Ela passou perfume nos tornozelos, porque sabia que eles estariam nos ombros dele no final da noite.
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@subvertendoarte
Ela passou perfume nos tornozelos, porque sabia que eles estariam nos ombros dele no final da noite.

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Agora é minha vez de aguardar. Te anseio e devoro voraz, criando releituras de todas palavras que trocamos - e por vezes por aqui ficaram me esperando. Te visualizo em devaneios ansiosos, por entre as frestas de meus olhos que sonolentos se fecham, como luzes a se apagar.
Te sinto em minha pele e te manifesto em minha poesia. Poesia que escorre entre minhas pernas, enquanto reverberam a vibração da tua língua doce no pé do meu ouvido, dizendo coisas bonitas e ferozes para me impressionar.
Compartilho tua sede e tua ânsia. Me inebrio com a possibilidade da tua presença. Te escrevo e pelas pontas dos meus dedos, te desenho em minha pele, traçando caminhos de calor enquanto escolho a trajetória do teu ofegar.
Eu sei que você ainda me busca, poeta.
- Giulia B. (@subvertendoarte)
Eu sou passagem e passageira. Indo com as brumas e brisas, voltando sem querer gerar expectativas. Eu não vou ficar. Eu jamais permaneço. Não me espere, não mantenha o aguarde. Sou forasteira. Tal qual meu próprio reflexo ao espelho, sempre está a mudar. Os cabelos, o tom da pele, as marcas do tempo, o formato do corpo, as perfurações das agulhas afiadas que insisto em deixar me penetrar. Um vórtice. Não se apegue à mim, eu não vou ficar. Os pensamentos e sentimentos. As sensações e desilusões. Os sorrisos e seus respectivos motivos. A língua e sua performance. A pluralidade que sigo à explorar. Todo se cambia, mientras cambio a mí. Não garanto ser uma versão melhor. Apenas prometo o movimento. De mim, em mim, ao meu redor. Um vórtice. Não se afeiçoe à mim. Eu prometo apenas não ficar.
- Giulia B. (@subvertendoarte)
Espero que um dia meu gosto seja tão doce outra vez quanto tua língua me provou essa noite.
- Giulia B. (@subvertendoarte)
Sei que sente minha falta no silêncio da madrugada. Imagina minha voz e o cheiro da minha pele. Sonha com meu toque, anseia por sentir meu calor.
Me consome em devaneios de saudade, me pinta ansioso pela descoberta do que desconhece. Cria imagens de movimentos repetidos em padrões vorazes e afoitos.
Sei que sente minha falta. E bendito seja, poeta. Te sinto ainda em mim também.
- Giulia B. (@subvertendoarte)

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Tua silhueta se projeta sobre a minha. Sobre mim. As palavras correm soltas pelas lentes dos meus olhos e tua forma se insinua em minha mente, como um ser onipotente, capaz de me deixar sem fala e sem ar.
A imaginação nunca foi meu forte. Mas sou boa em sentir. E te sinto marcado em mim, presente em minha pele. Teus olhos enxergam onde eu não permito mais a ninguém enxergar.
Me constrange e apavora ter aberto minha alma de forma tão cristalina e sincera, mas a sensação de pertencer sobrepõe todo os pesares e domina meu ser. Poesia percorre minhas veias enquanto tua língua percorre minha pele e busca por espaço dentro de mim.
Tuas palavras escorrem pelas minhas coxas e a imagem dos teus dedos impressa em minha retina, vibra no meu ventre, preenchendo os cantos mais vazios da minha alma.
Cuidado para não se afogar em mim.
- Giulia B. (@subvertendoarte)
Desbravo a boca do poeta. Procuro as palavras que gostaria de escutar. Minha língua delicadamente explorando a imensidão da fonte.
Minhas mãos passeiam por tuas costas, meu quadril se move e minhas pernas apertam tuas coxas. Teus pêlos roçam minha virilha. Tuas mãos me prendem com força bruta ao teu colo e sei que amanhã as marcas estarão em minha pele. Quase uma assinatura.
Ansioso, voraz. E eu paciente, calmaria. Me puxa e aperta. Me entrego e deixo que meu corpo fale por mim. Me devora e consome, te aprecio e guardo. Em pele, palavra, música, cheiro de vinho e fumaça.
Tua respiração em meu pescoço, teus dentes em minha orelha, mãos em minhas costas. Enterrado dentro do mais profundo de mim, vibrando em sintonia úmida, quente e profunda. Teu gosto é familiar, apesar de inédito.
Poesia ofegante declamada em tons urgentes. Dois poetas sem palavras. Desbravo mais uma vez, a boca do poeta.
- Giulia B. (@subvertendoarte)
THC
Te leio enquanto te sinto. Poucas palavras, pois as sensações são incontáveis e aterradoras. Te escuto enquanto leio. Meus cachos se arrepiam na esperança do movimento, interrompido pela distância.
Tuas pernas chegaram antes de teus olhos, que por sua vez, me desnudam sem me ver. As palavras escalonam, com a intimidade e a crescente das possibilidades.
Somos poetas. E a própria poesia. Arte ofegante, mesmo que distante. Nós desencontrados em uma trama por ser enlaçada. Toque de carnes quentes, vorazes e sedentas de palavra, liberdade e intensidade.
Me pergunto, como seria, afinal, o encontro dos poetas? Duas ondas que se chocam, incansalvamente em busca de um ápice poético. Eu verto, meu bem. Arte, palavra, suor e desejo.
Ainda selvagem. ainda indomável. Poesia, com ânsia de ser lida e declamada pela língua. Como já disse você, poeta: sede que não cessa, fome que não passa, tal qual um cão faminto.
Em tua língua me sinto a presa. Me devora.
- Giulia B. (via @subvertendoarte )
Instantes
Dias
Meses
e
Anos

