O Caos Bonito Que Mora em Mim
Por Fran-Vasconcelos Nem sempre a alma está em ordem. E, às vezes, é nesse descompasso que nascem as verdades mais cruas e bonitas sobre nós mesmos.
Quando o caos acorda primeiro que eu
Tem dias em que eu acordo quebrado, e não sei se foi o sonho que pesou ou a vida que não me deixa respirar. Carrego dentro de mim uma bagunça tão grande que daria um romance inteiro só de silêncios engasgados.
Mas sabe o que eu percebi?
Existe beleza nesse caos.
Onde mora a beleza do descontrole
Sim, nessa confusão de sentimentos embolados, nas crises que vêm sem aviso, nos choros no meio do banho, nas noites em que o travesseiro vira confessionário. É nesse lugar escuro que nasce a versão mais verdadeira de mim.
O caos me destrói, mas também me mostra quem eu sou de verdade.
Já tentei ser o que esperavam
Já tentei me consertar pra agradar os outros. Já tentei caber no molde, ser suave, ser calmo, ser leve. Mas leveza demais me tirava o peso que me mantinha no chão. Eu flutuava fora de mim mesma, me perdia no personagem.
Hoje eu me aceito torta. Intensa. Estranha.
As rachaduras que me constroem
Tem poesia nas minhas feridas, tem arte no meu desequilÃbrio, tem fogo nos meus silêncios. O que pra muitos é fraqueza, pra mim é pulsação. É vida. É coragem de sentir o que outros escondem.
Não quero ser perfeita. Quero ser inteira. Mesmo que isso signifique ser feita de partes rachadas.
Um lar chamado caos
Dentro de mim mora um caos que não cabe em diagnósticos nem em calmantes. É um grito mudo, uma fúria doce, um furacão que dança. E eu deixo ele morar. Porque é ele que me ensina a sobreviver — a transformar dor em palavra, angústia em arte, solidão em força.
E se for pra enlouquecer...
Que seja bonito. Que seja sincero. Que seja meu.
Porque, no fim das contas, o caos também é lar. E eu aprendi a chamar de casa o lugar onde quase me perdi.


















