Pietro estava tentando se animar naquela festa mas seus olhos que passeavam pelo salão procuravam uma pessoa em especial. Mas ele não conseguia acha-la, não importava o quanto ele quisesse. Então ele perguntou aleatoriamente para uma das pessoas ao qual conversou se conhecia Nikki.
Na primeira vez em que perguntou, recebeu um olhar curioso de volta mas depois conseguiu com que apontassem a morena. Ele focou em Nikkolina, não estava muito diferente da ultima vez que a tinha visto, ela só tinha espichado assim como ele. Demorou um instante apenas observando.
Por que tinha deixado isso chegar nesse ponto?
O quadribol por um longo tempo foi seu refúgio, aquilo que fazia ele se esquecer que sua família não era perfeita, ele supria toda a necessidade emocional que ele tinha mas não admitia. Mas não foi o suficiente. Ele nunca estaria inteiro sem a família . Ele nunca seria … ele … estava querendo reparar aquele erro, diminuir a distância entre eles .
Seus pés se moveram na direção onde ela estava, sabia que talvez não fosse o melhor momento para procurar a meio-irmã, mas ele preferia assim, talvez isso impedisse Nikki de repeli-lo ou que eles se desentendessem.
Ela estava conversando e ele levou o copo aos lábios para reforçar aquela ideia que tinha sobre ser o melhor momento para aborda-la. Ele tocou em seu ombro antes de que alguma palavra saísse de seus lábios.
“Nikkolina...” ele chamou esperando que ela não o fizesse se arrepender de ter chegado ate ali, por que essa tentativa de aproximação para ele era muito difícil.
Nikolina era uma daquelas pessoas no mundo que se orgulhava de ter uma boa relação com quase todo mundo. Ou, ao menos, todo mundo que merecia, ao olhar da garota. Mas, acima de tudo, ela se orgulhava de sua família. Apesar de nunca ter conhecido a mãe biológica e de ter um certo ressentimento quanto a isso, Nikki teve uma boa infância ao lado do pai, seus companheiros de time e uma ou duas namoradas mais sérias de Viktor que Nikolina conhecera. Nenhuma delas, porém, chegava aos pés da ex-mulher de seu pai. O casamento de Hestia e Viktor já havia terminado a algum tempo antes de Nikolina nascer, porém Nikki lembra-se perfeitamente de conhecer a mulher durante sua infância, assim como seus meio-irmãos que ela adorava, ainda que não se vissem muito.
Os Krum estavam longe de ser uma família tradicional, bem longe, mas Nikolina não podia imagina-los mais perfeitos. Há essa altura da vida, já tinha ciência de que não se encaixaria em uma família “normal”. Cada pessoa tinha seu lugar especial no coração de Nikki, desde Hestia, que Nikki por muito tempo desejara que fosse sua mãe, até seus meio-irmãos que ela via poucas vezes e Magdalena que aparecera recentemente em sua vida mas também já era amada incondicionalmente.
Assim, quando viu que Hestia se mudara para Hogwarts, sua esperança de rever os meio-irmãos antes do esperado cresceu bastante. Se soubesse que Pietro já estava no castelo, certamente teria o procurado. Mas acabou só encontrando o irmão mais velho durante a festa de natal. Nikolina, como de praxe, estava na pista de dança, aproveitando a festa apesar de estar em um vestido longo, que combinava com ela apenas pela cor e pela fenda na perna. Virou com um sorriso nos lábios para ver quem lhe cutucara, sorriso este que sumiu por um breve momento por causa da surpresa. Nem se lembrava a última vez que o vira e, não negaria, estava com saudades. O sorriso cresceu novamente nos lábios da mais nova enquanto ela se esticava para abraçar o irmão mais velhos. “Petya!”
Sabia que sua relação com Petya não era a melhor e não sabia como ele reagiria ao abraço depois de tanto tempo, porém ela estava com saudades dele. “Queria saber o que há com vocês do lado Carrow da família que não sabem avisar que estão vindo. Querem me matar com as surpresas, é isso?” brincou em um tom divertido antes de soltar o irmão do abraço.