Unidos para trazer mais fanfics ao nosso fandom!
CALENDÁRIO:
19 de dezembro a 6 de janeiro
Prazo para as sugestões de temas
7 de janeiro
Início da escolha dos temas pelos autores
12 de março
Limite para a entrega das fanfics
8 a 10 de abril
Publicação de todas as fics
15 de abril
Revelação de autores dos plots e fics
Mais uma vez, eu gostaria de agradecer a todos os que aceitaram o nosso desafio e nos entregaram fics maravilhosas: graças a vocês esse projeto foi possível pela terceira vez! Agradeço também àqueles que nos enviaram plots, aos que leram, aos que comentaram e a todos os que se empolgaram com a fest. Obrigada!
Agradeço, em especial, à Cora Lins, pelo design da fest e por essas capas lindas e maravilhosas que tornam o projeto ainda mais atrativo a todos. Repito também o aviso dado por ela na edição anterior:
Caso os autores queiram sua capa em outros tamanhos/formatos para postar em outros sites depois da fest, entrem em contato com ela pelo perfil @coralins do Social Spirit!
Agradeço também imensamente à Mod K e à Mod L, por todo o trabalho que tiveram ajudando a betar as histórias recebidas. Obrigada de verdade, meninas!
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Nessa edição, recebemos ao todo 80 plots (282, somados aos da edição anterior) e 25 fanfics, apesar de 41 plots terem sido inicialmente escolhidos.
Dessa vez, foram poucos os autores que não nos mandaram mensagem sobre suas desistências, ao que nós agradecemos. Como já dito, entendemos perfeitamente que imprevistos ocorram, então não se preocupem e obrigada por terem tentado e nos avisado!
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Isso é tudo. Esperamos que gostem das fics e que tenham se divertido, lendo ou escrevendo! Caso tenham sugestões, elogios ou críticas, fiquem à vontade para entrar em contato pelo nosso twitter ou por email. Os OTPs dessa vez foram bem mais diversificados que na última edição, então temos histórias para agradar a todos (ou quase todos). ❤
Agora, sem mais delongas, vamos às revelações de todos os autores da nossa fest! Cliquem em “continuar lendo” para seguir.
Obrigada mais uma vez a todos! E os autores já podem postar suas fics em contas do Spirit etc., caso desejem.
Mod N
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Fanfic #01 - Drowse
escrita por May, plot enviado por anônimo
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Fanfic #02 - Engrenagens
escrita por anônimo, plot enviado por Cora Lins
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Fanfic #03 - Sobre eu e você; sobre nós
escrita por ~IzahM, plot enviado por anônimo
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Fanfic #04 - Arrived
escrita por ~scoups/@whoziont, plot enviado por minkeylover33
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Fanfic #05 - Unexpected
escrita por ~IzahM, plot enviado por Cora Lins
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Fanfic #06 - As três definições de amar
escrita por taeminaja, plot enviado por anônimo
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Fanfic #07 - By my side
escrita por @naalimtt, plot enviado por anônimo
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Fanfic #08 - Inferno
escrita por LiraStark, plot enviado por anônimo
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Fanfic #09 - Gananciosos
escrita por httpstwomin/@softaemn, plot enviado por anônimo
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Fanfic #10 - Lightening
escrita por anônimo, plot enviado por TaeminKing
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Fanfic #11 - In Your Eyes
escrita por CoelhoAlien, plot enviado por anônimo
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Fanfic #12 - Minkey Show
escrita por @ShiroKohta, plot enviado por minkeylover33
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Fanfic #13 - @fakejonghyun90
escrita por anônimo, plot enviado por anônimo
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Fanfic #14 - Best Place
escrita por deer_tokki, plot enviado por anônimo
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Fanfic #15 - Handmade
escrita por @priiserpa [sweetmoon], plot enviado por Cora Lins
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Fanfic #16 - So I Did
escrita por ChoiSarisi, plot enviado por Li
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Fanfic #17 - Roses Bouquet
escrita por anônimo, plot enviado por anônimo
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Fanfic #18 - Sinastria Amorosa
escrita por Maritaemint, plot enviado por bumie/almightybling
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Fanfic #19 - Incógnito
escrita por ~scoups/@whoziont, plot enviado por Monnyke
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Fanfic #20 - Hello Baby!
escrita por Amendoyn, plot enviado por anônimo
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Fanfic #21 - Home
escrita por anônimo, plot enviado por anônimo
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Fanfic #22 - Cor de Marte
escrita por kibummielover, plot enviado por ChoiSarisi
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Fanfic #23 - A aposta
escrita por @marcytaem, plot enviado por @maxknae
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Fanfic #24 - Desejos de outono
escrita por anônimo, plot enviado por Silvana Vitória
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Sinopse: Kibum fugiu do hospital com um único, e peculiar, objetivo: receber conselhos eclesiásticos. Mas para dificultar sua busca por perdão divino, o que esperava-o não era um padre como os esteriótipos de cinema, mas, sim, um seminarista ímpar demais para ser ignorado.
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Parte I
Faltavam pouco menos de trinta minutos para as seis da manhã e o andar da internação estava silencioso como jamais antes. Kibum aprendeu, naquele longo tempo em que esteve ali, que hospital não era tão tranquilo quanto faziam parecer na televisão. E tendo ciência disso, tirar proveito da oportunidade singular era praticamente um dever.
Após espiar o corredor desértico, cujos únicos sons eram os roncos, respirações sôfregas e a conversa distante da equipe de enfermagem, voltou-se para dentro do quarto na ponta dos pés. Duvidava que seu vizinho de leito, um rapaz cheio de problemas respiratórios, fosse acordar com aquele oxigênio ligado como era de hábito, ainda assim, não queria arriscar. Custou-lhe duas semanas, desde que saíra da UTI, para que tamanha conveniência de fuga se apresentasse; perdê-la por descuidos estava fora de cogitação.
Arrancou o maldito cateter que tinha enfiado no braço, trocou o avental pavoroso pelas roupas de seu companheiro de quarto e, aproveitando-se da circunstância, roubou-lhe também os chinelos. Nada lhe coube perfeitamente, mas era o bastante para passar despercebido durante a mudança de turno dos funcionários. Enfiou-se no banheiro e lavou o rosto para tomar coragem, consciente de que não precisa de um espelho para saber ter um aspecto terrível. Respirou uma última vez, jogou os cabelos claros para trás e saiu.
No corredor, tudo como antes. Da pequena área de passatempos, a televisão ligada jazia com seu volume no mínimo e as janelas abertas mostravam uma alvorada triste e com resquícios de neve. Abraçou o próprio corpo, pois o clima parecia ser mais gélido do que ele ponderara previamente, e passando pelo enfermeiro chefe, cochilando sobre vários papéis, concluiu que não era má ideia pegar-lhe emprestado aquele belo casaco pendurado na cadeira.
O posto de enfermagem estava logo atrás, e, através de uma ampla abertura na parede, ele até conseguia ver os outros profissionais conversando. Reconsiderou a ideia anterior e todas as outras, deu um passo vacilante para trás e voltou-se para o quarto 202. Então lembrou-se de tudo que passara ali, lembrou-se de que estava vivo, e rapidamente surrupiou o casaco e outros pertences do enfermeiro Choi, incluindo carteira e relógio, indo embora o mais rápido que lhe foi possível.
Quando saiu pelas portas da Internação II, respirou aliviado, contudo, não se permitiu apreciar desse luxo por muito tempo. Alguém poderia surgir a qualquer instante e, assim sendo, trancou-se no primeiro banheiro que avistou.
Seu plano, fomentado por dias e aperfeiçoado só há poucos momentos de ser posto em prática, não era impecável, ainda assim, tinha chances de sucesso se concluído por inteiro.
Encostou-se contra a porta e deu uma olhada nos proveitos do seu mais recente furto. O relógio mostrava cinco e quarenta e cinco da manhã, quinze minutos para a troca de turno e a rotina caótica do andar ter início. Esperaria isso, nada mais e nada menos, para ir embora. Colocou o sobretudo pesado e meteu a carteira nos bolsos depois de verificar quanto dinheiro tinha em posse; planejou que, cumprida suas obrigações, tomaria o melhor café da manhã de sua vida, afinal, não era como se ele não merecesse.
Ficou assim, devaneando sobre comidas, açucares e outras mais mordomias que lhe foram privadas no hospital; pensava nisso para ignorar o espelho que exibia a parede oposta do cômodo, só. Em verdade Kim Kibum era uma pessoa vaidosa, uma vez que sua aparência sustentava a vida de luxo que costumava levar, e o mero conceito de feiura, cicatrizes e hematomas lhe apavorava quase tanto quanto a morte.
Quase.
O tempo passou; devagar, mas passou. Abandonou o banheiro com uma face séria, fingindo-se de um filho cujo pós-operatório do pai não estava sendo dos melhores. Evitou os elevadores, sabendo que de funcionários ou não eles se encontrariam lotados. As escadas, como era o imaginável, vazias como tinham de estar. Foram-se dois, quatro, sete andares. Fez-se ofegante e as pernas reclamaram, tanto elas quanto os pulmões desacostumados de trabalharem tanto. Não desistiu porque não era de seu feitio, então prosseguiu mais lentamente nos dois andares que restavam até o térreo.
Tinha sido tudo ótimo até ali, nenhum contratempo ou obstáculo significativo; pensou, seriamente, que seria mais fácil do que havia programado. Mas como a vida não era de toda virtuosa, e ele sabia disso, logo alguns rostos familiares surgiram em meio à bagunça que se alojava no saguão. Tinha o baixinho que substituía o Choi, o ortopedista que lhe atendia, visitantes com quem já trocara palavras e também contou quatro seguranças.
Essa gente toda não se misturava em um caos como sua cabeça projetava. Algumas estavam sentadas em meio ao pessoal que esperava atendimento, outras nos cantos, papeando entre si. Só que isso, é claro, não lhe fazia a mínima diferença. Principalmente quando usava chinelos, um casaco bem maior do que seu corpo sugeria e tinha a cara de defunto.
Estava perdido e, mais uma vez reconsiderando voltar para o quarto 202, olhou para trás. As escadas subiam e subiam, de modo que quase não parecia ter fim; só que elas desciam igualmente, dois lances além do que ele pensara terem acabado.
Sem pensar duas vezes Kibum seguiu caminho. O final de tantos degraus, aquilo que lhe parecia a salvação, deu em um amplo estacionamento parcialmente lotado.
O rapaz sorriu, pois era impossível não fazê-lo, e seguiu pelos cantos, longe das câmeras de segurança, em direção à luz pálida do dia. Ele estava, em fim, escapando.
Se voltasse dois anos antes, Kim seria incapaz de conceber tal perspectiva de realidade. Odiava o vento frio, a neve cândida e tudo que estivesse relacionado ao inverno. Porém, depois de tanto tempo confinado a um quarto de hospital, vendo tudo aquilo da janela, o que sentiu ao sair do estacionamento e encontrar uma típica paisagem invernal foi a felicidade mais genuína de toda a sua vida. Por aquele ínfimo instante, foi criança de novo.
Enfiou os pés na neve e gargalhou. Encarou a silhueta imponente do edifício em que estava e correu, como se tivesse hora marcada, para a direção que sabia ter de seguir.
Corria, mas não corria por medo de ser apanhado. Corria porque podia.
Com tal ato súbito de entusiasmo, não se demorou em alcançar o local que tinha como destino. Era há sete quadras do hospital, como uma enfermeira tinha lhe contado, e dava para se ter vista de bem longe, tamanha era sua grandiosidade em meio às ruas.
A igreja ainda estava fechada, porém suas escadarias livres de gelo denunciavam que as pessoas ali dentro já haviam começado seus devidos serviços.
Parado em frente a construção, permitiu-se recobrar o ar. Com as mãos nos joelhos e os dedos dos pés de coloração próxima ao azul, entendeu que seu corpo debilitado iria cobrar-lhe o preço das peripécias e não poderia ficar parado ali até às sete. Pensou seriamente em bater nas portas do templo até algum filho de Deus surgir, mas concluiu que a divindade já fizera muito por si e seria desrespeitoso também.
Por fim, decidiu dar uma volta, apenas para não permanecer imóvel no relento.
Abraçou o próprio corpo e seguiu andando, certo de que aquilo não era tão ruim quanto ser refém de um cômodo só. Ele estava livre, assim como sempre o fora, e não ligava que toda a cidade apenas começasse a despertar naquele momento. O mundo supunha-se vazio, e exatamente por isso ele era dono de tudo nele; desde as árvores lúgubres até os automóveis abandonados durante a noite. E nesse mundo silencioso, sem indivíduos e sem problemas, Kibum não precisava de ninguém.
Assim como foi antes, era agora e seria pela eternidade, o tempo passou. O sol subiu, os transportes estacionaram e os comércios abriram, aos poucos, suas portas. O rapaz quis matar sua fome de comida gostosa, de gente e de papo despreocupado, só que promessa era promessa e a santa igreja lhe esperava.
Custou-lhe mais tempo do que imaginara, mas retornou para seu segundo ponto de partida. O antigo prédio católico se encontrava da mesma forma que estivera antes, com a agradável diferença de que, agora, as portas triplas se mostravam abertas. Os não muitos degraus que abriam caminho para seu destino final estavam ali e, sem mais delongas, seguiu-os. Adentrou no lugar acompanhado de alguns receios e, com os olhos famintos de alguém nada devoto, absorveu tudo o que podia de uma só vez.
O ambiente em si não era menos gélido que as ruas de onde chegara e, a não ser pelos pequenos vitrais no alto, amarelos e azuis, e as pinturas ao longe, tudo ao redor era igualmente monocromático. Respirou fundo e mirou o altar, tantos metros à frente, acolhido por uma semicúpula com desenhos que mais o faziam se sentir mal do que o contrário; não tinha ninguém lá, assim como não tinha ninguém nos incontáveis bancos vernizados ou nas capelas cheias de velas que tão agilmente lhe roubaram a atenção.
O calor soturno das chamas a consumirem os pavios não atraiam Kibum unicamente por serem capaz de aliviar-lhe do frio; era ele a razão de estar ali.
Mais uma vez, o rapaz correu o olhar pelo recinto que lhe cercava... Era puro silêncio e vazio. Seus passos incertos, dirigindo-se inconscientemente em direção ao fogo, ecoavam alto e até a própria respiração soava-lhe mais audível do que deveria.
Contornou as colunas pálidas, de extremidades repletas de entalhes, o casaco roubado arrastando no chão. Conforme se abeirava da capela mais próxima, tornava-se menos suspeitoso, sentia que qualquer coisa no cheiro da cera a derreter deixava o ar mais leve; transmitia uma energia singular que havia de aquietar o mais eufórico dos homens.
O universo ao redor de Kibum sumiu. Ele estava, finalmente, onde se sentia na obrigação de estar. As estátuas de santos, os quais desconhecia, fitavam-no cheios de compadecimento e faziam-no possuir um tipo de culpa que jamais sentira. Pensara, numa fração de segundos, na vida que levava e insistia em não entender o porquê de ainda estar respirando; e conforme pensava nisso, tinha de compartilhar seus delitos com a gratidão.
Não era pessoa de igreja, como qualquer um diria só de olhá-lo, sequer sabia de tradições ou de como deveria se portar, ainda assim, aproximou-se do pequeno altar de velas e acendeu duas, só para garantir que seu reconhecimento chegaria aos céus.
Ajoelhou-se ali mesmo, aconchegou as mãos sobre as pernas e fechou os olhos.
– Bom, o Senhor deve saber que eu não sei o que fazer – sussurrou como se segredasse a alguém. – O que eu sei, pelo que escutei falarem da bíblia, é que eu devo ser o cara mais pecador de toda essa cidade; talvez até além disso... Eu não entendo porque fez o que fez, principalmente no mesmo dia em que me enchi de pó e transei sabe-se lá com quantos caras diferentes, mas eu sou grato. Sou grato por ter poupado a minha porcaria de vida...
As palavras desajeitadas, contadas de modo diferente ao que o homem queria, estavam longe de ter fim quando foram interrompidas. O fato era que os planos de Kibum, desde o início, constituíam de encontrar um padre e confessar-lhe todos os seus delitos; mas, uma vez naquele santo lugar, fez-se receoso, afinal, duvidava que uma figura de tamanha virtude fosse entendê-lo. Sentia-se confortável ali, de joelhos e abraçado pelo calor, então o barulho estridente de solas de sapato a derraparem no chão liso assustou-o.
Arregalou os olhos e imediatamente virou-se na direção em que o som viera.
Parado há três metros de onde se encontrava, sustentando um semblante tão surpreso quanto o seu, a autoridade de que acabara de fugir aparecera como por obra divina.
O padre, que parecia-lhe mais um garoto, tinha a postura perfeita apesar do evidente espanto. Kibum, descrente de que via certo, analisou-o dos pés à cabeça, começando pelas simples botas escuras, subindo pela batina ao comprimento das canelas, repleta de botões, até alcançar o típico colarinho clerical. A inspeção no ser se aparência límpida findou na conclusão de que o único foco de atenção que possuía eram os bonitos cabelos escuros, aparados cuidadosamente em um corte redondo. Mas, ainda que repleta de simplicidade, havia qualquer coisa naquela figura que o arrepiava os braços.
Sorriu-lhe o recém-chegado, um sorriso de constrangimento infantil, e aproximou-se ao provavelmente notar que, de todo modo, já tinha atrapalhado o fiel.
– Perdão, eu... eu não tinha a intenção de atrapalhar.
Kim se levantou e olhou ao redor. Estava certo de que o rapazinho precisou percorrer um longo e específico caminho para chegar até ali. Então ergueu as sobrancelhas, duvidoso de que a pretensão alheia não fosse, afetivamente, alcançar-lhe.
– Não que eu esteja acusando-o, mas está certo disso?
Obviamente aquela não era a maneira ideal de se iniciar uma conversa com um homem de Deus, no entanto, agir de modo defensivo sempre fora o natural de Kibum.
– Eu não sei disfarçar, não é? – Riu desconfortavelmente e coçou a cabeça. Por um instante, seu olhar voou para os pés pálidos do devoto. E isso não passou despercebido – Desculpa. Eu te vi aqui, apesar de estar de joelhos. Como disse, não quis atrapalhar, mas encontrei esse rastro de água e quis saber se estava tudo bem. Não era para ser intrometido...
– Quantos anos você tem?
Foi impossível para o fugitivo conter o questionamento. Até a maneira com que o outro falava remetia-lhe a alguém jovem demais para trajar uma batina.
– O quê?! – Aqueles olhos arregalados eram pueris demais.
– Perguntei quantos anos você tem! É absurdo que seja padre!
–A-ah! – Aliviou-se o garoto, achando até certa graça do acontecido. – Eu não sou padre. Não ainda. Estou sendo orientado pelo padre Lee no meu seminário maior; ele achou que a vivência seria mais útil para construir meus conhecimentos, embora eu só faça besteira.
Um seminarista. Isso explicava o porquê dos arrepios.
Não era certo ter aquele tipo de ideia, não estando ali e com o intuito de se redimir, ainda assim, não conseguia simplesmente deixar de pensar. Por mais que não fosse o tipo de gente que se acomodava para saber das notícias, ele sabia o que diziam sobre padres e crianças ingênuas, bonitas como aquela que lhe encarava os pés desconfortavelmente. Ah! Era apenas sua imaginação impregnada de estereótipos que estava a trabalhar, contudo, não pode deixar de pensar que sua hipótese era abominável. Por outro lado, ponderava se não era exatamente de alguém assim que precisava para contar seus pecados.
– An, senhor? – Chamou o outro. – Está tudo bem?
– Sim, eu só estou... Divagando. – Levantou a cabeça e pôs-se a encará-lo determinadamente. – Sabe, eu estou precisando mesmo me confessar.
Continua...
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Notas finais: Que o seminarista mais chique da nação (e a pessoa que enviou o plot) perdoe essa autora por só ter enviado a parte I.
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Plot enviado: #249 - Kibum aproveita que a igreja está vazia e que um aspirante a padre passa alguns bancos a frente e confessa em sussurros seus feitos mas impuros, diante de velas acesas e de santos que os observam. Taemin ainda não está apto a orientar os fiéis quanto a perdoar os pecados no confessionário. Ainda assim, aconselha que o mais velho reze seis ave-marias(?) e pede que ele o esclareça por que reclamou de um de seus atos ser tão tentador, coisa que Kibum só pode explicar em ações.
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Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: Existia um sonho que sempre queria alcançar, mas achava impossível, e acabei descobrindo o inevitável em tão pouco tempo. Vou me agarrar a isso mesmo que eu queira evitar qualquer tipo de sofrimento.
~//~
Almejar, crescer descobrindo o mundo, e, ao longo do tempo, criar sonhos, enfrentar obstáculos, persistir e conquistar. Claro que nem sempre é possível ter esses anseios na hora que se quer, mas, na medida do possível, eu consegui. Sempre tive boas influências; quando criança, sempre que me aparecia algo novo, meus pais buscavam tentar me mostrar como acontecia. Lembro-me na vez em que vi na televisão uma reportagem no zoológico, e os cuidadores falando como era bom cuidar e estudar os animais para melhorar o ambiente deles trancados. Fiquei impressionado, e então meu pai resolveu que me levaria no zoológico para visitar e ver de pertinho. Do início até metade do passeio foi tudo maravilhoso, até eu descobrir o santuário do capiroto: um enorme Borboletário, infestado de insetos. Óbvio que desisti daquilo na hora. Jamais iria correr o risco de chegar perto daquele lugar de novo.
E o que poderia me fazer não desistir?
Trabalhar com algo que me permitisse não deixar com que outras pessoas desistissem!
Talvez seja complicado de se imaginar alguma profissão como essa, e que ela tenha um nome especifico, mas eu achei, ou melhor, de certa forma, na minha cabeça, eu criei.
Sou formado em Psicologia. Queria trabalhar de uma forma que incentivasse os desejos das pessoas em suas escolhas e no que já faziam, assim como sempre fui desde criança. Mas, sinceramente, considero-me uma pessoa “agitada”. Não iria conseguir ficar todo dia enfiado em um escritório ouvindo problema e dando apenas sugestão. Discutindo o que faria da vida com meu melhor amigo Kibum, formado em Administração já há um ano, mais ou menos, acabou me contando como estava ficando estressado no trabalho, como todos estavam mal-humorados, completamente desgastados, apesar de terem escolhido aquilo.
Ele estava fazendo das nossas raras saídas uma consulta; se ele não fosse tão meu amigo, eu iria cobrar. Como não ia ficar ouvindo ele, como já faço, fiz ele se movimentar, correr, ir ao parque, jogar, simplesmente distrair. Ele ficou bem mais relaxado, até me agradeceu. Isso me deixou muito feliz, então pensei, sem saber o que exatamente encontrar na internet, pesquisei em como melhorar a qualidade de vida de funcionários de forma geral. Descobri que no exterior há empresas especialistas em jogos cooperativos com objetivo de desenvolver habilidades interpessoais positivas, aproveitar as competências individuais, construindo o conhecimento e desenvolvendo a inteligência dos funcionários.
Naquele momento sabia que era com isso que queria trabalhar, como Kibum já havia dito que quando aparecesse a oportunidade, trocaria de emprego, por que não trocar de emprego sendo chefe.
— Não! - Ele é tão sem graça quando quer.
— Por que não?
— Não vou largar tudo que consegui com um ano de pressão.
— Mas você vai largar justamente essa pressão! - Vou perturbar ele até aceitar. — Quero que abra essa empresa junto comigo. – Fiz meu melhor aegyo.
— Para você estar me intimando é porque quer que eu administre.
— Você se formou pra isso! – ele levantou a mão para querer me bater, me encolhi e comecei a rir.
— Aii... Taemin...
— Estou pensando em até escrever artigo sobre isso.
— E existe algum por acaso?
— Tem! Encontrei alguns enquanto pesquisava.
— Cadê?! Quero ver!! – Isso, mostre interesse. Já vim preparado pra isso. Ainda bem que ele é bom em inglês.
Poxa, eu sei que ele está certo de que é algo arriscado abrir um negócio. Todo mundo sabe disso, mas... Não custa tentar.
— Será... Que dá pra tentar fazer isso sem largar o nosso emprego assim de cara?
— Ué... Mas eu já larguei! – Ih, vou apanhar.
— TAEMIM... INFERNO!!!!!!!!!!!!!! – Pessoal em volta começou a olhar pra gente na cafeteria. — Vontade de jogar esse café na sua cara. – falou entre dentes.
— O quê??! Desculpa, mas...
— Você largou o emprego que mal conseguiu pra fazer algo que nem tem certeza de nada?
— Meu pai teve bons pressentimentos!
— Desde quando isso é razão?!
— Experiência. Sempre que ele se empolga muito com algo, tanto pra ele, quanto para outras pessoas, dá certo!
Sempre achei isso tão maravilhoso. Quando meu pai se empolga, ele diz com toda convicção de que você deve seguir adiante. Isso sempre me enche o coração de alegria.
— Mas ele é seu pai, infeliz. Você quer que ele diga o quê?! – vai começar.
— Quando ele disse a mesma coisa pra você quando resolveu trocar de curso, você não reclamou.
— Ahh, seu pivete...
— Ele até mesmo disse que você poderia juntar suas duas paixões, já que seu pai queria que você fizesse algo com status como Direito, e mesmo assim você foi teimoso e fez Administração. Com a sua competência, você sobe fácil em qualquer empresa. – Será que o discurso está dando certo? Vou começar a gravar, deve ser mais rápido. — E temos a chance de talvez ficarmos perto das empresas de moda. Se você tiver a própria empresa, ganhando, seu pai não irá reclamar e poderá até mesmo começar um curso relacionado e... Quem sabe abrir um espaço para isso na nossa empresa, ou abrir uma sub-empresa, sei lá... Quando chegar a hora, a gente decide isso.
— Hmm.... – Esse “hmm” me faz feliz. É um sim, mas estou me fazendo de difícil.
— E vamos estar trabalhando com jogos. É como voltar à infância!
— Será que com essas brincadeiras, encontro meu outro lado da laranja?!
— Ah, fala sério! Você tá pensando nisso?! Acho bom você ter ouvido tudo o que eu disse. – não acredito que ele não prestou atenção em nada.
— Claro que ouvi. Você não quer encontrar um amor?
— Quero fazer as pessoas se sentirem bem!
— E quem vai fazer você se sentir bem?!
— Primeiro... Acho difícil de isso acontecer. – ele riu em escárnio. — Segundo... Você está mudando de assunto. O foco principal e mais importante dessa conversa é completamente outro – falei com a voz um pouco alterada.
— TÁ!! A gente vai começar com isso, mas eu não vou sair assim de cara do meu emprego como você. – cruzou os braços e fez bico.
Totalmente impossível guardar o sorriso e a alegria que estava sentindo. Se apenas realizar meus sonhos, já sou feliz. Acho meio difícil apenas uma pessoa conseguir fazer isso só por simplesmente existir e estar comigo.
~//~
Já com dois anos de empresa, ela não poderia estar melhor. Temos excelentes clientes como a Microsoft, Google, concessionarias, linhas aéreas, empresas de jogos, de bebidas, bancos... Mais feliz impossível.
— Sim... Utilizamos da dinâmica dos jogos cooperativos para desenvolver em equipes a união... – Kibum estava no telefone com algum novo possível cliente. — O respeito, e a postura cooperativa entre os funcionários.
Quando fui ousado em apresentar esse projeto a uma empresa grande e teve um excelente retorno depois da trabalheira, Kibum largou o emprego dele na hora, viu que não teria problema com seu poder de persuasão arrumar um cliente, nem que fosse, como ele dizia, “para experimentar”. Ele até mesmo fez a antiga empresa em que trabalhou virar nossa cliente. Aceitaram tão bem depois da primeira experiência que o rendimento da empresa subiu junto com o bem-estar dos funcionários. Kibum me disse que gente que se odiava antes, depois de ter que trabalharem juntos, acabou namorando e casando.
Não existe uma empresa funcionando direito sem o respeito entre os colegas. Kibum, às vezes, exagera na gentileza, aproveita pra jogar umas diretas pros bonitões que encontra.
— Temos um novo cliente! A empresa recentemente deu uma fraquejada, e queria unir mais os funcionários antigos com os novos contratados. Querem algo que incentive mais a criatividade deles.
— Ok. Que empresa é?!
— É a KOG, empresa que desenvolve jogos online.
— Oh... Isso é bom!
— Deixei a critério deles a escolha do local. Mas disseram que só vão escolher a partir do que planejarmos.
— Acho que já tenho um em mente.
— Espero que envolva água... Vai que tem um solteiro bonito. Preciso avaliar.
— É... Pra variar...
— O que foi?! Normalmente você reclama quando levo a missão de arrumar um namorado junto com o trabalho.
É eu reclamo, mas, ultimamente, depois desse tempo em que estudei, formei e abrimos a empresa (RENOVE), quando chego em casa e estou sozinho, pensava que era só pelo silencio, e ligava a TV ou colocava alguma música. Resolvia. Mas não por muito tempo, então resolvi sair mais. Só que Kibum, por exemplo, estava com algum pretendente; outros amigos tinham algo pra fazer. Quando encontrava alguém livre, levava um parceiro, jogando olhares, sorrisos, abraçando e dando leves selinhos na boca e no rosto.
Acho... Que... Também quero. Quero que alguém fique assim comigo. Disse que isso nunca aconteceria, que não precisava, mas agora preciso. Preciso criar novos objetivos, já que estou bem profissionalmente. Minha meta vai ser criar uma família; não vou ter meus pais sempre. Quero poder visita-los levando mais de uma pessoa para conversar, almoçar e festejar no final de ano. Sim, é isso que eu quero agora.
— Também quero!
— Quer o quê?!
— Essa missão. – seus olhos viraram pra mim arregalados.
— Como é que é?! Quem é você, estranho?!
Dei um suspiro, e levantei a cabeça pensando:
— Não posso arrastar você a hora que quero para qualquer lugar. Nem esperar que as outras pessoas possam sempre me fazer companhia. Não vou fazer do meu trabalho o papel de amigo e companheiro. Também quero alguém para abraçar, conversar quando chegar em casa, fazer algo especial para ela, apresentar os meus pais, ter filhos e saber que posso contar com essa pessoa até meu último dia de vida.
— “...último dia...” – ele disse quase em sussurro. — TAEMIM, VOCÊ ESTÁ DOENTE???
Olhei para ele totalmente chocado com a pergunta.
— VOCÊ DESCOBRIU ALGUMA COISA... E NÃO ME FALA NADA.
— EU NÃO ESTOU DOENTE!!!
— SE NÃO ESTÁ, POR QUE TÁ FALANDO DE “ÚLTIMO DIA DE VIDA”?!?
— Você está fazendo uma cena ridícula agora, sabia? Acabei de dizer que Não Quero viver o resto da minha vida sozinho, não ter mais ao que me dedicar. Além do meu trabalho.
— Ahhh... Entendi!
— Você se faz de idiota, ou simplesmente escolhe a hora que vai ou não me ouvir quando conversamos?! – falei bem alterado com ele.
— Olha lá, hein... Não precisa ficar bravo. E tem outra, você focou muito em ficar sozinho e que quer achar alguém, o amor não acontece assim não, tá bom!?
— Por que eu tenho que esperar por isso? – olhei meio incrédulo para ele.
— Taemin... Você precisa parar de precipitar um pouco tudo que resolve fazer. Nem sempre é assim, demora, e, às vezes, a gente nem percebe quando o amor está perto.
— Eu sei. Mas eu posso ir saindo, conhecendo não é mesmo!? É isso o que você faz.
— É... Então vamos começar a sair mais – falou colocando os ombros em volta de mim - Vou te levar aos locais badalados. E vamos encontrar o amor, ficaremos loucamente apaixonados, de ficar sem ar, coração a mil, olhos embaçados...
— Você não está exagerando um pouco não?!
— Exagerando em quê?!
— Em tudo, praticamente. Não acredito nisso de... Amor avassalador, que transforma e domina, acontece de uma hora pra outra. – eu disse em voz meio eufórica.
— Taemin...
— Humm...
— Você vai arrumar qualquer um na rua que parecer legal? – ele disse meio alterado.
— Também não é assim... Mas se houver um pouco de esforço, com o tempo pode se acabar gostando da pessoa.
— Vou ter muito trabalho com você. Planejarei tudo direitinho pra você não fazer besteira na sua vida. – o olhei curioso. — Está bom, vamos trabalhar!
— Para quando esse cliente novo com quem você conversou quer a interação?!
— Daqui a dois meses.
— Ok, então vamos mandar logo as atividades, e adiantar o máximo.
Minha vida, a partir de hoje, vai se tornar mais movimentada nas mãos do Kibum. Tudo bem, vamos ver o que ele e o destino têm pra mim. Ele já está a tanto tempo procurando um namorado.. Será que vou demorar tudo isso também?
~//~
Quase dois meses saindo com Kibum até para ir à padaria. Ele sempre reparava nos olhares pra mim. É difícil para eu mostrar interesse mútuo; não me chamavam atenção em nada. As garotas queriam ficar o tempo todo grudadas em mim, fazendo manha, e os caras às vezes me tratavam como uma garota, achando que eu faria o que elas faziam comigo. Desculpa, mas não.
Uma vez fiquei com medo de um que foi muito atirado. Ele me viu com Kibum, aproximou-se, passou a festa conversando com a gente, fez-me até mesmo dançar. Foi legal, eu gostei, ele estava sendo simpático, uma ótima pessoa. Até acabei cedendo e deixei ele me beijar. Kibum festejou quando viu. O cara que estava flertando com ele até riu daquela atitude.
Eu não estava acostumado com aquele tipo de situação. Já fiquei com alguns colegas da escola em passeios, eventos, mas era ao acaso. Dançávamos, trocávamos beijos ardentes, eu estava gostando, talvez pudesse dar certo... Talvez... E foi só nisso que ficou mesmo. Teve uma hora que subimos pra procurar Kibum, até o vi ao longe, quando dei a intenção ir até ele, meu parceiro da noite me segurou pelo pulso:
— O QUE FOI? – falei gritando um pouco por causa da música.
— Seu amigo está acompanhado, deixa ele quieto mais um pouco. – ele já estava meio alterado das bebidas.
— É mais para dar sinal de que ainda estou aqui. Se ele for embora sem mim, eu mato ele. – ele riu da minha ameaça.
— Não se preocupa com isso, qualquer coisa eu te levo em casa. – hm... Isso seria um sinal?
Eu sei que estou procurando um namorado, e, aparentemente, com ele está fluindo algo, mas não vou deixar um estranho entrar na minha casa, assim de cara. Não disse nada e sorri, e ele fez o mesmo me puxando pela cintura e dizendo para curtirmos a noite. Voltou a me beijar e retribui. Depois de alguns minutos ele começou a andar me fazendo ir de ré para um corredor. Encostou-me a parede, mais alguns minutos de beijos, me levantou, fiquei surpreso com isso, me apertando cada vez mais; aquilo já estava estranho para mim. Passou a mão por debaixo da minha blusa e, de alguma forma, conseguiu abrir minha calça. De jeito nenhum, o limite acabou de ser rompido, mas eu não estava conseguindo me soltar, fiquei assustado e apelei: puxei o cabelo dele com força. Kibum na hora passou pelo corredor e correu pra mim perguntando o que aconteceu; peguei ele pelo pulso e sai correndo arrastando ele.
— Taemin, o que aconteceu? – nem respondi, continuei andando até sairmos dali.
— Acho que deu a hora de irmos embora! – me olhou confuso.
— Aquele cara fez alguma coisa?
— Só entra no carro.
Ele entrou, com uma cara de preocupado. Como ultimamente estava saindo mais a noite comigo, resolveu revezar entre beber e não. Hoje era o dia dele de dirigir. E então resolveu se pronunciar:
— Achei que estavam se dando bem. – olhei de soslaio para ele.
— É, estávamos...
— E o que aconteceu? Vocês estavam se beijando e não me pareceu que estava incomodado.
— É... Pelo menos... Não até ele me prensar na parede e abrir minha calça. – ele parou o carro e me encarou.
— Espera... Deixa eu estacionar isso direito.
Pronto, ele vai me encher de pergunta boba e vou ter que responder, porque se não, vai ser impossível dele me deixar em paz.
— Você ia transar com ele?!
— Claro que não. – respondi imediatamente.
— Ah, então ele avançou o sinal... – afirmou mais do que perguntou.
— É...
— Era só você dizer que não queria ali no meio de uma festa, em público. Se tivesse sugerido irem pra algum outro lugar...
— Não!!! – exclamei arregalando os olhos. — Não queria transar com ele ali, nem em lugar nenhum hoje, amanhã ou depois. Não é assim que eu quero. – disse exaltado.
Kibum parou... Ficou um bom tempo me encarando, refletindo sozinho. E isso já estava me deixando nervoso.
— Taemin...
Droga, ele vai perguntar:
— Você ainda é virgem?!
Ótimo, ele perguntou.
Olhei pra frente, encarando tudo do lado de fora do carro, pensando no que dizer sem fazer com ele passe a me perturbar.
— Oh... Céus... Desde quando?! – virei pra ele.
— Desde que nasci, que pergunta idiota é essa?!
— Eu não acredito que ia morrer achando que você não é virgem. Por quê?
— Kibum... Para de fazer pergunta estranha.
— Quero uma resposta plausível pra você não querer ter feito.
Ele vai rir tanto de mim, já fala que pareço uma criança, agora então.
— Eu queria perder com alguém que eu gostasse. Pronto. Falei. Tá feliz? Podemos ir agora?
— Ohh, meu bebê... – veio para o meu lado me abraçar, e o afastei, ele começou a rir.
O que eu vou fazer agora? Estou morrendo de vergonha. Sempre evitei esse tipo de conversa com os amigos, até mesmo com alguns pacientes quando atendia e eles começavam a falar de seus momentos de prazer. Não tenho experiência nisso; não tinha como opinar.
— Queria entender... Como você... Lee Taemin, aquele que não acredita em um grande amor, adotou esse pensamento?!
— Eu disse que não acredito em um amor louco que acontece de uma hora pra outra. Tudo se conquista aos poucos. Não é diferente em relação a uma pessoa. – já estava ficando irritado.
— Tudo bem, desculpa! Não vou mais falar sobre isso. Mas já que agora eu sei... Se você quiser aproveitar, ou quando tiver alguma curiosidade, ou dúvida, pode me perguntar!
— Obrigado!
Agora eu só quero ir pra casa deitar e dormir. Noite cansativa, e ainda temos detalhes a arrumar durante essa semana para os clientes.
~//~
Uma semana de correria; correria para que nada desse errado nesse final de semana. Preparamos dois dias de atividades para os funcionários da KOG; dois dias que foram planejados em dois meses. Claro que não tínhamos só essa empresa para preparar algo, sem contar em preparar a equipe, alugar local, comida, e segurança...
— Vamos, primeiramente, recepcionar e acompanhar todos aos seus quartos...
Kibum estava repassando o cronograma com todos:
— Por favor, não se esqueçam de ficar bem atentos nas atividades para que ninguém acabe se machucando, mesmo que sejam atividades relativamente tranquilas. – eu acrescentei.
— Ah... E também nas pessoas competitivas. Esses são os que normalmente sempre atrapalham na dinâmica. – Kibum bufou balançando a cabeça depois de dizer isso e o pessoal riu assentindo aos comandos.
— Chefe!! – um membro da equipe gritou ao longe. — O ônibus chegou!
— Vamos lá, gente, trabalhar e também divirtam-se. – falei por fim, liberando todos aos seus cargos.
Estava empolgado; usaria eles também como elementos da minha pesquisa. Só pelas caras de desânimo de alguns, já imaginei que poderia conseguir fazer eles saírem daqui com outras perspectivas. Todos foram trocar de roupas e eu fui cumprimentar o CEO da empresa, o senhor Shin Ye Jun. Ele até que estava bem animado. Kibum conversou com todos explicando o objetivo da empresa e o porquê de eles estarem ali. Espero que também se esforcem, porque isso é um trabalho de cooperação mútua.
— Tae... Daqui a pouco vamos começar com as atividades. Acho que já vou pedir pra começarem quebrando o clima fazendo um sorteio das equipes.
— Ok, já vi alguns com umas caras desesperadas olhando celular e procurando sinal. – comecei a rir. — Estou 100% pronto para todos.
— Eu estou 100% pronto para os deuses que vi passar.
— Ah, Kibum... Aqui não. – falei descrente.
— Olha lá... Estão acenando querendo alguma coisa. – mudou de assunto me virando de costa para ver um funcionário chamando apontando para um caminhão.
— Ih... A comida chegou!!!
— Isso. Vai receber o fornecedor. – falou me empurrando e rindo. Saí correndo.
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Dando uma volta pelo local, campo verde enorme, lago, quadras, vi o pessoal rindo da cara um outro competindo com a “Montanha Russa”. Eles devem usar materiais reciclados simples. Cada equipe constrói uma espécie de montanha-russa viva, usando jornais e revistas, vão montando uma espécie de “trilho”. Fazem um rápido treino, e as equipes colocam o “carrinho” (uma bola) pra andar, por meio da sincronização dos movimentos. Cada pessoa é desafiada a trabalhar em sintonia com sua dupla e com o conjunto.
Esse jogo é uma forma de quebra-gelo. Traduz o pensamento cooperativo num sistema, testando a comunicação, a gestão do tempo e o controle da ansiedade. Quanto menos comunicação, mais difícil vai ser fazer a montanha-russa funcionar. É possível testar a inteligência coletiva, desafiando a capacidade de reação e de adaptação dos participantes.
Um deles acabou quebrando o sincronismo em que estavam. Ele ficava me encarando, e quando a bola estava chegando nele não conseguiu passar ao seu colega. O pessoal começou a reclamar e ele ficou sem graça, mas como todos riram logo depois ele se aliviou. Sorri e sai para ver os outros grupos.
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Já era hora do almoço; pessoal estava com muita fome. A equipe também. Sentado em uma mesa ao lado do Kibum, estava verificando as próximas atividades. Ele reclamou que eu estava falando de trabalho na hora da comida:
— Desculpa! É o hábito.
— Rhum...
É, eu sempre dizia para eles deixarem um pouco de lado o trabalho, mas, às vezes, eu acabava esquecendo e pensava justamente nisso; ainda bem que Kibum me chamava atenção. Ainda mais agora que precisava tirar uma dúvida com ele.
— Kibum, você fica sendo observado com frequência?!
— Como assim!?
— Alguém que fica te olhando o tempo todo, mesmo que ele possa estar apenas passando o olho por você por estar junto com várias outras pessoas em volta, mas você tem a impressão que, de certa forma, o foco dessa pessoa é você?! – imediatamente Kibum levantou a cabeça e começou a olhar em volta, como um suricato de guarda para o grupo.
— Aonde?! Cadê?!
— Kibum!! – falei tentando disfarçar com vergonha.
— Está fácil de achar?! Me mostra.
— Eu não vou mostrar... Você vai ficar encarando a pessoa depois!
— Não vou, não. – falou com uma voz um pouco infantilizada.
— Se eu mostrar, vou ter mais ou menos problema?
— Eu só resolvo problema, tá bom? – riu em escárnio.
Virei para ele, disfarçando apontando para a comida e mandei ele procurar um funcionário nosso na segunda mesa da fileira a nossa frente.
— Lee Kwang Soo?????? – falou um pouquinho alto, mas como o refeitório inteiro estava conversando, só o pessoal da nossa mesa reparou nele exaltado, mas não entenderam o que disse. — Nunca reparei ele te jogando olhares.
— Não, Kibum... Eu falei pra olhar para ele como ponto de referência, é a pessoa do lado esquerdo dele. – balancei a cabeça em negação e ele virou novamente.
— Hmm... Olha só o que temos... Eu disse que tinha alguns Deuses entre nós. – riu enquanto analisava ele, e viu ele virando para Kwang Soo e tentando disfarçar olhou para cá, mas virou o rosto rápido por que Kibum estava virado na direção dele.
— Viu?!
Kwang Soo reparou na virada repentina do homem e tentou procurar o foco dele antes, e nos viu. Sorriu e acenou para a gente, falou algo para ele, o outro riu e voltaram a comer.
— Não se preocupe, Tae, vou avaliar se ele é bom para você. Não vou facilitar pra ninguém chegar perto do meu bebê.
Ele está querendo me arrumar dor de cabeça, e não sei se vou conseguir evitar isso.
~//~
Estávamos todos, a equipe, e os participantes, do lado de fora do salão. Eu iria apresentar a próxima atividade a eles. Estava esperando me trazerem o microfone.
— Pessoal, vamos fazer silêncio agora!
Esperei um pouco para que os ânimos se acalmassem e o vi ali, bem no meio e de frente para o palco de braços cruzados, olhando para os lados e me olhando. Já estava incomodado; quase que pergunto ali mesmo, na frente de todos, se ele teria alguma coisa dizer.
Kibum veio e ficou na minha frente, tampando a visão dele:
— Estou com inveja! – disse fazendo biquinho.
— E eu irritado. Quase uso o microfone pra saber o ele quer.
— Percebi quando levantou o microfone. – riu.
— Tá bom, esquece isso um pouco. Eu vou começar.
— Espera... – o encarei esperando um motivo. — Deixa ele admirar um pouco minha parte de trás, vai que ele desiste de você e arrumo uma chance.
— Vai pra lá, Kibum. – ele começou a rir, e se posicionou ao meu lado.
Ele pegou minha mão e levou o microfone a boca, pedindo atenção às regras.
— Ok, pessoal. Agora vamos começar um jogo chamado “Quest”. Ele é baseado em uma expedição arqueológica, onde vocês irão sair daqui e vão descobrir informações, materiais, artefatos, sobre “uma tribo perdida”.
Eles estavam bem atentos a mim, alguns já estavam me olhando como se “o que aparecer, nós encaramos”, colando os braços nos ombros dos companheiros. [risos]
— Cada time vai usar uma forma diferente de locomoção para se aventurarem, como a pé, de bicicleta, de caiaque, a cavalo, etc. Teremos também um QG de onde serão passadas as informações para cada time em campo. No QG será gerenciado o andamento da expedição em tempo real. A Liderança e a Comunicação dentro das equipes, e entre vocês e o QG, são fundamentais para o sucesso dessa expedição e, no final, o resultado obtido será apresentado em forma de criação de um museu e uma exposição, montados no salão e apresentados a todo o grupo pelos próprios participantes. De Power Points à trilha sonora, a criatividade que quiserem usar será bem-vinda. Há também um “patrocinador” dessa expedição que irá decidir o quanto vale o resultado do trabalho e se ele patrocinaria de novo o grupo em futuras expedições.
— Vamos lá, gente... – Kibum gritou, e todos gritaram também, já se movimentando e se unindo.
O CEO veio até nós dizendo que tinha gostado da atividade e perguntou qual era o objetivo que queríamos trabalhar com isso.
— Estamos falamos de Planejamento, Visão Sistêmica, Colaboração e outros temas.
— Ôhhh... Acho que o QG vai ficar uma loucura, quero só ver. – riu brevemente.
— Mas o senhor não vai ficar no QG. – Kibum se pronunciou, e o Sr. Shin olhou confuso. — O senhor também estará em campo. – sorriu levando-o. Ele me encarou surpreso, mas se deixou levar.
— OK... – levantou as mangas da blusa. — Vou mostrar que aguento o pique. CADÊ MEU TIME ?!?!? SORTEIAM OS CAVALOS !!!! – pessoal começou a rir da atitude dele. Ele pensou que não fosse participar também, vamos ver se ele volta com o mesmo ânimo.
~//~
Ao final do dia, todos estavam mortos; gente molhada, suja de lama, com alguns leves arranhões, mas o mais importante é sem nenhum acidente. Durante a apresentação da expedição os grupos eram bem convictos do que estavam falando, e dos indícios encontrados. O Sr. Shin e sua equipe disseram que encontraram “registros” de possível grupo canibal e que tiveram que fugir, e essa era a justificativa de o CEO ter sido carregado na volta (já que seu grupo estava a pé); não tinha mais idade para correr e pediu para os mais novos o carregarem.
Ri bastante da invenção deles. Olhando todos na frente, me lembrei de quando estavam chegando: sr. Shin estava nas costas daquele que passou o dia me encarando; aquele homem me viu seguindo para o salão, mas parou no caminho quando o sr. Shin disse algo para ele. De cabeça abaixada, levou os olhos para mim e começou a vir na minha direção trazendo o chef. Fiquei sem reação, enquanto o homem em suas costas acenava pedindo para eu esperar, com uma cara sôfrega.
— Tá bom, tá bom... Pode me descer aqui! – CEO disse com cara de dor.
— O Senhor está bem?! – eu disse tentando ajudar ele a ficar em pé.
— Sim, Sim... – com as mãos nas costas afirmou, e depois olhou para mim e sorriu. — Foi divertido! – gargalhou.
— Ah... Que bom. O senhor me assustou agora com sua cara séria. – ri também.
— Eu já posso me recolher?! – perguntou com um tom esperançoso.
— Ainda não. – sorri, e ele bufou. — Agora são 17h30, ainda temos as apresentações enquanto está tudo fresco na cabeça de vocês, e aí estarão liberados para tomar banho, jantarem e cair na cama.
Ele assentiu já se retirando e chamou aquele que ficou o tempo todo ali só ouvindo e observando a conversa.
— Ahhh... Me desculpe, como eu pude ser rude. – olhou para mim e a pessoa a minha frente.
— Taemin... Esse é o nosso Relações Públicas. Esse é um cargo bem estressante, ele realmente precisava disso – abriu os braços se referindo a onde estamos. Mas antes que o sr. Shin continuasse, o homem que até então só ficava me encarando me estendeu a mão se apresentando.
— Prazer, Taemin... Sou Choi Minho!!! – falou com um grande sorriso.
— Hmm... Prazer... – cumprimentei o analisando de cima a baixo, e antes que ele começasse a dizer mais alguma coisa quando abriu a boca, fui chamado. — Desculpem, se me dão licença, ainda tenho alguns assuntos a resolver. – eles apenas se curvaram e me retirei.
Kibum me encarava ao longe de braços cruzados com os olhos serrados. Ele vai começar a especular coisas.
— Não quero falar disso enquanto esse final de semana não acabar. – fui direto quando passei por ele.
— Você é muito engraçado, Taemin. Está procurando alguém, mas fica dificultando as coisas. – revirou os olhos enquanto falava.
— Só não quero misturar as coisas. Agora eu estou trabalhando. – eu disse sério.
— Tá bom, vou respeitar isso. – tirou uma das mãos do bolso e olhou o relógio, acenando positivamente com a cabeça e continuou me seguindo.
~//~
À noite a maioria que já ia saindo do refeitório corria para os seus quartos com medo de que houvesse mais alguma coisa para fazer. Eu brincava parando-os no caminho perguntando se poderiam me fazer um favor, só para ver suas caras (tenho um lado mal). Teve um que descaradamente fingiu que era sonâmbulo e me ignorou – ri dessa atitude. Estava me divertindo bastante. Talvez eu devesse aproveitar esse momento de sossego, já que não estou a fim de dormir agora para escrever meu artigo. É... É isso que vou fazer. A lua hoje à noite está linda nesse céu limpinho; ela sempre me proporciona momentos marcantes, e espero que futuramente esses momentos sejam ao lado de alguém importante e também marcante pra mim.
Às vezes eu não me entendo muito bem. Eu quero uma pessoa ao meu lado, mas ao mesmo tempo tenho receio disso. Na minha cabeça eu sei o que eu quero, mas na hora... Na prática, acabo sendo arrogante e afasto quem seja. Nunca me esforcei por alguém, nunca chorei por uma também. Sinto-me um pouco anormal por isso. Eu ajo tão diferente daqueles nas histórias que costumo escutar.
— Arrrrrhhh... – resmunguei puxando o cabelo e logo depois passando a mão pelo rosto e apoiando os cotovelos nos joelhos, encarando a lua.
Eu... Preciso começar a agir diferente; ter mais atitude nesse quesito. Até quando vou ficar apenas pensando? Até quando vou ficar saindo a noite pegando as pessoas nas baladas? Até quando... Vou... Ficar nessa covardia? Tudo o que eu não quero é ficar sozinho, e me irrita tanto pensar desse jeito. Quantas vezes já disse aos meus pacientes para não se prenderem a ninguém e, sim, viverem junto dela.
Acho que insisto tanto nisso, por que é tudo o que quero, mas não me sinto capaz de fazer isso. Conquistei tudo, e até posso conquistar um coração sem querer, mas eu não sei como posso fazer alguém conquistar o meu (se é que teria como fazer isso).
Sinto-me totalmente sem esperança.
— Oi! – dou um pulo no banco do jardim e olho assustado para trás.
Fiquei ali encarando ele sem responder, me perguntando o que ele queria a essa hora da noite, e comigo, aliás.
— Desculpa assustar você. Vi que estava concentrado, mas não imaginei que fosse tanto. – riu.
Apenas assenti e virei para frente pegando meu notebook que estava ao lado. Estou fazendo aquilo que acabei de pensar que não devia fazer. Mas também esse não é um bom momento para vir conversar comigo.
— Você... Quer ficar sozinho, não é... – disse dando ré e se curvando num pedido de desculpa.
Não deixa ele ir embora Lee Taemin, comece a agir agora.
— Es... Espera. – não queria conversar, mas se o deixasse ir, iria sempre ser assim.
Ele virou para mim e tentei dar um sorriso gentil.
— Se quiser, pode sentar aqui. Estava apenas pensando no artigo que estou escrevendo. Concentro-me mais que o normal quando escrevo, desculpa. – uma leve mentira, quem sabe consigo desfazer o clima que eu criei. E ele sorriu e veio até mim, e sentou ao meu lado.
— Seu artigo é sobre o que?!
— Ah... Sobre “a melhora no desenvolvimento de equipes com a utilização de jogos cooperativos".
— É isso que estamos fazendo aqui?!
— Bem... É. Foi um método criado, que é bastante usado hoje em dia.
— Uau... – ele virou olhando em volta.
Ele é bem conversador, ainda bem. Eu o chamei, mas não tinha ideia de como começar uma conversa com ele. Prefiro responder perguntas a perguntar. Quer dizer... Dependendo da ocasião.
— Eu sou uma cobaia! – afirmou parecendo não acreditar que estava fazendo parte de uma experiência.
— De certa forma, sim. Isso tudo aqui também faz parte de uma pesquisa científica.
— Você, na verdade, é um cientista? – olhou pra mim surpreso, e eu ri. — É formado em quê?! Que mal lhe pergunte.
— Em Psicologia! – me olhou com uma grande interrogação no rosto. E não contive em rir mais.
Até que ele é uma pessoa agradável. Bem curiosa, mas agradável. Fez uma cara de dúvida e que iria perguntar algo, mas parava no meio, voltava a dar a entender que perguntaria, mas desistia.
— O que faz aqui então? Dificuldade de emprego na sua área?
— Não! Por incrível que pareça, não tive problema em arranjar trabalho depois que me formei. – ele me ouvia atento. — Queria trabalhar com pessoas de forma diferente, por isso abri essa empresa, junto do meu melhor amigo. E, ao mesmo tempo em que me divirto e faço do ambiente de trabalho dos outros mais agradável, eu faço pesquisa.
— Interessante. – assentiu. — Mas... Por que está escrevendo nesse lugar e a essa hora?!
— Estava sem sono e resolvi escrever. Aqui fora foi porque a lua está linda. Eu amo a lua. – sorri um pouco envergonhado de estar dizendo isso e abaixei a cabeça.
— Isso me lembra meu Hyung. Ele também é louuuco pela Lua. – sorriu. — Me fazia ficar acordado até tarde vendo com ele, mas eu não aguentava e dormia. Às vezes eu ficava surpreso quando ele conseguia virar a noite só a observando. Se fosse durante a semana, na manhã seguinte era certeza de que dormiria na aula. – riu mais balançando a cabeça. — Mas isso nunca atrapalhou as notas dele, por sorte.
Queria fazer com que ficassem comigo também.
— Você sempre ficava? – perguntei curioso. Gostei desse assunto, e sem perceber já estava o entrevistando.
— Ficava. Não que isso significasse eu acordado, mas ficava. – nós rimos juntos desse comentário. — Fazíamos praticamente um acampamento no quintal. Era legal. Mas eu só fazia isso com ele. Agora que cada um tem sua vida... Não vou nem até a janela. – riu.
Abraçado as minhas pernas em cima do banco olhei para cima; eu gostava disso. Meus pais faziam isso também. Preparavam um acampamento pra ficarem comigo acordados a noite. Se eu dormisse, me levavam para a cama. Se percebessem que eu não iria dormir tão cedo, colocavam alguma música calma, e, por incrível que pareça, sempre funcionava. Poucas pessoas sabem que gosto de fazer isso às vezes. Meus pais, alguns parentes, Kibum, e alguns conhecidos... E... De supetão abaixei as pernas; esse cara acabou de falar que só ficava acordado pelo irmão e não faz mais isso porque prefere dormir. Como ele sabia que eu estava aqui? Virei de uma vez para ele e o questionei; não acredito que ele ficou me seguindo.
— Se você não gosta de ficar acordado, como sabia que eu ia ficar, e me achou aqui?!? – o olhei acusadoramente.
— Ah... Eu... – riu sem graça. — É que... – o interrompi.
— Você estava me espionando?? – levantei levemente a voz.
— Não!!! – respondeu imediatamente, e assustado com a acusação.
É só o que me faltava. Um stalker na minha vida.
— Seu amigo! – ele respondeu na hora em que me levantei para ir embora rápido dali. — Ele me disse. Viu que eu estava olhando para você e me disse que se eu quisesse conversar com você, teria que vir ao jardim a noite, quando você não estivesse trabalhando. Disse que você não gosta desse... hmm... Tipo de interação?! Durante o trabalho. Eu juro foi só isso.
Ahhhhhh Kibum... Safado, por isso ele olhou o relógio naquele momento, e depois sumiu.
— Eu não queria causar confusão. Me desculpe. – levantou e falou envergonhado. E eu suspirei.
— Tudo bem... Não foi sua culpa. Eu sei bem o amigo que tenho. E além do mais... Nossa conversa foi legal. Só achei que você fosse algum maluco perseguidor.
— Talvez... – olhei espantado para ele. — Durante esse dia, fiquei bem interessado em você, e acabei sem perceber fazendo isso.
E agora, o que responder para essa pessoa. Fiquei pensativo; nunca conversei tanto com uma pessoa afim de mim, e nem fui agarrado antes de uma conversa também. Mordi os lábios. O que eu faço? Tento uma iniciativa, dou o que ele quer logo, dou um pé na bunda de uma vez, deixo ele tomar uma iniciativa...? Estou morrendo de frio, e não consigo pensar direito.
— Olha... – pensei em começar a tentar argumentar algo, mas ele me interrompeu logo.
— Você não gostaria de sair pra jantar comigo?! – fiquei meio boca aberta pensando no que tinha ouvido. O primeiro que me chama pra sair e não dar uns beijos.
— Sua pergunta me pegou de surpresa...
— Não precisa responder agora, agora... Pode pensar... Bom, acho que só temos mais o dia de amanhã aqui, e não sei se o verei... Ao final do dia. Tudo bem. Quando estivermos partindo, se você puder me dar uma resposta. – nem esperou eu concordar. — Eu... Vou deixa-lo, devo ter tomado um tempo importante de você com a minha conversa. Eu vou primeiro. – se curvou. — Boa Noite, Taemin, até.... Mais tarde. Já é o outro dia. – deu mais um sorriso e se virou.
— Boa Noite, Minho. – ele parou, não olhou para trás e continuou a andar.
Eu imagino que ele tenha sorrido. Acho que ele não esperou que eu lembrasse o nome dele; nem eu achei que fosse lembrar. Fiquei mais um tempinho ali, parado, pensando enquanto olhava a Lua. O que será que eu vou decidir?
— OHHHH, Céus!!!!! – bufei. Melhor ir dormir e não pensar nisso agora.
~//~
No dia seguinte, mesma correria, e todo meu foco estava apenas nos meus funcionários e nos da empresa cliente. Nem mesmo Kibum conseguiu jogar suas cantadas e fazer piadas maliciosas como costumava fazer. O Sr. Shin adora parar para bater papo; às vezes até ia atrás de mim, e Minho, depois da noite de conversa, se sentiu mais confiante em me encarar e me cumprimentar. Sempre que passava por mim e tinha a oportunidade, dizia algo, ou ajudava em algo. Será que é assim então que funciona quando você está querendo conquistar alguém...? Na verdade, mal prestei atenção quando ele fazia isso, acabei ignorando-o a maioria das vezes. Ele percebeu, mas acho que entendeu que eu estava muito ocupado – compreensível já é um ponto positivo. Agora... Cadê Kwang Soo com o que eu pedi?
— Gente... Prestem atenção em suas atividades. Vocês são uma comunidade que precisa estar em equilíbrio com suas atividades para manter a ordem. – falei em um tom mais alto para que me ouvissem.
— Chef?!? Achei... – Kwang Soo disse morto de cansado carregando vários galhos.
— Aonde é que você tinha se enfiado?! – o olhei de cima a baixo.
— Tive que ir atrás de mais galhos... Porque – disse pausando ainda buscando ar e dando leves passos para trás acuado. — alguns caíram no lago e a correnteza levou.
— Aish.... – levantei a mão ameaçando bater.
— Está bom... Deixa ele agora, Taemin, já está aqui o que precisamos. – Kibum se pronunciou se aproximando de nós.
— Obrigado Kwang Soo, pode ir ajudar no treinamento da tropa. – falei por fim.
— Ok... Com licença. – sorriu e se curvou em despedida.
É... Última atividade do dia e desse encontro. Esses galhos que pedi vão servir pra fazerem flechas. Nome desse jogo: “Épico”. Objetivo: construir as defesas de uma “cidade”, como na história dos 300 de Esparta que enfrentaram bravamente a invasão persa há mais de 2.000 anos.
Esse jogo trabalha o comprometimento, a liderança e a superação. Esse é o principal ponto para este jogo: fortalecer a busca por conquistas duradouras, mostrando aos participantes que eles são capazes de construir uma empresa que pode superar qualquer obstáculo. O senso de pertencimento é exercitado, uma vez que todos são postos diante de uma empreitada que parece impossível. A atividade também desenvolve a ideia de que um time altamente qualificado e competente faz a diferença. Desafios tão diversos quanto a construção de catapultas, canteiros de plantio e até o manejo de arco e flecha exigem os mais variados talentos da equipe.
Na antiga Grécia, como exemplo de superação e determinação dos espartanos, mostramos com esse jogo que a forma de viver das diferentes culturas no passado ainda pode ser vista nos dias atuais. E da mesma forma, diferentes áreas se unem para formar uma grande empresa.
— Eu amei esse jogo!!! – Afirmou Sr. Shin, passando com seu grupo carregando algo em direção ao lago.
— Sr. Shin, o que é isso?! – apesar de imaginar para o que era, perguntei mesmo assim.
— Isso será nosso futuro barco. Temos que estar preparados para os inimigos.
— Ahhh... – acenei e desejei boa sorte.
— Taemin... – me virei para Kibum. — Esse homem é doido! – começo a rir.
— Não fale assim, Kibum. Ele só está levando a sério a proposta do jogo. E essa é a intenção, e esse é o espírito.
— Assumir só o espirito do jogo está bom, agora qualquer que seja o espírito que ele tenha incorporado, não sei, não... Melhor por precaução deixá-lo bem longe das “armas”.
Agachei e me sentei por um minuto:
— Estou morto, senhor... – olhei para cima para encarar Kibum, e ele só afirmou com a cabeça.
— Você quer uma água? – uma voz falou atrás de mim.
Quando virei, vi Minho com um sorriso fofo com uma garrafa estendida para mim, aceitei.
— Estou impressionado com tudo que sabe fazer, hein... – olhei de soslaio para ele, enquanto tomava a água.
— Que bom! Isso é algo positivo ao meu favor, não é?! – dei de ombros, mas na minha cabeça era “bem positivo”, e ele apenas riu e saiu. Acenou para mim e Kibum.
— Talvez. Ainda estou avaliando o caso dele. – me deu um tapa. — Aiii....
— Então avalia mais rápido. – riu e saiu correndo. — Eu estou de olho. Caso dê bobeira, eu entro em campo e assumo seu lugar. – deu uma piscadinha pra mim e seguiu.
Por que é tão complicado algumas coisas acontecerem devagar, ao seu tempo? Ainda não posso pensar nisso. Agora é trabalhar, trabalhar, trabalhar.
— GENTE... MAIS UMA HORA PARA FINALIZARMOS ESSA ATIVIDADE!
— Chefe... Já vamos verificar como se saíram? – perguntou Sulli segurando uma caixa. Apenas confirmei com a cabeça.
— Ahh, então vou buscar as pranchetas.
— Ok.
Já está na hora de encerrarmos nosso final de semana.
~//~
Muita conversa, todos se despedindo; acabamos sempre criando uma amizade depois de trabalharmos tanto juntos o dia inteiro. Nem parece que só tem 48h que eles nos conhecem e são muito carinhosos.
Na verdade, nem dá para todos se despedirem. Infelizmente o ônibus tem horário, senão vão todos chegar muito tarde a suas casas. Sr. Shin deu uns três dias de descanso para todos. Comemoraram tanto de alivio e a maioria dizia que poderia facilmente dormir a semana inteira.
Um formigueiro entrando nos ônibus e eu já tinha me despedido de tanta gente, e não tinha acabado. Ainda bem que já havia feito isso em um discurso final.
— Taemin?!
— Oh... Minho... – quando ele ia dizer alguma coisa, um de seus colegas de empresa veio se despedir.
...
— Taemin-si foi um prazer conhecer você, amei seu trabalho. Me diverti muito.
— Que bom, muito obrigado!! – acenei, enquanto a pessoa ia para o seu grupo.
...
— Bom, Taemin... Eu queria me despedir! – Minho começou, ou melhor tentou.
...
— Taemin... Estou tão grata pelo esforço de vocês! Sua equipe é maravilhosa. Espero que possamos nos ver de novo. – outro colega dele disse, me abraçou, e saiu.
...
— Eu queria saber, se você pensou... – Minho tentou continuar.
— TAEMIN... – alguém gritou.
Virei-me para achar quem era, e Minho bufou. Aqui na despedida tem que ser rápido e sucinto.
Quando voltei para perto dele, comecei a me desculpar:
— É tanta gente, desculpa.
— Tudo bem... É que eu queria saber o que você decidiu.
— Ah, é mesmo. – bati a mão na testa, em sinal que tinha me esquiço por um minuto disso.
— Hm... Você não chegou a pensar no... – e mais uma vez ele foi interrompido.
— TAEMIN!!! – e ele suspirou profundamente virando com a cabeça para cima olhando o céu, descrente de que não ia conseguir terminar de falar.
Achei engraçado a atitude, mas é compreensível a irritação dele.
— Taemin!! – Kibum veio correndo.
— O que foi?!
— Os ônibus estão prontos para ir, mas está faltando... – quando ia terminar a frase reparou em Minho atrás de mim. — GENTE... SABE!!! – falou alto e ironicamente direcionado a Minho. Virei-me para ele, e sorri meio sem graça dando de ombros.
Ele suspirou, e Kibum ficou de braços cruzados batendo um pé esperando ele se mover:
— Tudo bem! – me estendeu a mão. — Foi realmente um prazer conhecer você Taemin. – deu um leve sorriso, quase que forçado por não ter dito o que queria, e eu imagino que por eu não ter pensado no pedido dele.
Ele, com certeza, vai pensar que eu não estava interessado – interessado, interessado não estou, mas eu tentaria – e que apenas deixei passar.
— Por que ele está com essa cara? – Kibum falou o encarando andar até seu ônibus, estranhando a atitude dele.
— Provavelmente por minha causa. Ele me pediu ontem à noite pra sair para jantar com ele e me deu hoje para pensar, mas... Eu nem me lembrei. E acabei não dando resposta. Ele está aqui há um tempão tentando conversar e sempre vem alguém que o interrompia. – bufei. — Enfim... Foi isso.
— O QUÊ??! – do meu lado ele gritou no meu ouvido. E o olhei assustado.
Ele saiu correndo um pouco e gritou.
— MINHO... MINHO!!!! – o que esse palhaço está fazendo?
Minho parou e virou confuso:
— ELE VAI!!!! – Minho não entendeu e colocou a mão na orelha em sinal que não ouviu.
— ELE VAI... – Kibum começou a acenar para mim e fazia sinal de “Ok” e acenava para ele. — ELE ACEITA!!! – e Minho depois de ter voltado alguns passos entendeu. Sorriu e olhou para mim, de nervoso comecei a morder os lábios.
— VERDADE? – Perguntou olhando para mim, ele tem uma voz tão grossa que acho que todos ouviram. Esquentei na hora de vergonha.
— PEDE MEU NÚMERO PARA O SR. SHIN!!! – Kibum disse apontando para si, e fazendo sinal de telefone para ele entender melhor. — ELE NÃO TEM O DO TAEMIN! – ele entendeu. Todo mundo entendeu; e eu não sabia onde me enfiava.
— OK... – fez sinal para cima com a mão e deu um grande sorriso.
Kibum, com as mãos, fez sinal para ele ir logo, e Minho correu rápido e com um sorriso enorme no rosto para o ônibus.
Um dos nossos funcionários que estava fazendo a contagem e estava responsável pelo transporte, liberou os motoristas. E lá iam eles.
Kibum voltou saltitante, cantarolando “Lá, lalá, lááá, lálá...”. Vontade de afogar ele no lago. Não acredito que ele fez isso em público. Kibum quando chegou perto de mim, me viu desconcertado, de cabeça baixa, me movendo de um lado para o outro e completamente vermelho.
— Taemin... Você está tão fofinho assim, que chega a ser engraçado! – riu, enquanto me encarava.
— NÃO TEM NADA DE FOFO KIBUM!!!! – me exaltei antes de me controlar.
— Nossa... O que é isso, hein?! – retrucou em tom elevado, e indignado.
— Por que fez isso Kibum? Agora não sei se vou ter coragem de olhar na cara dele de novo.
— Para de besteira. Vai, sim! Você facilmente faz tudo quando quer. Quando resolveu abrir essa empresa, não pensou duas vezes antes de largar o emprego sem nem ter feito planejamento para saber se daria certo...
— Mas isso...
— Fica quieto, Taemin, depois você fala!
— ... Como uma pessoa motivadora como você tem medo de tão pouco? Você é quem incentiva, dá opções, faz acontecer... Tudo... Que não esteja relacionado a relacionamento. Você vive me dizendo que não quer ficar sozinho, não quer se ver daqui a alguns anos “vivendo” apenas pelo trabalho. – falou alisando meus cabelos depois que agachei.
— Não sei se isso que as pessoas dizem é real. – respondi em tom baixo contra meus braços, onde escondia meu rosto antes. — Tenho medo do sofrimento que dizem que é o coração magoado, preso a alguém. Vários dos pacientes que já atendi, tinham uma história de depressão, suicídio, assassinato por ciúmes do ex... E, na grande maioria das vezes, vinha de um relacionamento onde o sentimento não era 100% mútuo. Eu gosto de estar sempre rindo, feliz com quem convivo; não quero me machucar sozinho, sem conseguir me reerguer depois, e nem machucar ninguém. E essa segunda opção é mais real pra mim. Eu não sinto nada, nem nunca senti nada tão... Forte por ninguém. Quero alguém que vale a pena e para sempre. Que seja tudo para mim, e que eu também seja seu tudo.
Kibum se sentou no gramado atrás de mim, e me fez sentar para me abraçar. Sou tão ingênuo. Quando brincam que sou uma criança só pela minha aparência, e quem me conhece confirma e afirma que nas atitudes também, fico envergonhado. Não sei como mudar isso. Quer dizer, não consigo.
— Taemin, tudo bem você querer alguém assim. – ele começou de forma bem carinhosa. — Mas, infelizmente, você não pode evitar que esse tipo de sentimento possa acontecer. Até mesmo as que se amam 100%, com algum empecilho, podem acabar sofrendo muito. Às vezes até mais. Você está acostumado, de certa forma, a lidar com situações mais... Concretas, que de certa forma é mais da realidade de se controlar. Só que fazer isso com o sentimento de uma pessoa é impossível, e tem que já ter em mente que terá que aprender a lidar com isso.
— Ah, céus... – dei um grande suspiro.
— Se algo um dia acontecer, eu vou estar aqui. Te conheço há tantos anos, mal desgrudo de você. Sempre lhe conto tudo pessoalmente ou por telefone quando ficamos alguns dias sem nos vermos. Quer dizer, isso foi antes de trabalharmos juntos. Agora, então, que a gente não se desgruda mesmo. Tenta... Dá uma chance para o Minho. É só um jantar. Se não der nada com o tempo, parte para outra.
— A gente ainda vai ter muita balada para ir, não é?! – ri.
— Não... Não vou deixar você se contentar em ficar pegando um todo dia, só para preencher esse seu vazio. Com você tem que ser algo mais sério.
— Tá bom... – ele me olhou. — Eu vou. Vou tentar, pelo menos.
— Isso. – me abraçou muito apertado, quase me sufocando. — Quem sabe dá em algo futuramente?
— Duvido. – sussurrei, mas ele ouviu mesmo assim.
— Taemin... – me beliscou.
— Ai!! – passei a mão onde doía.
— Kibum-si, Taemin-si!! – viramos e Kwang Soo e Sulli nos observavam. — Está tudo bem com vocês? – nos olharam preocupados.
— Sim. – respondi imediatamente, e me levantando com Kibum.
— Está todo mundo querendo ir embora, não é...? Vamos arrumar as coisas. – Kibum falou me puxando pelos ombros.
— Não precisa. – disse Sulli. — Já terminamos tudo. Só falta vocês arrumarem suas coisas. Todo material já estava sendo guardado desde cedo. – ela deu um bonito sorriso.
— Nossos funcionários são tão eficientes. – eu disse rindo, virado para Kibum.
— Então vamos ser mais eficiente bebendo. – Kibum falou e começamos a rir. É... Vamos ser mais eficientes, não somente no trabalho.
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Depois de duas semanas já tínhamos mais planejamento para fazer de clientes fixos, e de mais clientes novos que estão aparecendo. Mas eu não estou fazendo nada do que deveria fazer. Estou na porta de um lindo restaurante, encarando a fachada e o interior.
— É, Taemin, você veio mesmo. – sussurrei para mim mesmo.
Minho entrou em contato com Kibum e óbvio que ele passou meu número, como prometera. Quando ele me ligou, estava em casa deitado, escrevendo meu artigo antes de dormir. Assim que meu celular começou a vibrar, estranhei por estarem me ligando tão tarde e atendi. Na hora não tinha reconhecido sua voz; apenas quando me disse o seu nome.
— Acordei você?!
— Nã...não... Estava escrevendo. – e agora estou gaguejando.
— Sabia que é tão bom ouvir você?!
— Hm... – não sei o que dizer, estou nervoso e um pouco envergonhado.
— Bom... Eu te liguei agora, por que estava atarefado com o trabalho. E.. Kibum me disse que toda noite praticamente está livre.
— Você aproveitou pra conversar bastante com ele também, não é!? – ele riu sem graça pelo telefone afirmando um “é” discreto.
— Às vezes é mais fácil conhecer uma pessoa através de outra. – afirmou, e não posso deixar de concordar.
O que me preocupa é que, sendo Kibum essa outra pessoa, ele pode contar até demais.
— É verdade... Então...
— Está livre próximo final de semana? Conheço um restaurante perfeito, excelente comida, e ambiente bem agradável.
— Si... Sim. – acabei falando baixo demais, ele pediu pra repetir por que não me entendeu. — Sim, eu posso! Onde fica?
Eu imaginei que ele tenha ficado bem feliz. Escutei um barulho de molas; talvez tenha pulado ou se jogado na cama. Até fiquei também, mas agora estou cogitando a ideia de talvez voltar e inventar uma desculpa, só que quando virei para voltar:
— Taemin! – um som meio abafado, mas deu para ouvir e ver ele do outro lado, na parte de dentro do restaurante.
Com um grande sorriso ele veio até a entrada do restaurante.
— Nossa... Eu estava sentado na nossa mesa esperando e de longe vi um conhecido. Pensei que não deveria levantar, mas eu não poderia deixar de cumprimentá-lo. – sorriu aliviado.
— Tudo bem, podia ter levantado, eu teria te encontrado. – se eu tivesse pensado em entrar, teria.
— Então, vamos! – disse indicando com a mão o caminho.
Eu apenas o segui. Era, sem dúvida, um restaurante lindo, e parecia ser bem caro. Acabei que fiquei encarando tudo em volta sem olhar para ele, até o cardápio que o garçom entregou assim que nos sentamos a mesa. Quando levantei a cabeça para olha-lo, ele estava me encarando rindo.
— O que foi?
— Você gostou do lugar?
— Ah... Sim. – sorri sem graça, eu deveria estar dando a impressão de que nunca tinha ido a um restaurante. — É lindo, a decoração, as mesas, o cardápio. – falei levantando o cardápio para ele, e ele riu. — Não sei bem explicar, me agradou.
— Eu sei como é. A primeira vez que vim aqui, fiquei da mesma forma. Desde então...
— Você conhece esse lugar há muito tempo?! – perguntei e depois tomei um gole do vinho que Minho tinha pedido antes de eu chegar, e que me serviu.
— Desde que era criança. A primeira vez que vim foi com meus pais e meu irmão, para comemorar a cura de uma doença que minha mãe tinha.
— Nossa... O que ela tinha? – fiquei preocupado de ter entrado em um assunto que não devia.
— Leucemia! Nossa família e amigos... Todos vieram para cá para comemorar. Meu pai dizia que, mesmo sendo um pouco caro, valia a pena. Tem um prato que minha mãe adora e que, quando adoeceu, deixou de comer por um tempo. No dia que afirmaram que estava curada, os amigos diziam que ela tinha que voltar a fazer e comer de tudo que gostava e com estilo. Aí... Acharam esse lugar.
— Que bom que tudo ficou bem!
— Desde então, mesmo que não viéssemos com frequência, a gente vem para comemorar algo importante ou especial.
— Mas... Então... Por que me trouxe aqui? É a primeira vez que estamos saindo.
— E isso é especial. Não sinto que tenha escolhido esse lugar em vão.
Na hora que disse isso, abaixei a cabeça e peguei meu vinho. Não quero que ele se encha tanto de esperança e se decepcione depois. O garçom veio até nós e fizemos nossos pedidos.
— Taemin... ?!
— Sim!
— Vou fazer dar certo. Ainda viremos muito aqui!
Claro que corei quando disse isso. Ele é tão confiante em relação a isso. Mas ele é mesmo uma boa pessoa para conversar. Do jeito que me olha, e no seu tom, ele não vai desistir de mim, e eu tenho que me preparar.
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Tem mais de cinco meses que estamos saindo. Em nenhum momento ele me deu brecha para me afastar. Acabei testando-o esse tempo todo para saber se isso não era só um truque dele. Nunca nesse tempo deixei que me beijasse além do rosto. Estava cutucando a onça, e até que ele estava aguentando bem.
Mas ele também sabia jogar, me provocava para ver se eu acabava cedendo. Nem parece que me conhece. De vez em quando, ele ia me perturbar no trabalho. Se eu estivesse em reunião e Kibum não estivesse junto, acabava sobrando pra ele. Esse final de semana vai ter uma feira de primavera e Minho nos convidou. Kibum na hora recusou, disse que não iria segurar vela, mas mudou de ideia quando um paquera dele disse que também iria, e que ia procura-lo lá.
E os parques ficam cheios quando tem esses eventos. Todos vão com a família, com namorado, amigos, apenas para comer... Simplesmente vão. E estava tudo tão, tão lindo.
— Taemin, pelo amor dos Deuses, para de andar correndo! – Kibum já começou a reclamar.
— Já reparou no tanto de barraca que tem?! Se eu for andar devagar como vocês, não vai dar tempo de ver nada. – retruquei.
— Tae... Olha, ali tem panquecas! – Minho falou apontando para uma barraca mais à frente. Fui correndo para lá.
Amo panqueca. Kibum ficou aliviado em saber que iria conseguir sentar, já que com certeza eu iria parar para comer.
— Obrigado, Senhor! – falou se jogando na cadeira e depois se espalhando.
— Ajusshi... !!! Quero três, por favor... Duas de carne e uma de frango! – estava tão empolgado que era impossível não ver minha felicidade.
— Taemin, eu nem estou com tanta fome, e por que você já vai escolhendo sem nem nos perguntar antes? Troca uma dessas ai por Salmão! – Kibum reclamou.
Olhei para trás e encarei os dois na mesa, com uma cara de surpresa:
— Vocês também vão comer?! – falei com a sobrancelha arqueada.
— Ahh... Taemin... – Kibum falou indignado. — Achei que estava pensando na gente também!! - fez um bico irritado.
— Desculpa... Pensei que vocês só quisessem sentar. – me virei para o Ajusshi. — Acrescenta mais dois, por favor. – indiquei com os dedos. — Um de Salmão e o outro... – me virei novamente para a mesa. — Minho... Você quer de quê?
— Hmm... De carne. – me virei. — Espera! – ele pausou. — É... De carne, duas, quero duas de carne! – Kibum e eu rimos da incerteza dele.
Quando olhei novamente para o Ajusshi, ele acenou com a mão, dizendo que tinha entendido, e apenas repassou os sabores.
Enquanto comíamos Kibum ficava olhando em volta todos que passavam por nós. Ele, com certeza, estava procurando seu peguete. E Minho o chutou por baixo da mesa.
— Podia socializar com gente. Não se esqueça de que estamos aqui, tá! – Minho falou ao mesmo tempo em que estava sendo ameaçado com os punhos do Kibum, que, claro, ficou bravo com o chute.
— Eu estou aqui por pouco tempo. Você vai querer se livrar de mim daqui a pouco! – e ele me lançou um olhar malicioso.
— Kibum!!! – falei envergonhado. E Minho começou a rir.
— Já acabou? Temos mais coisas para ver. – me levantei.
— Senhor... Me ajuda! – Kibum só gosta de bater perna para fazer compras, fora isso... Haja paciência para ouvi-lo reclamar.
Ficamos até a noite no evento para um show de apresentações que iriam fazer. Kibum esperou até esse horário com a gente. A pessoa que ele esperava só chegou a noite, e ele já estava morto de cansado, mas mesmo assim foi olhar de novo o lugar com ele. Então apenas nos despedimos e Minho e eu fomos assistir ao show. Essas atividades que fazemos me deixam muito feliz. O vejo com bastante frequência. Quer dizer, na maioria das vezes, e é sempre à noite, por que ele trabalha o dia inteiro. Ele adora trabalhar; não deixa nada para depois, e só pensa nisso também. Quando precisa criar eventos para a empresa, então, ele enlouquece.
Saímos para andar mais assim que o show acabou. Tudo lindamente iluminado, vento batendo. Por incrível que pareça, não estava muito frio, ou pudesse ser só eu que estava meio quente de vergonha por estar andando com ele. Algo que nunca admiti foi que gostei muito de tê-lo conhecido, e de como ele investiu em mim.
— Está tão pensativo! – ele cortou o silêncio, e o olhei.
— Só pensando em como gostei do dia de hoje. – falei voltando a encarar o caminho que fazíamos.
— É, hoje está sendo bem especial. Acho que para todos que vieram passar o dia... É romântico. – quando disse isso acabamos nos olhando ao mesmo tempo, e rimos disso um pouco envergonhados.
Mais à frente vi uma área bem iluminada. Havia um deck na borda do lago do parque e segui em sua direção; Minho apenas me acompanhou. Colocaram luzes dentro do grande lago artificial. Me debrucei sobre o corrimão e fiquei admirando os peixes e plantas que se moviam lentamente do outro lado do lago. Bem longe dava pra ver algumas pessoas caminhando, e ouvíamos também barulho das vozes e músicas. Minho também observava debruçado, mas não a festa que ainda acontecia do outro lado, e nem os peixes dentro do lago; ele ficou me encarando o tempo todo, e só dei por mim que ele fazia isso quando passou a mão no meu rosto e o olhei.
Ficamos ali um bom tempo olhando nos olhos um do outro enquanto ele me acariciava. Comecei a rir de nervoso e desviei o olhar para outro lugar. Ele sorriu também com a minha atitude e se aproximou mais, continuando o carinho, sem tirar um minuto os olhos de mim. Estava ficando completamente sem graça, tanto que comecei a morder os lábios.
— Tae... – me chamou carinhosamente, e em um tom bem baixinho, mas que eu pudesse ouvir. — Quer levar isso... A um novo nível?!
Congelei no lugar, pensando em quais níveis ele se referia, e então o olhei. Abri a boca para ver se saia algum som, mas ele continuou:
— Nos damos tão bem. Já tem um bom tempo que nos conhecemos. Acho que poderíamos elevar mais isso o que temos para que fique mais forte. O que acha?!
— Elevar?! Como?! – franzi o cenho, o olhando com uma grande interrogação.
Ele chegou o rosto mais perto, e me deu um beijo na maçã do rosto; logo depois sussurrando no meu ouvido:
— Namora comigo!!
Surpreso, acabei me afastando para encará-lo. Ele sorriu e segurou meu rosto com as duas mãos.
— Você está feliz... Se sente bem estando perto de mim?!
Fechei os olhos e abaixei levemente a cabeça mordendo os lábios. Sim, eu me sentia. Era bom estar sempre com ele. Não conseguia mais conter a felicidade de sair com ele, comer com ele e de leva-lo junto aos meus programas com outros amigos. Balancei a cabeça afirmando, mas ainda assim respondi:
— Sim! – ele pareceu se sentir aliviado, mas ainda continuou perguntando.
— “Sim” para qual delas?! – em um tom brincalhão, ainda levantou a mão em dúvida.
— Para a segunda... – sorriu, mas pareceu um pouco desapontado. — E, para a primeira também!! – mordi ainda mais os lábios, e também comecei a esfregar as mãos de nervoso.
Ele, apesar de ter perguntado e esperado uma resposta positiva, ficou bem surpreso quando eu realmente dei. Me soltou, e com um enorme sorriso começou a dar alguns pulinhos. Algumas pessoas passando ficaram rindo, e eu, sem entender muito bem essa reação, apenas observando. Até uma gargalhadazinha ele deu e então parou do nada, e virou pra mim, acelerando o passo até mim, me segurando pela cintura e pelo rosto para, enfim, me beijar. Não o impedi dessa vez, só retribui, e isso estimulou que me apertasse mais aos braços e no beijo, até que ficasse mais intenso.
Ficamos ali por bastante tempo. As pausas entre os beijos eram poucas; parecia que estávamos compensando os meses de enrolação. E eu gostei, muito mesmo. Até que um momento não dava mais; precisava me sentar. Minhas pernas começaram a reclamar, e ele apenas me acompanhou, me abraçando de lado e depositando leves beijos no meu rosto.
— Eu posso ficar aqui tranquilamente até amanhecer, ou até quando você quiser. – falou perto do meu rosto, mexendo no meu cabelo.
— Vamos ficar aqui mais um pouco. Não sei se vou conseguir sair daqui por agora.
