Você reclamou que nunca ganhou um texto meu. Talvez porque textos não sirvam para massagear ego nem para sustentar fantasias, mas para revelar verdades e nem todo mundo está preparado para isso.
Você não fala de mim, você fala sobre você. Sobre o medo de não ser escolhido, sobre a necessidade de garantia, sobre essa urgência travestida de virtude que você chama de intensidade. O que você vende como tranquilidade soa, na prática, como vigilância emocional. O que você chama de cuidado frequentemente escorrega para controle.
Quando você me descreve como a mulher que abandona, machuca ou prefere homens indisponíveis, você não está me lendo, está me punindo por não caber na narrativa que te conforta. É mais fácil me transformar em vilã do que encarar que a sua carência exige um tipo de submissão que eu não ofereço.
E quando você se coloca como alguém “fácil de ser pisado”, o que tenta fazer é simples: me responsabilizar por dores que não são minhas, me empurrar para um papel de salvadora ou algoz. Eu não aceito nenhum dos dois. Não tenho vocação para redimir traumas alheios nem para carregar culpas que não me pertencem.
Eu gosto de silêncio, tempo, autonomia e vínculos que não precisam de acusações, comparações ou promessas exageradas para se sustentar. Se isso é pouco para você, não é porque eu falhe, é porque você confunde amor com medo e chama isso de profundidade.
Então sim, agora você ganhou um texto meu. E com ele, algo que você diz buscar tanto: clareza. Não é aqui que você vai encontrar o que procura e eu não sou a mulher que você tenta inventar para justificar suas frustrações.



















