregava fizemos pipoca e nuggets, depois cada um pegou seu copo de refrigerante e nós voltamos para a sala para assistirmos o filme e quando o mesmo acabou a mãe do Luc disse que havia feito um bolo de chocolate. — A gente podia fazer uma calda pra jogar em cima, hein? – Maria falou. — Carol que sabe fazer. – Falei. – Aquela que ela fez na casa dela uma vez ficou muito boa. — Façam lá, deve ter tudo aqui. – A Tia Cida falou. Fui pra cozinha com o Lucas e com a Carol enquanto as meninas jogavam vídeo game e começamos a fazer a calda. — Menina, fiquei com uma ressaca ontem... – Carol disse. — Eu não fiquei. – Falei. – Nunca fico. — E a Alícia e aquele amigo dela? Ele é a melhor pessoa, cara. – Disse rindo. — Ele é legal mesmo, hahaha. Mas quando fica bêbado demais passa dos limites. — Por que ele estava tentando te agarrar né? – Ela riu novamente. – Isso é chato mesmo, mas a Alícia fez ele parar. Alícia... Foi ela falar esse nome que meu estômago se revirou todo. Mas não de uma forma ruim. Parecia que tinham mil borboletas lá dentro. Sorri com a lembrança dela me defendendo e olhei pro Lucas, que nos olhava sem entender. — Vocês estão saindo pra tudo o que é lugar agora e me chamar que é bom nada, né? – Ele disse. — Ôh amigo... – Eu ri e o abracei. – Foi de última hora. Eu estava meio chateada e falei com ela que precisava beber, aí ela chamou aquele Gustavo e a gente foi pra praia. — Não... Deixa... Eu tô anotando essas coisas. – Ele disse fazendo uma cara de bravo e nós rimos. – E quem é esse João? — Um amigo da Alícia que estava com ela. — Até hoje não sei quem é essa menina, mas ok. — Um dia eu te mostro quem é. – Falei. Deixamos a Carol fazendo a cobertura do bolo e ficamos conversando, depois o Luc, com seus dotes culinários, cortou ele no meio e a Carol jogou a cobertura ali e por cima dele. — O bolo está pronto! – Lucas gritou. Colocamos as coisas na mesa e quando as meninas foram pra cozinha nós nos sentamos e começamos a comer. O bolo havia ficado uma maravilha! Tinha também alguns biscoitos recheados, pão doce e sorvete. Saí de lá com 10kg a mais. Depois disso ficamos na sala jogando vídeo game. Primeiro jogamos Injustice, que pra mim era o jogo mais foda de todos os tempos, depois jogamos Just Dance, jogo no qual todos éramos péssimos, e depois jogamos uns jogos olímpicos no Kinect. No fim do dia, depois que todo mundo foi embora e só eu e Marina que ainda estávamos lá, nós ficamos jogando GTA e conversando sobre coisas bobas, sobre o Natal e o que faríamos no ano novo, o que faríamos no ano seguinte e coisas do tipo. Por volta das 20h eu fui pra casa.
Era sexta-feira e eu estava me arrumando para mais uma festa. Eu iria falir os meus pais se continuasse daquele jeito, mas ok, eu merecia me distrair em meio a tanta merda — lê-se Gabriel — na minha vida. — Amiga, qual blusa você vai usar? Eu não sei o que vestir, cara. – Carol perguntou, como sempre indecisa e atrasada. — Vou usar a preta, vai ficar melhor. – Falei. – Usa esta, olha... – Peguei pra ela uma blusa minha bem soltinha e com uma estampa meio étnica. Vai ficar uma gracinha com essa sandália e o short. Vesti minha blusa e ela também se vestiu. Ok, um passo já havíamos dado. Ou melhor, ela já havia dado, por que ôh menina que demorava pra se arrumar. Fiz uma maquiagem bem leve em mim, puxando apenas o delineado de gatinho nosso de todo dia e abusando no rímel. Coloquei alguns anéis, um par de brincos e um colar e passei um perfume. Depois disso, estava pronta e só fiquei esperando a Carol terminar de se arrumar, enquanto isso mandei uma mensagem pro Lucas e pro Luan, o irmão dele, pois eles iriam nos levar, lá encontraríamos a Rafaela e a Marina. — Acho que estou pronta. – Carol disse uns quinze minutos depois. — Acha ou tem certeza? – Perguntei enquanto me levantava da cama e chega na frente do espelho para me olhar. – Os meninos já devem estar chegando. — Só preciso passar um perfume. — Então passa. – Falei e no instante seguinte ouvimos a campainha. – Chegaram, vamos logo, já são 22:35. — Calma!!!! – Ela disse impaciente. Peguei