— Nem eu... – e me puxou para mais um beijo.
Nem sei se vou conseguir dormir quando chegar em casa, e nem sei que horas vou contar para o Kibum. Vai me encher de pergunta. Mas... Não estou me importando em responder.
~//~
Engraçado que, com o tempo, a gente olhando para trás, percebe como algumas de nossas atitudes eram tão infantis. Alguns medos que nos assombravam – como o que eu tinha em relação a me envolver amorosamente - podem ser tão pequenos e insignificantes quando os esquecemos... Menos insetos... Não interessa o que digam, esses demônios jamais me deixaram em paz, e não sei o que fazer com isso.
— Taemin...!? – ria da desgraça alheia. — Por que fica se debatendo desse jeito?! Está vermelho e com uma cara de aterrorizado. Volta aqui.
— Até parece que eu volto... – falei bravo, tentando chegar a porta.
— Mas, Taemin... – tentou falar de forma suave.
— Você sabe que ODEIO e tenho medo de inseto, e me traz para cá... Não sei onde que isso é uma surpresa romântica. – sai indignado do Borboletário.
— Mas... São borboletas. São coloridas, tem desenhos e figuras espalhadas por aí e você nunca se queixou...
— Porque não são de verdade!!!!!!!!! – o cortei na hora.
— Amor... – veio atrás de mim, e me abraçou.
— Tá bom, me desculpa. Pensei que fosse só besouros e lagartas. Nunca te vi perto de uma borboleta antes.
— Porque justamente quero ficar bem longe delas. – cruzei os braços emburrado.
— Você, com certeza, é o namorado mais atencioso do mundo Minho. – lá vinha Kibum, rindo da discussão. — Bem que vocês podiam brigar mais baixo, não é? – disse indiferente tomando um suco e me entregando outro.
— Que raiva de você também, Kibum... Se sabia que ele faria isso devia tê-lo impedido. – falei pegando o suco da mão dele irritado, e jogando um olhar mortal ao Minho.
— Ué... Acabei de chegar... E eu só sabia que vocês viriam ao zoológico, não que iriam especificamente ao Borboletário do zoológico – falou sem um pingo de compaixão. E voltou a tomar seu suco.
— Ok, ok... Dei mancada. Desculpa, eu... Não pensei direito. Acho que estou atarefado com o trabalho e não me liguei nesse detalhe.
— E que detalhe... Quero um namorado desse pra minha vida. – bebericou mais do suco.
— Há, Há, Há... Você é tão fofo Kibum. – falou ironicamente e Kibum abriu os braços para o alto e fez uma cara de “eu sei”. — E algumas coisas que queria acrescentar e deixar claro com você. Primeiro... Eu sou atencioso. Você iria se sentir honrado em me ter como parceiro. – Kibum riu alto, não se aguentado e depois fez cara “de como se ligasse” revirando os olhos. — Segundo... Eu não sou namorado, eu sou o noivo dele, ok?! – e Kibum riu em escarnio. — E Terceiro... Cadê o meu suco? Por que não comprou para mim também?!?! – perguntou com uma cara super indignada.
— Noivo... Tá bom. Já se passou três anos, e estão já nesse negócio de casamento – Kibum continuou provocando. — E... Não sou obrigado a gastar com você. Compra você mesmo.
— Se passaram dois, Kibum! Segue o calendário direitinho – corrigi.
— Piorou! E você que deveria seguir direito o calendário. De preferência o coreano – bufou. — E contando com esse, já é o terceiro ano, tá bom?!
— Mesmo assim, não acho pouco tempo. Já que gostamos de ficar um com o outro, por que não casar logo...? Você fica se...
— Ok... Já deu! Eu já perdoei. – dei um selinho nele. Vou mudar logo de assunto, por que isso já me cansou.
Minho e Kibum andam se estranhando ultimamente. Pra variar, a implicância começou a partir de Kibum. Ele ficou tão surpreso quando Minho me pediu em casamento – na verdade, não foi por que ele pediu, e, sim, porque eu aceitei. Ele achou muito rápido estarmos falando de casamento, sendo que, na cabeça de Kibum, não tinha tanto tempo que nos conhecemos. Mas para mim, e para Minho, é como se já fizesse anos. Conhecemo-nos muito bem. Conhecemo-nos em fevereiro de 2015, me pediu em casamento em agosto de 2016, e estamos em agosto de 2017. Sendo o casamento mês que vem, muita coisa aconteceu... Não acho pouco tempo. Minho também não. Então já que queremos que dê certo... Vai dar.
~//~
Por que tinha que ser tão trabalhoso? Porque senão, não teria graça. Tem que participar de um momento importante como esse. Tanta coisa... Mais de um ano preparando esse casamento, e planejei tudo. Minho palpitou, mas deixou que eu escolhesse a maioria das coisas como data, local, bufê... E ele escolheria local de lua de mel, alianças, o próprio terno e seus convidados. Só que eu com a RENOVE, e Minho trabalhando como um maníaco na KOG, acabamos só adiando as coisas. Ele não podia se afastar nenhum dia do trabalho. Eu via ele só de dia e só no final de semana, e olhe lá, se ele não precisasse terminar alguma coisa. Eu não sei o que seria de mim sem Kibum. Mesmo sendo um pouco contra esse casamento, nesses últimos quatro meses, praticamente assumiu a empresa sozinho. Eu aparecia de vez em quando para desestressar e dar uma força.
— Um café... Acho que preciso de um café. É... É disso que eu preciso. – eu disse levantando do meu escritório na empresa.
— Você precisa é tomar vergonha na cara, e dar um ultimado no Minho de que você não vai casar sozinho. Se bem que... – levantou a cabeça para mim. — Devia fazer isso mesmo. Casar consigo mesmo, porque assim você ganha mais amor próprio. – voltou a desenhar a planta de uma empresa cliente.
— Kibum, por favor... Não começa. Minha cabeça já está doendo. – disse tomando um pouco do café que peguei, e voltando a me sentar.
— Vocês sabem o tanto de coisa ainda para organizar e o tempo que resta até o dia do casamento?! – falou jogando o lápis na mesa, me encarando em seguida.
— É, eu sei...
— Então por que vocês não adiam esse bendito casamento?! – me olhou questionador.
— Porque já havíamos conversado, investimos dinheiro, já convidamos todos pra convidar, marcamos a data, escolhemos bufê, investimos tempo...
— Você sabe que maioria dessa lista ai que acabou de citar foi você que fez, não é?! – o olhei sem saber como o defender.
Minho realmente acabou que não se tornou tão participativo nessa preparação, mas eu o entendo. Ele ama o trabalho; faz com paixão, e ele estando na posição de funcionário não tem a mesma flexibilidade que eu tenho sendo eu mesmo o chefe. Kibum poderia começar a ver esse lado também; pelo menos ele não joga tanto isso na minha cara. Ele acaba que está assumindo o papel de noivo me ajudando muito. Já foi em tudo que é lugar comigo, fomos na igreja agendar com o padre, fomos atrás de decoradores especialistas nesse tipo de evento. Confesso que se Minho tivesse resolvido isso, já que está muito acostumado a organizar eventos, teria facilitado. Mas é justamente por ele estar tendo que organizar um grande evento agora que não está muito presente.
— Kibum. – suspirei colocando a caneca na mesa. — Eu já expliquei para você. – disse derrotado e cansado desse assunto.
— Mesmo assim, ele é que mais queria isso. E você acabou se deixando levar, Taemin. Eu sei muito bem porque você faz as coisas, e só não vou questioná-las com você, porque acho que talvez não vá adiantar. Se eu tivesse feito isso bem antes, quem sabe...
— Obrigado! – pausei. — Por tudo, Kibum! – o encarei exausto.
— Tudo bem! – veio até mim e me deu um beijo na testa.
— O que falta pra esse casamento? – perguntou sentado no sofá, tomando café também.
— Fazer uma ronda geral em todos os lugares! – tombei a cabeça para trás, fechando os olhos.
— Como é que é?! – falou incrédulo. — Taemin...
— É só vistoriar, Kibum. Ver como anda o pessoal da decoração com o salão, com a igreja, conferir o bufê se não vai faltar nada, se está tudo certo com as lembrancinhas, fazer prova do smoking, ah... Tinha me esquecido – comecei a escrever.
— É possível que você tenha se esquecido de alguma coisa? – falou ironicamente. — Com tão pouca coisa pra resolver. – apenas o ignorei e respondi.
— A lista de músicas. – continuei escrevendo.
— Taemin, você sabia que, normalmente, planejamento de casamento acontece com 18 meses de antecedência?! – levantei a cabeça para olha-lo, e vi que estava no celular, pesquisando coisas que são inúteis agora. — Nossa... Quanta coisa pra se fazer... KKKKKKK – começou a rir do nada.
— O que foi, Kibum? – perguntei sem muita vontade de saber.
— Taemin, você já fez o clareamento dental?! E sua depilação?!? Ah não, depilação é só com dois dias de casamento... – falou fazendo umas caretas engraçadas olhando uma lista.
— Você fica falando isso, para ver se eu acho graça, é?!
— Não. Está aqui... Olha !! – ele levantou e veio até mim. — Um mês antes do casamento você tem que fazer o clareamento do dente, escolher as músicas da cerimônia e recepção... – falou entre dentes me encarando e ri sem graça. — Andar com os sapatos de noiva em casa... – virou do nada pra mim. — Você treinou, Taemin?! Não quero ouvir você reclamando de dores nos pés depois. – dei um tapa nele, e ele começou a rir. — Se eu soubesse e tivesse visto essa lista antes... Teria ajudado tanto...
— Não imaginei que existisse uma lista “pronta de passo a passo” na internet.
— Até parece que não aprendeu... Se pesquisar “como fazer um bebê”, a internet te ensina como usar isso aí que tem no meio das pernas.
— Kibum!!!!! – olhei não acreditando no que falava.
— Mas é verdade. Quer ver?! – começou a digitar.
— NÃO... Não precisa Kibum, eu sei! – serrou o olhos.
— Tem certeza?!
— Tenho, agora para com isso.
— Ihhh... Tem nada... Você nem o estreou ainda. Saber só da teoria não quer dizer que vai facilitar na hora H. – ficou encarando meu rosto e meu precioso.
— Para de ficar encarando aqui em baixo, Kibum. – briguei aumentando o tom de voz. E ele apenas riu, voltando a olhar o celular.
— Vou analisar essa lista de “como casar” direitinho. 18 meses, 12 meses, 6 meses, 4 meses... Oh... Esse foi o tempo em que te liberei pra se focar nesse casório... Vamos ver o que já deveria ter sido preparado nesse período. – revirei os olhos. Não quero nem saber. — Vou fazer a chamadinha e você confirma. – ri e apenas assenti.
— “Escolha das lojas para as listas de presente. ”
— Ok. – ele vai mesmo me atrapalhar com isso.
— “Escolha das roupas das damas e pajens”
— Já escolhi!
— “Lembranças dos convidados, padrinhos, pais...”
— Também já escolhi.
— Hum... Isso que é eficiência.
— Tem mais, ou já posso mandar você calar a boca?!
— Enjoado! – fez uma careta pra mim.
— “Escolha do traje do Noivo”... Nesse caso são dois!
— Sim, já foi escolhido. Tenho que fazer mais provas.
— E o do Minho?!
— Certamente já resolveu isso também. Ele disse que cuidaria disso.
— Humm... Sei. – me olhou desconfiado.
— E... É... Onde eu estava... A tá. “ Definir local de lua de mel”!? – me encarou por fim.
— Isso era com o Minho também. Ele disse que escolheria o local de lua de mel. Não perguntei nada, porque imaginei como uma surpresa. – ri um pouco envergonhado.
— Meu Deuuussss… – falou apertando minhas bochechas. — O que eu faço com essa criança virgem, e tão inocente?!? O quê?!? Me diz!! – disse abraçando minha cabeça e olhando pra cima.
— Saaii, Kibum. – olhei de cara feia pra ele. — Vai trabalhar e me deixa fazer o mesmo.
Ele ficou se divertindo a minha custa. Se eu tivesse me planejado melhor, talvez tivesse sido menos desesperador organizar tudo. Ah, tenho que ligar para os meus pais, ver se já acertaram as roupas deles. Notinha mental...
— Kibum?!
— Humm?!
— Já arrumou seu traje, não é?! Você está tão ocupado que me esqueci disso. Eu devia ter providenciado isso logo também. – esse final falei mais pra mim, do que para ele.
— Heyyy... Pode ir parando! Você não precisa arrumar mais nada. Eu já cuidei disso. Eu não ia deixar pra alugar um qualquer de última hora. Não vou nesse casamento de qualquer jeito, até ajudei sua mãe com o vestido dela...
— Sério?! Tinha acabado de pensar nisso, ia até ligar para eles...
— Não... Não precisa pra falar sobre isso. Sua mãe e seu pai já sabem o que vão vestir. Mas faz tanto tempo que não falam com você que até me ligaram. Estavam preocupados se alguma coisa tinha acontecido.
— Eu... – estava tão atordoado que nem pensei em ver como eles estavam.
— Não... Também não precisa fazer essa carinha. Eles sabem que está muito ocupado. Sua mãe só reclamou que poderia ter ajudo se precisasse.
— Ah, mãe... – abaixei a cabeça.
— Seus pais estão felizes por você, Taemin. Só faça o que achar melhor.
— Você e eles são minha única família, e os negligenciei. Eu sinto muito.
— Está sendo por um bom motivo, não é?! Ela logo vai aumentar. – sorriu carinhosamente pra mim.
— Sim... – ri de nervoso. — Vou conhecer a família dele logo.
— Quando?!
— Provavelmente só no casamento. Os pais do Minho moram fora.
— Hmm... Até que a família dos dois vai crescer consideravelmente. Parecida com a sua, só ele e os pais.
— Não!
— Não o quê?!
— Não é só ele e os pais. Ele ainda tem um irmão mais velho.
— Desde quando??? – a cara de surpresa de Kibum, ficou muito engraçada.
— Desde que o irmão dele nasceu primeiro!! – ri.
— Que absurdo é esse, Taemin? Parou de me contar as coisas?! – ele estava muito indignado.
— Claro que não. Só não lembrei. É... Mesmo que ele fale bastante do irmão. – mencionei mais baixo. — Estou cheio de coisa. Isso nem passou pela minha cabeça.
— E o que ele faz da vida? Onde mora? É solteiro?
— Interesseiro. – joguei uma almofada nele. — Mas... Essa é uma boa pergunta!
— Como assim uma boa pergunta?! Você não sabe?! Ele não fala do irmão?? – perguntou curioso.
— Fala, mas...
— O quê?
— Normalmente é contando história de quando eram crianças, do que aprontavam, para onde viajavam, de quando saiam juntos, de como gosta de ficar com ele, de como sempre faz tudo pelo irmão...
— Tem certeza de que é com você que ele quer casar?!
— Kibum...
— Ele sempre fala do irmão?!
— Hm... Sim, 98% das nossas conversas ele menciona e coloca ele no meio.
— E você não teve nenhum interesse em pergunta algo?! – perguntou bastante surpreso.
— Não!! – fiquei muito sem graça em responder isso.
— Então sabe o que fazer quando não tiver a atenção dele pra você. Fale muito do querido irmão dele.
Talvez eu devesse ter me importado mais com meu cunhado também. Minho gosta tanto de falar dele. E, ultimamente, a gente anda se estressado tão fácil com as coisas.
Uma vez brigamos porque eu não queria que ele dormisse na minha casa. Ele já havia ido, conhecia tudo, namorávamos, mas ele sabia meu posicionamento sobre sexo. E mesmo assim, eu não quis, e ele reclamou que às vezes parecia que somente ele tinha interesse nos assuntos referentes a mim, e que abria mão da intimidade, para mostrar confiança. É, eu não fazia isso. Não deixava que me olhasse, ou vasculhasse minhas coisas, o que ele, ao contrário, praticamente entregava nas minhas mãos. Deixava eu ver seu celular, seus álbuns de fotos, seus armários, mas eu nunca olhava de verdade; só passava o olho. Queria apenas curtir o momento junto dele; o presente, não o passado.
Kibum está certo. Eu é que deveria ter pensado nisso antes; me “aproximado” mais da família dele. A única coisa que me lembro mesmo é do nosso primeiro encontro; algumas outras coisas até lembro. É assim que crise começa, e não posso já deixar isso acontecer. Nem casamos ainda. Vou começar a me envolver mais, além do que, são importantes para ele, assim como meus pais são para mim. E eu quero que saiba que ele também é.
~//~
Contagem regressiva; mais um dia marcado nesse calendário. Sinto que a cada dia que marco um “X” vou enfartar. Sábado, 26 de agosto, e faltam 22 dias para nos casarmos. Calma, Taemin, ao mesmo tempo que parece tão perto, está tão longe, e ainda falta coisa. Vontade de chorar quando penso nisso.
— Amor?!
— Sim!
— Vai trabalhar hoje?!
— Sim! – fiquei um pouco decepcionado com a resposta.
— Queria que fosse comigo ver como anda a preparação de tudo.- falei atrapalhando-o no que fazia no computador dando beijos. E ele me puxou para seu colo.
— Estou fazendo o máximo para que não precisem de mim até o final do mês. – ele fez uma cara de que iria negar — Por favor... Não fique assim... – disse me apertando e me beijando o pescoço.
— Falta pouco tempo!
— É, eu sei, mas no final tudo vai ser compensado. – virei o rosto para encará-lo chateado.
— Tudo bem! Vou sair pra encontrar o cerimonialista, e mais tarde eu volto. – disse o beijando por alguns minutos. — Quer que eu traga algo pra gente?!
— Hm... Talvez uma torta salgada, o que acha?!
— Está bem! Até mais. – um último beijo.
~//~
— Oxe... Veio fazer o que aqui em um sábado, Taemin?!
— Nada demais... E você?! – perguntei dando uma volta pelo escritório e indo até a janela.
— Vim pegar um contrato que faltava analisar e assinar. Se eu deixasse pra segunda, iria aparecer toda hora alguém me chamando, e ia acabar não fazendo isso. – levantou os papeis.
— É, com certeza não ia mesmo! – ri desanimado.
— Senta no sofá ai, Taemin! – mandou e nem questionei.
— O que foi?! Andaram brigando de novo?!
— Não! Estamos respeitando mais o espaço um do outro nesse momento, está tranquilo. Eu só queria... – pausei demorando a voltar a falar.
— Que espaço, Taemin? – falou incrédulo. — Você queria o quê?
— Pensei que talvez hoje ele pudesse sair comigo e ver como andam as coisas.
— Sinceramente... Só rindo mesmo disso, porque isso parece um aniversariante organizando a própria festa surpresa.
— É esse maldito evento que o Sr. Shin tinha que pedir justo para o mês de outubro, sendo que já tínhamos marcado nosso casamento.
— Mas ele nem sabia disso.
— Mesmo assim... Isso me deixa irritado, querendo chutar algo. – falei bravo.
— Mesmo assim nada! Você tem que exigir algo do Minho a respeito desse casório. Ele não está ajudando, e você ficou sobrecarregado, por isso está irritado.
— Ele disse que tudo vai se acertar quando acabar e nos casarmos. Assim eu espero.
— Ahhhhhhh... Taemin. – suspirou. — Pelo menos esclarece a sua posição e como você se sente em relação a tudo isso. Estou apenas vendo você ficar deprimido, e não feliz.
Apenas assenti com a cabeça. Ele me abraçou e saímos juntos da RENOVE, e ele quase esquece os documentos que foi lá só para buscar. Kibum é uma graça. Só ele para me fazer rir quando estou chateado. Mas agora isso já passou, estou morrendo de fome, e quero aproveitar o resto da minha tarde e a noite toda com ele. Acho que vou levar mais de uma torta.
~//~
— Minho?!? Está tudo escuro. – murmurei o final.
Ninguém respondeu. Saí ligando as luzes; estava meio escuro e o vi dormindo em cima do braço de frente ao computador. Aproximei-me e sentei ao lado mesa e fiquei observando-o; vendo cada detalhe do seu rosto, nariz, boca, desenho dos olhos, cabelo... Eu gosto tanto, tanto dele. Isso com certeza vai ser um grande passo. Casar, morar junto... Dividir tudo. Como já ficamos a maior parte do tempo na casa dele, eu que vou acabar vindo para cá.
Aproximei mais a cadeira da mesa e me deitei em cima de um braço e com o outro comecei a fazer carinho no seu rosto, demorou um tempo sem ele perceber meu toque, mas quando percebeu, acordou assustado.
— Chef??? – falou num sobressalto, e olhando em volta.
Ah, Minho... Até dormindo você sonha com o trabalho – continuei do mesmo jeito deitado na mesa o olhando – não é à toa que é um dos melhores Relações Públicas, seu trabalho é impecável.
— Taemin, está tudo bem?! – disse com um olhar preocupado para mim, e me acariciando.
Isso era bom, vê-lo preocupado comigo e atencioso. Não que ele não fosse, mas... O trabalho parecia sempre vir em primeiro lugar, e não poderia reclamar; Minho é competente em tudo que faz. Se está no trabalho, ele é 100% do trabalho, se está com a família dele ou os amigos, se dedica totalmente a eles, assim como quando está comigo. E exatamente isso que eu queria que ele estivesse fazendo, se dedicando só a mim, só... A nós.
— Não vai me responder?! – fez uma cara de desapontado e veio morder meu pescoço.
— Está tudo bem!!! – falei e levantei rindo. — Só estava te observando.
— Ah... Sem querer cochilei. – coçou a cabeça sem graça.
— Então, descansa... Descansa junto comigo.
Ele até abriu a boca, para o que talvez fosse recusar, mas olhou para mim e parou alguns minutos me olhando.
— Está bem! – se levantou e veio parando na minha frente me estendendo as mãos.
Não pensei muito, coloquei minhas mãos sobre as dele e ele colocou força para me puxar para cima, logo em seguida me abraçando. Ele meio que ficou “dançando” comigo, apenas balançando de um lado para o outro.
— Eu trouxe as tortas... – estava deitado no seu ombro.
— Então vamos comer. A gente precisa se alimentar, apesar de não ser a comida mais saudável. – falou rindo, e me levando ainda balançando até a cozinha.
Da cozinha levamos tudo para a sala, assistimos algum episódio de seriado que eu não conhecia e acabamos com as duas tortas; depois apenas ficamos deitados abraçados no sofá; luz baixa, e completo silêncio. Só eu e ele ali, curtindo o pouco de tempo que conseguimos estar juntos.
— Minho...
— Hm!
— Não vai dormir em cima de mim, se não vou acabar ficando “preso” aqui.
— Não vejo problema nisso. – começou a esfregar o rosto no meu pescoço.
— Eu vejo... Se eu ficar apertado pra ir ao banheiro depois do tanto de suco que tomei, vou acabar tendo que acordar você.
— Então vamos ter que fazer alguma coisa pra eu ficar acordado. – mordeu meu pescoço.
Ele começou a me dar selinhos no pescoço, depois foi para o queixo e por fim foi na minha boca. Estava morrendo de saudade desse contato, e ele se ajeitou em cima de mim intensificando o beijo. Eu fiquei alisando suas costas por cima da blusa, e assim ficamos por um bom tempo. Então ele me puxou um pouco para deitar inteiro no sofá, se ajeitou novamente e começou a alisar meu corpo por debaixo da camisa, e... Completamente sem fôlego é assim que eu estou. E sem desgrudar nossos lábios, se colocou no meio das minhas pernas e começou a friccionar fortemente seu membro no meu. Acabei dando um gemido de surpresa. Parei de beijá-lo e ele, segurando minha cintura, continuou com mais força e aumentando a velocidade. Não conseguia fazer ele parar, e isso estava começando a deixar duro... Então eu só me joguei para o lado, fazendo-o cair. Claro que fui junto, mas isso o fez parar.
Estávamos no chão, e ele completamente vermelho e excitado; respirando pesadamente. Eu conseguia ver muito bem sua excitação; seu moletom cinza claro me deixava ver perfeitamente; completamente desperto. O que eu queria que não fosse meu caso. Depois de olhar o dele, olhei para o meu, que não estava tanto assim. Isso me deixou furioso – não sei explicar bem porque –, e eu tentava controlar a respiração e fazer ele voltar ao normal, mas estava difícil. Ele veio por trás de mim, colocando a mão no meu membro e apertando mais, o que me fez suspirar, e ao mesmo tempo puxar o braço dele para parar.
— Taemin... – ainda sem conseguir respirar direito. — Me deixa fazer passar...
— O QUÊ QUE VOCÊ PENSA ESTAR FAZENDO?!? – falei furioso, com a situação que ele me fez ficar.
Ele não soube o que responder, e eu, com ódio levantei e fui para o quarto. Entrei no banheiro – nem pensei em trancar a porta – e entrei debaixo do chuveiro com roupa e tudo. Coloquei a água no mais gelado possível.
Fiquei ali por mais de meia hora, até que ele apareceu na porta do banheiro, com a cara meio fechada, apenas me encarando.
— Que maluquice foi essa Taemin? – falou indiferente.
Nem respondi, só continuei ali. E depois de mais alguns minutos ele veio até mim, desligou o chuveiro, e me fez virar para ele. A excitação já tinha passado, mas a raiva não.
— Achei que estivéssemos juntos por que gostamos um do outro! – ele começou.
— E eu achei que tivéssemos esclarecido que eu não tenho vontade de fazer. – falei com um olhar ameaçador.
— Wooo... – riu descrente. — É... Falamos sobre isso, mas pensei que agora talvez meu Noivo pudesse querer.
— Na verdade, isso... É só você que quer, e resolveu me forçar a querer também pra se aliviar.
— Me desculpe se quis fazer a pessoa que eu gosto transar comigo. – falou sarcástico. — E não se preocupe, e eu já resolvi meu problema sozinho. Não irei incomodá-lo com isso. E... Você, pelo visto... Consegue, do seu jeito, lidar bem com isso também. – me olhou de cima a baixo.
Fiquei mais irritado com o que ele acabou de dizer:
— E quem disse que eu não quero transar com você?! Mas tínhamos concordado que faríamos depois do casamento.
— Por mais que eu saiba que é religioso Taemin, sei que não liga fervorosamente pra esse negócio de sexo só depois do casamento. Não tem a menor vontade de transar comigo antes?! – me dirigi para fora do banheiro. — Ou melhor, você só vai transar depois do casamento porque é um “ritual”??
Virei na hora para ele:
— Para de ser ridículo, Minho! – mas quando me virei ele me pegou pelo braço.
— O que tem de ridículo eu saber se nosso casamento não é uma fachada?! Tudo o que preparamos até agora foi em vão?! Hã?!
Comecei a rir e ele ficou sem entender, com o cenho franzido.
— Nós conversamos Minho, e sei muito bem dos seus motivos com o trabalho, mas não vem me dizer “preparamos” no plural. Eu já tenho coisa demais na cabeça. – ia em direção à porta.
— Tae... Taemin... Espera!!! Você está me punindo?! – parei e olhei incrédulo para ele.
— Ah, Minho... – comecei a olhar tudo em volta, não acreditando no que tinha dito. — É dessa forma que você diz me conhecer?!
— Não... – abaixou a cabeça. — Não é dessa forma. – a levantou me encarando.
— Você querer preparar NOSSO casamento SOZINHO é uma forma de punição? Eu fiz porque te amo e quero que esse dia fique marcado para a gente. – estou tão nervoso que meus olhos estão enchendo de água. Mas não vou deixar nenhuma cair.
— Tae...
— Eu corri atrás de tudo... Tudo, Minho. Até mesmo o Kibum me ajudou. E eu NÃO estou jogando isso na sua cara, só estou pedindo compreensão e mais apoio. Nem mesmo posso cobrar você de me perguntar como andam as coisas, porque eu mesmo não faço isso. – passei as mãos no cabelo.
— Eu me importo com isso, Taemin, e você já fica tão estressado quando menciona ter que ir atrás de algo, que eu não quero ter que dar brecha de acabar descordando de algo do que tenha feito. Eu mecho com organização, e sou estritamente detalhista quando estou organizando; não quero chatear você controlando tudo. Se você fizer, não importa como, eu vou amar, mas se fizermos juntos, vou acabar te impondo as coisas. – se sentou na cama apoiando os cotovelos no joelho. — Meu irmão sempre reclamava disso quando decidíamos preparar uma festa para algum amigo ou parente. – riu fracamente, colocando a mão na cabeça.
Eu apenas me sentei na poltrona perto da porta e fiquei o observando.
— Minho... – ia tentar conversar, mas não sei nem pelo o que começar exatamente. — Isso é importante para a gente. Tudo em que investimos, em que planejamos construir... Eu sei que você pensa em tudo. Também pensei enquanto ia providenciando as coisas. Mas eu quero que a gente... Quero que, quando olhar pra você de terno no altar e trocarmos as alianças, seja um momento importante; que aquilo seja pra sempre... – quando olhei para ele, parei de falar. Ele estava com uma cara estranha.
— Eu me esqueci... – sussurrou, mas eu consegui ouvir.
— Se esqueceu de quê? – ele me olhou achando que eu não tinha ouvido e ficou super nervoso.
— Nã... Nã... – gaguejou negando ao mesmo tempo com a mão.
— Tem a ver com o trabalho. – falei num tom meio bravo, não acredito que ele estava pensando em outra coisa naquele momento.
Apenas negou com a cabeça e se levantou, passando a mão no rosto. Ele só fez aquela cara quando eu disse algo, porque quando eu comecei a falar ele estava “normal”, menos no final...
Olhei para ele e Kibum veio na minha cabeça, não sei porque:
...
— Vou fazer a chamadinha e você confirma. – ri e apenas assenti.
— “Escolha das lojas para as listas de presente. ”
— Ok. – ele vai mesmo me atrapalhar com isso.
— “Escolha das roupas das damas e pajens”
— Já escolhi!
— “Lembranças dos convidados, padrinhos, pais...”
— Também já escolhi.
— Hum... Isso que é eficiência.
— Tem mais, ou já posso mandar você calar a boca?!
— Enjoado! – fez uma careta pra mim.
— “Escolha do traje do Noivo”... Nesse caso são dois!
— Sim, já foi escolhido. Tenho que fazer mais provas.
— E o do Minho?!
— Certamente já resolveu isso também. Ele disse que cuidaria disso.
— Humm... Sei. – me olhou desconfiado.
— E... É... Onde eu estava... A tá. “ Definir local de lua de mel”!? – me encarou por fim.
— Isso era com o Minho também. Ele disse que escolheria o local de lua de mel. Não perguntei nada, porque imaginei como uma surpresa. – ri um pouco envergonhado.
...
Ele me encarou... E eu fiquei tentando forçar a memória no que tinha acabo de falar pra ele. Especificamente a última frase.
“... Mas eu quero que a gente... Quero que, quando olhar pra você de terno no altar e trocarmos as alianças, seja um momento importante; que aquilo seja para sempre...”
— Minho... – ele arregalou os olhos meio assustado. — Você cuidou do que tínhamos combinado no início disso tudo?
— Eu... Taemin... – não acredito, não acredito nisso. Apenas me virei e sai do quarto.
— Me... Me desculpe, Taemin! Eu me esqueci. – ele estava completamente desesperado tentando se justificar.
— COMO... Você... – comecei exaltado depois tentei abaixar o tom. — Que sempre fala que cada detalhe é importante, não fez O MAIS IMPORTANTE!! Aliás, o que exatamente você não fez?!?
— Eu só... Mandei os convites!
E a única coisa que eu podia fazer era fechar os olhos para não deixar nenhuma lágrima cair, e segui para a porta. Todo molhado ainda, pequei meu casaco.
— Taemin!
— ME DEIXA!!! – afastei o braço que ele queria pegar.
Saí, e fui correndo para o meu carro e fui para casa chorar a noite inteira, sem querer pensar em mais nada. Era um sentimento de que tudo aquilo estava sendo em vão, mas eu não queria ficar sem ele. Eu gosto tanto, tanto, tanto, tanto, tanto dele. O que eu faria sem tê-lo junto de mim?
~//~
Quatro dias. Fiquei quatro dias sem falar com ele, desde a briga de sábado. Sem atender celular, atender a porta, ler mensagens, nem mesmo saí de casa nessa segunda, terça e quarta para resolver alguns assuntos do casamento. E hoje já é dia 31 de agosto. Eu não quis saber de nada, até ver Kibum entrar no meu quarto. Apenas suspirei depois do susto de vê-lo parado na porta, esqueci que ele tinha a chave da minha casa.
— Lee Taemin...
— Não quero conversar Kibum. – disse simplista.
— Você sumiu desde domingo. É claro que tem que conversar. O Minho ligou perguntando de você, o que já me fez estranhar. O moço do bolo ligou, a cerimonialista, até o Padre ligou...
— E você sabe por que eles tiveram que ligar na empresa?! – falei me sentando na cama.
— Sei... Eu falei com o babaca! – comecei a rir, normalmente eu brigo com ele por ele xingar Minho, mas agora não liguei.
— Hmm...
— Ele se arrepende. – comecei a rir. — Eu dei o esporro que ele merece, Taemin! E agora vim conversar com você. O que adianta você se trancar aqui?!
— Adianta eu ter sossego, e noites de sono!
— Não adianta dizer isso. Eu sei que você não conseguiu fazer isso. Eu sei o quanto você quer casar com ele, Taemin.
— É... Eu quero! – me esparramei na cama.
— Então, vamos continuar com os planos, Taemin!!! – pulei na hora de susto com a outra voz.
— O que você está fazendo aqui? – olhei perplexo para ele, e depois olhei acusadoramente para Kibum.
— Não adianta me olhar assim. Esse quesito você não ia resolver sem eu me intrometer. – Kibum se defendeu.
Fechei a cara, cruzando os braços e virei o rosto.
— Me perdoa, Taemin! Eu sei que você vai se lembrar disso para sempre, o quanto eu fui irresponsável com a preparação do nosso casamento. Kibum já jogou tudo na minha cara. – falou virando pra ele, que o ameaçou com um punho.
— Mas vai ser a mesma coisa, enquanto não chegar o dia desse evento. Você não vai conseguir simplesmente deixar isso nas mãos de qualquer um...
— É, eu sei...
— Yaahh... – Kibum começou bravo. — O que foi que conversamos ontem?! Não se atreva...
— Kibum, não tem como. – ele ficou sem acreditar no que ouvia. — Minho jamais deixa nada pela metade quando começa algo.
— Devia ter feito o mesmo com seu casamento. – falou irritado, o ameaçando com um portarretrato meu.
— Kibum... Pelo amor de Deus... Esse porta retrato era do meu avô. Põe onde estava. – falei desesperado.
— Ah... – virou o porta para olhar. — Oh... Você está tão bonitinho no colo do seu vô.
— Quero continuar bonitinho... Põe de volta, por favor, e com cuidado.
Minho só observando riu:
— Você nunca me falou do seu avô!! – enquanto ele estava de cabeça baixa eu e Kibum nos olhamos, e ele gesticulou dizendo sem deixar sair som um “culpa sua também, eu falei. ”
— Tá bom... – falou batendo palma. — Vamos voltar ao que interessa. Minho irresponsável.
— Ei... – reclamou.
— Eu... Perdoo!
— Como assim, Taemin... Assim, sem impor nenhuma condição?!? – Kibum sentou na cadeira, respirando fundo.
— Eu entendo a situação dele, e já que ele sabe agora também como me sinto. Não tem problema.
— Eu vou tentar compensar algo essa semana!! Prometo.
— Você não confia em ninguém, Minho, mesmo que trabalhem muito juntos.
— Confio, sim...
— Agora ele vai dizer que “confia em você, e que tudo vai dar certo” e blá, blá... – Kibum provocou.
— Não... Eu não ia dizer isso!
— Hm?? – olhei pra ele, e começou a se defender enquanto Kibum ria.
— Não. Eu não quis dizer isso. Eu confio em você, amor...
— Eu entendi, Minho. Você está falando no trabalho, em específico.
— Então não vejo solução nenhuma se esse pamonha vai ter que trabalhar do mesmo jeito, e não sabe ser ajudado.
— Eu sei, sim... Na próxima semana eu vou ter ajuda!! – falou com o maior sorriso do mundo. Até Kibum fez uma cara que estranhou aquela repentina alegria.
— Por que esse sorriso gigante idiota no rosto?!? Taemin, sai de perto dele, ele é doido.
— Para, Kibum. Por que ficou tão feliz em ter ajuda?! Quem vai te ajudar?!
— É... Quem é a pessoa que confia tanto assim?! – perguntou Kibum autoritário.
Aumentou mais ainda o sorriso, chega mordeu os lábios de empolgação:
— Meu irmão!!
— O quê??! – perguntei sem entender bem a resposta que deu.
— Vai fazer seu irmão de escravo, é?! – Kibum retrucou.
— Eu já falei o que meu irmão faz!
Kibum me olhou, ele sabe que eu não sei nada dos pais dele e, pior ainda, do irmão dele.
— Hm...
— Tá, não interessa se ele lembra, eu quero saber. Como seu irmão vai ajudar?!
— Ele é jornalista!
Como a gente ficou sem reagir, ele continuou:
— Existe uma pequena rixa entre o pessoal de Relações Públicas e Jornalistas.
— Por quê?! – perguntei curioso.
— Há algumas tarefas que um Relações Públicas faz que Jornalistas também podem fazer. Que é fazer o planejamento e centralizar o relacionamento de uma empresa com os influenciadores.
— Seu irmão é jornalista?! – Kibum perguntou.
— Sim! – Minho respondeu com um sorriso no rosto.
— E ele pode mesmo fazer isso?!
— Pode?! – Minho e Kibum se encaravam e eu só observava.
— ENTÃO POR QUE DIABOS, VOCÊ NÃO PEDIU PRA ELE TER FEITO ISSO ANTES, SE TINHA ESSA ALTERNATIVA?! – se levantou bravo. — VOCÊ SÓ DEIXOU PARA AGORA PEDIR AJUDA, SENDO QUE...
— KIBUM!!!! – gritei, porque se não ele não ia me ouvir.
E ele sentou indignado, com a mão no rosto e Minho ficou sem saber o que dizer.
— Taemin, seu noivo é um idiota!!
— Yahh...
— Não comecem...
— Minho... – falei suave. — Ele vai mesmo poder fazer isso?!
Ele me encarou e sorriu:
— Vai... Eu... Não conseguia falar com você esses dias, e fiquei sem saber o que fazer. – suspirou. — Acabei ligando pra ele. Meu hyung ficou bravo comigo e mesmo não estando trabalhando agora, disse que iria me ajudar.
— Olha... Alguém é sensato.
— Kibuumm... – disse em aviso.
— Por que ele não está trabalhando?!
— Talvez esteja desempregado! – Kibum comentou.
— Meu irmão não está desempregado, muito pelo contrário, obrigado. – Kibum revirou os olhos. — Ele é muito competente. É que como ele não tirava férias a um bom tempo, pediu para que jogassem suas férias na época do nosso casamento, assim ele poderia vir tranquilo pra Coreia.
— Ele não mora aqui?! – perguntei.
— Não... Ele é correspondente internacional. Ele gosta de viajar, vive trocando de país. Talvez vocês já o tenham visto em algum jornal na TV. Normalmente ele aparece.
— Ele diz que não é, que apenas está fazendo o trabalho dele. Mas, pra mim ele é, sim! – falou com um enorme sorriso, que me fez sorrir também.
— Amor, você ama ele, não é?!
— É claro que sim. Ele que sempre cuidou de mim, me protegeu, era o que sempre me dizia que a mamãe ia melhorar quando teve câncer, mesmo estando com mais medo do que eu que algo desse errado e ela morresse. – sorriu um pouco triste agora.
— Essa história aí eu não sabia, não... – Kibum estava surpreso.
— Quando éramos crianças eu morria de medo de me separar dele... E quando a mamãe adoeceu e descobrimos que ela poderia morrer, meu medo aumentou e ele sempre tentava me acalmar dizendo que isso não iria acontecer.
— Não entendi! – olhei para Kibum, também não entendi esse medo de se separarem.
— Como assim, amor?!
— Jinki e eu somos meio irmãos!
— Ohh...
— Minha mãe foi casada primeiro com o pai dele. Eles eram amigos desde a escola, mas depois se separaram e ainda são amigos, mas com o tempo ela conheceu o meu pai, se casaram e me teve. Minha mãe é quem tinha a guarda dele a maior parte do tempo, porque o pai dele morava em outra cidade, e ficava difícil compartilhar a guarda toda semana. Então... A gente pensava, não... A gente sabia que se minha mãe morresse Jinki iria passar a morar com o pai dele. O meu não teria direito de ter a guarda dele. Não que isso significasse que não iriamos nos ver nunca mais, é que...
— Credo, gente... Está bem, eu já entendi o porquê de seu irmão ajudar e do porquê de você o amar tanto! Vamos mudar de assunto. – falou levantando me puxando pra fora da cama.
— Isso mesmo! Vamos sair para comer?! – disse estendendo a mão para ele, que não pensou antes de pegar. E me beijou.
— Só uma pergunta. Quando ele chega?!
— Hm... Ele disse que semana que vem.
— Quero conhecê-lo! – sorri e Minho mais ainda.
— Eu também! – viramos para Kibum. — Como os mais próximos do casal, podemos nos curtir um pouquinho, quem sabe.
— Aff... Kibum.
Minho começou a rir... E o encarei, e Kibum ficou sem entender o motivo da graça.
— Qual o problema, palhaço! – Kibum falou de braços cruzados.
— Você achando que pode “curtir” junto do meu irmão. Quero muito ver você conseguir. Mentira... Vocês podem até ficar, mas duvido que passe disso.
— Ah, é... E por quê?
— Você não faz o tipo dele. Seu temperamento não combina nada com o dele.
É, acho que estamos todos de volta ao normal. Confio no Minho. Se ele diz que com a ajuda do irmão, a pessoa que ele mais confia, as coisas podem melhorar, tudo bem. Vamos fazer dar certo.
~//~
Mais uma semana tinha se passado. Sext-feira, dia 8 de setembro, faltando 9 dias para o meu casamento. Essa semana consegui sair com Minho. Fomos fazer o ensaio na igreja. Fiquei tão feliz com isso. Era até difícil esconder minha alegria, não conseguia parar de sorrir. Minho experimentou toda a comida, de entrada, de saída, ouviu as músicas, viu o salão... E como ele bem disse, acabou trocando algumas coisas, como locais de mesas, iluminação do salão. Ele usava termos técnicos e a maioria do pessoal ficava impressionada com isso – também fiquei surpreso. Então era assim quando ele trabalhava –, e Minho estava tão certo do que falava que era difícil pensar em tentar argumentar. Alguns não gostaram muito de trocar o que já estava certo, mas como ele que era o Noivo, simplesmente acataram. Minho acabou até mesmo contratando o pessoal responsável pela iluminação, som e essas coisas. Os que ele tinha contratado para o evento da empresa haviam faltado muito com os compromissos e desistiram, o que estressou muito ele. Mas no mesmo dia quando ele viu o trabalho que estavam fazendo no nosso casamento, falou com o chef responsável e o contratou.
Eu ri desse momento que apertaram as mãos e Minho confirmou o salário, porque eles foram uns dos que não gostaram muito das trocas de luzes, caixas de som... Depois disso, pararam de questionar. Ficariam com o tempo curto, mas disseram que davam conta, e ficaram combinando de marcarem o dia dele ir visitar o local do evento, enquanto eu ficava ali, no meio do salão, observando tudo que estava feito. Nervoso, muito nervoso. Me sinto mais seguro, sabendo que agora ele está presente junto comigo.
Não sei como agradecer ao meu cunhado, por ter vindo só para nos ajudar. Minho, às vezes, ficava de olho no celular, caso acontecesse alguma coisa. E, de vez em quando, ligava para o irmão, que atendia dizia que estava tudo bem; mandava ele parar de ligar por estar ocupado e desligada na cara de Minho. Tudo isso em menos de dois minutos. Ele não dava chances para Minho questionar algo. Morria de vontade de rir, tinha muito o que aprender com ele. Nem conheço ainda, mas já adoro meu cunhado.
— Tae... Você quer mesmo aquelas luzes na fonte?! – perguntou com uma cara de que não tinha gostado muito da ideia. E eu mudei de assunto.
— Amor, quando vou conhecer seu irmão! Ele já está aqui há uma semana e não vi nem a sombra dele!
— Bom... Era surpresa, mas... Eu marquei para amanhã!
— Amanhã?! – fiquei surpreso.
— Sim! – sorriu. — Pode ter demorado um pouco, mas quero logo que se conheçam.
— Tudo bem! – sorri muito feliz e ele me abraçou e me beijou o rosto.
Agora me sinto mais próximo da família dele. Mesmo só indo conhecer ele amanhã, já é um passo importante para mim. Vai empatar: ele conhece Kibum, e agora vou conhecer seu precioso irmão. Logo será nossos pais.
~//~
Estava sentado em uma daquelas lindas mesas daquele restaurante que Minho tanto gosta; o que nós jantamos pela primeira vez juntos.
— Respira, Taemin... – falei para mim mesmo enquanto olhado todos em volta.
Minho foi até a outra ponta do restaurante, viu um conhecido e foi cumprimentá-lo. Eu não quis ir, estou muito nervoso para conhecer mais gente. Eu nunca o vi, não quero ter uma relação com ele como Minho e Kibum. Sem alfinetadas e discussões. quero que sejamos amigos; uma família de verdade.
— Voltei... – Minho disse sentando.
Apenas sorri e abracei seu braço esquerdo deitando minha cabeça em seu ombro. Ele estava demorando, pelo menos eu acho. Já estava agoniado de ficar sentado ali.
— Amor... Que horas você marcou com seu irmão?! – e ele apenas olhou para o relógio no pulso.
— Já, já ele deve estar chegando!
— Não estou aguentando mais ficar sentado aqui. A ansiedade está me matando! – apertei seu braço. E ele começou a rir.
— Vai andar um pouquinho! – disse me fazendo um carinho no rosto.
— Não, ele pode chegar a qualquer momento!
— Sim, e isso pode ser agora, daqui a 10, 15 minutos... Não sabemos. Vai andar. Eu fico para ele não se perder.
— Hmm... – estou pensando.
— Vai!
— Tá bom. – dei um selinho nele e me levantei.
Bem acolhedor; esse restaurante é mesmo bem acolhedor. Também gosto bastante dele desde que Minho me trouxe aqui pela primeira vez. “Só momentos felizes e importantes” esses são os momentos que ele disse que costuma vir aqui. Que bom que ele considera me apresentar para seu irmão um momento importante. Estava andando perto de um aquário enorme no meio do restaurante; andei para trás olhando mais os peixes ali dentro e sem querer esbarrei em alguém.
— Oh... Me desculpa! – imediatamente me curvei.
— Tudo bem, tudo bem. Eu que estava distraído tentando encontrar algumas pessoas. – falou sorrindo e me encarando.
Me curvei mais uma vez e voltei para perto do aquário. Não demorou alguns minutos e aquele homem estava ao meu lado.
— Woaa... Tão lindo, e enorme, não é?! – me perguntou e apenas o olhei de soslaio.
— Hm... – fui simplista, pra não ser mal educado.
— O que alguém tão bonito como você está fazendo sozinho?
— E quem te disse que estou sozinho?! – perguntei ainda olhando o aquário.
— Hm, será mesmo?! Se estiver sozinho, a gente podia se conhecer! – ele já estava bem próximo de mim. — A noite é uma criança, quem sabe... Não é mesmo? – fez uma cara safada pra mim.
— Desculpe, não estou interessado! – e simplesmente dei as costas para ele, sem olhar para trás.
Não posso ficar e andar um minuto sozinho e já levo cantada, e esse ainda foi bem direto. Melhor que eu faço é voltar para a mesa. E quando me aproximo, ele ainda está sozinho.
— Oh... Oi, como foi o passeio? – melhor nem comentar.
— Eu amei aquele aquário. – ele concordou. — Seu irmão ainda não chegou?!
— Não!
Passou cinco minutos e eu encarava um lustre muito brilhoso do meu lado esquerdo, quando Minho fez um som que me chamou a atenção, virando imediatamente para o lado oposto.
— Oh...! – falou encarando um rapaz loiro que vinha pelo lado que seria a entrada.
Mas eu sei, ele não tinha acabado de entrar; ele estava no restaurante antes. Oh, Senhor... Por quê? Minho estava surpreso e se levantou, esperando aquele se aproximar de nós. E é só o que me faltava. Levei uma cantada do meu cunhado, muito legal. Sorria e aja normal, Taemin!
Levantei-me e ele chegou dando um bonito sorriso, nem parecia que era o mais velho pelo seu tamanho. Taemin, não caçoe do seu cunhado, por favor.
— Minho!!! – chegou e o abraçou. Sorrindo até me ver ao lado. — Olá! - me estendeu a mão. E sorriu meio envergonhado pra mim. É, devia mesmo.
Então ele pôs a se sentar na minha frente; devia ter sido na do Minho. Por favor, que essa noite não seja complicada.
— O que faz aqui?! – Minho perguntou e eu virei na hora para ele surpreso com a pergunta.
— Ué, amor... – sussurrei. — Você não o convidou?!
E ele percebeu que existia uma confusão na minha cabeça.
— Não, kkkkk... Ele...
— Oh, olha lá ele. - a pessoa na minha frente falou!!
E Minho pulou da cadeira todo empolgado, e eu fiquei sem entender nada. Só olhei.
— Hyung!!!!!!!!!!!!! – disse apertando e sendo apertado por aquele homem.
Então quem é esse que está na minha frente, meu Deus? Levantei-me, sem saber como agir, e Minho se virou para mim:
— Tae... Esse é meu irmão! – Minho parece que vai explodir de alegria, ao contrário de quando esse outro cara chegou.
— Annyeonghaseyo!!!! – estendi a mão e me curvei, estava um pouco envergonhado com a minha confusão.
— Annyeonghaseyo!! – ele sorriu. MEU DEUS, QUE SORRISO É ESSE?!
E nos sentamos. Ele se sentou na frente de Minho, e eu cutuquei sua coxa e, quando olhou pra mim, eu indiquei com os olhos a pessoa a minha frente, e ele entendeu.
— Ahhh... Me desculpe! – E os outros dois olharam.
— Taemin, esse é Kim Jonghyun – disse acenando para ele. — E Lee Jinki, você já sabe! – apenas confirmei com a cabeça.
Ok, agora o que esse Kim Jonghyun estava fazendo aqui, quem me explica? Minho levantou o braço chamando o garçom, que sabia que estávamos aquele tempo todo sentado apenas esperando mais gente para comer. E trouxe os cardápios.
— Hyung, por que demorou tanto?!
— Dormi à tarde, estava cansado. E acabei perdendo o horário! Jonghyun que me acordou. – respondeu olhando para o cardápio.
— Ah... Jonghyun é melhor amigo do Jinki!! E ele também é jornalista, Taemin. Eu nem sabia que ele viria.
— É porque você deveria ter me chamado. Se não fosse, Jinki eu nem saberia disso.
— Resumindo, você veio de intruso. E por que você o trouxe Hyung?! – Jinki apenas deu de ombros.
— Achei que não fosse se importar!
— Hump... Intruso... – Jonghyun retrucou, tomando um gole o seu vinho.
— Isso era pra ser um jantar familiar. Se fosse assim, Kibum também teria vindo.
— Esse não é a pessoa que você disse que não gosta de você?! – Jinki perguntou olhando o irmão, e eu fiquei um pouco envergonhado. Ele sabe até disso. — Por que ele viria?
— É por que ele é o melhor amigo de infância do Taemin!
— Oh, me desculpe! – falou sem graça.
— Tudo bem... É que ele tem um temperamento forte... Às vezes ele pode causar esse tipo de impressão.
— Ok, então vamos pedir?! – Minho mudou de assunto.
Minho chamou o garçom e fizemos nossos pedidos de comida e bebida. A conversa até que está fluindo bem; gosto disso. Os três contavam várias histórias, de quando saíam à noite, de quando faziam festa nas casas dos amigos quando os pais não estavam... O amigo intruso até que era bem engraçado. Jinki... Tão sereno. Ele sorri bastante, mas nos momentos em que não sorria, me deixava nervoso.
Minho contou como nos conhecemos, e Jonghyun perguntou mais sobre como era a minha empresa. Acho que ele adorou. E Jinki me olhava e dava alguns sorrisos de lado. Isso me deixava um pouco confuso; não sabia se ele estava interessado em me ouvir, e não sei se é um bom sinal isso.
— Acho que daqui a pouco já podemos pedir sobremesa, não é?! – Minho falou todo empolgado.
— Daqui a pouco? Se quiser, pode pedir agora! – Jonghyun falou rindo.
Minho de repente se curvou um pouco para direita e depois virou para gente:
— Hm... Eu já volto!
— Vai aonde?! – Jonghyun perguntou e Jinki só o olhou enquanto mastigava.
— O que foi?! – perguntei.
— Nada! Vou escolher um vinho. Talvez eu encontre algum mais especial. – sorriu pra mim e se levantou. Me deixando “sozinho” na mesa.
Ahh, droga. Não sabia como puxar conversa, queria aproveitar e tentar me aproximar mais de Jinki. Mas eu não tenho ideia do que perguntar:
— Jinki, quando o Minho voltar, já vamos pedir logo uma sobremesa. Você me disse que tem umas maravilhosas aqui. Eu quero provar! – Jinki o olhou e apenas sorriu, enquanto ainda mastigava.
— Taemin!? – Jinki me chamou enquanto engolia a comida. — É sua primeira vez aqui também?! – me olhou tomando um pouco de vinho.
— Ah, não! – estava um pouco envergonhado de estar só com eles. — Minho já me trouxe aqui antes.
— Estou ofendido. Só eu que nunca vi aqui. Que espécie de amigos vocês são? – Jonghyun retrucou.
— Sério?! Quando foi?! – Jinki o ignorou, me fazendo mais pergunta.
— Na primeira vez que saímos! Ele me trouxe aqui para jantar. – Jinki olhou meio surpreso.
— Já no primeiro encontro?! – falou meio pensativo.
Talvez eu saiba no que ele está pensando. Minho me disse que só vem aqui para comemorar algo ou em momentos importantes. Questionei-me também aquele dia o por que de ele me trazer, sendo que nem nos conhecíamos, e que nem sabíamos se daria certo.
— É... Eu estranhei também, porque ele me contou sobre como é importante esse lugar para vocês, desde a primeira vez que vieram aqui. – Jinki me olhou surpreso por eu saber disso.
— Jinki!! – Jonghyun falou virando para ele. E Jinki apenas o olhou. — Quer namorar comigo?!
E Jinki engasgou com o vinho, depois desse pedido. Minho chegou na hora, e tentou socorrer o irmão.
— Hyung... O que foi?! – perguntou preocupado.
Eu estava surpreso, e Minho me encarou tentando ter uma resposta. Jinki apenas tomou um pouco de água, e Minho se sentou o observando ainda preocupado.
— Jinki... Deixa de ser besta! – Jonghyun falou rindo e dando tapinha nas costas dele.
— O que aconteceu, afinal de contas?! – Minho nos olhou sério.
— Nada demais... Eu só pedi o Jinki em namoro! – falou com a cara mais lavada do mundo.
— Isso é “nada demais” pra você?! – Jinki perguntou olhando pra ele, sem acreditar no que tinha ouvido.
E Minho começou a rir, muito.
— Ah, Hyung... Eu não fico surpreso com isso! Alguém te pedir em namoro. – continuou rindo da atitude do irmão.
— Para de falar besteira, Minho! – Jinki falou meio bravo.
— Taemin estava contando que você o trouxe aqui no primeiro encontro de vocês. E eu questionei que vocês nunca me trouxeram, então eu pedi Jinki em namoro. Quem sabe assim eu venho mais vezes. – Jonghyun falou com uma cara brincalhona.
Eu comecei a rir, esse foi então o motivo do pedido. E Jinki apenas suspirou e mudou de assunto. Mas Jonghyun voltou:
— Não vai querer mesmo?!
— Não, com você não. Você não dá conta de ficar com apenas um!
— Ai!! – Minho sentiu, e deu leves tapinhas na mão de Jonghyun de consolo.
As conversas ficaram ainda mais animadas, Jinki já dirigia a palavra mais vezes para mim, e isso me deixou feliz. Acho que entendi porque Minho ama tanto ele. Ele tem mesmo uma boa personalidade; é agradável de estar junto dele. Enquanto comíamos a sobremesa, Minho ficou um tempo calado. Jonghyun era o que mais falava naquele momento de como tinha adorado o restaurante, e acabei que entrei na conversa dele. Estava me divertindo muito.
— Hyung... – Minho começou. E eu e Jonghyun paramos de falar. Jinki o olhou dando mais uma colherada em sua sobremesa. — Obrigado!
— Hum...?! – ergueu as sobrancelhas.
— Por ter vindo! Digo... Uma semana antes do previsto, e me ajudado com o que pode no meu trabalho.
Eu concordei com a cabeça. Ele ter vindo ajudar foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Estou muito grato.
— Minho... Você é meu irmão, e sabe que faço qualquer coisa por você. Sempre atendo o que me pede, e vice-versa.
— Eu sei... Por isso... Eu... Essa será a última semana para o nosso casamento. E ainda há assuntos importantes que eu não resolvi. – Jinki o olhava atento. Eu estava apenas ouvindo e comendo; eu já sabia que faltava mesmo. — E ainda ia precisar...
— Tudo bem, Minho. – sorriu gentilmente. — Eu ainda posso ajudar com o seu evento...
— Não... Não com meu evento. Eu preciso assumir novamente a organização. O assunto agora envolve dinheiro dos fornecedores e eu não tenho autorização para deixar uma outra pessoa tomar conta. Por mais que eu conheça você.
Jonghyun e Jinki ficavam encarando Minho e eu comia ainda tentando entender aonde ele estava querendo chegar.
— Eu queria que você acompanhasse Taemin no meu lugar para resolver as pendencias do nosso casamento. Eu não vou poder!
Deixei a colher da minha mão cair no prato – fazendo barulho - e parei de mastigar. Sem levantar a cabeça, imaginei que os três olhavam para mim. Eu não podia acreditar que Minho iria trocar de novo nosso casamento pelo trabalho. Como fingir não estar furioso nesse momento? Peguei um guardanapo e cuspi o que tinha na boca; não consegui engolir.
— Se me derem licença... – me levantei limpando a boca, jogando o guardanapo na mesa. Saí em passos pesados pelo meu lado esquerdo até o banheiro.
— Taemin?! – Minho me chamou.
— Vish... – Jonghyun soltou.
— Minho, como assim você quer que eu faça o papel do noivo?!
— Meu chefe me ligou e disse que a parte financeira eu teria que resolver. Não tem como adiar, e também não tem como eu adiar meu casamento...
— Minho, isso eu não sei se posso fazer!
— Por favor, Hyung!!!
— Você acha que o Taemin vai aceitar isso?!
— Eu falo com ele... Jonghyun, se o vir passar aqui por trás me avisa. Não quero que ele vá embora.
— Está bem, você é muito engraçado, Minho!
— Minho... Isso já é um pouco demais...
— Eu sei que não devia pedir isso, mas... Eu te imploro. Taemin, fez tudo sozinho, e ele estava feliz com o pouco de participação que eu fiz. Não quero ele triste de novo... Eu só posso pedir para você isso. O melhor amigo dele, não pode; tem que cuidar da empresa deles. Por favor, por favor, por favor... Estou implorando, Hyung!
— Ohh... Céus... A vontade que eu estou de te bater, Minho. Às vezes sou tão idiota... Tá! Eu acompanho, agora quero ver ele aceitar.
— Você já aceitou... É o que importa. Agora eu vou falar com ele, já volto.
...
— Ihh... Lá vai ele. Você vai mesmo fazer isso, Jinki?!
— Jonghyun, você quer que eu faça o que? Meu irmão, caramba, como é que eu vou negar?
— Vai ter barraco lá dentro, a gente podia ir ver!
— Jong, deixa de ser ridículo.
— Ah, eu pelo menos ia gostar de acompanha-lo... Ele é bonito. Minho tem sorte. Pena que ele já é comprometido. Se minha investida tivesse funcionado...
— Que investida?!
— Quando eu entrei procurando o Minho enquanto você estacionava, eu vi o Taemin no meio do restaurante olhando o aquário. Aí acabei dando em cima dele.
— Ahh, Jonghyun, pelo amor dos Deuses... É só o que me faltava.
— Você tinha que ver a cara dele quando me viu chegando na mesa. Acho que ele pensou que eu fosse você. Kkkkkkkkkkkkk. Seria ótimo, “meu cunhado deu em cima de mim, o que eu faço”.
— Idiota... Agora cala essa boca!!
~//~
Meu Deus, por que é tão difícil controlar a raiva e as lágrimas. Não adianta passar a mão, elas continuam caindo. Estava encostado na pia, tentando ajeitar meu rosto.
— Taemin!
— Sai daqui, Minho! – o expulsei em tom frio.
— Por favor... Faz esse sacrifício!
— Por que só eu tenho que me sacrificar, Minho?!? – o olhei com o rosto todo molhado, ele tentou enxugar, mas eu não deixei.
— Enquanto fui buscar o vinho, o chef me ligou. Ele já tinha mandado uma mensagem antes. Eu não sei o que poderia fazer.
— Poderia fazer com que o nosso casamento fosse mais importante! – disse passando a mão no rosto.
— Mas ele é importante. Mas tiveram empecilhos que não posso controlar.
Estava chorando um pouco, nada muito exagerado. O que eu faço?
— Seu irmão veio para ajudar, sendo que ele é um convidado... E agora está tendo que ver isso. Um desentendimento entre a gente. E como ele poderia aceitar um pedido desses?!
— Ele aceitou... Eu acabei de conversar com ele. Eu sei que não devia pedir, e nem precisaria aceitar, mas ele faz por mim.
— Ele deve achar que sou uma criança...
— Jinki não é de pensar assim. Ele sabe como as coisas acontecem sem aviso prévio. Eu o pedi porque não quero você fazendo mais nada sozinho, e eu só pediria isso a ele. Por favor, Taemin... Aceita.
~//~
Voltamos à mesa e os dois ficaram nos encarando quando sentamos. Jinki parecia sem graça de perguntar algo, e Jonghyun só observava.
— Não precisam fazer essas caras! – falei, passando a mão no rosto para ter certeza de que não estaria úmida.
— Nos acertamos, e Taemin aceitou, Hyung!! – Jinki o olhou com expressão de surpresa e alivio ao mesmo tempo.
— Prometo não te incomodar, Taemin. Só vou ajudar no que precisar! – disse me olhando nos olhos e sorri.
— Bom, então vocês vão se encontrar segunda!! – Minho continuou.
Apenas assentimos. Falta só uma semana, e essa loucura vai acabar. Jinki vai me ajudar. Talvez seja uma boa oportunidade para me aproximar do meu cunhado.
~//~
Onze de setembro. Estava na empresa ajudado Kibum, e claro que aproveitei para contar tudo para ele, o que o deixou muito furioso. É... Eu sei bem o que é esse sentimento. Estava esperando também Jinki. Minho sugeriu que nos encontrássemos na RENOVE, já que eu precisaria vir para cá antes.
— Taemin-si?! - Sulli bateu na porta.
— Pode entrar! – Kibum é quem respondeu, eu estava no telefone.
Kibum foi até a porta, mas Sulli já havia entrado com dois rapazes atrás dela.
— Esses dois senhores estão procurando o Taemin-si!
— Sobre o quê?!
— Casamento! – alguém respondeu e me virei para a porta.
Kibum revirou os olhos:
— E desde quando vocês resolvem alguma coisa vindo pessoalmente?! O Taemin iria até vocês e analisaria o problema. Se tiverem algo de errado, vocês, de preferência, liguem primeiro.
— Ah... Não, não... – falei acenando também com a mão, para Kibum. — Não! Não é com o senhor. – ainda estava no telefone.
— Eu, posso me retirar?! – perguntou Sulli, e Kibum confirmou com a cabeça.
— Vocês podem ir também! – Kibum começou a expulsá-los, e eles ficaram surpresos.
Eu apenas peguei uma almofada que estava nas minhas costas e joguei em Kibum. Acabei acertando a cabeça dele e os dois riram. Não era para expulsar nenhum dos dois. Desliguei.
— Lee Taemin, se me jogar de novo alguma coisa, eu faço você engolir! – Kibum me ameaçou.
— Eu joguei porque não era para mandar nenhum dos dois embora! – me aproximei deles. — Esse é o irmão do Minho, Kibum!
— Ahhh... Olha só... – disse analisando-o de cima a baixo.
— O de trás Kibum. – falei revirando os olhos.
Kibum me olhou e depois inclinou a cabeça para o lado e repetiu o que fez antes.
— Hmm... É... – falou afirmando com a cabeça e os dois não entenderam o que ele quis dizer com essa fala simplória, mas deixaram para lá.
— Me desculpem por ele, a gente está meio atarefado aqui! – comecei.
— Meio?? – lancei um olhar mortal para ele.
— Tudo bem, Taemin. Mas... Ainda vamos sair para ver o que precisa? – Jinki me perguntou um pouco desconfiado, por me ver já bem atarefado.
— Sim! Vamos. Deixa eu só assinar esses papeis aqui correndo.
— Hm... – confirmou.
— Taemin?! Eu posso olhar sua empresa depois?! Gostei muito do que disse que fazia, e estava pensando em escrever algo sobre!! – Jonghyun perguntou.
— Sério?! – perguntei surpreso. — Bom... Obrigado pelo interesse, mas eu não vou poder acompanhar você, e, talvez, nem Kibum. Que, aliás, eu nem apresentei a vocês, me desculpem!
— Tudo bem, Taemin, nós entendemos. Prazer, Kibum – Jinki o cumprimentou.
— Você não sabe mais nem o que está fazendo, Taemin?! – Kibum se pronunciou. — Isso me deixa com medo. Confere o que você estiver assinando.
Olhei para os papeis, e eram contratos já cancelados, que me esqueci de marcar para saber disso. O cliente era o mesmo, mais o contrato era outro, e novo. Passei as mãos no rosto, e Kibum e os outros perceberam que fiz besteira.
— Deixa isso aí, Taemin, eu corrijo! – Kibum disse se aproximando.
— Não, deixa, é rápido!
— Agora sei, porque Minho me pediu para ajudar! – Jinki comentou, nos observando.
— Só vai, Taemin! Vão logo... – disse me empurrando em direção de Jinki. — Por favor, leva... Resolvam alguma coisa que não o estressem tanto. – e Jinki riu.
Até pensei em retrucar, mas ele pegou um porta-retratos me ameaçando.
— Kibum!!!!! Para de pegar meus portarretratos, esse também era do meu vô. – falei tentando tirar da mão dele.
— Opss... Está vendo, agora é vocês que estão me confundindo. Vão embora. E você – se direcionou a Jonghyun – Procura a Sulli, a menina que trouxe vocês aqui, e fala que pedi pra ela te mostrar tudo. E depois você volta e conversamos.
Ele sorriu e concordou:
— Gostei dessa ideia! – falou encarando Kibum maliciosamente.
— Sem chances, querido! Não sou para o seu bico. – respondeu se virando para sua mesa.
— Kibum?!!? – falei entre dentes, e Jinki começou a rir.
Suspirei e saímos do escritório. Eu mesmo vi a Sulli e pedi que acompanhasse Jonghyun em uma visita, e então sai da empresa com Jinki.
...
— Aonde vamos?! – Jinki perguntou.
— Odaesan!
— Você quer ir na montanha?! Por quê?! – me olhou surpreso.
— É onde quero passar nossa lua de mel, já que não terá como viajarmos para muito longe.
— Ohhhh... Vai alugar um quarto. – Jinki me pareceu meio envergonhado.
— Desculpe, Minho não fez isso antes. E semana passada não deu tempo de ele ir comigo. – disse sem graça. — Talvez seja meio estranho eu alugar um quarto de casal com você do lado.
— Não, tudo bem! – riu ainda sem graça.
Comecei a andar para um lado, e ele me chamou atenção.
— Aonde você vai, Taemin?!
— Para o carro!
— Podemos ir no meu! Ele está bem aqui, oh... – destravou o carro, para me mostrar.
— Não, Jinki, é melhor irmos no meu! São três horas de viagem...
— Não tem problema, Taemin! Se o problema for eu gastar minha gasolina, eu cobro do Minho depois! – afirmou com a cabeça, sério.
Eu comecei a rir, ele parecia bem certo de que realmente faria isso.
— Vamos, vamos... – disse abrindo a porta do carro do passageiro para mim. — Por favor, entra.
Não queria fazer ele usar o próprio carro para me acompanhar aos lugares, mas o meu estava mais longe e...
— Tudo bem! – entrei no carro.
~//~
Durante a viagem, que estava bem silenciosa, Jinki resolveu puxar conversa comigo. Minha cabeça estava longe, e não conseguia interagir como eu queria com ele. Fico pensando se estamos fazendo mesmo o certo com esse casamento; sinto que estou apenas me prendendo.
— Taemiinn... – falou balançando o braço na frente do meu rosto.
— Ah, o quê!? – ele ficou olhando para mim e a estrada.
— Está tudo bem?
Apenas sorri e me desmanchei levemente no banco, pensando no que responder, mas é obvio que eu demorar a pensar fê-lo deduzir que não:
— Você ficou bem chateado, não é?!
— É, eu não esperava que ele fizesse isso, faltando tão pouco... – virei para a minha janela olhando as árvores passarem rapidamente.
— Desde sempre ele foi... Assim. Ele costuma abraçar tudo que aparece na frente dele. – riu. Mas eu não apenas virei para ele. E ele limpou a garganta.
— Eu sei bem disso! Percebi desde que nossos encontros se tornaram frequentes.
— Eu... Sei que só nos conhecemos há três dias, mas... Sei que você tem todos os motivos para estar assim. E não importa se eu brigar e apontar os erros do Minho, ele é meu irmão, e eu tenho ao máximo que incentivá-lo e ajudar a superar obstáculos.
— Não precisa tentar se explicar, Jinki. Eu entendo a relação de vocês, apesar de ser filho único. – suspirei. E o olhei. — Espero que possamos, pelo menos, nos conhecer melhor nessa semana. – e ele concordou.
— Claro que sim. Vamos ser uma família a partir de domingo. E você, a partir de agora mesmo, não precisa esperar até lá para contar comigo para o que precisar, Taemin. Eu também irei te ajudar, não se preocupe. Passaremos a estar juntos. – olhou para mim e depois para a estrada, se focando agora só nela.
Fiquei o olhando por um bom tempo. Estava um calor agradável dentro do carro dele e, junto de suas palavras, isso aqueceu meu coração, e apenas o agradeci mentalmente por se importar e me entender. Olhei novamente para a estrada; meu coração me diz que tenho mais um em que confiar.
...
E depois de três horas, conversando sobre diversos assuntos sérios, aleatórios, e ouvindo música, chegamos. Essa demora não foi insuportável. Valeu a pena a paisagem e chegar nesse lugar maravilhoso, ainda mais em época de outono – minha estação preferida. Não tem nem o que explicar; as árvores ficam lindas em tons de vermelho e amarelo. Estou fascinado.
— Vamos até lá?! – perguntou Jinki apontando para o hotel.
— Sim! – assenti feliz o acompanhando.
Quando entramos no hotel, observamos tudo. Jinki comentou que aquele lugar era mesmo uma boa escolha, ainda mais nessa época, e com tanta trilha para se fazer.
— Boa Tarde! Em que posso ajudá-los?!
— Boa Tarde, eu gostaria de saber da disponibilidade de quartos por mais de uma semana. De preferência para as duas últimas semanas desse mês.
— Hmm... Reservar quarto... Bom, eu ainda sou novo trabalhando aqui. Como a demanda de cliente está bem alta para passar somente um dia, não sei lhe informar. Acho que terão que esperar meu supervisor chegar. Ele precisou dar uma saída.
— Ahh... – fiquei um pouco preocupado de não conseguir a reserva, e agora.
— Que horas ele chega? Você poderia nos informar?! – Jinki perguntou.
— Sinceramente, não sei um horário certo! Mas ele vem ainda hoje.
— Hm... Então, poderia pelo menos nos mostrar o local?! – Jinki sabia tão bem conversar com as pessoas.
— Claro... – o atendente sorriu, e foi chamar alguém.
...
Olhamos tudo, fomos ao restaurante do hotel, visitamos os quartos, salas de massagens, saunas, salão de jogos... Tem de tudo no hotel. O moço disse que estão se preparando para as olímpiadas de inverno de 2018. Perfeito, tudo perfeito. Com certeza irá fazer sucesso com os turistas. Fiquei tão empolgado. Estávamos na sacada de um quarto e fiquei olhando a paisagem. A pessoa que estamos esperando ainda não chegou. E isso me deixa agoniado. E se eu não conseguir ficar aqui?
— Taemin, quer dar uma volta?! – Jinki me encarou perguntando.
— Querer eu quero, mas... E se o gerente chegar?!
— Melhor ainda. Quando voltarmos, já poderemos resolver isso e alugar o quarto. – falou simplista.
Jinki é tão tranquilo. No momento que me preocupei em não conseguir, ele amenizou as coisas, me fazendo dar uma olhada em tudo, só aumentando minha expectativa, e faz parecer agora que com certeza vou conseguir meu quarto. Ele me traz confiança. Comecei a sorrir, e não consegui parar.
— Então... Vamos?! – ergueu uma sobrancelha me chamando.
— Hmm!!! – afirmei.
~//~
Estamos no meio de uma trilha, com folhas caindo o tempo todo em nossas cabeças. Fico pensando se ele se arrependeu de ter me chamado para sair e caminhar. Tadinho, o fiz andar por todos os cantos. Acho que ele está se fazendo de durão, não reclamou nenhuma vez.
Deus... Como é bom estar nesse lugar. Tem um vento gostoso soprando e... Agora que percebi que Jinki estava com um casaco de frio enorme, enquanto eu estava só com uma blusa branca de mangas compridas.
— Jinki, você não está com calor ai dentro? – apontei para a blusa.
— Um pouco! – então comecei a rir.
— Então por que não tira?! – ele olhou para a própria blusa,
— Tenho preguiça de ficar carregando! Ter que tirar e que colocar de novo.
— Mas hoje nem está tão frio assim!
— É porque você não saiu hoje de madrugada para ajudar Jonghyun com uma matéria que estava fazendo. É isso que dá você ser o melhor amigo de alguém.
Comecei a rir:
— É... Eu sei bem como é isso. – respirei fundo o ar fresco. — Seu trabalho parece ser divertido! – afirmei olhando o chão enquanto caminhava.
— Sim, eu amo. Amo viajar, conhecer outros lugares e fazer, pelo menos, um amigo, pelo tempo que passo no local. É a minha forma de guardar uma recordação. – sorriu.
— Você não pensa em voltar para a Coreia?!
— Hm... – pensou por alguns segundos. — Para morar... Não! Gosto de fazer minhas matérias livremente com todo tipo de pessoas possíveis e em todos os lugares possíveis.
— Não sente saudade de estar mais perto dos seus amigos e família? Sempre que Minho fala de você, parece uma mistura de felicidade e saudade. – o olhei.
— Eu também sinto saudades dele. Da minha mãe, do meu pai, do meu padrasto, do Jonghyun... É tanta gente que, só nesses momentos de questionamento, é que percebemos esse sentimento. – abaixou a cabeça, e depois olhou para as copas que se desfaziam. Parecia estar refletindo sobre esse assunto.
— Entendi! – e apenas continuamos caminhando calmamente, um ao lado do outro.
Era tão agradável ficar com ele – o olhei –, me deixa feliz, não sei explicar porquê. Parei um pouco – para observá-lo mais – e também porque a gente já tinha andado muito e nem prestei atenção nesse último caminho que fizemos. Ele parou e olhou para trás:
— Já cansou, Taemin?! – riu de mim.
— Você não?! – disfarcei um pouquinho para não demonstrar que o encarava também. — Não se esqueça de que ainda vamos ter que voltar! – falei sentando em um tronco que formava mais ou menos uma cerca.
— Não estou me importando. Com tanto que comamos alguma coisa quando chegarmos, tudo bem!
— Tudo bem! Eu pago a comida.
— Não é você que vai pagar... – falou mexendo no celular.
— Eu não tenho problema em pagar. É uma forma de lhe agradecer pelo que está fazendo e... – ele mexendo no celular está me deixando curioso. — O que está procurando?!
Ele olhou para mim com uma carinha divertida:
— Estou pedindo comida para gente!! – continuou rindo.
— Humm... Você está pedindo comida cara, por isso está rindo, não é?! Por favor, não faça isso, ainda não sou rico. – rimos.
— Estou pedindo para que o Minho pague. Vou pedir para entregar na casa dele, assim ele será obrigado a pagar. Olha... Até vou ser bonzinho e colocar o meu próprio nome de quem fez o pedido. – me olhou se divertindo com o que está fazendo. — Quando voltarmos, comeremos muito... hehe – Jinki está parecendo uma criança, aprontando e botando a culpa no irmão.
Nós dois rimos, e nessa eu acabei inventando de levantar as pernas, colocando mais do meu peso no tronco, que se soltou, e eu fui para trás.
— OHHHHH....
— Taemin! – Jinki assustou também e tentou me segurar pela mão, mas eu já estava descendo pelo meio do mato, e ele nem conseguiu se segurar em nada também. Estava escorregando junto comigo por causa da inclinação do morro misturado às folhas e terra úmida.
Caí dando algumas cambalhotas em cima de algumas mudas, o que machucou um pouco, e Jinki veio me ajudar. Ele estava todo sujo, e eu de branco pode até se imaginar minha situação.
— Você está bem, Taemin?! – perguntou meio aflito. E eu nem o respondi.
Comecei a encarar tudo à nossa volta e o morro por onde descemos. Ah, não acredito. Jinki até tentou ver se conseguia subir de novo, mas ele escorregava. E então virou para mim, preocupado. Mas eu acabei me adiantando:
— Me desculpa, Jinki, me desculpa, eu não reparei que o tronco estava solto... – eu fiquei angustiado.
— Calma, Taemin! – tentou me acalmar, mas sua cara não era nada de calmo. — Vamos ter que tentar achar outra estrada.
— Você quer sair daqui?!? – perguntei assustado. — Se gritarmos será mais fácil, Jinki. Alguém pode nos ouvir.
— Vai ser meio difícil isso acontecer. Olha a altura disso, Taemin! – apontou para a parede.
A única coisa que consegui fazer foi agachar e tentar pensar.
— E para que lado a gente vai?! – tentei argumentar.
— Vamos fazer um pouco o percurso da trilha, e depois analisamos a situação. – deu de ombros. — Fica mais perto de mim. E cuidado para não escorregar. – falou me esperando levantar e chegar perto dele para começar a andar.
Apenas concordei e o segui. Não poderíamos ficar ali para sempre, não é mesmo?! Não consigo pensar em uma solução melhor. Eu vou pensar em algo... Eu preciso.
...
Seguir a estrada acabou não funcionando por muito tempo, em um momento ela acabou seguindo um percurso que não nos permitia fazer o mesmo. Jinki, conversando comigo achou que devêssemos andar por dentro da mata. Claro que não gostei muito da ideia, porque não acho confiável. A gente pode estar dificultando alguém de nos encontrar, mas ele tem bons argumentos, e me convence bem rápido.
— Aii... – um galho bateu na minha perna.
— O que foi?! – parou virando para mim.
— Só um galho... Nada de mais!
Jinki parou um pouco e bufou, ele agachou um pouco e agora eu sei que estava cansado. Eu ia até ele, para tentar, de alguma forma, consolá-lo, mas... Eu não vi uma raiz de árvore que saía do chão e estava coberta por folhas, e tropecei. Caí primeiro de joelho e depois fui com o tronco para frente. Iria direto ao chão, se Jinki não estivesse convenientemente mais perto, “impedindo” isso de acontecer. Acabei tentando me apoiar nele e o derrubei.
— Hmm... – Jinki resmungou um pouco de dor.
— Jin... Ki... – comecei a verifica-lo.
— Precisamos verificar mais essas pedras... – disse ainda com uma carinha de dor.
— Sinto muito, eu não vi aquela raiz... – o ajudei a levantar, e machucá-lo mais uma vez só me deixa mais chateado.
— É normal... Já estamos andando a mais de três horas. É o cansaço. Acho que não estamos mais conseguindo por força nas pernas.
— É... – abaixei a cabeça.
— Não fique assim... Por favor, se recomponha. Precisamos, mesmo cansados, continuar. Já está escurecendo e isso não é bom.
O olhei assustado. Nem percebi, e nem lembrei desse detalhe do escuro. Não quero ficar no escuro no meio da mata, então acelerei o passo.
— Taemin, não precisa andar correndo também...
Apenas balancei a cabeça negativamente.
— Taemin, levanta a cabeça... Olhe onde anda!
Sai atropelando as plantas, arbustos... Mas não foram elas exatamente que eu incomodei. Acabaram aparecendo uns abelhões que estavam dentro de umas flores, e começaram a voar perto de mim.
— Para com isso, Taemin... Você está querendo ser ferroado! – Jinki tentava falar, mas eu não ouvia.
— Tira elas de perto de mim, Hyung.... Por favor... – eu me mexia tentando espanta-las, mas não adiantava.
Quando começaram a chegar perto do meu rosto, o cobri com os dois braços e sai correndo. Sem nem ver aonde está indo. E só gritei para Jinki tentar me ajudar.
— TAEMIN... ESPERA!!!!
Eu só as queria bem longe de mim, e só fui aleatoriamente, sem ver praticamente nada, até pisar em falso e cair.
— Diz que elas já foram?!?! – já estava quase chorando.
— Você não devia fazer isso... Sair correndo com o rosto coberto. É perigoso, Taemin. – falou ofegante e sério comigo.
— Não importa. Elas já sumiram?! – falei ainda deitado cobrindo o rosto e com dor da queda.
— Ohh, céus... – ele disse suspirando, enquanto me erguia pelo tronco. — Não precisava disso, Taemin. Você está todo ralado. Oh, o buraco na sua calça.
Eu estava com os olhos brilhantes, com lágrimas e então ele começou a passar a mão na minha cabeça, como forma de consolo. Era isso que eu queria ter feito antes, e era eu que deveria fazer isso. Ele deve estar até mais chateado do que eu, e continua sorrindo para mim.
— Jinki...?! – o chamei, mas ele acabou prestando atenção em outra coisa.
Ouvimos um barulho e algo batendo com força na parede e de água.
— O que foi isso? – ele perguntou. E apenas começou a me puxar para andar.
Não precisamos andar muito. Chegamos a uma área aberta de rochas e um rio passando ao lado. E também havia uma pequena caverna.
— Ohhhhh... – Jinki ajoelhou e “abraçou” o chão. — Vamos parar, Taemin!
— Parar? Como assim parar? Não podemos parar Jinki... – comecei a ficar nervoso.
— Taemin... – se sentou. — Não vamos chegar a lugar nenhum mais, por hora. Podemos ficar aqui um pouco e descansar. Se continuarmos, vamos acabar mais perdidos, porque não vamos enxergar nada, e nem a luz do celular vai nos ajudar por tanto tempo.
Estava tudo meio cinza já, mas ainda sim... Pense positivo Taemin, melhor uma caverna, do que o mato cheio de bicho.
— Tudo bem! – concordei rapidamente.
E a única coisa que pude fazer em seguida era me deitar no chão, esperar escurecer de vez e... Rezar.
...
Por incrível que pareça, não estava tão escuro. Apesar de o céu estar cheio de nuvens, a lua ainda conseguia iluminar bem. E estávamos deitados na rocha um ao lado do outro. Apesar de estar com sono, ainda não conseguia dormir; apenas pensava no que aconteceu hoje, e em como me desculpar com Jinki e com Minho. Será que Minho ficaria muito chateado? Eu poderia ter matado o irmão dele, é claro que ficaria. Jinki é uma das pessoas mais importantes da vida dele.
— Tudo bem, Taemin!
— Sim... – assenti esgotado.
Não estava bem, estava muito cansado, mas não queria que ele pensasse que sou um fraco... E do nada um trovão. Levantei na hora, e Jinki me olhou, vendo minha cara de assustado e começou a rir um pouco.
— Desculpe, Taemin, sua reação foi engraçada! – e continuou rindo.
— Estava distraído, por isso devo ter me assustado mais! – olhei-o e depois virei voltando a encarar o nada.
— Distraído com o que, exatamente...? Eu disse que vamos sair daqui, não fique assim! – se sentou também.
— Por... Em como me desculpar com vocês. – falei fechando os olhos e apoiando a cabeça nos joelhos.
— Um eu imagino que seja eu, porque você já está fazendo isso desde que caímos. E o outro?!
— Minho! – e ele ficou surpreso.
— Por que o Minho?! Ele nem está aqui!
— Eu quase matei o irmão dele. Ele te ama tanto, nem sei o que ele iria fazer se acontecesse algo.
— Não quero ouvir isso. Para de exagero. Foi um acidente, e se acontecesse algo mais grave... – suspirou. — Ele não iria poder fazer nada.
— Mas eu estou! – me olhou. — Se acontecesse e eu não conseguisse fazer algo, ele não perdoaria.
— Ele não iria fazer isso com você. Ele também te ama.
— Você não pode comparar um amor que já nasceu com você e existe há anos com um que você... Só tem há praticamente três anos. – o retruquei sério.
— Tem amor que acontece de uma hora para outra, Taemin, que equivale ao de uma vida. Tem gente que passa anos com uma pessoa e não sente um pingo de amor; nenhum sentimento. E já em outros casos, que do nada você acha alguém e não sabe viver longe e sem ela.
Nem o respondi, apenas suspirei. Se dissesse que não acredito nisso, o que ele passaria a pensar de mim? Ainda com a cabeça sobre os joelhos, comecei a cochilar, mas veio outro trovão, agora acompanhado da chuva repentina.
— Vem, Taemin. – me puxou para que eu levantasse rápido e fomos para a caverna.
— Nossa, a chuva veio tão forte e de repente que já poderíamos ter ficado ensopados. – riu. — Você estava quase dormindo sentado, não é? E mais uma vez se assustou. – riu ainda mais.
Estava tão cansado que não consegui responder, apenas me sentei e encostei a cabeça na parede da caverna fechando os olhos. Enquanto fechava, vi que ele fazia o mesmo do outro lado... E então apaguei.
...
Quase duas da manhã e ainda chovia. Mais forte de que quando começou. Ventava muito também; a temperatura parecia que tinha caído bastante. Estava escuro; só havia iluminação quando os raios brilhavam no céu... E, Senhor... Muito, muito frio. E, para “ajudar”, o barulho de trovão e de folhas balançando com a ventania, me deixava angustiado. Jinki ainda estava dormindo, eu até tinha conseguido, mas... Não estou bem; tremia demais, e não conseguia parar, meu corpo estava descontrolado tentando se aquecer.
— Grrr... – gemia de dor do frio.
Com certeza a temperatura estava em valor negativo; meus dentes bateriam se eu abrisse a boca. Não conseguia me esquentar. Estava morto de sono, mas o frio não me deixava dormir; meu corpo não para de tremer.
— Arhh... – resmunguei mais uma vez e deitei no chão.
— Taemin... – ouvi um resmungo de Jinki.
