Ainda bem que a gente cresce
Hoje, caminhando, lembrei que na adolescência eu era afim de um menino, eu com 13 e ele com 14 ou 15 (sim fui muito precoce). A gente morava próximo, então uma vez chamei ele pra fazer caminhada comigo, nessa mesma avenida que fazia hoje. E lembro que ele falava coisas com as quais eu não concordava, mas por ser afim dele, eu só sorria e fingia não ter nada demais. Hoje tava refletindo como eu era boba. Mas eu era adolescente, né? Eu achava que algumas coisas seriam superadas pelo fato de eu gostar dele.
E assim como eu, naquela época, muitas meninas aceitaram a babaquice de muitos meninos porque estavam afim ou até mesmo porque era o seu namorado. Mas a sorte é que a gente cresce e entende que não precisa aceitar tudo de ninguém por motivo nenhum. A gente cresce e se dá conta de que precisa se respeitar e impor limites. E de que se não formos nós a dizer o que pode ou não conosco, não vai ser o outro a fazer isso.
A pena é que muitas meninas, mesmo após se tornarem mulheres, seguem agindo assim porque foram orientadas dessa forma ou porque suas referências (mães, irmãs, amigas, etc) agem assim e naturalizam atitudes questionáveis de seus parceiros por acharem que é bobagem e que não vale a briga. Mas a nossa paz vale mais que qualquer coisa. E estar com alguém com quem a gente concorda ou que se assemelha aos nossos princípios, que nos respeita e acolhe é fundamental! Eu não espero menos que isso!
E hoje eu respiro aliviada por, apesar de ter insistido nesse carinha na época, porque estava apaixonada, ter percebido o quanto ele era babaca. Ele fazia comentários machistas, misóginos, sexistas e eu só sabia que me incomodava, porque nem tinha noção do quão prejudicial era isso. Encontrei por acaso esse mesmo carinha algum tempo atrás e conversando percebi que ele não havia mudado nada! Completou o pacote de boy lixo com homofobia! Veja só! Ainda bem que a vida cuida de afastar da gente esses escrotos. Por sorte o que tive com ele não passou de paixão adolescente.
Hoje, bem mais experiente e madura, não existe comentário babaca que eu não rebata. E se vier de alguém por quem eu estou interessada, já perco o interesse. São muitos anos e muita oportunidade que tivemos de nos esclarescer e deixar de sermos os idiotas que fomos na adolescência. Já tem tempo em que não há espaço para preconceito e discriminação (nunca houve, mas hoje não há perdão) e machismo, homofobia, misoginia, etc vêm daí. Eu não vou aceitar que desrespeitem quem quer que seja na minha frente e muito menos que me diminuam enquanto mulher. Eu sou muito boa para ser destratada. Não mereço, ninguém merece!
Então não tem pano pra passar!