meu celular na cama e o coloquei no bolso, dei uma ajeitada no cabelo e depois que ela passou o perfume nós saímos do quarto. Nos despedimos dos meus pais e descemos, quando chegamos no portão os dois estavam dentro do carro. — Olá! – Falei enquanto entrava no banco traseiro. — Que demora, cara. Puta merda! – Luan reclamou. — Eu estou pronta a muito tempo, Caroline que demora, como sempre. — Ih, não me testem. – Ela disse. Luan deu a partida e começou a dirigir na direção da festa, que seria na casa de uma conhecida nossa. Chegamos em pouco tempo e após o Luan estacionar o carro na rua ao lado nós descemos do carro. A música dava pra ser ouvida dali. — As meninas já chegaram? – Perguntei enquanto ajeitava minha roupa. — Acho que sim. – Lucas disse. – João apressa elas. — É, mas é ele contra as duas mais a namorada dele, que deve ter vindo também. – Falei. — Mas já devem ter chegado sim. Quando chegamos na frente da casa notamos que já estava lotado de gente e a cada minuto chegava mais um. Entramos e a Camila, dona da festa, veio nos receber, depois disso fomos para a cozinha e deixamos as bebidas lá. Aproveitei também pra já pegar um copo com vodka e refrigerante e fui pra sala atrás deles. — Nossa, mas já tá bebendo? – Lucas riu quando viu o copo na minha mão. – Tu não tá perdendo tempo mesmo hein. O que é isso? — Vodka com coca. – Falei enquanto ria.
Ele deu um gole e me devolveu o copo, bebi também e nós arrumamos um lugar pra ficar ali no meio daquela gente toda. A música que tocava era “Hotline Bling” e eu comecei a me movimentar no ritmo da mesma, fazendo os meninos rirem. Continuei bebendo minha bebida e logo encontramos Rafaela e Marina, que haviam acabado de chegar. — Vocês chegaram tem muito tempo? – Rafaela perguntou. — Não, uns dez minutos. – Carol disse. — E aí, como está o movimento? Alguém interessante? — Não vi ninguém até agora. – Falei. – Apesar de que... Eu estou bem de boa, viu. — Não vai pegar ninguém? – Carol me olhou. — Provavelmente não. Não tô muito afim ultimamente. – Menti. Até por que eu tinha dado uns beijinhos poucos dias antes. Na Alícia. Por falar nela, será que ela iria estar ali? Não era um lugar muito indicado, mas eu queria conversar com ela sobre tudo o que já havia rolado entre a gente. — Vamos pegar alguma coisa pra beber, gente. – Carol disse e me puxou. Fui com ela e as meninas para a cozinha e fiquei esperando elas pegarem as bebidas delas. — Douglas está aqui, alguém me socorre! – Rafaela disse. Douglas era um garoto que ela já havia ficado algumas vezes, coincidentemente, ou não, todas sendo no carnaval. — Onde? Não vi. — Vi ele perto da escada. Ai gente, será que a gente fica hoje? — Só se você fizer por onde, por que se ficar parada só olhando pra cara dele esperando que ele adivinhe o que você quer, não vai rolar. – Marina disse sincera. — Ata, você quer que eu chegue lá e diga que quero beijar ele? Claro, com certeza farei isso! – Disse irônica. — Uai, não precisa ser assim. Chega lá e conversa com ele. Aí ela começou a dar um mini ataque dizendo que nunca na vida dela ela faria aquilo por que ela morria de vergonha dele e não sabia nem sobre o que conversar com o garoto. Ok, em partes eu entendia ela, até por que eu era bem tímida também, mas ela ficar falando do garoto o tempo todo sem parar e surtando a cada vez que ele olhava pra ela também era um saco. Enquanto elas estavam ali conversando sobre o menino eu acabei me distraindo quando vi Alícia passar pela porta e, logo atrás dela, o Gabriel. Droga! Ele tinha mesmo que ir àquela festa? Ele não podia simplesmente evaporar da face da terra ou morrer? Virei de costas rapidamente quando os dois olharam para a cozinha e dei uma desculpa para sair dali, indo até onde os meninos estavam. — Que cara de quem viu uma assombração. – Lucas disse assim que parei perto dele. — Antes fosse. – Suspirei. – Foi só o Gabriel mesmo. — Ah, para! Sério? Onde? — Chegou agora, deve ter ido pra cozinha. — Nem dá moral, sério. Curte a festa e, se for preciso, bebe pra caralho. — É o que eu vou fazer. – Falei.