— Aish! – estava irritado por não conseguir parar.
— Taemin?! – Jinki veio até mim, e me tocou, e nem consegui responder. Só tremia. — Me responde.
Ele tentou me levantar, mas eu acabava agachando, ele estava me segurando para não deitar no chão de novo.
— Taemin, você está roxo, olha suas mãos, até seus lábios. – Jinki estava extremamente preocupado. — Mas também... Você com essa roupa. Eu com a minha estou com frio, imagina você.
Ele começou a pensar e tomou alguma decisão. Me segurando, me ajudou a ir até o final da caverna.
— Você vai morrer de hipotermia assim. Está gelado demais. E tremendo desse jeito, só me deixa aflito. Vou te dar essa blusa.
Ele me soltou um pouco e apoiei na parece e depois tentei segurar nele, para impedi-lo.
— Nã... Nã... – balancei a cabeça, não conseguia nem falar direito, o queixo tremia.
— Para com isso, Taemin. Eu estou com outra por baixo. – eu não deixei.
Ele bufou irritado comigo.
— Você está querendo morrer, é?!? – ele ia tirar a blusa mais uma vez.
— Jin... Ki, Nã... Nã...o.
Eu não vou aceitar a roupa dele. É horrível a sensação que estou sentindo. Não vou deixar ele passe por isso. Jinki parou, e me observou encostar-se à parede, e descer para me sentar, sem parar um minuto de me tremer.
Ele veio até mim, decidido, me levantou abraçando minha costela, e me encostou-se à parede. Abriu a blusa. Quando fui questionar, ele me puxou e me abraçou, fechando o zíper da blusa que era bem grande e, por incrível que pareça, me coube junto. Meu coração acelerou loucamente na hora. Não esperava por essa. Ele me levou até uma pedra grande que tinha dentro da caverna e agachou me fazendo acompanhar.
— Nossa, Taemin, você está tremendo demais. – ele me olhou e meu rosto esquentou de vergonha, mas eu não conseguia dizer nada.
Ele começou a passar as mãos nas minhas costas e pescoço, tentando me aquecer. Achou que não estava adiantando e acabou me abraçando, para me esfregar com mais força. Até que estava funcionando; começou a esquentar um pouco. Então ele fez uma cara de que se lembrou de algo e tirou do bolso do casaco um gorro vermelho, e colocou na minha cabeça. Quando o colocou, passou as mãos pelo meu rosto e pescoço, esfregando com a manga do casaco. E eu não conseguia de jeito nenhum desviar meus olhos dele.
Estava tão... Pertinho do meu rosto, e meu coração não parava de bater acelerado. Minha visão estava meio embaçada de tanto o encarar. Quando tentei levantar a mão para tocar o gorro, ele me impediu. Então puxou o capuz do casaco e colocou na própria cabeça, puxando as cordinhas para apertar um pouco. Acho que ele pensou que eu fosse tirar o gorro. Continuou esfregando os braços em mim, e eu, finalmente desviando meus olhos dele, encolhi os meus braços no peito dele, e não reclamei. A pedra em que ele estava encostado era um pouco inclinada como um daqueles encostos triangular ortopédico. Ele se endireitou na pedra deitando para trás, o que me fez fazer o mesmo, mas sobre o peito dele. Minhas pernas estavam de lado, e eu fiquei em uma posição como se ele estivesse me ninando.
Era algo estranho ele fazendo isso, mas, mesmo assim, eu estava gostando. Muito. Poderia ficar daquele jeito para sempre – eu não sei porque estou pensando nisso –, e acabou que escondi meu rosto em seu peito, quase dentro da blusa. Já não tremia tanto, e, enquanto ele continuava tentando me aquecer, eu dormi, com o coração a mil.
~//~
— Taemin! – ouvi sussurrarem meu nome.
E tinha um pequeno carinho sendo feito nas minhas costas. Estava tão gostoso o quentinho em que eu estava.
— Taemin! – de novo o sussurro.
Eu só queria dormir, mas senti agora uma mão na minha nuca apertando-a carinhosamente. Então comecei a me espreguiçar naquele peito, esfregando meu rosto e passando a mão delicadamente, até passei a unha agarrando a blusa. Escutei o outro coração aumentar um pouco de ritmo, e o peito parar de se mover com a respiração.
— Tae... Taemin, - colocou a mão na minha cabeça.
Levantei o rosto, não me afastando muito da área quente em que estava, e acabei passando meu nariz em sua boca, e quase que a minha encosta também. Quando consegui acostumar meus olhos e focar no rosto praticamente grudado no meu, assustei.
— Jinki! – falei exaltado de surpresa.
E fui para trás tentando me afastar, mas ele veio junto. Tinha me esquecido que ainda estava dentro do casaco dele. Como fui para trás, acabei deitando sobre suas pernas com Jinki também inclinado sobre mim.
Me encarou por alguns minutos, e eu não conseguia olhar em seus olhos. Ficava desviando; meu rosto está quente e é certeza que estou vermelho.
— Jin... Ki! – o chamei e minha voz acabou saindo meio rouca por ter acabado de acordar. Também estava sem folego e, de novo meu, coração começou a bater ferozmente. Ele balançou a cabeça tomando consciência da nossa situação e abriu o casaco. Eu saí me levantando rápido com muita vergonha. Acho que ele também estava.
Ele limpou a garganta e começou a falar.
— Acho que precisamos ir agora, Taemin! – virei levemente o rosto na direção dele, sem olhá-lo diretamente, e concordei.
Ainda estava meio frio. Ele tirou o casaco e colocou nas minhas costas. Agora o olhei e ele sorriu lindamente.
— Não tem problema agora. Eu estou com outra, vê?! – ele realmente estava com outra blusa por baixo.
Apesar de estar com vergonha dele agora, eu não queria ter saído de onde estava, queria que ele tivesse me deixado quieto –, mas que droga eu estou falando – e... Me dei um tapa e ele virou para mim.
— A pior coisa de estar no meio da natureza são os insetos... – tentei disfarçar. — Odeio mosquito. – ele se virou novamente.
Saímos de lá e começamos a andar. Acho que era quase dez da manhã. Estava friozinho, mas o sol já estava “quente”.
— Hyung... Eu prometo que te pago o café da manhã!! – falei ainda meio sonolento. — Ou o almoço, não sei... Você escolhe.
Ele riu um pouco:
— Hyung?! – ele repetiu.
— Ahh... – agora eu percebi o que eu disse. — Desculpa, é o hábito de ouvir o Minho. – falei sem graça.
— Tudo bem! Pode me chamar assim, também. – ele riu. — Sempre que estamos juntos, metade das frases dele tem um “Hyung” no meio. Kkkkkk
— Sério?! Na nossa também. E se não tem um “Hyung”, tem um “Jinki”. – começamos a rir.
— Eu sei... Eu amo aquele bobo também!! Às vezes eu até escuto ele dentro da minha cabeça.
— HYUNG!!!!!! – um grito.
— Eu também escuto... – o encarei e ele virou tentando encontrar a voz.
— Oh... – Jinki apontou, para um morro.
— HYUNG!!!!!!!! – continuou gritando.
Vinha um grupo em nossa direção, e Minho correndo feito um louco.
— Minho! – falei.
Como eu estava mais à frente de Jinki, eu fui o primeiro em quem Minho chegou, e ele me abraçou, apertado. Alguns paramédicos passaram por nós e foram até Jinki.
— Taemin, eu fiquei tão preocupado quando não tive notícias de vocês. Jinki mandou comida lá para casa e fiquei a noite toda esperando vocês. Não atendiam o celular. Quase tive um treco quando liguei hoje bem cedinho e disseram que tinha um carro estacionado sozinho desde ontem aqui.
— A gente teve um acidente e nos perdemos depois. Desculpa.
— Isso é o de menos. Vocês estão bem? – me afastou um pouco e me analisou.
— Só alguns ralados. – ele fez uma cara sofrida e abraçou mais.
— Kibum está desesperado esperando notícia. Vou ligar para ele. Ou melhor... Quer ligar?! – me perguntou e eu vi que ele não tirava também o olho de Jinki. Estava preocupado... Óbvio.
— Tudo bem, amor. Vai ver ele, eu ligo. Obrigado por vir! – falei. E ele apenas me beijou.
E ele passou a mão na minha cabeça, lembrei do gorro.
— Ahh... Eu tenho que devolver – apontei para o casaco e o gorro, e Minho sorriu.
— Oh... Vocês devem ter passado muito frio aqui. – apenas concordei com a cabeça.
— Ele me emprestou!
— Eu sabia que isso era um presente útil. – sorriu. — Preciso te dar um gorro também.
— Você que deu...? – perguntei apontando para o gorro.
— Sim! – e ele voltou a me abraçar. — Eu vou no meu irmão ok?! – apenas afirmei com a cabeça.
Minho é tão cuidadoso com Jinki. Ele o abraçou bem forte, e Jinki resmungou. E não sei por que, mas meu coração apertou um pouquinho. Também estou preocupado com ele, mas não acho que devo me aproximar e demonstrar isso para alguém que mal conheço. Minho também o beijou, fazendo carinho em sua cabeça, e seu rosto, e, engraçado... – olhando para eles – a sensação que eu tive quando Minho fez isso comigo agora a pouco não foi a mesma de quando Jinki fez ontem à noite.
~//~
Ontem, depois de termos sido encontrados, não conseguimos fazer mais nada, e hoje já estávamos de volta a rotina de correria. Kibum quase me mata sufocado quando voltei. Ele estava aflito, mas depois que expliquei o que aconteceu, ele se acalmou. Ele disse que me achou estranho desde ontem. Disse que seria pelo susto, e disse que iria passar. Até eu estava me sentindo estranho, mas resolvi ignorar.
Hoje é outro dia e, mesmo depois desse susto, Minho ainda voltou ao seu trabalho e Jinki veio comigo hoje comprar as alianças e fazer as provas finais dos ternos.
Parece que desde ficarmos perdidos, estamos mais próximos. Nem parece que somos estranhos e nos conhecemos há só quatro dias, e isso, de certa forma, me deixa muito feliz. Ontem, por exemplo, apesar de que deveríamos ter ficado descansando, ficamos foi conversando no telefone. Acho que ele deve ter pegado meu número com Minho. Nem acreditei quando ouvi sua voz; fiquei muito empolgado. Me senti um adolescente com a tão esperada ligação, que, no meu caso, nem foi esperada, mas mesmo assim... Adorei. E a cada assunto em que entravámos, meu corpo se esquentava mais enquanto ele falava.
— Taemin?! – me chamou.
— Ah, o quê!?
— Estava pensando aqui primeiro.
— Já decidiu?! – deu um sorrisinho fofo de lado.
— Hmm... Não. – e ele riu. — Jinki... Qual você acha que vai caber no dedo dele?! – o olhei observando cada expressão que ele fazia.
— Estou mais acostumado a dar roupas para ele. Nisso eu sempre acerto. Eu tenho que analisar direito.
— Hm... Que tal esse tamanho?! Ele tem os dedos um pouco mais finos. – peguei a mão dele e coloquei o anel. — Em você dá certinho! – nem percebi o que estava fazendo, e fiquei encarando eu segurando sua mão e ainda de aliança.
— É, os meus são mais gordinhos. – riu. E quando o olhei estava um pouco avermelhado.
— Ahh... – limpei a garganta e tirei o anel dele. — Você gosta destes?! – o perguntei.
— Sim, você fez uma boa escolha. Minho também é do tipo que gosta de detalhes sutis, e as iniciais de vocês combinam.
— E se fosse seu?! – o que eu estou perguntando.
Ele ficou surpreso com a pergunta e ficou me encarando. Não sei por que eu estava mordendo os lábios esperando sua resposta ansioso:
— Eu talvez colocasse uma frase significativa. Existem textos que marcam mais um momento especial. – afirmou com a cabeça.
Sorri em saber desse lado dele:
— Ohhhh... Jinki é romântico. – brinquei com ele.
Me virei para o lojista. Vou levar esses.
~//~
Então tá... Já escolhemos os anéis, por que é um misto de felicidade e insatisfação?
— Aonde vamos agora?! – ele me perguntou.
— Vamos conferir os ternos!
— Ok. Quer passar no parque antes e tomar um sorvete?!
— Temos que aproveitar. Apesar de estar um pouco frio, quando chegar o inverno, nos vamos querer é chocolate quente! – sorriu.
— Eu amo chocolate quente. – estava pulando quando ele falou isso. E parei na sua frente sorrindo. Ele ficou me encarando, e, na hora, nem pensei muito, só peguei sua mão, guiando-o até o parque.
Ele apertou minha mão e só aí me dei conta que enquanto caminhávamos até o sorveteiro, algumas pessoas sorriam para mim, e cochichavam algo. Estávamos de mãos dadas, e eu corei e, sem olhá-lo, larguei, apontando com a minha mão que segurava a dele antes para o sorveteiro.
— Hyung, olha lá! – falei tentando disfarçar, mas mantive minha animação. — Tomara que ele tenha chocolate para jogar por cima.
Como eu tinha parado um pouco e estava apontando, ele se aproximou e ficou me encarando. Ele tinha uma cara seria com um leve sorriso no rosto. Eu estava com vergonha de olhá-lo, então eu sugeri uma corrida.
— Quem chegar primeiro, paga o sorvete do outro! – então eu saí correndo.
Corri como se fosse uma forma de extravasar essa mistura de alegria e incerteza. Tenho vontade de gritar e pedir ajuda, porque eu não sei como controlar minhas ações. Ele nem se deu o trabalho de correr, veio calmamente enquanto eu fazia meu pedido.
— Você tem que deixar de ser preguiçoso, Jinki! – o encarei quando chegou.
— Você ia ganhar de qualquer jeito, não tem problema. – deu de ombros.
Pedimos nossos sorvetes e sentamos em um banco de baixo de uma árvore enorme. Suas folhas estavam caindo e eu tentava proteger meu sorvete; ficava virando de um lado para o outro brincando. Quando olhei para o lado, Jinki estava distraído, focado em um ponto que nada havia. Só grama. Dei mais uma colherada no meu sorvete, e ele fechou os olhos – será que estava cansado? –, então aproveitei e passei a pegar do sorvete dele. Estava me divertindo, mas ele começou a fazer umas carinhas engraçadas; algumas pareciam alegres, e outras tristes. O que será que estava se passando na cabecinha dele? Resolvi tirá-lo de seu sossego, então me aproximei de seu rosto:
— Jinki?! – sussurrei perto de sua orelha. Peguei mais de seu sorvete.
Ele nem me deu bola. Fiz uma careta e ele abriu levemente a boca para soltar um pequeno suspiro e ainda de olhos fechados. Nesse momento, peguei sua colher do seu sorvete, e com a colher “suja”, enfiei devagarzinho em sua boca, e ele apenas deixou; nem reagiu. Apenas abriu um pouco mais a boca, e eu passei a colher em sua língua, depois eu a tirei da mesma forma que coloquei – era uma cena tão bonita –, mas acabei sujando seu lábio inferior. E, ainda de olhos fechados, ele arfou levemente e passou a língua e mordeu seu lábio a limpando.
Apenas fiquei olhando ele fazer isso. Estava com uma vontade louca de tocar seu rosto, apalpar e ficar admirando, mas não podia fazer isso. Então apenas o toquei com o dedo da mão esquerda; com a outra mão, iria tocar seu outro lado. Meu rosto ainda estava perto do dele, mas ele virou de uma vez o que me assustou um pouco me fazendo recuar, mas continuava o encarando. E nem reparei que ele tinha segurado minha mão direita; ele nem a soltou. Deixou ficar do jeito que estava.
Mas um vento acabou fazendo com que quebrássemos nosso contato visual, fazendo “chover” folhas sobre nossas cabeças, e uma acabou prendendo no meu cabelo. Ele se aproximou e, com sua mão direita, a tirou, e meu coração deu uma acelerada quando começou a pentear em seguida meu cabelo. Carinhosamente, ele puxava alguns fios e passava seus dedos. Meu corpo se arrepiava quando acabava encostando sua mão no meu rosto. Em nenhum momento ele desviou os olhares de mim, e eu também não queria. Isso até que meu celular começou a tocar.
— Ah! – me assustei, estava completamente concentrado em Jinki.
Ele parou de passar a mão no meu cabelo, apenas a repousou no encosto e ficou me observando. Era Minho.
— Oi, Minho! – Jinki abaixou um pouco o olhar. — Estamos no parque! – virei olhando Jinki que apenas ouvia. — Já vimos isso, mas ainda precisamos ir na alfaiataria. – ri um pouco, com uma safadeza que pediu e corei um pouco. Jinki percebeu. — Vou pensar no seu caso. Tudo bem! Também, amor. – nesse momento Jinki se levantou. E fiquei o observando um pouco incomodado.
Minho desligou e parei um pouco pensando. Quando me recompus, me virei novamente para Jinki. Ele apenas sorriu e me estendeu a mão:
— Vamos, Taemin. Ainda temos uma prova de roupa para fazer!
— Hm! – afirmei.
~//~
Quando chegamos à alfaiataria, Jinki disse que, por coincidência tinha encomendado o dele naquela mesma loja. Então o alfaiate aproveitou e o fez provar seu terno também, mas, primeiro, analisamos o do Minho. Jinki estava acostumado a dar roupa de presente para ele. Até mesmo mandar fazer. Ele sabia exatamente se serviria ou não. Pediu para darem algumas leves apertadas e estaria perfeito. Era só pegar depois.
— É bonito, não é?! – o alfaiate perguntou para Jinki.
— Sim, vai ficar certinho no meu irmão... – o alfaiate o interrompeu.
— Não! – balançou a cabeça. — Ele! – eu estava anotando algum valor enquanto eles conversavam, mas eu escutei. Acho que até apontou para mim.
— Sim! – afirmou. — Muito! – eu parei. Fiquei surpreso com seu tom de voz firme concordando.
Disfarcei e chamei a atenção dele.
— Aqui, Ajusshi! – falei sem encarar eles.
— Ok, ok... Agora vocês poderiam se trocar para ver como fica, sim!?
Assentimos, mas meu celular tocou de novo e tive que atender o telefone. Era Kibum. Provavelmente algo da empresa.
— Só um minuto. Vai na frente, Jinki. É o Kibum. Preciso atender rapidinho. – ele concordou e foi se trocar. — Alô...
Quando voltei, ele ainda estava se trocando. Peguei meu terno e fui procurar uma cabine – o que não eram muitas, só quatro – para me vestir, e, sem querer, abri a cortina da cabine em que Jinki estava, e acabei pegando ele já só de cueca.
— Me... Me desculpe, Jinki! – que vergonha.
Ele ficou surpreso, mas nada alarmante. Ele até ia dizer algo, mas eu fechei sua cortina na hora e entrei em outra. Me encostei na parede... Aquieta coração – falei batendo no peito. Por favor, para com isso. Me troquei logo e saí para mostrar para eles, e tudo que vi foi Jinki perfeito dentro do terno dele. Ele sorriu pra mim. Eu adoro esse sorriso, e estava adorando mais a cada dia e a cada minuto.
— Woaaa... Taemin... Está tão bonito! – ele falou.
E eu fiquei envergonhado, e não consegui/consigo evitar. Não importa o que ele faça ou diga, por que em cada movimento que faz, cada palavra que sai de sua boca, me deixa assim.
— Não tem nenhum defeito no meu. Está ótimo. – falou ao alfaiate. — O que acha, Taemin?!
— Você está lindo, Hyung!! – falei um pouco sério, olhando cada detalhe dele. Não devia estar acontecendo isso. Não. Não está acontecendo nada. — Quer dizer... Você já é... – droga, corei. — Está perfeito!!! – ele riu levemente e voltou ao alfaiate.
Enquanto o alfaiate mexia em alguns botões nele, ele ficou parado, me encarando, e eu não consegui desviar o olhar do dele.
No meu não havia mais nada a se fazer, então apenas fomos nos trocar. Dessa vez, eu fui primeiro, enquanto faziam mais uma marcação no terno de Jinki:
— Taemin?! – ele me chamou.
— Eu!! – respondi. Já estava tirando minha calça. E ajeitando no cabide.
Só que eu não esperava que ele fosse entrar na minha cabine e o olhei espantado. E stava só de cueca.
— As outras cabines estão ocupadas, e temos mais coisa para fazer! Vou me trocar com você!
E sem desgrudar os olhos de mim, começou a se despir, - parecia que estava fazendo para mim – tirando a camisa e, esticando o braço para trás, acabou fazendo com ele chegasse um pouco para frente, se aproximando mais de mim. E esse striptease particular, misturado ao seu cheiro, estavam me enlouquecendo.... Acabei ofegando um pouco e ele continuava me encarando. E meu rosto e corpo estavam quentes de vergonha e nervoso.
— Tudo bem?! – falou um pouco sério ainda sem desgrudar os olhos de mim.
— Hm... – ele apenas deu um leve sorriso e saiu.
Agora não tenho como tentar me enganar. Meu coração, de novo, começou a acelerar e minha cabeça a girar. Estar tão perto dele, e em nenhum momento poder tocá-lo, aperta meu coração. Meu Deus... Eu estou perdidamente apaixonado por você, Jinki... Por quê? O que eu faço? O que eu faço?
~//~
Sexta-feira. Passamos o dia juntos, e eu acho que vou enlouquecer. Não estou normal. Talvez ele tenha percebido, mas eu não conseguia disfarçar. O olhava e pensava na noite dentro da caverna, perto do seu corpo enquanto ele me aquecia; na conversa que tivemos durante aquele mesmo dia em que fomos resgatados; dentro da cabine sem roupa com ele. Queria tocá-lo; queria que me tocasse também de novo. Parecia que não estava conseguindo respirar direito, e... Eu tinha a impressão que ele também não. Ele me encarava; não era possível que não estivesse sentindo algo quando entrou na minha cabine e começou a se despir para mim daquele jeito.
Estamos na minha empresa, conversando, eu, ele, Kibum e Jonghyun. Jinki mordia os lábios; não sei se estava nervoso, mas eu estava, e eu queria justamente morder... Os seus lábios. Sem perceber eu estava meio ofegante, por estar tão perto dele, e não poder tocá-lo. Kibum até me perguntou se eu estava bem, e respondi que sim. Mas não estava. Estou apaixonado pelo meu cunhado. E me caso nesse final de semana. Minto... Não caso. Tivemos um problema na igreja... Uma pedra que sustenta o altar da igreja quebrou – como uma coisa daquela quebrou é um mistério – e eles estão correndo para arrumar, senão aquilo poderia cair a qualquer hora, e até mesmo machucar alguém. Até mesmo cair durante meu... Hm... Casamento.
Tive que correr e ligar para todo mundo adiando o casamento para o próximo fim de semana. A igreja ainda poderia ser nossa, e por sorte os convidados ainda poderiam vir. Ou será que não é sorte? Não consigo parar de pensar no Jinki. Me sinto desesperado por isso. Estou traindo Minho... Tudo que sempre repudiei dentro de um relacionamento, que não queria, de forma alguma para mim, eu estou “fazendo”. Essa noite, quando ele esteve lá em casa, estávamos abraçados e ele começou a me beijar, me acariciar, eu... Estava sensível a isso por estar com tanto desejo. Ele até mesmo percebeu que eu estava necessitando de um beijo, e eu o beijei como nunca tinha o beijado antes.
E qual é o problema disso, poderia me perguntar? E eu responderia que o beijei dessa forma pensando em Jinki. Fechei meus olhos e imaginei ele, ali, em cima de mim, me tocando, eu fiquei tão excitado naquele momento – nem eu esperava por essa. Consegui ficar excitado apenas pensando em uma pessoa. O difícil foi aguentar aquilo. Eu fui para o chuveiro, mas nem com água gelada conseguia relaxar, mas assim esperei; esperei até passar. Minho ficou preocupado, mas eu não saí. Não queria que ele fizesse nada, e eu evitei ao máximo fazer alguma coisa para me aliviar. Eu queria Jinki... Ele poderia fazer isso. Arhh... Eu sou a pior pessoa desse mundo.
~//~
Como o casamento acabou sendo adiado, fiquei pensando muito no que devia fazer. Não conseguia mais ficar perto de Minho; me sentia horrível de ter que olhá-lo nos poucos momentos em que tínhamos juntos e não conseguir dizer o que sinto. O que está acontecendo dentro de mim em relação a ele e o irmão? Nesse final de semana deixei que ele trabalhasse, e ele nem pensou duas vezes. Inicialmente, ele pretendia fazer qualquer coisa comigo. Já que deveria estar acontecendo nosso casamento, ele estava livre, mas acabei eu usando como desculpa o trabalho dele. Talvez a gente não tenha sido feito um para o outro afinal.
Talvez Kibum estivesse certo esse tempo todo. Precipitamo-nos quanto ao casamento? Eu... Fiquei pensando nisso... Se foi mesmo precipitado, aquele sentimento que eu disse que sempre quis e que achava que não existia, realmente existe e chegou de uma forma que parece que não consigo mais nem respirar sozinho. Esse foi o sentimento que sempre ouvi da boca de terceiros e pedia para mim, e agora eu tenho e não quero perder. Agora... Uma coisa eu sei sobre esse meu compromisso: se eu não tivesse ficado noivo de Minho, eu nunca teria conhecido Jinki, porque foi só por esse motivo que ele voltou para Coreia; pelo irmão. Jinki gosta de ser um espírito livre, viajar e viver fora. Eu nunca nem sai daqui, nem sei se o destino, em algum momento no futuro, daria um jeito de nos juntar de uma forma diferente. Só sei do agora.
Ontem fui até a casa de Kibum. Estava em crise com a ética de relacionamento. Não conseguia parar de chorar; estou perdidamente apaixonado por Jinki e não teria mais ninguém com quem poderia desabafar esse aperto. Ele provavelmente me jogaria um “balde de água” que me faria acordar e refletir sobre.
— Taemin?! – apenas destrancou a porta. — Taemin!! O que foi?! – perguntou preocupado.
Apenas entrei e me sentei no seu tapete chorando. E ele me abraçou.
— O que aconteceu?!
— Eu... Sou tão errado Kibum!! – falei em soluços. — Eu o amo tanto, tanto... É a primeira vez que sinto isso por alguém! – continuei a chorar.
— O que aquele palhaço zoiudo fez agora?!
— Fui eu quem fez algo, Kibum!!! – o apertei.
— Acho esse amor e a forma que lidam com isso tão estranhos. Para mim, não vai dar certo, Taemin, mas a única coisa que posso fazer como seu amigo é te apoiar.
— Eu sei... – ele me interrompeu.
— Se vocês se amam... – passou a mão no meu rosto.
— Não... – balancei a cabeça.
— Você... Descobriu que ele não te ama?! – perguntou surpreso.
— Ao contrário! – solucei aumentando o choro.
Ele parou um pouco, e deve ter começado a analisar a situação desde que entrei por sua porta. Só aí voltou a falar:
— Você... Usou uma palavra que nunca usou antes. Sempre se referiu a ele como “gosto”. Sempre quando ele dizia que te amava, você respondia um “eu também”, e agora a pouco disse “amo”, “eu o amo tanto...”.
— Não é o Minho... Não é ele por quem estou apaixonado.
— Oh my God!!!
— É pelo Jinki!! – e Kibum ficou chocado.
Ele ficou sem saber o que dizer, demorou até demais pro meu gosto:
— Diz alguma coisa Kibum!!!! – dei um tapa em sua perna.
— De... Desculpa! – riu soprado. — Bem que você estava agindo bem estranho quando ele estava perto. Como eu pude ter sido tão cego, senhor? – disse balançando a cabeça.
— Eu não conseguia evitar! – falei sem graça.
— Aquelas suas caras, era de apaixonado. É a primeira vez que te vejo assim. Não é à toa que eu não soube identificar.
— É... Acho que também! – falei esquentando de vergonha.
— Também o quê? O que há além de apaixonado? – perguntou tentando imaginar outra coisa.
— Excitado! – o olhei com mais vergonha ainda.
— YAHHH... OUSH... LEE TAEMIN! – ele me olhava incrédulo. — Eu não... – começou a rir de nervoso. — Eu não acredito que aquelas suas caras eram de excitação. Você estava do meu lado... Ah, Lee Taemin...
— Eu não consigo evitar quando falo dele! – me olhou.
— Taemin?! – de cabeça um pouco baixa apenas levantei os olhos para ele, sem graça. — Você está excitado agora?!
— Um pouco. – corei bastante.
— YAHHHH!!!
— Você que entrou nesse assunto. E não tenho culpa de estar sentindo isso...
Ele sorriu para mim:
— Não, você não tem, Taemin! Mas precisa saber também como ele se sente em relação a você. Para tomar alguma providência... Taemin, seu casamento era para ser amanhã. O que você ia fazer? Melhor... O que você ainda vai fazer? Porque ele ainda está programado para acontecer.
— Eu não sei... Tenho suspeita de que o Jinki talvez sinta algo também, mas não é certeza. Devo intimá-lo?! – o encarei.
— Deve! Você, por sorte ou destino, sei lá, ainda tem mais uma semana. – suspirou.
Passei as mãos no cabelo o puxando com um pouco de força.
— Tenho medo do que pode acontecer a partir de agora, Kibum. Por favor, fica comigo!! – e ele veio apenas me abraçar.
— Alguma vez eu te deixei?! Hum?! – me beijou o rosto e me apertou forte, depois me acariciando.
— Kibum...
— Hm?
— Por enquanto não me acaricie assim... Ainda estou um pouco excitado! – esquentei.
— Aii... Taemin! – me largou na hora.
— Aonde você vai?! – perguntei, não queria que ele saísse.
— Vou procurar alguma coisa para assistirmos, e que, de preferência, te broxe. – começamos a rir.
— Ahh Kibum – não consegui para de rir depois dessa.
— Olha... – parou pensativo. — Será que se eu procurar na internet, aparece algo?! – perguntou indo pesquisar.
— Não, Kibum, pare de procurar essas coisas!!! – ele começou a rir.
Não sei o que seria de mim sem ele. Fomos comer e ver alguma coisa, e eu expliquei tudo nos detalhes para ele, desde que ficamos sumidos na montanha Odae, até agora. Disse que agora não tinha mais certeza se a cara de bobo que ele tem era normal dele, ou se estava na mesma situação que eu. Ele também percebeu algo, então eu estava no caminho certo. Vou pressionar um pouquinho. Eu poderia acabar causando a maior confusão na família deles, mas eu preciso saber.
...
E é isso que eu vou fazer hoje. Segunda-feira e voltamos ao nosso primeiro dia juntos. Viemos novamente à Montanha Odae. Estou tão ansioso... Iria o fazer lembrar aqui da nossa “noite” e dos dias que passamos juntos. Eu precisava saber.
Ele esqueceu o celular dentro do carro e foi buscar. Estou o olhando, tão lindamente vindo até mim, com aquele sorriso. Não consigo não retribuir o sorriso:
— Pronto! – riu.
— Você tem que tomar cuidado. Vai acabar ficando sem o celular! – brinquei.
— Jamais diga isso. Todos meus contatos estão aqui. – me olhou incrédulo.
— Devia usar uma agenda de verdade! – sugeri.
— Não sei nem como usar mais isso. Quero não! – rimos.
Dessa vez conseguimos falar com o gerente do hotel e ele disse que, sim... Poderia ter o quarto no período que eu queria. Ao mesmo tempo em que fiquei feliz por isso, estava meio triste. Não chegaria a usar ele na minha primeira noite... De amor? Não, não seria de amor. Seria apenas um sexo casual. E, ainda assim, não sei se conseguiria fazer com ele. Já começaria a nossa primeira crise de casamento.
Agora... Eu preciso pensar em como fazer Jinki ficar mais um tempo aqui comigo. Preciso de tempo para falar.
— Senhores?! – o gerente nos chamou.
— Sim! – respondi.
— Não gostariam de aproveita que estão aqui, e virem para o nosso festival de outono?!
— Festival de Outono?! – Jinki perguntou.
— Sim, estamos promovendo alguns festivais até a estação de inverno. Hoje é o nosso primeiro dia. – falou sorrindo. — Já que são hospedes, poderiam usufruir.
— Eu acho que não vai dar... – Jinki começou.
— Sim!!! – afirmei o cortando logo. — Outono e Inverno são minhas estações preferidas. Eu quero.
— O quê?! – Jinki se virou para mim. — Taemin, já resolvemos o que tínhamos para resolver. – não, não resolvemos não.
— Sim, e não temos mais nada depois daqui. Só falta o assunto da igreja e o padre me pediu para conferir isso só na quarta. Eu quero ficar, Jinki!
— Mas...
— Por favor?! – droga, e se ele não quiser?
Ele deu um suspiro, pensativo:
— Bom... Se você precisar ir para fazer algo, tudo bem! – joguei uma leve chantagem. — Eu vou ficar! – falei sorrindo. — Se eu tivesse me casado ontem, estaria aqui de qualquer maneira, e curtiria esse festival. Mesmo não estando casado, ainda vou fazer isso.
Dirigi-me ao balcão e ia perguntar se já poderia usar meu quarto. Mesmo que Jinki não queira ficar, tudo bem... Talvez não seja para termos nossa conversa hoje. Terei mais um tempinho para pensar. De preferência, tomando uma bebida quente e álcool.
— Espera, Taemin! – parei já em frente ao gerente e me virei. — Não vou largar você aqui sozinho... Tudo bem, eu fico!
E o coração pula e pula de alegria. Pena que eu não posso fazer o mesmo. Apenas ri para ele e ele retribuiu. Virei-me para o gerente.
— Será que poderíamos... – comecei.
— Aqui está! – me entregou uma chave. Eficiente.
— Obrigado!! – sorri para ele.
— Hãn... – Jinki queria dizer algo. — Só uma chave? – olhou o gerente.
— Mas eu só aluguei um quarto, lembra?! – falei.
— É... Está certo. – falou coçando a nuca. — Então... – se virou ao gerente de novo.
— Desculpe! Mas não temos mais quartos. Pelo menos, não por hoje. Estão todos ocupados.
— Sério?! – Jinki ficou sem ter como argumentar.
— Nossa... Que legal! – afirmei e Jinki virou para mim tentando entender o que tinha de legal. — Isso é ótimo para vocês!!
— Sim... Estamos muito bem nessa temporada! – sorrimos um para o outro, e era como se já fôssemos amigos também. Jinki só observou e não teve alternativa, a não ser aceitar.
...
Enquanto esperávamos a noite cair, Jinki e eu fomos comer algo no restaurante e depois andar pelo local. Eu amei cada minuto, segundo, hora que estava passando junto dele. Toda hora vinha na minha cabeça “agora”. Víamos algumas crianças brincando e vinha “vou falar agora”, víamos casais tirando foto e “agora sim é hora de falar”, mas não... Eu não conseguia. Não queria que esse momento acabasse, então desisti de tentar. Preferia curtir o dia com ele.
Iríamos passar a noite aqui, só eu e ele. Dessa vez, ele ligou avisando Minho para não preocupá-lo. Explicou tudo que eu queria... E ele nem questionou; apenas afirmou que eu realmente amava esses eventos e que estava tudo bem, mas que tivéssemos cuidado por onde andássemos.
— Pronto!
— Ótimo! – falei olhando de cima de uma pontezinha no laguinho o pessoal trabalhando nas barraquinhas da festa.
— Pelo visto você adora um festival, não é? – parou ao meu lado me encarando e eu nem o olhei.
— Sim! Eu adoro. – ele apenas balançou a cabeça.
— É bom saber disso! – o olhei.
— Por quê?! – estava curioso.
— Nada demais. É bom saber mais alguma coisa de você! – deu de ombros e mudou de assunto antes que eu questionasse. — Quer ir naquele jardim?
Eu quero é que admita que gosta de mim, da mesma forma que eu, e me beije. Sinto que ele está fugindo de mim... Joga umas indiretas, e depois sai de fininho. Hump.
...
Da hora que realmente começou o festival até o final, fomos em todas as barracas. Experimentamos tudo: bebida, comida; até o fiz ele dançar comigo. Crescia mais a certeza que era com ele que queria ficar – se é que isso era possível. Enquanto dançávamos, abracei-o pelo pescoço, encostando minha cabeça na sua têmpora. Naquele momento ele apertou seus braços na minha cintura, mas depois de meia hora ele me afastou um pouco triste, e, mesmo assim, me mostrou um sorriso e fez um carinho no meu rosto. Aquele momento era importante agora para mim; vou guardar pra sempre.
Depois de dançarmos, enquanto ainda passeávamos, teve um momento em que começamos a brincar de bater um no outro com um cata-vento. Sem olhar aonde eu ia, pisei em um buraco, e ele me segurou quase indo junto. Agora, dessa vez, eu o encarava, assim como ele fez na alfaiataria. E em nenhum momento desviou o olhar do meu, e eu soube mesmo que ele sentia algo quando ele passou levemente o polegar na minha cintura quando me seguro. É... Ele me fez um carinho, e eu não contive um sorriso pra ele, mas ele me chateou quando me soltou.
Já era bem tarde, mas não estava tão escuro. A lua estava iluminando tudo. O céu, dessa vez, não estava cheio de nuvens; estava bem azulado e cheio de estrelas. Estou com a pessoa que amo e esse céu combina bem com esse momento.
Estávamos sentados em um coreto lindo, rodeado de flores, com algumas luzes de decoração, no meio do jardim, observando a lua. Ficamos ali, sentados, sem dizer nada por uma hora, e não foi desconfortante. Eu sei que às vezes ele deixava o céu de lado e me olhava; eu percebia pela visão periférica.
— Eu amo tanto ficar assim, observando a lua! – comecei a conversa.
— É... Eu fazia muito isso com o Minho quando erámos crianças. – riu triste.
— Eu sei... – olhei para ele. — Ele já me contou. – sorriu tímido e voltou a encarar a lua.
Meu coração se apertou um pouco, de estarmos perto e, ao mesmo tempo, separados. Então eu virei de costas para a lua, encarando minhas mãos no meu colo – Jinki era tudo que eu queria ver agora. Virei meu rosto para ele e depois me movi encurtando mais a distância entre a gente; enterrei meu rosto em seu pescoço enquanto ele ainda olhava para cima. Ele assustou.
— Taemin... O... O que está fazendo?! – perguntou nervoso.
— Nada demais. – eu disse afundando mais meu rosto. E ele me afastou e se levantou.
— Não faça isso, Taemin. – falou um pouco envergonhado.
Ele sabe... Ele também sabe o que sinto, e ainda tenta disfarçar que nenhum sentimento existe.
— Eu não consigo mais! – minha cabeça estava girando, e eu queria me apoiar nele. E ele continuava se afastando.
— Você está noivo do meu irmão! – se sentou cobrindo rosto.
Levantei-me e fui até ele firme. Eu sei das consequências disso, e sei o que eu quero. Ajoelhei-me na sua frente o encarando um pouco, peguei em seus pulsos e descobri seu rosto.
— Mas eu descobri que não amo seu irmão. Eu amo você!!! – falei segurando seu rosto, e aproximei meu rosto esfregando o meu nariz no dele.
De olhos fechados, ele suspirou e pensou em sair dali.
— Você sente algo também, não é?! – o questionei.
— Isso não importa! – mordeu os lábios.
— É claro que importa... Isso muda tudo. Levei tanto tempo pra sentir o que está aqui dentro agora, Jinki. Eu não aguento mais. Dói. Foi tão de repente, e eu não sei explicar como, mas estou desesperado desejando você. – falei passando meu nariz agora no seu rosto e ele se arrepiou.
Ele tirou minhas mãos de seu rosto, levantou e saiu do coreto apressado. Corri atrás dele, parando em sua frente o impedindo de ir. Ele sem saber como agir, acabou voltando e subindo de novo no coreto.
— Por favor, Jinki... Me mostra que sente o mesmo! – estou praticamente implorando.
— Eu... Não sinto nada Taemin. – falou engasgado com as palavras. Era mentira.
— Eu queria ver você dizendo isso olhando para mim! – ele não me encarava em nenhum momento.
Aproximei-me de novo, tentando tocar seu rosto, mas ele segurou minhas mãos e não as soltou. Então eu fui com o tronco para frente, e passei meu nariz na sua bochecha, e ele apenas fechou os olhos, suspirando pesado sentindo meus toques. Passei meu lábio sobre o dele, e então eu o beijei. Finalmente estava tocando aqueles lábios aveludados. Não existia mais nada que me importasse naquele momento além dele; até seu cheiro embriagante me enlouquecia. Sinto-me tão desejado, ainda mais quando suas mãos na minha nuca forçavam que aumentássemos o contato entre nossos corpos. Esse é, sem dúvida, um dos melhores momentos que já aconteceu comigo.
Quando tivemos que nos separar para respirar, ele encostou sua testa na minha.
— Tae... Isso vai ser tão difícil! – suspirou.
— Eu sei! – disse acariciando seu rosto.
— Você está certo do que diz sentir? – me olhou incerto.
— Sim... Pergunte para o Kibum depois!! – ri.
— Ele sabe?! – perguntou surpreso.
— Ele é meu melhor amigo... E... Eu já estava perdendo o juízo. Precisava contar. – ele apenas concordou.
— Esse vai ser o nosso momento especial! – sorriu e beijou minhas mãos.
— Não é só esse momento que quero que seja especial! – falei mordendo os lábios e corado. Ele fez uma carinha de que não entendeu.
O peguei pela mão e comecei a puxá-lo, guiando-o ofegante até o nosso quarto. Nervoso, estou tão nervoso:
— Taemin?! – me chamou.
E eu apenas apertei sua mão. Não queria olhá-lo agora; estava com vergonha. Quando chegamos ao quarto, fui até a cama, parando em pé, sem saber como agir, ou o que dizer. Jinki se aproximou, me abraçando pela cintura e apoiando seu queixo no meu ombro.
— Você sabe que Minho me conta muita coisa não sabe?! – disse dando selinho no meu pescoço.
— Sim, eu sei. Imaginei que... – falava ofegante. — Ele falaria algo sobre. – apertei sua mão que estava na minha cintura.
— Então por que comigo? E se... Você se arrepender depois?! – falou um pouco mais sério.
— Por incrível que pareça, ao contrário de quando estive com outros. – me virei para ele. — Isso não passa, nem um pouco, pela minha cabeça. – passei o meu polegar na sua boca.
Ele me beijou, e mordeu meu queixo:
— Mas... – engoli em seco. — Tenho um pouco de medo.
Ele sorriu, acariciando meu rosto:
— Tudo bem! Isso é normal, ainda mais na primeira vez. – falou beijando meu nariz.
— Vai doer muito?! Seja carinhoso!! – já estava tão vermelho de vergonha que estava disfarçando minha excitação.
— Infelizmente, não posso prometer que não vai doer, mesmo que eu seja muito carinhoso. Mas... Garanto que antes desse momento você vai sentir muito prazer. – falou no meu ouvido.
Segurando meus ombros me fez sentar um pouco na cama e foi até o banheiro. Ouvi-o mexer em algo no armário e, quando voltou, estava com um vidrinho na mão.
— O que é isso?! – disse eufórico.
— Lubrificante! – falou calmo.
— Eles possuem isso aqui? – perguntei surpreso.
— Você pediu um quarto para recém-casados. Normalmente eles já providenciam essas coisas também. O gerente mesmo disse que já mandaria arrumarem hoje.
— Ahh... Não sabia que isso estava incluso. – ri sem graça.
Ele foi até a escrivaninha colocando o vidrinho sobre ela, e depois veio até mim. Começou a passar a mão no meu rosto e alisar meu lábio inferior com o polegar; eu apenas fechei os olhos para sentir seu toque. E depois me deu um beijo ousado de língua, e isso só me excitou mais.
— Tae... – pegou minhas mãos e me levantou.
Começou a me balançar de forma sensual, segurando minha cintura, e movendo seu rosto no meu de um lado para o outro. Ri um pouquinho disso.
— Só falta você ronronar agora! – falei pegando seu lábio com a boca.
— Prrrrrrrrr.... – começou a tentar imitar um ronrono.
E esfregando o rosto em mim, vinha junto, mordidas e lambidas. Passando a mão por de baixo da minha blusa, me sentou novamente na cama. Ajoelhado, levantou minha blusa e começou a morder minha barriga, e, do nada, deu uma “mordida” no meu membro, ainda por cima da calça, apenas a pressionando.
— Jinki... – mordi os lábios pressionando um pouco sua cabeça ali.
Ele me deitou abrindo minhas pernas e foi me empurrando mais para trás com sua pelve, só para me provocar. Ele tirou a camisa e depois veio beijar meu tronco. Enquanto ia beijando, ia tirando minha blusa; isso me arrepiava.
— Arrhh... – ele chegou ao meu peito.
Começou a lamber e morder ali. E eu acariciava seu cabelo. Ele subiu e tomou meus lábios agora.
— Seu cheiro é tão bom, Taemin! – interrompeu um pouco o contato de nossas bocas.
— O seu também!! – afirmei sem fôlego.
Voltou a me beijar, sugando-os.
— Essa boca... – me mordeu. — É tão bom... – me beijou com mais vontade. — De te beijar!
Ele retirou de vez a minha camisa, e se sentou sobre mim, me observando enquanto estava ofegante. Comecei a passar a mão no seu tronco, arranhando e depois desci para o seu membro, apertando sobre sua calça, ouvindo-o arfar. Ele deu uma leve esfregada no meu membro.
— Hummmm... – e gemi.
Comecei a abrir sua calça enquanto ele passa a mão na minha nuca e boca. Apoiei-me sobre meus braços e tentei alcança-lo para beijá-lo.
— Jinki... Me toca! – disse agarrando sua nuca, trazendo-o mais perto de mim.
Ele apenas riu, saiu de cima de mim e desceu indo até minhas pernas, ou melhor, o meio delas.
— O que... ? – e dei um pequeno espasmo.
Jinki começou a massagear meu membro por cima da minha calça.
— É assim que eu faço na cozinha. – acabei rindo um pouco, mas só até ele colocar mais força quando apertou meu membro.
Comecei a choramingar.
— Jinkiii...
— Você é ainda mais lindo vermelho, sabia?! – falou beijando minha barriga.
Ele começou a abrir minha calça, e ia puxando devagar, beijando a pele que ia aparecendo. Quando meu membro já estava de fora, ele puxou a calça de uma vez, e rapidamente foi até ele, dando uma lambida nos meus testículos. Ele já estava latejando e ele fazia isso.
Mas antes, ele voltou a subir em mim, em cima do meu tronco, e pegou minhas mãos passando no seu corpo e depois o descendo até sua calça. Eu sei o que ele quer.
Abri sua calça e enfiei minha mão puxando seu membro para fora, o apertando e puxando, e Jinki gemeu.
— Tae... – ele segurou minha mão para que o movimentasse um pouco mais.
— É assim, não é?! – ele mordeu os lábios e riu um pouco, afirmando com a cabeça. — Vou parar agora. Não quero que você já se alivie.
Eu o puxei para um beijo. E ele deu uma reclamada, retirou de vez sua calça e foi até o meu membro, pegando e o colocando na boca. Ele me sugava forte e eu não conseguia parar de me contorcer. Ele ia chupando de baixo para cima.
— Um... Pouco mais... Forte, Jinki!!! – gemia e não conseguia controlar a respiração.
E sem eu perceber, ainda com meu membro na boca, ele começou a passar algo gelado no meu ânus. Passava devagar a ponta do dedo, provavelmente suja de lubrificante – que nem vi a hora que pegou –, enquanto sugava mais forte. Ele me fazia concentrar em um ato só.
Começou a acelerar o movimento com a cabeça, e depois foi pondo o dedo – o que me deu um leve desconforto. Ele apenas colocou e continuou em meu íntimo.
— Ahhh... Meu Deus... hmm...
Jinki desacelerava quando estava bom, mas ele só acelerava para eu não perceber tanto o dedo dele.
— Taemin... – me chamou.
O olhei com a visão um pouco embaçada.
— Eu posso?! – ele esperou pela minha resposta.
Mas eu levantei rápido enquanto ele estava de joelho a espera, e abocanhei seu membro. Ele arfou na hora. Meus atos eram um pouco mais brutos; acho que era o desespero. O suguei forte e rápido, para que ele ficasse mais excitado, e quando senti sua mão na minha cabeça, parei.
— Taemin... – disse ofegante. — Por que...!?
— Agora você pode, Jinki!! – afirmei me deitando e me ajeitando.
Ele abriu minhas pernas, respirando descompassado como eu. E foi... Aos poucos, ia colocando um pouco, e tirando, já fazendo o movimento, e, sempre que entrava de novo, colocava mais. Bem que ele me avisou que doía... Ele começou também a me masturbar para ver se as sensações se misturavam.
— Jin... ki... – ele começou a mover.
— Shhhhh... – deitou um pouco sobre mim, passando a mão nos meus cabelos. — Não vou te machucar. —E começou a me beijar o pescoço.
Não tão rápido como já vi em filme pornô, mas ele foi acelerando... E tudo que se ouvia a partir daí eram gemidos. Por um minuto, me perguntei como as pessoas viciadas em sexo conseguiam fazer isso todo dia.
Mas mesmo assim, ter o corpo dele se esfregando sobre o meu ainda me excitava. Ele me mordia o lóbulo da orelha e sussurrava palavras carinhosas, que não conseguia retribuir no momento. Eu já estava no meu limite. Não aguentava mais, e me desfiz. Ele ainda precisou de mais uns minutos, e caiu em cima de mim cansado.
— Tae?! – começou a beijar meu rosto.
— Acho que vai demorar um pouco para eu levantar... – resmunguei um pouco de dor.
Ele me beijou e me abraçou, fazendo carinho.
— Tudo bem, vai passar!
Agora o que eu só quero é dormir com ele, e não acordar tão cedo.
~//~
No outro dia, quando acordei, ele ainda estava ao meu lado dormindo. Eu agora o tinha comigo. Temos que voltar e encontrar uma forma de contar para Minho. Eu não sei como ele é em relação a ciúme. Ele nunca reclamou disso comigo. Sempre foi bem tranquilo quando eu saía com meus amigos. Mas... E se isso se tratasse de Jinki?!
Dei um suspiro e o senti me abraçando, arranhando com os dentes meu pescoço, e eu só pude rir.
— Oi! – virei para ele, arrumando seu cabelo bagunçado.
— Oi! Bom dia! – falou com a carinha inchada de sono.
— Acho que já é boa tarde, Jinki! – ri. — Pelo jeito que o sol parece lá fora.
— Ah, é?! – se virou um pouco para a janela e voltou.
— Não é, não! – se recusou a acreditar.
Apenas ri, porque ele ainda se escondeu de baixo da coberta e me puxou junto, me agarrando.
— Eu posso mostrar para você se quiser?! – tirei a coberta.
— Por que você está saindo?! – fez bico reclamando.
— Eu já estou com calor aí em baixo.
— Ah, é?! – então ele puxou toda a coberta de mim.
Ele me expês, eu ainda estava nu.
— Eeii... – tentei puxar de volta.
— Eu também acho que você está com calor. – riu, e eu me cobri.
Peguei o relógio do quarto e voltei para perto dele.
— Nossa... – fiquei surpreso.
— O que foi?! – mostrei o relógio para ele.
— 14h30... Caramba... Nós temos que ir, Taemin! – afirmou se levantando.
— É... – suspirei.
Ele saiu andando pelado até o banheiro, chutando algumas roupas. Agachou pegando alguma coisa – acho que era sua cueca.
— Eu gosto muito mais dessa visão. – brinquei.
— Não encare meu bumbum. – disse tampando com uma mão. E comecei a rir.
Ele foi lavar o rosto e fazer sua higiene. Eu preferi ficar mais um pouco deitado ali, cheirando o travesseiro em que ele dormiu. Tinha o cheiro do perfume dele misturado ao shampoo.
— Ah... É mesmo! – me virei para a escrivaninha.
— O que foi?! – ele perguntou com boca cheia. Provavelmente ele estava escovando dente; até isso eles tem aqui.
— Meu celular. Vou olhar se Kibum falou comigo. Ele ia precisar que eu assinasse papeis hoje. Ele deve estar bravo. Credo, ele me ligou mais de 20 vezes. – o ouvi cuspindo na pia. E ele apareceu na porta.
— Já que ele sabe de tudo... Conta para ele. Talvez entenda! – falou voltando para dentro.
Tok, Tok, Tok... Alguém começou a bater na porta.
— VIU... ELES NÃO ESTÃO... – gritou batendo na porta ao mesmo tempo.
Meu Deus... Era a voz de Kibum!!!!
— Por que você está gritando?!? – falou alto também.
Comecei a procurar desesperadamente minhas calças; só achei a cueca. Onde Jinki jogou minha calça senhor?
Abriram a porta e eu gelei. Me joguei de volta na cama me cobrindo, ou melhor, tentando. Como abriram a porta?!
— Oi... – alguém falou baixo.
— Taemin!!! – olhei muito assustado para Minho e Kibum.
Kibum me olhou assustado também e, então... A porta do banheiro abriu.
— Quem é o louco que está gritando no corredor? Isso foi aqui, Taemin?! – primeiro falou e depois saiu.
E Jinki gelou no lugar, encarando primeiro Kibum, e depois Minho.
— Ooo... - Minho tentou começar algo.
Vendo Jinki só de cueca, começou a analisar o quarto e viu as roupas jogadas, e, nisso, Kibum tinha se aproximado da cama. Quer dizer da escrivaninha, puxando o vidro de lubrificante disfarçadamente para trás de um quadro. Mas Minho viu, e foi até ele, tentando pegar da mão dele e descobrir o que era.
Kibum tentou não deixar.
— Minhooo... Larga! – Kibum tentou falar bravo.
— Me dá isso, KIBUM! – Minho, mas forte e pegou.
Comecei a ficar muito nervoso. Meu olho encheu de lágrima e ele me encarou furiosamente. E eu não sabia o que dizer. Kibum encarava Jinki colocar sua calça e me olhava.
— Eu não tenho como me desculpar... – fui o primeiro a se pronunciar.
— Cala a boca, Taemin! – falou seco.
— É que... – tentei continuar. — Algo mais forte... – coloquei a mão no peito.
— EU MANDEI CALAR A BOCA!!!!!!!! – gritou tacando o lubrificante em um vaso de vidro que decorava a outra escrivaninha.
Eu assustei e os outros dois também.
— EI!!! – Jinki gritou bravo chamando sua atenção.
E Minho o ignorou.
— QUALQUER UM, TAEMIN... POR QUE MEU IRMÃO??? – continuou gritando e tirou a coberta de cima de mim, pegando meu pulso e me puxando. Claro estava machucando.
— LARGA ELE AGORA, MINHO!!!! – Jinki falou segurando seu braço para me soltar e Kibum do outro lado da cama subiu e me puxou.
— Por que você, Hyung?!? – começou a chorar.
Jinki só abaixou a cabeça; não conseguia falar.
— Era dessa forma que você queria terminar comigo, Taemin... – me olhou com ódio.
Eu apenas neguei com a cabeça, comecei a chorar. E ele riu, e saiu pisando firme.
— Minho?! – Jinki o chamou. — MINHO!!! – foi até a porta e depois voltou pegando sua blusa. E saiu atrás dele.
Cai no chão chorando e Kibum me abraçou, tentando me consolar.
— Tae... – falou nervoso.
— Como... Vocês... – perguntei em soluços.
— Vocês não voltaram de manhã, e Minho achou que vocês ainda estivessem aproveitando um festival. Eu tentei impedir ele... Mas não consegui. Ele disse que iria passar o dia com vocês e acabei vindo junto para tentar te ligar. – escondi meu rosto entre as pernas. — Vocês não atendiam, nem viam minhas mensagens no celular.
— Eu fiz... Eu fiz o que... Mais abominava. – aumentei o choro. — Eu não ia esconder dele Kibum, não ia... Era a primeira coisa que ia fazer quando voltasse.
— Eu sei, Taemin... Eu sei!!!
Jinki voltou, e se agachou na minha frente, passando a mão no meu rosto. Sentou-se e me abraçou.
— Kibum... – ele começou, apontando para cima de uma mesinha de vidro no canto. — Você poderia... – era a chave do carro dele.
— Claro! – falou pegando a chave e depois começou a pegar minhas roupas.
— Não... Não quero, Jinki. Tenho medo do que vai acontecer a partir de agora, por favor, eu não quero. – chorei mais.
Ele começou a fungar, também estava chorando.
— Taemin, você não pode ficar aqui! – Kibum disse. E tentou me dar minha roupa.
— Vamos ter que encarar o que está por vir, Taemin, por favor... Você sabia disso. – eu olhei para ele e ele só passou a mão no meu cabelo.
— Me perdoa, Jinki!! – deitei novamente em seu colo.
E não tive escolha. Precisei voltar para casa com eles. Não conseguia olhar para ninguém. Kibum entregou a chave. O gerente ficou sem entender o que aconteceu. Disse que os quartos vizinhos interfonaram dizendo ouvir gritos. O medo só me consumia; não tinha ideia do que iria passar de agora em diante.
~//~
No decorrer da semana, não consegui sair de casa. Todos me ligavam. Eu só via Kibum e, graças a Deus, Jinki. Só eles sabiam como eu me sentia. O quão desesperado eu estava; inseguro com tudo.
— Taemin... Eu acho que já liguei para todos!
Kibum sem nem perguntar, estava ligando para todos e cancelando o casamento. Eu não consegui ter a decência de fazer isso. Minho, ontem à noite, apareceu na minha casa. Eu estava sozinho, e ele despejou tudo o que sentia.
— Você só me usou para ficar perto dele Taemin! – falou irritado.
Eu nunca faria isso. Não é assim que eu sou. Eu... Não sentia por ele o que sinto por Jinki, mas não tinha a intenção de ferí-lo, mas eu precisava ter tido aquele momento com ele.
— Acha que sou idiota? Tudo que fez foi estragar minha relação com Jinki!
Ele também me amava...
— Não acho que vá durar muito também... – falou seco saindo. — Mas saiba que não vai me separar do meu irmão.
Eu não tenho essa intenção. A única coisa que eu queria era amar e que alguém me amasse igualmente. Minho estava apaixonado por mim, mas não se preocupava comigo como um casal de verdade fazia. Quis muito gritar isso na cara dele, mas a essa altura nem eu me importava com isso.
...
Jinki apareceu no meu apartamento. Abraçou-me por um tempo; deixei... Só levantei quando escutei ele fungar baixinho. Sai de seus braços e o encarei. Ele me olhou triste; pesaroso com algo.
— Eu não posso, Taemin... – falou chorando.
Meu coração se apertou e o abracei.
— Por favor, Jinki, não diz isso... – fiquei nervoso.
— Como eu posso conviver com isso? Mesmo ele sabendo de tudo, ele não consegue aceitar. Por mais que eu o ame, Taemin, não posso dar as costas ao meu irmão!
— Não, Jinki... – comecei a chorar mais forte.
E ele me beijou, como se não houvesse amanhã, me tocando e aproveitando cada último segundo comigo. Não iria deixar ele ir... Porque não podiam se importar um pouco com alguém além deles? Eu sei que estou sendo egoísta em dizer isso, porque eles são irmãos, vão se importar um com o outro até a morte, e era exatamente o mesmo que eu pedia para mim.
E ele apenas se foi. Deixando meu coração despedaçado.
...
No dia em que apareci para trabalhar na RENOVE, todos acabaram me olhando surpresos; principalmente Kibum. Ele até tentou conversar, mas eu não dei espaço; não queria mais chorar. Já chorei tudo que tinha para chora. Ele sabe; era o único que estava lá comigo. E eu precisava ser mais grato a isso voltando à minha empresa que construí junto com Kibum. Não era mais justo fazer isso com ele.
— O que temos para fazer Kibum?! – me olhava surpreso.
— Bom... Nem sei por onde começar! – falou tentando raciocinar.
— Pelo que está mais próximo!
Sou formado em psicologia. Eu tento ajudar as pessoas criando soluções que amenizem suas dores, e não sabia como fazer comigo mesmo isso. Não, não mais.
...
Depois de quatro semanas, já estava tudo em ordem como antes de me enfiar em confusão. Infelizmente, não consegui voltar cem por cento do que eu era antes também. Kibum percebia isso. Ele me questionava às vezes sobre isso. Pedia que eu parasse para conversar com ele; muitas das vezes eu evitava. Não queria chorar. Era certeza de que eu iria começar a chorar se relembrasse de tudo o que aconteceu comigo. O pior... É que fazia parte da minha história, e eu não conseguia apagar; ainda não queria apagar. Mas, pelo menos, me esforçava para isso.
— Taemin... Temos um evento essa semana?! – Kibum me perguntou.
— Acho que temos, mas não sei do que é?!
Ele começou a olhar sua agenda e parou um pouco antes de responder. Vi que ele hesitava, então perguntei.
— De qual empresa é o evento que temos que ir?! – perguntei.
— Hmm... Da KOG!
Parei um tempo pensando. Esqueci que a empresa do Minho ainda era minha cliente. Suspirei.
— Você não precisa ir, Taemin... – ele começou.
— Mas eu vou! – afirmei.
E apenas voltei a fazer o que estava fazendo. Eu... Iria lidar com isso. Não deixaria que ele determinasse como eu agiria com a minha vida. Eu devo ter o controle, não os outros. Pode ser ainda difícil, mas eu estive me esforçando muito durante esse tempo, e eu precisava colocar isso em prática.
~//~
No dia do evento, o infeliz evento que Minho tanto se dedicava estava acontecendo. Todos os funcionários, clientes, fornecedores estavam ali. Eu o vi, claro. Ele tinha que estar ali. Demorou muito para que ele me visse também, mas me viu, e simplesmente acabou me ignorando. Havia muitas pessoas ali que sabiam do nosso envolvimento. Algumas até iam ao casamento que não aconteceu. Os cumprimentei normalmente; fui educado como sempre fui.
Eu só não respondia perguntas relacionadas à Minho e o que tinha acontecido. Já estava um pouco cheio daquele lugar; não me deixava esquecer. Então desci para o salão, vendo algumas artes dos desenvolvedores de jogos e vários comentários também.
Olhei um por um, tudo para demorar e não ter que subir, mas não sei se queria ter olhado agora. Havia um enorme quadro com uma foto de Jinki e seus dados, profissão e um comentário que fez como profissional, e outra uma frase que gosta.
“Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o! "
Fernando Pessoa”
Infelizmente não consegui aguentar a vontade de chorar... Entrei em uma porta que dava para saída de emergência e comecei a chorar. E quando dei por mim, Minho estava ali, parado, perto, me observando, e apenas levantei e segui em direção a porta. Ele me segurou.
— Espera, Taemin! – apenas o olhei.
— Acho que não temos mais o que conversar, Minho! Já entendi tudo da primeira vez. – falei frio.
— Eu... Sinto muito! – parei. — Eu não fui nada do que você sempre sonhou!
— É mesmo?! Se já... – me interrompeu.
— Eu também fui egoísta e impedi você e Jinki de tentarem isso. Briguei com ele, e acabei impondo que ele fosse embora, se não quisesse me perder. – ouvir isso me deu mais raiva.
— Não quero mais olhar pra você agora, Minho!
— Ele ainda te ama, Taemin... Em nenhum minuto depois do que tiveram, ele deixou. E eu só percebi o quanto ele sofria, que eu estava impedindo a felicidade do meu irmão, quando ele voltou e me implorou perdão.
Fiquei paralisado... Como assim ele voltou?!
— Ele está aqui, Taemin! Veio atrás de você. – falou envergonhado.
Estava hesitante, mas meu coração acelerou quando ouvi isso.
— Por favor, não o culpe!
Comecei a chorar.
— Você ainda o ama?! – perguntou sério. — Por que eu o amo demais, e só quero que ele seja feliz! – falou derramando algumas lágrimas.
— Muito!!! – afirmei. — Mesmo tentando, não consigo esquecê-lo. – e aumentei o choro.
— Eu também não, Taemin! – encarei ele parado na porta de emergência, onde estávamos.
— Jinki!? – abaixei a cabeça, ele estava mesmo ali. — Você voltou...
— Eu não aguento mais, Taemin. Eu te amo, e fui fraco em te abandonar, mas...
— Eu sei... – olhei para Minho que estava sem graça. E então ele saiu dali.
Ele se aproximou de mim, tocando meu rosto e apenas fechei-os chorando. Ele passou a mão no meu rosto. E então não aguentei mais, o abracei... Bem apertado, e ele levantou meu rosto. Passou o nariz no meu...
— Isso não vai acontecer de novo... Eu juro!!! – e eu só continuava a encará-lo.
E ele me beijou, carinhoso como era, mas depois acabou o tornando necessitado, e eu o agarrei com todas as minhas forças. Ficamos ali sem ver o tempo passar.
— Tenho medo de te soltar, Jinki! – falei escondendo meu rosto em seu pescoço.
— Podemos sair assim, eu não ligo!
– Ahh eu ligo.
Ouvimos uma voz que não a nossa. Jinki me olhou assustado e foi até a porta. Quando abriu, viu Kibum parado ali.
— Kibum?!
— Já entendi, estou super feliz por vocês, mas já esperei demais aqui... Pelo amor de Deus.
— Você estava ouvindo a gente?! Como sabia que eu estava aqui?! – perguntou Jinki surpreso.
— Eu sempre soube desde que chegou... Minho me contou!
— Então... – eu e Jinki ficamos sem graça, mas felizes.
— Então vocês poderiam ir para casa, se amarem na cama para matar a saudade e eu poder voltar a ver o sorriso do meu Tae?! É simples... Vão, vão, vão...
Começamos a rir, mas foi o que Jinki fez. Me pegou pela mão e saiu me puxando, passando por Kibum e algumas outras pessoas que estavam ali em baixo.
— Jinki?!
— Ainda vamos ver muita lua juntos, Taemin! – deu o seu sorriso mais lindo.
E eu loucamente acreditava. Não conseguia imaginar algo diferente vendo seu olhar e a firmeza de suas palavras. ... “Se perder um amor, não se perca! Se o achar, segure-o! ". E é isso que eu vou fazer a partir de agora!
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Plot enviado: #114 - Tae é noivo do Minho, quando chega na semana do casamento conhece seu futuro cunhado Jinki. O Minho nunca tem tempo pra nada, em primeiro lugar vem seu trabalho é acaba que Jinki o acompanha em todos os lugares, ajuda a escolher alianças, a ultima prova da roupa...Se apaixonam, Tae não acredita em amores avassaladores, Jinki é um espirito livre. Tae se encontra em Jinki o que nunca aconteceu em relação ao noivo. Não tem mais casamento, Jinki vai embora... Mas volta... Não é mais confortável andar pelo mundo, sem seu menino.
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Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: TaeMin não era mais o mesmo. Muita coisa havia mudado em pouco tempo. Mas uma coisa ainda continuava a mesma: ele queria distância de Choi MinHo! Entretanto, não era uma que MinHo tinha em mente! Será que uma aposta é capaz de diminuir essa distância e aproximar duas pessoas? Ou será que só é capaz de afastá-los ainda mais? Porém, dessa vez, pode não ter volta!
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O despertador tocava mais uma vez naquela fria manhã, mas o garoto enrolado debaixo das grossas cobertas se recusava a levantar. Ele não queria mesmo ir para aquela escola. Estava cansado de olhar para a cara daquelas pessoas, cansado daquela rotina massacrante, cansado de ter todos os olhos voltados para si depois do que acontecera e por carregar o sobrenome que possuía.
— Senhor Lee, levante-se, por favor! O senhor chegará atrasado novamente ao colégio. — Um empregado batia em sua porta insistentemente.
— Some daqui, merda! — A voz abafada pelas cobertas saiu com irritação. — Não quero saber daquele lugar!
— Infelizmente, senhor Lee, serei obrigado a repassar essa informação ao seu pai e creio que isso não o deixará feliz — respondeu o empregado.
— Que caralho! Eu já vou descer pra ir pra aquele inferno! — Carregado com enorme frustração, o garoto atirou as cobertas no chão e seguiu para o banheiro, aonde faria sua higiene matinal e, depois, finalmente, seguiria para o colégio, aonde mais uma vez chegaria atrasado.
O mau humor de Lee TaeMin era a única coisa que não tinha mudado nos últimos meses. Andava cabisbaixo e frustrado por causa dos últimos acontecimentos e do rumo que a sua vida tinha tomado e ainda tomaria em tão pouco tempo.
Ter o sobrenome Lee era um fardo enorme a se carregar, mas isso nunca tinha sido problema para TaeMin. Sua família sempre fora muito afetuosa, mesmo sendo um dos clãs mais importantes da sociedade. Com a aproximação do seu aniversário de dezessete anos, a expectativa para a definição do que seria era enorme, afinal, assim como seu irmão mais velho, Jinki, e, como a maioria dos homens de sua família, TaeMin queria se tornar um alfa, mas para seu total desgosto e surpresa de todos, ele era um ômega! Justo um ômega!
Aquele primeiro cio tinha sido um total e completo inferno. Seu pai e irmão tiveram que passar o período fora de casa, uma vez que o seu cheiro de ômega perturbava consideravelmente a sanidade dos dois. Apenas sua mãe e os empregados, todos betas, tentaram o ajudar, mas não puderam fazer muito. A dor constante e imensa, a necessidade de satisfação sexual o consumia quase por completo, mas ele recusou, com as poucas forças que tinha, os alfas que sua mãe conseguira para lhe trazer alívio. Ele se negou a copular com quem quer que fosse, tentando afastar de si seus instintos mais primitivos. Quase enlouquecera por isso, mas se manteve firme. Tinha certeza de que não conseguiria o mesmo sucesso no próximo cio.
Os muros altos da escola já podiam ser vistos. TaeMin suspirou profundamente, colocou seu fone, esperou o carro estacionar e saiu sem olhar para trás. Não tinha a menor ideia de como conseguiria suportar os anos que faltavam para sair daquele lugar.
— Não olha por onde anda, não, criança? — Aquela voz irônica chegou até os ouvidos de TaeMin, que agora estava caído no chão depois do esbarrão que dera naquela pessoa.
— Cala a porra da boca, MinHo! — TaeMin disse se levantando. — Para de encher a porra do meu saco logo de manhã!
— Hum... que ômega mais estressadinho! — MinHo ignorava as palavras ditas por TaeMin. — Você sabe que seu cio está chegando outra vez, não é? Se precisar de ajuda, eu tô a...
— Eu prefiro ser fodido pelo primeiro beta que aparecer na minha frente a ser comido por você! — A raiva que TaeMin sentia podia ser sentida naquelas palavras. — Saiam da minha frente, porra! — Ignorando a pequena multidão que havia se formado ao redor dos dois, ele saiu em direção à sala.
— Qual a necessidade disso, MinHo? — JongHyun, melhor amigo de MinHo, se aproximava do alfa. — Você não aprende e só faz merda!
— Você é chato pra caralho, cara! — MinHo dizia rindo para o amigo. — Ele tá tão gostoso! E o cheiro dele, Jong?
— Você é ridículo, idiota! — Os dois saíram em direção à sala e, à medida que andavam, os alunos abriam um corredor para que passassem, demonstrando o quanto aqueles dois alfas detinham o respeito de todos naquele lugar.
TaeMin simplesmente não queria estar naquele ali! Todos os olhares excessivamente questionadores em cima de si buscavam entender como depois de tanto tempo um dos membros do clã Lee acabara por ser um ômega. Ele mesmo não aceitava muito bem toda essa situação, mas tinha em mente que, por pior que fosse, o que mais afligia sua mente era o fato de ser subjugado por alguém. Independente de ser um ômega ou não, a ideia de ser total e completamente submisso a um alfa, o fazia odiar cada vez mais tudo o que estava vivendo.
Ignorando o sinal que tocava, TaeMin seguiu no sentido contrário aos que os outros alunos iam, chegou até a sala de música e um pequeno sorriso de canto surgiu nos seus lábios ao avistar o piano. Sabia que ali poderia fugir por alguns instantes de tudo aquilo que lhe afligia. Caminhou até o instrumento e começou a dedilhá-lo, jogou a mochila num canto qualquer, sentou-se na frente do piano e deixou a sua mente vagar, enquanto uma melodia triste tomava conta do lugar.
TaeMin realmente não sabia dizer quanto tempo tinha ficado ali, mas sabia que estava realmente muito encrencado. Não fazia ideia de como justificaria sua ausência nas primeiras aulas e nem como faria para que aquilo não chegasse aos ouvidos do seu pai. Apanhou sua mochila e saiu do local, caminhando lentamente na direção das salas de aula, todavia, ao passar pela porta do anfiteatro, alguns risos e cochichos chamaram a sua atenção. Ficou curioso em saber quem seriam os alunos que tinham decidido matar aula assim como ele. Abriu vagarosamente a porta que dava acesso ao anfiteatro sem fazer barulho, não queria nada além de matar a sua curiosidade, então ficou escondido no fundo do local para que não fosse visto, enquanto observava um grupo de rapazes rindo e conversando no meio do palco. Rapidamente pôde reconhecer alguns deles.
“Então o presidente do grêmio estudantil e capitão do time de futebol da escola também mata aula como nós meros mortais!” pensou TaeMin, imaginando o quanto era irônico ver MinHo e alguns de seus amigos ali longe da sala de aula . “O que será que o diretor acharia dessa pequena reunião?”
Com o intuito de ir imediatamente até a direção entregar MinHo e os outros alunos que ali estavam, TaeMin estava prestes a sair do anfiteatro, quando teve a impressão de ter escutado o seu nome. Parou onde estava para tentar ter certeza do que ouvira e mais uma vez seu nome foi dito. “O que diabos esses babacas estão falando de mim?” A raiva crescia enquanto TaeMin se agachava e aproximava o máximo que podia entre as cadeiras sem ser visto, a fim de poder escutar melhor o que os outros conversavam.
— A gente tem que concordar com você, Kyuhyun! O TaeMin tá cada vez mais gostoso! — dizia ChangMin. — E depois de ter virado um ômega parece que ficou ainda mais apetitoso!
— O alfa que conseguir entrar no meio daquelas pernas será um cara de sorte! — Kyuhyun continuou. — Não concorda, MinHo?
— Eu acho que vocês estão exagerando...— MinHo respondeu com certo desdenho na voz. — Não vejo nada de interessante naquele magrelo desnutrido! Tenho pena do alfa que for obrigado a encarar aquele bicho pau mal humorado no próximo cio dele!
— MinHo... se eu fosse você pensava muito bem no monte de merda que tá falando! — JongHyun suspirou no canto, desaprovando o que o amigo dizia.
— O que foi, JongHyun? Tá sabendo alguma coisa sobre o MinHo? Conta pra gente! — insistia ChangMin.
— Ah! Olha a cara do MinHo! Ele ficou assim depois que a gente falou do TaeMin! — Kyuhyun exclamou eufórico. — Não me diga que o MinHo quer tirar a virgindade do ômega mais gostoso e esquisito da escola!
— Vai se foder, Kyuhyun! — MinHo vociferou. — Se eu quisesse, era só estalar os dedos, e o TaeMin estaria estirado na minha cama pronto pra ser fodido por mim quantas vezes me desse vontade!
— MINHO! — Jonghyun gritou. — Você é um...
— Para de reclamar como se fosse a mãe do MinHo, Jonghyun! — ChangMin o interrompeu. — MinHo, a gente sabe que todos betas e ômegas dessa escola lambem o chão que você passa, além de muitos ômegas esperarem que o herdeiro do clã dos Choi os marque e aquelas baboseiras todas... Mas o TaeMin está muito longe desse grupo! Ele quer distância de você e do seu pau!
— Eu posso ter o TaeMin na hora que eu quiser! — MinHo respondeu de maneira arrogante e presunçosa.
— Você acredita mesmo nisso, MinHo? Ele mal suporta olhar pra sua cara! — Kyuhyun ria enquanto falava.
— Se você tem tanta certeza assim, MinHo, então prova! — ChangMin disse enquanto se aproximava de MinHo com um olhar desafiador.
— Como assim? — MinHo se sobressaltou.
— É muito simples, você tem até o próximo cio do TaeMin pra transar com ele...— ChangMin dizia enquanto se aproximava vagarosamente do maior. — Se você conseguir, serei seu escravo durante o resto do ano, mas caso não consiga, o seu lindo Porsche, meu amigo, será meu até o final do ano.
— Esquece is...
— Fechado! — Jonghyun não teve tempo de terminar o que dizia, uma vez que MinHo já tinha aceitado a aposta que seus amigos lhe tinha feito.
Os quatro rapazes se assustaram quando ouviram o barulho da porta do anfiteatro ser batida. Olharam um para o outro, assustados, pensando na possibilidade de mais alguém estar ali justo naquele momento, ouvindo o que falavam.
— Tinha mais alguém aqui? — Kyuhyun perguntou espantado. — Eu não vi ninguém além da gente!
— Eu também não vi, mas vamos até lá conferir que merda foi essa — ChangMin disse, indo em direção à porta. — Não quero ninguém atrapalhando a nossa aposta, não!
Assim que Kyuhyun e ChangMin saíram do anfiteatro, MinHo teve sua cabeça acertada por um tapa de JongHyun, que o encarava furioso:
— Porra, Jong! Isso dói! — MinHo esfregava o local atingido. — Tá me batendo por quê? Esse seu relacionamento com o Kibum tá realmente te afetando!
— EU NUNCA CONHECI UMA PESSOA TÃO IDIOTA QUANTO VOCÊ, MINHO! — JongHyun gritava irritado. — Você é o único animal que eu conheço que consegue fazer uma aposta ridícula usando a pessoa que ama! Deve ser por isso que eu estou irritado! E pelo fato de ter ouvido você suspirar e babar pelo TaeMin todos esses anos!
— Jong, eu sei o que tô fazendo! Eu tenho um pla...
— VOCÊ NÃO TEM CARALHO DE PLANO NENHUM! — O menor dos dois continuou exaltado. — Você se lembra do quanto choramingou quando percebeu que estava de quatro pelo TaeMin, mas o fato dele ser “praticamente” um alfa por causa da família o impedia de tentar alguma coisa? Se lembra de como ficou tão feliz com o fato dele ter se tornado um ômega que pouco faltou implorar ao Kibum pra te levar até a casa dele pra ajudá-lo no cio?
— Me escuta, Jong! — MinHo tentava acalmar o ânimo do amigo. — Eu sei que parece que eu fiz merda, mas no final vai dá tudo certo!
— O teu rabo que vai dar certo, MinHo! — JongHyun não se acalmava. — Eu realmente não sei em que você está pensando, mas já vou logo avisando que vai dar merda, e o TaeMin nunca mais vai querer olhar na sua cara quando descobrir sobre essa aposta! E mais uma coisinha, eu não quero saber dessa palhaçada mesmo! Você que se ferre sozinho!
— Mas Jong...— MinHo ainda tentou chamar a atenção do amigo enquanto este caminhava furioso em direção a saída!
— Fecha a porra da boca, Choi MinHo! Não é assim que você vai conseguir a atenção do TaeMin, seu babaca! — A raiva estava longe de deixar o menor. — E deixe o Kibum fora dessa merda! — JongHyun saiu batendo a porta.
MinHo caminhou em direção a sua mochila, a apanhou e, antes de colocá-la nos ombros e sair, começou a pensar se realmente havia se deixado levar pelo calor do momento e feito a maior burrada de sua vida. Mas infelizmente não tinha como voltar atrás, além do seu orgulho não permitir, era a chance que precisava para se aproximar de TaeMin. Da maneira errada, é claro, mas mesmo assim, faria de tudo para ter o ômega mais bonito e inteligente daquela escola em seus braços.
Escondido outra vez na sala de música, TaeMin tentava secar as teimosas lágrimas de ódio que escorriam por sua face. Sabia que tanto Kyuhyun quanto ChangMin não se dariam ao trabalho de entrar ali para procurar quem estava escutando a conversa deles no anfiteatro. Provavelmente, já deveriam estar acreditando que o barulho fora apenas o vento. Mas aquela conversa não saía da cabeça de TaeMin. Aqueles babacas tinham apostado a sua virgindade por pura diversão! E o pior de tudo isso era que o maior idiota de todos, Choi MinHo, era quem estava apostando com os outros! Logo ELE!
Ainda tentando controlar as lágrimas e buscando colocar os pensamentos em ordem, pegou o celular e, na discagem rápida, chamou a única pessoa que poderia lhe ajudar naquele momento:
— Me encontra na sala de música agora e não demora! — TaeMin dizia rápido, tentando disfarçar o choro.— EU NÂO ESTOU CHORANDO, CARALHO! Só vem logo e para de falar! — Não deixou o amigo terminar e desligou o telefone, pois sabia que ele logo estaria ali.
E estava certo, já que em poucos minutos, um Kai aflito e ofegante abriu a porta da sala de música:
— Tae! Tae! Cadê você? — o rapaz já aumentava o tom de voz. — TAEMIN!
— Para de gritar, merda! — TaeMin disse encolhido num canto da sala. — Eu ‘tô aqui!
— O que aconteceu? — Kai falou espantado ao ver o jeito que seu melhor amigo se encontrava. — Pelo amor de Deus, Tae! Fala logo o que aconteceu, merda!
— Se você calar a porra da boca e me deixar falar, eu te conto! — A raiva ainda estava presente na voz de TaeMin. — Senta logo aqui!
Kai fez o que o amigo disse e se sentou ao lado dele. Em seguida, escutou atentamente toda a história que TaeMin lhe contava. Um misto de raiva e indignação passava pelo rosto de Kai. Como alguém ousava fazer um absurdo daqueles com o seu amigo?
— Você não disse nada, Tae? — Kai levantou e começou a caminhar de um lado para o outro. — Você tinha que ter ido até lá e enfiado a porrada nesse escroto! Nunca pensei que o MinHo fosse um idiota tão grande assim!
— Nunca pensou? — TaeMin levantou e encarou o amigo. — Desde quando você se dá ao trabalho de pensar alguma coisa sobre ele, Kai?
— Desde o momento em que o meu melhor amigo começou a ter uma paixonite por ele há alguns anos! — Kai respondeu. — Você se lembra muito bem de como ficou naquela época em relação a ele, Tae! Acabei buscando algumas informações sobre ele e bem... ele parecia ser um cara legal! Mas depois dessa aposta aí, não sei o que pensar!
— PARECIA SER UM CARA LEGAL? — Mais uma vez TaeMin se exaltou. — Realmente Kai, eu não sei como o D.O. consegue aturar a sua lerdeza! Você se lembra de como eu fiquei na época dessa porra de paixonite, idealizando um Choi MinHo que eu nunca poderia ter já que eu seria um alfa! EU SERIA UM ALFA, KAI! — As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto bonito de TaeMin. — Eu me obriguei a esquecê-lo por causa dessa merda e, de repente, eu sou um ômega! Irônico, não é mesmo?
— Tae, não fica as...
— E EU VOU FICAR COMO, JONGIN? — TaeMin cuspia as palavras. — Depois que eu descobri que sou um ômega, você sabe como eu fiquei! Todo mundo acha que é palhaçada, mas não é! Ninguém sabe o quanto é difícil pra mim, o quanto é complicado aceitar tudo isso! E VOCÊ MAIS DO QUE NINGUÉM SABE O QUANTO EU TÔ TENTANDO! E agora, vem isso! UMA APOSTA, KAI? EU SÓ SIRVO PRA UMA APOSTA? É ASSIM QUE ELE ME VÊ?
— Claro que não, Tae! — Kai estava começando a ficar assustado com o desespero do amigo. — Você precisa se acalmar!
— ACALMAR, MEU RABO! EU TÔ MUITO BEM ASSIM! — TaeMin tentava secar as lágrimas que teimavam em rolar pelo seu rosto. — Mas se ele tá pensando que vai conseguir me comer fácil desse jeito, ele tá muito enganado!
— O que você pretende fazer, Tae? — Kai tentava a todo custo entender o amigo. — Esfria a cabeça e pensa um pouco no que você vai fazer... Toda vez que você age por impulso, acaba sofrendo sem necessidade!
— Que merda é essa que você tá falando, Kai? — TaeMin olhava irritado para o amigo. — Detesto quando você começa com esses papos de maluco que eu não entendo porra nenhuma! Cala a boca e vamos pra sala!
— Você não pode voltar pra sala desse jeito, Tae! Tenta se acalmar um pouco e a gente vai.
— Meu caralho! Como você tá chato! — TaeMin já estava na porta esperando o amigo. — Vai vir ou não?
— Você não vai me dizer o que está pensando não, Tae? — Kai perguntou desconfiado, pois já imaginava que o amigo estava tramando algo. — Sei muito bem que você vai aprontar alguma coisa pra cima do Choi, TaeMin!
— Pra quem é lerdo como uma lesma até que você pensou rápido dessa vez, JongIn! — TaeMin deu um sorriso sarcástico na direção do amigo. — Se o Choi resolveu jogar comigo, acho justo que duas pessoas participem desse jogo... Não acha?
— Tae...
— Ah! Vamos logo pra aula que a gente já tá atrasado, Kai!
— Mas o que deu em você agora, garoto? — Kai parou em frente à porta. — É você que nunca quer assistir às aulas! A sua sorte é que você é inteligente o suficiente pra não precisar prestar atenção naquelas aulas chatas e que não têm fim!
— Você realmente não lembra a aula que a gente tem agora, não é mesmo? — TaeMin empurrava o amigo para fora da sala. — Anda logo, Kai! O dia vai ser bem agitado hoje.
Assim que entraram no espaço do laboratório de Ciências, Kai logo entendeu o que o amigo queria dizer. Desde o início do ano letivo, a turma deles estava tendo algumas aulas junto com a turma do terceiro ano, mais precisamente, com a turma de MinHo, uma vez que no final daquele semestre teriam uma importante feira para participarem.
TaeMin seguiu diretamente para o seu lugar e passou a fingir que prestava atenção na aula. Já havia decidido o que faria em relação àquela aposta e a MinHo. Só tinha que esperar o momento certo para começar a colocar seu plano em prática.
E parecia que o mundo resolvera conspirar a seu favor quando o professor começou a falar sobre a tal feira do final do semestre e como os trabalhos seriam apresentados em duplas formadas por um aluno de cada ano. Eles teriam que apresentar vários trabalhos ao longo do semestre, recebendo notas pelos mesmos, que seriam somadas à nota que eles receberiam quando apresentassem o produto final durante a feira de Ciências.
TaeMin nem precisou pedir pra fazer dupla com MinHo, pois o alfa não havia nem deixado o professor terminar de dar as explicações e foi logo solicitando o Lee como seu parceiro. Era quase impossível aquele ser ter algum pedido negado naquela escola e foi justamente isso que aconteceu. Lá estava TaeMin, indo se sentar ao lado de MinHo pelo resto do semestre.
— Tae... antes de mais nada, deixa eu me desculpar com você por hoje mais cedo... — MinHo dizia sem jeito.
— Mas veja só o que temos aqui: se não é o grande capitão do time de futebol pedindo desculpas a um simples mortal como eu! — TaeMin debochava do maior. — Me economiza das suas gracinhas, MinHo!
— Eu tô falando sério, TaeMin! — o maior insistia. — Eu sei que exagerei, na verdade, eu ando exagerando nos últimos dias com você! É porque eu simplesmen...
