Quando pequena, diziam que eu tinha um coração grande.
Hoje, me surpreende lembrar.
Porque te amo mais do que um dia imaginei ser possível.
E agora não cabe mais ninguém além de ti.
É um amor tão vasto
que fez um coração grande
parecer pequeno.

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Quando pequena, diziam que eu tinha um coração grande.
Hoje, me surpreende lembrar.
Porque te amo mais do que um dia imaginei ser possível.
E agora não cabe mais ninguém além de ti.
É um amor tão vasto
que fez um coração grande
parecer pequeno.

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No fim
as memórias mais felizes são as que mais vão nos torturar.

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Beija mal
Me morde
Me machuca
Me faz sangrar
Pra eu dizer que estou mal
E que preciso ir embora
Se o beijo continuar bom
Vou ser obrigado a ficar
E se eu ficar
Teremos um problema.
Quanto se sabe sobre amor no universo para que limitem a dimensão do nosso?
Quem me escuta falar de ti, se apaixona ao te enxergar como te vejo
Me prendo a nós como quem segura areia num vendaval,
com força demais para machucar
e cuidado de menos para conter o caos
Há descontrole em tudo:
no vento que não pede licença,
no tempo que passa sem aviso,
na areia escapando pelos dedos
mesmo quando as mãos imploram para ficar
Eu vejo cada grão partir
em câmera lenta e cruel,
sabendo exatamente o que está se perdendo
e ainda assim incapaz de impedir
Não é o fim que me assombra,
é a possibilidade dele.
Não quero que acabe.
Quero apenas que o vendaval cesse,
que a areia que sobrar
seja suficiente, generosa,
para continuar alimentando nossa ampulheta
por muito, muito tempo

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O que posso dizer sobre esse ano?
Os últimos dois, na verdade, 2025 foi uma extensão de 2024. Foi tudo sobre encarar velhos traumas, se afogar no vazio, se debater entre pesadelos buscando ar, revivendo o mesmo dia, acumulando cansaço, uma crise a cada passo, beirando o abismo, pensando: “é esse o meu limite, não posso mais.”
Enquanto o coração soluçava no peito, se esticando, pedindo mais uma chance de bater.
O que posso dizer?
Ainda estou aqui.
Eu espero que, de alguma forma, a vida esteja sendo leve com você.
Não por existência de sentimento, mas porque desejar o bem de alguém com quem já compartilhei uma parte da história é simplesmente o que faz sentido pra mim hoje. Não existe intenção escondida, nem vontade de voltar, nem aquele fio emocional que insiste em puxar a gente pro passado. Existe só uma constatação tranquila: caminhos se separaram, ciclos fecharam, e isso não apaga a humanidade que existiu ali.
O tempo me ajudou a entender que uma relação que não deu certo não precisa ser transformada em ferida eterna. A gente não precisa se apegar ao que foi bom nem carregar o que foi ruim. Tudo teve seu peso, seu impacto, seu prazo. A história foi complicada, cheia de altos e baixos, cheia de tentativas que não se sustentaram por muito tempo, mas ela acabou. E com o fim veio uma espécie de limpeza emocional: os problemas pararam, as dores cessaram, a tensão se dissolveu. O que restou foi só clareza.
Hoje, quando olho pra trás, não é com saudade nem com mágoa. É com uma neutralidade saudável, que vem depois de muito tempo pensando, entendendo, processando. Não romantizo nada, não demonizo nada. Só aceito que foi o que dava pra ser dentro do que éramos naquele momento. E essa aceitação é a prova mais concreta de que eu realmente segui em frente. Sem peso, sem desejo, sem “e se”.
Eu sei reconhecer que algumas fases da vida não são para durar, por mais intensas que tenham sido enquanto existiram. E não tem problema. A maturidade está em entender o encerramento como algo necessário. A nossa história se encaixa nessa lógica: foi o que foi, até não poder ser mais. E isso é suficiente. Não me define, não me prende, não me empurra de volta pra lugar nenhum.
Ainda assim, existe um espaço dentro de mim que não precisa ser hostil. Não é afeto romântico, não é lembrança escolhida a dedo, é só respeito. Respeito pelo que aconteceu e, principalmente, respeito pelo próprio fim. E é justamente desse respeito que nasce essa vontade genuína de que você esteja bem. Porque desejar o bem não me vincula, não me compromete, não me bagunça. É só um gesto simples, humano, que existe de forma neutra.
Eu não quero que nada volte, não quero reviver nada, não quero recontar o que já foi contado. Eu quero apenas que cada uma de nós siga seu caminho da forma mais leve possível. E, honestamente, torcer para que você esteja bem faz parte dessa leveza. Não exige proximidade, não exige conversa, não exige reencontro. É só um pensamento que passa, limpo, livre de intenção.
Se um dia você ler isso, talvez reconheça que existe aqui uma mensagem que encerra, que coloca um ponto final com delicadeza e maturidade. Porque a vida segue, eu sigo, você segue, e tudo isso é natural.
No fim, o que realmente importa é simples: eu quero que você encontre o que for bom pra você. Sem peso, sem passado, sem vínculo. Apenas isso. Porque o que terminou não precisa ser um fantasma, pode ser só um capítulo encerrado que a gente revisita com a cabeça leve e o coração completamente em paz.
Há alguns dias, senti o perfume do meu pai.
Um rastro leve, invisível,
como se o vento tivesse aberto um portal.
Por um instante, o mundo silenciou,
e a saudade veio inteira, com o peso de quem nunca foi embora.
Hoje encontrei o seu melhor amigo, pai.
Ele me olhou como quem carrega um segredo antigo.
Disse “oi”, sorrimos, fingimos normalidade.
Ele perguntou se eu estava bem.
Respondi que sim — e foi como mentir pro espelho.
Depois, seguimos:
ele pra vida dele,
eu pra ausência, miúda, guardando lembranças como quem protege fogo em meio à chuva.
Pensei também na mamãe.
Lembrei das últimas vezes no hospital,
quando eu segurava a mão dela e aproximava do meu rosto,
tentando gravar na pele o toque que eu sabia que o tempo levaria.
Era minha forma de resistir ao fim,
de dizer em silêncio: “fica mais um pouco”.
Mas ela partiu — suave, cansada —
e eu fiquei tentando decorar o formato do amor que cabia naquela mão.
Agora estou aqui,
pensando em vocês dois,
nesse colo que o tempo levou mas o corpo ainda implora por reencontrar.
A saudade tem som, cheiro, cor — e mora em tudo o que me resta.
Às vezes imagino que vocês me veem,
que de algum canto ainda me reconhecem.
E então, por um instante,
a casa se enche de silêncio e de amor,
como se vocês nunca tivessem partido.
— Giane
Dê as mais claras instruções aqueles que não tem bom senso e prepare-se para o caos.
você pensa bonito

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