Assim que terminei de beber o que tinha no meu copo voltei à cozinha e desta vez peguei uma garrafa de Skol Beats no balde de gelo, as meninas ainda estavam ali na cozinha e voltaram pra sala comigo. Enquanto todo mundo conversava eu só conseguia pensar na Alícia, já que ela já havia passado por mim umas três vezes e, em nenhuma delas, havia me cumprimentado. Aquilo estava me deixando extremamente incomodada. Eu até iria falar com ela, mas com o Gabriel o tempo todo atrás era impossível, até por que eu não queria nem chegar perto dele, quando ele, pelo contrário, passava por mim toda hora achando que eu iria cumprimenta-lo. Coitado! Em um determinado momento da festa, depois da minha segunda garrafa de Skol e terceiro copo de vodka, eu estava completamente irritada, frustrada e incomodada com o fato de a Alícia ainda não ter ido falar comigo. Qual é, ela não podia nem me dar um oi? Será que eu tinha feito alguma coisa? Não devia ser, pois nem conversar a gente conversava pra isso acontecer. Será que o motivo era esse? Nós não conversarmos? Eu queria mudar aquilo, queria mesmo, mas pra isso eu precisava que ela fosse falar comigo, droga! Mais uma garrafa de Skol e eu já estava totalmente foda-se pra aquilo. Ela não queria olhar na minha cara? Ok, tudo bem, eu é que não ia ficar sofrendo por alguém que eu mal conhecia e só havia beijado duas vezes. E detalhe: estando bêbada nas duas. Então eu larguei o foda-se e comecei a ignorar a presença daqueles dois. Já estávamos em uma parte da festa em que só tocava funk, e no momento estava tocando “Na Ponta ela Fica”, e como eu sabia a coreografia — hahahaha — não pude deixar de dançar. Na hora de quicar eu ia até o chão bem rápido e quando subia parava por um segundo antes de rebolar, travar, abrir e fechar as pernas e “ficar na ponta”. Eu amava dançar aquela música! Quando essa música acabou começou a tocar “Quando o DJ Mandar” e como eu estava perto do Luan, sempre que tocava a parte “e quando o DJ mandar, menina você desce”, eu descia até o chão, com uma das pernas dele entre as minhas. Nós dois ríamos sem parar com aquilo. Com certeza não havia malícia alguma, até por que éramos muito amigos e ele já havia namorado a Marina. Quando a música acabou eu já estava morrendo de calor, então bebi mais. E não demorou até eu sentir vontade de ir ao banheiro. — Aí, eu vou ao banheiro, alguém quer ir? — Não, vai lá. A gente te espera aqui. – Marina disse. — Quer que eu vá com você? – Carol perguntou. — Não precisa. – Falei. – Já volto! Me afastei deles e subi as escadas, imaginando que houvesse algum banheiro no andar de cima.
Por sorte a fila não estava muito cheia, haviam só quatro garotas na minha frente, e todas elas foram rápidas. Quando chegou minha vez eu fiz minhas necessidades e dei uma checada na maquiagem, na roupa e no cabelo, aproveitei até pra tirar algumas fotos, já que quando entrei não havia ninguém esperando. Abri a porta para sair e quando dei um passo para fora do banheiro trombei com alguém, fazendo um líquido transparente cair na minha roupa. Eu com certeza atraia os copos de bebidas! — Droga! – Reclamei dando alguns passos pra trás e sacudindo a mão, que estava molhada. — Foi mal, eu não te vi. – Ouvi a garota dizer. Alícia. Levantei o rosto na mesma hora e ela me olhou com a mesma cara de surpresa. Estava estampado nos nossos rostos que nenhuma de nós duas queria estar ali. Eu, por ter ficado esperando ela falar comigo praticamente a festa inteira e por ter ligado o foda-se depois, e ela por... Sei lá qual o motivo ela tinha pra não querer falar comigo. Ficamos nos encarando por alguns segundos até eu piscar e me mover, voltando para o banheiro para lavar as mãos e limpar a roupa. — Desculpa, eu não te vi. – Ela disse parada ali na porta. — Tá tudo bem, eu não te vi também. – Falei.
