Fico imaginando quantas horas por dia as pessoas param para analisar a vida alheia e se sentirem especiais demais para julgar. Todos nós temos algo a falar, opiniões, frustrações, cicatrizes, tombos, montanhas escaladas. Tudo isso, todo esse movimento, nos faz capaz de opinar. Mas, vejo muita gente perdendo tempo exercendo essa opinião de forma negativa. Como se fossem autores da realidade do outro. Não são, nunca poderão ser.
Tenho andado muito triste, como quem não consegue colocar as palavras num papel. Amo a vida, sinto paz ao ver cada amanhecer e pôr-do-sol. Mas, sinto raiva de mim mesma por não ter coragem. Não ter coragem de lutar pelo o que quero, raiva por deixar que alguém venha e destrua em poucos minutos o que eu levei meses e anos para construir.
Ainda não sei se meu emocional é desgastado por causa da falta do meu pai. Ou se o fato de ainda não me permitir sofrer o luto da minha avó de forma real está acabando comigo. Não sei se estou aprisionando tudo na cabeça de novo, com medo de ter crises intermináveis de ansiedade, que me acordaram durante muitas noites e me mantiveram sem esperança. De fato, estou tentando bloquear certas coisas, mas têm outras que são tão difíceis.
Não consigo bloquear a maldade e o veneno dos outros com relação ao meu relacionamento, não consigo bloquear os barulhos de insatisfação na minha cabeça, simplesmente, não consigo. Tem sido um trabalho árduo acordar todos os dias com disposição, parece que acabei de correr uma maratona, porém, não saio do lugar.
Só queria que todos entendessem que eu sou humana, eu sinto como todos os outros, eu choro, dou risada, tenho preguiça e sono. Preciso de atenção e carinho, assim como ofereço para quem está em minha volta. Só queria que todos tivessem a oportunidade de entender isso: somos todos humanos.