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Minhas pernas tremem e meu quadril se move sozinho, o suor escorrendo pelas minhas coxas. Meu corpo é tela, tua boca é pincel. Tua saliva me colore. Eu sou arte; você é arte. Juntos, somos uma obra prima que se desintegra com o mais breve e ardido toque, apenas para se recompor por inteiro em cada suspiro de alívio e vontade. Te sinto vibrando em mim, tua respiração em meu pescoço ditando o ritmo dos meus batimentos.
Somos arte.
- Giulia B. (via @subvertendoarte)
Escrevo sobre coisas pessoais.
Tão pessoais que minha subjetividade inteira desnuda vaza através das letras.
Aqui, me faço vulnerável.
Me curvo à mim mesma e à desordem de ser quem sou. Me desfaço e refaço.
Me reconheço e reconheço as que vieram antes de mim. Infelizmente, e jamais por culpa delas, herdei o vazio como mais um daqueles fardos hereditários que apenas nos são entregues nas mãos e espera-se que saibamos o que fazer com eles.
O vazio faz parte de mim. Ou eu me perdi nele?
- Giulia B. (via @subvertendoarte)
Minha alma anseia liberdade.
Estou presa nas - tão frágeis e tão potentes - grades da imensa gaiola que é a minha mente.
Como uma mosca presa na armadilha da aranha.
Eu sou a mosca. E também a aranha.
Meu refúgio, é também meu cativeiro.
- Giulia B. (@subvertendoarte)
Em meus olhos cansados
Carrego a dor da experiência
E a carga do fardo alheio.
Ao encarar meu reflexo,
Enxergo o abismo;
Mas ele não me olha de volta,
Em mim,
Ele faz morada.
- Giulia B. (via @subvertendoarte)
As palavras se contorcem e crescem em meu peito. Sinto o subir pesado delas por minha garganta e numa ânsia de vomitá-las; corto o silêncio com meu grito. Nasci sufocada por elas; em um mundo onde o vazio do meu sexo fala mais alto que minha boca.
- Giulia B. (via @subvertendoarte)

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É como um quarto escuro durante a noite. Algumas vezes a luz se infiltra pelas frestas da janela. No restante do tempo, apenas escuro.
É como uma gaiola. Sou um pássaro encarcerado. Presa entre as barras sólidas e firmes. Enxergo a luz, mas de dentro da jaula.
Tudo me puxa para baixo. Eu me deixo cair.
É como a gravidade me atraindo ao inferno.
- Giulia B. (via @subvertendoarte)
Arte e destruição, eu ouvi uma vez.
Não sei mais dizer se escrever mais me afoga ou me liberta.
O peso, quando escrevo, adormece.
Mas ele nunca passa.
Giulia B. (via @subvertendoarte)