Sequei as mãos e enquanto eu saía do banheiro, ela entrava.
— Tchau. – Falei. — Tchau. – Ouvi ela dizer. Dei alguns passos na direção da escada, mas parei. Ok, aquele clima estava uma merda. — Alícia... – Falei enquanto dava meia volta. Quando cheguei na porta do banheiro novamente, ela me olhou. – Você pode... Pode me passar seu número? — Pra quê? – Ela perguntou totalmente grossa e eu tive vontade de dar um soco na cara dela. Qual é, sua idiota! O que eu te fiz? — Eu queria conversar com você, mas... Deixa pra lá. – Falei pronta pra sair dali. Não ia ficar aguentando grosseria de ninguém. – A gente se vê. – Completei me virando pra sair. — Me dá teu celular. – Ela disse. — Não, deixa pra lá. – Falei. — Sério, me dá aí, eu te passo. — Deixa pra lá, Alícia. Já vi que tu não quer. — Me dá, Luna. – Disse impaciente. Revirei os olhos e entreguei o celular pra ela, ela anotou o número e me entregou o mesmo rapidamente. — Valeu. – Falei. Saí dali me arrependendo amargamente de ter trocado aquelas palavras com ela. Garota idiota, não fiz nada pra ela me tratar daquele jeito, então qual era a dela? Desci as escadas apressada e fui direto pra cozinha pegar algo pra beber, depois fui pra perto do pessoal. O restante da noite eu não vi ela e nem Gabriel, graças a Deus. Não queria olhar pra cara de nenhum dos dois mesmo.
No dia seguinte acordei com uma dor de cabeça, mas felizmente não estava muito forte e não podia nem ser considerada uma ressaca. Tomei um remédio quando cheguei na cozinha e comi um pedaço de bolo que minha mãe havia feito. Carol ainda estava dormindo, e eu nem fui mexer com ela, já que ela provavelmente estava de ressaca. Abri a rede na varanda e pendurei a mesma para me deitar, fiquei ali por um tempo e logo a Carol apareceu com a maior cara de ressaca do mundo. Falei! — Bom dia flor do dia. – Ironizei. — Eu nunca mais vou beber. – Ela disse coçando os olhos. — Tomou o remédio que está em cima da pia? — Não. – Disse.
Me levantei e fui até a cozinha, dei ela o remédio e fiquei na mesa com ela enquanto ela comia um pouco.
— Está melhor? – Perguntei depois de alguns minutos. — Quase nada. — Daqui a pouco passa, relaxa. – Ri. – Quer vomitar? — Até que não. Estou um pouco enjoada, mas não. — Se quiser o banheiro é aqui do lado. – Ri. – Tu vai embora depois do almoço, né? — Acho que sim, por quê? — Menos mal, até lá você já vai estar melhor, sua mãe nem vai notar. — Duvido um pouco, mas tudo bem. – Riu. Nós subimos para a sala e ficamos ouvindo música na tv e mexendo no celular. O número da Alícia estava salvo no meu WhatsApp, mas ela com certeza devia estar mil vezes pior que a Carol, e nem acordada devia estar, então deixei pra chama-la depois. Carol foi embora por volta das 16h, e por sorte já estava cem por cento sóbria, hahaha. Durante o resto do dia eu fiquei atoa, assisti um filme na internet e depois fiquei conversando no WhatsApp. O pessoal da sala voltou a falar sobre o Luau que eles estavam querendo fazer, e como todo mundo topou e todo mundo estaria livre no dia proposto, nós decidimos que iríamos fazer mesmo. Só precisávamos arrumar um lugar, ou iríamos fazer no sítio do Henrique ou no sítio do Matheus, e se não desse pra ser em nenhum dos dois, seria na casa do Luiz.
