Sede de café,
vontade de deitar à janela e assistir à chuva cair,
de olhar para o alto e esquecer que estou plantada no chão,
sentir aquele elemento dentro de mim que nada prende,
tão fluido quanto as nuvens que se dissolvem no céu.
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@macsoul
Sede de café,
vontade de deitar à janela e assistir à chuva cair,
de olhar para o alto e esquecer que estou plantada no chão,
sentir aquele elemento dentro de mim que nada prende,
tão fluido quanto as nuvens que se dissolvem no céu.

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Em uma noite qualquer,
ela chega, deixa os sapatos na porta,
sua alma nua paira a dançar,
espalhando ternura,
o perfume de flores na primavera toma o ar,
a casa, antes vazia,
agora respira o calor de sua presença.
Apenas dizendo o óbvio, mas...
É sobre quem se mostra lar em meio a este mundo perdido.
Sobre quem se faz abrigo em meio às tempestades da vida.
Sobre quem consegue te fazer rir em meio a todo e qualquer pesar.
Sobre as coisas pequenas e simples — belas, perfeitamente imperfeitas.
Sobre caçá-las, como quem caça borboletas só para vê-las voar.
Sobre abraçar a vulnerabilidade e, mesmo com medo, amar um pouco mais.
Sobre respirar, devagar, e sentir o peito cheio de amor, mesmo depois de julgar vazio.
É sobre isso e nada mais.
A pior sensação é essa: olhar para trás, através dessa mente cansada e desse velho e imutável sentimento, e ver claramente as mesmas cenas — um ponto em que desabei, depois fui condescendente e dei desculpas para minhas desculpas, e senti esse mesmo vazio encher o meu peito. Olhei ao redor e não vi nada, nenhum resquício de esperança. Ainda assim, com os olhos cheios de lágrimas, disse que acreditava haver; que alguma coisa, algum dia, magicamente iria mudar. Mas a tristeza segue aterrando cada movimento que tento dar. Ainda não há nada ao redor, e o vazio ainda é aquele secular.
De alguma forma, ainda sou aquela menina de 13 anos dando desculpas para não crescer e enfrentar o mundo, dizendo para a mãe que amanhã iria para o colégio, agarrando-se às esperanças cansadas daquela mãe, tentando torná-las as suas, sentindo pena das duas e comendo o café da manhã, convencendo-se de que é só um dia de folga do mundo, que amanhã seria mais forte para continuar.
Sempre fui tão tranquila; mesmo quando tudo gritava e doía, ainda sou. Mesmo quando tudo grita e dói dentro de mim, há uma mansidão por fora que tenta esconder a intensidade do meu sentir.
Sempre me apaziguei. Desde muito cedo, disciplinei-me a não soluçar muito alto, a não escancarar a minha dor, porque sabia que ela era banal. Jamais conseguiria explicar tal vastidão que sentia no peito — do riso descontrolado ao choro incessante e calado. Nada era validado.
Hoje, ainda percebo essa serenidade em mim e, por muitas vezes, julguei-me desesperada demais, sensível a qualquer dor. Mas as maiores carrego no peito e sigo despercebida, com uma calma adquirida no caos gritante da minha alma e mente machucada.