— Meu Deus! Acho que hoje vai cair o maior temporal! — TaeMin continuava implicando. — Você se desculpando por todas as palhaçadas que anda fazendo comigo? Só pode se milagre mesmo! Mas mesmo assim, nem vem de graça! Quero mais que você morra sufocado com todas essas suas desculpas esfarrapadas! E vê se cala essa boca porque o professor tá explicando o trabalho!
— Poxa, Tae! O que custa você me desculpar? — MinHo não desistiria tão fácil. — Eu já disse que foi mal pelo vacilo que eu dei com você, eu quero que isso fique pra trás e que a gente possa tentar ser amigos a partir de agora!
— Amigos o seu rabo, MinHo! E mais uma coisa: ou você cala essa boca ou eu vou pedir pro professor me trocar de lugar com o Kai!
— Você não faria isso, e o professor também não atenderia a esse seu pedido! — MinHo disse entredentes.
— Eu não sou o melhor aluno dessa disciplina a toa, seu poste! — TaeMin soprou debochado. — Vai calar a porra da boca ou quer apostar?
MinHo engoliu em seco e preferiu não dizer mais nada. Outra aposta não estava nos seus planos e, para dizer a verdade, se não fosse pelo calor do momento e pela possibilidade de ter algo que desejava há muito tempo, não teria se metido naquela confusão. Teria que fazer valer a pena e torcer para que no final o ômega o entendesse e o perdoasse.
TaeMin por sua vez percebeu que se quisesse fazer com que o maior provasse um pouco do seu próprio veneno, não poderia continuar agindo daquele jeito com ele, teria que engolir toda a raiva que estava sentindo e se aproximar de MinHo.
— Ei, MinHo... — TaeMin chamou o maior. — Eu não ‘tô a fim de continuar com essa palhaçada mais não. ‘Tô de saco cheio de ter você pegando no meu pé todo dia! E já que seremos obrigados a passar um bom tempo juntos por causa dessa porcaria de trabalho, que tal uma trégua, hein?
— Ah, Tae! — MinHo exclamou surpreso. — Isso é tudo o que eu mais quero! Me desculpa por pegar tanto no seu pé! Eu realmente não se...
— Tá, tá, tá bom, MinHo! — Aquilo estava sendo mais difícil do que TaeMin esperava. — Só não precisa ficar falando tanto no meu ouvido!
MinHo não podia acreditar naquilo! Ter TaeMin por perto sem querer voar em seu pescoço era um grande avanço. A partir daquele momento, era só ir se aproximando cada vez mais do menor e fazer com que ele se apaixonasse por si. Tinha certeza de que se conseguisse fazer com que isso acontecesse, TaeMin o perdoaria.
XXXXX
A semana passou voando e tanto TaeMin quanto MinHo estavam bastante envolvidos no trabalho para a feira de Ciências. Apesar de estarem bastante adiantados, MinHo percebia que o menor não parecia estar se dedicando ao máximo para fazer o trabalho e isto já estava lhe incomodando, pois, mesmo buscando se aproximar de TaeMin, ainda precisava manter sua média alta.
— TaeMin, você tem certeza que deveríamos colocar isso aqui como resposta? — MinHo apontava para a página do livro. — Isso não tem nada a ver com a pergunta que o professor fez!
— MinHo, eu já te disse que é essa resposta aí mesmo! — TaeMin falava calmamente com o maior. — Você não tá acreditando em mim, por quê? — disse o menor com certo ar de tristeza fingida na voz.
— Não, Tae! É claro que eu acredito! — MinHo disse rapidamente. Tentava desfazer a tal tristeza que o menor aparentava ter. — É só que eu não ‘tô muito certo de que isso aqui se...
— AH! Eu sabia que ia ser assim! — TaeMin cortou o maior. — Eu não sei porque quis te dar uma chance de ser meu amigo, MinHo! Eu realmente estava acreditando que você tinha mudado! Essa semana, a gente até se aproximou um pouco, e você disse que estava gostando de estar me conhecendo melhor, de estar comigo e agora você não confia em mim?
— TAE! É CLARO QUE EU CONFIO EM VOCÊ! — MinHo falou um tanto desesperado. — Me desculpa mesmo! Eu confio em você, é lógico que eu confio!
— Mas não parece! — TaeMin não parou com a encenação.
— Olha, já estou escrevendo a resposta que você disse aqui! — MinHo faria de tudo para satisfazer o menor. — Se é isso que você disse que é, então é!
— Me dá isso aqui! — TaeMin puxou o trabalho da mão de MinHo. — Pode deixar que eu termino o que falta e entrego ao professor. Não quero mais você desconfiando de mim e reclamando igual a um ômega no cio! — resmungou irritado.
— Mas que eu saiba o ômega daqui é você! — MinHo não perdeu a oportunidade de implicar com TaeMin.
TaeMin já havia suportado tudo o que podia e o que não podia ao longo daquela semana. Depois que saíram da aula que tiveram juntos, teve que aguentar JongIn perguntando sobre o que ele estava tramando e o porquê de estar fazendo dupla com MinHo sem reclamar ou brigar com o professor. MinHo também não lhe deu um descanso! Ele fora até a sua sala e o convidou para almoçarem juntos, e TaeMin teve que engolir o seu ódio para responder que sim. Lá estava ele, junto do maior, atraindo todos os olhares por onde passava naquele maldito lugar. Até que admitiria que, em alguns momentos, conseguiu achar MinHo menos desprezível do que pensava, mas esse pensamento logo era esquecido. Conseguiu descobrir que JongHyun era bem falante e agradável, que tinha um namorado por quem era completamente apaixonado e que, se fosse em outra época, teria sido bom tê-lo como amigo.
MinHo não parava de falar em todos os momentos que estavam juntos! Como ele era irritante! Queria conversar e que se conhecessem melhor! TaeMin tinha vontade de socar a cara do maior com toda a força que possuía quando ele “acidentalmente” vinha ajeitar o seu rabo de cavalo ou aparecia com o seu sorvete preferido depois da aula só para lhe fazer um agrado. Realmente lhe intrigava o fato de MinHo saber de qual sorvete ele mais gostava, uma vez que eles mal conversavam antes de fazerem o trabalho juntos. Aliás, eles estavam a ponto de trocarem socos assim que se viam em qualquer canto da escola e agora estavam ali daquele jeito, caminhando diariamente lado a lado, parecendo que estavam tendo um momento agradável, conversando sobre tudo menos sobre a porcaria do trabalho! TaeMin não sabia por mais quanto tempo poderia suportar isso.
— ME DÁ ESSA MERDA AQUI! — TaeMin puxou o trabalho com raiva da mão de MinHo, o dobrou e, com força, bateu com ele na cabeça do maior. — Deixa que eu termino essa merda sozinho e entrego ao professor! — E saiu andando na direção do carro que já o aguardava na calçada da escola.
— Poxa, Tae! Isso doeu, sabia! — MinHo esfregava a cabeça enquanto sorria descaradamente. — Se precisar de ajuda, é só me ligar!
— Graças a Deus, eu não tenho a porcaria do seu número! — TaeMin respondeu com um sorriso, já entrando no carro.
— Eu anotei mais cedo no seu caderno! Então, é só me ligar! — MinHo tinha quase certeza que o menor tinha lhe mandando pra algum lugar antes de entrar no carro, mas isso não importava! O que realmente era importante é que durante aquela semana tinha feito mais avanço com TaeMin do que durante aqueles anos em que passou o admirando de longe. Começou a achar que aquela aposta não tinha sido uma coisa tão ruim afinal.
XXXXX
Após passar todo o final de semana trancado no seu quarto, fugindo dos seus pais que insistiam com o sermão “você precisa arranjar logo um alfa”, TaeMin chegou mais cedo na escola naquele dia, o que tinha causado um certo espanto no empregado de sua casa, quando o menor passou correndo por ele logo cedo, dizendo que iria de metrô. Todo aquele esforço valeria a pena! A primeira parte de sua vingança contra MinHo começaria naquele dia.
— Professor Oh, posso entrar? — TaeMin abriu a porta e se curvou respeitosamente e esperou a permissão do professor para poder entrar e sentar.
— A que devo a honra do meu melhor aluno vir me procurar tão cedo nessa semana? — o professor perguntou intrigado. — Você anda muito distraído ultimamente, TaeMin! Sorte sua ser inteligente o suficiente para manter uma média alta! Quem dera se grande parte dos seus amigos daqui fossem assim! — disse frustrado. — Mas creio que você tenha uma boa razão para ter vindo aqui. Vamos, me diga!
— Olha, professor, eu vou ser bem direto com o senhor! — TaeMin começara o seu falso discurso. — Sei que o MinHo praticamente o obrigou a permitir que ele fizesse dupla nesse trabalho comigo...
— Lee, infelizmente o Choi possui muito prestígio dentro da escola não só com o diretor, mas com boa parte dos outros professores! — O professor suspirou frustrado. — Ainda mais com a final do campeonato de futebol se aproximando, não é prudente contrariá-lo, entende?
— Acho que entendo sim, professor! — TaeMin sabia perfeitamente o que o professor queria dizer. — Mas o que eu esta...
— Ir contra Choi MinHo nesse momento seria arrumar confusão com o diretor, com os professores e a maior parte dos alunos dessa escola que só se importam com essa maldita taça da liga estudantil! — o professor interrompeu TaeMin, irritado. — Não consigo entender todo o fascínio que esse garoto exerce sobre eles. O sobrenome que ele carrega deve contribuir pra isso!
— Isso mesmo, professor! — TaeMin havia achado a deixa perfeita pra continuar. — É justamente sobre essa folga toda que eu vim aqui procurar o senhor! — O menor estava se segurando para não rir e destruir todo o teatro que estava fazendo. — Por causa dessa maldita final do campeonato de futebol, o MinHo me deixou fazendo o trabalho praticamente sozinho! O pouco que ele me ajudou foi durante as suas aulas, professor! Eu realmente não queria prejudicar o MinHo, mas nesse momento, eu acho que ele deveria saber muito bem quais deveriam ser as suas prioridades!
— O Choi teve coragem de te obrigar a fazer tudo sozinho? — A raiva na voz do professor soava como música aos ouvidos de TaeMin. Ele teve que se segurar para não cair na gargalhada naquele momento. — Quem ele pensa que é para te tratar assim?
— Eu não pude me negar a fazer porque... bem, porque ele é o MinHo, né professor? — TaeMin continuava com todo aquele teatro. — Quem seria capaz de dizer não ao todo-popular-alfa-amado-de-todos, Choi MinHo? Eu é que não quero ter toda a escola contra mim, sabe? Mas eu pensei bem durante todo final de semana e, mesmo correndo o risco de ter problemas com todo mundo, decidi que não era justo o MinHo me usar para conseguir uma boa nota sem fazer nada! Por isso eu vim até aqui falar com o senhor!
— Ah, meu caro Lee... não se preocupe com isso! — O professor tinha caído na conversa de TaeMin. — Eu irei resolver essa situação de uma maneira em que o seu nome não seja envolvido! O jovem Choi terá o que merece e nada sobre essa nossa conversa sairá daqui!
— Muito obrigado, professor! — TaeMin se curvou agradecido. — Eu não tenho palavras para lhe agradecer por tudo o que está fazendo por mim!
— Ora, menino Lee! — o professor respondeu, parecendo orgulho com o apreço que o aluno parecia lhe demonstrar. — Faço isso porque essa escola deveria valorizar alunos como você e não um atleta superestimado como o Choi!
— Vejo o senhor na aula, professor! — E assim que saiu da sala, TaeMin mal conseguiu segurar a risada até virar o corredor. Ainda não acreditava como o professor Oh tinha caído naquele papo furado! É verdade que ele sabia que o tal professor não gostava muito dos alunos atletas da escola, mas nunca pensou que poderia usar isso a seu favor!
Naquele dia, depois de muito tempo, a música que preencheu aquela sala de música demonstrava o quanto quem a tocava estava alegre.
XXXXX
A manhã transcorreu tranquilamente, apenas com um JongIn estranhando o bom humor repentino do amigo. Fazia um bom tempo que TaeMin não ficava daquele jeito. Aquele bom humor tinha que ter um bom motivo, e JongIn achava que era algo relacionado a MinHo. Mas não ousaria perguntar e estragar toda aquela felicidade que o amigo aparentava ter.
Prestes a começar a aula de Ciências, TaeMin mal se continha em seu lugar e isso era perceptível para todos. Principalmente para o seu parceiro de dupla:
— Tae, você está bem contente hoje, né? — MinHo o questionou. — Não vai me contar que passarinho foi esse que você viu no fim de semana, não?
— Como você é um pé no saco, MinHo! — TaeMin o olhou frustrado. — Mesmo você sendo um idiota completo, e eu sendo obrigado a estar aqui sentado com você, nada estragará o meu bom humor! Nada e nem VOCÊ!
— Nossa, Tae! — MinHo fez um biquinho na direção do menor. — Essa magoou!
— Cala a boca, seu idiota! — TaeMin disse rapidamente. — O professor está entrando na sala!
— Grande coisa! Nunca tive uma aula mais chata do que essa em toda a minha vida! — MinHo suspirou frustrado. — Não sei como você aguenta ficar ouvindo esse mimimi sem fim desse professor! Se não fosse por você, eu já tinha dado um jeito de ter me livrado dessa aula faz tempo!
— Por minha causa? — TaeMin o olhou surpreso. — Para de falar merda, seu ridículo! Nós só passamos a ter essa aula juntos na semana passada!
— TaeMin, eu só assisti pouquíssimas aulas de Ciências em toda a minha vida! — MinHo sorriu presunçoso. — Ser o presidente do conselho estudantil e ter o sobrenome que eu carrego ajuda em algumas coisinhas! Além do mais, essa porra dessa matéria nunca foi o meu forte!
— Usar o cérebro nunca foi o seu forte realmente, MinHo — o menor o respondeu atravessado. — Não é a toa que você só faz merda atrás de merda.
— E desde quando eu só faço merda, TaeMin? — MinHo não gostou do que TaeMin tinha lhe dito. — Sei que já fiz muita besteira por aí e me arrependo de algumas delas, inclusive das brincadeiras e piadas de mau gosto que te disse. Mas isso não quer dizer que eu seja só assim!
— Será que não, MinHo? — TaeMin ignorou por completo a presença do professor. — Desde quando o alfa super popular dessa escola decadente faz alguma coisa além de espalhar o seu cheiro e atrair tudo quanto é ômega e beta que tem por aqui? Que eu saiba você nunca fez nada além de sair por aí demonstrando toda a capacidade atlética e aproveitando do seu cio para acasalar com tudo quanto é gente que se esfrega em você! O que, convenhamos, é quase toda a escola, não é mesmo?
— TaeMin! De onde você tirou toda essa merda? — MinHo estava surpreso e irritado com aquelas palavras. TaeMin nunca havia sido tão direto assim com ele. — Você mal me conhece e já vem despejando esse monte de merda pra cima de mim! Muito me admira você estar dando ouvidos a um monte de fofoca que rola nos corredores daqui! Sempre achei que nada disso te interessava!
— E não interessa mesmo! — O bom humor de TaeMin já havia ido embora. — Não quero saber de nada disso aqui! De ninguém daqui! E muito menos nada sobre você!
— Como você já sabe o que o povo daqui costuma dizer, as fofocas que rolam por aqui, vamos esclarecer alguns fatos: primeiro, eu não costumo acasalar com tudo quanto é ômega e beta daqui não! Acho essa porra toda de cio extremamente desgastante e não acho certo usar as pessoas só pra satisfazer um simples desejo; segun...
— Simples desejo? — TaeMin o interrompeu irritado. — Seja menos hipócrita, MinHo! Desde quando a porra de um cio enlouquecedor é um simples desejo? Duvido que você não saia enfiando esse seu pau em tudo quanto é buraco disponível que apareça! E eu sei que aparecem vários!
— O cacete que eu faço isso, seu babaca! — MinHo também já estava irritado. — As pessoas não devem ser tratadas como objeto não, TaeMin! O que você está pensando que eu sou, seu merda?
— Justamente isso: UM MERDA! — TaeMin vociferou. — E esse seu papinho pra boi dormir aí não engana ninguém! Não quer tratar ninguém como objeto, mas sai por aí fazen...
— Eu realmente não queria atrapalhar o espetáculo que os dois estão fazendo na minha aula, mas no momento, eu realmente preciso dar início a ela! — o professor Oh falou alto e interrompeu a discussão. — Se vocês puderem sentar e ficarem de boca fechada, ignorarei todo o circo que ambos armaram aqui na minha frente! Agradeçam a boa notícia que recebi antes de entrar aqui o fato de não os expulsar agora mesmo da sala!
Assim que o professor terminou de falar, TaeMin olhou ao seu redor e constatou que toda a sala estava virada olhando para ele e MinHo. Algumas meninas o olhavam com uma cara de deboche, outros estavam tentando entender o que tinha se passado ali e JongHyun e JongIn olhavam seus melhores amigos perplexos. O que tinha acontecido com aqueles dois para estarem fazendo uma cena justamente na aula de Ciências?
— Bom, a respeito da primeira etapa do trabalho de vocês, todos conseguiram entregar o que lhes pedi a tempo e isso me deixou bem satisfeito. Entretanto, para o meu desgosto, chegou ao meu conhecimento que alguns de vocês não demonstraram total empenho durante a realização do trabalho, deixando para seus colegas de dupla toda a responsabilidade. Para que isso não ocorra na segunda etapa que passarei hoje, acabei por fazer algumas mudanças — o professor dizia, olhando especificamente para MinHo. — Cada dupla terá um horário de estudo determinado a cumprir na monitoria. Será uma hora diária durante a próxima semana! — o falatório começou antes mesmo de o professor terminar. — Com exceção da dupla formada por Lee TaeMin e Choi MinHo. Vocês dois farão duas horas de monitoria! Comigo!
— O QUÊ? — gritaram TaeMin e MinHo ao mesmo tempo.
— Bem, rapazes... — o professor Oh se sentou e continuou. — Pelo que eu pude perceber, o ânimo entre os senhores anda bem exaltado, e o trabalho de vocês refletiu isso! Por isso, estou dobrando o horário de vocês para possibilitar não só o entrosamento entre vocês dois, mas para fazer com que o meu melhor aluno produza tudo àquilo que espero dele. Certo, Lee TaeMin?
— Certo, professor! — TaeMin respondeu engolindo a raiva.
— Professor Oh, eu não posso ficar esse tempo na monitoria! — MinHo estava exaltado. — A final do campeonato escolar é no sábado, e eu tenho treino com o time todo dia!
— Isso não é da minha conta, Choi MinHo! — o professor o respondeu secamente. — Ou o senhor aparece para a monitoria e cumpre todo o horário ou tenha certeza que o reprovarei imediatamente! E dessa vez não adianta nem o diretor vir pedir para sermos mais flexíveis com o senhor!
TaeMin estava com raiva por perceber que seu plano não saíra como havia planejado, mas não pôde deixar de rir por ver que MinHo estava mais encrencado do que ele!
Tudo o que TaeMin queria era que a dupla com MinHo fosse desfeita e que o maior tirasse nota baixa no tal trabalho, pois conhecendo o professor Oh como TaeMin conhecia, ele iria até o diretor reclamar e aí estaria formada a confusão, uma vez que MinHo não poderia jogar a final do campeonato do sábado por estar pendente na matéria.
Entretanto, lá estava MinHo irritado, mas pelo motivo errado! E isso ainda o incluía! Não era para MinHo ainda ter a possibilidade de jogar! E muito menos dele ter que passar duas horas do seu tempo livre com MinHo na monitoria! Junto com o professor Oh! Isso só podia ser castigo!
— Me diz o que você falou com o professor, Lee? — MinHo disse tirando TaeMin dos seus devaneios. — Que porra você disse ao professor Oh quando foi entregar esse maldito trabalho?
— Tá maluco, MinHo? — TaeMin respondeu rapidamente. — O que eu poderia dizer ao professor, hein? Que eu fiz a merda do trabalho praticamente sozinho? Que era pra ele te dar nota baixa? Que você é um idiota que só pensa em futebol e na porra da final que é essa semana?
— VOCÊ DISSE ISSO TUDO, NÃO DISSE? — MinHo gritou para o menor . — Eu sabia que tinha dedo seu nessa porra, TaeMin!
— Larga de ser babaca que eu estou tentando te dizer justamente o contrário! — TaeMin mentia descaradamente. — Você acha que se eu tivesse dito tudo isso, ele teria me dado esse castigo também?
— Ah! Aí chegamos num ponto muito importante! — MinHo debochava. — Realmente ele não te castigaria porque desde quando o professor Oh iria fazer alguma coisa com o seu aluno favorito? O prodígio, o super inteligente Lee TaeMin!
— Que merda é essa que você tá falando? — TaeMin perguntou irritado, mesmo sabendo muito bem do que o maior falava.
— Por favor, TaeMin, toda a escola sabe o quando o professor Oh puxa o seu saco! Que você é o seu aluno preferido! — MinHo falava. — Foi uma surpresa ele ter me deixado fazer dupla com você já que ele não vai muito com a minha cara!
— Me faça um grande favor, MinHo, CALA A PORRA DA SUA BOCA! — TaeMin o respondeu entredentes.
— Eu não vou pedir aos senhores de novo para sentarem e ficarem quietos! — o professor falou se aproximando dos dois. — Agradeçam aos céus pelo meu bom humor no momento, mas já vou logo avisando que a próxima gracinha de qualquer um dos dois resultará no acréscimo de mais uma hora na monitoria comigo!
Tanto MinHo quanto TaeMin sentaram em seus lugares e mal se olharam durante a aula. Não queriam dar a chance ao professor Oh de aumentar nem um minuto que fosse o tempo que teriam que passar fazendo o bendito trabalho.
Assim que as aulas terminaram, MinHo e TaeMin se encaminharam para a sala em que o professor Oh os esperava. O clima entre eles não podia ser mais pesado e mais frio.
TaeMin recebeu autorização para que ambos pudessem entrar e se acomodarem na sala. Era ali, naquele lugar, que ele e MinHo passariam pelo menos duas horas por dia na próxima semana.
— Bom, eu já coloquei nos lugares que vocês irão sentar as questões que quero respondidas pelos senhores hoje. Caso vocês não consigam responder tudo no tempo programado, ficarão aqui o tempo que for necessário para solucionar todo o trabalho — o professor deu uma rápida explicação. — Agora comecem, por favor!
Os dois rapazes se sentaram e sem dizer nenhuma palavra um ao outro, começaram a responder as questões.
Pouco mais de uma hora depois, o professor Oh recebeu uma ligação, que tomou alguns minutos de seu tempo e, em seguida, se dirigiu aos meninos:
— Tenho que ir até a diretoria, pois o diretor quer falar comigo. — O professor se encaminhou para a porta. — Terminem o que estão fazendo e não saiam sem a minha autorização. — Em seguida, se retirou.
— Merda de professor! — MinHo estava irritado e frustrado.
— Cala a boca e termina isso! A culpa é sua por estarmos aqui! — TaeMin reclamava com o maior.
— MINHA? — MinHo não gostou do que ouviu. — Isso tá na cara que é história sua, TaeMin!
— Ah! Vai se foder, MinHo! — O menor suspirou e voltou a fazer o seu trabalho.
MinHo, por sua vez, soltou uma pequena gargalhada e ficou observando o menor, que, ao perceber o que o outro fazia, questionou:
— Perdeu alguma coisa aqui? — TaeMin estava começando a ficar irritado. — Faz logo essa porra!
— Sabia que você fica uma gracinha todo irritadinho? — MinHo deu um sorriso de lado para o menor.
— De verdade, eu acho que você tem merda de galinha na cabeça! — TaeMin respondeu.
— Eu sempre quis saber como um cara tão bonito como você mudou tanto de uma hora pra outra. — MinHo decidiu mudar o rumo da conversa. — Sei que você sempre foi tímido e tudo mais, mas mesmo assim, não é razão pra ter se tornado esse pé no saco em tão pouco tempo!
— Já acabou de falar esse tipo de merda? — TaeMin falou escrevendo em seu papel. — Faz logo essa porra aí!
— Tae, não vai me dizer que você não tem noção do quanto é bonito? — MinHo não estava acreditando que o menor não tinha ideia do efeito que causava nas pessoas. — É isso, não é mesmo? Acertei, não é?
— E se for? Desde quando isso é da sua conta? — TaeMin estava ficando ainda mais irritado.
— Meu Deus! Eu sabia que você era todo esquentadinho e cheio de si, mas não sabia que era meio tapado também! — MinHo gargalhou e disse, sério, logo em seguida. — Você é muito bonito, TaeMin! É uma das pessoas mais bonitas que eu já vi! E tenho certeza que por baixo de toda essa marra toda aí tem uma pessoa ainda mais bonita do que conseguimos ver por fora!
— Tá tentando fazer o que, MinHo? — TaeMin estava tentando mudar o foca da conversa, pois não gostava desse tipo de assunto. — Quer me distrair e enrolar ainda mais pra podermos ficar ainda mais tempo aqui juntos? Não pense que esse tempo aqui me fará querer conhecer você ou algo desse tipo!
— Eu não preciso disso, TaeMin! — Minho respondeu presunçoso. — Se eu quiser, posso diminuir esse tempo de castigo com um só telefonema!
— Larga de ser ridículo, garoto! — TaeMin gargalhava. — Quem você pensa que é pra ir contra um professor e fazer esse tipo de coisa?
— Não duvide de mim, Lee TaeMin! — MinHo lançou um olhar presunçoso para o menor.
— Sério? — TaeMin duvidava. — Se é assim, vamos fazer uma aposta!
— Adorei a ideia! — MinHo respondeu animado. — Se eu conseguir diminuir o tempo desse castigo ou até mesmo suspendê-lo, você irá responder tudo que eu te perguntar durante essa semana sem dar respostas atravessadas e ir comigo à final do campeonato no sábado!
— Tudo isso? — TaeMin resmungou — Tudo bem! Mas se não conseguir, você irá comigo num recital de caridade no sábado!
— Fechado! — MinHo respondeu rapidamente.
— O recital será no sábado de manhã no horário do jogo! — TaeMin respondeu com um sorriso sarcástico no rosto.
— O QUÊ? — MinHo questionou indignado. — Você não falou isso antes!
— Você já apostou! Agora já era! — TaeMin gargalhava ainda mais!
— Tudo bem! Isso não vai mudar nada mesmo! — Minho disse cheio de si. — Me dê só um minutinho!
O maior pegou o celular na mochila, discou um número e se afastou um pouco. Depois de uns cinco minutos, voltou com um sorriso largo no rosto.
— O que foi? — TaeMin estava curioso. — Fala logo!
— Você saberá em breve! — MinHo falou piscando para o menor.
Passados cerca de vinte minutos, o professor Oh voltou até a sala com uma expressão fechada! MinHo já imaginava o que estava acontecendo e se segurava para não rir:
— Rapazes, guardem suas coisas e podem ir! — o professor dizia extremamente irritado. — A partir de amanhã, vocês cumpriram apenas uma hora de monitoria e nada mais!
— Mas... mas professor? — TaeMin estava abismado enquanto MinHo se divertia com a situação. — Por que isso agora?
— Saiam logo daqui! — o professor os expulsou.
Enquanto caminhavam em direção à saída da escola, TaeMin tentava descobrir o que MinHo tinha feito para conseguir a diminuição do castigo.
— TaeMin, o que eu fiz tá feito! — MinHo estava cheio de si!
— Você falou com o diretor, não foi? — O maior deu um sorriso que confirmou. — AQUELE PUXA SACO DOS INFERNOS!
— Não quero saber! A partir de amanhã, você e eu almoçaremos juntos pra você responder algumas coisas que eu quero saber sobre você e, no sábado, você estará na arquibancada torcendo por mim!
— Nem fodendo! — TaeMin não queria aceitar aquilo.
— Não seja um mau perdedor, Lee! — MinHo disse bagunçando o cabelo do menor. — Até amanhã!
E assim, durante toda aquela semana, TaeMin almoçou com MinHo e respondeu a quase todas as perguntas dele. Dizia para si mesmo que fazia aquilo tudo com o intuito de se vingar de MinHo, mas na verdade, em vários momentos, não podia negar que se sentia bem e confortável diante da presença do alfa. Ele estava começando a achar que MinHo não era tal mau quanto pensava.
XXXXX
O sábado chegou, e TaeMin realmente não sabia o que estava fazendo ali. Chegava a ser irônico o fato de ter perdido aquela aposta ridícula pra MinHo na monitoria. Justamente uma aposta que tinha feito aquilo tudo começar. Ele não tinha esquecido tudo o que tinha ouvido naquela sala, tudo que MinHo e seu amigos tinham falado a seu respeito, mas não podia negar que a semana que passara na monitoria com MinHo não fora de todo ruim.
Ele começou a desejar, em alguns momentos, que tudo o que ouvira naquele dia fosse apenas coisa da sua cabeça, fruto de sua imaginação e que eles poderiam ser amigos, quem sabe se conhecerem melhor...
— Terra chamando TaeMin! — JongHyun se aproximou de TaeMin, tocando-lhe o ombro. — Uma moeda pelos seus pensamentos!
— Não precisa desperdiçar o seu dinheiro com isso! — O menor revirou os olhos em desdém. — Quero saber que horas esse maldito jogo vai terminar pra eu poder ir embora logo!
— Isso é um fato curioso: o que você está fazendo aqui? Pelo que eu me lembre, você não é adepto aos esportes, muito menos futebol! — JongHyun perguntou curioso. — Veio torcer pelo MinHo é?
— Infelizmente, eu não tive escolha! — TaeMin começou a caminhar na direção da arquibancada. — Estou aqui por causa de uma aposta infeliz. — Virou-se na direção de JongHyun e sorriu ironicamente. Também não deixou de perceber o mal estar que causou no outro com aquelas palavras. — Seu amigo me obrigou a estar aqui!
— Vocês realmente se aproximaram bastante nessas duas semanas, não é mesmo? — JongHyun tentava mudar o rumo da conversa.
— Outra coisa que eu não tive escolha! — TaeMin encontrou um lugar no meio da arquibancada e se sentou. — Mesmo evitando conversar com aquele poste, ele não fecha a porra da boca!
— Ele realmente fala demais! Chega a ser chato pra valer! — JongHyun sentou ao lado de TaeMin — Mas isso não quer dizer que você tinha que continuar conversando com ele. Era só ignorá-lo que uma hora ele parava! — JongHyun deu uma risada.
— Como se isso fosse fácil! — TaeMin suspirou frustrado. — E o que você tem a ver com isso? Aliás, por que você está aqui tão cedo? E ainda sentado do meu lado?
— Eu gosto de vir mais cedo pra poder apoiar os meninos e tentar ajudar no que puder — JongHyun respondeu, olhando para o gramado, percebendo que os jogadores já começavam a entrar para se aquecer. — E assim que eu te vi aqui sozinho, vi que era a oportunidade perfeita pra poder te dizer uma coisa.
— Se for sobre o MinHo nem precisa começar! — TaeMin foi logo taxativo. — Já sei o suficiente sobre ele.
— Mesmo assim, eu vou falar! — JongHyun teve que segurar o braço de TaeMin que já havia se levantado para sair dali. — O MinHo é um cara legal! Meio idiota às vezes, mas é um cara bacana! Bem diferente desses alfas escrotos que tem por aí!
— Você também é um alfa, não é mesmo? — TaeMin falou tirando o braço da mão de JongHyun. — Tá querendo me dizer que o MinHo é um alfa decente, gentil, bondoso e caridoso, que nunca faz mal pra ninguém? Quase um príncipe encantado? — seguiu debochando.
— Também não precisa exagerar, moleque! — JongHyun disse bagunçando o cabelo de TaeMin. — Ele é muito escroto quase sempre, faz um monte de merda por impulso, tem uma boca enorme que só o mete em confusão, mas no fundo, é um cara bom!
— Hum! Eu não sei se rio ou se te dou os parabéns por estar fazendo uma ótima propaganda do seu amigo! — TaeMin disse já em pé. — Mas sinto lhe informar, você está falando isso pra pessoa errada! Não me interessa saber quem o MinHo é ou deixa de ser! Eu já sei o que eu preciso saber sobre ele!
— TaeMin, sério, ele é muito mais do que aparenta ser! — JongHyun tentava falar com TaeMin. — Ele só tem a péssima mania de meter os pés pelas mãos!
— E você tem a péssima mania de puxar conversa com quem não quer conversar com você! — TaeMin o olhou irritado. — Vai falar essa ladainha sem fim pra quem tá a fim de ouvir! Ou melhor, pra quem tá a fim do alfa líder MinHo! E, por sinal, até aonde eu sei, você também é um alfa! Não acha estranho esse papo todo de MinHo ser bonzão aqui, ser legal a beça ali, não? Parece até que o ômega da história é você e não eu!
— O que você quer dizer com isso, hein? — JongHyun achou interessante o que o outro havia lhe respondido. — Você já tinha reparado no MinHo antes, né?
— Mas que caralho! — TaeMin resmungou irritado. — Não é a toa que vocês são amigos! Dois babacas! Em primeiro lugar, sua imaginação de alfa é muito fértil! E em segundo lugar, você tem namorado, não tem não? Por que você não vai tomar conta do KiBum e para de cheirar o rabo do MinHo?
— Desde quando você conhece o KiBum? — JongHyun o olhou espantado.
— Você realmente deveria se preocupar mais com o ômega que come, não é mesmo? — TaeMin voltou com a ironia — Talvez se você parasse de tentar vender o MinHo ou consertar as cagadas que ele faz, saberia que eu e o KiBum somos parentes!
— Parentes? Como assim? — JongHyun disse espantado.
— JONG! TAE! — MinHo corria no campo, acenando na direção dos dois. — Que bom que vocês já estão aqui!
— Eu tô aqui obrigado, e você sabe disso! — TaeMin falou emburrado.
— Que cara estranha é essa, Jong? — MinHo perguntou curioso ao amigo que ainda olhava para TaeMin.
— Ele ficou assim depois que eu disse que KiBum e eu somos parentes! — o mais novo comentou rindo. — Acho que ele deveria procurar conhecer um pouco mais da família do namorado dele, não é mesmo?
— É sério que você não sabia disso, Jong? — MinHo falou rindo na direção do amigo. — Que espécie de namorado você é?
— Um bem ruim, pelo visto! — TaeMin acompanhou Minho na risada. — Aqui, eu preciso ir ao banheiro, mas eu não quero ir nos daqui não! Posso ir ao vestiário?
— Tae, não posso te deixar ir lá agora! — MinHo disse meio sem jeito. — O técnico vai me matar se eu fizer isso!
— Ah! Que ótimo, não é mesmo? — TaeMin voltou a se sentar emburrado. — Eu perco uma maldita aposta e tenho que vir pra assistir essa porcaria de jogo e nem tenho um banheiro decente pra poder usar!
— Tudo bem, TaeMin! — MinHo suspirou derrotado. — Eu te levo lá, mas tem que ser rápido entendeu?
— Não precisa ir até lá comigo! É só me dizer o caminho que eu chego lá sozinho! — TaeMin rapidamente se levantou, prestando atenção no caminho que MinHo lhe falava. — Ok! Já entendi, não precisa falar mais nada não! — E saiu na direção do vestiário.
— Jong, dá pra muda essa cara, vai! — MinHo olhava para o amigo rindo. — Juro que não consigo entender como você consegue ser tão lerdo assim!
— Eu não sou lerdo, MinHo! — JongHyun respondeu o amigo irritado. — Eu sei muito bem que o KiBum é parente da família Lee! Que a mãe dele é irmã de alguém da família Lee! Mas você sabe como o KiBum é! Tem horas que ele começa a falar sem parar e vai dizendo uma coisa atrás da outra! Não dá pra acompanhar!
— Você simplesmente finge que está prestando atenção nele e ignora as coisas que ele diz! — MinHo caiu na gargalhada. — Se ele souber disso, vai te matar!
— Ele nunca vai saber disso, entendeu? — JongHyun se sentou emburrado. — Mas mudando de assunto... Você sentiu o cheiro também, não sentiu? Tá diferente! — continuou preocupado.
— Senti sim! Tá mais forte e mais inebriante do que antes! — MinHo olhou na direção em que TaeMin havia saído. — Ele ainda não percebeu, mas logo começará a sentir as dores do cio.
— Dessa vez, não tem remédio ou qualquer coisa que ele faça que dê jeito nisso, MinHo! — JongHyun falou. — Ele ficará tão louco em duas semanas que você terá a oportunidade perfeita de ganhar a sua aposta! Basta continuar em cima dele que logo, logo você estará no meio das pernas dele.
— Porra, JongHyun! Dá pra não colocar as coisas desse jeito? — MinHo resmungou irritado para o amigo. — Eu não quero só isso do Tae e você sabe disso!
— Mas é só isso que você terá quando ele souber da aposta! — O menor se levantou e saiu em direção à cantina. — Faça valer a pena a noite que você terá com ele daqui a alguns dias! Ele provavelmente nunca mais olhará na sua cara depois disso!
— Aonde você vai? — MinHo perguntou ao amigo que se distanciava, mas JongHyun continuou o caminho que fazia em direção a cantina.
Entrando no vestiário, TaeMin não poderia deixar de estar mais satisfeito com toda aquela situação. Estava torcendo pra que tudo corresse bem e que o seu plano desse certo. E realmente parecia que os deuses estavam conspirando a seu favor. Não havia ninguém naquele lugar além dele!
Rapidamente, procurou entre as cabines que continham os uniformes e materiais dos jogadores aquela que buscava. Não demorou muito até que localizasse todo material que pertencia a MinHo. Ele foi até lá e procurou as garrafas de isotônicos do maior. Já tinha ouvido falar de como o maior era chato com as suas coisas e tinha lá as suas superstições, como deixar suas garrafas separadas das dos demais. TaeMin poderia agradecer a MinHo por isso depois.
Uma a uma, TaeMin tirou as garrafas de isotônicos das coisas do maior e misturou a elas um pouco do líquido de um frasco que carregava consigo. Se tudo corresse como o planejado, essa partida de futebol seria inesquecível não só pra MinHo, mas para todo mundo que ali estava.
Saindo do vestiário, TaeMin ligou pra JongIn para confirmar mais uma vez aquilo que já sabia:
— Tem certeza que apenas uma pequena dose é o suficiente? — TaeMin perguntava pela milésima vez. — Eu coloquei mais da metade do frasco em apenas uma das garrafas... — TaeMin agora ria quase que descontroladamente. — O restante eu dividi nas outras que sobraram!
— TaeMin! E se isso fizer o MinHo passar mal? — JongIn parecia preocupado do outro lado da linha. — Só um pouquinho já bastava! Eu não sei por que eu fui arrumar isso pra você!
— Ah! Para de reclamar como uma menininha, JongIn! — TaeMin brigava com o amigo. — Você deveria ficar do meu lado, tá? Você sabe muito bem o que ele quer fazer comigo!
— E olha só o que você tá fazendo com ele, TaeMin! — JongIn reclamava do outro lado da linha. — Já era pra você ter terminado com isso há muito tempo! Bastava falar na cara dele que você já sabe da tal aposta, exigir desculpas e terminar essa porra toda!
— Meu Deus! Andar com esse seu namoradinho tá te transformando praticamente numa mocinha, sabia? — TaeMin debochava do amigo. — E eu achando que você era o alfa dessa relação!
— Tá vendo como é complicado falar com você? — JongIn já tinha perdido a paciência. — Desde que você se tornou um ômega, você culpa todo mundo por isso! Ninguém tem culpa dessa merda ser assim, TaeMin! Essa porra só acontece e pronto!
— Você só fica me falando isso porque você é um alfa! — TaeMin respondia o amigo sinceramente. — Não é você que vai ter que dá pra um e pra outro até encontrar o bondoso filho da puta que irá querer te marcar, fazendo com que você abra as pernas pra ele por toda a sua vida sem ao menos questionar! Isso sem contar o fato de ter que parir as crias dele!
— Ao invés de reclamar da porra da vida do jeito que ela é como você sempre faz, que tal começar a tentar ver alguma coisa boa nisso tudo, hein? Você pode arrumar um cara legal, que vai te respeitar e vai querer ficar com você o resto da vida!
— Ah! Esqueci que você vive num mundo de fantasia, não é mesmo, Kai? — TaeMin chamou o amigo pelo apelido que só usava quando queria debochar do mesmo. — Como o idiota do seu namorado e o ridículo do meu primo KiBum deram a rara sorte de encontrarem alfas que se apaixonassem logo na primeira foda e os marcassem, vocês acharam que o mundo mágico em que vivem acontece com todo mundo! MAS SINTO LHE INFORMAR QUE NÃO É ASSIM!
— Como você é negativo e exagerado, TaeMin! — JongIn disse frustrado do outro lado da linha.
— Negativo? Exagerado? Você tem noção de quantos alfas já se ofereceram pra trepar comigo no meu próximo cio? Ou quantos o meu pai já entrou em contato? Ele acha que eu não sei, mas eu ouço ele e minha mãe conversando, dizendo que a maioria se dispõe a “aliviar meu sofrimento”, mas nenhum deles quer me marcar! E os que aceitam me marcar pedem os maiores absurdos em troca disso ao meu pai! Eu nunca pensei que traria esse tipo de vergonha pra minha família!
— Vergonha do que, TaeMin? — JongIn tentava fazer o amigo enxergar a verdade. — Você apenas ouve as conversas pela metade e tira as suas próprias conclusões! Eu te conheço bem e sei que você faz isso! Desde que você virou ômega, anda tão transtornado que não enxerga um palmo na frente do seu nariz! Fica preso nesse seu mundinho de negação que nem vê a merda que tá fazendo!
— Merda? Do que você tá falando, Kai? — TaeMin estava ficando cada vez mais irritado.
— Tá certo que o que o MinHo fez não foi legal, mas é obvio que esse idiota sempre gostou de você! Só que é tão burro que não soube como expressar isso e fez essa merda toda! Mas eu não acho que ele seja esse babaca todo que você diz que ele é! Se você parasse com esse drama todo e desse uma oportunidade pra ele se explicar, te garanto que vocês fariam um casal legal!
— Vai tomar no cú, JongIn! — TaeMin desligou o telefone furioso! Como o ridículo do seu melhor amigo ousava defender MinHo daquele jeito?! MinHo era e sempre seria um babaca completo!
Mesmo muito irritado, TaeMin caminhou em direção a arquibancada e sentou em seu lugar! O jogo estava prestes a começar, e ele queria ter a melhor visão do que aconteceria dentro daquele campo.
Assim que o locutor começou a falar, anunciando os times que fariam a final do campeonato, TaeMin pôde constatar como todos ficaram eufóricos quando fora anunciado o nome do capitão do time da escola, Choi MinHo! A euforia tomou conta de toda a arquibancada, fazendo com que TaeMin chegasse a pensar que toda a torcida era na verdade para ele e não para os dois times! Viu quando alguns jogadores do outro time chegaram perto do maior para cumprimentá-lo, alguns mais eufóricos do que o normal, além de algumas lideres de torcida que faltavam pouco se esfregarem nele!
— Todo jogo é assim? — TaeMin perguntou para a menina que estava sentada do seu lado. — Esse povo todo fica babando o MinHo como se ele fosse a última bolacha do pacote?
— Isso aí não é nada! — a menina respondeu sem tirar os olhos do maior que estava dentro do campo. — Você vai ver quando ele ganhar a partida e o campeonato! Ele vai poder sair daqui com quem e quantos ele quiser! Ninguém dispensa ou nega Choi MinHo! Qualquer um aqui tem a esperança de que ele escolha e marque alguém!
— Tudo isso pra ter o MinHo? — TaeMin disse irritado. — Esse povo todo só pode estar maluco! — Era nítido na voz do garoto o incômodo que toda aquela situação estava lhe causando. Mas felizmente, para ele, aquilo tudo era só por causa da briga que tivera a momentos atrás com seu melhor amigo. Não tinha nada a ver com o fato de MinHo estar cercado de vários meninos e meninas, querendo não só a atenção dele, mas serem seus pelo resto da vida.
A partida começou bem disputada, e TaeMin pôde observar o quanto MinHo realmente era bom naquele esporte. Ele corria por todo o gramado, orientava seus companheiros e se dedicava ao máximo ali.
Já havia se passado mais da metade do primeiro tempo, quando TaeMin viu MinHo se aproximar do banco de reservas, pegar uma garrafa de uma mochila e beber um pouco. O menor não pôde deixar de sorrir ao ver aquela cena. Torcia para que aquela garrafa fosse a que continha quase todo o líquido que despejara. Caso não fosse, talvez nada do que havia planejado acontecesse.
MinHo tomou o líquido da garrafa praticamente quase todo e a jogou novamente na mochila. Voltou correndo para o meio do campo, retomando o lugar em que estava minutos antes.
Mais alguns minutos se passaram, e TaeMin estava ansioso em seu lugar. Queria ver MinHo correndo para o vestiário, abandonando a partida do campeonato de futebol que tanto prezava.
Porém, a ansiedade de TaeMin deu lugar a outra sensação; uma forte pontada no baixo ventre fez com que ele caísse de joelhos e começasse a suar frio. Ele mal conseguia se mover ou dizer qualquer coisa, e a situação ficou ainda pior quando um barulho ensurdecedor tomou conta do estádio e todas as pessoas começaram a pular e a comemorar alguma coisa que tinha acontecido.
A dor parecia se intensificar, e TaeMin mal conseguia se mexer. Por muito pouco, não fora pisoteado pelas pessoas que estavam ao seu redor. Parecia que era invisível!
MinHo havia acabado de marcar um gol! Tinha conseguido colocar o seu time em vantagem no placar e não cabia em si de felicidade! Voltou o seu olhar para a arquibancada onde TaeMin estava e, estranhamente, não viu o menor no lugar onde deveria estar. Será que ele tinha ido embora? Mas esse não era o trato que ambos tinham feito! Mesmo cercado pelos seus companheiros de time que o abraçavam e pulavam em cima dele, MinHo foi chegando o mais perto possível da arquibancada que conseguia e assim pôde ver TaeMin caído no chão, parecendo se contorcer de dor!
Desesperado com a cena que via, MinHo gritou para o seu treinador:
— ME SUBSTITUI! — Corria em direção à arquibancada. — COLOCA OUTRO PRA JOGAR NO MEU LUGAR!
Por sorte, o lugar em que TaeMin estava sentado não era muito difícil de chegar! Mesmo com todos aqueles torcedores todos empolgados e querendo cumprimentá-lo, ao gritar um SAI DA FRENTE assim que pisou no primeiro degrau que subia, ninguém mais ousou entrar em seu caminho. Em poucos segundos, MinHo já estava diante do menor, afobado:
— TAE — a preocupação estava estampada em sua voz —, o que aconteceu?
— Dó...i mui...to! — TaeMin tinha dificuldade em responder.
— Vamos, Tae! — MinHo abaixou e o pegou no colo. — Vou te levar até a enfermaria.
Com o estádio mudo, MinHo começou a passar entre as arquibancadas com TaeMin no colo. O menor escondia o rosto em seu peito, gemendo de dor, enquanto todos os observavam.
Assim que chegaram à enfermaria, TaeMin fora colocado numa maca e MinHo teve que esperar do lado de fora enquanto este era examinado.
Depois de esperar o que pareceu ter sido uma eternidade, o enfermeiro chamou MinHo:
— Você não deveria estar jogando nesse momento, não? — perguntou curioso.
— É serio isso? — MinHo respondeu indignado. — Como está o TaeMin? Eu posso vê-lo?
— Desculpe a falta de jeito, mas eu realmente fiquei curioso sobre o motivo que fez o capitão do time largar a decisão do título e vir até aqui. — O enfermeiro riu sem jeito. — Mas o seu amigo está bem. Eu dei um remédio para que ele pudesse dormir e descansar.
— Mas você não deu nenhum remédio para que a dor melhorasse, não? — MinHo não gostou do que tinha ouvido. — E se a dor voltar quando ele acordar?
— Infelizmente, eu não posso fazer nada além do que já fiz — o enfermeiro respondeu sinceramente. — Pelo que eu pude perceber, ele começou a sentir o reflexo da proximidade do cio. Me diga uma coisa: ele ainda não copulou com ninguém, não é mesmo?
— Não! Mas eu acho que isso não é da sua conta. — MinHo respondeu secamente.
— Realmente não é! — O enfermeiro sorriu sem jeito. — Mas se aconteceu o que eu estou pensando, as coisas pra ele ficarão muito complicadas a partir de agora.
— Como assim? — o maior perguntou preocupado.
— Pra ele ter suportado o primeiro cio sem ter copulado, provavelmente teve que tomar algum tipo de medicamento ou ter tido uma força descomunal, pois a dor é quase insuportável — explicava calmamente. — Entretanto, as dores e a necessidade de copular apenas foram amenizadas durante o cio anterior e, a partir de agora, voltarão com uma intensidade ainda maior. Se eu calculei bem, o cio dele iniciará dentro de poucos dias!
— Não! Você está errado! — MinHo o corrigiu. — O cio dele começará em duas semanas!
— Isso aconteceria se ele tivesse copulado no cio anterior. Aí as coisas aconteceriam dentro do previsto! Mas do jeito que as coisas estão, se ele conseguir suportar mais uma semana já será um grande milagre — o enfermeiro falou.
— PUTA QUE PARIU! — MinHo gritou irritado. — Isso só pode ser sacanagem comigo!
— Você não pode gritar por aqui, meu jovem — o enfermeiro o repreendeu. — Se você quiser entrar e ficar com ele até que acorde, tudo bem. Mas faça silêncio! E conte a ele tudo o que eu te disse. Seria bom se ele arrumasse um alfa para ajudá-lo em breve.
— Ele não precisa arrumar porra nenhuma! Ele já tem um! — MinHo disse entredentes e entrou na enfermaria.
Ao entrar na enfermaria, MinHo encontrou o menor dormindo num sono profundo. Puxou uma cadeira e sentou do seu lado.
— Poxa, Tae! Seu você soubesse o quanto eu ‘tô arrependido dessa merda de aposta! — MinHo pegou a mão do menor e colocou entre as suas. — Essa merda toda começou só porque você nunca nem sequer olhou pra mim. Custava ter me notado antes, porra? Sei que esse caralho todo de ser alfa ou ômega atrapalhou tudo, mas por que você resolveu odiar o mundo só por ser um ômega, hein? — A frustação que sentia saía em suas palavras. — Agora me diz como eu vou te explicar essa porra toda e ainda te pedir uma chance, hein? — Suspirou profundamente. — Com certeza, você vai me matar quando souber disso tudo!
— Hum... ainda dói... — TaeMin resmungou enquanto dormia.
— Que grande merda eu fui fazer! — MinHo colocou a cabeça entre as mãos e suspirou ainda mais frustrado. — Mas que porra de dor de barriga é essa? — Ele levantou correndo da cadeira em direção ao banheiro.
XXXXX
A comemoração pelo título do campeonato durou o dia toda na escola. Tanto os jogadores quanto o público tentavam comemorar a tão suada vitória por 1 X 0, com um gol do capitão que simplesmente abandonara a partida para cuidar de um menino que estava caído na arquibancada, mas o principal assunto que estava rodando entre os grupinhos espalhados pelo campo depois da vitória era o porquê do capitão ter feito isso. O que tinha levado o capitão a deixar o gramado e o time para trás e ir socorrer Lee TaeMin?
— O que está acontecendo entre eles dois, JongHyun? — ChangMin tentava tirar alguma informação do menor. — Eles estão juntos?
— Fala logo o que você sabe dessa merda, Jong? — Kyuhyun perguntava impaciente.
— Pra começar, eu ‘tô tão surpreso quanto vocês! — JongHyun respondeu com desdém. — E mais uma coisa: eu não devo satisfação a nenhum de vocês dois! Eu tenho certeza que essa porra dessa aposta só vai foder ainda mais a vida do MinHo com o TaeMin!
— O problema não é meu se o MinHo é um idiota de querer apostar logo a virgindade do cara que ele gosta com a gente! — ChangMin debochou. — E ainda mais esse cara sendo o TaeMin!
— Como é que você sabe dessa porra? — JongHyun exclamou exaltado. — O MinHo não contou pra ninguém além de mim que gosta do Tae!
— Meu caro, JongHyun, como você mesmo acabou de dizer, eu não te devo satisfações. — ChangMin deu um tapinha no ombro do menor. — Vamos embora, Kyuhyun! Essa aposta acabou de ficar ainda mais interessante!
Na enfermaria, MinHo aguardava pacientemente ao lado de TaeMin alguém vir buscá-lo. O enfermeiro da escola havia telefonado para a casa dos Lee e avisado que TaeMin havia passado mal. MinHo decidira esperar ali pois queria que o menor o visse caso acordasse.
— Olá, meu rapaz! — Um senhor se aproximara de MinHo e o tocou no ombro. — Me chamo Park e trabalho na mansão da família Lee. Vim buscar o menino TaeMin.
— Ele ainda está dormindo! Acho melhor você não acordá-lo porque a dor pode voltar — MinHo lhe explicou preocupado.
— O enfermeiro já me disse tudo a respeito da situação do menino Lee — o empregado Park dizia pacientemente. — Assim que chegar em casa colocarei os pais dele a par de tudo! Tenho certeza que eles procurarão fazer o melhor para deixar o menino Lee confortável o mais rápido possível. Agora se você puder me dar licença, preciso pegá-lo.
As palavras do empregado só fizeram com que a preocupação de MinHo aumentasse, pois sabia muito bem o que elas significavam. Dentro de poucos dias, o cio de TaeMin estaria no auge e seus pais fariam de tudo para que ele não sofresse, ou seja, encontrariam um alfa que quisesse copular com TaeMin mesmo sem marcá-lo. O menor poderia sofrer ainda mais nas mãos de uma alfa que só buscaria satisfazer a si mesmo ou pior ainda, acaba nas mãos de um alfa que o marcaria e o faria seu para sempre.
Só de pensar nisso, o humor de MinHo afundou extremamente. Nem mesmo sabia se o time havia conseguido vencer a partida, mas isso pouco importava. Por quase uma hora, a sua barriga não lhe deu trégua e fora necessário o enfermeiro lhe dar um remédio para poder se sentir um pouco melhor. Agora, ao observar o menor sendo levado pelo empregado, MinHo não tinha mais ânimo para saber de mais nada. Só queria ir para casa e decidir o que faria a seguir.
— MINHO! — A voz do amigo o fez parar. — Eu preciso falar com você! — JongHyun disse quase sem fôlego. — Te procurei por quase toda a escola, cara! Onde você estava?
— Eu ‘tô indo embora, Jong — MinHo disse desanimado. — Quer uma carona?
— Você não vai ficar pra comemorar o título não? — Jong disse espantado. — Tá a maior festa lá no gramado e todo mundo está perguntando por você. MinHo, você fez o gol do título!
— Vai querer a carona ou não? — MinHo disse indiferente. — Era isso que você queria me falar?
— Cara, o que deu em você? — JongHyun insistiu. — Mas não é isso que eu quero te falar... olha só, tem alguma coisa errada nessa aposta que o ChangMin fez com você.
— Como assim, Jong? Ele te disse alguma coisa? — MinHo perguntou curioso.
— Na verdade, ele não disse nada demais! — JongHyun disse meio confuso. — Mas o jeito que ele falou... dá pra sacar que ele tá aprontando alguma coisa!
— Ah, Jong! Isso é coisa da sua cabeça! — o maior disse frustrado. — Ele é um idiota, mas eu sou muito mais idiota do que ele já que aceitei participar dessa palhaçada, não é mesmo? — Sorriu frustrado. — Minha carona chegou! Vai comigo ou não?
— Não vou não! O KiBum está vindo me buscar! — JongHyun respondeu. — Tem uma festa hoje na casa de algum parente dele que eu não lembro o nome, e a gente vai.
— Ele te obrigou a ir, não é mesmo? — MinHo disse rindo. — Você sempre faz o que ele quer, não é mesmo?
— E você não faria se fosse com o Tae? — JongHyun respondeu, rindo também. — Você sabe que ele é o amor da minha vida, não sabe?
— Sei sim! — MinHo suspirou. — Será que o Tae é o meu ômega, Jong?
— Eu espero que não seja, meu amigo... — JongHyun respondeu sério. — Porque se for, depois que ele descobrir tudo isso, dificilmente te perdoará!
— Eu preciso ir... — MinHo seguiu até o portão da escola e entrou no carro que o aguardava.
XXXXX
— MinHo, posso entrar? — seu pai batia na porta de seu quarto.
— Entra aí, pai! — O maior estava deitado brincando com uma bolinha, que jogava no teto e pegava de volta.
— Tá tudo bem com você, rapaz? — o pai lhe questionou. — Soube que o seu time ganhou o campeonato e você nem ficou para comemorar com seus companheiros. Além de ter largado a partida e não ter voltado pra ajudá-los. Aconteceu alguma coisa?
— Não aconteceu nada de mais, pai! — MinHo respondeu sem o encarar. — Não precisa se preocupar! Mas quem lhe contou isso? Como ficou sabendo disso tão rápido?
— As notícias voam, meu filho! — O homem deu uma risada alta. — Ainda mais notícias como essa.
— Não dê importância pra isso. Eu estou bem. — MinHo deu um sorriso de canto para comprovar o que dizia ao pai.
— Se é assim, não vai se importar em se arrumar e acompanhar a sua mãe e a mim numa festa hoje à noite, não é mesmo? — O mais velho sorriu enquanto levantava da cama.
— Festa? Hoje? — MinHo o olhou incrédulo. — Não mesmo, pai! Eu ‘tô cansado e, se puder, gostaria de ficar em casa! Não 'tô no clima pra festa, não!
— Realmente a sua mãe e eu gostaríamos que fosse você fosse conosco a essa festa já que, se eu não estiver errado, seu cio está se aproximando, e acho que já está na hora de você encontrar um ômega que possa marcar e ficar com você!
— Pai! Isso não é tão fácil assim! — MinHo não queria ter aquela conversa com o seu pai. — Quando meu cio começar, eu dou um jeito, não se preocupe! Eu só não quero ir à festa, tá?
— E o seu jeito é ter um beta diferente entrando e saindo dessa casa todo dia enquanto você estiver no cio? — O pai endureceu o tom de voz. — Você sabe muito bem que eu não gosto disso! Já te falei que se for pra fazer isso, é melhor você ir para o apartamento que a sua mãe e eu te demos! Na nossa casa não é lugar pra isso!
— Eu sei, pai! — MinHo não iria discutir com o pai. — O senhor tá certo. Depois eu vejo isso.
— Hum... Em outra hora, voltaremos a falar disso, MinHo — o pai disse seguindo até a porta. — Mas agora eu preciso ir e começar a me arrumar pra festa na casa dos Lee. Sua mãe detes...
— FESTA NA CASA DOS LEE? NA CASA DE LEE TAEMIN? — MinHo deu um pulo da cama.
— Se eu não me engano, esse é o nome do filho mais novo da aniversariante, sim! — o pai de MinHo respondeu parado em frente a porta. — É justamente ele que a sua mãe e eu queríamos que você conhecesse! Ele é um ômega e dizem ser muito bonito, além de pertencer a uma boa família!
— Eu vou a essa festa, pai! — MinHo disse já pulando da cama e indo em direção ao banheiro.
— Isso tudo é por causa desse rapaz? — O pai seguiu até a porta do banheiro. — Até que seria uma excelente ideia te ver junto com alguém da família Lee. Acho que eu posso conversar com o pai dele e ver se eu resolvo as coisas pra você. Sei que a sua mãe e a mãe deles se conhecem da acade...
— Pai, por favor, não precisa se meter nesse assunto, tá? — MinHo interrompeu o pai. — Já chega a confusão toda que deu ano passado quando o senhor rompeu o meu compromisso com a Sulli, ok?
— Mas eu só rompi o compromisso que vocês tinham por sua culpa e da sua mãe! — O homem aumentou o tom de voz. — Você disse que não passaria o resto da sua vida com alguém que não amava e sua mãe te deu total apoio!
— E como sempre, você sempre faz as vontades dela! — MinHo sorriu ligando o chuveiro. — Pai, quando conheceu a mamãe, como o senhor sabia que era com ela que você queria passar o resto da vida?
— Eu acho que sempre soube, filho. — O pai amansou o tom de voz. — A sua mãe sempre foi especial. O cheiro dela me enfeitiçou de tal maneira que eu conseguia identificá-lo mesmo no meio de uma multidão. Isso mesmo antes de marcá-la. — Ele deu um sorriso de canto diante das lembranças. — Diz a sua mãe que o meu cheiro também era diferente dos demais!
— Ela também se sentia diferente em relação a você? — O mais jovem colocou a cabeça para fora do box espantado. — Achei que isso só acontecesse com os alfas quando encontravam um ômega especial.
— Nem sempre, MinHo — o homem disse, indo em direção à porta. — Quando a ligação entre um alfa e um ômega é especial, parece que ambos podem sentir isso, filho! Agora termine de se arrumar porque não demoraremos muito a sair. — E se retirou.
Enquanto terminava de se arrumar para ir a tal festa, MinHo não deixou de pensar um só segundo naquilo em que seu pai disse. É lógico que havia se relacionado com alguns ômegas e betas durante os dois cios que já tivera, mas o cheiro de cada um deles era muito similar uns aos outros. Em determinado momento, chegava até achar que se tratava da mesma pessoa de tão sutil que era a diferença. Mas com TaeMin, nunca havia sido assim. O cheiro que emanava do menor era tão bom, tão diferente dos demais que fazia com que MinHo quisesse se aproximar dele de qualquer forma. Chegou a segui-lo em vários lugares, não só pela escola, seguindo o cheiro que o consumia e o hipnotizava.
Porém, ao descobrir de quem se tratava e sabendo que não teria nenhuma possibilidade de ter TaeMin para si, pois ele seria provavelmente um alfa, MinHo decidiu ficar por perto de alguma forma e teve a estúpida ideia junto com ChangMin de começar a implicar com ele.
TaeMin sempre o respondia a altura, chegando em diversas situações a provocá-lo, além do que, normalmente seria capaz de suportar. Entretanto, lá estava aquele bendito cheiro que o deixava quase à beira de pular em cima do menor. E não seria para começar uma briga.
Até que o dia em que tudo mudou. TaeMin era um ômega. Mas isso fez com que ele mudasse completamente. MinHo até tentou conversar com ele, mas o menor o ignorava por completo. Tentou tantas vezes que, no primeiro momento, em que perdeu a cabeça e debochou da sua nova condição, TaeMin reagiu. E, a partir dali, tudo havia mudado pra pior.
Mas ao ver o menor ali na enfermaria e depois de passar todo aqueles dias na companhia dele, MinHo tinha certeza de que fizera a maior besteira da sua vida ao aceitar aquela aposta. TaeMin não merecia aquilo, e ele também não queria fazer aquilo. Ele queria ficar com TaeMin, mas da maneira certa. Queria ele pra si. E tinha quase cem por cento de certeza que isso não seria coisa de momento e sim para a vida toda. Ele teria que arrumar um jeito de resolver a situação o mais rápido possível. E isso seria naquela noite.
Assim que chegou à festa, MinHo queria ir procurar TaeMin. Infelizmente, seu pai queria que ele cumprimentasse várias pessoas naquele lugar. Na terceira pessoa que MinHo falava, seus pais acabaram por se afastar um pouco dele e MinHo viu ali a oportunidade perfeita para sair à procura de TaeMin.
Estava o procurando em uma das muitas salas daquele lugar, quando esbarrou em JongHyun e KiBum:
— Mas é um troglodita mesmo, não é? — KiBum resmungou assim que viu quem era. — Por que não olha pra onde anda, hein?
— KiBum, cadê o TaeMin? — MinHo perguntou. — Preciso falar com ele agora!
— Eu não conheço nenhum KiBum! E você, Jong? — KiBum respondeu ironicamente.
— Porra, KiBum! Eu ‘tô com pressa! — MinHo estava impaciente. — Fala logo onde o Tae está?
— Ah! Eu não sou obrigado a nada, meu bem! — KiBum continuou com o deboche. — E KiBum são os betas insignificantes que você come! É KEY! E o que você quer falar com o meu primo? TAE? Desde quando vocês são íntimos desse jeito?
— Que caralho, JongHyun! — MinHo perdeu a paciência. — Como você consegue conviver com esse ser irritante?
— Ele nem é tão irritante assim! — JongHyun respondeu distraído. — E o TaeMin está na biblioteca, segunda porta a direita virando o corredor! Eu o vi entrando lá quando estava voltando da cozi...
— EU SOU IRRITANTE, JONGHYUN? — KiBum estava furioso com o namorado. — É ISSO QUE VOCÊ DISSE? É MUITO BOM SABER DESSAS COISAS! MALDITA HORA QUE EU DEIXEI VOCÊ ME MARCAR! OLHA SÓ O QUE EU SOU OBRIGADO A ...
MinHo não estava mesmo com saco para ouvir os dramas de KiBum. Não sabia como JongHyun conseguia aguentar todo o drama em pessoa que ele era. Seu amigo realmente devia amá-lo muito.
Seguindo o caminho que JongHyun havia lhe dito, MinHo chegou até a biblioteca! Entrou sem bater e fechou a porta sem fazer barulho. Ao contrário do que imaginava, não encontrou o menor lendo algum livro ou distraído com alguma outra coisa. Ele estava encolhido em um dos sofás, com a cabeça entre os joelhos, que segurava com as mãos, gemendo baixinho:
— Tae? A dor voltou? — o maior falou enquanto se aproximava.
— O que... você está... fazendo aqui? — TaeMin levantou a cabeça e perguntou curioso diante a presença do maior.
— Meus pais vieram pra festa, e eu vim te ver! — MinHo se agachou na frente do menor e disse lentamente. — Eu preciso conversar com você e te contar uma coisa séria.
— MinHo, eu não que... ro saber de nada que... diz respeito a você! — TaeMin disse, ainda gemendo por causa da dor. — Só vá embo... ra e me dei.. xe em paz!
— Eu não posso, Tae! — MinHo insistia. — Você tem que saber de uma coisa...
— O QUE... É QUE VOCÊ TAN... TO QUER CON...TAR? — TaeMin disse irritado se levantando, mas não conseguiu ficar em pé por muito tempo e caiu.
— TAE! — MinHo estava realmente preocupado. — Eu vou te ajudar, vem aqui!
— COM CER... TEZA VOCÊ VAI ME A... JUDAR! — TaeMin se forçou a ficar em pé, respirou profundamente, tomou fôlego e falou. — E como você vai me ajudar? Ah! Seria se oferecendo pra transar comigo e fazer com que essa merda de dor passe? Você seria tão bondoso e cavalheiro em me ajudar desse jeito? Ah! Já sei, você vai me ajudar porque agora somos amigos! É isso, não é?
— TaeMin, por favor, me deixa te explicar a situação! — MinHo pedia ao menor. — Só me ouve um minuto!
— QUE CARALHO, MINHO! — TaeMin gritava exasperado. — EXPLICAR O QUE? QUE VOCÊ VAI TRANSAR COMIGO PRA ME AJUDAR OU PRA VENCER UMA MERDA DE UMA APOSTA?
— Do que você está falando, Tae? — o maior perguntou surpreso com o que TaeMin acabara de dizer.
— PORRAAAAAAA! — suspirou longamente outra vez. — Eu tô aqui quase morrendo com esse caralho de dor e você vem de deboche com a minha cara? Vai se foder, MinHo! Eu sei sobre a merda da aposta, tá! Sei de tudo o que você e aquele babaca apostaram!
— Você sabe? — a voz de MinHo quase não saiu. — Tae... Sobre isso, não é o que você está imaginando! Podia ser no início, porque eu agi na pilha do ChangMin, mas depois, as coisas mudaram...
— Mudaram? É serio? — TaeMin ria em deboche. — Pois bem, MinHo, se mudaram ou não, estou pouco me fodendo! Eu preciso é ser fodido e você será a última pessoa nesse mundo pra quem eu irei dar! Pode ir começando a se acostumar a ser escravo do seu amiguinho ridículo! — TaeMin terminou de falar e se levantou com dificuldade pra sair da biblioteca, mas ao passar pelo maior teve o seu braço segurado por ele.
— Só me escuta um minuto! — MinHo suplicava. — Para de ser assim tão teimoso, Tae! Eu sei que você está sofrendo e eu só quero ajudar!
— VOCÊ SÓ AUMENTA O MEU SOFRIMENTO, MINHO! — TaeMin gritou com sinceridade. — É você que está fazendo com que a minha dor aumente! AGORA ME SOLTA!
— O que está acontecendo aqui? Eu estava indo ao banheiro e ou... MINHO! — a menina que abriu a porta gritou surpresa assim que viu o maior parado ali. — Eu realmente estava te procurando! Seus pais me pediram pra te achar e levá-lo de volta a festa! Eles realmente estão furiosos com você por ter desaparecido assim que chegou! A titia não para de reclamar! E por que vocês estão aqui sozinhos? Por que você está segurando o braço dele? Eu exijo saber o que está acontecendo aqui!...
— CALA A PORRA DA BOCA E SAI DAQUI, SULLI! — MinHo gritou com ela. — SOME DAQUI AGORA! — TaeMin aproveitou a discussão pra tirar seu braço da mão do maior. Mas MinHo não o deixaria ir tão facilmente e voltou a agarrar o seu braço outra vez. — Você não vai sair daqui antes que eu possa ter a chance de explicar tudo pra você!
— MINHO! VOCÊ NÃO PODE FALAR ASSIM COMIGO! EU SOU SUA NOIVA! — a menina o respondeu com lágrimas nos olhos. — Desse jeito você me magoa!
— Sua noiva? — TaeMin soltou uma risada debochada. — A história só fica cada vez melhor!
— PARA DE FALAR MERDA, GAROTA! — MinHo estava perdendo a paciência. — VOCÊ SABE MUITO BEM QUE A HISTÓRIA NÃO É ASSIM!
— GENTE DO CÉU! QUE GRITARIA É ESSA? TÁ PARECENDO UMA FEIRA LIVRE! — KiBum interrompeu a discussão aos gritos. — O que está acontecendo aqui?
— Key, eu não tô me sentindo bem... Tá doendo muito! — TaeMin chamou a atenção do primo. — Me tira daqui!
— O QUE ESSE BOÇAL TÁ FAZENDO SEGURANDO VOCÊ? — KiBum avançou na direção de MinHo e tirou TaeMin de seu aperto. — Se você o machucou, juro que arranco isso aí que você tem no meio das pernas na unha!
— KiBum, não se mete nisso! Eu só preciso terminar de falar com ele! — MinHo disse entredentes.
— Só por cima do meu cadáver! — KiBum o respondeu autoritário. — Vamos, Tae! Vou te levar pro seu quarto e avisar ao titio que você não está bem.
— Não quero estragar a festa da mamãe, Key — o menor disse baixo, apoiando o corpo no primo. — Ela estava esperando esse dia faz tempo.
— Eu vou ficar lá cuidando de você, mas pelo menos o JinKi vai ter que saber! — KiBum caminhava na direção da porta com o primo.
— Tae, eu vou voltar amanhã pra gente terminar de conversar! — MinHo ainda tentava fazer o menor lhe ouvir uma última vez.
— Pro inferno você, sua noiva e sua conversa! — Foram as últimas palavras do menor antes de sair da biblioteca com o primo.
— Nossa! Como ele é mal educado, né? — Sulli disse se aproximando de MinHo. — Por que você ainda fica querendo conversar com ele? Que assunto é esse que vocês têm tão importante assim pra você praticamente suplicar a atenção dele? Eu não gostei disso não, MinHo! Fiquei com ciúmes! — Acabou de falar e abraçou o maior.
— Bota uma coisa nessa porra de cabeça vazia que você tem: eu não quis ficar com você antes, não quero agora e não vou querer nunca! — MinHo disse a segurando nos braços e a encarando. — Graças a Deus, meu pai rompeu aquele maldito compromisso que nossas mães fizeram quando éramos pequenos! Então, para com essa palhaçada de ficar dizendo pra todo mundo que é minha noiva! Some da minha vida! — O maior a jogou no sofá e saiu irritado.
XXXXX
O fim de semana não tinha sido nada fácil pra MinHo. No sábado, havia perdido a final do campeonato de futebol e, depois de tudo o que TaeMin tinha lhe dito naquela festa, pensava que não tinha como as coisas ficarem pior. Mas estava completamente enganado!
Assim que acabara de jogar Sulli no sofá, saiu da festa ignorando os chamados de JongHyun e de seus pais. Acabou conseguindo um táxi e foi pra casa, onde num acesso de raiva tinha quase destruído o seu quarto por completo.
Quando seus pais chegaram, a situação piorou um pouco mais. Eles estavam extremamente irritados com o fato de MinHo ter chegado na festa e não ter feito o seu papel como um perfeito cavalheiro membro da família Choi e ignorado muitas pessoas importantes que ali estavam, e o fato de terem encontrado o seu quarto naquele estado deplorável, não ajudou em nada. Para um jovem que completaria dezoito anos em breve, estar de castigo por um mês em pleno mês de seu aniversário era algo que nunca pensou que aconteceria.
— Tá vindo de algum funeral, cara? — JongHyun tentou fazer graça com o amigo.
— Vai se foder, JongHyun! — MinHo falou entredentes com o amigo. — Não quero papo com ninguém nessa porra desse lugar!
— Caramba! Você está falando igualzinho ao TaeMin, MinHo! — JongHyun continuou, tentando implicar com MinHo. — Esse tempo que vocês passaram juntos realmente fez com que vocês se conectassem, não é mesmo?
— Eu vou te enfiar a porrada se você continuar aqui! — MinHo fuzilou o amigo com o olhar.
— Tudo bem! Se é assim, não vou nem te contar o que tá acontecendo com o TaeMin, então — o menor disse com um ar zombeteiro e se virou para sair, mas foi puxado com certa violência pelo maior.
— O que aconteceu? Onde o Tae está? — MinHo questionava ao amigo, ansioso.
— Me solta, cara! — JongHyun se soltou das mãos de MinHo e tentou se ajeitar. — Você faz a merda toda e agora fica assim! Se controla!
— Fala logo, Jong! Não ‘tô com paciência pra suas gracinhas, não. — MinHo disse entredentes.
— Calma aí, estressadinho! — Jong falava com o amigo. — Agora, falando sério, a situação do TaeMin piorou de sábado pra cá! Os pais dele estão tão preocupados que já avisaram que ele não virá pra escola enquanto a situação não melhorar.
— Você quer dizer enquanto o cio dele não passar! — MinHo cortou o amigo.
— Não dessa vez, meu amigo. — JongHyun continuou. — KiBum me contou que os tios não deixaram o TaeMin passar por todo o sofrimento do cio sozinho como fez da última vez. Mesmo se ele não concordasse, eles iriam arrumar um alfa para ajudá-lo a passar por esse período.
— Eles já arrumaram um alfa pro Tae? — MinHo estava começando a ficar desesperado. — E ele concordou com isso?
— Como o KiBum mesmo me disse, “o Tae estava estranhamente mais receptivo com as ideias que seus pais estavam tendo” — o menor falou. — Parece que ele não fez nenhuma objeção.
— Foi muito rápido, Jong! — MinHo agora estava desesperado. — Como eles conseguiram isso em um dia?
— Cara, isso eu não sei! — JongHyun estava tentando ajudar o amigo. — E eu odeio ser o chato da história, mas eu bem que te avisei que essa aposta não terminaria bem.
— Essa merda de aposta! — MinHo agora estava furioso. — Eu vou resolver essa porra agora!
— Resolver o que? — JongHyun correu atrás do amigo. — Que merda que você vai fazer agora?
— Cala a boca e me segue, Jong! — MinHo andava apressado. — Se eu bem conheço aquele filho da puta do ChangMin, ele deve estar no vestiário agora. Vai ficar por lá até a segunda aula começar.
— O que você quer falar com aquele babaca? — JongHyun falava atrás do amigo. — Deixa esse idiota pra lá.
— Eu te disse pra fechar a porra da boca, não disse? — MinHo fuzilou o amigo com o olhar e JongHyun achou prudente não falar mais nada.
Chegando ao vestiário, MinHo e JongHyun escutaram algumas risadas vindas do fundo, próximo aos chuveiros. Fazendo sinal para que Jong não fizesse barulho, MinHo começou a se aproximar do local de onde vinham as risadas, a fim de que pudessem surpreender as pessoas que estavam naquele local.
— Eu ‘tô realmente chocado com a sua inteligência, Chang! — Kyuhyun dizia ao amigo.
— Kyu, até eu ‘tô surpreso com o rumo que as coisas tomaram e como o destino conspirou a meu favor! — ChangMin falava entre risos. — Não imaginava que no final de tudo, eu conseguiria me vingar do MinHo e, ainda por cima, tirar dele a única coisa que ele mais quer no momento: o TaeMin!
— Como assim? — Kyuhyun perguntou curioso.
— Eu só me tornei amigo do idiota do MinHo por pressão do meu pai. O velho sempre encheu o meu saco pra me dar bem com alguém da família Choi, já que ele trabalha pro pai do TaeMin , portanto, já frequenta a casa dos Lee — explicava ChangMin.
— Disso eu sei, Chang! Até aí, não é nada demais — Kyu respondeu ao amigo.
— É extremamente irritante ver o MinHo sendo o centro das atenções em tudo quanto é lugar só porque carrega a porcaria de um sobrenome importante! — ChangMin dizia com raiva. — Eu sou muito melhor que ele e sempre fico em segundo plano porque lá está o MinHo em primeiro! Até a porra do casamento arranjado com a gostosa da prima dele, ele conseguiu cancelar só porque ela não era o seu ômega! Quem consegue fazer isso hoje em dia, Kyu? Só o bonzão do MinHo que tudo pode! — A irritação só aumentava. — Mas mesmo assim eu tinha que obedecer ao idiota do meu velho! Virei um dos melhores amigos do retardado do Choi!
— Chang, para de rodeio e diz logo o seu plano! — Kyu estava impaciente. — Detesto esses papos longos e complicados!
— Porra! Como você é um pé no saco! — ChangMin resmungou. — Tudo bem. Eu já desconfiava que o MinHo tinha uma quedinha pelo TaeMin faz tempo.
— Quedinha?! — Kyuhyun o interrompeu. — Um precipício, você quer dizer. E isso não é novidade, Chang. Lembra quando o MinHo tomou um porre no dia que ganhamos a semifinal do campeonato e acabou falando o quanto achava Lee TaeMin incrível e que o cheiro dele era o melhor cheiro que ele já sentiu na vida? Pra dizer a verdade, o Lee nem cheira tão bem assim! É um cheiro bom, mas como de qualquer outro ômega.
— Realmente você é um idiota, sabia? — ChangMin falava rindo. — O cheiro dele é assim pro MinHo porque ele gosta do Lee e provavelmente eles são “o par perfeito” um do outro! Não é a toa que o Lee também sentia a mesma coisa!
— E como você sabe disso? — Kyuhyun perguntou curioso.
— Em algumas situações, eu tive que ir até a casa dos Lee para o meu pai e aproveitava para espionar o que eu podia por lá — ChangMin dizia orgulhoso. — Até que um dia ouvi o TaeMin e o primo conversando, e ele perguntava sobre o MinHo e contava o que sentia toda vez que sentia o cheiro dele. O primo idiota dele falou que isso era estranho já que o Lee seria um alfa e que o melhor a fazer era esquecer tudo aquilo.
— Nossa! Ele já tava caidinho pelo MinHo, então? — Kyuhyun riu.
— Pelo visto sim! Mas com toda a pressão de ser um alfa, ele acabou se concentrando nisso e se fodeu quando acabou virando um ômega. — A risada dos dois encheu o local. — Aí ele ficou fazendo a porra de um drama sem fim, e o idiota do MinHo resolveu chamar a atenção dele do jeito errado. Melhor pra mim, que só coloquei pilha e fiquei vendo o circo pegar fogo.
— Você realmente não vale nada! — Kyu riu ainda mais.
— Enfim, a história da aposta foi só pra afastar ainda mais os dois, já que o retardado do MinHo não nega uma competição. — ChangMin continuou. — O fato do TaeMin ter descoberto tudo, só me ajudou ainda mais.
— Por quê? — Kyuhyun perguntou ainda mais curioso.
— O TaeMin tá quase morrendo por causa do cio dele — Chang fazia questão de explicar ao amigo. — Parece que tudo o que ele fez pra suportar o outro sem dar pra um alfa qualquer fez com que esse cio se antecipasse e ele nem consegue andar de tanta dor. Precisa ser comido urgentemente. — A risada de ChangMin foi ainda mais alta. — E é aqui que eu entro. Na festa, depois que ele e o MinHo brigaram, e antes que você me pergunte, eu estava na casa dos Lee no sábado com o meu pai, segui o MinHo discretamente assim que ele chegou e fiquei ouvindo atrás da porta ele e o TaeMin brigarem, ele passou muito mal e seus pais ficaram desesperados. Tentaram arrumar um alfa de qualquer jeito pra ele e enquanto o pai dele fazia várias ligações, o meu pai me ofereceu pra “ajudar” o menino Lee!
— E você como um bom filho obedeceu! — Kyu explodiu em risos.
— Aceitei, mas ainda não o ajudei — ChangMin continuava falando. — Eles até que falaram pra eu ir lá ontem e resolver tudo logo, mas eu achei melhor esperar até hoje e vir pra escola, pra ver como o coitado do MinHo está e tirar um sarro da cara dele. Ainda não vou contar a grande novidade pra ele. Vai ser melhor quando ele vir o TaeMin novamente, marcado por mim, submisso às minhas vontades!
— Você vai marcá-lo mesmo? — Kyuhyun disse surpreso.
— O pai dele me pediu pra não fazer isso. Ele quer apenas que eu o ajude a passar por essa fase difícil, mas eu não vou perder a oportunidade de fazer parte do clã Lee e de pisar no alfa todo poderoso Choi MinHo — ChangMin falava orgulhoso de sua decisão. — A partir de hoje à noite, o filho mais novo do clã Lee terá um novo dono!
MinHo estava quase explodindo de tanta raiva escondido atrás do armário. JongHyun estava tendo muito trabalho para conseguir conter o amigo. Sabia que MinHo tinha toda razão e motivos pra quebrar a cara daqueles dois ali mesmo, mas ele tinha algo mais importante para fazer naquele momento.
— Eu sei que você quer ir lá e quebrar a cara deles, mas você tem que ir atrás do Tae agora. — Assim que MinHo ouviu o nome do mais novo, começou a prestar atenção nas palavras de Jong. — Só você pode fazer com que o Tae não passe por isso tudo. Ele não merece ser humilhado dessa maneira.
— O que você acha que eu posso fazer se ele nem quer ver a minha cara? — MinHo disse entredentes irritado.
— Vai pra casa do Tae agora! — JongHyun teve uma ideia. — Eu vou ligar pro KiBum e contar tudo. Tenho certeza que se tem uma pessoa que pode te ajudar nesse momento é ele. — JongHyun puxava o amigo pra fora do vestiário. — Mas pelo amor de Deus, chame-o de Key! Ou ele não vai querer te ajudar.
MinHo não sabia muito bem o que dizer ou que fazer naquele momento, mas se havia alguma chance de consertar as coisas com o TaeMin, não importava o que teria que fazer ou como faria, só importava em ter TaeMin pra si.
XXXXX
Assim que chegou à casa de TaeMin, KiBum já o esperava agitado nos portões da mansão:
— Eu devia é quebrar essa sua cara ridícula em duas, seu sapo gigante! — O loiro estapeava o maior com força. — Que ideia absurda é essa de apostar o Tae? Você por um acaso tem merda na cabeça?
— Key, para com isso, tá? — MinHo apenas se defendia. — Eu ‘tô todo errado, sei muito bem o tamanho da cagada que fiz, mas você vai me ajudar ou não?
— Key? — KiBum riu sarcasticamente. — Realmente você está desesperado, hein?
— Quando você vai parar com o deboche e me ajudar? — MinHo estava ansioso. — Eu só preciso falar com ele.
— Eu não sei se ele vai querer falar com você. Está trancando no quarto desde o sábado à noite, depois que conversou com o pai dele — o loiro explicava. — Pelo que me disseram, o dia ontem foi bem ruim, por isso já dispensaram a maior parte dos funcionários e só a minha tia ficou com ele pela manhã. Ela está bem angustiada com o que está acontecendo.
— Por favor, Key, se você quiser, eu converso com a sua tia! Mas eu tenho que falar com o Tae! — MinHo não estava aguentando esperar. — Eu vou falar com ele de qualquer jeito!
— Cruzes! Para de palhaçada que eu já disse que vou te ajudar! — Key semicerrou os olhos. — Eu não sei quem é pior: você todo agitado e suplicando desse jeito ou o Jong e a lerdeza absurda que ele tem.
— Que porra de comparação é essa, KiBum? — MinHo perguntou incrédulo.
— KiBum é o caralho! Já disse pra me chamar de Key! — KiBum apontou o dedo no rosto do maior. — Você realmente quer que eu te explique ou prefere ir ver o Tae? Ah! A minha tia não está em casa. Dei um jeito dela sair — o loiro disse com orgulho na voz.
— Onde ele está? — MinHo disse tomando a frente e abrindo a porta. — DEUS DO CÉU! — Assim que entrou na casa, o maior teve o olfato invadido por um forte e inebriante odor.
— O que foi? Por que você está empacado aí? — KiBum o empurrou pra poder passar. — Qual o problema? E que cara é essa?
— Você não está sentindo esse cheiro? — MinHo disse já andando em direção as escadas. — Como isso é bom.
— De que porra você está falando? — Key andava rápido na direção em que MinHo estava. — Toma isso. — Jogou uma chave para MinHo. — São as chaves extras do quarto do Tae. Siga em frente no corredor e vi...
— Eu sei aonde é. É só seguir o cheiro — MinHo disse, já alcançando o corredor e sumindo da visão de KiBum.
— COMO É QUE VOCÊ SABE, HEIN? — KiBum gritou. — Eu nem acabei de falar! MINHO! Ah! Que se dane, também! — O loiro saiu resmungando da casa e decidiu dar um tempo para que os dois conversassem e quem sabe se entendessem.
XXXXX
TaeMin lutava para achar uma posição confortável na cama. Desde sábado à noite, a sua situação havia piorado e muito. Assim que começara a sentir aquela dor durante a partida do campeonato, não imaginava que esta chegaria a esse ponto. E tudo graças ao idiota do MinHo.
A dor por si só já era uma coisa difícil de suportar, mas TaeMin havia percebido que ela se intensificava quando MinHo estava próximo a si.
Fora assim quando ele o pegou no colo e o levou para a enfermaria e quando MinHo tinha entrado na biblioteca. A dor aumentou de tal forma que foi preciso um esforço descomunal para que TaeMin não sucumbisse a vontade de se atirar em cima do maior e lhe implorar pra fazer com que a dor passasse.
Com uma nova pontada mais intensa no baixo ventre e aquele forte e peculiar odor ficando cada vez mais próximo e mais intenso, TaeMin percebeu que as coisas estavam para piorar:
— Por favor, Deus, não é possível! — o menor gemeu e se encolheu na cama. — Não pode ser ele aqui!
Mal acabou de pronunciar aquelas palavras, a porta do seu quarto fora aberta bruscamente. Ele nem precisou olhar para saber quem era:
— VAI EMBORA! SOME DAQUI! — TaeMin berrou.
