Carta aberta ao desespero
Para onde dirijo minha profunda indignação nesse sistema cruel que só finge enxergar o pobre, atendendo-o superficialmente e o forçando a sobreviver com migalhas e a rastejar pelos dias em agonia?
Quem pode me ouvir de verdade?
Qual ministério governamental irá olhar para minha dor e enxergar milhões através de mim?
Tenho mesmo uma voz na posição esquecida que ocupo dentro desse sistema desumano?
Grito ao vento?
Choro e ouço gargalhadas vindo do alto, tenho certeza de que se não fosse a cortina tênue da lei, já teríamos sido exterminados como uma praga qualquer, esmagados como baratas, pois assim somos vistos por olhos cegos: insetos contaminando um mundo que não nos pertence.
Quando a verdadeira praga humana são parasitas em forma de gente ocupando os cargos mais altos, dividindo e corroendo a humanidade, com as bocas cheias às custas de vidas pobres.
Carniçais.
Porque ainda choro?
Esses abutres não sabem ouvir.

