JC: Prevalence of PE in patients with syncope. St.Emlyn's
JC: Prevalence of PE in patients with syncope. St.Emlyn’s
There is a bit of a buzz on social media at the moment about an interesting paper in the NEJM2 on the prevalence of PE in patients with syncope1. We’re all familiar with the controversies about looking too hard for PE in patients and the difficulties in deciding whether a PE is clinically important. It’s really tricky as PE is not without serious complications (aka death), but the treatment is…
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Capítulo 32
Capítulo 32
Havia chegado ao hotel há poucas horas. Seis horas dentro de um ônibus, com uma parada na metade do trajeto. Estava exausta, mas não adiantaria nada ficar olhando para o teto tentando fazer com que minha frustração sumisse. Peguei o notebook dentro da bagagem de mão. Liguei-o. Pesquisei por “bares populares em Washington D.C.”.
É claro que eu fiquei pronta em quarenta minutos. É claro que passei quilos de base e corretivo para esconder as olheiras da minha frustração. E é claro que eu ainda esperava alguma coisa daquela noite. Improvável acontecer algum dos ideais que furtivamente imaginei, até porque eu era turista. Ou achava que era.
Cheguei ao tal bar. Deixei o casaco na chapelaria. Sentei em uma banqueta perto dos barmen. Solitária. Pedi um shot de tequila, sal e limão, por mais que eu odiasse aquela combinação ridícula. Entendi porque eu odiava aquilo... e quando virei para o lado esquerdo vi um rapaz me olhando atentamente. Ele nem piscava! E eu estava roxa de vergonha, sem sombra de dúvidas.

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Capítulo 32 - Qual seu destino? (Participação especial das webs "Lembranças de Samanta" e "Red Lip's Bar")
(Fepa Narrando)
Sexta-feira... Terminei de espirrar o perfume forte no pescoço e peguei minha carteira, o PH me esperava na sala assistindo o jornal com a minha mãe e meu pai. Desci e dei um beijo na Lucy que brincava com uma boneca de pano, dei tchau para os meus pais e apressei meu amigo a levantar dali logo. Nós encontraríamos a Beck na casa dela e depois iríamos à uma festa de república por ali. Ilhabela em época de férias era a melhor coisa do mundo, cheia de turistas e altas minas gostosas se bronzeando, o paraíso por assim dizer.
Capitulo 32
*Narração Anderson* Passei toda a noite com Melissa, sem conseguir pregar os olhos de preocupação. O que estava me confortando é que já eram 04:30 e ela só levantou pra vomitar uma vez, sendo que antes já teriam sido umas 6. Giovana disse que a casa estava à meu dispor, e eu podia comer o que fosse. Desci as escadas para pegar um copo d’água, quando vi Giovana sentada e chorando. - O que foi, Gio? Converse comigo. - eu me aproximei. - Anderson, não deixa minha irmã morrer, por favor. - Gio me abraçou enquanto implorava. - Gio, ninguém vai morrer, quanto exagero! - tentei acalmar Gio. Abracei-a forte e ela se acalmou. - Porque não está dormindo? - ela me questionava. - Não consigo dormir angustiado. Ela só levantou uma vez para vomitar, mas mesmo assim… - me justificava. - Não quero que estrague suas férias por ela, eu cuido dela se quiser. - Gio dizia. - Não faço isso só por ela. - coloquei minha mão em seu cabelo, separando uma mecha do mesmo. E então, continuei. - Não posso deixar nada te machucar. - Andy… Algumas pessoas foram destinadas a se apaixonar, mas não a ficarem juntas. - ela virou o rosto. - Você podia vir pra São Paulo comigo. - disse numa voz falha. - E deixar minha irmã sozinha? Eu tenho 25 anos, Andy. E tenho que agir com maturidade. Não posso largar tudo. Ainda tem o meu vôlei… - ela completava. - Ela já tem 20 anos, Giovana. Ela já é independente. Não é ela que depende de você, mas o contrário. - eu retruquei. - Talvez seja. Talvez eu seja fraca. Mas acharei alguém pra mim. Daqui. - ela forçava as palavras. - Pensei que sentisse algo concreto por mim. - dramatizei. - E sinto. - ela pegou minha mão e a beijou. - Mas não me prendo à ninguém, Anderson. E se pensa que pode me prender, não pode. - ela dizia com firmeza. - Tudo bem, Gio. Só quero que saiba que: eu me mudar pra cá será