Ignorando as palavras do menor, MinHo trancou a porta e jogou a sua bolsa em algum lugar daquele quarto. Assim que baixou seus olhos, pôde observar alguns itens peculiares espalhados pelo chão:
— Puta que pariu, Tae! — MinHo exclamou frustrado, com um tom de voz sombrio. — Você sabe que usar essas coisas não vai melhorar em nada a sua situação, não sabe? — A sua voz refletia o quanto ele estava afetado por tudo aquilo. — Qual é o problema em aceitar o que você é?
— Ser um alfa facilita as coisas, não é mesmo? — TaeMin respondeu com dificuldade. — Huuuuummm! — gemeu arrastado. — Mas isso não é mais importante! AI QUE CARALHO! QUE PORRA DE CHEIRO É ESSE QUE VOCÊ TEM? Ele faz doer ainda mais!
— Se você não fosse tão teimoso e me deixasse explicar, poderíamos nos acertar! Poderíamos tentar namo...
— CALA A PORRA DA BOCA! JÁ DISSE PRA FIC... NÃO SE APROXIME DE MIM! — TaeMin tentou mais uma vez mandar o maior embora, mas fora surpreendido com este indo em sua direção e puxando o edredom que o cobria.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? SAI DE CIMA DE MIM! — TaeMin se debatia preso pelas mãos com o maior em cima de si. Estar nu, com o membro ereto e com a sua entrada vazando o lubrificante natural característico dos ômegas só fazia a situação ficar ainda mais constrangedora para o menor.
— CALA A BOCA E OLHA PRA MIM, TAEMIN! AGORA! — MinHo gritou autoritário e TaeMin quase que involuntariamente o obedeceu. — Eu detesto usar esse tipo de coisa de alfa com você, mas se você não me deixa escolha, é assim que vai ser!
TaeMin observou atentamente o olhar do mais velho e pôde perceber como este estava mais escuro, transparecendo excitação e desejo. Ao mesmo tempo em que aquilo o amedrontava, também fazia com que o seu desejo e sua dor aumentassem.
— A aposta foi um erro, e eu me arrependo profundamente disso! — MinHo dizia sinceramente. — Mesmo podendo usar essa merda de coisa de alfa com você, eu nunca fiz isso e fiquei de longe. Mas acabei fazendo uma cagada atrás da outra e te afastando de mim cada vez mais. Queria poder voltar atrás ou consertar as coisas, mas não posso. Só que não vou deixar você ser violado por um cara como o ChangMin. Não vou deixar aquele babaca te fazer sofrer ou qualquer coisa assim só pra tirar uma com a minha cara. Por mais que eu queira você, muito mais do que uma foda, muito mais do que um cio, mesmo me custando a porra da sanidade, eu vou embora! Mas eu vou arrumar um alfa pra te ajudar!
— VOCÊ O QUE? — TaeMin perguntou chocado e incrédulo.
— Isso mesmo que você ouviu! Eu vou embora e trago alguém aqui! — MinHo estava sendo o mais sincero que podia ser. — Ele vai te ajudar a passar por esse cio, sem te marcar, é claro. E quando isso tudo passar, nós vamos conversar e tentar nos acertar.
— Olha o tamanho da idiotice que você está dizendo? — TaeMin não conseguia acreditar naquilo tudo. — Sei bem que nenhum alfa, ainda mais de uma das famílias do clã vai aceitar essa situação. Por que você aceitaria?
— Porque eu quero você independente de qualquer coisa! Se é desse jeito que eu posso te ter, eu aceito! — MinHo afrouxou o aperto nas mão de TaeMin. — O seu cheiro é bom demais! — Abaixou até o pescoço do mesmo e inspirou profundamente. — Se eu não sair daqui agora, não vou conseguir responder por mim. Eu volto em pouco tempo.
Assim que fez menção de sair de cima do menor, MinHo fora impedido pelos braços de TaeMin.
— Aonde você vai? — TaeMin disse com a voz baixa, um pouco envergonhado. — Eu ‘tô com dor! Preciso de ajuda pra fazê-la passar.
MinHo o olhou incrédulo por alguns segundos até assimilar a situação. Mas assim que a sua ficha caiu, grudou seus lábios nos do menor e iniciou um beijo cheio de luxúria e desejo.
Aquele primeiro beijo intenso e apaixonado acabou de vez com a pouca sanidade que MinHo ainda tinha. Ele queria TaeMin. Precisava tê-lo e fazê-lo seu!
As línguas de ambos exploravam a boca um do outro intensamente. Cada canto, cada pedaço era experimentado com vontade, como se não houvesse amanhã. As mãos de MinHo exploravam o corpo nu de TaeMin avidamente. Subiam e desciam pelas curvas que o menor possuía, fazendo com que o maior o desejasse ainda mais.
Quando o fôlego se fez necessário e os lábios se separaram, MinHo desceu até o pescoço do menor e começou a dar leves mordidas seguidas de suaves chupões e beijos. Fora descendo ainda mais, trilhando beijos pelo tórax alvo e intocado, chegando até o mamilo rosado e dando uma leve sugada:
— Min... HO! — TaeMin não aguentou e chegou ao seu ápice, com uma série de pequenos espasmos. — Mas... que... dro... fo... ess...? — tentou dizer, mas não conseguia ser muito coerente.
— Até que você demorou mais do que eu esperava... — MinHo disse com um sorriso no canto dos lábios. — Olha só como você ainda está tão excitado como antes? Temos um longo e prazeroso caminho pela frente, bebê.
— Ainda dói muito — TaeMin disse manhoso.
— Você está tão lubrificado, Tae — MinHo disse olhando a entrada do menor que escorria o líquido abundantemente. — Preciso sentir isso! — Enfiou o dedo médio na entrada do menor que o recebeu sem resistência.
TaeMin gemeu longa e profundamente. MinHo fez alguns movimentos de vai e vem lentamente, observando as expressões de prazer que o menor fazia. Seu membro implorava por atenção dentro de suas calças, mas MinHo sabia que se fizesse isso naquele momento, não conseguiria dar toda a atenção que precisava dar ao menor. Tudo acabaria se resumindo em se satisfazer!
— Isso é tão bom, MinHo! — TaeMin falava enquanto acariciava o seu membro que estava latejando de tão duro. — Anda logo! Eu preciso de mais do que isso!
— Pra que a pressa, Tae? — MinHo estava cada vez mais excitado com o que via. — Quero sentir o seu gosto. — E sem deixar tempo para o menor dizer alguma coisa, MinHo se colocou entre as pernas de TaeMin e lambeu a sua entrada. O menor gemia cada vez mais alto e com mais força. Com as mãos nos cabelos de MinHo, TaeMin tentava controlar a sua respiração, mas nada do que fazia parecia o ajudar.
O menor já estava começando a ter espasmos novamente, mas não conseguiu se controlar e acabou gozando ao sentir a cavidade úmida e quente engolir o seu membro completamente. MinHo tinha deixado a sua entrada e engolido o seu membro. Aquilo tinha sido a perdição de TaeMin mais uma vez, que gozou na boca do maior. MinHo engolira tudo e continuou lambendo e chupando o membro de TaeMin, que permanecia ereto apesar de tudo. Chupava a glande com vontade, ora o colocando todo na boca, ora usando a língua para lamber a cabeça rosada e pulsante.
Assim que TaeMin gozara mais uma vez em sua boca, MinHo voltou a beijá-lo intensamente, fazendo o menor provar o seu próprio gosto.
— Tae, eu não posso esperar mais! — O maior falou tirando a blusa e a calça junto com a cueca que vestia.
— Você já me enrolou demais, MinHo! — TaeMin disse alisando o abdome do mais velho. — Eu preciso de você dentro de mim. AGORA!
MinHo não esperou mais. Ajeitou o seu pesado e duro membro entre as pernas do menor e começou a encaixá-lo lentamente em sua entrada. TaeMin gemia cada vez mais alto e mais intensamente:
— MINHO! Enfi... AAAA... tu... DOOOOO de u... MA VEZ! — O menor não conseguia ser coerente. Mas mesmo assim, MinHo fez o que ele queria. De uma só vez, se colocou por completo dentro de TaeMin, que soltara o mais longo e alto gemido.
O maior permaneceu parado alguns segundos, respirando rápido e com força, tentando se controlar:
— Por favor, se mexa, Min! — Aquelas palavras foram a perdição total de MinHo. Ele começou a estocar o menor rápido e profundamente. Cada estocada fazia a temperatura já alta daquele quarto se elevar ainda mais. Os gemidos eram um só e preenchiam não só aquele quarto, mas provavelmente toda a casa.
MinHo queria mais de TaeMin. Queria senti-lo ainda mais. Saiu de dentro do menor, ouvindo um alto e claro resmungo dele, mas antes que este pudesse dizer alguma coisa, o ajeitou em seu colo e o fez sentar sobre o seu membro.
— Vamos, Tae. Quero te ver engolindo o meu pau. — E ajudou o menor a cavalgar sobre o seu membro. — TaeMin era uma completa bagunça. Mas nunca se sentira tão bem em todos esses últimos meses como estava naquele momento. Cavalgava com vontade, sendo auxiliado pelo maior, enquanto o beijava duramente e arranhava suas costas.
O maior só queria possuir TaeMin de todas as formas que pudesse e assim, segurou o menor nos braços, o beijou longamente e o colocou de quatro na cama.
— Se eu te machucar ou for demais pra você, me fala! Não sei se vou conseguir me controlar. — MinHo não queria assustar o menor.
— Só anda logo com isso! — O menor só queria que MinHo o possuísse mais e mais.
As estocadas recomeçaram fortes e rápidas. Com o cabeça do menor apoiada no travesseiro, MinHo só ia aumentando cada vez mais a velocidade, marcando as nádegas alvas do menor e fazendo com que o nó crescesse.
— TAE! — MinHo gritou enquanto as estocadas ganhavam um ritmo ainda mais rápido. — Tá sentindo isso?
— Min...Ho! — o menor gemia. — O que... é?
— É o nó se formando, Tae — MinHo o segurou pelos ombros e o abraçou sem parar de estocá-lo. — Eu quero marcá-lo, Tae! Me deixa marcá-lo, por favor!
— Anda... logo com... isso! — TaeMin virou a cabeça de lado e o beijou profundamente. — Aproveitando a posição do menor, MinHo desfez o beijo e o mordeu. A dor que o menor sentia no baixo ventre começou a se dissipar enquanto MinHo o mordia. A mordida veio junto com uma forte e demorada estocada aonde MinHo chegou ao seu ápice dentro do menor. TaeMin, por sua vez, tinha mais um orgasmo naquele momento, apoiando os braços na parede para suportar o seu peso e o de MinHo.
Cansados e exaustos, os dois caíram na cama, com MinHo em cima do menor de bruços! Ambos tentavam normalizar as respirações!
MinHo, com o resto de forças que possuía, se levantou e virou o menor para si, deitou-o em seu peito e uniu as suas mãos!
— Como você está se sentindo? — MinHo perguntou enquanto observava as mãos unidas.
— Bem! Muito bem! — TaeMin fora sincero respondendo com um pequeno riso. — E você?
— No momento, eu quero te beijar — MinHo disse e riu enquanto levantava os olhos na direção do menor.
— E você precisa me pedir depois de tudo isso que acabamos de fazer? — TaeMin fora irônico e deu língua para o maior.
MinHo deu um beijo apaixonado no menor, tentando transmitir através dele tudo o que estava sentindo naquele momento.
— Hum! Parece que alguém já despertou outra vez! — MinHo disse ao sentir o membro de TaeMin mais uma vez ereto. — Acho que a segunda rodada vai começar agora mesmo. — O menor não teve nem tempo de responder, pois teve seus lábios mais uma vez tomados por ele.
MinHo não sabia quanto tempo seria necessário para aplacar todo aquele desejo que sentia, mas sabia que faria o que fosse preciso pra poder ter TaeMin o resto da vida do seu lado.
XXXXX
— Eu não ‘tô entendendo mais merda nenhuma! — ChangMin chutava irritado uma lixeira no pátio da escola. — Tentei ir à casa daquele idiota do Lee por três dias seguidos e nem me deixaram passar do portão principal!
— Será que eles arrumaram outro alfa pra ele? — Kyu perguntou ao amigo.
— Só pode ter sido isso! MAS QUE CARALHO! — ChangMin disse irritado. — Tava tudo bom demais pra ser verdade!
— Chang, você reparou que o MinHo também sumiu por esses dias? — Kyu questionou ao amigo. — Será que eles não...?
— Você acha que eles...? — ChangMin encarou o amigo surpreso. — Olha lá! O idiota do MinHo resolveu aparecer depois de três dias. Vamos saber dessa porra agora.
— MINHO! — ChangMin chamou o maior. — O que houve com você, cara? Sumiu todos esses dias sem dar notícias. Fiquei preocupado.
— Pois não devia, cara — MinHo o respondeu com um sorriso. — Eu não poderia estar melhor.
— Como assim? — ChangMin perguntou curioso.
— Tá curioso demais, Chang! — MinHo o encarou. — Eu não lhe de... TaeMin! — MinHo olhou na direção do portão da escola e viu o menor chegando. Com os longos cabelos soltos cobertos por uma touca e fone de ouvido, TaeMin entrava cabisbaixo, como sempre fazia. Parou assim que sentiu o cheiro do maior e olhou na direção em que ele estava. Foi ao seu encontro e parou. O sorriso de canto que o maior deu só não chamou mais atenção do que ele fez em seguida, quando selou seus lábios demoradamente nos do menor.
— Senti sua falta agora de manhã — MinHo reclamou manhoso. — Não queria ter ido embora da sua casa. Do seu quarto, pra dizer a verdade.
— Acho que isso não será problema futuramente — TaeMin dizia enquanto tentava ignorar todos os olhares que recebiam. — Creio que nossos pais não vão reclamar se você ficar hospedado lá em casa por mais alguns dias. Para dizer a verdade, eu ainda estou sentindo um pouquinho de dor, sabia? — O menor fez manha também.
— Que tal a gente ir lá pra casa e aproveitar o resto da sexta no meu quarto? — MinHo sugeriu malicioso. — Eu realmente quero transar com você em todos lugares de lá.
TaeMin deu uma risada e segurou a mão do maior, virando em direção à saída da escola.
— QUE PORRA É ESSA? — ChangMin gritou com o casal, chamando a atenção dos dois. — Desde quando vocês estão juntos? Você sabia que ele apostou a sua virgindade comigo? Que você deu pra esse idiota só porque ele queria ganhar uma aposta ridícula?
TaeMin soltou a mão de MinHo, caminhou até a direção de ChangMin e deu um soco na cara dele.
— Se essa foi a aposta idiota que ele fez, adivinha? Ele venceu — TaeMin dizia, indiferente. — Ele não só tirou a minha virgindade como passou os últimos três dias me fodendo sem parar. E só pra você saber, ele fode muito bem.
MinHo apenas observava de perto a situação, não escondendo o orgulho que sentia do seu parceiro.
— Ah! E mais uma coisinha: a partir de segunda você será não só escravo dele, mas meu também! — O menor voltou até onde MinHo estava, segurou novamente a sua mão e o puxou até a saída.
— Eu realmente me apaixonei e escolhi o ômega certo — MinHo dizia entre risos. — Minha vida ao seu lado nunca será monótona.
— Você ‘tá de carro hoje? — TaeMin perguntou.
— ‘Tô sim, por quê? — MinHo perguntou, levantando a sobrancelha, curioso.
— Acho que não vai dar pra esperar chegar até em casa não! — TaeMin disse o puxando e beijando intensamente.
MinHo riu entre o beijo e se separou do menor, o puxando correndo até o estacionamento.
Apesar do início conturbado, o relacionamento dos dois cresceu com o passar dos anos. Sabiam que apesar de tudo, estavam destinados a pertencer um ao outro e mesmo que lutassem contra isso, no final, acabariam nos braços um do outro.
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Plot enviado: #212 - Minho se vê em uma situação frustrante quando, pela primeira vez desde que se descobriu alfa, é rejeitado por um ômega. Não um simples ou qualquer ômega; mas Lee Taemin, o mais inteligente e frio ômega do colégio, que descobriu que, a princípio, Minho só foi até ele para tentar ganhar uma aposta que fez com os amigos. Contudo, mesmo com esse pequeno empecilho, Choi Minho jamais deixaria de ganhar uma aposta, mesmo que isso implicasse se apaixonar como resultado.
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Sinopse: Alguns diziam que o outono era a estação que não tem cor, uma estação feia que transita entre o verão e o inverno. Para Kibum, o outono era a coisa mais bela que poderia existir. O que ele não sabia era que se o outono viesse acompanhado, ele poderia ultrapassar os limites daquilo que julgava como perfeição.
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Ele era adorador das folhas secas que caíam ao chão, do barulhinho que elas faziam ao serem pisadas, do amarelo, laranja e vermelho que adornavam as calçadas e dos galhos quase nus das árvores. A época em que o azul celeste toma conta de todo o céu, junto com o sol laranja mais brilhante e uma brisa tão gélida quanto à de uma madrugada. Ah, o outono com certeza era a coisa mais linda que Kibum haveria de ver em toda sua vida.
Passava em frente ao parque todas as tardes, segurando os suspensórios negros com a bolsa sendo carregada às costas. Olhava ao redor e então adentrava os portões para encontrar a tão conhecida ponte e observar o mais lindo laranja que poderia presenciar. Quando o sol se punha, Kibum atravessava o parque e voltava seu rumo para casa.
Desde que pudera voltar sozinho, o garoto aprendera e fizera sempre o mesmo caminho, sempre sozinho, sempre do mesmo modo. Mal ele sabia que seus olhos brilhavam todas as vezes em que via o sol se pondo, mais cintilantes que o lago que refletia tamanha beleza, o sorriso que infestava seu rosto era tão precioso quanto a cena que acabava no anoitecer.
Certo dia, ao longe, à margem do lago, Kibum o avistou.
Um homem, com seu violão, e os primeiros botões da camisa abertos. A pele um tanto morena brilhava laranja junto ao pôr do sol. Cabelos levemente curtos e castanhos eram soprados com o vento que trazia a melodia de seus dedos e voz aos ouvidos de Kibum, que fechou os olhos e a apreciou.
Foi então que a rotina do jovem mudara quase que imperceptivelmente. Seus olhos não mais olhavam fixamente para o horizonte.
.
Era um fim de tarde normal para Kibum, mas não para o parque. Aquela era a festa que celebrava o aparecimento dos primeiros botões de cereja nas cerejeiras, o aviso de que, cada vez mais, o inverno se aproximava. Foi naquele dia que Kibum viu os olhos castanho escuros, semiabertos, montarem uma expressão misteriosa no rosto do moço desconhecido. Kibum não distinguia o que aquela expressão significava, só sabia dizer que a adorou em um segundo. Foi em meio a esses pensamentos sobre adorar e não conhecer que viu quando o homem fechou os olhos e se jogou para trás.
Kibum não entendeu a princípio: somente alguns muitos minutos depois percebeu que o tal homem estava dormindo, pois muito tempo havia passado e este não se levantava. Seria aquele o momento para se aproximar? A mente de Kibum dizia que não, mas um sentimento incontrolável em seu peito dizia que sim.
Quanto mais perto, mais nervoso ele ficava, mais se agarrava aos suspensórios da calça, mais rápido seu coração batia e mais sua respiração acelerava. O jovem garoto poderia ter um treco ali mesmo.
Estava a três passos do moço desconhecido quando um de seus pés não teve forças para ir mais a frente, olhou ao redor e não havia mais laranja no céu... Voltou seu olhar ao homem adormecido na grama... Apenas mais três passos e Kibum poderia encará-lo de perto, poderia descobrir se existia algo mais bonito que os fins de tarde do outono.
Kibum viu-se sentado sob as panturrilhas analisando cada milímetro do maxilar delineado do rosto conhecido, mas de expressão indecifrável. Os cílios bem alinhados, os lábios entreabertos, a respiração suave, os botões um tanto abertos da camisa, um sinal aparente no peito, uma argolinha brilhosa na orelha, a luz fraca da lua: tudo naquele momento era angelical e aprazível. Faltavam apenas algumas nuvens e mais nada para Kibum dizer que estava diante de uma divindade.
— É... Um pouco estranho ser observado desse jeito... — Era a voz melodiosa que desta vez falava e não cantava.
Kibum arregalara os olhos ao perceber que o homem a quem tanto observava sabia que fazia isto sem ao menos abrir os olhos; cogitou a ideia de que ele poderia ter não somente beleza, mas habilidades provindas dos deuses também.
— Eu... E-eu... Estou indo embora...
Os olhos castanhos o observaram e, quando Kibum deu impulso para se levantar, viu os dedos que dedilhavam as cordas do violão adormecido ao seu lado oposto segurando não tão fortemente um de seus braços. Inconscientemente agarrou um de seus suspensórios com a mão livre.
— Não disse que desgosto ou que me incomoda, apenas que é estranho.
O garoto conseguiu relaxar um pouco. Foi depois disso que seus nervos se estabilizaram e ele não tentava mais levantar. Viu a mão alheia o soltando e sendo posta no meio da grama para então ver o moço desconhecido sentar-se também, a sua frente. Kibum evitou olhá-lo.
— Se você não tivesse dito que ia embora, eu juraria que você era mudo. — Kibum então o olhou e negou com a cabeça.
— Não... É só que me senti um pouco... Envergonhado por ser pego desse jeito. — Kibum ouviu o riso alheio.
— Agora mesmo não me foi uma surpresa, você já me observa há muito tempo.
— Mas isso é porque nunca te vi por aqui! — Kibum se precipitou em explicar.
— Na primeira vez foi, nas outras não.
Kibum calou-se novamente. Havia perdido em argumentação.
— Ficou mudo de novo?
— Eu só continuo envergonhado.
Kibum vira um sorriso naquele rosto pela primeira vez e agora tinha certeza: nenhum laranja a la outono seria tão belo.
O mais velho apresentou-se para Kibum com o nome de Jonghyun. Começara a trabalhar próximo dali, nos prédios altos não muito distantes, e, ao sair do expediente uma vez, interessou-se pelo parque. Jonghyun mantinha o violão junto a si, como seu companheiro para continuar na aventura monótona que era habitar a Terra. A música lhe trazia a calmaria e a paz interior que os dias em que vivia não apresentavam.
Para Jonghyun, a música era como se fosse o que o outono representava para Kibum.
Kibum soube o que trouxe aquele jovem até perto de si, descobriu como ele vivia sozinho por ter saído do interior, que o parque o remetia a casa junto ao cheiro da grama, o lago que o lembrava dos rios que cansou de atravessar enquanto criança. De como pegou amor pela música devido ao avô do mais velho ser um amante dela.
Desde então, as tardes que passavam sob o alaranjado do pôr do sol, e depois junto ao crepúsculo, acompanhados pela luz da lua e com casacos reforçando o calorzinho que as conversas e a companhia que um fazia ao outro lhes causava, ganharam o toque especial que nenhum dos dois percebiam que faltava.
Para Kibum, Jonghyun era como uma realidade que não se aplicava ao mundo atual em que se encontrava; era o que provocava a instabilidade nas suas idas e vindas de casa para o curso, depois do curso para casa. Poderia jurar que Jonghyun não existia e que talvez fosse uma alucinação, uma miragem, a mentira mais bonita de todas. O universo paralelo do qual nunca gostaria de se livrar.
Para Jonghyun, Kibum era um mistério. Não entendia o que o fazia ter a companhia daquele garoto nas horas em que deveria estar descansando, não lembrando o que o motivava estar naquela cidade... Da saudade de casa... O que Jonghyun não queria entender era o porquê de aquele garoto sumir com todas essas coisas as quais ele mesmo não conseguia abdicar. O que era tão especial na pessoa de cabelos negros adoradora das cores quentes do outono? Jonghyun ainda não queria dar a resposta.
.
— Hey, Jong.
— Hm...
— Jonghyun?
— Hm?
Era mais uma tarde comum, embora um pouco mais fria que o normal. Jonghyun não estava com vontade de tocar violão, não queria falar, nem mesmo abrir os olhos; sentia-se preguiçoso demais para até mesmo sentar. Estava completamente largado com um Kibum insistente em seu encalço.
— Joooong...
— Bum, eu só estou muito cansado...
Kibum ficou um tanto chateado.
— Então... Eu deveria voltar amanhã?
— Nãaao... Sirva de travesseiro para mim hoje.
Jonghyun, com muito esforço, se aproximou das pernas de Kibum e nelas acomodou sua cabeça. Sentiu mãos quentinhas pousarem em seu cabelo para ficar no modo inconsciente por completo.
Kibum ficou estático ao ouvir a última frase de Jonghyun. Quando sentiu sua pele quente encostar-se no tecido da sua calça e aumentar a temperatura em suas pernas, ele apenas quis que aquela sensação acolhedora o inundasse. Fora aquele sentimento que o levou a alisar os cabelos castanhos, a desenhar com o indicador os traços fortes do rosto do mais velho, parando nos lábios carnudos tão macios quanto algodão.
Ele não soube por quanto tempo Jonghyun dormiu, apenas que fora tempo suficiente para cair o anoitecer. Novamente pegou-se encarando os lábios agora um pouco mais vermelhos. Não conteve o desejo de tocá-los mais uma vez e de sorrir por ter agido de tal modo.
— Me prova... — Kibum arregalou os olhos ao ouvir o modo melodioso com o qual Jonghyun proferiu aquelas palavras — Me enxerga, me sinta...
— O-o quê? — Um calor descomunal envolveu Kibum, sentia suas bochechas arderem, suas orelhas queimarem, e um desjeito sem igual.
— É uma música, Bum... — Jonghyun anteriormente cantou e agora falava, ainda com os olhos fechados.
Até que os abriu.
Sim, pois sentiu não algo áspero como a ponta de dedos tocando seus lábios, mas sim os finos e arrebitados lábios de Kibum acalentando os seus, experimentando-o de tal jeito que o surpreendeu tanto quanto ele devia ter surpreendido Kibum ao cantar. Viu quando ele se afastou de si, olhando para baixo, evitando-o o máximo que podia. Viu também quando uma das mãos de Kibum apertou o suspensório caído, deixando os dedos brancos... Jonghyun previu que, se em instantes não fizessem nada, o veria sair correndo em direção a sabe-se lá onde e que talvez não o visse mais.
Foi quando ele segurou as bochechas de Kibum em suas mãos e o beijou, de olhos fechados e com um franzido estranho na testa, com mais avidez, com mais vontade. Com uma sede incontrolável. Aprofundou o ato quando sentiu as mãos que juraria estarem a cinquenta graus célsius de Kibum tocarem gentilmente a sua. Foi ele quem provou Kibum: era Jonghyun quem queria deixar-se no garoto mais novo, escutá-lo ao pé do ouvido, e afetar os sentidos de Kibum tal qual este fazia com os seus. Queria fazer morada ali.
Desgrudou-se, embora mantendo a testa colada à de Kibum, que com sua respiração alta e descompassada agora segurava fortemente os braços de Jonghyun, pensando no medo de nunca mais o segurar, o ter junto de si.
— Me fita que eu gosto de enxergar...
Kibum sorrira com a frase cantada.
— No fim, você sempre gostou dos meus olhos sobre você, não é?
Jonghyun consentiu com a cabeça e beijou Kibum novamente. E de novo. Mais uma vez. E incontáveis vezes naquela noite. Até que o horário não lhes permitia mais estar ali.
.
O dia amanhecera lindo para Kibum. Os pássaros cantavam, o sol brilhava mais que o comum, o azul do céu era mais que encantador e seu coração ansiava demais pela tarde daquele dia. Poderia rever Jonghyun e beijá-lo mais um montão de vezes, abraçá-lo, confortá-lo e, além de tudo isso, poder ficar juntinho dele depois de ter mostrado o que sentia e o que sempre quis fazer com ele.
Porém, no começo da tarde deste mesmo dia, o tempo ficou estranhamente diferente. Nuvens arroxeadas jamais vistas em um outono circundavam o céu e levavam embora o azul que, sempre ao olhar para cima, era notado.
Aquele tempo feio não fez com que Kibum perdesse o ânimo ao sair do curso e ir alegremente em direção ao parque, como de costume. Atravessou os portões e depois parou na ponte, agarrado aos suspensórios da calça.
Naquele dia, não havia azul muito menos laranja no céu, não havia sol, não existia brilho nas águas do lago.
E não havia Jonghyun naquele parque que era engolido pela garoa fina, mas intensa.
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Sentado à beira do lago e em cima da grama, olhando para o horizonte, um cachecol vermelho e preto adornava o pescoço de Kibum. Não havia tido curso, não era fim de tarde e ele não usava seus suspensórios junto à calça, muito menos sapatos sociais. Fazia semanas.
Há semanas, Jonghyun sumira da sua vida.
Em menos de dois meses, Jonghyun tornara-se o ponto mais importante que conhecia, o que causou um furacão dentro de si, e que como uma tempestade de verão, tão repentino como veio, foi quando se foi.
Nos dias em que se passaram após o sumiço da tempestade que era Jonghyun, nem mesmo o laranja que findava as tardes tinham as cores que Kibum gostaria de ver, e por mais que se recusasse a passar por ali, quando se dava conta, já estava. Criando esperanças, esperando, pensando que a qualquer momento ele poderia voltar.
Mas Jonghyun não voltava. Mesmo aos domingos, Kibum permanecia lá... E nada dele voltar.
Era quase noite, estava tão frio que até a respiração fazia fumacinha; Kibum brincava com ela até que, não soube ao certo quando, abraçou os próprios joelhos e por um tempo assim ficou... Não sabia mais se vivo ou não, se estava acordado ou dormindo, talvez apenas embalado por um sono repentino que o fez ver coisas as quais esperava, mas que tinha a certeza que não aconteceria.
Braços fortes e conhecidos apenas por uma vez despertaram o tato de Kibum. Eles embrulharam o seu corpo, e cabelos castanhos e cheirosos pinicavam de modo agraciador a pele de seu rosto... E talvez, para Kibum, sua existência pudesse acabar ali, junto à sensação mais aconchegante que poderia sentir naquele momento.
Quando abriu os olhos, Kibum viu o céu: as estrelas brilhavam acompanhadas da brisa gélida daquela noite. Notara que não havia mais frio, não havia mais solidão, nem uma esperança sem sentido adornando seus pensamentos.
Até que Kibum ouviu.
— Bum... Hey, Bum. Kibum, me responde.
Sentiu os braços o apertarem com mais força, a voz falhar cada vez que o chamava, que clamava seu nome, e aquela sensação molhada ora quente ora fria em seu pescoço.
—Me d-desculpe, Bum... Eu não tinha c-como te avisar, eu não conseguia te avisar... Esse tempo foi a coisa mais horrível que aconteceu na minha vida... Eu...
A voz melodiosa ditava de modo afoito as palavras no ouvido de Kibum, que ao virar-se e deparar-se com os olhos castanhos, olhos manchados com olheiras e inchaços, os olhos que pensou tanto que pudesse não ver novamente, ali estava a chave para enxergar JongHyun. Foi naquele momento que a ficha de Kibum caiu.
Jonghyun estava ali. Ele havia voltado.
E por mais que quisesse ter raiva, a única coisa que Kibum sentia era felicidade.
Felicidade em vê-lo, em tocá-lo, em beijá-lo desesperadamente como fez! De empurrá-lo contra o gramado, e jogar-se em cima do corpo que tanto esperou, tentando matar completamente a vontade e a falta que adquiriu em semanas. Sentiu as mãos alheias agarrarem-se ao seu suéter escuro, os lábios de Jonghyun se moverem junto aos seus, o sabor de Jonghyun misturado com o seu, das mãos que o seguravam e o apertavam mais contra ele mesmo.
— Shh... Você não precisa falar nada, só não saia mais de perto de mim.
Foi o que Kibum disse após separar o beijo, do modo mais convicto que pôde.
— Bum, foi o meu avô-
— Shh...
Não deixou Jonghyun se explicar, não ali, não naquele momento, não quando se encontrava tão necessitado em tê-lo e ser dele.
— Você pode me contar depois... Eu não me importo. — Após falar, Kibum sorrira de tal modo que fez Jonghyun calar-se e ter a certeza de que mesmo que não tivesse um motivo para sumir, Kibum o quereria de volta mesmo assim.
E foi ali, no frio da madrugada, sob a grama amassada, ao lado de um lago que brilhava forte refletindo a luz da lua que Kibum marcou o corpo de Jonghyun com suas digitais, que Jonghyun tateou os caminhos do corpo de Kibum.
Foi naquela noite que um olhou o outro sem impedimentos, que um tocou o outro do modo mais íntimo que duas pessoas podem fazer. Foi no lugar onde tudo começou que Jonghyun escutou o seu nome ser chamado manhosamente em seu ouvido enquanto seguia os movimentos descompassados junto ao corpo de Kibum, enquanto segurava as coxas alheias, enquanto se conectava a Kibum como nunca se conectaria com mais ninguém.
Ali, Kibum viu que não apenas o amarelo o laranja e o vermelho são bonitos: que todas as cores que Jonghyun o fazia ver tinham uma beleza colossal, que estas poderiam não ser apenas vistas, mas sentidas num misto quase sem nexo e com uma força quase palpável. Uma sensação que apenas Jonghyun poderia fazê-lo sentir.
Kibum e Jonghyun se provaram, se enxergaram, se sentiram e se deixaram um no outro incontáveis vezes naquela noite.
JongHyun achara algo que amava mais que a música.
E Kibum encontrara algo que amava mais que o outono.
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Notas finais: Aiiinn gente ;-; fazia taaaanto tempo que não escrevia! Bom bom, espero que o autor ou a autora tenha gostado da história em que eu transformei o plot dele ou dela. Eu também espero muito muito mesmo que todos que leram puderam ter apreciado. Estou um pouquinho insegura, mas tentei mesmo assim skopaskpaoskoap' um ps: Essa fic tem muita coisa da musica Cor de Marte da artista Anavitória, consegui inspiração através dessa música. Beijo beijo gente <3'
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Plot enviado: #120 - Mas talvez naquele parque mergulhado no vermelho, laranja e amarelo, assistindo aquele cara do violão e voz melodiosa ao lado do lago, Kibum tenha encontrado algo que ame mais do que o outono.
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Sinopse: Nossas vidas são feitas de diversas indecisões e um pequeno passo em falso pode mudá-la completamente. Taemin cometera um pequeno erro, será ele capaz de ter a oportunidade de consertá-los?
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CAPÍTULO 1
Permanecer com os olhos fechados dava-lhe uma sensação ambígua, porém de extremos contrastantes. Por um lado, tentava uma das diversas técnicas já conhecidas por si mesmo para se acalmar em momentos como aquele, ao mesmo tempo em que estava adorando ouvir as batidas de seu coração para tamanha excitação. Aquele era o segundo ano de Taemin como um modelo consagrado e reconhecido nas passarelas de todo o mundo. Havia se tornado um indivíduo que era um requisito extremamente necessário quando o assunto era moda, entretanto, era um traço de sua personalidade acreditar que sempre havia uma maneira de melhorar, seja em seu caminhar em cima de uma passarela, seja em seu olhar profundo para uma câmera ou até mesmo, ao regular seus pensamentos durante horário de trabalho. Aquela podia ser uma característica considerada chata por ele mesmo ou por seus amigos mais próximos, mas não podia deixar a verdade de lado: fora por causa de seu perfeccionismo que chegou onde está hoje. Não iria perdê-lo tão facilmente.
- Three, two, one. And you can go! – Ouviu a voz de um staff escondido atrás da fina cortina preta dizer e, naquele momento, mesmo ateu, Taemin sabia que agradeceria a todos os deuses existentes se todos aqueles turbilhões de sentimentos dançando dentro de si e embrulhando seu estômago fossem apenas causados pelo nervosismo pelo qual já estava acostumado a lidar em suas apresentações. No entanto, era o pensamento da falta da presença de alguém em sua vida nas últimas semanas que fazia seus passos perderem a firmeza enquanto atravessava aquela pista, misturando-se com a certeza de que aquela confusão interna não estava passando despercebida pelos olhares analíticos dos críticos e pelas lentes afiadas das câmeras dos repórteres ali presentes.
Perturbou-se por um instante, mas insistente da maneira que era, foi no fim de sua apresentação que girou seu corpo em uma meia volta, jogando sua cabeça para o lado direito até encontrar seu ombro, onde foi por cima dele que lançou seu olhar mais profundo de sua carreira encontrando os diversos flashs que o fotografavam. Seus olhos estavam fortemente contornados por um lápis preto, usado pelo estilista que o vestiu com o único intuito de combinar tanto com os fios negros penteados para trás do cabelo do modelo, quanto com o conjunto escuro da peça principal do desfile daquela noite: uma camisa transparente de seda preta que continha uma abertura em formato V, encontrando uma calça na mesma cor diferenciando-se apenas pelas pequenas listras brancas desenhadas.
Aquilo foi o suficiente para convencer a todos de que aquele fora apenas mais um dos desfiles em que o modelo Lee Taemin mostrava a sua melhor forma e performance. A única opção que restava para os presentes no local era se levantarem e aplaudirem tudo ao que foram expostos durante o evento extenso, porém revigorante, que a Chanel e sua coleção cruise haviam proporcionado naquela tarde para a classe alta de Seul.
Apesar da festa que se seguiria ao desfile prometer ser a mais incrível e divertida de todo o ano, cheia das mais diversas celebridades nacionais e internacionais, com músicas tocadas pelos DJ’s mais consagrados do momento, tudo o que o principal modelo da noite queria era poder colocar seus pensamentos no lugar, nem que para isso fosse necessário que batesse sua cabeça na parede por diversas vezes até conseguir ao menos dormir. Foi com esse pensamento que, depois de muito implorar, conseguiu ser dispensado de suas atividades pelo estilista simpático de cabelos brancos assim que o evento principal se finalizou, e não precisou pensar duas vezes para correr até seus pertences a fim de reuni-los dentro de sua bolsa de couro vermelha, e se preparar para cruzar a cidade com suas roupas casuais até o hotel em que estava hospedado e desmaiar em sua cama como estava planejando desde que acordou poucas horas atrás.
Deu-se a oportunidade de checar as notificações de seu celular e sentiu seu coração apertar junto com um leve desconforto que foi desenhado por seu corpo quando notou – mais uma vez – que, dentre todas, a notificação que mais desejava e a qual ocupou sua mente nas duas últimas semanas não estava ali.
- Yah, Lee Taemin?! – Uma voz conhecida e confortante chegou até os ouvidos do modelo – Vai me dizer que depois de todos os compromissos que desmarquei para estar aqui hoje, você ia embora sem ao menos um ‘obrigado por vir, meu melhor amigo’?
- Kibum? – Ver a imagem de seu melhor amigo se materializar em sua frente, fez todo o peso e confusões dentro de si se esvaziarem e se aliviarem instantaneamente. Não demorou muito para que os braços do modelo se estendessem na direção do outro, que fez o mesmo inconscientemente representando o apoio que o amigo precisava – Graças a Deus!
- O que está acontecendo? Parece até que estou te resgatando de um náufrago! – Disse após analisar o suspiro pesado que Taemin soltou no momento em que suas mãos se encontraram.
- Minha vida está literalmente um Titanic, Kibum! – Adicionou sincero.
- Sim, eu realmente ia te perguntar isso. O que houve lá em cima? Você começou o desfile um pouco desconcertado.
- Nem me fale! Pelo menos percebi isso a tempo de finalizar tudo mais ou menos bem.
- Bom, uma coisa é certa: Vamos descobrir se você foi bem nas críticas dos jornais de amanhã!
- E vamos ser realistas. Eu realmente não posso ter uma crítica negativa na minha carreira agora.
- É só você não me dizer que quase prejudicou sua carreira por causa do que eu estou imaginando.
- Eu sei que você não concorda com relacionamentos Kibum e acredite em mim quando eu digo que gostaria de ser tão centrado como você, mas isso é impossível – Sentiu uma súbita necessidade de se defender, pois já eram amigos há tempo suficiente para saber da importância que este dava a seu lema de vida.
- Uma correção: Concordo com relacionamentos, não concordo com o vício que as pessoas têm de deixá-los interferir em todas as demais áreas da vida.
- Ouch! – Tentou mostrar-se ofendido – Tenho dó dos seus pacientes.
- Você é meu amigo, não meu paciente, engraçadinho! – Desferiu leves tapas no braço do outro - Agora desembucha logo. O que aconteceu entre você e o Minho?
- Eu te conto, mas primeiro vamos para um lugar mais calmo. Não aguento mais trabalhar pelas próximas cinco décadas! – Comentou enquanto assistia seu amigo revirar os olhos em sua frente. Taemin havia realizado diversos desfiles durante toda a semana para o “Seul Fashion Week” e já se sentia esgotado.
- Está bem, está bem! Qual?
- FLada?
- Meu preferido! – Aquele era o restaurante favorito de ambos e, quase que por default, todas as vezes que saíam juntos, acabavam a parar no local. Taemin era apaixonado pela comida do local, já Kibum havia desenvolvido uma certa paixonite pelo belo cozinheiro do restaurante.
Foi necessário que se separassem, pois cada um iria dirigindo seu próprio carro, mas não demoraram a chegar, uma vez que o local se encontrava no centro de Seul e ambos já estavam acostumados com o percurso.
Assim que adentraram, observaram o local iluminado e sorriram juntos quando notaram que a melhor mesa do local estava disponível. A recepcionista não havia perdido sua simpatia desde a primeira vez em que estiveram ali e, rapidamente, auxiliou-os a se dirigirem para mesa, entregando-lhes os cardápios no mesmo instante.
Taemin logo se perdeu na vasta lista de pratos, indeciso de qual escolheria, quando viu o rosto de Kibum por cima da folha e achou graça da expressão do amigo. Kibum parecia estar derretendo através dos olhos, e o modelo não precisava se esforçar para descobrir o que deixava o amigo daquela forma tão incomum.
Era de praxe que Kibum se derretesse daquela maneira todas as vezes que estavam no FLada, mas, no restante de sua vida, a única coisa que o fazia ter essa excitação extrema era pensar sua carreira profissional como Neurocirurgião no Hospital Universitário de Seul e todas as vezes em que conseguia salvar uma vida. Taemin acreditava que já estava na hora do médico, que já havia conquistado tantas coisas em sua carreira, relaxar e dar um pouco de calor a seu coração. Há tempos o modelo já traçava um plano de juntar o cozinheiro desconhecido com o amigo, pois este parecia ter uma boa índole. Pelo menos um ótimo restaurante ele já tinha.
- Está comendo o rapaz com olhos! – Taemin comentou voltando sua atenção ao cardápio.
- Não meu amigo, ele que iria me comer. Imagina ele jogando todas aquelas panelas e louças no chão, para substituí-las por mim em cima daquela mesa de metal e meter em mim com força? – Disse inteiramente sem pensar e logo sentiu seu rosto, contornado pelos fios loiros de seus cabelos, queimar-se de tamanha vergonha.
- Quem é você e o que fez com o Dr. Sou-focado-no-trabalho-Kibum? – Taemin gargalhou pela primeira vez no dia, sentindo a sensação gostosa que apenas estar com seu melhor amigo pode proporcionar.
Por cima do ombro do amigo, o médico tinha uma visão privilegiada da cozinha propositalmente exposta para que os clientes do restaurante pudessem assistir o cozinheiro preparando as mais diversas comidas. O homem de cabelos castanhos claros sempre estava completamente vestido perfeitamente com seu traje branco, contudo Kibum não podia deixar de notar como aquelas roupas tinham um corte lapidado especialmente para ele. Os seis botões fechados em seu tórax ajudavam a roupa a desenhar todo o contorno musculoso daquela área. Entretanto, talvez fosse por causa de sua profissão como médico que o local que mais chamava a atenção de Kibum em relação àquele homem eram as mangas cuidadosamente dobradas até o cotovelo, dando-lhe permissão de ver parte dos braços morenos do cozinheiro trabalhando nos alimentos com extremo carinho. Ah, ele já havia imaginado diversas coisas com aqueles braços e não podia negar.
- Eu só me dou ao luxo de tais comentários quando o vejo. E também, nem você conseguiria negar que ele é um pedaço de mau caminho! – Disse tentando esconder seu desconcerto, mas sua maneira de falar acabou arrancando mais risos do mais novo.
- Por que não vai lá falar com ele logo? – Incentivou.
- Eu não. Você está louco? – Tratou de negar aquela loucura rapidamente. Jamais iria fazer tal tentativa. Não conseguia encontrar nenhum assunto para um médico falar com um cozinheiro. Riu-se quando tentou imaginar uma situação, e comentar sobre a semelhança entre cortar alimentos e cortar cabeças não seria nunca uma opção.
- Kibum, você é uma peça!
Após finalmente decidirem, pedirem os pratos e uma série de ruborizadas de Kibum toda vez que o cozinheiro olhava para si, foi a hora de focar nos sentimentos do menor que não achava nada fácil se abrir sobre tais problemas de relacionamento, uma vez que havia se convencido que dessa vez era ele que errara bruscamente com seu namorado. O médico por sua vez, aos poucos conseguia incentivar o modelo a falar, pois só assim conseguiria aconselhá-lo da melhor forma.
- Eu não sei, Key – Chamou o amigo pelo apelido, perplexo – Foi um momento de medo, insegurança, acesso de um espírito... Nem mesmo eu entendo o que aconteceu comigo naquele dia.
FLASHBACK ON
- Mas... Que droga. Que merda, Taemin! – Minho levantou bruscamente da cama onde acabara de ter uma das transas mais incríveis de sua vida, colocou a primeira roupa íntima que encontrou em sua frente, vestiu o pano vermelho apressadamente e logo deixou o quarto, abandonando aquele cheiro extasiante de sexo para trás.
Por alguns instantes, Taemin permaneceu deitado na mesma posição que havia sido deixado por seu namorado. Enquanto mordiscava o dedo, ponderava se aquela era a decisão certa a se tomar, e, por algum motivo, acreditava estar correto em seu julgamento. Muitas coisas passavam por sua cabeça, desde não aguentar a ideia de ser deixado, até o futuro que lhe parecia incerto.
O fator principal que fazia o modelo tomar aquele tipo de atitude tão inesperada vinha do acúmulo de inseguranças que um relacionamento à distância lhe trazia. Desde o início daquela relação de três anos, variados tipos de medos passaram a assolar Taemin que não acreditava tão cegamente naquele amor mostrado em filmes fantasiosos onde tudo funcionava perfeitamente bem para o casal principal. Extremamente ao contrário desses personagens fictícios, o modelo era muito cético e, para piorar a sua situação, era muito focado no seu futuro, principalmente o profissional. Sempre batalhou para encontrar em uma pessoa a companhia de seus dias presentes e a segurança para o futuro, nem que isso significasse ficar com alguém que não amasse, pois, para ele, ter uma ‘casa’ para onde voltar parecia fazer mais lógica do que um amor aos pedaços. Infelizmente, para Taemin, nesta concepção, foi em uma festa entre os times da liga europeia e a marca patrocinadora de uniformes que encontrou os olhos que o fizeram perder toda a estabilidade e abalar suas decisões.
Minho era um jogador de futebol em ascensão. O rapaz sabia como manejar uma bola como nenhum outro jogador sul coreano fora capaz e foi assim que, aos poucos, fora crescendo entre o time nacional, desenvolvendo-se a reserva e, logo depois, escalado como titular do Barcelona FC. Nunca se sentira tão realizado como no momento em que segurou a sua primeira taça em um jogo onde fora responsável por dois gols, e ele sabia que essa plena felicidade em sua vida só pôde ser alcançada através de seu esforço de anos e por causa daquele que estava ao seu lado, Taemin.
Entretanto, permitindo uma análise mais detalhada, teoricamente, a relação que o casal vivia não era tão simples, uma vez que a profissão de ambos não apenas exigia viagens internacionais, como também, muitas vezes, ocorriam no mesmo período. Em um cálculo básico, a maioria de seus momentos juntos se dava com intervalos de dois meses. Para uma relação na paixonite do início, onde acontece o famoso ‘tudo são flores’, era uma prática aceitável, já que quando finalmente tinham a oportunidade de ficarem juntos depois do mencionado tempo, a palavra ‘calor’ não era suficiente para descrever o que acontecia em suas camas, seja ela a cama de Minho, de Taemin, e até mesmo, para infelicidade do amigo, uma única vez a cama de Kibum.
Porém, trazendo a realidade à tona, aquela já era uma relação de três anos, e tudo o que muitas pessoas precisam nesse período é de ‘mais’. Seja mais amor, mais carinho, mais compreensão, mais paciência. E quando o ‘mais’ encontra o ‘menos’, o choque de razões é impossível de se impedir, já que para mais amor, você pede menos sexo, para mais carinho, você exige menos brutalidade, para mais compreensão, você pede menos arrogância, e para mais paciência, certamente, faz-se necessário menos momentos em que você é forçado a usá-la.
- Correndo, Minho? É assim que você terminará todas as nossas discussões? Fugindo? – Não demorou para fazer o mesmo que o outro e vestir sua boxer branca, em seguida sua calça jeans azul escura, e seguir para sala, local do apartamento que sabia que Minho tinha ido esfriar a cabeça. Encontrou-o caminhando em círculos.
- Você está se escutando, Taemin? – O moreno perguntou incrédulo – Olha as merdas que você está falando! Eu não obrigado a ficar aqui e ouvir essas coisas sem sentido...
- Para você pode ser fácil, pode ser uma ‘merda’, vir aqui, me foder e ir embora Minho. Mas para mim não é! – O modelo odiava o fato de que cada emoção forte que sentia, seja ela alegre ou triste, acabavam causando em si uma enorme vontade de chorar e, para seu martírio, dessa vez não estava sendo diferente, pois não custou muito para sentir uma bola de choro ocupar sua garganta – A-a-a única coisa que eu peço é que você me compreenda e entenda o que eu estou te dizendo!
- Me deixe ver se eu te entendi bem! – Fez uma pausa apenas para demonstrar o quão sem fundamento suas palavras soariam – Você está dizendo que, para mim, nossa relação é apenas carnal? É isso mesmo ou eu estou entendendo errado?!
- O que eu estou dizendo para você é que toda a nossa relação precisa só de... Só de mais. Minho, eu mal consigo te ver, mal temos tempo para ficar juntos e, para mim, quando nos encontramos, é crucial que conversemos, ao invés de unicamente pularmos todas as fases e ir direto para cama. Eu não quero uma relação dessa forma, eu preciso de alguém do meu lado que possa me compreender e estar comigo. E, infelizmente, você não está sendo capaz cumprir esse papel.
- Meu amor... – O moreno tentou utilizar um tom mais brando para fazer o namorado entender seus pensamentos, uma vez que as palavras deste tocaram tristemente seu coração – Eu sei como isso é difícil para você. Eu sei disso, porque no começo de tudo fui eu quem insisti nessa relação, fui eu quem disse que ia fazer dar certo e eu realmente estou tentando fazer isso funcionar...
- Mas você não está conseguindo, Minho, não está! Eu me sinto sozinho quando eu mais preciso de você.
- T-Taemin...
- Eu não sei quem são seus amigos, eu não sei quem suas companhias, e-e-eu sinto ciúmes... O tempo todo e isso é uma merda, eu sei! Mas eu não consigo evitar de me sentir assim!
- E o que você sugere? Que eu largue meu emprego? Que você largue o seu emprego? – Sabia que estava tocando no ponto fraco de Taemin, pois uma promessa entre ambos era que nunca mencionariam tal fator como crítico para a relação deles, ao mesmo passo que sentia a raiva, que há pouco tentou conter, retornar a seu corpo – Porque se é isto que está dizendo, você está considerando ou que um dos dois é desnecessário ou... Como é mesmo que você chamou outra vez? Ah, capricho. Agora eu quero saber, Taemin. Qual dos nossos empregos você considera um capricho particular? O meu ou o seu?
- Você está passando dos limites...
- Não me vem com essa. Não me vem com essa, Taemin! – Se queria conter sua irritabilidade, as palavras do modelo acabavam de fazer o jogador perder todas as suas estribeiras – Nós acabamos de fazer amor e você não esperou UM SEGUNDO SEQUER para virar para mim e dizer que nossa relação é um erro. Então, não! Eu não estou passando dos limites... Que limites são esses que são válidos para você e não são válidos para mim? Ou você acha que não me machuca ouvir que eu sou um erro para você?
- E o que você esperava que eu fizesse? Vamos lá, Minho! Não é a hora de ser sincero e passar dos limites? – É quase que uma pratica comum que em uma briga, onde você busca pela prevalência de sua razão, você se torne surdo para pensamentos e razões alheias, deixando emanar de seu interior o seu desconhecido que vem da maneira que você menos imagina. Neste momento, para Taemin, o desconhecido foi o cinismo – O único momento em que você me escuta é quando eu estou gritando por você ou elogiando o quão bom você é de cama. Você gosta disso, não é? Ah, como isso infla seu ego e explode a sua masculinidade. Mas quando o assunto é mais sério, você foge como um cachorrinho com o rabo entre as pernas.
- Você está me magoando agora, Taemin! – Ver seu amor, pelo qual lutou por tanto tempo, ser tratado como esdrúxulo pela pessoa que mais se importa, acabou sendo um pouco demais para o jogador suportar. As palavras do menor conseguiram abalar seu coração e fazer suas pernas tremerem, pois estavam lotadas de lembranças ruins e históricos de brigas que superaram juntos no passado, ou ao menos, Minho acreditava que tinham superado.
O momento que Minho mais se culpou em sua vida, foi ter magoado Taemin uma única vez. No primeiro aniversário de namoro dos dois, Minho estava passando por um momento difícil causado por uma lesão em seu tornozelo direito, o qual transformou todo o seu sentimento de frustração em compulsão por sexo. Havia feito o namorado chorar ao tratá-lo de qualquer forma e, por isso, se arrependia muito.
- Pelo menos consegui a sua atenção não foi? – A voz do modelo estava embargada pelo choro. Acabou sendo injusto demais e sua ficha estava caindo aos poucos.
- Uma coisa é você se sentir inseguro, outra coisa é o que eu estou vendo agora. Ciúmes? Quando eu te dei motivos para isso? – Perguntou calmamente – Eu sei que já cometi vários erros, mas eu esperava que seu perdão fosse completo e não por metades. Por que você não me fala logo o que quer, ao invés de ficar apontando em mim falhas das quais você não vai conseguir superar?
- Minho, me desculpa... Mas eu não quero, eu não consigo continuar assim. Eu vou acabar te odiando ou me odiando...
- Fala...
- Eu preciso de um tempo!
- Você sabe que eu não acredito em meios termos e ‘tempo’ é algo que eu não posso aceitar.
- Então eu quero terminar...
A última coisa que Taemin ouviu naquela noite foi a porta de seu apartamento se fechando e a visão das costas de Minho o deixando foi a única coisa que ocupou e perturbou sua mente nos últimos dias.
CAPÍTULO 2
- Ai! Para, Kibum! Ai! Dá para parar? – Taemin tentava se defender das várias “bandejadas” que estava recebendo do amigo. Não foi preciso ouvir metade da história para que o médico habilidosamente roubasse a bandeja que o garçom utilizava para servir-lhes seus pedidos e atacasse o menor com dezenas de golpes.
- S-senhor, se acalme, por favor! Os demais clientes estão olhando. – O garçom tinha uma idade mais avançada, porém possuía um tom manso e preocupado em sua voz.
- Leva essa bandeja e, pelos céus, me traz o maior facão que você tiver, porque hoje o prato principal é cabeça de top model. – Kibum disse autoritário para o garçom que, mesmo se perguntando se aquilo era realmente uma ameaça ou brincadeira entre amigos, não teve outra alternativa a não ser deixá-los a sós com uma importante nota mental de não deixar um facão se aproximar daquela mesa nas próximas horas. – O que diabos estava se passando pela sua cabeça, Lee Taemin?
- Está mais calmo agora? – O menor perguntou tentando se afastar ao máximo do amigo que aos poucos ia se sentando novamente em seu assento e mostrava-se uma pessoa mais segura de se estar perto.
- Nem tente mudar de assunto, Lee Taemin! – Forçou – O que foi isso que acabei de ouvir?
- Eu sei, ok? Eu fiz um monte de merda naquele dia e nem preciso te dizer que estou arrependido....
- Cara. Ele deve estar muito triste, coitado!
- Desde quando você é da Sociedade Protetora de Choi Minho? Até onde eu lembro, você demorou alguns meses para se dar ‘bem’ com ele.
- Eu conheço vocês dois perfeitamente bem, aliás, aguentei todo aquele drama que vocês me proporcionaram até finalmente chegarem a uma relação estável. E devo ressaltar que nunca vi Lee Taemin tão apaixonado por uma pessoa como você está por ele – Disse sincero – E é por isso que estou com extrema vontade de arrancar seu cérebro para fazer os mais diversos estudos no hospital agora – Brincou.
- Sabe o que é mais engraçado? Eu sei que nosso relacionamento tem as mais variadas lacunas para serem consertadas, mas, nesse tempo, eu percebi que, mesmo com todos esses problemas, eu prefiro estar com ele e trabalhar nelas em conjunto, do que estar sozinho com minhas inseguranças.
- Você precisa ter em mente é que você o ama mesmo com todas e quaisquer falhas, desde que sejam humanamente e moralmente aceitáveis; e entendê-las, pois, ele faz o mesmo com você e isso você não pode negar.
- Eu sei! Não queria ter dito aquelas coisas. Eu me senti horrível depois.
- Quanto tempo depois?
- No minuto em que ele fechou a porta!
- E faz quanto tempo que isso aconteceu?
- Duas semanas...
- E eu só estou sabendo agora?!!! – O médico quase gritou, chamando novamente a atenção dos demais e, também, a de um certo cozinheiro que mais estava achando graça da cena por não saber do que se tratava.
- O nome disso é “amigo viciado em trabalho que não tem tempo para conversar”, Kibum! – Zoou o amigo e sua mania de trabalho.
- Sei! – O médico disfarçou sua culpa rapidamente – E vocês não se falam desde então?
- Essa é a parte difícil. Por mais que eu tenha adorado que você tenha sido o primeiro a me ligar para me parabenizar pelo meu aniversário hoje, devo confessar que não era a sua ligação que eu estava esperando logo cedo! – Disse sincero e com uma pontada de mágoa e tristeza.
- Ouch! – O médico brincou, mas compreendia o amigo perfeitamente bem e não se deu ao luxo de comentários – O importante é pensar positivo, né? Ele te ama demais para deixar por isso mesmo, por isso pense que ele está, sei lá, ocupado no trabalho e ainda não teve tempo para te ligar. Ok?
- Eu espero, de verdade, que sim!
Terminaram suas devidas refeições, e Taemin sentiu a necessidade de se retirar rapidamente para se livrar de todo aquele clima pesado causado pela conversa e que tentava criar uma nova bola de choro em sua garganta. Pediu licença ao amigo informando que iria rapidamente à toalete. O restaurante estava mais calmo e, uma vez que alguns clientes já tinham terminados suas refeições, Kibum aproveitou um pouco do silencio para descansar sua mente. Adorava servir de apoio ao amigo, mas algumas vezes se preocupava tanto com este que transformava os problemas do modelo em seus próprios problemas e isso exigia demais de seus neurônios.
Pendeu um pouco de sua cabeça para trás e massageou suas têmporas a fim de dar a elas o descanso merecido e necessário, por isso, não viu quando uma pessoa se aproximou e passou a observá-lo naquela posição que requeria atenção.
- Está tudo bem, Senhor? – Kibum duvidou se a voz era direcionada a si e não abriu os olhos imediatamente. Entretanto, a percepção de uma leve sombra em seu rosto o fez abri-los apenas para confirmar sua hipótese. A visão que teve quase lhe roubou o ar e o susto quase o fez tombar cadeira abaixo, porém fora salvo pelas mãos morenas daquele que nunca tivera a chance de conversar, até agora – Me desculpe por assustá-lo, mas você parecia tão exausto ao longe que senti a necessidade de checar a sua condição.
- A-ah, c-laro! Não se preocupe comigo, estou bem! – O médico abriu um sorriso confortante e sincero, tanto pela conversa quanto pelo alívio de não ter caído feito um idiota.
- Tem certeza?
- Sim, obrigado pela gentileza de se preocupar!
O médico e o cozinheiro ficaram se encarando por longos segundos, ambos estavam devidamente encantados com a feição um do outro. Claramente, já haviam se visto por diversas vezes, mas nunca tiveram a oportunidade de ficarem tão próximos daquela maneira, por isso foi fácil para que o homem vestido branco admirasse o loiro que parecia ter sido feito de pura porcelana, e para que o médico ficasse encantando pelos olhos acalentadores do moreno.
- Desculpe-me se estou me intrometendo, mas seu namorado parecia bastante atordoado quando passou por mim ali atrás, espero que esteja realmente tudo bem entre vocês! – O homem tentou parecer transparente, mas algo em sua voz fez Kibum acreditar que havia um interesse escondido naquele comentário e iria descobrir se estava certo ou não, pois algo lhe dizia que havia uma duplicidade na palavra “namorado”.
- Ah, o Taemin? O Taemin é uma pessoa maravilhosa, acredito que sempre estaremos juntos! – A menção daquela frase, já fez os olhos do homem de pé em sua frente darem uma leve desviada procurando abrigo e isso foi o suficiente para o loiro sentir um leve formigar em sua barriga – Mas ele não faz meu tipo, deve ser por isso que ele é só o meu melhor amigo. – Deu ênfase à última palavra propositalmente.
- E eu um estraga prazeres, né? – Manteve aquele momento gostoso e quente que se instalou em segundos.
- Bom, já que tirei minha dúvida, acredito que mereça tirar uma dúvida que tenha também – Se curvou elegantemente – Meu nome é Kim Jonghyun, sou o cozinheiro e dono deste local. É um prazer!
- Cozinheiro, dono do local e levemente convencido, Kim Jonghyun – Riu-se – Como tem tanta certeza que minha dúvida era saber o seu nome? Isso não seria trapaça?
- Talvez você não saiba, mas seus olhos dizem muitas coisas! – Fixou o olhar no médico que retribuiu sustentando-o – Principalmente quando você olha para mim.
Todas as reações que o estomago de Kibum podia ter naquele momento, tiveram êxito quando esta sentiu como se uma montanha russa estivesse sendo criada dentro de si e pela primeira vez em muito tempo; alguém o havia deixado sem palavras. Levou longos segundos para que sua mente entendesse que precisava buscar uma resposta para aquele comentário e, quando entendeu isso, percebeu que não arranjaria uma tréplica tão facilmente. Para sua sorte – ou, para um momento como aquele, a falta dela – viu seu celular notificar uma ligação e o nome na tela não lhe dava outra opção senão atender.
- A-ah, me desculpe! - Disse um pouco sem graça.
- Tudo bem...
– Você está atrapalhando um dos melhores momentos do meu dia, espero que seja importante, Choi Minho! – Não foi difícil notar um riso escapar dos lábios do cozinheiro ao ouvir o comentário – Hm... Hm... Ele está no banheiro. Aliás, o que vocês dois tem na cabeça? Ligue para ele imediatamen.. Ah! Uau, sério?!... Ok, ok! Me envie por mensagem para eu não esquecer, porque não sou obrigado a anotar... Você me deve essa... Está bem, para de ser chato, eu não vou esquecer. Tchau, beijos! – Kibum estava ansioso para finalizar a ligação e continuar sua conversa dos sonhos, mas o destino não parecia conspirar a seu favor.
- Com quem você estava falando, Kibum? – O médico teve a certeza daquilo, quando voz de Taemin voltou a se fazer presente no local.
- Então, é Kibum o seu nome! – O loiro se perdeu completamente naquele momento. Precisava criar uma resposta para dar ao amigo, havia a presença de Jonghyun e havia a ligação de Minho.
- Ah, nada demais, era só a minha mãe! – Tentou ignorar completamente o franzir de cenho que Jonghyun desenhou em seu rosto.
- Sua mãe se chama...?
- Vamos embora logo, Taemin! – Para sua infelicidade, sua última opção fora aquela: correr! Precisava fazer o que tinha combinado com Minho dar certo, e Jonghyun, inocentemente, quase estragou tudo no mesmo minuto.
- Mas e a sobremesa? – Taemin clamou infantilmente – E Kibum, o cozinheiro está finalmente falando com você. O que está fazendo? – O médico ficou vermelho no exato momento em que ouviu Jonghyun gargalhar baixo.
- Taemin, você fica quieto, sua sobremesa já está te esperando...
- Hãm?
- Jonghyun, você engole a risada e segura meu número – Escreveu rapidamente em um pedaço de guardanapo, entregou para o cozinheiro e puxou o modelo para irem embora.
Após pagarem a conta sob o olhar de um Jonghyun curioso ao longe, Kibum penou para conseguir convencer Taemin a pegar seu carro e ir logo para casa, pois este alegava que estava cedo demais e precisa de mais conselhos do amigo, afinal, era seu aniversário. Entretanto, este não deu o braço a torcer para os aegyos pedintes do mais novo e finalmente o convenceu a ir para casa com a ordem de ficar atento ao celular.
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Taemin não estava entendendo, literalmente, nada. Há menos de duas horas atrás, Key havia estranhamente saído correndo do FLada e o obrigado a voltar para casa sem mais nem menos, sem sequer uma explicação sensata. Imaginou que o amigo teria ficado chateado com algo que o cozinheiro do restaurante poderia ter dito para ele, mas isso o médico fez questão de negar tão desesperadamente, como se sentisse na responsabilidade de defender a honra do homem. Entretanto, minutos atrás, o amigo havia mandado uma mensagem de texto pedindo que ele se arrumasse perfeitamente bem e ir para o local descrito no endereço. A fim de entender as ações do amigo, procurou pelo endereço rapidamente no aplicativo Mapas disponível em seu celular e, a menos que o amigo quisesse matá-lo em um local deserto, não encontrava nada que conhecesse no endereço.
Porém, o modelo decidiu não discutir a atitude do melhor amigo e, minutos após tomar um longo banho, já se encontrava em frente ao espelho gigante de seu quarto, checando os últimos detalhes de sua aparência. Aplicou um pouco de corretivo sobre as olheiras, causadas por sua última semana lotada de trabalho, e penteou os fios negros de seu cabelo úmido para frente, formando uma franja pouco parecida com uma tigela. Já que seu ânimo não estava lá dos melhores, e como não tinha ideia do que se passava pela cabeça do amigo, resolveu abusar da casualidade, optando por utilizar um coturno de couro brilhante e escuro que cobria a barra de uma calça skinny preta. Para a parte superior, selecionou uma camiseta regata branca com vários furos fashions espalhados por sua extensão que alcançava a coxa, finalizando com uma jaqueta jeans leve, trabalhada com estampas em tonalidades de vermelho, azul e branco por cima.
- Alô? – Suspirou aliviado, era a quinta vez que tentava falar com o médico para saber um pouco mais sobre a loucura que poderia estar inventando àquela hora da noite. Aceitaria tudo, mas estava disposto a dizer que estava disposto a negar se aquilo tudo fosse um plano para levá-lo a festa surpresa. Detestava esse tipo de coisa.
- Kibummie!
- Oh, Taemin... Onde está? Vai me dizer que ainda não saiu de casa.
- Estou na porta, ok? Agora você pode me dizer para onde vamos e, principalmente, o que está tramando? – Bufou – Não tem nada nesse endereço que você passou.
- Você podia parar de reclamar e me agradecer por te ajudar a ter um dos melhores aniversários da sua vida!
- Pelo menos me dê uma dica do que iremos fazer, por favor! – Insistiu.
- Não. Agora pegue a chave do carro e vá para lá logo!
- Lá? Você ainda não chegou? – Recebeu a resposta negativa do outro lado da linha – Yah! Então pare de me apressar.
- Taemin. Vai logo. Tchau!
Escutou os toques sinalizando a finalização abrupta da ligação, perdendo as contas de quantas vezes murmurou a atitude brusca do amigo por todo o percurso de seu apartamento até sua BMW Spyder. Adentrou o veículo e digitou o endereço no visor iluminado azul de seu GPS, se esforçando para deixar fora de sua cabeça os pensamentos de todas as vezes que ele e Minho brincavam enquanto acusavam um ao outro de que não eram capazes de chegar a um simples endereço sem se perder no caminho, mesmo com a ajuda de um GPS.
Afastou aquela memória recente apenas para evitar entristecimentos e, após respirar profundamente por duas vezes, seguiu seu trajeto ao som de sua trilha sonora preferida, Hear You Me cantada por Jimmy Eat World e, naquele momento, por Lee Taemin.
And if you were with me tonight I'd sing to you just one more time....
O fim da noite já se iniciava e a lua já estava em um dos seus pontos mais altos, acompanhada de estrelas fortemente brilhantes, dando ao lugar uma tranquilidade reforçada pelos sons de insetos noturno pacíficos. Era uma noite gostosa, banhada pelo vento fino e leve.
Mesmo ao estacionar seu carro, o jovem moreno não entendia o porquê alguém o chamaria para um lugar daqueles, principalmente se esse alguém fosse Kim Kibum, seu melhor amigo. Por este motivo tinha a certeza que desistir de entrar em um estádio de futebol enorme no meio da noite era a melhor opção, contudo, a forte iluminação do local dava vida em tudo a sua volta e, por algum motivo, isso fazia Taemin acreditar que algo esperava por ele e algo lhe atraía até ali.
As paredes externas do estádio exibiam símbolos esportivos, olímpicos e grandes cartazes com fotos dos melhores jogadores coreanos estavam dispostos ali. Não é que o modelo conhecesse muito sobre o esporte, mas ter namorado um jogador de futebol tinha lá suas vantagens, e foi assim que reconheceu os rostos de alguns jogadores expostos no local.
Aquilo era bom! De alguma forma, entrar por aqueles enormes portões lhe parecia certo, uma vez que se fosse ao contrário do que estava imaginando e se encontrasse algo estranho no local, ou uma brincadeira sem gosto, satisfazia-lhe a ideia de que poderia descontar isso em seu amigo da maneira mais diabólica possível.
Com esse pensamento, adentrou o local e, após seguir por alguns setores vazios, seus passos automaticamente o levaram para o centro, onde a iluminação era mais forte. Antes que pudesse notar, seus sapatos já tocavam a grama verde e macia em seu caminho e isso aconteceu por um único motivo: sua atenção já tinha sido roubada pelo local que brilhava mais forte no centro daquele campo de futebol.
Taemin sentiu uma vontade extrema de chorar, só não o fez, pois tinha a necessidade de compreender coisas como “O que estaria acontecendo?”, “Quem poderia ter feito aquele tipo de coisa naquele lugar tão incomum?”, “Aquilo tudo seria para ele?” – Perguntava-se enquanto seus olhos começavam a marejar e seu coração bater mais rápido do que seu peito estava acostumado.
Havia centenas de velas acessas dentro de copos de vidro espalhados por todo campo, e reunidos que formavam a frase que bagunçou todas as emoções do modelo. “Eu te amo” estava desenhado em meio a pétalas vermelhas dentro de um enorme retângulo que estava acompanhado de outros e mais outros retângulos de velas espalhados pelo chão.
- Eu pensei em uma forma de fazer você compreender o tamanho do amor que eu sinto por você e o quão verdadeiro ele é! – Uma voz grossa que Taemin já conhecia bem, surgiu atrás de si, e aquilo foi o suficiente para fazer o modelo derramar sua primeira lágrima, não de tristeza, mas pelo turbilhão de emoções que explodiam em seu peito. – E eu realmente espero que você me entenda agora.
- M-min.... – Sussurrou quando o moreno deu alguns passos e sua imagem se materializou em seu campo de visão, de frente para si.
- Sabe, há poucas coisas na minha vida que eu posso dizer que amo plenamente com toda a certeza do meu coração e você, seu bobo, é a principal dentre elas! – O jogador deu alguns passos para trás, a fim de se aproximar mais do grande desenho em velas que havia criado para o modelo. Minho estava vestido inteiramente de preto, porém a abertura ‘V’ de sua camisa social fazia Taemin percorrer o olhar do peitoral pouco exposto para os lábios levemente avermelhados, seguindo para os olhos grandes, firmes e preenchidos por um carinho indescritível. – Família... Lee Taemin... E futebol. Eu reuni todos eles aqui e sem você eu não consigo ser feliz em nenhuma delas. Está vendo tudo isso aqui? Você é a base de tudo e de todos os meus sonhos.
- Minho... – Tentava encontrar palavras, mas Minho havia arrancado seu poder de fala.
- Vê todos esses retângulos toscos e tortos? – Riu-se – Eu tentei fazer uma casa, você acha que deu certo? Hm, ali era para ser a cozinha, e ali era para ser a sala, mas daí eu tive que trocar tudo, porque geralmente uma sala é maior que uma cozinha, não é amor? – Arrancou gargalhadas involuntárias do menor quando demonstrava uma confusão ao apontar para os diversos desenhos de velas pelo chão – Está vendo? Como eu vou conseguir construir a nossa casa sem você?
- V-você pode parar! – Disse quase sem voz.
- E o banheiro? Eu não tinha ideia de onde colocar ele. Quase desenhei ele do lado de fora, junto com a casinha do cachorro...
- Minho, eu fui um idiota com você. Não precisa fazer tudo isso, eu quero me desculpar com você! – Disse sincero.
- Taemin...
- Espere, por favor, me deixe falar! – Levou alguns segundos para tomar coragem – Minho, você não é nada daquilo que eu disse. Nunca foi. Eu não sei o que deu em mim, eu realmente não sei! Me desculpe, eu sei que tenho diversas e diversas inseguranças, e.... Espera isso está errado! – Correu até o namorado, puxou-o pelo braço e inverteu suas posições, colocando-se próximo às velas como se soasse certo que Minho fosse o homenageado da noite e não ele.
- O que está fazendo? – Perguntou curioso.
- Agora está certo! – Sorriu um tanto afobado – Me perdoe, meu amor, por todas as baboseiras que eu te disse.
- Eu acho que você não precisa fazer isso! – Gargalhou apontando para tudo o que tinha planejado e feito para o menor naquele imenso estádio – Mas só para eu registro, eu te perdoo, sim!
- E eu quero saber se você, Choi Minho, aceitaria voltar a ser namorado de um top model que tem mais inseguranças do que o número de copos com velas aqui, e que mora numa casa toda torta feita de velas dentro de um campo de futebol, mas que te ama mais do que tudo.
- Você está roubando a minha homenagem, Lee Taemin? Por acaso, você não sabe ser criativo não? Dá um belo trabalho desenhar uma casa no chão, sabe? – O modelo não entendia o porquê, mas se sentiu envergonhado na frente do namorado, como se estivessem novamente no início de sua relação três anos atrás.
- Para, seu bobo, e diz que volta para mim, huh? Diz que volta a ser meu namorado!
- Seu namorado, eu acho que não vai rolar! – Disse sério – Porque você não acha que eu comprei um campo de futebol e desenhei uma casa no centro dele para te pedir para ser meu namorado, não é?
- Minho?
- Comigo é de matrimônio para cima, Sr. Taemin! – Sorriu ao ver o espanto estampado na cara do outro.
- M-Minho...?
- Você estragou toda a declaração, né! Tinha pensado em várias frescuras, fazer cair aqueles papeizinhos picotados, pagar um avião para passar no céu com a mensagem “Quer casar comigo? ”, daí iam sair fogos dos cantos do palc-
Taemin não ouvia mais nenhuma palavra há tempos e simplesmente saltou para cima do namorado, agarrando seu pescoço e o beijando com toda a força refletida de seu coração. E então, tudo passou a acontecer muito rápido nos segundos seguintes. Em um instante Minho se esforçava para não tombar para trás e, no minuto seguinte, ele já estava com Taemin pendurado em seu colo.
Minho foi pego de surpresa quando Taemin passou a ser mais voraz apertando-o ainda mais ao seu encontro, porém, em nenhum momento ele hesitou em se deixar levar. Ele queria, precisava daquilo. A saudade ardia tanto dentro de ambos e eles se queriam tanto que, no momento em que seus lábios de uniram, seus corpos entraram em transe... A saudade que, enfim, partia quando suas línguas se chocaram.
As mãos trêmulas de Minho seguravam a cintura fina de Taemin, enquanto este se apoiava em um ombro de Minho e a outra mão era direcionada aos fios escuros e macios dele. A maneira perfeita em que eles se encaixavam era surreal.
Os lábios não se desgrudavam por um segundo sequer, enquanto as línguas se moviam uma de encontro à outra. Taemin capturou o lábio inferir de Minho e o puxou com uma leveza incrível; em seguida foi a vez de Minho fazer o mesmo com ele, para logo depois o inebriar com outro beijo que era capaz de tirar-lhe o fôlego.
Taemin não cogitava – e nem queria – parar. Se ele pudesse, passaria horas e mais horas beijando Minho.... Talvez até mesmo dias.
- Como eu senti falta disso... – Taemin sussurrou brevemente e voltou a beijar aquele que lhe dera a permissão de chamar de marido.
As respirações aceleradas se misturavam e Taemin deixava Minho exercer o comando durante o beijo. Ele conteve um gemido quando sua língua foi aprisionada e logo em seguida sugada com força, e novamente outro gemido foi engolido quando dentes gentis cravavam em seu lábio inferior.
- Wow! – Minho estava surpreso com todo aquele ato. Imaginava o namorado de todas as maneiras, mas tinha perdido o momento na vida em que ele aprendera a ser tão voraz. Então cogitou pedir o rapaz em casamento todos os dias. – Calma que ainda estamos em um campo de futebol a céu aberto! Quer que eu te agarre aqui?
- Bom, sabe... Não vou negar que sempre tive a tara de amar você em um lugar como esses! – Disse se agarrando mais forte ao pescoço do namorado e entrelaçando mais firmemente as pernas em volta do quadril do outro.
- Esse é meu namorado recatado mesmo? – Brincou.
- Recatado? Eu? – Gargalhou alto – Vou ter que te revelar alguns novos lados meu eu suponho.
- Ah, alguns? – Fez-se de desentendido.
- Aliás, você disse que comprou o estádio, certo?
- Sim...
- Isso quer dizer que ele é seu, certo?
- Correto novamente!
- Eu acho que na nossa casa de velas nós temos um quarto, não temos?
- O que está pensando? – Desconfiou risonho.
- Ah, sei lá... Casais fazem coisas no quarto. Você podia me levar até lá e, quem sabe, fazer essas coisas comigo – Respondeu sapeca.
- Você não existe! – Gargalhou, mas fez como lhe fora sugerido e, após pular algumas linhas desenhadas pelo caminho, encontrou o lugar perfeito. Com cuidado deitou o corpo do outro no chão logo após utilizar sua própria camisa para forrar o local, e dar ao namorado a visão privilegiada de seu corpo malhado em contraste com a luz do luar. – Amanhã isso pode estar em todas as manchetes, mas que eu vou amar você com todas as minhas forças nesse chão... Ah, como eu vou...
- Então vem aqui, eu quero te sentir! – Sussurrou.
Aquela noite foi uma total insanidade. Se fossem pegos, teriam diversos problemas para lidar. Mas, ocasionalmente, é ser insano que nos traz as melhores experiências da vida e, gritar o nome de Minho por repetidas vezes a céu aberto da maneira que fizera nas três vezes em se amaram naquela noite, era uma experiência que Taemin jamais conseguiria esquecer.
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Notas finais: Queria fazer algo mais completo, pois foi baseado num sonho que tive, mas não sei se consegui me lembrar de tudo haha! Entretanto, espero que quem imaginou o plot se divirta pelo menos um pouco!
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Plot enviado: #117 - Taemin é modelo, e Minho jogador profissional de futebol, ambos renomados. A vida agitada impede que eles se vejam com frequência. Mas em um dia, sem que Taemin saiba, Minho prepara algo onde os dois possam passar o tempo juntos.
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Sinopse: A noona de Minho ficará o final de semana fora e Minho fica com a responsabilidade de cuidar de seu sobrinho Yoogeun. Mas, por acaso do destino, o professor de Yoogeun, Kibum, também passará esse final de semana com eles. O que esse final de semana reserva para os três?
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– Eu estou quase chegando, Noona! – Não é normal Minho se atrasar, ele preza muito por pontualidade; não só dele, como também daqueles que estão a sua volta.
"Meu menininho deve estar assustado. Você é um imbecil? Como pode esquecer meu filho na escola?"
– Noona! Esta é a primeira vez que tenho que me preocupar com horário de escola! – Eu realmente havia me esquecido de buscar meu sobrinho, mas foi por um breve momento; quando lembrei, eu peguei o carro e sai correndo. –Noona, já estou vendo a escolinha.
"Estou começando a repensar se é realmente seguro meu bebê...
Desligando... tuturutum"
– Desculpa, Noona, mas às vezes você é bem chata. Depois dou a desculpa de que acabou a bateria.
Assim que Minho estaciona o carro na frente da Escolinha Pônei Encantado, avista um pequenino ser todo sorridente mostrando seus pequenos dentinhos. O Choi se apressa em ir ao encontro do sobrinho.
– Yoogeun-ah, me desculpe o atraso, mas prometo recompensá-lo com o meu lendário sanduíche. – Yoogeun estendeu os bracinhos e Minho se apressou em pegá-lo no colo. Assim que se ajeitou no colo de Minho, Yoogeun deu um beijinho no mesmo.
– Yoogeun ta fome, Minho-appa. – O pai de Yoogeun apenas o registrou como filho, mas nunca fez seu papel de pai. O mais próximo de uma figura paterna que Yoogeun tinha era seu tio Minho.
– Não se preocupe, Yoogeun-ah, eu farei o sanduíche mais recheado que...
– AFASTE-SE DO MEU FILHO, SEU CANALHA! – Minho se assustou e virou rapidamente para ver quem havia proferido tais absurdos.
– QUE SEU FILHO O QUÊ? O YOOGEUN É MEU SOBRINHO! VOCÊ ESTÁ LOUCO? – Era visível o fogo nos olhos de Minho. Enquanto Minho esperava suas desculpas, pensava sobre o quão estranho era a forma que aquele magricelo garoto se vestia: uma mistura de um moletom do personagem Bart Simpson, uma calça jeans azul clara e um tênis branco. Olhando por esse lado, você até pode pensar "o que de tão extravagante existe nessas roupas?", mas a estranheza de Minho estava mais focada em seus acessórios: um óculos redondo preto com detalhes em branco, um chapéu preto que mal cabia em sua cabeça e o item de maior extravagância, uma mochila verde que, com toda certeza, MinHo nunca chegaria nem perto de algo parecido, muito menos usaria algo do tipo em público.
– Ah, você é o tio do Yoogeun-ah? Eu sou Kim Kibum, professor dele. A noona me disse que teria de deixá-lo sob seus cuidados nesse final de semana. Tem a noção de que o deixou esperando por quase uma hora? Eu estava já me arrumando para levá-lo pra casa. A propósito, já cuidou de uma criança alguma vez na sua jovem vida? – Era notável o tom de deboche na voz de Kibum.
– Saiba que eu sempre ajudei minha Noona a cuidar do Yoogeun e sou um ótimo tio! Está bom pra você? – Minho enchia o peito para se vangloriar; não deixaria um estranho dizer que não era capacitado para cuidar de seu sobrinho.
– Jura? O que fará de jantar hoje? – O sorrisinho presunçoso de Kibum irritava Minho ao extremo.
– Vou fazer uma sopa de algas. – Era palpável a confiança de Minho. Kibum até poderia ter acreditado, se Yoogeun ficasse de boca fechada.
– Minho-appa, Yoogeun que sanduchi! – E com essas quatro palavrinhas, o sorriso de Kibum cresceu radiante e convencido.
– Haha, sabia! – Kibum deu um beijo na bochecha de Yoogeun. – Que coisa feia, dando mal exemplo pro menino.
– Não importa, minha Noona é a mãe dele e, se ela confia em mim, então quem é você para discordar? – "Yoogeun poderia ter ficado calado", era o que Minho pensava.
– A Noona é uma iludida, vive falando que eu sou muito bonito e que gostaria de casar comigo. Mas me responda: você irá ficar na sua casa ou na da Noona?
– Ficarei na casa da minha Noona, por quê? – Minho realmente estranhou; não só o real motivo da pergunta, como também a súbita mudança na voz.
– Eu sou vizinho da Noona, então ela sempre me dá carona. Que bom que ficará lá, assim não precisarei pegar o metrô. – O sorriso de Kibum voltou a brilhar: era claro o seu descontentamento em gastar sua beleza com multidões suadas e malvestidas.
– Eu não vou te levar para casa. Você que se vire com a sua locomoção. – Kibum nem se deu ao trabalho de ouvir o que Minho tinha a dizer: foi logo pegando Yoogeun no colo e entrando no carro. Nunca foi de deixar alguém o expulsar da carona que ele mesmo se convidou.
– Ei, sai do meu carro! – Coitado de Minho. Ainda não percebera que essa batalha já estava perdida desde o início.
– Pare de ser infantil e dirija logo. Eu não tenho todo o tempo do mundo. – Kibum ajeitou Yoogeun na cadeirinha no banco de trás e colocou o cinto de segurança em si.
Minho, conformado, decide fazer o que lhe é mandado, então simplesmente começa a dirigir. Depois de um tempo, decide ligar seu celular.
– O que pensa que está fazendo? – Kibum perguntou ao seu lado, totalmente atordoado.
– Ligando meu celular? – Respondeu em seu maior tom de obviedade enquanto balançava seu celular na cara de Kibum.
– Você está dirigindo, pare de dar maus exemplos ao pequeno Yoogeun. – Realmente Minho não seguia à risca as leis de trânsito, mas nada que qualquer um não faça.
Após Kibum explicar onde fica sua casa, o percurso todo foi calmo demais para um ambiente contendo aqueles dois.
– Ah, aqui é a minha casa! – Kibum proferiu, quase assustando Minho, que estacionou para o jovem professor descer.
– Até nunca mais, exibido! – Minho acenava para o outro, que devolvera um lindo sorriso falso.
– Tial Key-appa! – Yoogeun balançava as mãozinhas todo animadinho.
– Tchau, minha criança. – Kibum deu um longo beijo na bochecha de Yoogeun. – Fofo! Vontade de te bater de tanta fofura.
Assim que o carro ficou sem a presença de Kibum, Minho voltou a sua tarefa de pilotar o carro até em casa, que ficava dali a duas quadras.
– Yoogeun-ah, por que chamou ele de Key? – Minho perguntou, olhando o menininho pelo retrovisor do carro.
– Key-appa tem apeido Key-Appa. – Minho quase não conseguia entender o que o garotinho falava, mas com bastante esforço e imaginação acabava compreendendo o pequeno.
– Hum... Olha só, já chegamos! – Já era início de noite. Sextas-feiras são sempre muito corridas na empresa em que Minho trabalha, então quando chega o final do dia, ele simplesmente quer descansar.
Quando entraram em casa, Minho foi dar banho e trocar a roupa de Yoogeun. Assim que o menor já estava vestindo seu pijama azul com pequenos dinossauros verdes, Minho foi preparar os sanduíches. Comeram enquanto assistiam os Power Rangers – os preferidos de Yoogeun –, e assim ficaram até o momento em que o pequenino começou a cochilar sentado.
