#006 Bolo de Laranja de Liquidificador com Surpresa
Aceeeerteeei o booooloooo! Uhuuuuu! \o/
Finalmente consegui fazer bem do início ao fim.
Fora o fato de ter quase derretido o liquidificador, o bolo ficou um SUCESSO!
Sabia que daria certo depois da aula da madrugada com a minha vó.
Foi o mesmo mas de um jeito diferente. Fiz ele cheio de energia. Não tava com nenhuma emoção quando o fiz, nem raiva, nem felicidade, nem nada, apenas determinação e o senso prático da experiência afinal já sou um profissional com SEIS bolos no currículo.
Acordei cansado, com a casa bagunçada, roupas jogadas no chão, livros e revistas espalhados pelo quarto, canetas e papéis ao redor da cama.
Foi sem despertador e de supetão com o azul do final da manhã de um sábado ensolarado. Moro perto de alguns colégios, então volta e meia ouço crianças brincando, risadas, gritinhos e barulhos delas se divertindo mesmo no final de semana. Fico feliz lembrando do meu tempo de guri.
Botei música, tava a fim de ouvir "Os Tribalistas". Bem alto no repeat, uma vingancinha contra a guitarra da madrugada do meu vizinho de cima. Ouço "Os Tribalistas" e me lembro de um verão que fomos à Pousada do Tapeceiro na Gamboa, uma das praias incríveis de Santa Catarina. Vem sempre na minha cabeça uma manhã ensolarada, a mesa posta com mil frutas lindas e iluminadas pelo sol que invadia pela pela janela o refeitório sem nenhuma cerimônia. Um dia ideal de verão. Tão ideal que só existiu na lembrança. Os romances ficam tão mais lindos quando reinventados na memória.
Ouvi a sequência de músicas por uma coleção de sentimentos e memórias.
"Vou te guardar num altar na certeza de não apressar o mundo"
Organizei e limpei minha casa como se eu fosse um super faxineiro. Lavei as roupas, limpei o banheiro, recolhi os papéis, empilhei os livros, guardei as canetas e aí fui pra cozinha.
Com meus gestos certos e mecânicos meu bolo foi ficando bom.
Gostaria de ser prático assim com meus amores.
No forno o bolo foi crescendo.
"Não vou descuidar vou lembrar como é bom e ao amor me render."
Essa foi a parte triste e melancólica do meu bolo de sábado. Só que esses bolos não estão sendo feitos para eu chorar as mágoas na cozinha. Eles estão sendo feitos para compartilhar, criar esperiências de doçura e alguns momentos de conforto.
E assim foi com o bolo de número seis.
Neste sábado estava sendo comemorado o aniversário da minha priminha paulistana, a Catarina, que nasceu há dez anos pra encher de alegria a nossa vida e principalmente a vida da minha prima que é minha irmã de coração e uma grande inspiração Cecília.
Conheci a Catarina quando voltava de uma temporada estudando desenho e pintura em Nova Iorque. Tava cheio, mas cheeeeeio de novidades, eu tinha visto tanta coisa, aprendido tanto e principalmente tido um tempo pra mim. Pra refletir e viver uma pequena rotina com a minha arte como objetivo principal. Fiquei um bom tempo meio zumbi na volta. Foi felicidade demais!
Mas voltando à minha priminha, era um bebzinho lindo, beeeem comprido, com bracinhos e perninhas esguios. E foi dessa forma que a Catarina, que tem o nome forte de rainhas e princesas entrou na minha vida.
Ao longo desses dez anos acompanhei o crescimento dessa doçura e me aproximei ainda mais quando tive que vir muito mais vezes a São Paulo.
A nossa bebezinha linda já está virando uma adolescente, continua carinhosa e curiosa, mas agora as perguntas são diferentes. Catarina, Ciça e mais três amigas me encontraram no final da tarde.
Recebi a pequena com o bolo que tinha nascido do trabalho mecânico, da trilha sonora dos Tribalistas e que teve como destino uma comemoração de um amor que já dura uma década.