escolher você ao invés da minha carreira. E minha carreira está acima de tudo. - finalizei. - Não pediria pra largar tudo por mim pois não sou egoista, tampouco idiota. Se não dermos certo, nós dois iriamos nos dar mal. - ela lamentava. - Eu estou tentando, acredite ou não, estou. Fico com sua irmã, e te vejo sempre, mas me seguro. Mas tem horas que… - aproximei dela para beijá-la e ela recuou. - A mim, você pode machucar, ser grosso, fazer o mal que for. Mas a minha irmã eu não aceito. Vou me deitar. - Gio disse e subiu as escadas. Me recompus, lavei meu rosto e bebi um copo d’água e fui tentar dormir ao lado de Mel. Abri a porta do quarto e a vi na cama. Cheguei perto e ela estava super branca, e tremendo sem parar. Respirei fundo e esperei pelo melhor. *Narração Giovana* Subi para o meu quarto segurando o choro. Meu papel de garota forte, firme e decidida era perto de Anderson, mas longe… Eu desabava. Não queria me fazer mal, mas não queria magoar minha própria irmã. Então no momento, eu estava sacrificando minha felicidade pela dela. Mandei uma mensagem ao Anderson escrito: “não repita mais isso, vamos facilitar para todos.” E ele respondeu: “quando se trata de você, a palavra desistir não existe, quanto mais você dificulta, mais eu quero.” ele respondera. “O nome disso é ser sem vergonha, e não amor.” finalizei nossa breve conversa. Bloqueei o celular, coloquei-o do meu lado e deitei em minha cama. Escutei um barulho no meu quarto e era Anderson entrando. - Sai daqui, está maluco? - gritei. - Você estava chorando. Seus olhos estão vermelhos. - Anderson me retrucou. - Me deixa quieta. - me encolhi na coberta, enquanto “expulsava” Anderson dali. Anderson fechou a porta e veio em minha direção, tentando me beijar. Ele aproximou seu rosto lentamente do meu e me roubou um beijo. Andy passava suas mãos pelo meu abdomem e coxas. Ele me segurou contra seu corpo e deu alguns beijos e mordiscadas em meu pescoço. Anderson subiu sua mão por baixo de minha blusa e apalpou todo meu peito em sua mão. “Você mexe comigo de todos os jeitos.” Andy sussurrava. Me encolhi e ignorei suas palavras. Me desvencilhei de seu corpo e mandei ele sair do meu quarto. - Por favor, Anderson. Minha irmã já está tão doente… - eu implorava. Dava para ver em seu rosto que Anderson havia ficado magoado. Me deitei abraçando meu travesseiro, e segurei para não chorar. Eu o amava, muito. Mas eu nunca magoaria minha irmã. Nunca.
Capítulo 32 - You deserve an Oscar
Narrado por Lauren
Abri os olhos com a esperança de que tudo aquilo tivesse sido um pesadelo.
Meu corpo estava jogado no chão duro e frio daquele imenso quarto. Eu havia dormido de cansaço de tanto chorar.
Levantei-me deixando escapar um gemido de dor devido à tanto tempo que me encontrava naquela posição, caminhei até o espelho mais próximo, espantando-me com a visão que tive.
Eu estava detonada.
E quando digo isso quero dizer que eu estava realmente muito acabada.
Eu não podia acreditar na tamanha loucura de Jessie, o quanto ela estava fissurada em Justin e que eu teria que ceder aos seus caprichos para ver quem mais amo seguro.
Ela era capaz de tudo para ter Justin, principalmente machucar minha mãe. Ela era louca!
O que mais queria era me abrir para Justin, contar-lhe o que se passava e me sentir esperançosa que ele pudesse fazer algo. Mas eu sentia medo. Se eu quisesse o bem para Justin e minha mãe eu teria que me afastar do amor da minha vida, teria que aceitar vê-lo sendo fisgado por outra. Por uma louca.
[...]
Meu pai estava parecendo um psicopata.
Ele não permitiu que eu fosse para a faculdade sozinha, fez questão de me conduzir até lá e parar justamente na frente do local. Tudo isso para que tivesse a certeza de que eu não iria encontrar Justin.
Mas que merda! Eu não posso aguentar meu pai e Jessie ao mesmo tempo impedindo-me de viver esse sentimento novo. Eu não vou suportar...
Me despedi dele e soltei um “Obrigada!” bem sarcástico, e iniciei a caminhar em meio ao jardim apenas quando tive certeza que seu carro ali não se encontrava mais.
Quando já estava no meio do caminho me surpreendi com a última pessoa que eu deveria ver no momento.
Justin.