Notando o cansaço do sobrinho, Minho se apressou em levá-lo até a cama para que assim pudesse dormir confortavelmente. Após o beijinho de boa noite, Minho também foi para a cama; estava exausto.
No sábado quando acordou, já passava das 10. Yoogeun ainda não havia acordado, então Minho decidiu tomar um banho e depois checar seus e-mails. Aproveitou para ficar um tempo nas redes sociais e, quando se deu conta, já era quase meio-dia. Indeciso sobre comer macarrão instantâneo ou pedir pizza, Minho decide recorrer a Yoogeun, que estranhamente ainda estava dormindo.
Ao chegar no quarto do menino, Minho percebe que ele está suando muito e se remexendo de um lado para o outro. Quando foi checar a temperatura de Yoogeun, percebeu que o mesmo estava queimando em febre.
– Yoogeun ta fio e queti. – O pequenino dizia, secando o suor que escorria pelo rosto.
Desesperado, Minho recorre à agenda de sua irmã, na intenção de achar o número de algum pediatra. No meio de sua voraz busca, um nome lhe chama a atenção: o nome do professorzinho de Yoogeun, que estava ridiculamente enfeitado com alguns corações em volta. Realmente sua irmã era uma grande iludida. No impulso, Minho liga para Kibum; trabalhando com crianças, certamente Kibum saberia como lidar com uma febre.
"Alô." – A voz de Kibum estava surpreendentemente animada e Minho começou a pensar que talvez estivesse atrapalhando algo.
– Olá, Kibum-ssi. Aqui é Minho, tio do Yoogeun. Estou ligando porqie estou com uns problemas aqui. Se não for incômodo, poderia vir aqui em casa? – Minho falava como se estivesse em uma entrevista de emprego.
"Eu sabia que não seria capaz de cuidar do meu filho. Claro que eu vou aí, não será incômodo nenhum. Na verdade, estava me preparando para começar uma faxina. A propósito, vocês já almoçaram?" – Ao mesmo tempo em que Minho se sentiu extremamente aliviado pela ajuda, também se sentiu muito triste por ter deixado Yoogeun adoecer.
– Não, ainda não comemos. Você sabe o endereço daqui?
"Sim, eu já estive aí. Já estou indo. Tchau!"
– Por favor, venha logo. – Minho estava assustado; nunca cuidara de alguém doente, muito menos de uma criança! Estava confiando fielmente em Kibum e torcendo para que o mesmo soubesse o que devia ser feito.
Depois de certo tempo, Kibum chegou com algumas sacolas. Mais uma vez, suas roupas chamaram a atenção de Minho: uma camiseta branca estampada com um casaco por cima; na parte de baixo, um short jeans, uma meia que ia quase até a canela e um tênis com um pequeno salto; o óculos e o chapéu pequeno estavam presentes em seu look; a bolsa, dessa vez, era uma preta de lado, e ele também usava algumas pulseiras coloridas.
– Olá, onde está o Yoogeun? – Minho prontamente foi ajudá-lo com as sacolas.
– Está no quarto. Foi por isso que te chamei, ele aparenta estar muito doente. Eu não sei o que fazer e nem como ele adoeceu. – Minho estava visivelmente preocupado, o que fez Kibum se desesperar momentaneamente.
Kibum foi correndo ao quarto de Yoogeun. Ao chegar lá, mal podia identificar o que era coberta e o que era Yoogeun. Sua primeira providência foi retirar mais da metade daqueles panos do pobre garoto.
– Anyo Key-appa. – Yoogeun mal conseguia se manter acordado, estava muito cansado.
– O que está fazendo? Ele disse que está com frio! – disse Minho inocentemente.
– Minho-ssi, quando alguém está com febre, você não deve cobri-lo mais ainda. Isso é bem simples: é só dar um banho nele e fazê-lo tomar um remédio. Ele deve ter pegado alguma virose; soube que um garoto da classe ao lado estava doente, e eles devem ter brincado juntos no intervalo. – Ouvir Kibum dizer que a culpa não havia sido sua e que era algo extremamente simples o deixou mais que aliviado, deixou-o feliz.
– Sério? Que bom. Muito obrigado. – Curvou-se em agradecimento a Kibum.
– Você realmente se preocupou muito com isso, né? – Minho afirmou com a cabeça.
– Não se preocupe, eu cuidarei dele. – Kibum pegou Yoogeun no colo e se dirigiu ao banheiro para dar um banho no menininho.
Enquanto Kibum banhava Yoogeun, Minho foi arrumar as sacolas que ainda estavam em cima do sofá. Kibum certamente passou em uma padaria – só havia salgados, doces e, impressionantemente, um bolo de chocolate.
Minho decidiu fazer o macarrão instantâneo. Dentre as opções, certamente essa era a mais nutritiva; também colocou alguns legumes picados que achou na geladeira de sua noona.
– Olha só. Pra alguém cuja maior especialidade na cozinha é fazer sanduíche, isso até que está cheirando muito bem, né, Yoogeun-ah? – Kibum estava com Yoogeun no colo; o menor já estava de banho tomado e agora vestia um pijaminha amarelo com bolinhas azuis.
– Haha, que bonitinho. Eu já terminei; é uma maravilhosa sopa de miojo com legumes. – Minho deu uma última mexida na sopa, só para ter certeza de que não a havia queimado. – Kibum-ssi, eu posso dar comida para ele. É o mínimo que posso fazer já que você cuidou dele, sendo que ele era minha responsabilidade. – Minho arrumou um pratinho para seu "filho".
– Ah! Deixa disso, eu super adoro meu menininho. – Kibum deixou Yoogeun ir no colo de Minho. – Mas eu vou aceitar porque tô morrendo de fome.
– Você também não comeu ainda? – Minho começou a esfriar a comida e dar para Yoogeun.
– Não. Como eu te disse, eu estava indo faxinar minha casa quando você me ligou. Eu só passei na padaria e vim pra cá. – Kibum pegou seu prato e se sentou à mesa, juntando-se aos outros dois.
– Espera um pouco. Você iria limpar a casa vestido dessa forma? – Minho apontava para a roupa de Kibum.
– O que há de errado com minha roupa?
– Não que esteja feio, é só que parece que você estava indo a um desfile. Ninguém limpa a casa vestido dessa forma.
– E você certamente nunca assistiu a um desfile.
Enquanto os dois discutiam sobre a roupa de Kibum, Yoogeun continuou a comer sozinho. Quando se deram conta da presença do garotinho, ele já tinha macarrão até no nariz.
– Oh! Pobrezinho, deixa que o Key-appa te limpa. – Kibum limpou a boca de Yoogeun com um papel-toalha. Minho aproveitou para ir finalmente comer.
– Vou colocá-lo pra dormir. Ok? – Yoogeun mal se ajeitou no colo de Kibum e logo adormeceu.
– Eu vou terminar de comer e lavar a louça. – Minho estava começando a gostar de verdade da presença de Kibum na casa. Sentia que algo muito legal poderia brotar desse encontro por acaso.
Assim que Yoogeun dormiu, Minho e Kibum passaram a tarde toda jogando jogos de tabuleiro como duas crianças, e isso durou até a noite.
– Appa, Yoogeun que binca. – Yoogeun adentrou a sala com sua carinha de sono, e logo foi se juntando aos maiores.
– Yoogeun-ah, me deixa tirar sua temperatura. – Kibum encostou a mão na testa de Yoogeun, notando que já estava tudo bem com o pequeno.
– Eu te disse, Minho-ssi. Essa febre era só passageira. – Kibum sorriu para Minho, que devolveu com o mais bonito e sincero sorriso do mundo. Por um tempo, aquele sorriso era a única coisa na cabeça de Kibum.
– Bom, já que Yoogeun acordou, acho que podemos jantar agora, né? – Minho levantou com Yoogeun no colo, e os três se dirigiram à cozinha para jantar os salgados que Kibum comprara mais cedo.
– Isso me faz lembrar, Kibum-ssi... Já está tarde, não acha melhor dormir aqui? – Minho sentia uma pontinha de esperança enquanto Kibum sentia uma pontinha de felicidade.
– Claro, eu também concordo, mas preciso de roupas pra dormir.
– Eu te empresto. – Quem olhava de fora poderia ver dois amigos conversando, mas quando olhasse nos olhos um do outro, perceberia a existência de um brilho a mais.
– Yoogeun ta que dumi com appa. – Nessa história toda, Yoogeun era o mais animado.
– Haha, Yoogeun-ah, você pode dormir conosco. – Kibum deu um beijo no menino. – Eu preciso tomar banho, já volto. – E levantou-se.
– Tem toalha na parte de cima do guarda roupa. Você pode pegar qualquer roupa minha, ok? – A resposta de Minho foi apenas um "ok" com a mão.
– Minho-appa não biga com Key-appa? – Yoogeun estava estranhando, pois desde que foi dormir os dois não eram tão amigos assim.
– Não, nós estamos nos conhecendo melhor e seu outro appa não é tão irritante quanto achei. – Minho dizia mais para si mesmo que para seu pequeno.
Após algum tempo, Kibum saiu do banheiro.
– Você reclama das minhas roupas, mas só usa preto. Se tem medo das suas roupas ficarem encardidas, eu sugiro Vanish. – Kibum se juntou aos dois no quarto enquanto secava o cabelo.
– Eu sou dark trevoso. Se eu usasse uma roupa branca, queimaria como um vampiro no sol.
– Ok, senhor das trevas, vamos dormir. O pobre do Yoogeun não consegue nem ficar sentado de tanto sono. – Yoogeun estava sentado na cama com a cabeça para o lado, piscando os olhos; ele nem sabia do que acontecia a sua volta.
– Vamos. – Minho ajeitou Yoogeun no meio da cama, deitou de um lado e Kibum do outro. Assim, dormiram a noite inteira.
No domingo, Minho e Kibum certamente esperavam dormir até tarde, mas devido às circunstâncias de um leitão de pequeno porte pulando em cima de deles, acordar foi inevitável.
– Appa, Yoogeun que binca. – E o leitãozinho não desistia, então coube a Minho e Kibum desistirem.
– Yoogeun-ah, estamos levantando. – Kibum pegou Yoogeun e saiu correndo. – Eu estou te sequestrando, Príncipe Yoogeun. Hahaha.
– Minho-appa ajuda Yoogeun. – Mais do que rápido, os outros dois entraram na brincadeira de Kibum.
– Príncipe Yoogeun, não se preocupe, estou indo te salvar. Pion pion. – Minho era um xerife muito habilidoso e conseguiu ferir o malvado sequestrador. Kibum se jogou no sofá.
– Essa não, fui ferido. Se você atirar, eu matarei o Príncipe Yoogeun com as minhas cócegas mortais; então se afaste, xerife. – Se você soubesse contar bem, perceberia que existem três crianças na sala.
A brincadeira continuou por muito tempo mesmo. No final, o Príncipe Yoogeun descobre que, na verdade, seu pai era o xerife e não o rei. Na verdade, o verdadeiro filho do rei era o sequestrador e, para o xerife não perder seu cargo, por ter atirado no verdadeiro príncipe, o sequestrador se casa com o xerife e adota o antigo – agora atual – príncipe como filho. E a história se encerra com todos sendo possuídos por espíritos. Convenhamos: foi a melhor história infantil que já escutaram, não é?
Quando a brincadeira acabou, já eram três da tarde, e todos decidiram por pizza. Comeram e depois de umas partidas de Uno, Yoogeun adormeceu. Minho o colocou na cama e voltou para a sala.
– Foi um dia bem cheio, apesar de ainda estar só na metade. – Kibum disse, deixando de lado o Uno já na sua caixinha e se sentando no sofá.
– Esse final de semana foi bem cheio, mas foi muito divertido. – Minho sentou-se ao lado de Kibum.
– Tem razão. Obrigado por ter me chamado, mesmo que tenha sido apenas por não saber lidar com uma febre. Eu gostei do tempo que passei aqui com você e o Yoogeunnie. – Kibum sorria fraco, mas era um sorriso com algo a mais.
– Também gostei muito de você. – Minho disse meio sem pensar, mas era o que pensava.
– Então gosta de mim? – Kibum sentiu seu coração acelerar e ao mesmo tempo parar, foi como morrer.
– Gosto. – Encará-lo era mais que o necessário para que ambos entendessem: aquilo era amor. E eles sabiam disso.
Já estavam bem próximos; um beijo, era só o que se passava na cabeça dos dois.
– Cheguei mais cedo, sentiram minha falta? – A porta abriu bruscamente e a famosa Noona entrou, bem escandalosa como só ela.
– AHHHHH, SAI DAQUI! – Minho e Kibum gritaram. Logo foi possível ver um gnominho correndo até a porta.
– Omma Yoogeun ta saudado. – Certamente nem Yoogeun sabe o que diz.
– Tá com saudade da Omma? – As ommas conhecem seus filhos.
– Bom, eu vou indo. A gente se beija outro dia. – Kibum disse, abraçando Minho.
– Deixa que eu te levo. Minha Noona já voltou, Yoogeun só irá querer o colo da Omma. Eu te levo. – A Noona de Minho pensava que ele estava sendo gentil com Kibum, mas, na verdade, ele queria seu beijo hoje.
– Então tá. Tchau, todo mundo. Beijo, minha criança. – Kibum e Minho deram um beijo em Yoogeun e foram embora.
E essa história terminou na cama de Kibum. Mas ela continuou por muito tempo, muito mesmo.
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Notas finais: Eu praticamente tive três meses pra escrever a fic, mas no final das contas eu só comecei a escrever uma semana antes de entregar a fic. Essa é a minha primeira fic, eu amo muito o Shinee e espero que gostem. Eu também gostaria de pedir que façam mais fanfics minkey, pois o mundo está em falta e eu gostaria de ler uma minkey bem lindona. obrigada.
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Plot enviado: #187 - Minho ficou responsável de cuidar do seu sobrinho Yoogeun enquanto sua irmã faz uma viagem a trabalho. Durante esse período ele conhece Key, um adorável professor do jardim de infância.
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Avisos: álcool, insinuação de sexo, linguagem imprópria, nudez, sexo, suicídio
Sinopse: Jonghyun e Kibum tinham uma longa história juntos, mas parecia que as diferenças entre eles eram maiores do que qualquer outro sentimento. Depois de um tempo após o fim do relacionamento, eles viraram colegas de trabalho e perceberam que ainda existia uma chama de amor entre os dois.
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Jonghyun olhou uma última vez para Kibum na esperança de que, quem sabe, tudo mudasse de uma hora para outra, mas a realidade era que eles ainda seriam o próprio caos ambulante, não importasse quanto tempo passasse, ou se continuassem juntos ou não.
Fazia tanto tempo que eles ainda tentavam dar certo de algum modo, mas sempre terminava em alguma discussão. Em alguns casos extremos houve agressão física; contudo, era sempre superado e tudo voltava ao normal depois de um tempo.
Por algum motivo daquela vez parecia diferente de todas as outras que passaram madrugadas inteiras gritando um com o outro. Jonghyun disse ao outro que estava farto, que estava cansado de continuar insistindo em algo que claramente já não existia mais um futuro. Kibum concordou, entretanto era como estar recebendo uma facada no peito. Estava sendo difícil respirar.
Mesmo que passassem maior parte do tempo brigando, eles se amavam, e não era pouco. Kibum pensava no outro o tempo todo, e todas as vezes que o fazia acabava chorando como se o mundo estivesse acabando. De certo modo, estava.
Kibum olhou para o teto branco temendo que as lágrimas voltassem a cair, e ele não aguentava mais chorar; estava irritado. Não se atreveu a pronunciar nenhuma palavra, porque sabia que seria em vão; apenas concordou que, por mais que se esforçasse, eles nunca conseguiriam dar certo.
- Diz alguma coisa, por favor. Isso está me matando. – Jonghyun disse. A sua voz embargada denunciava a tristeza que sentia.
- Eu... – Kibum respirou fundo tentando manter o controle. – Eu não consigo processar ainda que está acabando dessa forma. Era a última coisa que eu queria, você não entende? Mas eu espero que você consiga ser feliz, porque eu percebi que eu não posso fazer isso por você.
O mais novo esfregou os olhos para que não começasse, por fim, chorar, e então pegou suas coisas, pronto para sair de vez da vida de Kim Jonghyun e nunca mais voltar. Jonghyun apenas ficou assistindo enquanto a pessoa mais importante da sua vida saía pela sua porta.
***
Jonghyun corria pela rua desesperado enquanto olhava freneticamente a hora no seu celular. Não podia aceitar que chegaria atrasado no seu primeiro dia no novo trabalho porque não encontrou um lugar para estacionar o carro, porém isso parecia tão típico de si que não ficaria impressionado se acontecesse. Quando finalmente chegou ao prédio teve que passar longos segundos tentando recuperar o fôlego para, enfim, entrar. Entrou pedindo licença e pegando informações de qual seria a sua função. Disseram-lhe que deveria ir até o escritório onde o gerente iria explicar os funcionamentos da empresa. Subiu alguns lances de escada, bateu na porta do escritório e, quando entrou, não conseguiu acreditar quem estava a poucos metros de si.
Quando o viu teve que piscar os olhos com força para ter certeza de que não era mais um dos vários delírios de sua mente. Fazia não mais do que três anos que não tinha notícias sobre ele. Jonghyun sempre pensava nele quando se jogava no sofá e bebia a sua rotineira cerveja, porém parecia que ainda não era suficiente para procurá-lo. Ainda tinha um pouco de receio em fazer isso, afinal a culpa estava o tempo todo esmagando as suas costas.
- O que está fazendo aqui? – Kibum indagou quando percebeu a presença do outro no local.
Kibum tocou o seu peito, porque, de repente, seu coração esqueceu-se de manter o seu ritmo de sempre. Não esperava vê-lo nunca mais, mesmo que em certa parte de seu subconsciente ainda desejasse saber como as coisas estavam fluindo na vida dele depois de tudo aquilo.
Ele parecia diferente do que Jonghyun estava acostumado. Havia uma frieza inédita em seu olhar e Jonghyun jurou que aquele olhar conseguiu até mesmo congelar o seu coração.
- Bem, eu trabalho aqui daqui em diante. – Jonghyun disse com um sorriso, mas o outro estava sério, o que fez esconder os dentes brancos.
- Ótimo. – O tom sarcástico era presente ao pronunciar a palavra.
O mais velho queria perguntar tantas coisas, entretanto havia uma parede de ferro em frente ao outro e era impossível conseguir atravessar. Ele agiu como o seu chefe, e não como uma pessoa que um dia foi completamente apaixonada por ele. Mesmo que essa fosse a maneira certa de agir, Jonghyun sentia-se incomodado e sabia que a infeliz realidade de que ele nunca mais agiria como antes estava o perturbando.
Kibum o deixou em uma sala, deu-lhe uma pilha de papeis e deixou que Jonghyun trabalhasse. Jonghyun sorriu inconscientemente, porque sentiu muita falta de Kim Kibum.
***
As coisas pareciam estar fora do lugar o tempo todo, e nem mesmo as rotineiras cervejas de Jonghyun faziam mais sentido, tanto que ele começou a enjoar de beber de uma hora para outra.
Kim Kibum não fazia mais sentido. Seu semblante e o nariz empinado não combinavam com ele. Era como trabalhar com alguém totalmente desconhecido. Ainda assim, a ânsia de conhecer mais profundamente a nova pessoa que ele havia se tornado era quase como um objetivo de vida e sempre deixava Jonghyun acordado à noite.
Jonghyun não deixava escodido que sentia falta dele o tempo todo. A tensão que exalava deles quando estavam em um mesmo cômodo conseguia atingir todo mundo que estava em redor, mas era essa a intenção de Jonghyun.
Era uma quinta-feira e Jonghyun acabou ficando até tarde no escritório por causa de trabalhos acumulados. Estava saindo de sua sala quando percebeu que não estava sozinho no prédio. Jonghyun começava a sorrir sozinho sempre que o seu coração começava a acelerar quando o via, mesmo que fosse de longe. Ele achava engraçado o fato de que, apesar dos longos anos sem vê-lo, ainda assim, seu coração batia rápido como da primeira vez que o viu, apesar de tudo estar acabado.
Jonghyun espretou-se dentro da sala de Kibum sem que ele percebesse e ficou o olhando por alguns segundos antes de chamar a atenção dele. Kibum era bonito em cada detalhe. Jonghyun estava convencido que ainda o amava mais que tudo o que restou em sua vida.
- O que ainda faz aqui? – Jonghyun falou.
- Meu Deus! – Kibum pulou da cadeira. – Você me assustou.
- Desculpe. – Jonghyun sorriu. Ainda era o sorriso favorito de Kibum.
- O que ainda faz aqui?
- Estava terminando alguns contratos.
- Pode ir, se já terminou.
Conversar com Kibum não era a mesma coisa como quando eles viravam a noite conversando sobre astronomia ou rindo, porque Jonghyun, mesmo depois de adulto, ainda não sabe ver a hora em um relógio de ponteiro. Estava tudo fora do lugar e Jonghyun estava começando a se sentir sufocado com aquilo; começou a querer de alguma maneira voltar no tempo.
- O que aconteceu com você nesse meio tempo? – Jonghyun pensou um pouco alto demais.
- Do que você está falando?
- Você não era assim. Digo... Estou aqui há três meses e você age como se nunca tivesse me visto; como se nunca tivemos uma história juntos.
- Porque eu quero fingir que realmente não tivemos.
Ele olhava diretamente nos olhos do outro quando proferiu tais palavras, e foi como receber um tiro... Talvez um tiro doesse menos.
Jonghyun passou a mão no rosto tentando acordar daquele pesadelo, porém ele continuava lá, na sua frente com o mesmo semblante que estava começando a ficar acostumado a ver, mas não queria. Não queria ficar acostumado com aquilo; queria o verdadeiro Kibum de volta.
- Por que me odeia tanto? – A voz de Jonghyun era chorosa.
- Eu não te odeio... – Kibum foi até a porta. – Você precisa ir.
Jonghyun respirou fundo e foi em direção ao outro. Tinha um sorriso nos lábios, o que deixou o mais novo descofiado. Ele se aproximou do chefe e disse em alto e bom som que iria reconquistar a pessoa que era antes, não importasse o que tivesse que fazer para isso acontecer.
Jonghyun sorriu mais uma vez e beijou o canto da boca de Kibum antes de sair. Kibum perdeu totalmente suas estruturas. Teve que enconstar em algum lugar para que não caísse. Estava hiperventilando como se acabasse de encarar o seu maior medo.
***
Kibum continuava olhando fixamente para Jonghyun como se a sua vida dependesse daquilo, e o outro só se divertia com a maneira que ele parecia desesperado. Jonghyun continuava mostrando os dentes brancos, fazendo com que Kibum continuasse o olhando. O mais novo estava começando a ficar muito irritado com aquilo, entretanto não conseguia parar de admirar a beleza surreal de Kim Jonghyun. Quando foi que ele se tornou ainda mais bonito que o usual?
Estavam naquela reunião fazia trinta minutos, mas parecia uma eternidade. Kibum queria desesperadamente falar com o mais velho, porque qualquer que fosse o jogo mental que usou contra ele, estava funcionando.
Jonghyun estava sempre provocando Kibum da maneira mais cruel que pudesse existir... Com olhares, sorrisos e aproximação proposital. Kibum estava em seu limite em ter que ficar mais um segundo longe de Jonghyun e queria morrer por causa disso.
Quando menos percebeu, Kibum puxou Jonghyun para o seu escritório quando a reunião acabou e todos foram embora, e o beijou com toda a saudade que sentia em seu peito por tanto tempo. Kibum estava se odiando por ter caído na brincadeira de Jonghyun, mas, por outro lado, queria que Jonghyun o roubasse inteiro para si.
- Eu te odeio. – Kibum disse com os olhos fixos nos lábios alheios.
- Você mente muito mal. – Ele disse enquanto sorrateiramente tirava o cinto do outro.
Jonghyun sorriu e virou o outro de costas, colocando-o com o tronco sobre a mesa sem se importar com as coisas que caiam. Rapidamente tirou seu cinto e não houve tempo para pensar duas vezes. Sentir Kim Kibum depois de tanto tempo era como estar vivo novamente. Jonghyun mantinha um sorriso enfeitando o rosto suado enquanto estocava o mais novo e tocava a sua pele constantemente para ter certeza que aquilo estava mesmo acontecendo.
Quando chegaram ao ápice deitaram no chão fingindo ser a cama que eles costumavam dividir e ficaram olhando para o teto sem acreditar no que tinha acabado de acontecer.
- Meu Deus... – Jonghyun começou a rir alto com as mãos sobre o rosto.
- Pois é.
- Acabo de descobrir que fazer sexo com você ainda é uma das minhas coisas favoritas. – Jonghyun beijou a bochecha do outro.
- Você quer dizer destruir o meu estado mental é umas das suas coisas favoritas, não é mesmo?
Jonghyun deitou-se de lado para observar melhor Kibum e, então, quando ele fez o mesmo, teve a certeza que ainda era inteiramente apaixonado por ele. O mais velho passou a mão no rosto do outro, mas, dessa vez, eram lágrimas que lhe enfeitava e não um sorriso.
- Kim Kibum... Eu ainda te amo tanto...
- Em nenhum momento da minha vida eu deixei de te amar, mas parece que as nossas diferenças conseguem se tornar maior do que o amor que sinto por você. Eu nunca quis que o nosso relacionamento tivesse fim, contudo, parecia a melhor coisa a se fazer. Mas aí você apareceu e ferrou com a minha cabeça de novo. – Kibum enxugou as lágrimas de Jonghyun. – Teve um momento em que eu já não aguentava mais chorar e parei de me importar com as coisas, parei de chorar, parei de ser só emoção e comecei a ser apenas razão... Até você chegar e ferrar com a minha cabeça de novo.
- D-desculpe. – Jonghyun soluçava.
Tentar manter suas estruturas naquele momento foi difícil para Kibum, afinal, foi a primeira vez que Jonghyun se permitiu chorar na frente dele. Kibum não podia chorar. Não podia ultrapassar a linha do limite que havia posto em si mesmo.
- Eu queria tentar de novo, mas isso parece tão errado. – Kibum disse entrelaçando seus dedos com os dele. – Já tentamos tantas vezes e nunca deu certo, então parte de mim não acredita que dará certo se tentarmos outra vez.
- Nunca saberemos se não tertarmos, não acha? – O toque de Kibum o fez esquecer que estava chorando.
- Eu não sei se estou preparado para isso... Eu não quero mais chorar pela pessoa que eu amo.
Jonghyun tentou conter um sorriso após ouvir que Kibum ainda o amava, ainda assim deixou escapar. Ele se pôs sobre o corpo de Kibum e beijou-lhe os lábios sem se importar com a resposta que teria sobre tentar de novo ou não. Kibum passou a mão sobre o rosto do outro para demonstrar que estava decido, porque de repente esqueceu como se falava, mas Jonghyun entendeu o que ele pretendia dizer.
***
Kibum sorriu enquanto eles estavam jogados no chão do apartamento de Jonghyun, jogando conversa fora e dividindo uma garrafa de vinho branco. Jonghyun não conseguia descrever o quanto o seu coração aqueceu quando ele o fez. Fazia tanto tempo que não via o sorriso do outro que foi preciso piscar algumas vezes para ter certeza de que estava acordado.
- Você sorriu! –Jonghyun disse admirado.
- O que importa? – Kibum deu de ombros.
- Você tem noção de quanto tempo faz que eu não vejo o seu sorriso?
- Não. – Ele sorriu de novo.
- Exatamente! Nem eu.
- Idiota.
Ainda com um sorriso no rosto Kibum puxou Jonghyun para si e o beijou lenta e apaixonadamente. O beijo tinha gosto de vinho e amor.
- Jonghyun, eu te amo tanto. – Kibum disse fazendo questão olhar direto em seus olhos.
Jonghyun sorriu e passou a mão no rosto do outro desejando ficar o resto da sua vida com ele, mas mal sabia ele que tudo estava tão perto de acabar que era possível tocar o caos. Jonghyun levantou, mas estava cambaleando um pouco e Kibum sorriu, porque não sabia o que estava fazendo.
- Tenho que te mostrar uma coisa que eu achei. – Jonghyun foi até o seu quarto.
- Não me diga que é alguma sex tape – Kibum falou alto para que o outro pudesse ouvir.
Jonghyun voltou com um sorriso no rosto e uma caixa na mão. Kibum olhou confuso para ele, mas, quando ele colocou a caixa no chão, não pôde acreditar no que estava vendo.
- Eu não acredito!
- Eu também não acreditei quando vi. – Jonghyun sorriu.
- Olha! – Kibum pegou algo dentro da caixa. – Foi a primeira foto que tiramos juntos.
- Nossa... – Jonghyun pegou a foto e ficou admirando.
- Estou nostálgico. – Kibum bebericou o vinho.
- Que loucura, não é mesmo?
- O quê?
Kibum se aconchegou em Jonghyun. Era comum sentir-se seguro sempre que fazia isso e daquela vez não foi diferente. Jonghyun beijou o topo da cabeça do outro e desejou passar o resto de sua vida ao lado dele.
- Nós. – Jonghyun sorriu.
- Talvez fosse isso que precisávamos... Um pouco de tempo para rever nossos conceitos.
- Eu estou muito feliz.
Kibum ficou admirando o outro sem acreditar que aquela pessoa fazia mesmo parte da sua vida. Jonghyun o tornou uma pessoa melhor e era isso que seria daquele dia em diante.
- Eu vou te amar até o fim dos tempos. – Jonghyun prometeu com convicção que era algo que realmente conseguiria cumprir.
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Plot enviado: #72 - Jonghyun e Kibum são ex-namorados que se reencontram depois de anos em uma empresa onde eles são obrigados a trabalhar juntos para um projeto ou algo do tipo. Em meio a muitas brigas e muita tensão sexual, eles descobrem que ainda amam um ao outro.
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Sinopse: Jonghyun estava com tédio. Então por que não usar o teste de uma revista adolescente para encontrar sua alma gêmea?
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Era uma tarde calorosa de verão. O sol brilhante ultrapassava o vidro da janela e invadia o quarto, tornando-o mais abafado. O garoto estava estirado sobre a cama, usando apenas uma cueca box branca. Seu peitoral bem definido e sua pele bronzeada parecia bem sensual à luz do sol. Pelo menos era o que ele achava. Jonghyun adorava admirar seu próprio corpo, e naquele momento de tédio era o que ele mais fazia.
Observar seu corpo logo se tornou monótono, no entanto. Jonghyun se entediava muito facilmente, ainda mais com um dia lindo lá fora. Ele pegou seu celular em cima do criado-mudo e acessou o aplicativo de mensagens instantâneas Kakao Talk, abriu o grupo de conversa dos seus melhores e inseparáveis amigos e digitou:
Jjong: E aí, galera? Vamos todos para a casa do Kibum tomar banho de piscina? Esse calor está de matar.
Em menos de dois minutos, os outros já estavam online.
MinHo: Estou dentro! Vou arrumar minhas coisas.
TaeMinnie: Também vou! Você vai passar na minha casa, Min?
Chicken Jinki: Também quero! Eu posso te buscar, Tae. Vou de carro.
Key: Nossa, mas eu nem disse se pode ou não. Você é muito abusado, Jjong.
Jjong: Nheeee.
Minho: Nheeee.
Taeminnie: Nheeeeee.
Chicken Jinki: Pode ou não, Key?
Jjong: Claro que pode! Vai fazer o nosso lanche também e se bobear ainda fico para dormir. Estamos de férias!
Key: Não vou fazer lanche, vocês que tragam alguma coisa. E você não vai dormir aqui, Jonghyun.
MinHo: Aê! Vou procurar minha sunga. Jinki, você pode buscar o Tae e eu?
Jjong: Vou dormir, sim. Agora quero isso mais que tudo. Kkkkk Me busca também, Jinki!
Chicken Jinki: Posso buscá-los, sim!
Taeminnie: Quero dormir aí também.
MinHo: Agora eu também quero.
Key: Nãoooo!
Chicken Jinki: Eu também!
Jjong: Vamos todos dormir então. Eu divido a cama com o Key e os outros que se arrumem no chão.
Taeminnie: Não, quem sempre dorme com o Key sou eu! ù-ú
Jjong: Por isso que agora é a minha vez. Eu sempre acordo com dor nas costas quando durmo no chão.
Key: Quem vai dormir comigo é o Tae!!
Jjong: Ah, não! Agora é a minha vez!
Key: Quem se meter a dormir na minha cama, que não seja o Taemin, vai ter que transar comigo.
MinHo: Uuuuuh! Intimou você, Jjong!
Chicken JinKi: Kkkkkkkkkkkkk. Tô fora!
Taeminnie: Essa regra serve para quem dormir no chão?
Key: Taemin! Kkkkkk
Jjong: Assim não vale. Vou dormir com o cachorro então.
MinHo: Huuum. Fugindo do compromisso, é?
Chicken Jinki: Huuuuuum.
Taeminnie: Huuuuuum.
Key: Vamos parar com a palhaçada e venham logo antes que eu mude de ideia.
MinHo: Ficou magoado.
Chicken Jinki: Ficou decepcionado.
Key: -_-‘
Jjong: Vou me arrumar. Fui ~
Taeminnie: Fui também ~
Jonghyun deixou o celular de lado e foi direto ao armário separar as roupas que levaria.
~~ * ~~
Jinki estacionou seu carro em frente à casa de cor rosa chá, uma das mais bonitas do condomínio de classe média alta. Os quatro meninos saíram do carro, cada um carregando uma mochila. Key já havia deixado a porta aberta, então eles seguiram diretamente até os fundos da casa, onde ficava a área de lazer com piscina. O dono da casa já estava trajado com sua sunga rosa pink estampada com flores tropicais na cor turquesa e descansava na espreguiçadeira ao lado da piscina, na sombra. Em seu colo, um punhado de revistas sobre moda e decoração o ajudava a passar o tempo.
Não houve cerimônias: os garotos apenas despiram suas roupas, ficando apenas de sunga, e pularam na piscina. Jonghyun nadou até a borda perto de onde Key estava. Pegou um pouco de água com a mão em posição de concha e jogou no amigo.
– Entra logo!
Key o fuzilou com os olhos.
– Estive nessa piscina a manhã inteira, depois eu entro.
– Veeem! – gritou Taemin lá do fundo.
– Eu já disse que entro depois! – Sua resposta firme não permitiu que insistissem.
Os meninos ficaram horas se refrescando e brincando com a água. Jogaram vôlei e quando Jonghyun se viu perdendo para o time MinHo e Jinki, resolveu que seria melhor descansar e sair da água. Pingando, ele se sacudiu como um cachorro na frente de Kibum.
– Ai, para com isso! – reclamou, tentando em seguida chutar a coxa do outro. Sem sucesso. – Garoto chato.
Jonghyun se jogou em cima da outra espreguiçadeira ao lado de Kibum.
– Não se cansa de olhar essas porcarias? – ele olhou com desprezo para as revistas em seu colo.
– Não – respondeu sem tirar os olhos da revista Vogue.
– Você precisa arrumar um namorado para distrair sua cabeça. É por isso que você é tão mal-humorado. – Kibum continuava o ignorando, e mesmo assim Jong prosseguiu: – Por que você não leva o Jinki para a sauna? Eu juro que não vou tentar olhar pela fresta da porta.
Kibum, rindo, deixou sua revista de lado.
– O que te faz pensar que poderia haver algo entre o Jinki e eu?
Jonghyun deu de ombros.
– Vocês já ficaram.
– Há sete anos!
– Nunca é tarde demais para o amor – replicou rindo, o que contagiou o outro.
– Mesmo que fosse o caso, agora ele só tem olhos para outra pessoa.
– Quem?
Kibum apontou para os outros três na piscina; MinHo conversava com Jinki e Taemin, sendo que o mais velho estava com seus braços agarrados à cintura do mais novo, quase como um cinto de segurança. Na percepção de Key, Jinki “protegia” Taemin da aproximação de MinHo.
– Está viajando – comentou Jonghyun. – O Jinki não gosta do Taemin dessa forma.
– Claro que gosta.
– Não, ele só é protetor porque o Taemin é mais novo e inclinado a pequenos desastres.
– Ele gosta do Taemin há muito tempo.
– Não, você gosta dele e está se sentindo ameaçado e enciumado pela aproximação deles.
Kibum encarou Jonghyun, sério.
– Você não entende mesmo os sentimentos das pessoas, não é?
– Você que não entende! – replicou, levemente ofendido.
– Não, você nunca entendeu. É tão tapado que não percebe as coisas ao seu redor. – Deixou as revistas de lado e se levantou. – Vou fazer o lanche.
Kibum saiu pisando firme, irritado. Mas Jonghyun ficou pensativo: Será que Kibum estava certo? Ele não percebia sequer o sentimento de seus próprios amigos?
Então, como mágica, ele olhou para o amontoado de revistas e leu o seguinte título, em letras rosa-bebê na capa de uma revista de fofocas: Sua alma gêmea pode estar do seu lado. Faça o teste e descubra!
Jonghyun, na mesma hora e sem preconceitos, pegou a revista e folheou até encontrar a página do teste. Leu então as instruções:
Você busca sua alma gêmea, mas tem dificuldades em decifrar os sinais que os que estão a sua volta dão? É sempre o último a saber? Nosso teste vai ajudá-lo nisso! É simples, basta responder às questões e a resposta que você mais marcar dirá a personalidade que mais combina com a sua. Vamos lá?!
Jonghyun sorriu, parecia interessante.
Questão 1: O que mais te chama atenção em uma pessoa quando está interessado por ela?
a) Aparência física
b) Inteligência
c) Gostos e habilidades
d) Personalidade
Jonghyun pegou uma caneta que Key tinha deixado dentro de outra revista e marcou a opção A. Ele dava muita importância para aparência física.
Questão 2: Como gostaria de passar o final de semana com sua alma gêmea?
a) Balada
b) Praia
c) Cinema
d) Em casa
Antes que marcasse sua resposta, no entanto, Jonghyun teve uma ideia: testaria os seus amigos. Se o teste dizia que a sua alma gêmea pode estar do seu lado, então faria o teste de acordo com quem estivesse do seu lado naquele momento. A personalidade que mais combinasse com a sua, seria a tal alma gêmea.
O baixinho levantou empolgado e andou até a borda da piscina onde os outros três estavam. Jinki ainda abraçava Taemin, ao passo que MinHo tinha se aproximado mais dos outros dois, como se quisesse invadir seus espaços pessoais.
– Lee Taemin – Jonghyun chamou, despertando a atenção dos outros, que o olharam imediatamente. – Se você estivesse viajando em um país tropical, só comigo, e tivesse que escolher como passar o final de semana, qual desses programas escolheria: balada, praia, cinema, ou ficaria no hotel assistindo um filme?
A interrogação nos olhos dos outros fez Jonghyun revirar os olhos.
– Só estou fazendo um teste.
– Teste de quê? – perguntou MinHo, tentando olhar a revista que o outro tinha em mãos.
– Um teste sobre... personalidade. Responde aí, Tae.
– Personalidade? – Jinki estranhou.
– Se fosse um país tropical – disse Taemin, ignorando a estranheza da pergunta –, eu escolheria praia, é claro. Não gosto de balada. Mas também seria legal cinema ou ver filme em casa, ou hotel, seja como for.
Jonghyun sorriu e fez uma anotação no rodapé da revista.
– E você, Jinki?
– O quê?
– Qual programa gostaria de fazer comigo em um...
– Eu sei a pergunta, mas por que eu tenho que responder?
– Só responde, vai. Deixa de ser chato.
Jinki revirou os olhos e deu de ombros. O que custava?
– Praia também. Mas se é um final de semana inteiro, por que escolher só um programa?
– É coisa do teste. – Então virou-se para Minho. – E você, Minho?
– Balada! Se é para escolher só um. Se fosse dois, seria praia e balada.
– Ótimo, obrigado.
Ainda tomando notas, Jonghyun se levantou e seguiu até a cozinha, atrás de Key. O garoto tirava cascas de pão de forma quando notou a presença do baixinho.
– Se você estivesse viajando em um país tropical, comigo, que programa gostaria de fazer no final de semana: balada, praia, cinema ou ficaria no hotel, curtindo a estadia?
Key o encarou, sem entender o porquê da pergunta.
– Sei lá – deu de ombros. – Por que eu viajaria só com você?
– É uma suposição, só responda.
– Depende. Eu iria à praia durante o dia e à noite eu descansaria no hotel. Ir para balada com você é furada.
– Por quê? Eu sempre descolo passe livre.
– Você some com as pessoas e nos deixa sozinhos.
Jonghyun sabia que era verdade.
– Então sua resposta é praia, certo?
– Isso, pode ser.
Jonghyun tomou nota, estava utilizando o teste de sua própria maneira.
Minha alma gêmea saberia que prefiro boates a qualquer outro programa. Praia é bom, mas um luau é ainda melhor. Minha alma gêmea sugeria um luau. MinHo foi o único que respondeu corretamente.
Taemin (1) Jinki (1) MinHo (2) Key (1) – 1 ponto para cada, porque todos são bonitos.
Ele passou então para a próxima questão.
Questão 3: Que gênero de filme você prefere?
a) Romance
b) Terror
c) Suspense
d) Comédia
Jonghyun já sabia sua resposta, mas precisava da resposta dos outros. Ele ajudou Key a terminar de arrumar os lanches e os levou para a mesa de madeira em frente à churrasqueira, arrumando tudo bonitinho e chamando os outros para lancharem. Os três estavam com suas peles enrugadas e logo procuraram uma toalha para se enrolar, pois o vento já batia um pouco mais forte.
Assim que começaram a se servir, Jonghyun voltou com suas perguntas.
– Taemin, qual seu gênero de filme favorito? Romance, terror, suspense ou comédia?
A pergunta fez com que novamente os olhos o encarassem. Taemin deu uma mordida em sua torrada e, sem ver problema algum, respondeu:
– Terror.
Jonghyun se voltou para Jinki.
– E o seu, Jinki?
– Está fazendo isso para ver qual de nós combina com você?
O mais velho tinha matado a charada, o que deixou Jonghyun envergonhado.
– Não. Responde: romance, terror, suspense ou comédia?
– Romance, por quê?
Jonghyun apenas tomou nota.
– E o seu, Minho?
– Suspense. Se tiver tiro, melhor ainda.
Jonghyun sorriu, para então se voltar para Key.
– E você?
– Romance.
Com as respostas, ele pôde escrever uma nota completa.
Taemin estranhamente gosta de terror, o que não combina com sua aparência frágil. Minho, bem como eu, gosta de um bom suspense com muito tiro. Jinki e Key gostam de romance e praia. Até agora eles combinam bem.
Taemin (1) Jinki (1) MinHo (3) Key (1)
Passou então para a próxima pergunta.
Questão 4: Um país perfeito para uma lua de mel seria?
a) França
b) Itália
c) Inglaterra
d) Japão
– Taemin!
Ouviu-se Jinki e MinHo resmungarem.
– Qual a próxima pergunta? – O mais novo parecia até animado.
– Qual desses países você gostaria de passar a sua lua de mel comigo: Fran...
– Lua de mel com você? – repetiu MinHo. – Que droga de teste é esse?
– Cala a boca, espera a sua vez. Então: França, Itália, Inglaterra ou Japão?
O mais novo pensou um pouco, fazendo um biquinho antes de responder:
– França! Em Paris.
Jonghyun anotou e se virou para Jinki.
– E você?
– Em lugar nenhum, não com você.
Jonghyun bufou e reformulou sua pergunta:
– Não precisa ser comigo, pode ser com quem você gosta.
Jinki sorriu levemente, e Jonghyun pôde jurar que ele olhou para Taemin e Key quase ao mesmo tempo.
– Itália. Acho um lugar bem romântico.
– MinHo?
– Inglaterra. Eu poderia ir ao Museu do Futebol.
– Muito bom. E você, Key?
– França, porque é o país da moda.
Jonghyun tomou suas notas:
Ninguém acertou. Eu escolheria Japão pelos motéis temáticos. Mas França é uma boa opção, é romântico.
Taemin (2) Jinki (1) MinHo (3) Key (2)
Jonghyun deixou a revista um pouco de lado para comer o lanche inusitadamente gostoso. Key sabia cozinhar muito bem, o que era um dom peculiar em um garoto rico que vive de moda e eventos sociais. Ele, apesar de tudo, sabia cuidar das pessoas.
– Você vai entrar na piscina agora – impôs Taemin. – São três da tarde, o sol continua quente e você precisa se refrescar. Deixa essas benditas revistas de lado.
– Tá bom, tá bom.
Key não estava muito a fim de entrar na água, mas faria companhia a Taemin.
Dez minutos depois, os quatro meninos estavam na água, conversando sobre o que poderiam fazer no resto das férias. Jonghyun, no entanto, ainda estava entretido com seu teste. Ele achava mesmo que o resultado seria a solução dos seus problemas amorosos. Ele até pegou uma caderneta emprestado com Key para escrever melhor suas anotações.
Lia agora a próxima pergunta:
Questão 5: Como você lida com o ciúme?
a) É extremamente ciumenta (o)
b) Sente ciúmes só com alguma ameaça
c) Seu ciúme é apenas para apimentar o relacionamento
d) Nunca sente ciúmes, é confiante demais
Jonghyun ficou pensando em como testaria sua resposta. No entanto, como não podia tirar a prova, achou melhor usar o método convencional e perguntar aos amigos. E quando ele se agachou perto da borda da piscina, Jinki já revirava os olhos.
– Taemin, você me acha ciumento?
Dessa vez, Taemin não sabia como responder, então deu de ombros.
– Não sei, acho que sim. Você não me deixa dirigir a sua moto, prefere deixá-la mofando na sua garagem do que arriscar usá-la diariamente. Talvez seja mesmo ciumento.
– Isso não é ciúme, é medo de você sofrer um acidente e acabar com a minha moto. – Estalou a língua no céu da boca, comentando mentalmente sobre como Taemin era idiota.
– E você, Jinki, me acha ciumento?
Jinki revirava os olhos novamente, estava detestando as perguntas de Jonghyun.
– Você é ciumento.
– Por quê?
– Se algum de nós fala com alguém que não seja do nosso grupo, você fica querendo saber quem é e fica inventando defeitos na pessoa. E você também tem ciúmes do Kibum comigo.
Jonghyun foi pego de surpresa e acabou rindo para disfarçar o nervosismo.
– Ciúme de vocês dois? Por que diabo diz isso?
Jinki olhou para Kibum, que abaixou o olhar e corou as bochechas, coisa que Jonghyun sequer notou.
– Vai saber? Me diz você, por que sente ciúmes quando o Kibum e eu ficamos juntos?
Jonghyun entrou no modo defensivo e pareceu se sentir ofendido.
– É você que enxerga coisa onde não tem porque acha que sou uma ameaça para vocês dois.
Jinki apenas riu alto, ao passo que Key se encolhia em seu canto e esboçava um sorriso amarelo. Jonghyun fez bico e se voltou para Minho.
– Me acha ciumento?
– Sim! Você tem ciúme do Key porque gosta dele.
Por mais que MinHo tivesse dito aquilo às gargalhadas, ele não estava brincando. Era sua opinião.
– Vocês comem merda. – Resmungou, mas não desistiria do teste. Então se voltou para o repentinamente tímido Kibum: – Acha que eu sou ciumento?
Kibum deu de ombros.
– Concordo com o Jinki, em parte. Você se torna ciumento quando tentamos fazer amizade com outras pessoas.
Jonghyun concordava que sentia mesmo ciúme de seus amigos com outros.
– Por exemplo – interrompeu Jinki -, lembro-me muito bem de como você ficou puto quando o Key trouxe aquele tal de Woohyun para a festa de aniversário do Taemin no ano passado. Você arrumou uma discussão boba só para ter desculpa para dar o soco no cara.
Jonghyun saiu do sério no mesmo instante.
– Discussão boba?! Aquele verme prepotente tentou me fazer de idiota na frente de todo mundo, falando coisas sobre física e astrologia que eu não fazia ideia do que significavam. Ele tentou me humilhar!
– Não era astrologia, era astronomia – Jinki corrigiu. – De qualquer forma, você tentou bancar o esperto e só falou coisas muito burras. Ele só te corrigiu e isso não é desculpa para socar o maxilar de alguém.
– Claro que é, ele me fez parecer burro.
– Porque você é meio burro – Jinki acrescentou sem delongas. – Pelo menos no quesito física e astronomia. Porém, sei que esse não foi o real motivo para você bater nele. Eu te humilho intelectualmente o tempo todo e você não faz nada.
– Porque você é meu amigo!
– Pode até ser, mas você bateu no Woohyun porque estava se roendo de ciúmes do Kibum.
Toda aquela exposição deixava Key e Jonghyun muito sem graça. No entanto, estavam acostumados com a sinceridade dos amigos. Eram sempre expostos.
– Pense o que quiser.
Jonghyun saiu pisando firme e se jogou na espreguiçadeira para fazer sua anotação.
Tenho ciúmes dos meus amigos, de fato. Então, se tenho ciúme deles, isso deve se agravar quando o alvo do ciúme é alguém que transa comigo. Todos me conhecem bem, eu ser ciumento não deve ser algo que os incomoda. Porém, só vou pontuar o Taemin e o Key porque a explicação dos outros foi totalmente sem nexo.
Taemin (3) Jinki (1) MinHo (3) Key (3)
Partiu para a seguinte questão, ignorando a nova possível discussão ou exposição que poderia surgir entre os amigos.
Questão 6: O que é mais importante em um relacionamento?
a) Amor
b) Liberdade
c) Fidelidade
d) Sexo
Jonghyun sorriu, adoraria saber a resposta dos amigos. Quando se aproximou, todos, menos Taemin, fizeram cara feia.
– Taemin, o que é mais importante em um relacionamento: amor, liberdade, fidelidade ou sexo?
Taemin soltou uma risadinha nervosa antes de responder:
– Amor, é claro.
Jonghyun tomou nota e se voltou para Jinki.
– E você?
O mais velho olhou para Taemin, sorrindo, para então responder:
– Amor, sempre o amor.
– E você, MinHo?
– Amor é importante, mas um relacionamento sem liberdade não é um relacionamento saudável.
Jonghyun sorriu enquanto tomava nota. Quando se voltou para Key, o mesmo ficou aparentemente nervoso, mesmo que tentasse esconder com um olhar desdenhoso.
– E você, Kibum?
– O que você respondeu?
– É confidencial, depois eu revelo.
Kibum revirou os olhos.
– Eu já sei a sua resposta. É sexo.
– Ah, errou! – riu.
– Não errei, não!
– Errou, eu marquei fidelidade! – respondeu em um tom esnobe.
– Fidelidade? – Kibum soltou uma risada de escárnio. – É para você responder com sinceridade, Jonghyun.
– Respondi com sinceridade!
– Não mesmo? Você se relacionaria com alguém que fizesse sexo ruim?
– Sim, claro. Se a pessoa faz sexo ruim, eu a ensino.
Os quatro riram de Jonghyun, afinal concordavam com Kibum. Mas eles não sabiam que Jonghyun estava mesmo respondendo suas questões com sinceridade.
– Responde logo, Kibum!
– Amor, é claro! Se tem amor, tem tudo. Até o sexo fica bom.
– Como pode saber? Já amou alguém, por acaso? – Jonghyun retrucou.
– Isso não é da sua conta.
– Jonghyun – Jinki interrompeu -, já terminou com essa porcaria de teste?
– Não, ainda faltam duas perguntas!
Jonghyun, deixando Key de lado, fez suas anotações. Pôs os pés dentro da água e apoiou a caderneta sobre as coxas.
Bem, amor é importante, mas amor sem fidelidade não é amor.
Taemin (3) Jinki (1) MinHo (3) Key (3)
Jinki, definitivamente, não é a minha alma gêmea.
Prosseguiu então para a próxima pergunta.
Questão 7: Quando o assunto é sexo, o que você prefere?
a) Ser dominante
b) Ser submissa (o)
c) Gosta de alternar entre submissão e dominação
d) Faz o que o parceiro desejar
Jonghyun riu internamente. Aquela pergunta era provocante e adoraria escutar a resposta dos amigos.
– Lee Taemin – Jonghyun chamou. Antes mesmo de perguntar, o mais novo já ria. – Quando o assunto é sexo, o que você prefere: Ser dominante, submisso, ambos ou o que seu parceiro desejar?
– Jonghyun! – Key censurou. – Isso é muito invasivo.
– E daí? Somos amigos – mostrou a língua. – Hein, Tae?
Dessa vez, Taemin morreu de vergonha, até cogitou não responder. Por outro lado, responder poderia ser útil para escutar a resposta dos outros.
– Bem, minha natureza é submissa. Mas se o meu parceiro quiser mudar de vez em quando... O importante é fazer com amor, certo?
Jonghyun riu discretamente enquanto fazia sua anotação.
– E você, Jinki?
Jinki estranhamente não protestou.
– Gosto de ser dominador. E concordo com o Taemin: se tiver amor, não importa como se faz.
Seu olhar para Taemin deixou o mais novo constrangido.
– E você, MinHo?
– Dominador, é claro! Não consigo ser submisso nem se eu quiser.
– No caso – Key interrompeu –, submisso não quer dizer “passivo”. Você pode ser o ativo e ao mesmo tempo submisso e vice-versa.
– Eu sei, eu sei. – Minho revirou os olhos. – Mas eu não sirvo para ser submisso e muito menos passivo. Eu tenho um instinto protetor muito grande e gosto de ver meu parceiro como um ser indefeso que precisa de proteção.
– Por isso você nunca daria certo com o Key – Jonghyun deixou escapar a nota que era para ser escrita no caderninho.
– Por quê? – MinHo e Key indagaram juntos.
Jonghyun quis se afogar.
– Ah... – deu de ombros. – O Key é muito dono de si para se deixar ser protegido.
– E você admira isso nele, certo? – MinHo contrapôs, com um sorriso sugestivo nos lábios.
– A-acho, ora. M-mas também não me importa. – Jonghyun sempre ficava sem graça demais quando confrontado. – Agora é a vez do Key. O que você prefere?
Com um sorriso nos lábios, respondeu:
– Eu gosto de ser submisso na cama, apenas. No relacionamento, eu mando – disse com orgulho. – E você, Jong? O que prefere?
Dessa vez, ele responderia.
– Dominador, claro. Eu sou um macho alfa por natureza e...
– Mas – cortou Jinki, sendo enfático. – Adora ser um pau mandado. Você pode ser dominador na cama, mas em um relacionamento, seja amoroso ou amizade, você faz sempre o que os outros mandam. Por mais que você teime, acaba fazendo o que te mandam. E por isso o seu par perfeito é o Kibum. Não precisa mais fazer esse teste. Ele é a sua alma gêmea.
As palavras de Jinki constrangeram os dois a ponto de seus rostos ficarem extremamente vermelhos. Jonghyun ficou com raiva de Jinki, achou-o tão intrometido e inconveniente. O que ele sabia sobre o amor?
E por isso que Jonghyun excluiu da sua lista o nome de Jinki. Ele, com certeza, não era a sua alma gêmea. Não estava nem perto disso.
Taemin (4) Jinki (1) MinHo (3) Key (4)
Estava um empate entre Taemin e Key e a próxima pergunta poderia empatar os três ou obter um vencedor. Se empatasse, Jonghyun já tinha uma ideia de como desempatar.
Questão 8: Seu namorado fica doente no dia de um evento muito importante, o qual você esperou o ano todo. Você é o único que pode cuidar dele e que ele quer por perto, o que faz?
a) Falta o compromisso para cuidar dele, é claro.
b) Cuida do namorado até dar a hora de ir, então se mantém informado ligando como pode.
c) Chama um amigo ou conhecido para fazer companhia para ele enquanto você está no evento.
d) Se não for tão grave, você vai ao evento sem se sentir culpado. Afinal, é um evento único.
Difícil, Jonghyun comentou mentalmente.
Os meninos conversavam sobre como Jonghyun fazia o que lhe mandavam e relembravam de vários fatos que comprovavam isso. O baixinho os ignorou, precisava terminar seu teste, e para isso não podia mandar todos eles irem se foder.
– Pergunta número oito – Jonghyun falou alto, chamando a atenção dos demais. Então repetiu a pergunta e suas opções. – Taemin?
O mais novo não hesitou.
– Letra “A”, é claro. Jamais deixaria o meu namorado doente por evento algum.
– E se seu sucesso dependesse disso? – Jonghyun contrapôs.
– Acho que se meu sucesso depender de deixar quem eu amo doente e sozinho, então ele não vale a pena.
Os outros ficaram impressionados com a resposta de Taemin, menos Jonghyun. Achava tudo um exagero.
– E você, MinHo?
– Não sou eu agora? – Jinki interveio.
– Não, eu risquei seu nome. Você com certeza não é a minha alma gêmea.
Jinki riu, ainda que se sentisse um pouco injustiçado.
– Bem, ainda bem que sabe.
– Eu acho que tudo depende – disse MinHo. – Depende da gravidade da doença e da importância do evento.
– Se a doença for tipo... hm – Jonghyun pensava. – Uma febre muito alta, que causa alucinação e desmaios. E seu sucesso profissional e acadêmico dependesse desse evento.
– Bom, no caso, concordo com Taemin. Eu poderia tentar outros meios para obter sucesso. Escolho a letra “A”.
Jonghyun fez suas anotações, então voltou-se para Key.
– Kibum?
– Óbvio que é a “A”.
– Por que não a “C”?
– Porque é egoísta.
– Não, não é. É a mais justa. Você não pode sacrificar tudo por uma pessoa. Tem que pensar em você também. Seu namorado não pode fazer um sacrifício por você?
– No caso, é a vida dele em risco. A vida dele não vale seu sucesso?
– Mas ele não vai morrer se você ficar algumas horas fora.
Kibum fez cara feia, aparentemente indignado.
– A pergunta não especifica isso. Aliás, ela é um pouco contraditória. Seu namorado precisa de você, ele está sozinho e fraco, como pode ter pensamentos egoístas?
– Não é egoísmo pensar no futuro.
– É egoísmo quando se sacrifica alguém para isso. Alguém que te ama.
– Se me ama, então não poderia sacrificar-se por mim também?
– Mas ele está doente, Jonghyun! – Kibum gritou, perdendo a calma. – Você é uma pessoa egoísta. É por isso que nunca vai encontrar uma alma gêmea. Ninguém merece ter uma cara-metade como você.
As palavras de Kibum atingiram Jonghyun em cheio. Ele ficou com tanta raiva que tacou a revista e o caderninho longe.
– E você, Kim Kibum? – Retrucou aos berros também. Os outros três estavam assustados, apenas observando com seus olhos esbugalhados. – Ou devo te chamar de Sr. Perfeito? Você se acha superior a mim por quê? Só porque é capaz de atos mais altruístas que eu? Isso te faz mesmo merecedor? Será altruísta porque gosta ou só por dever? Eu pelo menos sou sincero.
– Pessoas se qualificam pelo que podem fazer de bom para as outras pessoas, não pelo que fazem a si mesmas.
– Ah... – Jonghyun gargalhou, cheio de sarcasmo. – Então você é melhor que eu só por que tem o dom de se foder em nome dos outros? Ser bom é isso? Sempre se sacrificar, ignorar o que você precisa? Pôr a si mesmo de lado? Não deveria haver um equilíbrio? Afinal, você também é humano como todos os outros.
Kibum só o encarou, com um sorriso incrédulo nos lábios.
– Não vou discutir isso com você porque é notável que você não tem maturidade para entender.
– Agora sou imaturo?
Antes que uma briga feia começasse, Taemin tirou Kibum da piscina e o levou para o seu quarto. Jonghyun ficou com os outros, na piscina. Ele tinha vontade de socar as paredes de tanta raiva que sentia.
– Eu até que te entendo – disse MinHo. – Em partes. Sua teoria só não está muito bem desenvolvida. Mas entendi o que quis dizer.
– Obrigado. – Sorriu e então voltou a fazer cara feia.
– O Kibum ficou magoado – Jinki falou. – E também desiludido.
– Desiludido?
– Sim, porque ele gosta de você e a cada dia vê que você não presta para ele.
– De novo com essa história?
– Porque é verdade, cara. Só você não enxerga.
– Concordo – disse MinHo. – O Kibum é amarradão em você.
– Vocês não viram o que acabou de acontecer? Ele me acha péssimo.
– E por isso que até hoje não te contou nada sobre o que sente. – Jinki apertou o ombro do amigo; sentia pena de Jonghyun, no fim das contas. Não o achava uma má pessoa, só mal compreendido e um pouco idiota. – Acho que vocês deveriam conversar sobre isso.
Jonghyun deu de ombros.
– Se é verdade, ele que venha falar comigo.
Então deixou a piscina.
~~ * ~~
A noite havia caído, os meninos se divertiam na sala de estar assistindo o seriado americano F.R.I.E.N.D.S. Exceto Jonghyun. Ele ainda estava puto da vida e passou o resto do dia deitado na cama de Key, olhando para o teto. No fim das contas, o teste só serviu para deixá-lo irritado e confundi-lo ainda mais.
As risadas ecoavam pela casa, mas Jonghyun fazia pirraça. MinHo e Taemin tentaram convencê-lo a descer, só que Jonghyun era teimoso e orgulhoso demais. Entretanto, quando ele sentiu o cheiro de pizza...
Ao chegar na sala, os amigos atacavam uma pizza gigante, cada um com um pedaço na mão.
– Vocês iam comer e não me chamar? – indagou com raiva, inconformado.
– Eu ia levar para você – disse Taemin. – Compramos duas, relaxa.
– Mas só o Jinki come uma sozinho. – Jonghyun foi até a mesa de centro onde estava a pizza e pegou um pedaço sem se importar em sujar as mãos de gordura. – Seus egoístas.
– Você estava enclausurado no meu quarto – disse Key. – Achei que não quisesse ser incomodado. Está curtindo uma fase deprimida ou algo do tipo?
– Não, só estou tirando uma folga de você e sua... – bufou, dando de ombros. – Vou voltar para o quarto, ficarei na cama e ninguém vai me tirar de lá.
Jonghyun pegou mais um pedaço de pizza e voltou para o quarto, mesmo com os protestos de Key e Taemin pela cama.
Um pouco mais tarde, os meninos começaram a se preparar para dormir. Jinki tomava banho no banheiro de fora e MinHo no banheiro do quarto de Key. O dono da casa arrumava a bagunça da sala enquanto o maknae esperava MinHo sair do banho. Jonghyun não levantava da cama por nada. Observava Taemin, perdido em pensamentos, encarando a porta do banheiro. Jonghyun o achava lindo demais. Tinha um rosto feminino, quase angelical. Os cabelos negros destacavam a palidez de sua pele e seus lábios, generosamente fartos, pareciam duas pétalas de rosa-clara. Era, de fato, uma das pessoas mais linda que já vira.
– Você ganhou o teste – disse Jonghyun, fazendo de sua voz mais presente que o barulho do chuveiro.
– O quê? – O mais novo não entendeu. Estava com a cabeça nas nuvens.
– O teste de personalidade. Você é quem se aproximou mais do meu tipo ideal.
Taemin deu de ombros.
– Legal.
Jonghyun sorriu. Não esperava outra reação do maknae. Taemin era quase sempre frio. Por mais que fosse carinhoso, ele tinha uma casca dura por cima.
– Deveríamos sair?
– Acho que não. – Foi tão casual que Jonghyun se sentiu ofendido.
– E por quê? Nós combinamos.
– Não acho que seja o caso.
– De acordo com o teste, combinamos sim!
Taemin arrastou o bumbum pela cama até se aproximar do amigo. Tinha agora um sorriso compreensivo nos lábios.
– E o seu coração, o que ele diz? Acha mesmo que combinamos?
Não! – gritou a consciência de Jonghyun.
– Sei lá. Podemos descobrir se sairmos.
Taemin gargalhou, um tanto forçado.
– Somos amigos há muito tempo Jonghyun. Eu te vejo como um irmão, jamais conseguiria ter algo com você, e acho que sente o mesmo.
Sim, Jonghyun sentia. Saber que Taemin era a sua alma gêmea lhe deixou um tanto decepcionado.
– Droga... – resmungou. – Então acho que vou ter que chamar o MinHo para sair.
Jonghyun recebeu um tapa no braço.
– Deixa de ser bobo e esquece esse teste idiota. Você sabe muito bem quem deve chamar para sair.
– Não sei, quem? – retrucou com certa ousadia.
Ah, Taemin sabia que Jonghyun gostava de se fazer de desentendido. Era implicante demais.
– Começa com Kim e termina com Kibum.
– Me dá outra pista, essa está muito difícil.
E levou outro tapinha no braço.
– Eu sei que você sente algo pelo Key.
– Como pode saber? Você tem o dom de entrar no coração das pessoas?
– Não. Mas eu vi uma coisa.
– O quê?
Taemin então relembrou uma história. Algo que Jonghyun guardava em segredo e que jamais suspeitou que o menor soubesse. Era um dia de feriado nacional e Kibum tinha resolvido fazer uma festinha em sua casa e aproveitou para convidar seu mais novo amigo, Woohyun. Não acabou muito bem: a nova amizade de Key acabou naquele mesmo dia.
– Lembro de como o Key ficou arrasado – contava Taemin. – Ele chorou, bebeu e depois, quando você chegou, o levou para o quarto e queria sair à procura do Woohyun para bater nele.
– Mas o Key e o MinHo não deixaram. Esse garoto está tendo muita sorte de não me encontrar na rua.
– Sim, então todos nós dormimos aqui.
– Lembro muito bem desse dia. Bebemos enquanto você e o Key choravam juntos no quarto.
– Sim, mas você não bebeu tanto assim.
– Bebi.
– Não. Você estava sóbrio quando eu vi o que aconteceu.
As bochechas de Jonghyun se tornaram vermelhas como um tomate. Ainda assim, fingia-se de desentendido.
– E o que você viu? – Sentou-se na cama.
– Você beijando o Key. Ele estava cochilando e você se aproveitou para dar um selinho nele.
Jonghyun forçou uma risada.
– Você teve um sonho, Taemin.
– Jong... – revirou os olhos. – A quem você quer enganar? Todos nós sabemos o que você e o Key sentem um pelo outro. Descomplique as coisas, se declare logo de uma vez.
– Taemin, nã...
– Não seja covarde! – cortou. – Você não tem como esconder isso por muito tempo. Seu olhar para o Key diz tudo. Você morre de ciúme de qualquer um que chega perto dele, ama inventar saídas e coisas na casa dele porque simplesmente não consegue ficar muito tempo sem ele.
– E-eu nã...
– Esse tempo que você perde fazendo testes bobos e provocando ele, podia aproveitar ficando com ele, namorando, viajando, transando. Ninguém vai caçoar de você por expor seus sentimentos.
Jonghyun abaixou a cabeça. Taemin... ah, Taemin. Ele tinha o dom de ler as pessoas melhor que ninguém e de sempre dizer o que elas precisam escutar.
– Mas e se eu fizer algo errado e destruir tudo? Tae, eu posso destruir o nosso quinteto.
– Não vai.
– Como pode saber?
– Porque tenho certeza que o que vocês têm é verdadeiro. E se é verdadeiro, não tem como dar errado.
Jonghyun finalmente se deu conta da pessoa que Taemin era. Um menino pouco experiente no amor e jovem, mas que sabia dar conselhos como um velho de oitenta anos. Era como se Taemin tivesse vivido muito e aprendido com a vida. Jonghyun não deixou de pensar que a alma do menino deveria ser muito antiga.
– Tente. – Taemin repousou a mão na perna do amigo. Um gesto que passava confiança. – Tenho certeza que o Key vai ficar muito feliz.
– E se não ficar? E se me desprezar?
– Não vai.
– Como tem certeza?
– Porque ele gosta de você.
– E-ele... admitiu?
Taemin soltou uma risada abafada.
– Há muito tempo. Mas ele acha que você não vai corresponder e tem medo de se declarar porque acha que você vai dar o fora nele. Com isso, destruir o nosso quinteto. Mas ele está errado. Vocês são dois idiotas.
As palavras de Taemin estranhamente, deram a Jonghyun dois belos presentes: esperança e confiança. Se ele dizia que Kibum também sentia o mesmo, então era verdade. Taemin não mentia.
– Então o que eu faço?
~~ * ~~
Kibum não entendia o que diabos Taemin queria fazer na sauna tão tarde da noite. Na verdade, tinha um palpite. Achava que Taemin precisava de mais um conselho sobre como lidar com Jinki. O estranho era que ele tinha lhe enviado uma mensagem no Kakao Talk, não o chamado pessoalmente.
A noite estava fria, Key vestiu um roupão e pantufas e saiu noite afora.
A luz da sauna já estava acessa, Kibum apertou o passo para fugir da friagem, abriu a porta e...
– Jonghyun?
O mais baixo sorriu, nervoso que só.
– E-e aí?
– Ai, não acredito que você me tirou de casa nesse frio para me pregar uma peça!
– Não, Kibum. Eu... não é uma brincadeira. Te trouxe aqui para termos uma conversa.
– Conversa? – Estranho. – Olha, se vai fazer aquele teste idiota de revista de novo, eu...
– Não é isso. Senta aqui! – Jonghyun o puxou pelo pulso e o fez sentar no degrau de madeira da sauna.
Jonghyun respirou fundo umas três vezes. Estava sentindo muito calor, embora o tempo tivesse esfriado e a sauna estivesse desligada.
– Fala logo, Jonghyun. Estou com frio. – Key estava sem nenhuma paciência.
– Bem, vamos lá. – Respiro fundo outra vez. – Eu cheguei a uma conclusão hoje. O Taemin me ajudou e tal...
– Conclusão sobre o quê? – perguntou, aparentemente desinteressado.
– S-sobre... sobre... o meu teste.
– Ah! Eu sabia!
Kibum se levantou na mesma hora, mas Jonghyun o puxou de volta.
– Calma! Espere eu terminar de falar.
– Eu já sei o que vai dizer. Você quer que eu te ajude a conquistar seja lá quem for o escolhido do seu teste. Se toca, cara. Somos todos seus amigos.
– Ah, é? Acha que não poderia existir algo a mais entre amigos? Entre o nosso grupo não poderia haver um par?
Kibum, visto que tinha se precipitado, se forçou a se acalmar para conversar direito.
– Eu acredito que possa haver um casal entre nós, sim. Na verdade, o Taemin e o Jinki estão muito próximos. O MinHo parece muito incomodado com isso.
– E você também, não é? Está com ciúme do Jinki. – A expressão dele foi de nervosa a decepcionada.
Kibum revirou os olhos.
– Eu já disse que não sinto mais nada por ele, Jonghyun. O lance com o Jinki foi passageiro.
– Mesmo?
– Mesmo, mesmo.
– E você... está interessado em mais alguém?
Kibum desviou o olhar para o chão. Ele estava interessado em alguém há muito tempo. E esse “interesse” o sufocava a cada dia mais. Sufocava porque seus sentimentos e preocupações inundavam seus pulmões, fazendo-o incapaz de dizer as palavras que tanto queria.
Kibum ficou tanto tempo calado que Jonghyun percebeu sua incapacidade.
– Sabe o que eu descobri lendo aquelas revistas?
– O quê?
– Que nossos signos combinam. São como almas gêmeas. Áries é o par perfeito de Libra.
– Eu sei... – Sorriu, sem graça. – Você acredita nisso?
– Em signos?
– Sim... e que combinamos.
– Acredito. O que li combinou bem comigo e com você. – Um sorriso involuntário surgiu de seus lábios. – Lá dizia que librianos são geralmente bonitos e muito gentis. São pessoas que se preocupam com as outras.
– E você acha que sou assim? – Conforme perguntava, se aproximava mais do outro.
– Você é o garoto mais bonito que já vi. É sério. Seu rosto é perfeito e o seu coração... ele não é desse mundo.
– Jjong... – a voz de Key vacilou. Nunca tinha visto Jonghyun elogiá-lo de tal forma. – Por que está dizendo essas coisas?
– Porque você precisa saber o que realmente penso de você. – Mais confiante, prosseguiu: – Eu sou implicante. Adoro te ofender, mas você sabe que é de brincadeira, não sabe?
– Bem, geralmente eu levo na esportiva.
– Eu faço isso porque sinto vergonha de dizer o que realmente penso.
– É tão ruim assim?
– Não... acho que não.
– E o que você pensa sobre mim?
Jonghyun inesperadamente pegou a mão de Key e entrelaçou seus dedos. O garoto ficou tão nervoso e assustado que começou a tremer.
– Eu penso que você é maravilhoso. Não só o físico e seu coração, sua personalidade também. Gosto do jeito com que você enfrenta as pessoas, como protege quem ama e como vive a vida com esperança. Você alegra as pessoas a sua volta e as inspira. E é por isso que eu...
Parou na hora H. A covardia lhe ameaçava.
– Você o quê?
Ah, os olhos de Kibum brilhavam, estavam marejados e deslumbrados. Jonghyun não poderia magoá-lo. Precisava dizer.
– É por isso que eu te amo. Não te amo só como amigo, te amo completamente. Eu acho que é você a minha alma gêmea.
As lágrimas escorreram dos olhos de Kibum. Nunca se sentiu tão realizado e aliviado na vida. Depois de tantos anos vivendo um amor platônico e se perguntando se o outro sentia o mesmo, ele finalmente teve o que queria. Por mais que MinHo, Jinki e Taemin lhe contassem sobre os sentimentos de Jonghyun, Kibum só acreditou quando as palavras saíram dos lábios do mesmo.
– Diz alguma coisa, por favor – pediu Jonghyun, nervoso com o garoto que só chorava. Ele estava chorando também.
– E-eu não sei o que dizer.
– Diz o que sente. Você também gosta de mim?
A cabeça de Kibum balançou em afirmação e ele sorriu entre as lágrimas.
– Gosto. Gosto há tanto tempo que nem sei dizer ao certo quando começou ou se foi à primeira vista.
E Jonghyun não perdeu mais tempo. Tinham perdido tempo demais. Ele segurou o rosto de Key e lhe beijou nos lábios.
O beijo durou tanto tempo que eles não saberiam dizer quanto foi. Quando voltaram para dentro de casa, as luzes estavam todas apagadas e os meninos dormindo. Taemin estava sozinho na cama de Key enquanto MinHo e Jinki dormiam em colchões no chão.
– Vamos para a sala – disse Jonghyun, baixinho no ouvido de Key. – Deixa esses três pervertidos aí. Quem sabe alguém não resolva se juntar ao Taemin no meio da noite?
Key segurou o riso e, de mãos dadas, seguiram até a sala.
Naquela noite, eles dormiram juntinhos em um sofá de quatro lugares. Se beijaram durante toda a madrugada e só pararam pela manhã, quando não suportavam mais o sono.
E aquela foi a primeira noite de muitas que viriam. O vidro do medo fora quebrado, e agora não restava mais nada além da certeza de que, se cultivado, poderiam se amar até o fim de suas vidas.
Mas Kibum precisaria de muita paciência e algumas gotinhas e calmante de vez em quando.
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Notas finais: Espero que gostem dessa curta história. Faz tempo que não escrevo nada sobre SHINee e foi muito bom relembrar como é tê-los como personagem. Queria poder escrever mais, só que estou entregando no limite. É uma comédia leve, espero que tenha distraído suas cabeças e espero que ajude a melhorar a categoria SHINee.
Beijão >3<
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Plot enviado: #116 - Jonghyun, desocupado, decide ler uma revista voltada para meninas adolescentes e se depara com um teste para saber se "a pessoa que você gosta também gosta de você". Ele decide passar a tarde com seus amigos (ot5) e reparar em todos os seus movimentos e fazê-los responder um questionário para saber quem é sua alma gêmea.
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Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: Kim Kibum é um jovem professor de inglês que possui uma identidade secreta: se veste de mulher e sai secretamente à noite para se divertir. No entanto, nunca teve qualquer tipo de relacionamento até conhecer Choi Minho, um adorável estudante de Direito que pode fazer com que Kibum perca o medo em amar e ser amado.
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Eu sempre tive uma vida normal. Nunca tinha feito nada além do que era permitido: assistia tudo acontecer ao meu redor e achava que estava tudo bem em ser assim. Até o dia em que resolvi me vestir de mulher e sair à noite. Não foi algo que decidi fazer de repente; sempre tive curiosidade de saber como é ser uma mulher, de usar todos aqueles vestidos lindos, as maquiagens, e de ter o amor de todos aqueles rapazes que nunca dariam bola pra mim se soubesse que sou homem. Essa é minha história de como me descobri e me perdi ao mesmo tempo.
Sempre me interessei por rapazes que estavam muito além do meu alcance, mas quando eu me travestia eles me tratavam de uma maneira diferente, tornavam-se animais dóceis e afetuosos. No entanto, nunca namorei nenhum deles. Chegava até mesmo a ser cômico, pois tinha uma vaga ideia de que meu príncipe encantado ia aparecer a qualquer momento. Mas como normalmente acontece, ele veio quando eu menos esperava.
Quando eu completei 22 anos, resolvi sair e comer um pedaço de bolo sozinho em uma lanchonete qualquer. Sentei na cadeira de pernas cruzadas e senti a brisa invadir o meu espaço pessoal e interromper meus pensamentos sobre como aquilo ia me deixar gordo. Não quis chamar ninguém porque já estava acostumado a ficar com minha própria companhia. E meus amigos provavelmente não iam entender por que eu estava vestido daquele jeito logo no meu aniversário. Na verdade, poucos sabiam sobre a minha segunda identidade, e isso era um pouco assustador, pois me sentia como um criminoso.
O fato era que eu já tinha passado por vários tipos de situações, e não conseguia esperar mais nada da vida. Sabe quando você cansa de tentar e apenas fica parado apreciando a sua vida se desmoronando aos poucos? Era exatamente esse tipo de sentimento que eu sentia.
Comi o bolo com dificuldade: estava meio duro e parecia que ia criar vida própria a qualquer momento. Pedi um chocolate quente e permaneci com a bunda colada na cadeira. Alguns homens passaram e assoviaram para mim, fiquei um pouco envergonhado. Apenas ignorei. É ótimo se sentir desejado, mas também é um pouco estranho. Paguei a conta e comecei a andar sem a menor pretensão de que algo extraordinário pudesse acontecer naquele dia. Parei em uma vitrine de uma loja de roupas e achei o vestido mais lindo que já tinha visto até o momento. Era cor de salmão com detalhes de paetês. Senti uma palpitação forte no meu coração, um sinal dos deuses de que eu deveria comprar aquilo para usar uma única vez e depois deixar jogado no meu guarda-roupa. Meu corpo se movia de acordo com minha imprudência e, com esse desejo em mãos, entrei na loja.
– Bom dia. – Falei para a vendedora que estava sentada em uma frágil cadeira roendo as unhas.
– Bom dia.
– Quanto custa aquele vestido salmão que está na vitrine?
– R$ 380,00 com desconto.
– Como?! – Eu imaginava que fosse caro, mas não tanto. – Olha, hoje é meu aniversário. Eu não recebi nenhum presente até agora... Seria tão legal se você me desse o vestido!
– Eu até daria esse vestido se eu pudesse, mas isso é quase metade do meu salário. – Deu de ombros e continuou comendo o que restava de unhas em suas mãos.
– Eu pago. – Ouvi uma voz grave ecoar por todo o ambiente da loja.
Nunca fui muito fã de mitologia grega, mas no momento em que bati os olhos naquele homem, eu confesso que fiquei um pouco aturdido com a imagem de um deus grego tão próximo de mim. Todas as palavras haviam fugido da minha boca e tudo que consegui fazer foi gaguejar. Que cara gostoso!
– Aqui o dinheiro. – Disse ele entregando várias cédulas para a atendente que também estava perplexa com a atitude do rapaz.
– É... Obrigado, volte sempre. – Disse ela enquanto corria para pegar o vestido e colocar cuidadosamente na sacola. – É um vestido lindo. – Aquela provavelmente era a primeira coisa que ela vendia em anos. – Pegue. – Peguei a sacola e nem acreditei que aquilo fosse real.
Reuni toda a coragem que consegui e falei com aquele cujo nome eu ainda não sabia.
– Olá, o que você fez foi muito legal. Eu nem sei como agradecer. Muito obrigado.
– Saia comigo em um encontro.
– O quê?
– Me encontre no...
– Ok, eu entendi que temos um encontro, mas isso não faz o menor sentido. Alguém te pagou pra fazer isso? Foi o Taemin?
– Eu não sei do que você está falando. Eu apenas estou te chamando para sair. Vamos nos encontrar no mesmo lugar onde estava comendo bolo, só que de noite. Até mais tarde. – Franziu o cenho e deu um beijo na minha bochecha esquerda.
– Como você sabe que eu estava comendo lá? – Indaguei esperando alguma explicação lógica para aquilo tudo, porém ele já tinha ido embora. E eu não sabia o nome dele.
Os dez minutos que passaram em seguida foram uns dos mais torturantes durante toda minha vida. Eu ia sair pela primeira vez com um garoto e não sabia o que fazer. Deveria existir um tipo de manual para esse tipo de coisa. Fiz o melhor que pude e liguei para o Taemin: ele é uma vadia sem escrúpulos, mas é o que tenho mais próximo de um melhor amigo.
– Taemin? Você não vai acreditar! Eu vou ter um encontro com um homem-de-verdade hoje à noite. Ele comprou um vestido para mim, estou em choque.
– É como dizem: melhor tarde do que nunca mais!
– O certo é “antes tarde do que nunca”... Francamente! Enfim, eu não sei o que fazer. E se ele descobrir que na verdade sou um menino? Como vamos nos casar desse jeito? E na lua de mel?
– Calma, Kibum! Você nem sabe como é a personalidade dele... Vai que ele é fã de The Chainsmokers, ou ele pode ser um daqueles caras que tentam vender chips de telefone celular. Existe um mundo de possibilidades. Você deveria usar o vestido que ele te deu, seu tonto! Seria bem romântico. E não se esqueça do mais importante: A situação financeira dele. É isso. Beijos.
Isso bastava para mim. Corri até minha casa e comecei a gritar como uma garota de 15 anos que estava indo para o seu primeiro encontro (e esse era realmente o caso). Abri a porta com dificuldade e me deitei no sofá. Eu ainda tinha algumas horas para me preparar, mas apenas fiquei tentando associar tudo na minha cabeça. Eu ia sair com um cara. Ele tinha me achado atraente. Era informação demais para um cabeça de vento como eu. Quando menos esperei, acabei cochilando.
Quando abri meus olhos já era de noite, todo o tempo que eu tinha acabou se esgotando da maneira mais patética possível. Olhei que horas eram e tomei um susto. Eu ia chegar atrasado. Fui até o banheiro e tomei um rápido banho. Não podia delongar mais do que o necessário. Vesti o vestido o mais rápido que pude. Naquele exato momento, meus pés não conseguiam se mover, meu coração estava prestes a sair pela minha boca. Dessa vez, eu tinha que mudar minha própria história. Fechei a porta e fui encarar o meu destino.
Por mais estranho que pareça, ele realmente estava lá. Não havia muitas pessoas no local, parecia que aquela noite só pertencia á nós dois. No final do instante que cheguei, encontrei-me com ele. As estrelas estavam brilhantes e a lua estava escondida entre nuvens. Era minha vez de brilhar.
– Olá. – Falei enquanto me sentava na cadeira e verificava se estava usando calcinha.
– Olá. – Ele respondeu sorrindo para mim.
– Você se atrasou um pouco, mas está tudo bem... O que quer comer? Acho que com certeza não vai pedir bolo.
– Eu estava pensando em comer algo mais tragável. Um X-salada está ótimo para mim.
– Faça o pedido que você deseja.
– Qual o seu nome?
– Isso tem importância?
– Claro que tem. Eu preciso saber o nome do meu futuro... – Me contive e não terminei o resto da frase. Comecei a tossir e disfarcei um sorriso.
– Choi Minho. E o seu?
– Kim Sunhee.
– Um belo nome para uma bela mulher.
– Obrigada. O seu nome também não é tão ruim. – Desejei não ter falado aquilo e logo um silêncio constrangedor surgiu diante de nós. – É... Você gosta de que tipo de coisas?
– Desculpa por ter feito esse convite tão aleatoriamente. Você não deveria sair com estranhos, mas é que desde a primeira vez que te vi, não consegui tirar sua imagem da minha cabeça. Eu não sou nenhum tipo de psicopata, pode confiar em mim. Se eu fosse, já teria te matado faz tempo. – Ele não havia respondido minha pergunta, mas acho que nessa altura não havia necessidade para tal.
– Uau... Isso foi realmente muito intenso. Eu não sei bem como falar isso, mas esse é meio que meu primeiro encontro com alguém. Estou muito nervosa. – Balancei meu falso cabelo e continuei falando com o tom de voz mais feminino que eu podia emitir. – Qual o seu filme favorito?
– As branquelas.
– Então você é do tipo intelectual. Certo. O meu filme favorito é Uma Linda Mulher. Eu sei que romances são clichês e previsíveis, mas eu gosto de ter certezas na minha vida.
– Bem, eu penso que essa é sua opinião. Ainda não acredito que uma mulher tão linda como você nunca namorou antes. Parece até mentira. – Falou, franzindo o seu rosto e tocando o meu rosto. – Você é de verdade?
– Oh, querido. Pode apostar que sou de verdade.
– Espero que seja mesmo. É melhor a gente pedir a comida logo, estou faminto. – Concordei, balançando a cabeça, e ele chamou a garçonete e fez o pedido.
– Eu tenho te observado faz um tempo. Você é solitária, mas é muito bonita. – Disse, me encarando como se eu pudesse desaparecer a qualquer instante.
– Obrigada pelo elogio. Então, o que você faz da vida?
– Eu tenho respirado.
– Choi Minho, por favor. – Revirei os olhos e fiz cara de desdém.
– Eu sou estudante de Direito, estou terminando a faculdade este ano.
– Isso é bem impressionante. Eu pensei que você fosse de algum circo, ou algo do gênero. Eu sou formada em Inglês.
– Wow, that’s very awesome. – Respondeu ele, forçando um sotaque tão britânico que pensei que estava assistindo Doctor Who.
A noite prosseguiu com várias trocas de informações e toques sutis. Comemos o jantar e ele pagou a conta. Me senti um pouco mal por isso, mas ele fazia questão de deixar claro que era o homem da relação.
– Não existe isso de homem da relação. Isso é babaquice. O que existe são duas pessoas que possuem afeição mútua e se amam independente do papel de cada uma.
– Eu sei, só estou brincando. Por que ficou tão irritado com isso? Até parece que você é homem. – Nessa hora o meu coração quase parou. Lembrei instantaneamente que ele não sabia do meu eu verdadeiro e tratei de mudar o assunto da conversa.
– Você sabia que pinguins têm joelhos?
– Mas que porra! Eles não parecem que tem joelhos.
– Eu assisto muito Discovery Animal, sei muito sobre o mundo selvagem.
– Você quer saber como humanos cruzam? – Fiquei automaticamente vermelho como um tomate e escondi meu rosto em seu peitoral.
– Acho que vou passar a noite aqui. É tão quente e seguro. – Falei com uma voz abafada.
