Só há uma luz esse lugar de loucos. Talvez possa ser uma saída para o mundo real - ou talvez seja apenas uma luz com nenhuma utilidade. Escuto choros profundos, outros baixinhos, porém não passam despercebidos por ninguém. Alguém me diz onde estou? - Não ouve resposta - Imploro! Aonde é que estou? - Me ignoraram, bando de idiotas. O que custa tirar-me uma dúvida? Apenas uma? Peguei o maço que não sei como veio parar no meu bolso - não sei mesmo - e acendi um cigarro. Fui para um canto, fechei os olhos, deitei-me no chão e, ainda com um cigarro entre os dedos, comecei a pensar. “Quem sou eu?”, “O que será que fiz para chegar aqui, onde estou?”, “Alguma cois fiz de errado… mas o que foi?”, “Que horas são?”, “É noite ou dia?”, “Por que todos choram menos eu?”, “O que é essa escuridão, afinal?”, “As cores todas, o canto dos pássaros, o céu azul, os sorrisos, a felicidade… aonde foram parar?”, “Isso é algum tipo de brincadeira com minha cara ou posso chamar mesmo de destino? Mas destino, isso? Que triste destino, hein!”… E as perguntas - ou pensamentos, como prefira chamar - não pararam por aí. Somam-se-me minutos, horas, dias… mas nada muda. Tudo continua assim, como posso dizer? Embaraçoso. “Pra que tanto mistério, meu Deus?”… A luz! - pensei em voz alta - Talvez ela seja a resposta pra tudo isso. Me pus de pé, minhas pernas bambearam um pouco, e enfim pude andar em direção à ela. As pessoas me olhavam apavoradas, como se ouvesse algo em mim que as deixassem daquele jeito. Quanta tristeza! - eu pensei. Finalmente pude chegar na “luz”. Encarei-a por um tempo - precisava tomar coragem para atravessá-la - e finalmente atravessei. Na verdade aquilo tudo era um nevoeiro profundo, e vou confessar que dava medo. Do outro lado existia um mar tranquilo, ficou difícil de acreditar, ele se encontrava tão perto de um lugar tão horrível (…). O sol parecia brilhar mais - pode ter sido uma leve impressão, mas só sei que me fez bem. Ao piscar os olhos eu me deparei no meu quarto, deitada na minha cama com várias fotografias sua ao meu lado. Demorei um pouco pra perceber o que tudo aquilo significou, mas finalmente entendi. Sabe aquelas pessoas? Foram pegas pelo abandono. Alguém muito idiota teve a capacidade de sugar todo o amor que um dia entregaram de corpo e alma para elas. O mesmo aconteceu comigo, amor… o mesmo. Elas estavam desesperadas, sem saber o que fazer. Eu pude ver o desespero no olhar de cada uma, mas nada pude fazer… Não por elas. Eu me mantive calma, busquei forças, procurei encontrar uma solução e consegui sair daquele abismo - que prefiro chamar de solidão. Elas não conseguiram. Como é horrível sentir aquela dor, só de ver me deu calafrios. Olha amor, eu não quero sentir aquilo não hein? Aquilo é duro de se ver. Escapei uma vez e não quero me arriscar de novo. Eu estou com medo amor, muito medo. Vem cuidar de mim, vem. Vem me proteger desse tornado de infelicidade que está por aí procurando vítimas para atingir. Amor, volta pra mim. Enquanto tu não voltas a brisa morna me aquece, tomando o lugar de um espaço que na verdade… deveria ser seu. (dreams-of-love)