- Eu disse que viria te ver! – ele exclamou animado. – Olha o que eu trouxe. – entregou-me um copo de café. – Aposto que não tomou café, eu te conheço muito bem. – disse. – Dormiu bem essa noite? – perguntou preocupado.
Eu não pude conter a felicidade ao vê-lo naquele momento.
Deixei escapar um sorriso bobo, pegando o copo de sua mão e alternando o peso do meu copo para uma perna só enquanto pegava um gole do café.
- Eu... – iria iniciar a respondê-lo mais fui impedida.
Olhei mais a diante e eu não sabia de onde ela havia saído, mas estava lá.
Jessie.
De braços cruzados, cerrando os olhos para mim, ela mordia os lábios, enfurecida. Eu tinha que me livrar de Justin.
Mesmo não querendo, mesmo meu corpo suplicando no mínimo um abraço seu, um beijo... Mesmo minha mente me condenando, me dizendo que eu teria que contar-lhe toda a verdade.
- Terra para Lauren! – Justin estalou os dedos frente aos meus olhos despertando-me do transe. – Você...?
- Eu tenho que ir. – afirmei cabisbaixa. – Agora! – completei tentando ser o mais convincente possível.
- Mas nem bateu o sinal ainda e...
- Preciso terminar a lição.
- Eu te ajudo!
- Na biblioteca. Apenas alunos podem entrar lá.
- Não tem problema, eu entro mesmo assim. – gargalhou. – Até parece que não me conhece.
- É que...
- Qualquer coisa podemos sentar em um banco por aqui mesmo...
- Não! – exclamei com o tom de voz um pouco mais alto fazendo-o estranhar minha reação. – Digo, lá que há os livros que eu preciso.
- Tudo bem então. – ele disse um pouco desconfiado. – Nos vemos depois. – disse e selou nossos lábios. – Tchau.
Sem responder-lhe e com passos rápidos, eu iniciei a andar até a entrada da universidade, mesmo sabendo que Jessie ainda estava lá me olhando ameaçadoramente.
- Bom trabalho. – ela disse. – Mereceu um Oscar!
- Vai para o inferno! – murmurei.
Narrado por Justin
Lauren estava estranha.
Ela estava realmente muito estranha.
Talvez seja o estresse, ou o medo devido ao que temos passado e o fato de Marcus estar rondando por aí. Estranhei o fato de, depois de ter exigido tanto minha companhia ela ter reagido daquela maneira ao me oferecer a ajudá-la com a lição, mas relevei. Eu não poderia ficar muito tempo mesmo pois tínhamos uma reunião.
Quando verifiquei se os seguranças contratados por mim estavam fazendo o que eu ordenei pelas redondezas da faculdade, caminhei até meu carro, adentrando no mesmo e dando partida. Eu chegaria mais rápido na cede se não ficasse preso no engarrafamento.
[...]
- Bieber, você demorou! – exclamou Taylor quando finalmente consegui chegar a cede.
- Engarrafamento. – justifiquei. – E então...?
- Bom, – Ryan iniciou a dizer. – o papo de hoje é o seguinte: eu consegui umas putas.
De súbito, ele alcançou os olhares de todos que estavam presentes. Taylor cerrou os olhos para ele, enquanto tinha seus punhos fechados prontos para socá-lo.
- O que você disse? – ela rosnou.
- Calma! – ele ergueu as mãos em defesa. – Vocês nem me deixam terminar de falar! Eu quis dizer que consegui umas putas para se infiltrarem na fortaleza de Marcus. Vocês sabem, o cara ama uma boca livre.
Chaz, que até então se mantinha calado, iniciou uma gargalhada, que como imã, nos influenciou a gargalhar também e preencher todo o local. Taylor permanecia séria e sem graça.
- Do que estão rindo? – perguntou.
- Sua cara, Taylor! – exclamou Chaz.
- Caralho! – Rob disse meio a gargalhadas.
- Não tem graça! – ela se defendeu.
- Tem sim, - disse. – e muita! – completei.
- Ha ha ha – ela gargalhou ironicamente. –, pronto, eu ri! Será que podemos nos focar no assunto agora?
- Tudo bem, tudo bem... – cedi. – E você tem certeza que as putas são de confiança? – perguntei a Ryan.
- Absoluta. Elas seriam novas contratadas para a boate do centro, não são da cidade, então, aproveitei-me da situação e as escalei para o serviço.