– Venha, vou te deixar em casa. – Ele segurou minha mão e não soltou até que chegássemos aonde pretendíamos ir. Antes que eu pudesse sair correndo, ele me abraçou fortemente.
– Não vamos começar com aquela besteira de “Vou esperar ele me ligar”, eu sei onde te encontrar. Quero sair com você amanhã de novo, me ligue. – Estendeu um papel com um número escrito para mim. – Puta merda! Esqueci de uma coisa.
– O quê?
– Isso.
Aos poucos, os poucos neurônios que restavam em minha cabeça começaram a funcionar. Isso só podia significar uma coisa: ele ia me beijar! Fechei meus olhos e senti seus lábios tocarem os meus. Era algo aconchegante e preciso. Segurei-me em seus braços e deixei que ele me guiasse até onde quisesse ir. Senti a língua dele pressionando a minha e fiquei extremamente tentado a cometer um crime passional. Depois do que se pareceram anos, o beijo finalmente acabou e ele foi embora sem dizer mais nenhuma palavra, mas não porque não tinha nada a dizer, pois o beijo fora um ato de despedida.
Depois disso, nos encontramos todos os dias durante dois meses. Ele me pediu em namoro e eu obviamente aceitei. No entanto, algo dentro de mim me dizia que isso não ia dar certo. Como eu poderia namorar alguém e mentir sobre quem eu realmente era? O significado disso às vezes me deixava um pouco ansioso. Eu queria muito contar para o Minho que, na verdade, era um homem também, mas isso parecia tão arriscado... Estava tudo bem e ele me amava; gênero não deve ser um grande empecilho quando o amor está acima de tudo.
Agora chegamos ao presente. Depois de vários episódios seguidos de RuPaul’s Drag Race, acredito que o melhor a se fazer é contar a verdade para ele. Não sei como vou me sair, mas espero que ele pelo menos me escute até o final. Ele agora está me esperando no local onde nos encontramos pela primeira vez. Agora é hora de ir.
Chego à lanchonete e me deparo com o Minho vestido só de sunga, segurando um buquê de rosas. Não consigo entender um motivo plausível para isso estar sendo captado pela minha visão. Ando em sua direção e começo a falar antes que seu volume pudesse tirar toda a minha atenção.
– Eu preciso te contar algo.
– Sim?
– Eu... Não sei bem como vai ser sua reação, você provavelmente nunca mais vai falar comigo, eu entendo se optar por isso. Eu sou homem. – Tirei minha peruca e continuei falando, ignorando as pessoas boquiabertas com aquela cena. – E eu me visto de mulher. Pode ser um pouco vergonhoso para algumas pessoas, mas esse sou eu e eu não tenho vergonha de ser quem eu sou. É isso.
– Agora você vai me dizer que o céu é azul?
– Na verdade, o céu não é azul. É tudo uma ilusão.
– Eu sempre soube que você era um homem, desde o primeiro dia. Isso não vai mudar como eu me sinto em relação a você. E eu até gosto que você se vista assim.
– Puta que pariu... Eu não acredito! Encharquei o meu travesseiro de tanto chorar pensando nisso. Eu vou te matar.
– Não gostou da surpresa? – Disse ele, entregando o buquê de rosas para mim. – Hoje faz exatamente dois meses que começamos a nos encontrar.
– Oh, você é muito atencioso. Não estou sabendo lidar com você quase pelado. – Ri um pouco de nervoso e corri para abraçá-lo.
– Eu sei um jeito bem interessante de comemorar. – Engoli em seco e fitei-o. – Acho que já está na hora. Eu esperei dois longos e dolorosos meses por isso! Eu prometo que vou com calma. Eu te amo.
– Você tem razão. Agora não temos nada a temer.
– Exatamente. Não temos nada a temer.
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Notas finais: Eu fiz a fanfic toda no último dia, se tiver algum erro, eu não tive tempo de revisar!!!!
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Plot enviado: #63 - Kibum gosta de se vestir de mulher e sair pela noite secretamente, atraindo a atenção de vários caras que nunca lhe dariam atenção se soubessem a verdade. Um dia, ele conhece Minho e eles flertam e passam a se encontrar todos os dias. Kibum tem medo de que ele descubra sua identidade; ele só não percebe que Minho soube desde o primeiro dia.
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Sinopse: Minho era o Capitão respeitado de um navio pirata que, após uma proposta – interesseiro em aventuras como era –, parte em expedição ao Vale dos Gritos com o objetivo de capturar um dos seres mais temíveis dos sete mares: sereias. Seria uma proposta bem simples, caso ele não tivesse outros planos...
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A sala completamente mobiliada com objetos refinados estava escura; não o suficiente para que atrapalhasse os passos do homem, no entanto, apenas para que se soubesse o alto horário da noite naquele instante, os lampiões vagamente deixando cantos mais destacados aqui e ali. A madeira não trincava um só sonido sob as botinas negras do Capitão a cada um de seus passos, hábito que à sua figura era novo e tinha se espalhado muito rapidamente pela boca dos piratas, navegantes e do povo com sua nova fama - dizem que ele caminhava como a fumaça e que nunca seria percebido se não o quisesse.
Minho podia avistar claramente o corpo do comandante da marinha britânica. Sentado de costas, era apenas possível avistar a ponta da cabeça e o chapéu, grande e carregado de medalhas e mais um punhado de penas - Minho torceu o nariz em desgosto, veja bem, ao contrário, ele era do tipo que preferia evitar tamanho... excesso.
- Capitão Minho. - a voz grave, na casa de seus quarenta, soou pelo lugar subitamente, em companhia do alçar de voo de um corvo pelo cômodo - estranho gosto para animais de estimação. Não surpreendendo Minho, mesmo assim. - Como anda Fênix?
O capitão sorriu de lado girando a ponta de seu bigode com os dedos como um costumeiro charme, e virou sua atenção à pequena mesa a sua esquerda, servindo-se do recipiente de rum sem timidez antes de dar uma volta pelo lugar, o líquido girando na pequena taça era mais alto que o som de seus passos pela madeira cara do escritório de tão alto escalão.
- Viva como nunca, Lorde Henry. - o próprio não se deu ao trabalho de mais nada exceto girar em sua poltrona para receber o homem com um sorriso à altura. Minho sorriu mais uma vez antes de degustar da bebida forte.
- Foi o que eu soube. Aliás, você parece cada dia mais jovem, Capitão. – comentou. Mais uma coisa que Minho sempre escutava e o fazia sorrir como se soubesse de algo que ninguém mais sabia.
- Suponho que não tenha me chamado para comentar minha jovialidade, Lorde. - ele virou-se de costas terminando a bebida de uma só vez e abandonou a taça em um canto qualquer enquanto roubava, desta vez, uma uva de um cacho - não era alguém retraído.
De fato, o Lorde não teria se dado ao trabalho - complexo até demais, diga-se de passagem, de conseguir um minuto de conversa privada com o famoso pirata por motivos supérfluos. Ele poderia prendê-lo por ali já que era procurado por não ser a pessoa mais discreta da nação, alguns muitos documentos oficiais de acusações aqui e ali, mas o Capitão da Fênix também tinha suas artimanhas inesperadas e ter conseguido escapar da marinha britânica um bocado de vezes era a prova da fama que carregava - apesar do notório visual de simples jovem viciado em álcool - de que podia ser mais ágil que um felino e ele tinha conquistas o bastante para ganhar aquele crédito. Portanto, veja bem, não era por isso que o havia chamado.
- Tem razão, Capitão Minho. - o moreno virou de frente mais uma vez, olhos nos movimentos do homem mais velho enquanto ele se levantava para olhar pela janela com expressão sóbria. - Soube que a marinha britânica tem te trazido problemas.
- Hmn. Como se você não soubesse. - murmurou o capitão num suspiro sem entusiasmo, braços se cruzando quando viu um sorriso florescer em sua direção.
- Culpado. - ele admitiu e Minho soltou o ar pelo nariz escondendo o tédio. Ele não seria o que era se não tivesse percebido aquilo há tempos; quem mais poderia estar no comando daquilo senão o poder maior por trás das forças armadas com exceção da própria Coroa? - Você deve estar ciente de que o Rei não é o mais satisfeito com seu comportamento, Capitão.
- Hnh. - voltou ele ao murmúrio, instando-o a continuar, ainda com ar de tédio; não havia gasto seu tempo ali para saber o que já sabia, huh. - Se puder simplificar a conversa, eu apreciaria.
O dono do alto título se forçou a sorrir por cima da veia irritada em sua têmpora após aquele comentário - havia poucas pessoas, bem poucas, que conseguiam tirar tamanho ódio no homem, aquele sujeito sarcástico e sujo encabeçava a lista.
- Se assim deseja. - ele cooperou, optando por ignorar a rudeza do homem, o sorriso bem treinado nos lábios enquanto saía de trás da escrivaninha, mantendo, ainda assim, as mãos sobre a pilha de documentos variados sobre ela. - Só gostaria de lembrá-lo que assim como tenho poder para começar algo, posso terminá-lo se assim me convir. - sua atenção variava entre os papéis a sua frente e o pirata de braços cruzados a apenas alguns metros. Após um par de segundos, virou-se completamente para ele com um sutil sorriso lateral e determinado papel em mãos. - Estou dizendo que posso livrá-lo de todas, absolutamente todas, as acusações sobre o senhor, Capitão Minho.
- Eu não preciso disso. - ele simplesmente deu de ombros sorrindo tanto quanto.
- Sei que não. - manteve-se. - Mas devo dizer que sua vida seria bem mais fácil sem ter de se preocupar com a Coroa sob seus passos, menos uma dor de cabeça, eu diria. - Minho silenciou-se com um olhar consciente. - E eu posso fazer esse favor a você.
- Ah... Mas que doce da sua parte, Lorde Henry. - ele sorriu mais largamente. - Devo assumir que a oferta não veio em nome da velha amizade? - o Lorde baixou o rosto com um suspiro divertido.
- Você deve saber que presentes desse nível não vêm de graça, Capitão.
- É claro que não. - Minho concordou.
As pessoas, especialmente as com poder, estão sempre com interesses em cada piscar, estão sempre vendendo sua bondade - ainda mais para ele, recém-desperto e, pelo que demonstrava, cheio de energia e juventude, coragem imbatível e admirada, para enfrentar qualquer uma das loucas aventuras que lhe surgirem em mente no momento, o retorno do Capitão da Fênix, conhecido pelas mais impossíveis conquistas dos sete mares. Autoconsciente daquela fama, Minho geralmente recusava aquele tipo de gente poderosa interessada em trocar palavras em privado com ele, cujas geralmente terminavam em ofertas gordas para que ele fosse atrás de, na maioria das vezes, algum objeto ou pertence de valor perdido ou escondido em algum de todos os cantos dos mares, gente procurando verdades em lendas e contos anciãos para saciar interesse próprio.
Mas para aquele homem, Minho sabia de coisas aqui e ali, estava interessado em ouvir daquela vez.
- Conte-me o grande plano da vez. - instou, portanto. O Lorde sorriu de lado e mal sabia ele, Minho ainda manteve-se na mesma expressão com aquela reação, mestre em manipular.
- Muito bem, então. A Coroa tem tido interesse em possuir algo há algum tempo, algo muito precioso e raro. - Minho revirou os olhos em tédio com o drama dispensável. Afinal, havia algo que a Coroa não queria, especialmente acompanhado dos adjetivos precioso e raro? - Estou falando de algo guardado pelo Vale dos Gritos, Capitão... Já ouviu falar nas sereias? - ele sorriu para o moreno e Minho alinhou os lábios, seus olhos brilhando pela menção, apesar de já ter deduzido ser por isso seu silencioso chamado, ainda assim aquelas aguardadas palavras adocicaram seus ouvidos e fizeram seus olhos brilharem. Era mais do que lógico que sim, quem por aquelas terras não havia ouvido falar de tão famosa lenda? - Seres sanguinários que fazem uma verdadeira carnificina com forasteiros, e ainda assim com uma beleza tão indescritível que a nada se compara... Ainda não houve um só homem capaz de tal feito que se tenha notícia, ou sequer que tenha sido capaz de se aproximar e voltar para contar história. Porém, sabemos que o senhor não é qualquer um, Capitão. Bem, é o que esperamos...
- Bem, confesso ser uma proposta incomum, Londe, mais curioso ainda o Rei estar interessado em tais lendas. Ao mesmo tempo, admito, muito tentadora.
- Esperamos que sim, Capitão, também temos ciência da sua famosa cede por desafios. - sorriu, interesseiro.
Ele estendeu o papel que havia tirado da pilha e segurou consigo até ali, espesso, uma grande folha oficial, e também uma pena, como se mostrasse para o jovem o mandato. Então, ainda com o sorriso confiante nos lábios, ele baixou o papel sobre a mesa e, umedecendo a ponta da pena em tinta preta, assinou a última linha em branco. Em seguida, queimou uma vela e a derramou sobre a parte do papel embaixo da assinatura, cravando seu anel de título sobre a pequena massa vermelha formada e deixando o símbolo real no papel. Em seguida, virou-se mais uma vez para encará-lo. - Se conseguir trazer um daqueles seres para a posse do Rei, Capitão Minho, estará livre de todas as acusações e a Inglaterra te deixa em paz. - ele se aproximou do moreno alguns passos que manteve seus olhos nos dele, analítico, e estendeu a mão em persuasão. - Então, o que me diz?
...
Estava ainda muito escuro, mas não completamente, e ele pôde voltar com tranquilidade com o pouco movimento pela cidade e o mandato de proteção do Lorde em mãos, na verdade ele nunca esteve tão tranquilo quanto naquele instante - muito ansioso, diria até. Partiria o quanto antes, era uma longa viagem.
- Sentiu minha falta, princesa? - Minho passou a mão pelo casco do belo navio com carinho, aquele galeão era provavelmente sua maior conquista em vida... Pelo menos por enquanto, ele sorriu.
Há algum tempo, um Corsário da Coroa, que um dia tivera prestigiada fama, que um dia havia gastado seu tempo afundando e saqueando navios espanhóis orgulhosamente, que havia sido tão bem sucedido que mesmo sua menção apavorava todos os mares e que havia conseguido com seu barco, Santa Bárbara, e a fiel tripulação quitar boa parte da dívida inglesa apenas saqueando, abandonou a marinha. Ele deixou com que a fama e o dinheiro que poderia possuir lhe subissem à cabeça e, sabendo que podia conquistar aquilo tudo para bem próprio, tornou-se um, também prestigiado, grande pirata.
Dali para frente, entretanto, por alguma estranha vingança do destino, essa nova fama não pareceu se sustentar em muito tempo e após alguns meses, o até então pirata encontrou-se em ruínas, os anos lhe haviam gastado e sua energia restante era usada para bebidas e prostitutas, ele mesmo já havia aceitado seu fim inevitável, estava atingido o fundo do poço, a um dia aclamada Santa Bárbara virou um desgosto e estava a um passo de simplesmente afundar desesperançosa, sua tripulação transformada em um bando de corruptos e ladrões imundos já planejava um motim para tomar o navio do péssimo Capitão que não tomava atitudes...
... E foi naquela exata noite que tudo mudou.
Ninguém sabe como ou quando - infernos, a tripulação mal o havia visto sair!, mas o Capitão, naquela confusão de espadas e gritos, irrompeu de repente pela porta de sua cabine privada e todos se calaram. Era ele ali, o mesmo chapéu triangular escuro, a mesma espada antes dada pela própria Rainha bordada com águias se atravessando e o mesmo bigode afiado nas pontas debaixo do nariz; porém, para aqueles olhos abismados, mesmo assim parecia outra pessoa.
Como se tivesse recuperado anos de vida, sua pele estava brilhante e jovem como não era há anos - diziam os murmúrios entre os piratas que ele havia achado por si mesmo a própria Fonte da Juventude e deu-se alguns anos de vida. Naquele instante, ele parecia mais lúcido que em meses de convívio, os cabelos antes num bolo embaraçado e desleixado agora penteados e com novas contas em suas poucas tranças, a roupa estava limpa e no lugar, e seu olhar era selvagem e firme, e com um grito - um grito apavorante e cheio de atitude, o homem impôs a ordem e, com seu discurso nada menos que inspirador, devolveu o orgulho àqueles piratas e os deixou sob seu comando, após aquilo, não menos que impecável.
Como se tivesse passado por uma metamorfose, após aquela noite, o Capitão mudou o nome do navio e refez sua fama, batalhou pelas mais impressionantes conquistas, fez o impossível, encontrou os mais belos tesouros e disputou com o próprio Edward Teach o valioso anel da Rainha Anna - a quem o outro aparentemente tinha certo apreço. Sem mencionar os belos golpes à própria Coroa e sua habilidade fresca de fazer o que quiser e sempre escapar da marinha, que mesmo antes pegou o costume de se prostrar em sua cola irrevogavelmente. Veja bem, ele também não tinha a personalidade mais discreta e se divertia planejando emboscadas para os Comodoros, era cabível o ódio do Rei com o Capitão.
Pode-se dizer, em visão ampla, que o homem havia feito de si uma lenda viva. E Minho havia feito de si uma lenda viva porque seus olhos tinham estado, por aqueles dois anos - talvez até um pouco mais, voltados e focados para um objetivo maior.
- Huhum-! - Minho limpou a garganta após poucos passos proa adentro, olhos desconfiados numa penumbra em particular, e naquele canto escuro instantaneamente um casal se separou num sobressalto de desespero dentro da madrugada fria.
Ele revirou os olhos enquanto Kibum e Jonghyun voltavam suas roupas no lugar com uma pressa envergonhada. Bem, não era de fato uma surpresa pegar os dois pelos cantos - na verdade, seria mais difícil encontrá-los separados se viesse a pensar.
- C-Capit-
- Não se incomode, Jonghyun. - o moreno ergueu a mão e impediu-o de continuar antes de soltar um suspiro cansado - veja bem, ele mesmo não era o maior exemplo do mundo mesmo. - Onde está Jinki?
- Lá dentro, Capitão. - foi Kibum quem respondeu dessa vez em uma pose rígida e Minho maneou a cabeça para os dois virando-se para a entrada do cômodo que ficava abaixo de sua cabine e passando a descer com calma a pequena escada para baixo.
Mais um espaço grande para armazém abaixo e outra curta escada de ferro que descia depois, Minho adentrou o espaço que sua média tripulação usava para descansar, redes se penduravam entre pilastras de madeira, e objetos alheios e aleatórios deixavam o espaço realmente desorganizado e legitimamente piratesco. O Capitão girou os olhos em vistoria pelo local onde a maioria dormia sonoramente em suas redes, esparramados no conforto limitado, e um par de instantes foram o bastante para encontrar quem procurava, aparentemente também em sono profundo.
Minho adiantou seus passos e cutucou a perna do pirata com sua botina, sem delicadeza, quem rapidamente despertou após balbuciar uns ruídos engasgados estranhos.
- Capitão-? - ele se levantou meio tonto, mas forçou-se a ficar ereto, e adivinhou sua questão silenciosa no sorriso pequeno do moreno antes que ele desse-lhe as costas e refizesse seus passos para onde havia vindo. Jinki o parou aumentando sua voz nas próximas palavras: - Temos um curso?
- Rápido, se apresse, partiremos em expedição com o primeiro raio de sol. - foi o que ele disse antes de sair completamente. Jinki suspirou.
- Todo mundo levantando! - ele começou a gritar atravessando as redes e balançando os corpos adormecidos, quem escutavam suas palavras e se apressavam para se levantar tanto quanto. - Estaremos em expedição em instantes, levantem, preguiçosos, levantem!
Tarefa feita, Jinki seguiu os passos rápidos de Minho com fidelidade até que chegasse novamente à proa, onde o Capitão recostava no cabrestante e observava o oeste, sua expressão serena o suficiente para que o pirata percebesse com clareza que o que fosse que procurariam, era algo que pesava para o Capitão tanto quanto para quem o havia requerido.
- Capitão, qual o curso? - logo ele, em resposta, apontou para onde observava.
- Oeste. - olhou para Jinki, olhos que todos ali vieram a se acostumar desde o retorno do Capitão da Fênix: famintos por desafio. - Nós vamos ao Vale dos Gritos.
Seis palavras prenderam a respiração de Jinki e deixaram-no parado um segundo antes de destravar-se num suspiro denso e gaguejado.
- Huh-? - sua voz saiu desafinada e rarefeita.
- Aparentemente o Rei está interessado em algo por lá. - o marujo deixou seu olhar descrente viajar do moreno que lhe encarava com diversão para o horizonte do oeste antes de voltá-lo ao homem, ainda estupefato.
- Desculpe-me, Minho, mas ainda devo perguntar... Será que não sofreu um acidente ultimamente, lembra-se de ter batido a cabeça ou...? - estreitou os olhos. Minho endireitou seu corpo de frente para o pirata, atenção focada, mas discretamente achando graça da pergunta sem cabimento.
- Veja bem como fala, marujo, está duvidando de mim?
- Claro que não, Minho, mas aquele lugar é amaldiçoado!
- Não vou listar para você todos os lugares que já fomos e aclamaram como amaldiçoado. - ele tinha um ponto, Minho havia construído uma fama clara, ele trilhou um caminho brilhante e seus feitos eram, de fato, inegáveis. Jinki piscou o olhar para o horizonte mais uma vez, dentes mordendo o lábio ansiosamente.
- Por algum acaso, o Rei não está interessado em sereias, não é? - palpitou ele, e Minho ergueu uma sobrancelha em sua direção, confirmando com um sorriso interesseiro, e Jinki fez uma careta e gemeu exasperado. - Capitão, a lenda diz que aquela criatura devora homens e os leva ao fundo do oceano, ninguém as viu e se já, jamais voltaram com vida para contar. Deixe-me te dizer, se aquele monstro existe, Senhor não as deixe pôr as mãos sobre nós.
- Não tem nenhum pouco de curiosidade, Jinki? - Jinki suspirou pesado - aparências perfeitas deixam de ser aparências perfeitas para ele quando estão a fim de devorar seu fígado com algas.
- Sobrevivência primeiro, curiosidade depois. - devolveu rapidamente e o outro soltou o ar e revirou os olhos - tanto medo, ele via, ele próprio mal podia esperar, seu sorriso era cheio de intenções.
Se lessem seus pensamentos, huh?
- Fique tranquilo, não me interessa quantos tentaram, eu com certeza tenho o necessário para ser bem sucedido. - ele sorriu confiantemente antes de Jinki estalar a língua e dar meia volta para dar os comandos de início para a expedição, aquele ponto do oceano já atingia tons distintos de vida e ele estava mais do que ansioso para dar início à caçada.
...
- Ganhar barlavento! Apressem-se! - a voz de Jinki resoava através do barulho das ondas e a horda de piratas se apressavam para lá e para cá sem padrão para seguir as ordens e manter o navio em rota.
- Mais pano, mais forte entre o vento e a maré! - foi Minho quem gritou dessa vez, passos rápidos até a ultima pilastra onde se segurou contra os movimentos rigorosos da água que mandavam a Fênix dançar.
Eles estavam há quase uma semana em expedição e fazia exatamente dois dias desde que entraram nas águas traiçoeiras do Vale dos Gritos, Minho tinha em sua cabeça que, pela força do mar e do vento, eles deveriam estar a apenas algumas horas de distância do objetivo.
Ele não precisava de um mapa, mas manteve alguns em sua sala particular onde Jinki tinha acesso; ele não precisava que soubessem que o Capitão havia gravado o caminho quase em brasa na memória após a primeira vez em que havia se aventurado por aquele lugar - e nem o fato de que ele havia realmente ido. Minho possuía seus segredos aqui e ali. Ele havia passado a maior parte do caminho em silêncio, um sorriso raro surgia em seus lábios conforme os dias passavam em alto mar - e era um sorriso raro, porque ele jamais o havia exibido em frente a qualquer um.
Ele estava ansioso como nunca esteve.
E, quando o navio se aproximou de uma pequena baía, após um par de horas, quase cobrindo por completo a entrada e deixando entre ele e a praia, que tinha um formato circular, um espaço de pelo menos um quilômetro quadrado de águas tranquilas, um sorriso que – esse sim - muitos conheciam, cheio de artimanha, estampou-se em seu rosto bem feito e ele escovou o bigode com coração animado. Logo, enquanto se aproximavam, todos os presentes também puderam observar a quantidade - não estava lotado, mas era notável - de madeira decompondo e restos de navios próximos à mata logo a direita, já mais afastado do círculo que era aquela baía. Grande parte deveria estar há anos naquele lugar, e se já havia na parte visível só Deus sabia quantos navios já deveriam decorar o fundo do oceano nas proximidades a essa altura... Quanta gente já não deveria ter se aventurado por aquela mesma missão e encontrado o tenebroso fim?
De repente, uma enorme placa de madeira com a ponta enterrada em areia há muitos metros capturou os olhares do Capitão. O símbolo circular talhado na madeira e pintado de escarlate era o que restava do que tinha sido Abeona, Minho pôde reconhecer imediatamente, um galeão pirata que já havia sido muito falado por suas conquistas, mas que desapareceu há mais de três anos; era comandado por dois irmãos, ambos igualmente mesquinhos e arrogantes e encontraram seu fim imediato após uma excursão ambiciosa por aquelas bandas - Minho sabia bem, ele sabia muito bem.
Já estava no fim da tarde quando chegaram e Minho não esperaria muito mais para dar início à captura, apenas um anoitecer mais intenso - ele estava mais tranquilo impossível, mas o resto da tripulação tremia e orava a deuses que não acreditavam para que sobrevivessem àquela noite; alguns especulavam secretamente entre si o que diabos haviam colocado no rum do Capitão para que aceitasse se meter naquela enrascada e Minho sabia do falatório, ele havia ouvido umas conversas aqui e ali, mas aquilo o fazia apenas sorrir, ele tinha motivos maiores para se preocupar.
- Capitão Minho? - Kibum perguntou de repente ao seu lado, quando o avistou no centro da proa recostado ao cabrestante com um objeto que mal pôde reconhecer em mãos. - O que é isso?
- Huh? Não é nada. - o homem curvou a sobrancelha com um pigarreio e imediatamente guardou a joia no bolso interior do sobretudo de couro, antes de virar-se para o marujo e logo para o resto da tripulação que espalhava-se pelo convés em busca de estabilizar o navio com lastro, afundar as âncoras e preparar os barris com pólvora para a caçada de mais tarde.
Minho limpou a garganta mais uma vez chamando a atenção geral para si e se aproximou da beirada lateral que estava bem de frente para o círculo encurralado pela grande Fênix.
- Eu quero três barcos em mar com seis pessoas cada. - ele apontava. - Dois ali e ali, e um mais próximo do navio no centro. Jonghyun, você fica nesse. - ele distribuiu as ordens e Jonghyun acenou quando indicado para ele.
Quando a hora se aproximava, os três barcos haviam feito sua posição e a maior parte dos que estavam neles pareciam aterrorizados enquanto observavam as águas agora iluminada pela luz da lua e pelas tochas que estavam enfileiradas nas praias - Minho havia cuidado deste detalhe mais cedo também; também havia uma linha que ligava uma ponta do meio círculo a outra, cortando contato entre a baía e o navio. O Capitão observava tudo quieto e escorado na lateral do galeão, atento, o resto da tripulação que não estava em mar continuava no convés com ele, espadas em mãos e olhos amedrontados treinados sobre as águas.
Em algum ponto do silêncio, Minho acenou para Jonghyun há alguns metros e o moreno compreendeu o comando com um aceno de resposta. Ele pareceu respirar fundo um segundo, então ele abriu a boca e começou a cantar. Não havia outro senão ele para estar ali, Minho reconhecia o melhor musico entre os marujos, nas noites de comemoração era ele quem cuidava da música, junto a Jinki.
- Que diabos ele está fazendo...? - o moreno ouviu uma voz sussurrando há certa distância dele, de alguém que não reconheceu entre os que estavam sobre o convés, e suspirou silenciosamente um sorriso mínimo para a questão, olhos ainda cravados no mar e a voz de Jonghyun nos fundos ainda ressoando.
- Ele está cantando, sereias gostam de música. - agora sim havia reconhecido a voz de Kibum, rápida na resposta e sempre um dos mais perspicazes.
- Oh meu Deus... - um novo sussurro, desta vez incrédulo, bem a sua esquerda chamou a atenção do Capitão rapidamente depois de mais alguns minutos, quem virou o olhar para encontrar o terceiro barco há distância em silêncio mortal. E Minho pôde logo perceber uma pessoa escorada na lateral do barco pela parte externa, uma mulher de cabelos castanhos claros - de beleza extremamente notável e um sorriso tímido nos lábios. Logo, todos os presentes observavam a magnífica criatura naquele barco mais extremo, então ao seu lado surgiu a presença de outra mulher, esta era negra e seus cabelos espalhavam pela superfície da água quase brilhando, tão bela quanto a primeira.
- Não-! - no outro extremo, no segundo barco, ouviu-se um barulho de madeira se quebrando, um marujo acertou uma das criaturas com um remo e ela rosnou e chio antes que sua pele ressecasse e começasse a rachar na altura dos olhos - exatamente como um ser carnívoro pareceria com muita raiva. Em um movimento brusco, ela o arrancou do barco e desapareceu na negritude da água.
Em meio tempo, o caos já havia se espalhado em geral. Não houve tempo para perceber quando, mas rapidamente o lugar estava infestado daqueles seres, sereias raivosas tentavam quebrar a madeira e matar a tripulação, muitas tinham garras afiadas e força suficiente para impulsionar-se alto sobre a superfície, pegando o máximo de piratas que tinham chance, sem meios termos, eles próprios lutando corpo a corpo ou com sua espada tentando resistir de qualquer maneira e, surpreendendo os presentes e contradizendo todos os boatos e lendas sobre aquelas coisas já contadas, não havia apenas mulheres, mas os que pareciam terem corpos masculinos também - mas Minho já sabia disso.
O Capitão manteve-se firme e esperando com concentração em meio ao cenário de caos. Naquela bagunça toda, a maior parte dos homens sobre os três barcos haviam desaparecido nas tentativas vãs de capturar uma delas, assim como um dos próprios barcos não se podia mais ver, e aquele bando carnívoro começou a vir atrás do navio maior, percebeu, porém Minho não se dava ao trabalho de desviar seu foco da baía ainda e atrás de si os marujos tentaram capturar as que tiveram sorte em impulsionar-se até a borda alta. Não eram aquelas que interessavam ao Capitão, e seus olhos mantiveram-se apreensivos, esperando.
Foi quando um lampejo no canto dos olhos atraiu seu foco. Um dos tritões irrompeu sobre a superfície, agarrou furiosamente um dos homens sobre o segundo barco e desapareceu um segundo depois. Minho havia congelado com a imagem, excitação correndo suas veias e ele se apressou em buscar Jinki com os olhos, quem havia observado a mesma cena. O moreno agarrou uma rede que estava ao lado de seus pés e a jogou para o pirata rapidamente.
- Eu quero ele. - sua voz foi firme e o outro não teve tempo de hesitar antes de pular sobre a água e nadar sob o fio pendente na superfície em direção ao barco do meio, o mais próximo, onde Jonghyun era o único tripulante àquela altura, rede em mão. O moreno mais baixo o puxou para cima e Minho pôde vê-lo sussurrar alguma coisa.
- Kibum, prepare-se, sob minha autorização! - Minho agora gritou para o pirata de olhos felinos - se Jonghyun era o músico e Jinki o segundo líder e mão direita, então Kibum era o espião do navio, Minho notara em si sua grande habilidade de frieza e concentração nas horas mais necessárias, Kibum não hesitava em seguir sua ordem desde... desde que tudo começou. Ele acenou e fez seu caminho para o extremo do convés, onde ficava o ponto crítico da corda rente a superfície do mar, agora inquieto.
Depois disso, Minho ofegando de ansiedade e com olhos atentos de águia, o resto da tripulação tentando defender a Fênix ao seu redor, Kibum, Jinki e Jonghyun esperando a ordem, tanto quanto concentrados, não esperaram mais dois minutos para que o alvo aparecesse novamente. Estava há menos de cinco metros do bote dos meninos, de costas para o grande navio de madeira escura, apenas seus olhos e seu cabelo negro era visto sobre a superfície e seu corpo movia sem pressa, olhos fixos nos dois rapazes quem pretendia afundar sem piedade. Minho estendeu os dedos em direção a Kibum, olhos treinados no tritão, Jinki e Jonghyun apenas estáticos com a rede uma ponta na mão de cada, esperando também a decisão do moreno Capitão. Foi esperado que ele se aproximasse mais um pouco, então finalmente, quando a criatura pronto para dar o bote com suas garras estendidas e dentes afiados:
- Kibum! - fogo explodiu em várias pontas da linha entre o barco e o navio formando uma densa coluna de fogo quando o loiro felino jogou o fogo no pavio. Naquele segundo, a criatura virou-se em susto com a muralha de fogo - assim também fizeram as dezenas de outras sereias e tritões - e sem esperar Jinki e Jonghyun o aprisionaram com a rede.
...
- Capitão. – cumprimentaram-lhe com um manear os três únicos marujos que se encontravam compartilhando uma rara caneca de rum - o moreno era rígido em esconder a bebida para si mesmo, ele sorriu com esse pensamento. Minho os avistou enquanto atravessava aquela extensa parte inferior na estrutura do navio, onde utilizavam para dormir, eles estavam pendurados em duas das redes de qualquer maneira e conversando qualquer banalidade que Minho não se deu ao trabalho de prestar atenção.
Afinal, não lhe interessava.
- Ahn. Capitão? - um dos homens o chamou antes que pudesse seguir seus passos mais adiante e o moreno se forçou a virar-se com uma sobrancelha erguida. Os três o encaravam como quem ocultava alguma coisa e Minho logo supôs do que se tratava. - Havia tantos, por que escolheu logo ele?
Minho simplesmente sorriu serenamente antes de dar as costas.
Há algum par de horas estavam eles de finalmente e, tomara por todos os céus que com sucesso, alcançarem as correntezas grosseiras do Vale dos Gritos, não fazia mais de cinco horas desde que haviam partido da baía após recolherem os três homens que restaram nos barcos e mais o resto dos pares de dezenas de marujos, os quais comemoravam no convés com a música de Jonghyun e Jinki e o álcool que o comandante cedeu - ele deixou que eles comemorassem por agora, pois ele sabia que estavam longe de ter sucesso... ainda. Se saíssem do Vale, seria mais uma semana de expedição antes da terra firme - se é que tivessem a sorte de alcançar tanto.
Finalmente - e a ansiedade comia seu estômago de dentro para fora, após sua partida, ele desceu de sua cabine privada para a proa, então para as salas de armazém antes de descer para os cômodos do dormitório. Atrás do imenso salão bagunçado, havia uma porta e Minho respirou profundamente antes de cuidadosamente abri-la.
Uma pequena sala repleta de itens foi descoberta naquele fundo, seus olhos vaguearam por eles por um instante, cinco lamparinas presas à parede iluminavam o espaço o bastante para a alta hora, e na outra extremidade, há alguns metros do homem, estava um quadrado no chão feito sem vazamentos, cerca de dois metros quadrados e mais cinco de profundidade ele tinha, estava preenchido de água que sacolejava de leve com o balançar da estrutura e dentro dela, estava algo que Minho ansiou ver por longos anos...
- Olá. - ele sorriu de leve tentando não assustar a criatura que se sobressaltou com sua voz súbita e Minho viu então que ele, quem estava apenas com os olhos e o cabelo escuro de fora da água - assim como esteve enquanto observava o barco de Jinki e Jonghyun em alto mar, se prostrou com a face rude e testa franzida de quem estava extremamente irritado. Seu olhar poderia atirar facas se fosse físico com certeza, mas Minho simplesmente tratou de sorrir amigavelmente, certificando-se de manter-se a distância para mostrar que não oferecia qualquer perigo. Ele se recostou em um barriu de vinho gigante e cruzou os braços, os olhos do tritão ainda cortavam sua garganta, mas, ao contrário, os de Minho brilhavam - talvez fosse isso mesmo que deixasse o outro com tanta raiva. - Jinki me disse que você não era de falar muito. Será que pode entender minha língua?
Ainda assim, ele demorou muitos minutos para se mexer e Minho estava para achar que ele realmente não o compreendia antes de ouvir finalmente a voz que levou um arrepio sua coluna abaixo.
- O que querem comigo?... Tolos, a maldição do Vale chegará a este navio antes que o atravessem. - seu tom era frio e ameaçador quando se ergueu acima da superfície uns ralos centímetros para dizê-lo. Ao contrário, o Capitão sorriu num risco satisfeito mais uma vez, ele nunca havia escutado a voz da figura que atormentava suas noites nos últimos anos - tempo surpreendente, huh?
- É o que dizem. - ele apenas respondeu. Ele não podia falar mais que aquilo, sentia que fosse perda de tempo ao invés de apenas observar aquela criatura fascinante que esperou tanto tempo para que pudesse rever e que agora mantinha o rosto fora da água por completo.
Céus, ele parecia não existir - exatamente como se lembrava, sorriu. E embora ali ele estivesse com um olhar carnívoro, Minho se lembrava de uma feição muito diferente e nada a lembrança manchava.
- Então você é o Capitão Henrique Minho? - ele contornou sua tranquilidade quanto à ameaça com outra pergunta, os olhos ainda cautelosos e ameaçadores. Mas, mais uma vez, o moreno lhe sorriu.
Então ele finalmente se adiantou de onde estava, seguindo com passos calmos até a criatura que arregalou os olhos e os estreitou, rangendo os dentes, enquanto afastava-se até a parede extrema da espécie de piscina onde estava.
- Afaste-se! - ele grunhiu e Minho estendeu as palmas em rendição parando aonde já havia avançado; não tão longe da piscina planejada, entretanto.
- Eu não vou te machucar, prometo. Veja. - ele mostrou-se retirando sua espada e jogou-a a alguns metros sobre o chão, Taemin estreitando as sobrancelhas - desde que fora raptado, aqueles homens nojentos pareciam ansiosos para tocar alguma parte de si e eles ganharam cortes profundos tentando. Então Minho agachou-se sobre os calcanhares para encará-lo direito, o mesmo sorriso nos lábios e seu olhar macio fez Taemin menos tenso, embora atento ainda. - Bem, respondendo sua pergunta: eu sou Minho, e, sim, de fato o Capitão. Mas receio que meu nome verdadeiro seja um pouco diferente... - ele mordeu o lábio e continuou com o sorriso amigável.
- O que quer dizer? - o outro continuava com a sobrancelha apontando desconfiança e o moreno sorriu um pouco mais.
- Posso saber seu nome primeiro? - o ser continuou encarando-o e Minho suspirou. - Eu não vou te fazer mal.
- Você me sequestrou. - o tom categórico e olhar irônico com a resposta fizeram o Capitão rir brevemente.
- Sim, mas por motivos diferentes dos que você está pensando agora, prometo.
- Quer dizer me colar em exposição em suas terras malditas? - devolveu mais uma vez.
- Posso saber seu nome primeiro? - o Capitão insistiu e o outro apenas o encarou por um tempo até que Minho erguesse uma sobrancelha em instância, e ele suspirou revirando os olhos - na mente do tritão, ele não viveria muito mais para fazer diferença realmente mesmo.
- ... Taemin. - Minho sorriu mais largamente.
- Taemin... - ele repetiu para testar como soava por sua própria boca - e era magnífico. - É um lindo nome, Taemin.
Após o comentário, o rapaz metade peixe abriu a boca, mas fechou-a sem ter o que responder, então ele baixou o rosto para a água mais uma vez. Minho pôde jurar aos céus que ele estava tentando esconder a coloração rósea das bochechas pálidas.
- O que quis dizer com não ser seu verdadeiro nome? - o tritão então quebrou o silêncio constrangedor, voltando à questão antiga. - Eu ouvi dizerem seu nome. - houve um sério falatório antes que o prendessem rudemente dentro do poço naquele pequeno cômodo apertado.
Minho o olhou por um segundo. Ele esperou muito tempo para aquele instante e era engraçado, após dois anos, falar sobre aquilo para alguém... Para falar a verdade, ele ainda não conseguia acreditar que estava mesmo ali, após tanto tempo, diante de seu objetivo de quatro anos...
- Eu vou te contar algo que nunca disse a ninguém, Taemin. - o tritão ergueu uma sobrancelha em questão e o moreno encarou o teto, de repente lembrando-se de toda sua trajetória até aquele lugar. - Meu nome é Choi Minho e eu não sou quem pensam que sou.
-
A água estava agitada como o rapaz nunca havia visto junto de uma tempestade rigorosa que assolava a noite sem receio, haviam gritos desesperados em todos os cantos e Minho correu e se encolheu atrás de uma rocha afiada. Ele podia ver com olhos assustados homens que corriam pela pouca areia que a costa abrigava e tentando escalar as pedras atrás dela em busca de salvar suas próprias vidas, mas logo eram presos por alguma daquelas criaturas com algas nas mãos. O navio, em águas próximas, era descascado facilmente e lentamente perecia sob as mãos das dezenas de sereias e tritões.
Minho soube que era tolice assim que os irmãos Virth anunciaram a expedição ao Vale. Pela Inglaterra e até pela Espanha, não havia quem não houvesse ouvido falar das famosas lendas das sereias, mas poucos se aventuravam de verdade. O Choi não esperava que um dia fossem também, mas os Capitães receberam uma oferta aparentemente irrecusável pela captura de uma delas. Como parte da tripulação de piratas e subordinado, Minho com seus poucos anos não teve realmente escolha sobre sua participação na viagem.
Porém agora que ali estava, encarando os monstros carnívoros cara a cara, ele pensou que deveria ter fugido antes mesmo de terem deixado a terra firme.
A cada grito desesperado antes de afundar em alto mar, levava um arrepio por seu corpo molhado e Minho nunca desejou tanto voltar para a instituição da qual havia fugido na adolescência. Não importava para onde olhasse, aquele lugar parecia perdido no meio do oceano, não havia ao menos para onde fugir, estava ali apenas adiando sua morte inevitável.
Subitamente, então, atrás de seu corpo ouviu-se um grunhido e tosse, Minho paralisou instantaneamente e cheio de medo ele se virou naquela direção. À não muitos metros de distância estava uma daquelas criaturas, Minho pôde ver, era um rapaz ao invés de uma garota - que eles perceberam a existência apenas quando chegaram e deram início a captura, não aparentou representar perigo daquela vez, no entanto, não estava com as garras assustadoras ou a face distorcida de dentes afiados, apenas com feições exasperadas. O moreno logo percebeu que ele estava preso em uma pequena vala de água e tinha de se arrastar para alcançar o mar aberto novamente.
Mesmo em meio à aflição e vontade de voltar ao mar, ao invés do Choi novamente ficar com medo por sua vida em risco, ele estreitou os olhos e o enxergou profundamente de repente. Sua respiração parou na garganta e os olhos de Minho observaram seu rosto atentamente. De fato, aqueles seres tinham a fama de beleza angelical - quando não estavam tentando devorar suas vísceras, mas nenhum dos que apareceu, dos que viu naqueles minutos atrás chegava perto de se comparar com aquele rapaz. Minho não soube se aquilo fazia parte de sua espécie, se era algum tipo de poder, algum encantamento poderoso, mas ele se viu hipnotizado pela aparência maviosa e indescritível daquele ser.
O cabelo brilhante, sua pele pálida e imaculada, os olhos naquele segundo perdidos e esforçados igualmente negros, a boca inchada - arma mortal, mesmo o corpo e Minho teve a certeza de sua alma que aquele tinha com certeza a beleza mais notável, a essência mais viciante, entre qualquer um dos outros.
Ele se levantou, pensando em seguir seu caminho em sua direção um acesso de inconsciência, ntes que o pirata, que de repente sentiu-se coagido, porém, pudesse se mexer para perto e seguisse seu súbito desejo de ajudá-lo, ele pareceu se soltar em meio a um punhado de galhos e não hesitou ao lançar seu corpo para a água salgada novamente.
Minho correu para onde ele havia saltado e encarou as águas escuras, sua respiração estava acelerada e gritos desesperados ao longe tomaram toda a sua atenção mais uma vez, fazendo com que encarasse atrás de suas costas, onde a carnificina continuava ininterrupta. O moreno se abaixou rapidamente para se esconder mais uma vez, então seus olhos passaram a revistar seus arredores, quem sabe esperando um milagre dos céus para que saísse daquele lugar. E, como em resposta a uma fervente oração, sua atenção foi atraída para um pequeno barco de madeira atrás de uma pequena rocha bem ao lado de uma das depressões de água onde o tritão de antes havia se prendido. Minho sussurrou um agradecimento e rapidamente se virou para sua salvação.
Mais um passo, no entanto, bastou para que de relance um objeto brilhante no meio da semiescuridão o impedisse um instante. Minho percebeu que era uma joia, em meio aos galhos de onde a bela criatura uma vez tinha se encontrado sem liberdade; uma pulseira de pérolas, mais precisamente. O moreno a acolheu com cuidado e seu rosto floresceu um sorriso pequeno. Foi quando Minho viu que tinha que ser o destino, e que, dali para frente, seria sua missão pessoal reencontrar o proprietário daquele objeto - e ele aceitou para si com prazer.
-
Minho tirou um lenço negro que estava em seu bolso do sobretudo - o qual ele havia tratado de limpar assim que partiram para recuperar a originalidade que a sujeira havia lhe roubado, os olhos do tritão Taemin nunca deixando suas ações, preparado para se defender contra uma possível ameaça a qualquer momento; então ele o abriu para os olhos do pequeno e ali Taemin pôde reconhecer o pano que lhe tomaram quando fora capturado por aqueles brutamontes imundos - muito mais limpo do que ele se lembrava, Taemin sempre carregava-o amarrado ao pulso desde quando tinha perdido outro objeto de valor, como uma lembrança daquela fatídica noite em que tomaram a vida de seu melhor amigo. No tecido, havia um símbolo bordado e um nome do qual ele havia visto tanto que tinha certeza de que nunca se esqueceria.
- Este lenço estava amarrado no seu pulso, foi o que me disseram. - Minho disse, então.
- Estava em um dos navios que afundamos. - ele não se preocupou em esconder aquilo, não faria diferença para o homem saber - foi o que pensou.
- Sim, Abeona, huh? - Minho ofereceu-lhe um pequeno sorriso, Taemin não sabia, mas para si era nostálgico. Com a menção do nome maldito, o menor rangeu os dentes.
- Eles tiraram a vida de alguém importante para mim. - seus olhos tinham rancor e o Choi havia acabado de ouvir algo que não sabia.
- De qualquer maneira vocês os devoraram, não foi. Eu estava lá, Taemin, sabia? - os olhos negros piscaram, desconfiado e surpreso com a notícia - afinal, não era possível, seu povo havia cuidado, como sempre, de não deixar sobreviventes.
- Não restaram sobreviventes naquela noite. - ele devolveu.
- Bem, pois deixaram o trabalho inacabado. - o Choi deixou seu peso alcançar a madeira, sentando-se em lótus e escorando a coluna com as mãos espalmadas no chão para trás, seus olhos estreitaram em desafio e Taemin continuou observando atentamente. - Naquela noite, eu estava lá, eu fazia parte da tripulação de piratas e assisti seu povo tirar a vida daqueles homens todos. Sabe, foi uma expedição tola, eu dou isso a vocês, mas, ainda, não acho que merecessem tal fim.
- Esse é seu problema, homens gananciosos! - ele discutiu, cheio de raiva momentânea, e o moreno desta vez apenas prestou atenção em suas palavras. - Vocês vêm a nosso Vale e destroem nossas famílias tentando capturar um de nós por suas moedas de ouro, por seu orgulho egoísta, ou para nos expor como objetos para seu povo medíocre. - o tom era rancoroso e Minho sentiu que ele parecia bem novo, mas deveria ter passado por aquilo um punhado de vezes. - Vocês vêm numa guerra perdida, porque nós batalhamos por nossa vida, mesmo que nos cause perdas. Nós nos defendemos e fazemos justiça, e vocês saem dizendo que somos as criaturas sanguinárias, Capitão Minho. Pare e pense sobre quem são os verdadeiros monstros nessa história.
Ele pareceu ter feito um grande desabafo e Minho de repente se viu intensamente autoconsciente. Os homens matavam uns aos outros em suas guerras por dinheiro, eles eram desonestos e corruptíveis, matavam por prazer e por hobby, se destruíam e destruíam o seu redor sem necessidade, eles acolhem alguns e abandonam outros sem hesitar. Se uma espécie tem o poder de se defender, por que, então, não deveria?
- Você tem razão... - ele disse, surpreendentemente sentindo mais compaixão do qualquer vez em que se lembre. Minho não teve uma vida exatamente casta e dificilmente se importava com outras coisas além de si próprio, mas ali ele se permitiu sentir certa pena e compreensão acerca daquelas criaturas. - Você tem razão, eu sinto muito.
- Se você sente muito, me solte. - retrucou, ele não iria cair em falsa compaixão - embora o homem deva fingir estupidamente bem, porque ele podia jurar que seu olhar de desculpas era genuíno. Ainda, o Capitão riu com sinceridade e concertou a postura, inclinando-se com olhos animados e o outro continuou o observando. - Se você sabe o que fizemos com Abeona, sabe o que faremos com este navio também. Não pense que conseguirão ter sucesso, nosso povo migra realmente rápido, nós não costumamos deixar os homens vencerem. Eles acharão o navio uma hora ou outra e, quando o fizerem, não sobrará muito mais que lascas. - ele tentou ameaçar, seu olhar forte e fixo intimidante. Entretanto, mais uma vez, o jovem comandante simplesmente sorriu - Taemin nunca poderia entender o que ele achava tão divertido sobre tudo. - Não estou blefando.
- Eu sei que não. - okay, Taemin realmente não o podia entender. - Taemin, você ainda não entendeu, eu disse que você estava aqui por motivos diferentes do que está pensando, não disse? - os olhos da criatura peculiarmente encantadora e rabugenta reviraram antes de sua expressão gritar impaciência. E Minho esticou os lábios. - Eu estava em Abeona quando ela afundou, naquela noite eu pensei que fosse morrer, sabe? Entretanto, quando estava escondido, felizmente eu encontrei um barco pequeno e só os céus sabem como consegui alcançar a Inglaterra novamente com vida. A partir dali eu já não tinha mais nada, poderia ter ficado traumatizado, mas eu criei para mim mesmo um objetivo forte o suficiente para me dar forças para seguir em frente. Eu arrumei um emprego e fiquei em silêncio por um tempo, aprendendo coisas para uso próprio e me reconstituindo. Esse navio... - ele observou com carinho o cômodo bagunçado. Taemin decidiu que suas palavras eram sinceras, não só porque eram um povo mais sensitivo por natureza, mas porque o homem não tinha motivos para inventar tal coisa. - Esse navio costumava ser Santa Bárbara e Henrique Minho era seu último Capitão. O homem estava velho, bêbado e acabado e eu estava esperando uma chance para retornar aos mares, como disse, tinha um objetivo. Por pura sorte, fui o único a testemunhar seu suicídio uma noite há dois anos e mais sorte ainda era que, mesmo ele sendo mais velho, éramos muito parecidos.
Taemin então avistou com grandes olhos confusos enquanto o moreno puxava seu chapéu triangular para o chão com tranquilidade, então o tecido que prendia seu cabelo comprido junto com os próprios fios que foram ao chão, revelando um capaz de cabelos bem mais curtos, Minho não esperou também para descolar o falso bigode do rosto sob os olhares assustados e surpreendidos do tritão. Ele sorriu mais uma vez e, desta, o menor quase engasgou com os anos de idade que se foram apenas com os objetos falsos, ele não aparentava nem próximo da casa dos trinta. Era a primeira vez que Minho se descobria na frente de alguém.
- Bastaram algumas modificações para que acreditassem facilmente que eu era ele. Adotei o navio, minha Fênix, tomei a tripulação e custou-me dois anos para moldar minha fama, a antiga fama do outro Capitão, à meu favor. Trilhei sucessos e tive glórias. Tudo para que atingisse meu objetivo. Até que o dia finalmente chegou, eu sabia quem podia me oferecer a expedição ao Vale e bastou-me incomodar a Coroa por um tempo antes que liberassem a segurança nacional que Henrique tinha pregado nos próprios pés, e aqui estamos. - ele estendeu os braços. Pensando bem, havia percorrido um longo caminho, hein?
Taemin nem sabia o que dizer, mas o rapaz deveria estar fora de sua cabeça. Por que resolvera abrir toda aquela história para ele?
- É isso? Todo esse tempo para se vingar do meu povo pela tomada de Abeona? - o menor questionou, de repente ele sentiu ligeiro frio. Se o objetivo não era levá-lo, o outro o mataria ali mesmo?
Minho, porém, como sempre não deixou de sorrir, desta vez não era de diversão, no entanto, seus olhos pareciam afáveis e tornou difícil para Taemin, estranhamente, se retrair com algum medo real.
- Você não entendeu ainda. Não fui até lá pelo seu povo, Taemin, eu fui até lá por você. - ele revelou, então, Taemin viu-se paralisado sem saber a causa de verdade. Ele não entendeu, mas seus músculos todos tremularam sob a água um segundo. A intensidade do olhar do moreno o deixou desconcentrado. - Meu objetivo de anos foi você... Aquela noite em Abeona, antes de achar o barco, eu vi você.
- Por... Por que, o que eu fiz a você? - diferente de qualquer momento até ali, Minho percebeu-o fora da posição de ameaça e autoprotetiva, ele estava acuado do outro lado do grande aquário e olhava-o com olhos receosos, o tom muitas notas abaixo. Não se tratava da espécie, mas dele, de alguma forma isso o assustou mais do que a pressuposição anterior, porque era surpreendente demais.
Mas a visão dele recuado fez o maior quere mostrar ele que estava errado rapidamente.
- N-não-! Você entendeu errado. - Minho tinha uma postura e expressão que tentou demonstrar ainda mais que antes que não tinha perigo a oferecer, ao contrário do sorriso costumeiro, ele substituiu por seriedade e sinceridade. - Não vim para te machucar. - mesmo assim, ele não planejava contar sobre o quão intensamente mexido ele ficou na realização da beleza do outro – aquela noite e ali. Ainda, suspirou ao percebê-lo relaxar um pouco. - Eu te vi preso numa depressão antes de ir embora e achei algo depois. - ele procurou por seu bolso interno do sobretudo pesado pelo objeto escondido por anos consigo, como o bem mais precioso.
Estendendo o objeto para os olhos curiosos, ele sorriu quando o assistiu se sobressaltar, iria abrir a boca provavelmente para falar, mas voltou a fechá-la, mais surpreso que qualquer outra coisa - veja bem, Taemin ainda havia tentado procurar a pulseira de pérolas por alguns meses, mas não havia jeito. O tritão fez menção em se aproximar na mesma hora, mas seus olhos ansiosos desviaram para o Capitão e ele parou novamente, hesitante - poderia ele realmente acreditar que não pretendia machucá-lo?
Aquela possibilidade era inegável, ela existia, de fato, e absolutamente nenhuma prova concreta havia para se dizer o contrário. Porém... Por que seu instinto e seu coração diziam que não havia perigo? Por que diziam que a história era verdadeira? Talvez fosse tolo e o olhar efetivamente genuíno do moreno humano - e até um pouco gentil - estivesse realmente enfeitiçando sua confiança imaterial, mas ainda o rapaz decidiu fazer isso, ele se aproximou com olhares cautelosos em direção ao homem tranquilo, sua calda movimentando-se com calma até que lhe fosse suficiente erguer o braço para capturar a joia e imediatamente ele observou-a com adoração, apreciando o fato de estar bem conservada desde o dia em que a perdera - diferentemente do estado do tecido que ocupou seu lugar em seu pulso.
- Foi minha mãe quem me deu. - desta vez completamente desarmado, ele ofereceu o mais sincero sorriso agradecido ao pirata. - Obrigado.
E diante daquele sorriso intensamente honesto e afável, o sorriso do Choi desapareceu para dar lugar a uma expressão petrificada. Em todos aqueles anos, todo aquele tempo, ele havia gravado em sua memória algumas das feições daquele rapaz afeiçoado com uma calda. Na noite em que chegou à costa britânica vivo, na noite em que parou o motim do navio e tomou-o como seu antigo Capitão, nas várias noites em que comemoravam cada uma de suas notáveis vitórias, em cada manhã acordada em sua cabine provada, a cada vez que fitava o objeto de pérolas guardado por si com tanto apreço, naqueles tantos momentos ele vasculhava em seu pensamento aquela imagem do tritão tentando escapar da vala de água, se lembrava de seu rosto apreensivo e seu rosto aliviado ao encontrar liberdade.
Ali, quando o reencontrou, Minho também pôde levar para si sua imagem defensiva, raivosa e surpresa. Foi o que ele guardou. Só que, dentre suas lembranças, todos aqueles diferentes lados, absolutamente nenhum deles se compararia eternamente ao que recebera naquele instante. Sem dúvida, a mais preciosa de suas expressões, era a feliz; seu lado com linhas calmas no rosto esculpido perfeitamente, orbes de lua crescente simplesmente agradecidos e comprimidos pelo sorriso aberto e gentil.
Aquela expressão tirou-lhe o ar do pulmão se forma assombrosa.
- E-eu... Eu achei que fosse querer de volta. - sua voz saiu baixa e suave. E Taemin descobriu nele e em seu olhar, de fato, a confirmação da estranha intuição que havia tido, a veracidade sem explicação. E ele esteve realmente agradecido naquele instante, de fato era algo importante para ele, mas Minho nunca teria como saber do fato, e ele ter passado por tantas coisas apenas para lhe entregar aquela pulseira tocou seu coração com agradecimento.
- Sim, obrigado. - ele repetiu.
- Erm... Taemin. - Minho falou, atraindo o olhar do outro para o objeto de volta para si mesmo após longos e hesitantes minutos. Realmente, a oferta do Lorde para que ele fizesse a expedição tinha tido puramente o objetivo de livrá-lo dos olhos da Coroa enquanto estavam ali, ele planejou desde o início apenas encontrar-se com o que tinha se tornado o foco de sua atenção e admiração por tanto tempo, levar de fato Taemin até a posse do Rei não estava incluído na história, porque Minho sabia que era uma viagem sem volta. Taemin estava certo, tolos eram os homens que cheios de ambição tentassem se esquivar da maldição do Vale dos Gritos. Aquelas eram criaturas com perfeito instinto de união e rastreamento natural, mais cedo ou mais tarde encontrariam o navio e Minho sabia disso, ele havia os levado até La para encontrar seu fim, no final da história, ele estava consciente. Portanto, se ele pudesse, gostaria de fazer algo antes disso. - Será que eu poderia tocar sua calda?
Imediatamente, o menor recuou, as costas batendo contra o limite do aquário e olhos em defensiva.
Minho limpou a garganta.
- Eu prometo que não pretendo fazer mal a você e sei que seu povo irá nos encontrar cedo ou tarde, provavelmente antes de atingirmos o limite do Vale... É só o que eu te peço.
Os olhos pesquisadores do ser vagaram para a superfície da água em reflexão, o pedido era simples, mas era extremamente incômodo - veja, a calda de sua espécie era sensível, muito sensível, eles acreditavam que era uma parte muito pessoal de seu corpo, por isso deixar que qualquer um tocasse podia ser uma espécie de fraqueza, o deixava um pouco muito embaraçado... e cutucava seu orgulho se tivesse algo a dizer. Mas... Taemin sabia que o outro havia feito e passado por um processo complexo e inevitavelmente se colocou em disposição de encontrar a própria morte indo até ali para devolvê-lo um pertence que poderia no final acabar sendo insignificante - embora não fosse; e sequestro não era a maneira mais sutil de se ter um encontro, se fosse opinar, mas... Taemin, apesar de tudo, decidiu que devia algo a ele também, por tudo o que havia feito e por agora esperar seu fim com um sorriso no rosto por uma espécie diferente e alguém que nem conhecia. Portanto, com tudo aquilo considerado, ele respirou fundo e decidiu por ceder o favor.
Ele maneou a cabeça meio instante com um suspiro, rosto florescendo em cor enquanto tentava escondê-lo na água.
- Só um pouco. - ele avisou e Minho abriu um sorriso no mesmo segundo assentindo em concordância e aceitando os termos.
O menor aproximou-se com hesitação sem coragem para encará-lo nos olhos e esperou por um movimento dele enquanto segurava-se na beirada mais próxima da piscina improvisada. E, como se a luz da lamparina velha houvesse se focalizado de propósito, Minho se aproximou ajoelhado à beirada com olhos extasiados para o brilho intenso da grande calda azul, que dançava despretensiosa para sustentar o tronco do menino de pele pálida. Reflexos de luz atravessavam a estrutura de escamas abaixo d'água e Minho mais uma vez não pôde acreditar no quão celestial era a beleza daquele ser. Havia muitas tiras soltas nas laterais da calda e parecia que aquele detalhe a deixava mais bonita e admirável, uma carícia para os olhos, e a cor era de um azul tão profundo quanto o céu em noite de lua cheia, reflexos de branco pareciam decorar partes específicas propositalmente para deixá-la ainda mais bela.
Minho subiu os olhos e, a poucos centímetros ao lado de seu rosto estava o de Taemin, quem ele pegou olhando para si mesmo de volta, os olhos naquela distância o fizeram perceber que não eram realmente pretos, mas na mesma cor da calda - um azul intenso e espetacular. Ele parecia embaraçado e seu rosto parecia ainda mais bonito daquela forma, Minho suspirou e levou sua mão primeiramente à bochecha rósea, foi breve, ele não queria assustar Taemin, mas o impulso agiu primeiro e, logo, ele desceu-a para seu pescoço, o toque era delicado e ligeiro, nada forçado ou agressivo, apenas para sentir nem que seja de leve.
Ele não havia ganhado permissão para ali, mas o garoto apenas inclinou a cabeça ligeiramente para o outro lado com um suspiro baixo e Minho viu que sua pele se arrepiou.
Do pescoço ele continuou até a clavícula e o peito pálido, seu corpo era completamente equilibrado e a pele era imaculada, textura alguma que o Choi possa ter tocado se aproximou da sensação que a do tritão lhe arrancava, o estômago do moreno pareceu se contrair em ansiedade. Ele se arrepiou mais uma vez e o pirata sentiu um mover ligeiro de seu tronco quando seu toque deslizou mais abaixo sobre seu mamilo, depois até o estômago. Era inacreditável e irreal e quando o Capitão alcançou o limite entre a pele do lado de sua cintura e as escamas da calda, ele desviou os olhos para ver Taemin comprimir os seus. Ele respirou sem ar e finalmente desceu os dedos pelas escamas azuis, Taemin suspendendo a respiração e desviando o rosto um pouco para outro lado com embaraço, então a soltando de maneira ofegante, Minho experimentou um movimento circular mais intenso por onde se fosse homem seria sua coxa e a textura era muito peculiar e estranhamente macia.
- Mmm-! - antes que qualquer som escapasse, o menor abriu a boca para cima, mas fechou a garganta fortemente e Minho imediatamente lhe devotou os olhos, absurdamente famintos, não tinha ideia de que fosse uma área tão sensível, e quando o de cabelos negros devolveu o olhar e seus olhos estavam pesados e densos, a boca entreaberta ofegante, seu corpo estremecia consecutivamente e sua respiração estava rápida contra seu rosto subitamente próximo, foi Minho quem paralisou.
Ele não podia, havia sido instinto, reflexo, feitiço, mas antes que se desse conta o Capitão tendia sua gravidade em direção ao outro inconscientemente e Taemin não estava fazendo nada para pará-lo. Não, não, ele estava fazendo o mesmo - talvez possuído pelo mesmo feitiço. Um vago espaço de segundos foi o bastante para que seus lábios se encontrassem de vez e Minho podia jurar que esteve tonto por um segundo como se ele liberasse toxina. Taemin, por sua vez, se arrepiou com a descoberta de um mundo novo; ele era novo em sua espécie, mesmo não sendo seu primeiro beijo jamais havia sentido tamanha estranha e extasiante sensação - talvez por ser um humano. Ele não sabia bem o que estava exatamente se passando dentro dele próprio, era novo, sufocante, mas viciante também. Quando Minho voltou a mesma mão para algum lugar em sua nuca, ele se viu coagido a fazer o mesmo instintivamente, guardando o rosto alheio entre as mãos.
O Pirata sentiu com sinceridade e suavidade o sabor da fascinante criatura, quem simplesmente seguia seu ritmo sem conseguir pensar direito no que estava fazendo - ou deixando fazerem; humano ou não, aquele beijo deixava seu espírito inquieto dentro do corpo e tirava seu raciocínio para deixar uma vontade incontrolável no lugar. – Mn-ah-! – um suspiro bem mais alto se desprendeu de repente quando a língua do Capitão, habilidosa e descontrolada como era, prendeu a sua própria com o aprofundar do beijo.
Quando veio o fim, restaram olhares repletos de dúvida e receio, respirações loucas, mas acima de tudo com a certeza do absurdo feito e da intensa vontade de continuar.
Mas Minho era um homem inconsequente - ou talvez apenas um que não se importava - e ele não hesitou em tentar avançar sobre sua boca mais uma vez; inesperadamente, Taemin estava pronto para deixar; entretanto, um barulho alto na porta roubou, num estalo, de imediato sua atenção. Com olhos arregalados, os dois avistaram um dos piratas da tripulação estatificado palidamente na abertura da porta.
- Kibum? - Minho tentou dizer primeiro, pronto para se erguer e levantar a voz para marujo quando, impedindo-o, o rapaz de olhos felinos empunhou a espada e fez-se em uma expressão nada amigável.
- Quem é você?... Você não é o Capitão! - foi quando o moreno percebeu que havia retirado a peruca e o bigode falso e Kibum já os havia notado no chão.
- Eu... Posso explicar. - ele tentou, mãos erguidas sem proteção sem o alcance de sua própria espada que havia deixado de lado para se aproximar de Taemin. Kibum poderia avançar e tirar-lhe a vida simplesmente, porque era um traidor e ele sabia agora, mas, em vez disso, ele deu as costas e antes que Minho pudesse impedir ele havia saído e trancado a porta do lado de fora. Minho tentou abrir mesmo sabendo que seria inútil, e deu de ombros. - Merda.
- E agora? - foi quando Taemin finalmente falou, rosto escondido na maior parte pela beirada de onde estava - veja bem, o que fizeram não havia lhe desaparecido da mente - e não o faria tão fácil, e ele estava extremamente embaraçado pela situação, de como havia se comportado e de como sabia havia se sentido.
Minho deu de ombros outra vez.
- Não se preocupe, não faz realmente diferen- - em seu caminho de volta, sua voz foi cortada por um balançar suave da estrutura do galeão. Em seguida, em conjunto do piscar de todas as lamparinas do cômodo, vieram a seus ouvidos passos muitos passos apressados através da proa e foi quando os gritos começaram. Ele suavemente sorriu, sentiria falta da Fênix, sua princesa, então ignorou os sons cada vez mais intensos – elas já deveriam estar descascando a madeira do navio com suas próprias garras afiadas sem piedade naquele tempo - e continuou a voltar seus passos até o tritão de olhar de repente preocupado, mais uma vez sentando-se a sua frente. - Eles já devem estar aqui, seu povo, eu já previa esse momento. - seu sorriso parecia tranquilo, mas o coração do menor de repente pareceu se comprimir, como ele podia ter feito tudo isso para aceitar um fim com sorriso no rosto? Minho percebeu em seus olhos a preocupação espontânea e sorriu para o rapaz, atrevendo-se a acariciar seus fios um instante. - Está tudo bem, eu já fiz o que queria, revi você e devolvi o que é seu... Por algum tempo, isso era tudo o que eu queria, mas no fim eu recebi muito mais. Estou feliz.
Ele observou o teto de seu navio, sua feição de fato era calma e Taemin não sabia se ele estava sendo verdadeiro ou era só para não alarmá-lo, porém ele viu que não interessava - bastou-lhe apenas segundos de pensamento para que decidisse não ser como ele, decidisse ser complacente.
- E você vai apenas aceitar isso assim? - seu tom agora era mais insistente e irritado do que para baixo. E, de novo, Minho sorriu.
- Está tudo bem, realmente, eu aceitei isso há muito tempo. - voltou seus olhos aos dele, seria uma boa lembrança na eternidade ter aqueles olhos por tanto tempo apenas para ele, Minho pensou, tão bonito... - Você pode ir agora, Taemin. Está livre para partir.
- Não... Você aceitou isso, mas eu não. - uma intensidade de sentimentos inflou o peito do tritão com força, deixava-o com raiva, com receio misturado a preocupação, e medo de perder para sempre aquele tipo de sensação que havia experimentado minutos atrás, ele não queria perder aquele bem estar intenso, queria de novo e queria mais e... Toda a mistura explosiva dentro de seu peito despertou em forma de fúria e suas garras apareceram, seu rosto se tornou rude cheio de riscos e seco e ele mergulhou de repente, virou-se contra a parede interna da beirada extrema do aquário e a força em suas garras foram o suficiente para destruir completamente um pedaço da madeira de tamanho bastante para que passasse – ele sabia, apenas um incentivo muito grande fazia as sereias se transfigurarem para guerra.
Começando imediatamente a receber a água salgada de fora para dentro por pressão, soube que o navio não demoraria nada a afundar. Taemin rapidamente voltou à superfície dentro do galeão e encarou Minho com pressa e exaspero, seu rosto já de volta ao normal.
- Venha comigo. - ele pediu. Minho estava tão imerso na imagem tão bela do outro o estendendo sua mão que mal percebeu os socos na porta do cômodo pela parte externa e em segundos a água a partir da piscina planejada para abrigar o tritão anteriormente começou a submergir e rapidamente alcançou suas pernas sentadas, subindo cada vez mais para afundar o navio por definitivo.
- Para onde? - tudo o que conquistou estava prestes a afundar. - O que me fez continuar foi meu objetivo de encontrar você, Taemin, não tenho mais por que viver.
- Para um lugar onde eu possa te encontrar novamente. - ele respondeu com pressa. - Você já sobreviveu antes, Minho, sobreviva de novo, sim? Você quer um objetivo? Fique vivo... Por favor. Por mim.
Ainda custou-lhe um minuto antes que a porta fosse arrombada com força por, Minho viu de relance, Jinki, quem tinha uma feição de raiva, quando o moreno decidiu-se por ceder - o que diabos ele não fazia por Taemin afinal, huh?
O marujo parou os passos em surpresa quando a criatura segurou o cabelo do Capitão e o beijou; e segurando sua mão, Taemin deixou seu corpo cair para trás, firmemente preso ao corpo do moreno, ele os passou pela abertura no casco do galeão facilmente e a última coisa que se soube foi o navio perecendo lentamente, sereias e tritões zangados, gritos de agonia, Jinki praguejando o forasteiro falso e os dois em direção à imensidão azul do mar aberto.
Diz a lenda que o beijo de uma sereia é tão poderoso que dá ao homem a capacidade de respirar embaixo d'água; se apenas seu beijo era capaz de tamanho poder, do que não seria capaz a pessoa que guardasse para si seu amor verdadeiro.
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Notas finais: Caracaaa, terminei isso no limite '-' Espero que não tenha desviado do que a pessoa que mandou o plot queria, espero que goste, ^^ Eu gostei de escrevê-la e de participar da Fest mais uma vez~
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Plot enviado: #206 - (Protagonista 1) era um pirata temido pelos sete mares, achava-se à prova de qualquer perigo, autodenominava-se invencível e não haveria alma viva capaz de derrota-lo. O capitão recebe um desafio que todos diziam ser impossível de vencer: atravessar as traiçoeiras águas cristalinas do Vale dos Gritos, um pedaço isolado do oceano Atlântico, e capturar um dos seres mais temidos das águas. Uma Sereia. (Protagonista 1) diz ser besteira, que não havia porque ter medo de seres cantantes com rabos escamosos, mas o que aconteceria caso ele se encantasse mais que o recomendado por sua mais nova aquisição? (Protagonista 2) poderia ser realmente atraente fora da água e sem uma calda de peixe.
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Sinopse: Jinki sempre fora cético, racional, e tinha namoros calculados. Não acreditava nessas bobagens de alma gêmea ou lendas urbanas bobas, até que conheceu Kim Kibum, e, de repente, sua vida estava cercada de sonhos estranhos e preocupações inesperadas.
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Your love was handmade for somebody like me
Lee Jinki respirou fundo, apertando a mão de mais um estagiário que não seria contratado, e olhou para as outras pessoas na sala com a expressão fechada. Assim que a porta fechou, guiando o penúltimo rapaz para fora da sala, ele gemeu alto, soando irritado, e jogou as mãos para o alto.
– Eu preciso realmente fazer parte disso? – Reclamou – Não é como se Choi aqui não soubesse selecionar as pessoas; ele é chefe do Rh, pelo amor de Deus!
Choi Minho, sentado um pouco mais a frente, corou levemente de orgulho, mas logo depois sorriu para o chefe.
– Fico extremamente feliz que confie na minha capacidade de julgamento, mas ainda assim creio que esses profissionais devem ser selecionados por você, senhor.
– Viu – Taemin comentou, rolando os olhos para o irmão mais velho – Estamos tentando fazer o nosso melhor aqui, Jinki! – O mais velho notou a falta do ‘hyung’, o que indicava certa irritação do mais novo – Por favor, sabe que precisamos de sua aprovação para continuar.
– Que papel eu assino para não precisarem mais da minha aprovação?
– Por favor – Taemin ignorou o outro, sorrindo para o segurança na porta –, chame o último, pode ser?
Jinki respirou fundo, vendo o irmão sorrir para Minho enquanto conversavam baixo sobre os candidatos. Taemin era seu irmão mais novo e se envolvia com a parte administrativa da empresa tanto quando ele, herdeiro oficial da empresa. A Lee Industries tinha começado com o pai deles, um engenheiro que tinha o sonho de ver a Coreia funcionando da forma mais simples com energia natural, em uma época em que se preocupar com o ambiente não era tão bem visto; ainda assim, cavou seu lugar como uma das pioneiras a fornecer energia natural aos que se interessavam.
Assim que a empresa caiu nas mãos de Jinki, quando seu pai decidira se aposentar e morar no interior com sua mãe, ele viu uma ótima oportunidade de não só se preocupar com os recursos, mas o estilo: a Lee Industries se tornou um mix bonito de tudo que poderia englobar energia natural. A empresa tinha sua sede, o prédio mais antigo, na Coreia do Sul, ainda responsável por maior parte das descobertas e invenções, e tinha várias filiais espalhadas pelo mundo, dedicadas desde consultoria a grandes empresas para transformar seus prédios em ecologicamente corretos até grandes projetos de educação ambiental. Ele, em particular, apesar de formado em engenharia ambiental, preferia a parte administrativa da empresa. Já Taemin gostava de trabalhar a parte de supervisão interna da empresa. Então, os irmãos se completavam nesse aspecto.
– Jinki hyung? – Taemin reclamou, notando a distração do outro – Kibum-ssi vai começar.
Só então ele se virou para ver o rapaz bonito parado com uma apresentação de Power Point aberta. Ele estava usando calça jeans e blusa – já o diferenciando de todos que tentaram usar terno –, junto com o jaleco branco habitual.
– Seu nome? – O mais velho perguntou, vendo Taemin xingar baixo ao seu lado. Aparentemente isso já tinha sido dito.
– Kim Kibum – O rapaz respondeu mesmo assim, em sua voz surpreendentemente grave – Completei meu primeiro ciclo como estagiário aqui agora.
O estágio na Lee Industries era um processo diferenciado: os aspirantes começavam trabalhando por um período de 3 meses não-remunerados. Isso tinha começado quando o Sr. Lee, com uma empresa pequena, precisava de estagiários, mas não podia bancá-los. Continuou por tradição. As pessoas selecionadas recebiam apenas transporte e alimentação, ambos da própria empresa. Depois de uma apresentação para a equipe, que consistia nele (infelizmente), Taemin e Choi Minho, chefe do setor de Rh, e de um relatório detalhado do chefe do setor que a pessoa trabalhava, ela passava para o segundo ciclo, dessa vez já remunerada, porém não fixa. Depois de 3 meses, passavam novamente por uma segunda avaliação e, depois disso, poucos acabavam selecionados para trabalharem de verdade na Lee Industries. Ou da Coreia ou de qualquer filial do mundo.
– Hum, curioso para saber se vai ter salário agora, Kibum-ssi? – Jinki perguntou com um sorriso sarcástico.
– Não – O estagiário corou profundamente – Quero saber se vão gostar da minha ideia.
– Ótimo – Taemin sorriu amigavelmente – Pode apresentar, querido.
Kibum apresentou rapidamente um slide; ao contrário de muitos, não surgiu com uma criação própria, e sim com um modelo de coletor de energia eólica para casas pequenas que tinha sido abandonado há alguns meses, por ter produção extremamente cara e não ser tão facilmente rentável.
– Achei que o projeto tinha futuro com algumas alterações – explicou rapidamente, definitivamente estava nervoso – Perguntei a Chanyeol, er... Ao chefe do meu setor, e ele disse que ninguém conseguiu ter uma ideia boa para aprimorá-lo e que... Bem... – Ele olhou em volta, soando mais nervoso – Enfim, eu tive muitas ideias.
– Eu que barrei esse projeto – O Lee mais velho disse – Ninguém conseguiu me convencer a não fazê-lo. Nem mesmo seu supervisor. Ele é formado por onde mesmo? MIT? Você já é formado? – O rapaz negou – Está por qual?
– KAIST – Kibum corou ainda mais, se fosse possível – Eu... Eu...
– Estou intrigado.
Kibum assentiu e continuou a apresentação, apontando todas as falhas que encontrou no modelo anterior, algumas que a própria equipe da empresa não tinha identificado, e depois enumerou tudo que poderia ser feito não só para diminuir os custos, como para tornar o produto mais acessível ao consumidor classe média, uma dificuldade de empresa. Claramente a confiança dele foi aumentando, sua voz parou de tremer, e ele respondeu a todas as dúvidas com firmeza.
– Certo, isso foi ótimo, Kibum-ssi. Creio que todos concordam – Minho sorriu para o estagiário, apertando sua mão.
– Foi ótimo. Acho que Park te enviou por último, pois sabia que terminaria com chave de ouro – Taemin comentou, também apertando a mão do outro.
Kibum se curvou para os dois e se virou com a mão esticada para o Lee mais velho. Até então, essa situação acontecera ao final de todas as apresentações e, mesmo assim, Jinki tinha deixado a mão do estagiário no ar. Viu Taemin arregalar os olhos e se mover para ficar entre eles, porém Jinki foi mais rápido: sem entender realmente o que tomou conta de si, apertou firmemente a mão do outro.
Risos encheram o quarto. Os dedos do mais velho estavam deslizando por uma pele macia da cintura esguia, enquanto via o outro se contorcer rindo à sua frente.
– Por favor – O outro tentou, mas foi impiedoso, continuando o ataque de cócegas até que o outro ficasse sem ar em seus braços. Estava rindo junto, até que seus olhos caíram sobre o rosto do outro: olhos brilhantes de risos, rosto corado pelo esforço de tentar fugir, um sorriso brincalhão nos lábios bonitos. Foi inevitável inclinar-se sobre o corpo bonito e colar seus lábios aos do mais jovem. Um gemido surpreso quase fez com que se afastasse, mas mãos ansiosas acharam seus fios de cabelo, trazendo-o para perto. Deixou seu corpo relaxar contra o do outro, aproveitando a intimidade que seus corpos nus tinham quando estavam próximos.
– Jinki hyung?
– Jinki-ssi?
Piscou, e tudo estava de volta ao normal. Sua mão estava prendendo a de Kibum, que o fitava com olhos arregalados. Finalmente prestou atenção no rosto do outro: maçãs de bochechas altas, uma franja de fios negros cobria olhos felinos e profundos, nariz bonito do tamanho ideal para completar seu rosto. Tinha a pele macia – notava com o tato e só de perceber a pele bonita a sua frente.
– Perdão – soltou a mão, colocando as suas no bolso logo em seguida – Estava pensando sobre seu projeto. Incomum jovens estagiários aparecerem aqui com uma reformulação de algo que descartamos como prova de que podem continuar na empresa. Normalmente tentam se mostrar como pavões.
– Oh, não sei se consigo ser como um pavão – Kibum deu de ombros, olhando para Taemin com um sorriso incerto.
– Er – O Lee mais jovem assentiu lentamente – Então, está dispens-
– Está contratado – Jinki disse, seus próprios olhos pequenos jamais deixando o rosto do outro. Viu a expressão ir de educada a surpresa em segundos.
– Hum?
– Jinki, o que está fazendo? – O Lee mais novo sorriu ao estagiário e puxou o braço do irmão – Hyung!
– Não me importo – Jinki deu de ombros – Kibum-ssi está dentro. De resto, podem chamar quem quiserem, tenho mais o que fazer.
Retirou-se da sala sem olhar para trás, sem pensar na expressão absurdamente confusa de Kim Kibum segurando sua mão, ou nesse devaneio louco que tivera. Sentia os próprios dedos formigarem quase como se estivera ali. Quase como se fora ele, mas não lembrava de nada parecido com aquilo. Será que em algum momento tinha bebido a ponto de simplesmente não lembrar algo assim?
Mas com certeza lembraria. Sentiu o coração aquecer ao lembrar-se do riso; não teria como deixar aquele momento em específico escapar de sua corrente de memórias. Enfim, não tinha como deixar sua vida parar por nada assim, era importante que focasse em seu trabalho. Tinha reuniões e não poderia ficar pensando em bobagens como aquelas.
Kibum estava sentado na beirada de uma janela que não conhecia. Pés para fora, braços abertos. Jinki correu para ele assim que o viu, envolvendo a cintura esguia com seus braços e puxando-o para perto.
– Você quer me matar do coração?
Não foi Kibum quem o fitou de volta.
O grito ecoou pela sala. Jinki sentou-se com a respiração acelerada e olhando em volta no próprio apartamento vazio. Tinha uma varanda que ficava logo à frente do sofá, a porta aberta deixando uma brisa fria entrar. Calmamente, foi até a cozinha, pegou um copo de água e seus pensamentos foram para o estagiário de mais cedo. Qual mesmo o nome dele?
Kim Kibum.
Não sabia exatamente o que estava acontecendo e não se importava. Talvez o outro fosse realmente bonito o bastante para causar uma impressão nele; definitivamente era o tipo de homem por que Jinki normalmente iria se interessar, caso não fosse funcionário da Lee Industries. Pegou alguns contratos para analisar e não percebeu que, no canto de um papel de anotações, desenhou exatamente o mesmo protótipo que Kibum tinha apresentado mais cedo.
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– Gosto quando você acha um tempo para os meros mortais – Jonghyun comentou quando Jinki entrou em sua própria sala uma semana depois.
Lee deu de ombros, levando uma mão à testa. Queria correr os dedos por seus fios de cabelo, mas eles estavam cuidadosamente arrumados, e tinha reunião no primeiro horário – ou achava que tinha.
– Jong? E hoje?
– Oh, nenhuma explicação sobre o motivo de você ter me largado desmarcando um dia inteiro de compromissos do nada ontem? Ok, consigo viver com isso – O outro reclamou – Visita com dois investidores chineses com tour pela fábrica.
Kim Jonghyun era seu secretário pessoal há, pelo menos, 5 anos. Atualmente os dois já nutriam uma boa amizade que permitia esse tipo questionamento e cobrança, mas mesmo assim Jinki não conseguia explicar para o outro que tinha faltado, pois há 5 noites não dormia direito e precisou apelar a remédios fortes. Acontece que ficar sem dormir para Lee Jinki era praticamente modus operandi, mas algo agora era diferente. Não ficava acordado com o nariz preso em contratos, mas sim tendo sonhos estranhos e pensando no estagiário que nem deveria mais se importar com ele, além do fato de que era CEO na empresa em que trabalhava. Mas mesmo assim aqueles olhos felinos o perseguiam dia e noite.
– A vida tem dessas. Quando eles chegarem, me avise. E depois?
– Reunião naquele restaurante que você adora, mas para café da manhã.
– Obrigado, Jong.
O rapaz abaixou o tablet no qual conferia a agenda do outro e o fitou diretamente, com uma expressão preocupada.
– Em todos os meus anos trabalhando aqui, a única vez em que você faltou foi quando seu pai precisou ser internado no hospital. Algo errado?
– Estresse, Jong, só isso.
O outro pareceu considerar um pouco e então sorriu, parecendo incrédulo.
– Você está sempre estressado. Mas enfim, se não quer me dizer, vou te deixar sozinho agora.
Não ouviu nem ao menos a porta abrir e fechar. Um dia longe da sua sala já parecia uma eternidade. Até mesmo quando viajava, acabava vendo aquela sala em conferencias de vídeo com Jonghyun ou Taemin – raramente ficava longe do local. Era simples: uma enorme janela que poderia ficar completamente escura, se quisesse, mas agora mostrava a paisagem de fora; uma mesa, cadeira e um sofá posicionado ao canto, na frente de uma mesa de centro. Esperou a hora da reunião, tentando se concentrar em alguns contratos, e teve que se concentrar extremamente para falar o chinês que estava tão acostumado há tanto tempo já. Como sempre, levou os investidores apenas para os laboratórios mais interessantes, normalmente os que envolviam ou muitas contas nos quadros, ou testes físicos, mas notou seus pés fazendo o caminho involuntário para um setor que mostrava pouco.
A empresa era completamente dividida em vários mini-setores de grandes departamentos, e agora estava se dirigindo ao setor C do departamento de desenvolvimento, quando normalmente só mostraria o A.
Seus olhos caíram na figura de Kibum assim que entrou na sala. O rapaz estava concentrado em alguma coisa na mesa, usava óculos, redondos, e-
– Jinki-ssi? – Park Chanyeol se curvou, parecendo pego de surpresa.
– Olá, Park-ssi, como está? – Jinki sorriu para ele. Gostava de Park Chanyeol, o setor dele era o terceiro melhor do departamento, mas ele era um dos melhores supervisores, comprometido, logo passaria para o B – Pode nos explicar o que estamos fazendo hoje? Em chinês?
– Claro – Park disse em um chinês claramente enferrujado, porém entendível – Estamos desenvolvendo melhor aquela ideia do conversor de energia eólica caseiro, aprimorando os cálculos que o Kibum-ssi fez, já que Jinki-ssi nos disse para focarmos nesse projeto.
– Pode explicar os processos passo a passo?
Assim que Park Chanyeol se distraiu mostrando aos investidores exatamente o que seria aquele equipamento, Jinki tomou a liberdade de se distanciar, já conhecendo aquela explicação, e indo parar diante da mesa de Kim. Outras pessoas trabalhavam em alguma parte do projeto, mas o posicionamento da mesa de Kibum tão próxima a do supervisor demonstrava que os dois estavam diretamente envolvidos nas partes do projeto.
– Parece concentrado.
O rapaz tomou um óbvio susto, olhou para cima em velocidade recorde e então deixou o lápis que usava cair na mesa e se curvou.
– Perdão, Lee-ssi, não te vi entrar aqui.
– Jinki.
– Oi? – Ele o fitou, os olhos levemente arregalados.
– Gosto que me chamem de Jinki. Lee parece meu pai – Explicou com uma calma incomum – Vejo que estão continuando o projeto que você apresentou.