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Sinto seu amor olhando para mim o tempo todo.
Naquele observador silencioso que vive atrás dos nossos olhos, há algo mais agora:
teu amor sereno e vívido me acarinhando.
Quando menos espero, percebo você me olhando, e esse olhar me envolve em um amor tão terno que jamais imaginei que alguém pudesse sentir por mim — esse amar cada pequeno detalhe de um ser. . .
Em meus movimentos sonolentos na cama, entre um pestanejar e outro, meus cachos se espalham pelo travesseiro e, no breve vislumbre que tenho de ti ao meu lado, te vejo lentamente me amar através desse olhar.
Em cada passo, em cada pequeno gesto meu, não há nada de ti para mim além desse imenso amor a me abraçar.
Sempre tive medo dos meus labirintos mentais,
de cada beco sombrio onde nenhuma fresta de luz alcança. E, quando lá me perco, temo nunca mais voltar. Por pouco não voltei da última vez e, quando olho de onde saí, assusta, porque aquela escuridão sempre vai morar aqui dentro.
Encharcada pelo passado, com lama até a boca,
tudo amarga. Tudo enjoa.
Quem sou eu além do resíduo de um passado interminável?
Quem é essa pessoa que sinto gritar dentro do peito — arranhando as paredes, implorando para nascer — mas não consigo alcançar?
Que maldito limbo inquebrável é esta vida?
Como posso escapar
quando até minha alma parece atolada nela?
dear therapist
Um dia você me disse que eu precisava reagir, me mexer, porque a vida iria passar por cima de mim se eu continuasse assim. . .
Ouvi como se eu já não sentisse essa sensação a vida inteira: o mundo se movendo e eu paralisada.
E adivinha?
Ainda estou.
A vida continua a me atropelar ciclicamente, e estou cem vezes mais quebrada, completamente moída, e ainda assim não consigo me mexer.
Talvez eu goste da dor, por mais insuportável que ela seja.
Talvez eu já esteja morta e esse seja o meu inferno particular. . .
Mas o que sei com certeza é que estou profundamente doente, e não há cura alcançável.
Nenhum grito, soco, discurso cruel ou “motivacional” vai me fazer chegar mais perto dessa melhora inacessível.
Ancient Water
Por conveniência ancorei-me à margem, temendo perder-me no mar.
Então chegaste.
E percebi que perder-me era a única forma de me encontrar.
E a corrente que julguei eterna rompeu-se ao menor movimento do teu olhar — esse olhar que atravessa corpos como quem procura vestígios de vidas esquecidas.
Tu repousaste a mão sobre meu peito e escutaste meu coração como alguém escuta o mar dentro de uma concha.
Antes vazio.
Agora cheio de ti.
Há algo em tua presença quase invisível, mas quente o bastante para despertar cada parte adormecida do meu ser.
Meus olhos, acostumados a não permanecer, fixaram-se nos teus.
E pela primeira vez, deixei-me levar pelo mar.
Em tua profundidade encontrei meu lar.

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A tristeza devora meu coração.
Que tamanho ele tem ao certo para alimentar algo tão denso por tanto tempo?
“O coração humano existe?
Essa é uma pergunta melhor.”
Será que pode ser mensurado?
Eu o ouço rangendo e quebrando, só não consigo entender como algo pode ser consumido sem acabar, pois a dor nunca cessa e a tristeza parece sempre tão forte.
É possível arrancá-lo?
Ser humano sem um coração carcomido?
Eu não saberia dizer.
Tenho todas essas memórias que não são minhas,
todos esses resquícios de vida espalhados pelo meu cérebro.
Lampejam suavemente como um filme em uma tela antiga,
breves e vívidas fotografias esquecidas no porão dos meus pensamentos. . .
Quintais e jardins floridos,
sorrisos e raios solares,
tons pastéis que apaziguam a dor,
curvas suaves e beleza juvenil,
sonhos encantados e doces canções de ninar.
O que tudo isso. . .
o que tudo isso quer me falar?
Tudo pode mudar a cada dia, você pode se reinventar o tempo todo, cabe muita vida dentro de cem anos ou de qualquer tempo que te for dado, não precisa se desesperar com cada falha, cada coisa que tu chama de fracasso.
Será que alguém pode me lembrar disso todos os dias?
Porque somos tão desesperados?
Meu único desejo é estar com você a cada minuto de cada dia e passar o resto dessa vida a viver esses pequenos, simples e encantados momentos, tão humanos e banais com você, isso não é pedir demais, não é?
Só quero aceitar o que tenho direito e nunca me permiti: ser realmente feliz.
Todo mundo merece ser.
Trinta anos depois
Trinta anos depois, e minha criança interna continua machucada.
Trinta anos depois, e ainda me encontro sozinha em um quarto, abandonada.
O tempo passa —
mas eu permaneço congelada no mesmo lugar.
O mundo ainda é estranho e áspero,
tudo dói, tudo desagrada.
Ainda sou aquela criança insatisfeita e mal-humorada,
mortalmente solitária,
se perguntando por que nasceu.
Trinta anos —
desejando apenas
que esse dia doa um pouco menos.

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Fins de tarde me deixam melancólica, já disse isso, não é?
Pois é… todos esses fins rotineiros, que me lembram do tempo que estou perdendo — algo em mim entristece ainda mais. Sei que, todos os dias, me despeço um pouco de mim.
Gostaria de sentir os começos com essa mesma força também, como um sopro de vida reacendendo aqui dentro. Mas são só os fins que me tocam assim — com uma força sutil e destrutiva. Não importa quão insignificante seja o fim, é ele que retém minha atenção, apertando o coração enquanto o sol escorrega para dentro da escuridão.
Se eu gostaria que as pessoas não me abandonassem como se eu fosse descartável ?
Não ser tão facilmente esquecível?
Sim. Claro.
Mas, talvez isso destrua meu ego a ponto de eu não mais existir aqui, então todo sofrimento terá valido a pena.