Assenti com a cabeça convencido.
- O armamento já está a caminho. Coisa novíssima vinda do México, estará cruzando a fronteira no final de semana. – disse Chaz.
- Consegui uns seguranças de confiança absoluta, estão vindo da Califórnia. Recomendação de Lil. – Rob disse.
- Peça para Lil vir também. Qualquer ajuda é bem-vinda! – eu disse.
- Ele não pode pôr os pés na cidade, cara. – Ryan alertou. – Marcus tá na cola dele.
- Ele está na cola de todos nós, então...
- Tudo bem, eu entro em contato. – disse Taylor.
- Eu estou tentando invadir o sistema de Marcus novamente para saber em que ele vem investido, mas parece que ele descobriu que eu fiz isso antes e não to obtendo muito sucesso.
- Eu posso chamar Lauren para te ajudar. – disse.
- Falando nisso, como está Lauren? – perguntou Taylor.
- Hoje eu a vi e ela estava meio estranha. Acho que...
Iria terminar de dizer, mas uma voz feminina e bastante familiar ecoou no local:
- Estranha?
Olhei para cima, tendo a visão dela.
Jessie.
Ela estava de pé no andar de cima nos observando. Sua roupa era curta e vulgar – como de costume –, seus cabelos estavam trançados e jogados para o lado. Ela nos encarou por um tempo, até que puxou um espelho e batom de seu bolso, aplicando o produto em seus lábios enquanto se observava, e quando terminou, os guardou novamente e voltou a nos encarar.
- Puta que pariu! – exclamou Ryan com a mão no coração. – Da onde você surgiu, garota?
- Dos céus. – ela disse.
- Do inferno. – murmurou Taylor baixinho porém alto o suficiente para que eu pudesse ouvir.
Quando chegou até onde nos encontrávamos, ela pôs as mãos na cintura, antes de cerrar os olhos para Taylor por uns segundos e perguntar:
- O que a xodó do Bieber tem?
- Desculpe, quem te chamou aqui? – perguntou Taylor.
- Eu também sou do grupo! Como nos velhos tempos...
- Eu gostaria de te avisar que eu não sou museu para viver do passado, portanto, tchau!
- Justin! Você vai deixá-la falar assim comigo? – ela disse tentando ser inocente.
- O que eu posso fazer se concordo com ela? – dei de ombros.
O espaço foi preenchido pelo som de Ryan tentando conter a gargalhada e Chaz dando-lhe uma cotovelada para que ele se concentrasse. Rob os repreendeu com o olhar e foi até Jessie, tentando abraçá-la pela cintura porém ela não permitiu.
- Qual o motivo da reunião? – insistiu. – Para que tanto armamento e segurança?
- Há quanto tempo você está ouvindo nossa conversa? – perguntei ríspido.
- Tempo o suficiente. – afirmou.
- Ótimo, vou ter que trocar as fechaduras daqui também! – rosnei.
- O que estão aprontando, garotos? – perguntou. – E Taylor. – completou com a voz enojada.
Narrado por Lauren
- Vamos, Lauren. Por favor... – suplicou Stacy.
Intervalo.
Stacy insistia para que eu a acompanhasse até um restaurante no centro da cidade, mas eu não estava muito a fim. Mesmo dizendo que não, ela continuava a insistir e eu já estava prestes a perder o pouco de paciência que ainda me restava.
- Não, Stacy! Eu não estou com fome!
- Credo, você está muito estranha. – ela disse entrelaçando nossos braços para que pudéssemos caminhar juntas pelo jardim frontal. – Aconteceu alguma coisa?
- Pela milésima vez: não. Eu só acordei de mau humor, só isso. – menti.
Eu queria muito abrir o jogo. Contar para Stacy que estava sendo ameaçada friamente mas não podia. Eu não podia contar para ninguém que minha mãe estava correndo risco de vida por minha culpa.
- Aconteceu alguma coisa e eu sei! Eu vou descobrir, Lauren! Ou eu não me chamo Stacy Anderson!
Revirei os olhos, impaciente.
Ainda caminhávamos pelo jardim quando sem querer esbarrei em um garoto que estava na calçada.
- Oh, me desculpe! – eu disse.
- Tudo bem... – ele disse dócil.
Eu reconheceria aquela voz de longe.
- Mark? – perguntei incrédula. – O que está fazendo aqui?