ai de mim que nunca entendi o amor
se tem algo sobre relacionamentos (românticos e não românticos) que nunca me ensinaram é a confiança no outro, aquela coisa de você não precisar ter medo de contar algo ou ser quem você é com o outro.
as minhas relações e o jeito com que me relaciono com as pessoas mudou completamente depois que minha mãe faleceu, em 2021, e depois que eu comecei a conviver diariamente com a minha família materna. aconteceu, também, de eu ganhar uma autoconfiança absurda em relação a mim (a quem sou e o que quero da vida), e isso começou a refletir nas minhas relações, que estão muito mais abertas e verdadeiras. até os 30 anos, fui uma pessoa que não sabia lidar com as emoções ou expressá-las, mas a terapia começou a romper esses padrões. me tornei muito mais comunicativa - claro, sempre me autopreservando, também, pois há situações em que o silêncio é a melhor resposta.
mas o ponto é que, antes disso, nunca haviam me ensinado a confiar no outro, ou que o amor (romântico ou não) passa pela autenticidade. porque no amor você não tem medo de se expor - seja as suas piores falhas, ou os seus piores traumas.
falar de amor (de qualquer tipo) sempre me lembra do poema de andrew london, chamado definition of love, que descobri há uns bons dez anos. alguns versos que ainda me recordo com clareza são: "você sem saber colocou sua vida, colocou seu coração nas palmas das mãos de outra pessoa e disse: aqui. faça o que quiser." recentemente, pude ouvir o autor joão silvério trevisan e ele disse algo também sobre o amor: sobre isso ser divino, pois envolve pessoas que escolheram dizer sim e abrir suas portas umas para as outras. acho que nunca mais vou me esquecer disso, e me pego pensando quantas vezes quisemos dizer sim, e dizemos não; ou quantas vezes o outro quis dizer sim, mas disse não - pelo medo da desconfiança. pelo medo de ser insuficiente. pelo medo do julgamento.
acho que, no fundo, é por isso que, até então, eu nunca compreendi muito bem o amor (especialmente o romântico, já que sou greyarromântica).
quando você esquece de ser perfeito para o outro é que você começa a entender melhor o amor, talvez. porque você aceita as falhas, as histórias, e vê o que o outro tem para te oferecer. saber que o outro vai te conhecer nos seus dias de tristeza, que a bagagem dele é pesada demais, ou que nem sempre vocês vão estar conectados é sobre a confiança. é continuar dizendo sim.
quantas portas você nunca nem abriu porque ninguém te ensinou sobre a confiança?