O rosto do outro adquiriu um tom avermelhado quase orgulhoso quando ele assentiu, um sorriso discreto em seus lábios.
– Obrigado, Jinki-ssi! Fiquei muito feliz de poder continuar nele.
– Foi uma boa apresentação, uma ótima ideia – deu de ombros – Agradeça a si mesmo.
Jinki gostou quando o sorriso do outro realmente se abriu – era maravilhoso. Genuíno como há muito não sorriam para Lee. Ele vivia no mundo de investidores e pessoas ricas, estava habituado a sorrisos falsos e pessoas que só se importariam com ele enquanto mantivesse o mesmo status. Kibum levou os dedos para arrumar os óculos no lugar, e seu jaleco correu um pouco, revelando algo muito roxo no pulso do outro. Intrigado, Jinki esticou a mão para segurar, perto do cotovelo do outro, e ver melhor.
Dedos longos seguravam os seus enquanto corriam pela praia. Os risos eram divertidos, não se importavam se estavam na água ou não, molharam os sapatos com tênis. Mas estava valendo a diversão. O dia não estava aberto, nuvens densas cobriam o céu, e a água estava gelada. Nenhum dos dois tinha casaco. Ninguém precisava de um, podiam se proteger da chuva e do frio no braço dos outros, como sempre faziam. Era para aquilo que tinham braços, afinal de contas.
– Jinki-ssi?
Lee recuperou-se rápido, a tempo de perceber os olhos arregalados do outro e como seus dedos estavam segurando firmemente o braço do rapaz, expondo ainda mais o pulso arroxeado.
– Está tudo bem? – Perguntou imediatamente, afrouxando um pouco o aperto da mão e tentando trazer o machucado para mais perto, para ver melhor, porém o outro puxou o braço com certa violência.
– Sim – A expressão séria e reservada não combinava com o rosto bonito do outro, decidiu.
– Não parece.
– Eu malho – explicou um pouco rápido demais – Machuquei o pulso tentando pegar um peso que achei que conseguia, mas era muito pesado.
– Coloque gelo – Jinki assentiu, decidindo aceitar a história – Aqui na enfermaria tem tiras de gelo que servem para essa situação, já que é comum as pessoas do carregamento se machucarem assim.
Kibum assentiu lentamente, segurando o pulso ainda firmemente contra o próprio peito, e seus óculos escorregaram um pouco pela ponte do nariz.
– Não usava óculos na apresentação – O CEO comentou, olhos presos ao pulso do outro ainda.
– Oh, achei que ficava mais... Menos – deu de ombros – Não sei, me aconselharam a não usar. Pareço mais novo com ele.
Jinki negou suavemente, percebendo com o canto dos olhos que Park estava acabando com a dupla e que logo teria que continuar trabalhando.
– Não acho, fica parecendo mais... – Piscou, notando a falta de palavras por um segundo, até que escapou por seus lábios – Bonito.
Kim piscou algumas vezes, surpreso, mas não parecia exatamente irritado. Jinki balançou a cabeça: era extremamente inapropriado se comportar assim com um funcionário. Sabia que não era sua intenção, mas soaria quase como se tivesse se aproveitando da sua situação para chamar a atenção de um estagiário.
– Encaixa bem com seu formato de rosto, digo – continuou, sentindo seu rosto queimar um pouco, como não acontecia há anos.
– Sim – Kibum disse lentamente, sorrindo um pouco sem graça – Obrigado.
– Talvez eu tivesse te levado mais a sério com os óculos, digo – continuou, até que reconheceu que era hora de abandonar aquele assunto. – Eu-
– Jinki-ssi? – Park perguntou, em coreano – Acho que é isso. Quer que o Kibum fale algo?
Jinki não comentou a falta de qualquer tipo de pronome; afinal, ele mesmo mandava as pessoas pararem de falar, às vezes, então apenas negou. Queria mandar Park continuar com a visita e ficar ali conhecendo mais aquele rapaz, não entendia exatamente como poderia ter tanto interesse assim por alguém que conhecia pouco; mesmo que o físico fosse atrativo, era incomum se apegar tanto a funcionários. Existiam tantos outros homens que poderia achar bonitos e que não iriam processar a empresa por assédio sexual caso tentasse flertar com eles. Qual o problema com Kibum?
– Tudo bem, chinês é complicado e não sei-
– Espero que tenham gostado do projeto – Kibum falou em um chinês perfeito quando os investidores se aproximaram – Estamos dando nosso melhor para que fique tudo perfeito.
Enquanto o CEO tentava esconder sua clara surpresa, ouviu Park rindo ao fundo e percebeu que os investidores estavam parecendo bem satisfeitos com esse acontecimento.
– Consegui perceber isso – um deles disse, olhando Kim curiosamente – Tem quantos anos?
– 23.
– Jovem – replicou, mas sorriu – Uma arma que você achou. Se com essa idade ele tem dias assim... – o chinês disse para Jinki e então olhou novamente para Kim – KAIST?
– Sim, senhor.
– Bom, faça uma especialização logo, criança – ele comentou.
Todos foram se dirigindo para a saída da sala, mas Lee se viu obrigado a olhar o estagiário mais uma vez, sabendo que teria poucas outras oportunidades.
– Bom chinês.
– Obrigado, Jinki-ssi! – E se curvou.
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– Você tem sonhos estranhos?
A pergunta pareceu pegar Lee Taemin de surpresa, fazendo-o fitar o irmão mais velho com a testa franzida.
– Estranhos? Quer dizer, pesadelos, algo assim?
– Não, só estranhos – Jinki recostou na cadeira, levando as mãos para cobrir o rosto – Quase como lembranças, mas que não lembra exatamente de ter vivido.
O irmão mais novo deixou o tablet descansar em seu colo, fitando o outro com uma expressão séria.
– Eu não – sorriu delicadamente – Mas, me diga, esses... Sonhos acontecem só quando você está dormindo?
– Não. Minha mente está sempre vagando para esses sonhos. É só eu parar um pouco... Sabe? Quando sua mente fica vagando por ideias, até que chega a momentos que não viveu, e então você se percebe sonhando acordado?
– Sonhar acordado acontece comigo – ele sorriu um pouco –, mas não são estranhos.
Jinki levantou-se, parecendo frustrado e começou a dar passos pelo cômodo. Estavam no apartamento do mais novo, esperando a chegada de seus ternos para se trocarem e irem direto para um evento na empresa. Era bem menos formal do que estava acostumado, mas costumavam fazer festas para os funcionários quando atingiam as metas do mês, e era uma das coisas que fazia com que todos fossem focados durante todo o período. A verdade era que Jinki facilmente passaria a oportunidade de ir, mas Taemin insistia. Dizia que era importante que fosse envolvido no dia a dia da empresa, além de apenas trabalhar administrando planilhas e fazendo reuniões com pessoas que veria só uma vez.
– Não sei se estranho foi a palavra certa... Estranho para mim. É quase uma fixação bizarra.
– Devo ficar preocupado?
– Eu nunca tive sonhos românticos – Jinki falou friamente – Nunca mesmo. Meus sonhos sempre foram pesadelos ou focados em dinheiro.
– E agora você tem? – Existia um sorriso ameaçando se mostrar nos lábios do mais novo.
– Aparentemente. Eu não sei o que tem de errado comigo.
Lee deixou o tablet na cadeira quando se levantou e foi até seu irmão, tocando-o suavemente no braço.
– Eu sei o que tem de certo – Taemin disse, olhos intensos demonstrando tanta verdade – Não sei o que está sonhando, mas sei que sempre tive medo que terminasse sozinho. Que todos, inclusive eu, achássemos alguém, e você fosse se separando cada vez mais e deixando sua vida ser definida em encontros rápidos e sentimentos vazios. Estou feliz que não vá ser assim. Estou feliz que agora, mesmo que depois de tanto tempo me preocupando, esses sonhos tenham finalmente chegado.
– Tae-
As batidas na porta interoperam a linha de raciocínio do irmão mais velho, mas não do mais novo, que antes de se encaminhar para abrir a porta, deu um abraço caloroso no outro.
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A festa estava tão chata quanto sempre foi, até os olhos de Jinki acharem Kibum na multidão. O rapaz estava sentado com algumas pessoas, incluindo Park Chanyeol, o que fez com que Jinki acreditasse que aquela era a mesa dos engenheiros. Kim parecia um pouco deslocado, mesmo obviamente conhecendo bem a todos da mesa – ele olhava para os lados e para o relógio constantemente. O prato intocado a sua frente também era incomum, não dele, mas dessas festas. Sempre faziam questão de ter comida especial, preparadas por grandes chefs, que nem sempre pessoas com um salário comum teria chance de experimentar.
Ao seu lado, na mesa que tinha ele, Taemin, Jonghyun, Minho e todas as pessoas da parte mais alta da hierarquia de administração da empresa, a conversa acontecia de forma animada, como quase sempre, e ele sentiu-se descolado, como nem sempre acontecia; afinal, aqueles eram seus amigos. Mesmo que não fosse o melhor amigo que alguém poderia ter, aqueles continuavam ali.
– Certo, Jinki?
Ele desgrudou os olhos de Kibum para fitar os outros da mesa quando ouviu seu nome.
– Certo.
Todos riram, e ele não entendeu o motivo. Franziu a testa e fitou Taemin em busca de respostas, mas esse apenas balançou a cabeça com uma expressão suave em seus olhos.
– Meu irmão anda distraído, gente, podem perdoar.
– Ele faltou um dia desses – Jonghyun comentou – Incomum. Tudo certo, chefe?
Seu secretário usou o apelido de forma brincalhona, mas conseguia ver a real preocupação refletida em seu rosto.
– Tudo ótimo – O Lee mais novo respondeu antes que o mais velho tivesse a chance – Ele anda distraído com alguns sonhos – piscou para ele – Acontece.
– Lee Jinki distraído com sonhos? – Minho riu um pouco – Acho que incomum é a palavra da noite.
– Lee Jinki apreciaria se vocês não falassem como se ele não estivesse aqui – o CEO comentou, rendendo algumas risadas – Estava apenas observando os novos estagiários.
– Oh, incomum é realmente a palavra da noite – Taemin disse, agora com a testa franzida – Já quer demitir alguém? Só passou duas semanas, Jinki, pelo amor de Deus.
– Não, eu não – Jinki se virou a tempo de ver Kibum levantar da mesa – Preciso ir ao banheiro – falou rapidamente – Podem falar de mim agora.
E saiu da mesa sem maiores explicações. Foi passando pelas pessoas e ouvindo os murmúrios, todos achando estranho o chefe saindo de sua mesa habitual; afinal, Lee não fazia questão nenhuma de sair “fazendo o social”, como seu irmão dizia (e fazia). Costumava chegar, sentar a sua mesa, e depois de duas horas achar uma desculpa para ir embora.
Mas não daquela vez.
Naquela noite, ele estava dando passos rápidos pelo corredor até encontrar Kibum parado em um deles, sozinho, o celular firmemente pressionado contra o seu rosto.
– Eu já disse: é uma confraternização da empresa – Ouviu-o dizer, soando cansado. – Não tem ninguém aqui fora meus colegas. Você é louco – respirou fundo – Eu já te pedi para sair daí. Não, eu já disse não – o rapaz se virou de frente para a parede, encostando sua testa nela – Eu não vou voltar, então. Dane-se, eu durmo na rua. – Respirou fundo – Como você entrou aí? Eu troquei a fechadura!
Jinki deveria se sentir culpado e sair – fofoca era dificilmente algo que fazia –, mas deu alguns passos para trás, visando voltar um pouco e se esconder na virada de um corredor para o outro.
– Eu te vi, Jinki-ssi – Kibum falou, alto, a testa ainda pressionada contra a parede – Não precisa mudar seu caminho, já estou saindo. Desculpa se precisou ouvir isso.
O rapaz se afastou da parede, claramente forçando um sorriso, mesmo que seus olhos estivessem imensamente tristes. Jinki deveria deixá-lo em paz e ir embora dali. Voltar para sua mesa e aguentar mais algumas horas daquela festa chata. Aquilo definitivamente não era um assunto profissional e não cabia a ele se preocupar.
– Com quem estava falando? – Perguntou e mentalmente bateu em si mesmo.
Kim também parecia pego de surpresa pela pergunta: seus olhos felinos arregalaram um pouco e depois vagaram por algum ponto atrás do CEO. Provavelmente procurando alguma forma de escapar. Claramente essa atitude soava tudo menos amigável, talvez ainda parecesse que o mais velho estava se enfiando em assuntos que não eram seus... O que realmente era o que ele estava fazendo.
Por um segundo, desejou que fossem seus assuntos também, mas nunca admitiria em voz alta.
– Ninguém – ele respondeu, finalmente.
– Ninguém estava na sua casa – Lee disse, assentindo lentamente – E você não o queria lá.
– Eu vou... Ah, creio que não se interessa pelo o que farei, certo? Tem muito mais problemas para pensar que seu estagiário tendo briguinhas no telefone, perdão ficar no seu caminho.
Kibum estava fazendo o caminho para sair, quando Lee o impediu com um braço bloqueando o caminho. Sua mão não tocava a parede, o outro podia facilmente dar a volta e continuar saindo, caso quisesse, e se o fizesse Lee não iria tentar segurá-lo. Mas, ao invés disso, o estagiário lhe fitou diretamente nos olhos agora. Estavam mais próximos, conseguia sentir o perfume de lírios que o cabelo do outro tinha, e quase se aproximou mais e enterrou o nariz nos fios negros.
– Jinki-ssi?
– Seu pulso está melhor? – Murmurou.
Isso fez o outro se surpreender mais uma vez, e então uma sombra de sorriso apareceu nos lábios bem desenhados.
– Está sim, obrigado por perguntar, Jinki-ssi!
– Não vá para casa se tem alguém lá que não deseja encontrar – murmurou – Pode dormir comigo.
Jinki só percebeu o quão errada a conotação de sua frase tinha sido assim que ela saiu de seus lábios, e o rosto do outro assumiu um tom de vermelho profundo, enquanto uma chama quase furiosa aparecia em seu olhar.
– Não! – Exclamou imediatamente – Não literalmente dormir comigo, digo, tenho um apartamento enorme, quatro quartos, pode dormir no quarto de hóspedes. Creio que Taemin também vai para lá hoje, então vai ter mais gente. Além dos empregados, claro.
Kim piscou, ainda parecendo suspeitar de algo.
– Perdoe-me, Jinki-ssi, mas por que exatamente está me oferecendo isso? Agradeço que tenha sido gentil comigo todas as vezes em que nos vimos, mas sei que não é um comportamento padrão. Todos na empresa comentam como é frio e não se importa com o aspecto humano dos funcionários e que isso normalmente é função do Taemin. Mas agora ouviu meia conversa e me oferece um quarto de hóspedes? Parece muito bom para quem simplesmente não se importa.
– Eu me importo com vocês – retrucou –, mas minha função nessa empresa é ser CEO, ou seja, administrar a parte externa e cuidar para que ela continue sendo o que meu pai idealizou que fosse! Imagino que isso possa realmente soar como algo ruim, pois odeio tudo isso – gesticulou para o salão –, mas não significa que não consiga me importar nem um pouco com ninguém.
Kibum pareceu avaliar o que ele disse, uma sobrancelha levantada, a desconfiança ainda pairando no ar. Lee realmente não podia culpá-lo, seria a reação de todos diante de algo assim, mas mesmo assim sentiu-se ficar levemente frustrado. Algo fazia com que ele confiasse o suficiente no estagiário para chamá-lo para sua casa, então a falta de reciprocidade era confusa. Não sobre Kim, tudo estava certo com ele, mas sobre si mesmo: por que exatamente ele se importava? Se fosse qualquer outro funcionário, teria ido embora assim que o viu no corredor, mas algo na presença do outro o fez ficar.
– Sinto muito a desconfiança – Kibum finalmente disse, sorrindo suavemente – Agradeço a oferta, mas sou incapaz de aceitar. Muito obrigado mesmo assim.
E facilmente deu a volta no braço de Jinki e saiu em direção ao salão principal da festa. Se alguém perguntasse, Jinki iria negar completamente que sentiu preocupação naquele momento. Assim como negaria que à noite sonhou com risos suaves, dedos percorrendo seu corpo e um cheiro maravilhoso de lírios o cercando.
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Lee Jinki estava inquieto no escritório, dava passos rápidos de um lado para o outro, e Jonghyun não sabia lidar com a situação. Estava parado ao lado da porta, pronto para avisar que os investidores da China tinham voltado, mas diante do estado do outro se viu incapaz de enfiá-lo em uma reunião.
– Chefe?
– Jonghyun! – Jinki falou como se não tivesse o notado ali, abrindo um imediato sorriso e se aproximando dele – Conhece Kim Kibum?
– Um dos novos estagiários?
– Ele!
– Acho que o vi algumas vezes – assentiu lentamente – Algo errado? Preciso conversar com o Rh?
– NÃO! – Lee praticamente gritou, olhos arregalados como se seu secretário tivesse acabado de sugerir jogar o estagiário pela janela do escritório – Digo, hum... Nunca conversou com ele?
– Não.
– Certo. Eu vou descer, Jong.
Foi até a cadeira, pegando seu terno, o celular e as chaves na mesa.
– Os investidores da China voltaram e-
– Remarque, diga que estou doente!
E saiu pela porta antes que Jonghyun pudesse argumentar algo. O secretário, percebendo a situação na qual se encontrava, respirou e bateu com a mão na própria testa. Não sabia o que o estagiário tinha feito de errado, mas se não valia uma demissão, não entendia realmente o interesse do outro pela situação, afinal, Jinki costumava ser completamente alheio a situações decorrentes de seus funcionários.
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Jinki viu Kibum sentado, vários papeis a sua frente, olhos vidrados enquanto trabalhava. Estava sozinho ali, as outras pessoas do setor C espalhadas por outras mesas, e Park Chanyeol completamente fora do campo de visão. Sentiu um leve alívio ao ver que o outro estava ali; após ter ouvido a conversa quase agressiva que o estagiário tinha tido no telefone, o CEO passou a noite praticamente em claro, pensando em tudo que poderia ter acontecido com o rapaz. Sua mente vagou por várias possibilidades terríveis, o que tinha quase feito com que ele fosse até a empresa mexer nos arquivos do Rh para verificar o endereço, mas isso era passar bastante dos limites.
O riso encheu a sala, enquanto o rapaz corria pela praia a sua frente e se jogava na água fria. Estava muito quente, e nenhum dos dois se sentiu disposto a esperar para trocar para roupas de banho. Correu atrás do outro, rindo também, até que conseguiu segurá-lo em seus braços. Caíram na beirada da praia, uma confusão de braços, pernas e beijos.
Quando percebeu, estava parado na porta do setor B, alguns funcionários olhando de longe, parecendo levemente assustados; afinal, o CEO nunca descia até ali sozinho: ou era arrastado por Taemin, ou apenas com pessoas que estavam visitando a fábrica. Ignorou os olhares, focando no rapaz que ainda não tinha lhe visto. A princípio seu objetivo era apenas vê-lo de longe, ter certeza que estava tudo bem, mas agora percebia que não era o suficiente. Precisava chegar mais perto, ver os olhos felinos, os sorridos delicados...
– Kibum?
O estagiário tomou um susto, se levantando tão rápido e arregalando os olhos quando percebeu seu chefe parado a porta.
– Oi, Jinki-ssi.
– Só Jinki está bom para mim – sorriu para ele – Essas formalidades, às vezes, soam muito perdidas para mim, sabe? Falo com tantas pessoas por causa dessa empresa, de tantos lugares, que tive que me acostumar a não ouvir os pronomes. Taeminie é igual, mas ele ainda tenta.
Kim piscou parecendo levemente confuso com o rumo da conversa, mas deu de ombros.
– Como desejar, Jinki-ssi – riu um pouco sem graça ao perceber o erro – Jinki, desculpa.
– Tudo bem, o que for mais confortável – colocou as mãos nos bolsos da calça, tentando esconder o repentino nervosismo que tomou conta de si – Tudo bem?
– Oh, sim – O estagiário se afastou um pouco e apontou a mesa – Estava fazendo algumas projeções de como poderia ficar as novas versões do coletor de energia eólica. Achamos que mudar o design pode deixar o modelo ainda mais eficiente. Agora que resolvemos o problema do material, pedimos ajuda a equipe de design de produção e-
– Ótimo – interrompeu sutilmente e deu alguns passos para a frente, tentando evitar que outras pessoas ouvissem a conversa, já que todos estava obviamente fingindo trabalhar, mas prestavam atenção aos dois – Perguntei sobre você. Tudo bem?
– Sim, claro – Ele não se afastou, afinal ainda estavam a uma distância segura, mas parecia bastante confuso – Algo errado, Jin-Jinki?
– Fiquei levemente preocupado após ouvir aquela conversa sua na festa. Sua casa estava vazia quando chegou?
O rapaz corou tão profundamente que atingiu um tom de vermelho sangue, e pareceu imediatamente sem graça. Lee não quis dizer nada, mas percebeu que, ao mencionar o telefone, o rapaz escondeu ambas as mãos atrás do próprio corpo.
– Isso não foi nada de mais – explicou rapidamente – Apenas uma briga com meu namorado. Isso é comum, certo? Creio que deve brigar com a sua... Namorada? – Ele hesitou um pouco – Ou namorado – deu de ombros – O tempo todo.
– Sou solteiro.
– Ah, claro, mas já brigou com namoradas, sabe como é.
– Nenhum deles invadiu minha casa – franziu a testa – Algumas pessoas já invadiram minha casa, mas não creio que eu gostasse delas.
– Bom, está tudo bem agora – sorriu suavemente – Agradeço a preocupação, Jinki, mas está tudo bem, prometo.
Lee notou que todos pareciam um pouco desconfiados, afinal estavam sussurrando agora, então se afastou um pouco e sorriu.
– Tudo bem, continue com o ótimo trabalho, Kibum. – Levantou a mão em um aceno mudo para o resto do setor – Continuem trabalhando, pelo visto está saindo tudo melhor que o esperado.
Saiu rapidamente sem nem ao menos notar que deixava para trás um Kim Kibum perdido, mas com um sorriso suave em seus lábios.
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– Eu sei que não está tudo bem.
Kibum praticamente gritou, deixando sua mochila cair e parecendo completamente assustado, até notar seu chefe ao seu lado. Jinki tinha tentado parecer sutil enquanto esperava o rapaz sair da empresa e se encaminhar até o ponto de ônibus.
– Você quer me matar do coração?
– Não, perdão – Lee sorriu para ele, se abaixando para pegar a mochila – Simplesmente senti que estava nervoso demais quando conversei com você, e queria perguntar de forma mais privada. Kibum-ssi – usou o pronome buscando se mostrar o mais formal possível –, se tem alguém atormentando a sua vida, nós podemos te ajudar; não só eu, mas todo mundo da Lee Industries. Pode conversar com Minho, ele é ótimo e já ajudou várias pessoas aqui.
Isso pareceu fazer o outro se acalmar um pouco, olhando em volta de forma quase desconfiada.
– Obrigado pela preocupação mais uma vez, Jinki, mas não tem nada, eu estou bem.
– Se você diz – deu de ombros, e então, depois de um minuto, acrescentou – Deseja uma carona? Meu carro está logo ali e vou naquela – apontou aleatoriamente – direção.
A sorte estava ao seu favor, aparentemente, pois o rapaz demorou quase dois minutos para responder, como se calculasse todas as variáveis possíveis e então respirou fundo.
– Queria dizer não – murmurou – mas a verdade é que chegar em casa mais rápido me ajudaria muito, pois tenho muitas atividades para fazer.
– Levando trabalho para casa? – Perguntou, guiando-o silenciosamente para o estacionamento.
– Sim, e também tenho coisas da faculdade.
Andaram em silêncio até chegar ao carro e, de forma calculada, Jinki se aproximou para abrir a porta do carona para Kim, na mesma hora que o rapaz se mexeu para fazer o mesmo, e assim que seus braços se chocaram, o estagiário soltou uma exclamação de dor e se afastou.
– Eu– Eu-
– Eu não sou idiota – Jinki disse com uma calma fria e se aproximou do outro, tocando delicadamente em seu braço direito e fazendo o outro se afastar rapidamente – Pode não me contar caso não queira, não me conhece e não tem motivo nenhum para confiar em mim, mas sei que tem algo errado. Seu braço está machucado. E eu sei disso.
Lee deu a volta, deixando a porta do carona aberta, e se sentou na parte do motorista. Kim pareceu hesitar, e então entrou silenciosamente no carro. E assim ficaram boa parte do caminho, falando apenas para acharem o endereço no Google Maps.
Eventualmente, Kim olhou em volta do carro e para ele.
– Confio em você – disse calmamente – Não sei exatamente por que, até agora vem agindo como um doido que fica perseguindo estagiários, mas algo me faz confiar em você.
Jinki piscou, mas manteve os olhos na rua. Estava fazendo o caminho mais longo, e sabia que o outro já havia percebido isso.
– Talvez não devesse.
– Talvez – concordou – Mas aparentemente todo esse seu comportamento é apenas por ter percebido que me machuco às vezes – ouviu o suspiro cansado do outro – Mas deveria deixar esse assunto em paz.
– Como poderia? Você não parece em paz.
Kim não teve muito o que argumentar sobre isso, então voltou a não falar nada. Quando chegaram no local, Lee olhou o prédio: era pequeno, poucos andares e parecia muito antigo. Como aqueles que costumava ver em filmes, mas nunca havia morado. Viu que Kibum estava abrindo a porta para sair e foi rápido fazendo o mesmo. Logo estava ao lado do outro, segurando a porta para ele.
– Cheio de surpresas – Kibum comentou, rindo um pouco – Não imaginei nem que dirigia o próprio carro, e agora está abrindo portas para mim.
– Gosto de dirigir, mas tenho um motorista também – fitou o outro diretamente nos olhos – Obrigado por confiar em mim, Kibum.
– Não agradeça, prove que merece – disse calmamente – Obrigado pela carona, Jinki, sei que é muito incomum aceitar caronas do chefe, então essa será a última vez que te tirarei do seu caminho.
– Mas esse parece ser meu novo caminho – comentou, sem nem ao menos saber por quê, lembrando dos sorrisos em seus sonhos e de como a presença do outro parecia tão reconfortante como o amor que sonhava nas madrugadas atualmente – Eu não sei o que é, alguma coisa está me... Me atraindo para você, como um ímã. O que disse na festa é verdade: não me preocupo com ninguém, não me importo, mas algo me fez ficar preocupado com você.
– Nem ao menos me conhece – O estagiário murmurou, soando confuso.
– E nem você, mas mesmo assim disse que confia em mim – sorriu um pouco – Mas não consegue explicar, certo? É alguma coisa que acontece e não tem justificativa, apenas está lá.
Kim olhou em volta parecendo preocupado.
– Sim, mas isso tem que parar, seja lá o que for – deu alguns passos para trás – Não quero que achem que só consigo qualquer coisa na empresa por sua causa.
– Então podemos criar uma regra: eu te dou carona todos os dias, até te ajudo com a faculdade, mas não falo com você na empresa, nada além do profissional.
– Por quê?
– Porque como disse: não te conheço, mas quero. A melhor forma de conseguir isso é podendo conversar. Entendo perfeitamente e concordo que a empresa não é o ambiente ideal, mas as caronas podem ser divertidas. Só precisa dizer que sim; caso diga não, sumo da sua vida.
Isso fez o outro franzir a testa, parecendo realmente confuso demais com alguma coisa. Demorou quase um minuto até que perguntasse em um sussurro.
– Se eu dissesse não, ia conseguir sumir da minha vida?
– Em âmbito pessoal, sim. Mas continuaria sendo seu chefe.
– Mesmo?
– Claro, Kibum-ssi, por que deveria continuar te abordando dessa forma se sei que minha presença não é bem-vinda?
Isso fez o outro sorrir. Era um sorriso diferente de todos que tinha visto até agora: não era muito educado, nem para aparências, nem agradecido, era apenas grande. Brilhava tanto que brigava com a luz do sol, mas essa já tinha perdido o espaço para a luz emanando dos olhos castanhos.
-– Sim. E me chame de Kibum.
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Jinki estava com o carro parado na frente do prédio quando viu Kibum sair. Estava acompanhado de mais duas pessoas, Park Chanyeol e uma menina, provavelmente do seu setor, que conversavam animadamente. Não disse nada, apenas continuou encostado à porta do passageiro e esperou até que os olhos felinos o achassem por trás dos óculos. Quando aconteceu, sentiu um sorriso inesperado surgir nos próprios lábios e notou uma expressão quase surpresa no outro. Kibum parou de andar e se virou para os outros dois, gesticulando rapidamente, e então acenou, encaminhando-se diretamente para o carro do CEO, que se afastou e abriu a porta do passageiro.
– Seu braço está melhor?
– Sim – Kibum entrou no carro e olhou para ele – Achei que não ia estar aqui.
– Eu disse que estaria – Jinki fechou a porta e então acenou suavemente para os outros dois funcionários, dando a volta no carro e entrando no lado do motorista – O que disse a eles?
– Disse que você ia me levar para ajudar na avaliação de alguns materiais de um outro projeto – deu de ombros – Não sei se acreditaram. Talvez você devesse me pegar no estacionamento.
Lee suspirou, manobrando o carro. Não gostava da ideia de que não poderia falar abertamente com Kibum, mas ao mesmo tempo entendia como poderia soar uma aproximação aos outros.
– O que tinha acontecido com seu braço? – Perguntou suavemente.
– Eu me machuquei levantando peso – Kim retirou os óculos, limpando as lentes na própria blusa – Já disse que talvez devesse deixar esse assunto para lá.
– O assunto de você estar constantemente machucado? – O CEO virou para fazer o caminho mais longo, como havia feito no primeiro dia – Então sobre o que deseja falar?
Kim franziu a testa por um tempo e então sorriu para ele.
– Qual sua estação do ano preferida?
– Inverno.
– Outono – e o fitou como se esperasse alguma coisa. Demorou alguns segundos até Lee entender e sorrir um pouco.
– Sol ou chuva? – Perguntou suavemente.
– Neve.
O dia estava frio quando se viram pela primeira vez – ele carregava flores nas mãos trêmulas e lágrimas caíam pelo seu rosto. O local não era digno de primeiros encontros, mas mesmo assim algo o atraiu até aquele rapaz em pé diante da cruz simples e hesitando ao colocar as flores na lápide. Era uma mulher. Jung Chohee. Segundo as datas marcadas no mármore, tinha 75 anos quando fora levada para lá. Silenciosamente depositou uma de suas próprias flores por cima do nome bonito. O rapaz lhe deu um olha de quase gratidão.
– Jinki-ssi?
O CEO piscou, ouvindo buzinas dos outros carros, e percebeu que tinha parado em alguma sinaleira que já estava verde novamente. Acelerou o carro, dando uma olhada suave para o rapaz ao seu lado, que parecia levemente preocupado, então disse:
– Chuva. Quando era criança, costumava fugir de casa quando chovia. Tinha um rio por perto, ia para lá, mergulhava na água, já molhado, e era uma ótima sensação. Minha mãe odiava.
Kim riu um pouco, balançando a cabeça.
– Nunca tomei banho em um rio, nem em mar, sendo sincero. Sempre estive aqui – deu de ombros – Nunca sai daqui. Seoul.
– Mas tem praia aqui – murmurou – Sua família nunca quis te levar para lá?
– Minha família nunca foi muito de tirar férias, sabe? Viagens, saídas em família, nem nada do gênero.
– E seus amigos? Quando Taemin era mais novo, viajava com os amigos constantemente.
– Nunca tive muitos amigos – deu de ombros – Taemin viajava? E você?
– Eu sabia que quando assumisse a empresa como CEO ia ser obrigado a viajar o tempo todo, então preferi aproveitar a estabilidade enquanto a tinha – deu de ombros – Sempre ficava aqui.
– Acho que você acertou, então, embora viajar deva ser bom.
– Se você tem tempo de passear e conhecer tudo, sim, mas eu sempre estou correndo – deu de ombros – Tem aula hoje?
– Tenho aula todos os dias, pego o máximo de matérias que consigo encaixar – explicou suavemente – Preciso acabar logo a faculdade.
– Algum motivo especial?
– Quero sair daqui, Jinki – Kibum encostou a cabeça no banco do carro, o corpo todo virado na direção de Lee – Queria fazer intercâmbio, mas achei o estágio na Lee Industries, e isso já é algo muito bom para meu currículo. Quando acabar a faculdade, farei minhas malas e irei embora.
– Já sabe para onde?
– Provavelmente Estados Unidos – deu de ombros – Ou Inglaterra. Mas Inglaterra tem um custo de vida mais alto – fechou os olhos – Eu só vou sair daqui.
Jinki ia questionar quando percebeu que tinha chegado em frente ao prédio do outro, então encostou o carro, desligando-o em seguida. Tirou seu cinto e se sentou da mesma forma que o outro, cabeça pressionada contra o encosto do carro e fitando-o diretamente. Ficaram alguns minutos, talvez horas, assim, em completo silêncio, aproveitando a calma que sentiam na presença um do outro. Lee deixou os próprios olhos fecharem.
Tudo parecia fazer sentido quando ela sorria. Era como se a Terra estivesse parada, até que ela sorriu e tudo voltou a fazer sentindo. As duas estavam arrumando as cadeiras do jardim, em meio a piadas e risadas; choveu e fez sol, e elas ainda estavam ali juntas.
– Você acha que eles vêm?
– Se não vierem, tomamos vinho deitadas na mesa.
– Posso chorar em seus braços?
– Pode morar neles, já que foram feitos para você.
– Obrigado, Jinki – Kim murmurou, depois de bastante tempo – Tenho aula agora, preciso me arrumar.
Lee sentiu um impulso quase infantil de perguntar “Você sonhou também? Com duas meninas arrumando a casa para receber a família delas? Você tem sonhos estranhos também? E mesmo que esses sonhos não sejam comigo, sempre te lembram de mim?”, mas apenas sorriu, não deixando seus olhos desfocarem do outro.
– Amanhã?
– Amanhã.
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– Conseguimos achar o design perfeito para o coletor solar caseiro! – Kibum anunciou animado quando entrou no carro de Jinki. Estavam fazendo esse esquema há aproximadamente uma semana e não tinha falhado nenhuma vez. Lee estava fazendo mais reuniões por Skype que o habitual, mas valia a pena no final.
– Talvez não seja ideal conversar sobre trabalho agora – o CEO comentou, dando partida no carro assim que o outro se acomodou na carona.
– Tem algum problema nisso? – Kim franziu a testa.
– Não, só que – Jinki apertou o volante, de repente se sentindo um pouco ridículo. Nunca era a pessoa mais emocionalmente investida da relação, e agora percebia como seus ex-namorados (as) provavelmente sofreram – Esses momentos são nossos. Não queria trazer a empresa para isso, sabe?
O mais novo pareceu refletir um pouco, encostando a cabeça no banco e ficando em silêncio por alguns minutos.
– É estranho – comentou – O trabalho faz parte de mim de forma tão intrínseca que não acho justo não poder dividi-lo contigo só por ser meu chefe. Quero poder ficar animado com você como ficaria com qualquer outra pessoa próxima.
– Você gosta tanto assim de engenharia? – Lee franziu a testa.
– Amo – deu de ombros – Acho que é o mínimo que deve sentir por algo que decide fazer durante sua vida toda, sabe? É meu ticket para uma vida melhor. Não se sente assim em relação à administração?
– Não sei – refletiu um pouco. Tinha sido tão encaminhado para administração desde muito novo que nunca tinha pensando em outra possibilidade – Meu pai sempre quis que eu fizesse administração para assumir a Lee. Eu sou formado em Engenharia Ambiental, mas acabei indo para Administração, afinal, era o caminho que eu deveria seguir. Meu pai até gostou, pois agora tenho um conhecimento relativo em engenharia para entender vocês.
– Mas e o que você queria? Era Engenharia ambiental?
Não era. O CEO franziu a testa, nunca foi uma pessoa guiada por esse tipo de emoção. Era racional: sempre fez muito mais sentindo assumir a Lee Industries que simplesmente sair por aí procurando outro curso, então foi o que ele fez. Não sabia se sentia amor pela profissão, mas também não odiava. Claramente não era o tipo de sentimento que Kibum esperava que alguém devesse sentir por seu emprego, pois quando explicou isso, o jovem lhe deu um olhar quase temeroso.
– Você deixou toda a sua vida nas mãos de seus pais? Não pensou que pudesse existir algo que fosse sua profissão ideal por aí e você nunca tentou? Algo que realmente fazer?
– Ser CEO da Lee me faz feliz... Acho, ao menos. E, bom, dizem que seus pais são as pessoas que mais sabem o que é certo para você – deu de ombro, sorrindo hesitantemente – Não levou em consideração o que seus pais achavam de engenharia?
– Minha mãe gostava – sorriu um pouco, soando nostálgico – Costumava sonhar comigo, sobre eu entrando para KAIST. Infelizmente ela faleceu antes que pudesse me ver cumprindo esse caminho – existia uma tristeza óbvia na voz do outro enquanto falava isso, mas claramente já fazia um tempo que tinha acontecido, pois parecia muito mais recuperado do que estaria se a mãe dele tivesse falecido há menos tempo – Nunca me importei com o que meu pai poderia dizer sobre nada.
Jinki estacionou em frente ao prédio do outro e desligou o carro, esperando já o momento que teriam juntos ali.
– Sinto muito pela sua mãe, você tinha quantos anos?
– Quinze – encolheu os ombros – Ela era a luz na minha vida. Agora vivo no escuro.
O mais velho não sabia o que dizer, então apenas estendeu a mão e tocou os dedos do outro com os seus, e então deram as mãos. Considerando o sentimento de paz que sentiu e a calma que invadiu os olhos felinos, tinha dito a coisa certa, mesmo sem palavras.
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– Posso saber por que você está há um mês saindo com um estagiário da Lee Industries?
Taemin perguntou, uma expressão curiosa, enquanto via o irmão colocar o terno para a festa daquele mês.
– Quando o relógio marca 18h, Kibum não é mais estagiário da Lee – comentou calmamente e conferiu a própria aparência no espelho. Há um mês tinha dado carona para Kibum aproximadamente 25 vezes, contando algumas viagens que não conseguiu adiar, e todos os dias tinham sido cheios de descobertas. Kim era um rapaz inteligente, mas isso ele já sabia, afinal ele cursava KAIST e era estagiário do setor C da Lee, mas também era esperto, contava boas piadas, sabia desenhar, e tinha uma boa voz de canto.
Ele gostava de cantar músicas junto com o rádio enquanto criava coreografias com suas mãos. Os dois sempre ficavam parados quase uma hora em frente a casa do outro. Ou dançando com as mãos. Ou rindo de piadas idiotas. Ou Lee ensinava a Kibum os princípios de administração. Ou Kim ensinava a Jinki o básico da engenharia. Ou apenas se olhavam.
Jinki sentia que seus olhos nunca cansavam de olhar para o outro. Toda vez que passava seus olhos pelo outro achava algo diferente, fosse alguma marca no rosto, ou na alma.
– Ele me preocupa, às vezes – comentou, sem conseguir se conter.
Isso pareceu chamar a atenção do mais novo, que franziu a testa para ele.
– Você? Preocupado com alguém que não seja família ou a empresa? – Apoiou o rosto em uma das mãos – Algo está mudando em você.
– Algo errado com isso?
– Nunca – e sorriu para ele – Gosto de ver sua vida se encaminhando, de alguma forma. Mas diga, por que se preocupa?
– Ele aparece machucado todos os dias – se virou e encostou no espelho – todo dia em algum lugar diferente. E, às vezes, ele não quer ficar no carro depois que a gente chega, diz que precisa correr, mas sabe quando você percebe que alguém está muito nervoso? E ele fica olhando em volta o tempo todo, como se alguma coisa fosse acontecer e ele não soubesse exatamente o quê.
– Ficar no carro?
– A gente fica no carro, ok? – Jinki disse, exasperado – Depois que chega no prédio, a gente costuma ficar no carro até ele ter que sair para a faculdade – deu de ombros – é um tempo...
– De vocês? – Taemin tinha um sorriso quase malicioso – Certo, machucados. Nervosismos. Ele mora sozinho?
– Que eu saiba sim.
– Ele já te chamou para subir no apartamento dele alguma vez?
– Não.
– Faça um teste e chame ele para sua casa hoje – Aconselhou, uma expressão séria.
– O que isso tem a ver?
– Simples, se ele negar a visita a sua casa, indica que ele nunca te chamou para o apartamento dele por não querer nenhum tipo de intimidade extra com você além das caronas e das horas passadas aleatoriamente no carro – e riu debochadamente, quase como se isso fosse impossível –, mas se ele aceitar a conclusão é simples.
– Tem algo de errado com o apartamento dele.
– Bingo. – O Lee mais novo levantou e foi até o irmão com o celular na mão. – me diga, continua tendo aqueles sonhos?
Lee respirou fundo e assentiu.
– Cada vez mais frequentemente, não sei exatamente por quê.
– Eles te fazem pensar no Kibum?
– Fazem. O que isso tem a ver? – Franziu a testa – Na verdade, acho que começaram quando eu conheci ele, acho. Foi?
– Você me disse uma semana depois da apresentação dos estagiários – Taemin sorriu um pouco – Já ouviu falar da teoria alma gêmea? Que algumas pessoas que conhecem o amor da sua vida conseguem ver todas as vidas passadas deles?
Jinki rolou os olhos e afastou o celular que no qual o outro tentava lhe mostrar alguma coisa.
– Sério, Tae? Lenda urbana a essa altura do campeonato?
– É real, tem um documentário – o mais novo enfiou o celular mais próximo ao rosto dele – Chama The Soulmate I Didn’t Hope So. Foi uma moça que achou a dela e decidiu pesquisar mais sobre.
– Tae – Lee segurou o irmão pelos ombros – isso é mentira, ok? É uma lenda urbana boba, tipo qualquer uma dessas bobagens de filminho de terror, ok?
– Não é assim – ele bufou – você sabia que toda essa sua atração com o rapaz é só uma forma de seu corpo comunicar que ele é a pessoa certa?
– Jura? – Rolou os olhos mais uma vez, indo até a porta.
– JURO! E você vai ver, quando finalmente ficar com esse rapaz, sua vida vai mudar para sempre, os sonhos vão ficar mais intensos e vai ver que estou certo.
– Taemin, pare de ler livros de fantasia e vamos para a festa.
Ele saiu do apartamento, e não viu o irmão mais novo respirar fundo e jogar as mãos para o alto, parecendo extremamente consternado.
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A mesa dos administradores estava divertida, como sempre, mas Jinki continuava procurando Kibum com os olhos. Ele estava conversando com alguns amigos e parecia estar tendo um bom momento também, ao contrário daquela primeira festa.
– Por que você não desce e vai falar com ele? Está tão óbvio que você quer fazer isso – Jonghyun comentou, bebendo um pouco de suco e lhe dando um olhar malicioso.
– Nós combinamos que não nos falaríamos na empresa, para a situação não ficar estranha para ele – deu de ombros – Aparentemente as pessoas pensariam que estamos juntos e isso poderia dar a entender que ele só conseguiu qualquer coisa aqui por ser brinquedo sexual do chefe mais velho, mesmo que ele prove a inteligência dele diariamente.
– Você é mais velho que ele? – Jonghyun perguntou.
– Vocês não estão juntos? – Minho perguntou em seguida.
– Ele tem 23 anos – Lee esclareceu – e não estamos juntos.
– Não ainda – Taemin sorriu – mas aparentemente é um caminho que a vida vai seguir, não é mesmo?
Jinki estava pronto para responder, mas risadas altas se destacaram no salão e todos se voltaram para a mesa do setor C. As pessoas pareciam muito entretidas com alguma piada, e Kim estava com o rosto completamente corado, não de uma forma legal.
Mesmo se conhecendo há um mês, Lee já sabia diferenciar a maior parte das expressões do outro rapaz, e o mais novo, por ter a pele muito clara, corava muito constantemente: da forma legal, que era quando estava rindo demais, ou recebia um elogio, ou da forma chata, quando estava envergonhado. Agora era definitivamente a segunda opção. Os olhos felinos encontraram os seus e um sorriso suave surgiu nos lábios bem desenhados.
– Licença – Lee disse e levantou da mesa antes que questionamentos começassem, e foi em direção à mesa do setor C. Pôde perceber a expressão do outro mudando, algo entre surpresa e esperança, o rosto ainda corado, enquanto as outras pessoas da mesa estavam conversando, ainda alto, e incapazes de perceber o óbvio desconforto do rapaz.
– Kibum? – Kim olhou para cima, um sorriso ameaçando surgir em seus lábios. Lee estendeu a mão, em uma oferta silenciosa. O estagiário fitou todos na mesa, que agora tinham parado de conversar e olhavam o CEO da empresa parecendo chocados, e então usou a mão oferecida como apoio para se levantar.
Quando saíram andando pelo salão, Jinki pensou em como gostaria de ter continuado de mãos dadas com o outro. Saíram para a parte de recepção do prédio. Estava completamente vazio, luzes apagadas, mas a porta de vidro permitia que a iluminação da rua entrasse no local.
– Estava tudo bem ali? Parecia desconfortável – explicou-se rapidamente – por isso acabei me metendo. Sei que o combinado era só nas caronas, mas-
– Tudo bem, você leu meu pedido silencioso de ajuda – Kim sorriu para ele – é incomum, nem todo mundo me entende tanto assim – deu de ombros – Estava realmente desconfortável.
– Sobre o que falavam?
– Você. Eu.
Lee respirou fundo, parando em frente a um enorme balcão da recepção e se escorando ali.
– Sinto muito, você disse desde o início que nossa aproximação poderia gerar falatórios e eu não fui tão cuidadoso, até o Tae descobriu.
– Eles não estavam exatamente me criticando – Kim disse, o rosto voltando ao tom avermelhado – apenas coisas que não deveriam ser ditas em uma mesa com 20 pessoas.
– Nada deveria ser dito em uma mesa com 20 pessoas – eles riram, Jinki gesticulou para que o outro fosse ficar ao seu lado, mas Kim parou a sua frente, mantendo uma distância entre os dois, mas ainda perto o suficiente para que ele conseguisse sentir o cheio de lírios que emanava de seus cabelos – Vai fazer algo depois daqui?
– Dormir? – Brincou – Não pretendo fazer muito, só ir para casa mesmo.
– Talvez pudesse ir para a minha – murmurou a oferta, sentindo-se, de repente, tímido – Pensei que poderíamos assistir a um filme, sabe? Ou alguma coisa divertida, não sei.
– E por que faria isso? Sexta à noite, você é um CEO rico e muito bonito, poderia simplesmente sair por aí, “se divertindo” – Fez aspas com as mãos – mas quer apenas ver um filme comigo?
– Gosto de passar meu tempo com você – afirmou, fitando-o diretamente nos olhos – me faz muito bem. Mas se não quiser, não tem problema, não vou ficar magoado, afinal, tem todo o direito de dizer não.
Normalmente esse tipo de afirmação tinha um efeito estranho em Kibum, que arregalava os olhos como se tudo fosse uma perspectiva muito nova para ele, e Lee sempre sentia vontade de falar dos machucados que apareciam, porém tentava respeitar o desejo do outro.
– E direito de dizer sim?
– Sempre tem.
Kim suspirou e deu alguns passos à frente, invadindo o espaço pessoal do CEO suavemente, e hesitantemente, como se esperasse ser empurrado para longe. Lee deixou as mãos pairarem de cada lado da cintura esguia do outro por um minuto antes de perguntar:
– Posso?
Esperou uma afirmação do outro para encostar os dedos ali e depois trazer o mais novo para um abraço. Os dedos longos de Kibum seguraram sua blusa, e ele encostou o rosto em seu peito. Seu coração batia muito mais rápido que o normal, irracionalmente esperou que ele não notasse. Decidiu que gostava de lírios, eram suas flores favoritas agora, e sentia-se cercado pelos cheiro e braços do outro. Uma sensação muito nova, incomum, não tinha sentido nem com seus namorados anteriores. Kim Kibum era novo e completamente diferente de tudo que poderia imaginar. Era uma força da natureza, e seus corpos eram como ímãs: estavam perto, mas precisavam chegar mais perto.
Jinki levou uma das mãos até a nuca do outro e deixou seus dedos acariciarem os fios negros. O mais novo sorriu contra sua blusa e suspirou pouco depois, deixando a própria mão fazer o caminho da sua cintura, passando pelo peito até chegar no rosto do CEO, puxando-o de forma que olhasse para baixo, e logo levantou o seu para que se fitassem diretamente nos olhos.
– Péssima ideia – murmurou.
– Continua tendo todo o direito de dizer não – Jinki lembrou a ele.
E isso fez o outro encostar seus lábios em um beijo desajeitado, que logo se aprofundou. O braço que estava em volta da cintura do mais novo o trouxe para mais perto, assim como os dedos longos de Kibum seguravam a blusa na altura do ombro do outro. Aquele beijo era longo, Jinki percebeu. E de repente sua mente correu vendo o casal de jovens meninas se beijando, assim como o rapaz que tinha conhecido o outro no cemitério, aquele primeiro em meios às cócegas. Eram vários lábios se encontrando. Eram vários sentimentos ao mesmo tempo. Eram anos, décadas atrás, ou à frente. Eram a mais pura forma de carinho. Eram poderosos. Eram vários em um.
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– Eu sinto que estou presa aqui – a moça comentou, fios longos, negros e cacheados voando enquanto ela dava passos firmes em direção ao mar. Atrás de si, alguém lhe observava atentamente, os olhos observando cada passo com atenção extrema.
– Sinto que vou explodir e ainda não vai ser o suficiente para me livrar da dor – ela voltou a dizer. A praia estava deserta, era noite – é como se tivesse morrido, mas fosse obrigada a continuar vivendo. Por que faz isso comigo?
Virou-se, gritando a última frase, o rosto levemente inchado enquanto lágrimas caíam pelo seu rosto, olhos avermelhados indicando que chorava há algum tempo, braços apertados contra o próprio estômago com tanta forma que conseguia ver que o sangue tinha parado de circular no pulso.
– Sei que é difícil – a outra pessoa finalmente disse, uma voz masculina e hesitante, dando passos lentos até ela – mas precisa confiar em mim.
– CONFIAR? EM VOCÊ?
– EU NÃO TENHO CULPA!
– NINGUÉM TEM CULPA! – Ela gritou de volta – DEUS TEM CULPA!
Quando o homem perdeu a paciência e correu em direção à moça, ela se jogou nas ondas arredias do mar.
Lee Jinki acordou assustado, com olhos arregalados, e sentindo-se completamente perdido por alguns segundos. Sentiu cheiro de lírios que não entendeu exatamente de onde viam, até perceber que algo estava em seus braços. Alguém. Kibum. Olhou em volta e reconheceu a própria sala de estar. A televisão ligada passava o menu da Netflix – aparentemente tinham dormido em algum momento em meio ao filme que viam. Deixou seus dedos correrem pelo braço do outro, que o abraçava deitado meio por cima e meio ao lado, rosto pressionado contra seu peito, e sentiu-se cercado de paz.
Pensou sobre o sonho, foi mais longo que os demais e não conseguia apontar exatamente o que estava acontecendo. Imaginou que se Kibum não estivesse deitado exatamente ao seu lado, teria se sentido vazio e confuso. A presença do outro era como um calmante, um remédio para todos os seus pesadelos. Eram ímãs que precisavam estar sempre juntos. O pensamento lhe assustou levemente, afinal, estavam conversando há apenas um mês. Claro que era uma frequência de conversas diariamente, até mesmo viajando, pois trocavam mensagens no celular.
– Não – Kim murmurou, e escondeu mais o rosto no peito do outro – por favor, não, de novo não. NÃO! NÃO! – Ele esticou o braço para a frente, quase como se tentasse se defender de algo, e se escondeu ainda mais no corpo de Lee.
Incomodado com o desespero do rapaz, que até então dormia muito tranquilamente, levou as mãos até as costas dele e balançou suavemente. Isso rendeu uma reação ainda mais violenta, quando Kim gritou e tentou se afastar de Jinki, quase caindo do sofá e, preocupado, o CEO o puxou para mais perto de si.
– Sou eu, Kibum – murmurou perto do ouvido do outro – Jinki. Está tudo bem, pode acordar, pode abrir seus olhos – deixou os dedos correrem carinhosamente pelos braços magros – está tudo bem, você não está sozinho e ninguém quer te machucar.
Lentamente sentiu o outro se acalmar um pouco, mas continuou com o carinho e as palavras até que ele abrisse os olhos, soando confuso por alguns minutos, até abrir um lindo sorriso para o mais velho.
– Bom dia.
– Bom dia – respondeu e se abaixou para beijar a testa do outro – dormiu bem?
– Sabe que não – murmurou – tive um pesadelo horrível, mas alguém conseguiu me acordar da forma mais agradável possível – brincou, suas mãos procurando o rosto do outro para trazê-lo ainda mais perto – Obrigado – e lhe deu um rápido beijo nos lábios.
– Acho que não deu para sentir sua gratidão – riu um pouco, sentindo o outro se mexer até sentar em seu colo.
– Não? – Kim lhe beijou novamente, dessa vez lentamente e mais demoradamente. Lee poderia ficar ali para sempre, era perfeito. Era o seu lugar. Mais uma vez se surpreendeu com o rumo dos próprios pensamentos, não costumava ser assim. Idealizar relacionamentos. Era racional, quando faziam alguns meses namorando, calculava se valia a pena continuar e, caso não, terminava. Vários namorados e várias namoradas reclamavam que ele não sonhava, não queria ir mais longe com o relacionamento, apenas queria uma vida comum. Mas a verdade é que até aquele momento não sentia qualquer necessidade de se ver envolvido romanticamente com alguém, conseguia passar meses, até anos, solteiro, e não sentia falta. Não precisava ter sua vida presa a qualquer pessoa para se sentir feliz.
Ou era assim até tocar na mão de Kibum pela primeira. Desde então, pouco a pouco, o rapaz se tornava uma presença vital em sua vida. Tinha ido da completa e total apatia, até chegar ao ponto de precisar saber, todos os dias, se Kim estava bem e feliz. Sentir o cheiro de lírios fazia sua vida mais colorida. Um sorriso iluminava mais que o sol.
E se conheciam há apenas um mês. Sentiu algo escurecer seu coração ao pensar no nível de dependência que iria atingir caso esse relacionamento durasse muito tempo. Pior ainda: no nível de tristeza que sentiria caso o relacionamento não durasse. Sentiu seu ar sumir dos pulmões e rapidamente foi segurado pelo outro, que começou a oferecer várias possibilidades de primeiros socorros, enquanto procurava o celular no bolso.
Olhos felinos arregalados, assustados, temerosos. Jinki nunca mais queria ver isso. Começou a controlar a própria respiração e segurou as mãos trêmulas entre as suas. Sorriu um pouco quando, finalmente, se acalmou.
– Está tudo bem.
– Parecia que você estava sem respirar – Kim disse, ainda soando aterrorizado, e Lee imediatamente lhe abraçou – achei que fosse morrer aqui. Na minha frente. E eu não sabia ajudar.
– Calma – murmurou, e lhe beijou o rosto – está tudo bem, apenas fiquei um pouco nervoso, pois lembrei de algumas coisas da empresa.
– Hoje é sábado – O mais novo murmurou, agora soando quase irritado, o que gerou uma risada no CEO.
– Quando se trabalha com algo, sua mente está sempre trabalhando, até mesmo nas folgas.
O outro pareceu considerar um pouco o que foi dito, franziu a testa, e então deu de ombros.
– Creio que sim, mas hoje é a primeira vez que estamos assim – gesticulou para o local – juntos assim. Não quero que fique pensando na empresa.
– Sei no que estou pensando – Jinki começou, sorrindo um pouco – você ainda parece sonolento, e eu estou enérgico.
– Como? – Kim perguntou, fingindo indignação – 7 horas da manhã de um sábado.
– Estou sempre acordado esse horário. Mas enfim, me dá permissão para te levar para um lugar?
Isso chamou a atenção do outro, que se afastou para fitá-lo diretamente agora, analisando exatamente a expressão do outro.
– Depende. É um bom lugar?
– Claro, nunca te levaria para um lugar ruim – sorriu sem graça e levantou o braço para tocar delicadamente o rosto do outro – mas quero que seja surpresa, confia em mim? Pode cochilar no carro.
Kim não hesitou quando respondeu, firmemente:
– Confio.
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Jinki esperou ansiosamente para Kibum abrir os olhos. Ele deitou o encosto da cadeira até que o outro estivesse deitado e ficou observando seu sono tranquilo. Ele dormia tão profundamente que parecia que não o fazia faz tempo. Talvez fosse algo de universitários; como ele não tinha trabalhado enquanto estudava, não conhecia a sensação. Tinham pouco em comum. Kim era, obviamente, maravilhoso. Os olhos felinos eram peculiares, lindos, enquanto as bochechas altas e os lábios pequenos geravam um rosto harmonioso, mas mesmo assim não conseguia entender o que tinha lhe atraído tanto para o outro e tão rápido. Todos os seus namoros até ali aconteceram por pura influência de Taemin ou apenas por a outra pessoa ter sido explicitamente clara a respeito de suas intenções, mas Kibum tinha só aparecido na frente dele, sorrido, e era isso. E de repente seus pensamentos sempre levavam a ele.
Risos encheram o ambiente, enquanto um rapaz corria do outro em um quarto.
– ISSO NÃO É JUSTO!
– CLARO QUE É JUSTO! – O outro gritou, rindo – você disse que podia!
O outro se divertia correndo pelo quarto, subindo na cama e descendo em círculos com o outro obviamente correndo devagar para não alcançar tão rápido.
– Eu disse que podia falar e não que podia chamar o cara para o ménage! – Riu alto e se jogou na cama – e agora?
– E agora temos um ménage? – Disse deitando com o corpo por cima do outro – vai ser divertido.
Ele riu um pouco, puxando o outro para perto de si.
– PARA!
Lee piscou, saindo de seus devaneios para ver Kibum se debatendo no banco, exatamente como fazia mais cedo, braços esticados tentando se defender do invisível.
– ME DEIXA EM PAZ – gritou – DEIXA A GENTE EM PAZ!
Imediatamente, Lee se aproximou dele, sacudindo-o levemente e se afastando quando o rapaz levantou assustado, e olhou em volta tão abismado que nem parecia notar onde estavam, até focarem o olhar no rosto do CEO.
– Jinki?
– Eu mesmo – sorriu para ele e abriu os braços para receber o outro ali. Sentiu o corpo menor tremer contra o seu e quis perguntar, mas guardou. Não era o momento. Não cabia a ele perguntar, e sim ao outro dizer, na hora dele. Correu os dedos carinhosamente pelas costas do mais novo e deixou que ele se acalmasse ali.
– Desculpa – Kim murmurou contra o peito do outro.
– Não sei se precisa se desculpar por alto.
– Não passamos nem 24 horas juntos e eu já estou te assustando com meus problemas.
Lee se afastou, segurando o rosto do outro entre suas mãos e sorrindo para ele.
– Não estou assustado; preocupado sim, mas não se preocupe – aproximou sua testa da do outro – não pretendo ir embora, a não ser que você me mande.
Kim piscou algumas vezes e se inclinou mais até que seus lábios se tocassem. Era quase como se o mundo parasse novamente e nada existisse mais que o rapaz em seus braços. Tinha esquecido de tudo, até seu nome, para continuar beijando-o. Quando se afastaram, sorrisos brincando em seus rostos, e então Kibum olhou para o lado. E seu queixo caiu.
– Jinki?
– Achei que gostaria – ele riu sem graça.
O estagiário abriu a porta do carro e saiu correndo pela areia, de tênis mesmo, sem nem pensar no que estava acontecendo. A praia estava levemente vazia, as ondas quebravam na água e o brilho nos olhos castanhos dele contaminaram o coração de Jinki.
– Você não fez isso! MEU DEUS – ele riu alto e deixou os sapatos na areia, saindo correndo em direção à água – VOCÊ FEZ ISSO!
O CEO pisou na areia já descalço e observou a animação. O outro estava cogitando se entrava ou não na água, e apenas observava o local com óbvio interesse e adoração. O dia não estava tão quente, não era o ideal para a praia, mas parecia perfeito quando notava que o mais novo estava tão maravilhado.
– Vem! – Lee piscou, confuso, e então o outro, parecendo frustrado de tê-lo chamado algumas vezes, andou até o mais velho e o puxou pelo pulso – VAMOS! QUERO VOCÊ COMIGO!
Normalmente Jinki não seria o tipo de pessoa que iria, mas, naquele dia, com seus dedos entrelaçados aos do outro, entrou no mar e riu quando ao ouvir a reclamação de quão fria estava. Ficaram assim. Água até os tornozelos, mãos dadas, observando o horizonte em silêncio.
– É imenso – Kim comentou – não acaba nunca e nos dá a sensação de que somos tão... Pequenos. Diante de tudo no mundo. Nossos problemas são tão mínimos diante da imensidão do oceano.
Lee assentiu e se deixou ficar em silêncio, até que olhou para o lado e viu lágrimas descendo silenciosamente pelo rosto magro. E então, sem dizer nada, o trouxe novamente para um abraço, dando um rápido beijo na testa do outro, e não questionando absolutamente nada.
– Você está me mimando – Kim murmurou contra o peito do outro, mas não se afastou, apenas o trouxe para mais perto, deixando suas lágrimas molharem a blusa do outro.
– Não.
– Está sim. Nenhuma vida é tão boa assim, ou tão simples... Ou segura.
– Simples eu duvido realmente – murmurou contra os fios negros – mas comigo vai ser sempre boa, e principalmente segura.
– Sempre? – A voz do outro estava trêmula.
– Sempre – disse firmemente.
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Kim gemeu de dor e se afastou quando Jinki tocou em seu joelho sem querer na volta de carro. O rapaz corou e virou para a janela.
– Qual a desculpa dessa vez?
– Nenhuma, não é desculpa – murmurou – sou desastrado e me machuco, qual o problema?
A resposta veio na defensiva, e Jinki não queria estregar o clima dos dois depois de uma tarde tão bem aproveitada, mas mesmo assim se viu dizendo:
– O problema é que eu odeio te ver machucado – disse rispidamente – e todo dia tem um novo, mal consigo manter a conta! Todos os dias, Kibum. Agora me diz, o que devo pensar disso?
– Que eu malho muito?
– Eu sei que você não malha, merda! – Bateu no volante e respirou fundo – eu não sou imbecil, sei toda a sua rotina a essa altura e você não tem tempo nenhum para malhar, nem em academia, nem em casa. Tem alguma coisa gerando isso tudo aí e não confia em mim o suficiente para dizer. E sinceramente? Eu não posso te forçar a me dizer nada, mas vou continuar perguntando, sabe por quê? Eu me preocupo com você!
Kibum olhou para as próprias mãos por alguns minutos e o silêncio reinou no carro. Lee estava pesando se foi realmente uma boa ideia pressionar o outro dessa forma, mesmo deixando claro que o outro poderia não contar, talvez devesse deixar isso de lado. Mas não conseguia. Era impossível imaginar que o estagiário estava se machucando tanto e não conseguia ajudar.
– Não é que eu não confie em você – ouviu um sussurro – apenas... Sinto que talvez isso te faça perder o interesse em mim, ou que te faça ir embora, por eu ser tão fraco.
– Nunca – respondeu imediatamente – pode achar o que quiser, mas isso nunca vai acontecer.
Depois disso a conversa voltou a ser assuntos leves e brincadeiras. Poderiam ser sérios em outro momento.
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– Eu não quero viajar – Jinki reclamou.
– Pelo amor – Jonghyun rolou os olhos – você sempre quis viajar. Sempre foi sua parte favorita, agora tu acha um estagiário para dar carona e decide que não vai mais?
Jinki lhe deu um olhar intimidador, que faria qualquer outro funcionário temer por seu emprego, mas não fez nem cócegas em Jonghyun, que apenas levantou uma sobrancelha.
– Não me importa – o secretário disse – você vai e volta na sexta, dê seu jeito de se organizar com seu estagiário.
Nesse momento, a porta da sala foi aberta por Taemin e o secretário saiu, deixando-os a sós.
– Vi que aprovou que o setor C em que seu estagiário está subisse para ser Setor B.
– E?? – Respirou fundo, já exausto daquele dia como nunca imaginou que estaria.
– Não acha que isso pode gerar algum tipo de retaliação a Kibum? Ele é o queridinho do chefe – riu um pouco – e aí, de repente, o setor dele é promovido?
Lee deu de ombros. A possibilidade tinha passado por sua cabeça enquanto assinava o papel, mas, mesmo assim, não podia ser cego a respeito do que o setor C de Park Chanyeol tinha feito pela empresa nos últimos 2 meses.
– O setor C tem sido o mais produtivo nos últimos tempos, é assim tão “de repente” mesmo? – Encostou o rosto em uma das mãos – sem contar que isso é dificilmente só mérito de Kibum, mas Park Chanyeol é quem comanda o setor e ele merece todos os maiores méritos.
– Concordo – o mais novo sorriu – mas as pessoas podem ser cruéis quando querem. Te aconselho a falar com ele, Kibum-ssi, assim que a promoção acontecer. Pergunte se está tudo bem, qualquer coisa fale com Minho.
O mais novo saiu da sala deixando o CEO com suas reflexões. Não queria viajar e deixar Kibum sozinho em uma situação delicada, se é que mudar o setor seria realmente tão problemático. As pessoas realmente poderiam ser egoístas e invejosas quando queriam, mas seria realmente tão sério a ponto de ignorar os fatos: que o setor C tinha merecido subir para B diante tantos avanços?
Ele estava chorando debaixo da escada da escola quando lhe encontrou, rosto escondido atrás das pernas dobradas, e seu corpo tremia com a força de seus soluços.
– Tudo bem?
Era uma pergunta idiota. Quando alguém estava chorando tanto a ponto de seus olhos ficarem vermelhos e inchados, claramente nada estava bem;
– Está sim.
Era uma resposta pior que a pergunta. O rapaz limpou o rosto com mãos trêmulas e tentou sorrir. Seu rosto estava vermelho demais de um dos lados, como se tivessem batido nele. E realmente tinham, aparentemente. Ensino Médio poderia ser cruel para algumas pessoas, então se sentou ao lado dele. E nunca mais saiu.
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Naquele dia, quando Kibum entrou no carro, ele tinha olhos inchados e avermelhados. Seu antebraço estava enfaixado, mas Jinki resolveu não questionar, não hoje.
– Tudo bem?
– Tudo – murmurou, e depois disso colocou o cinto de segurança. Sem animação nenhuma a respeito dos projetos do dia. Nenhum comentário sobre seu setor ter sido promovido.
– Não parece tudo bem – comentou, ligando o carro – não quer falar sobre o assunto? – O outro negou fracamente com a cabeça – certo, e como foi a mudança de setor?
A pergunta feita animadamente, buscando tirar um sorriso do outro, na verdade rendeu lágrimas. O mais novo começou a chorar fortemente, tremendo muito e escondendo o rosto entre as mãos. Lee encostou o carro no acostamento e trouxe o rapaz para seus braços, sentindo as lágrimas molharem sua camisa, mas apenas o segurou até que o tremor passasse ao menos um pouco.
– Foi ótimo – respondeu com a voz embargada – sabe o que ser setor B ainda sendo apenas um estagiário na Lee significa no mercado? Muita coisa! Eu posso fazer o que quiser agora, dentro da minha área, sabe?
Isso fez o CEO sorrir e beijar os fios negros carinhosamente.
– Claro que fez, isso me deixa feliz por você.
– Mas outras pessoas também queriam essa oportunidade, então... Bom, nem todo mundo foi tão legal com o fato que eu subi de setor e estou envolvido com você ao mesmo tempo.
Lee se afastou um pouco para fitar os olhos do outro diretamente.
– Tocaram em você?
– Não. Apenas... Coisas não tão legais foram ditas. Só isso.
– O quê?
– Eu não quero repetir, Jinki – disse firmemente, e então o outro deixou o assunto de lado – não tem problema, é só que... Estou acostumado a não ter amigos, mas na Lee todo mundo era legal comigo, sabe? Agora nem mesmo meus colegas falam comigo direito, só Chanyeol hyung, e isso dói. Não imaginei que doeria, mas é diferente quando você já chega nas turmas sendo o rapaz estranho que está sempre machucado e que a mãe morreu, então ninguém nem ao menos chega perto de você, do que você ter amigos e eles de repente virarem as costas dessa forma. Dói mais.
O CEO o trouxe novamente para descansar em seu peito e sentiu que tudo estava errado. Talvez não tivesse percebido, mas Kibum deixava seu mundo mais brilhante, menos com ele triste assim. Agora tudo a sua volta tinha uma opacidade estranha e sentia falta do sol que era o sorriso do outro em sua vida.
– Vou precisar viajar, infelizmente – contou suavemente – mas não vou te deixar sozinho nisso, ok? – Segurou o rosto do outro entre suas mãos – E meu motorista vai te pegar nos dias que eu não estiver aqui.
– Mas Jin-
Foi calado com um beijo suave nos lábios, tão rápido que mal teve tempo de corresponder.
– Sei que vai negar, mas me sentirei melhor assim. Sei que sua rotina fica muito mais livre indo de carro para casa, e não é minha viagem que vai atrapalhar isso, tudo bem? – Beijou-o mais uma vez, dessa vez demoradamente, e foi correspondido à altura. Aqueles momentos eram sempre um evento para Jinki, sempre parecia a primeira vez. Era como se todos os planetas se alinhassem em um evento único que acontecia várias vezes ao dia só para eles. Era como um eclipse solar.
– Não se preocupe – disse entre beijos – não estarei aqui, mas darei um jeito nisso.
– Jinki! – Se afastou um pouco – não acha que você se meter pode piorar tudo?
O mais velho não respondeu, mas no outro dia, no avião a caminho para sua reunião em Londres, recebeu várias fotos de Taemin mostrando o efeito que sua ideia teve: um enorme mural eletrônico na parede principal do espaço onde os setores ficavam que mostravam as letras enormes “MOTIVOS PELOS QUAIS O SETOR C SUBIU PARA B QUE NÃO ENVOLVEM O FATO DE LEE JINKI E KIM KIBUM ESTAREM JUNTOS” e mostrava gráficos animados de como, nos últimos tempos, esse setor tinha se destacado em números, muito acima dos demais, até mesmo do setor A. Depois uma foto de Kibum, olhos arregalados, um sorriso incrédulo em seus lábios e junto veio uma mensagem de Taemin: “acho que ele vai ficar bem ;)”.
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Assim que chegou de volta à Coreia, no sábado, pegou o carro e foi diretamente falar com Kibum. Nem pensou duas vezes, ou ligou antes, queria ver o rapaz. Assassinar a saudade que tinha crescido em si. Não estava acostumado a esse tipo de sentimento: normalmente quando viajava estava bem no lugar que ia, não sentindo necessidade nenhuma de voltar que não fosse racional.
Na verdade, Jinki não estava acostumado a ser tão guiado por emoções como acontecia com tanta frequência por causa de Kibum. Parou o carro em frente ao prédio e, pela primeira vez, foi até o portão e apertou o interfone no apartamento que já sabia o número sem nem ao menos ter subido alguma vez. Nenhuma resposta.
Tocou mais uma vez. Nada.
Sentiu a frustração subir por seu corpo, talvez o outro tivesse saído. Deu as costas para voltar ao carro e tentar ligar para ele de lá.
– Jinki? – O grito lhe fez virar para ver um Kibum em roupas casuais, rosto pálido e trêmulo.
– Kibum? – Franziu a testa diante da aparência tão assustada do outro, mas abriu os braços para recebê-lo em seu abraço mesmo assim. – Está tudo bem?
– Me tire daqui, por favor – suplicou e então se afastou, tocando o rosto dele com dedos trêmulos – senti sua falta, me tire daqui.
Sem questionar, Jinki segurou a mão do outro e correram até o carro. Dirigiu sem rumo, ouviu Kim contar como seus colegas tinham lhe pedido desculpa, ou como a semana tinha sido triste sem poder ver o outro todos dias. E o CEO concordou em voz alta, desacostumado a compartilhar sentimentos assim, mas sua afirmação fez Kibum sorrir com os lábios e os olhos, então valeu a pena.
Ele tentou tocar no assunto da casa do outro, mas quando a expressão do mais novo ficou séria e triste, decidiu que preferia usar seu sábado para fazê-lo feliz. Fez o caminho até a praia automaticamente. Rolaram na areia, entraram na água de roupa, se beijaram contra as ondas.
Tudo estava bem. Pelo menos por agora. E já era o suficiente.
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– Você sumiu durante o sábado todo – Taemin comentou sutilmente, sentando na frente do irmão.
– Não é da sua conta.
– Você também sumiu no meio da festa na sexta – sorriu suavemente – e certo estagiário também.
Jinki fez questão de continuar com os olhos presos ao contrato que deveria estar lendo, mesmo que estivesse pensando em outra coisa. Kim Kibum. Se antes seus pensamentos sempre voltavam ao rapaz, agora era praticamente impossível não pensar nele. O sábado que passaram juntos foi, no mínimo, especial. Mesmo que não tivessem feito muito além de sentar na praia e depois deitar na areia, abraçados. Compartilhando histórias de infância ou curiosidades sobre a vida, o universo e tudo mais. Depois Lee passou o domingo todo sonhando com aquelas poucas horas.
– O que você quer? – Perguntou finalmente, respirando fundo.
– Leu sobre alma gêmea?
– Não – rolou os olhos – porque isso é ridículo e não existe.
– E Kibum?
– Acontece que Kibum é um rapaz muito bonito e extremamente charmoso – falou friamente – e eu não preciso de alguma dessas feitiçarias que você gosta de inventar pra me interessar por ele.
O Lee mais novo rolou os olhos, parecendo perto de prender o outro a uma cadeira e forçá-lo a ver o tal do documentário e, conhecendo-o, provavelmente estava mesmo.
– Alma gêmea não é sobre isso, seu bosta – reclamou – não é como se tivesse uma porra de uma força que te forçasse a gostar de alguém. É como se o universo sempre fizesse com que vocês se encontrassem, como se tudo acontecesse muito rápido. Sabe aqueles relacionamentos que ficam muito sérios muito rápidos e no final dão certo? Então! Acontece porque suas almas já se amam, elas não precisam se apaixonar de novo.
– Se isso fosse verdade, o que não é como sabemos – riu um pouco quando o outro bufou e cruzou os braços – não faz sentido, vocês que acreditam em “almas” – fez as aspas com os dedos – dizem que a gente esquece tudo quando renasce, e aí depois dizem que a gente lembra, não tem lógica nenhuma.
– Você esquece superficialmente – explicou não tão calmamente quanto deveria se estava tentando convencer o mais velho de qualquer coisa –, mas sua alma nunca esquece. Seu físico e sua alma estão ligados, mas não são a mesma coisa. Têm mentes diferentes. São poucas as pessoas que conseguem acessar as memórias da alma. Alguns dizem que, para poucas pessoas sortudas, as memórias da alma se abrem em forma de sonhos quando se encontra a alma gêmea.
– Não faz sentido mais uma vez – murmurou e continuou mesmo que a porta do seu escritório tivesse se aberto e Jonghyun entrado – como que você pode dizer que essa alma gêmea não faz a pessoa se apaixonar por outra, mas ao mesmo tempo, quando duas pessoas assim se veem se apaixonam justamente porque a porcaria das “memórias da alma” se abriram!
– NEM TODA ALMA GÊMEA É ROMÂNTICA! – Falou alguns tons acima do seu normal, e então respirou fundo – Jinkie, hyung, o que essas memórias fazem é apenas te mostrar o que o passado já foi e o futuro vai ser, ao lado dessa alma que você conhece. Significa que vocês vão se conhecer, mas ser um casal? Existem várias formas de amor. Ele pode vir como um pai e um filho, dois melhores amigos, ou dois amantes. No final, o que importa, é que é amor e que essas almas estão juntas!
– Bonito – Jonghyun falou, forçando uma tosse para interromper a briga, e o CEO agradeceu mentalmente – digo, o que o Tae disse foi bonito. – O mais novo sorriu para ele enquanto disse um “claro que foi”. O secretário se virou para seu chefe, uma expressão séria agora – Normalmente iria para Minho com esse tipo de situação, mas achei que gostaria de saber. Tem um homem fazendo uma confusão na recepção. Ele está procurando por Kibum-ssi aos berros.
Isso fez com que o Lee mais velho se levantasse imediatamente e, sem dar qualquer palavra, saiu da sala para descer escadas até a recepção, o mais novo em seu encalço, e não precisava olhar para ver Jonghyun seguindo-os. Quando chegou ao local viu a recepcionista do momento se escondendo atrás do balcão, enquanto um homem de aparentemente 40 anos batia no balcão com força o suficiente para ter trincado o vidro em poucos minutos. Um segurança tentava, inutilmente, segurá-lo sozinho.
– CADÊ ELE? VAMOS, ELE SABE QUE TEM OBRIGAÇÕES!
– Licença – Jinki comentou, chegando perto do homem – pode me informar o que você está fazendo na minha empresa?
O homem se voltou para ele e imediatamente Lee reconheceu os traços: os lábios pequenos, as bochechas altas, seu rosto tinha o formato oval, mas ainda assim ele e Kibum eram extremamente parecidos.
– PAI! – Isso fez com que todos se voltassem para ver o segundo segurança chegando ao local trazendo consigo um Kibum, ainda de jaleco, e olhos arregalados. – O que você está fazendo aqui?
– SEU MERDA – o homem avançou tão rápido em Kibum que foi difícil prever o movimento, que dirá segurá-lo. O Sr. Kim estava na frente de Jinki, e um segundo depois prendia o seu filho na parede pelo pescoço. Ele era alto e forte, seu corpo era o triplo do rapaz, e ele foi facilmente preso com apenas uma das mãos. O CEO viu, chocado, os olhos felinos que tanto gostava se arregalarem, enquanto dedos longos batiam no ombro do outro tentando empurrá-lo. Os dois seguranças estavam tentando puxar o outro também. Conseguiu ver, de canto de olho, Taemin ligando para a polícia, enquanto Jonghyun ligava para alguém, suspeitava que uma ambulância. A recepcionista saiu correndo de forma que ela achava despercebida, mas Lee notou sem nem ao menos virar para conferir se ainda estava lá.
Viu as mãos se moverem para tentar empurrar o homem que o segurava. E quando, por um milagre, e a ajuda de um terceiro segurança que chegou, a mão folgou um pouco, conseguiu ouvir a voz rouca e ofegante:
– SAI DAQUI! DEIXA A GENTE EM PAZ!
Então enquanto ele tinha sonhos românticos aleatórios, Kibum sonhava com isso? Percebeu que o homem gritava acusações que simplesmente não conseguia entender, algo sobre pratos sujos e trabalhar demais. Assim que a mão do Sr. Kim folgou o suficiente para Kibum cair no chão, joelhos cedendo imediatamente, ele caiu sentado no chão. Os braços se moveram rapidamente para cobrir o rosto em um gesto de defesa que Kim tinha visto o outro fazer várias vezes em seus sonhos. Lee foi mais rápido, correndo, ajoelhando em tempo recorde e se colocando entre Kibum e a mão que desceu forte em suas costas. Dedos longos seguraram sua blusa e o CEO segurou a nuca do outro, trazendo-o contra seu peito.
– O QUE É ISSO AGORA? – Outra porrada desceu forte nas costas de Jinki – CONSEGUIU UM CAFETÃO?
– Jinki – ouviu a voz suave de Kibum, enquanto o trouxe ainda mais perto, sentindo a força da mão do outro em suas costas – Sai.
Nesse momento ouviram sirenes, mais de uma, e em minutos, com muita gritaria, o homem foi contido. Muitas pessoas passavam correndo, olhando, e Lee estava ali, segurando o estagiário em seus braços, sem se preocupar se outras pessoas veriam. Ou se suas costas estavam doendo. Ficaria ali até que o corpo do outro parasse de tremer. Até que os pesadelos acabassem. E os machucados sumissem. Os físicos e os internos também.
– Jinki? – Ouviu a voz de Taemin soar longe, mas se virou mesmo assim. Percebeu somente naquele momento que estava sentado no chão, Kibum seguro em seus braços, exausto contra seu peito. Seu irmão sorriu para ele – acho que precisamos levar o Kibum-ssi para o hospital.
Lee olhou em volta lentamente. Todo o setor C observava tudo, expressões entre preocupação e choque enfeitavam seus rostos. Tinha vidro pelo chão. Aparentemente o balcão tinha finalmente quebrado. Jonghyun dava ordens para a equipe de limpeza. Kibum estava em seus braços. Como deveria ser.
– Não.
– Jinki! – Deixou o ar escapar de sua boca com força – ele precisa ser examinado para saber há quanto tempo isso acontece.
O CEO olhou para baixo, seus olhos se encontrando com os de Kim e imediatamente soube o que precisava fazer. Era quase como se não precisassem falar naquele momento, sabia exatamente o que precisava fazer.
– Ok, – viu Taemin sorrir e acenar aos médicos – mas eu preciso ficar com ele.
– Mas-
– Ou isso, ou nada de exames – explodiu, apertando o outro contra si – ele está cansado, assustado, foi interrompido em meio ao trabalho por gritos e apanhou na frente de todas as pessoas que conhece, está com vergonha. Mesmo que ninguém aqui julgue ele por isso – olhou friamente para todos na sala – além disso, o namoro dele com o dono da empresa na qual ele é apenas estagiário acabou de ser exposto da pior forma possível, e você ainda quer que ele passe por todo esse processo traumático de exames sozinho?
Taemin abriu e fechou a boca algumas vezes, sem saber exatamente o que responder, e então finalmente deu de ombros.
– Certo, falarei aos médicos.
Viu o mais novo se afastar e então voltou a atenção para Kibum. Deixou seus dedos correrem os frios negros no que esperava ser uma caricia agradável, e sussurrou.
– Precisamos levantar. Vamos ao médico e depois você dorme no meu quarto de hóspedes. Tudo bem?
O rapaz assentiu, e levantaram juntos. Lee percebeu que suas costas estavam doendo ainda, onde o pai do outro bateu, mas não se importou. Estava em segundo plano agora. Quando saíram de mãos dadas, a imprensa insuportavelmente em volta deles, e as duas mãos abraçando Jinki por trás, enquanto Kim lhe abraçava escondendo o rosto em suas costas e sua nuca com um capaz, o mais velho percebeu que até em meio ao inferno, estar perto do outro tornava o dia um pouco mais colorido.
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Os exames serviram para comprovar tudo aquilo que todos já sabiam: os abusos eram de longa data agora, e Kibum estava quebrado por dentro e por fora. O rapaz tinha o corpo coberto de hematomas e cicatrizes. Sentiu que Kim se encolheu quando notou seu olhar, mas sorriu para ele. A verdade era que tudo aquilo importava tão pouco. Era inacreditável ter um sentimento tão forte por alguém que conhecia há quase dois meses agora, mas seu coração doía com a ideia de algo acontecer com o outro.
Kim Kibum dormia na cama de Lee Jinki naquela noite. E o CEO estava na sala de seu apartamento, olhando a janela. Saber que o outro sofria tanto gerava uma dor quase insuportável em si, como se seus sentimentos estivessem interligados, presos um ao outro por uma linha invisível.
– Não sei se isso é uma boa ideia – uma menina disse para outra. Seus cabelos crespos voando enquanto encarava a menina a sua frente.
– É só um teste – a outra riu – todo mundo faz isso e nada acontece.
Ela respirou fundo, se controlou para não bater o pé no chão – tinha 18 anos e era muito velha para esse tipo de atitude – e encarou o penhasco. Era alto demais e as ondas quebravam violentamente contra a pedra. Estava longe de parecer uma boa ideia.
– VAMOS!
– Eu não quero, de verdade.
– Trouxa. – Ela reclamou, mas seu tom era carinhoso. – Eu vou mesmo assim!
Viu a outra pegar distância e correr, se jogando da pedra diretamente no mar. Se inclinou para ver a amiga subir e rir da sua cara. Ela não subiu.
– Jinki?
O CEO se virou para ver Kibum lhe fitando com olhos arregalados no canto. O rapaz estava com os próprios braços em volta do corpo e parecia hesitante.
– Diga, Bum.
O apelido carinhoso foi claramente uma surpresa, mas claramente não foi desagradável.
– Tive um pesadelo – contou em tom de conspiração.
Lee não fez nada, apenas abriu um de seus braços e deixou o outro se aninhar contra si. Era facilmente a coisa mais confortável que já haviam feito. Não precisavam de sexo, não ainda, ao menos. Não quando um abraço parecia tão íntimo quanto ficar nu em frente a alguém. Quando estavam juntos a sensação que o mais velho sentia era de um mundo mais vivo, com cores saturadas e brilhantes, e no qual felicidade era o sentimento mais comum a todos. Ou só a eles dois.
– Quer contar? – O rapaz negou.
Passaram alguns minutos apenas observando o céu estralados e compartilhando um abraço.
– Ele sempre foi assim – Kibum murmurou – desde que tenho lembranças, batia em mim e em minha mãe, nunca conseguimos correr – fungou, como se estivesse perto de chorar – sempre estraga meus relacionamentos, meu trabalhos, tudo! Não sei como durei tanto tempo na KAIST sem ele estragar isso também.
Calmamente Lee o apertou mais contra si.
– Ele não estragou seu estágio.
– Mas-
– Nem a gente – continuou, sorrindo para ele – ainda somos-
– Namorados? – O outro completou, rosto corando suavemente ao lembrar da bronca que o CEO tinha dado em Taemin ao tentar separá-los para exames.
Lee Jinki corou como há muito não fazia.
– Se quiser – sussurrou.
– Como poderia não querer? – Respondeu, olhos incertos, porém carinhosos – é tão estranho, te conheço há tão pouco tempo e... Parece que meu coração vai explodir em meu peito – sorriu um pouco – tive muito medo que ele estragasse isso também.
– Ele não vai mais chegar perto de você – respondeu firmemente – Dois meses e eu sou tão seu como nunca imaginei que poderia ser de alguém – beijou o outro nos lábios. Isso sempre seria um evento, sempre faria a Terra girar ao contrário e sempre faria seu coração bater mais rápido. Não precisava ser vidente para saber que ficariam para sempre daquele jeito.
– Achei que era seu namorado? – Perguntou alguns minutos depois.
Isso fez Kibum fungar mais uma vez, a tristeza voltando a sua expressão enquanto ele sorria suavemente.
– Eu... hum... Menti – explicou calmamente – achei que se te contasse que estava fugindo do meu pai – piscou, lágrimas caindo por seus olhos – ia me jogar de lado, sabe? Achar que não tenho bons sentimentos. Tantas pessoas já me falaram que preciso amar meu pai, mas não sou capaz de sentir nada por ele além de ódio, sabe? – Respirou fundo, soando exausto – Não estou acostumado a isso – gesticulou entre eles – nunca tive isso, mal tive amigos, não sei se consigo me abrir, não sei se-
– Shh – segurou as duas mãos de Kim entre as suas – eu não quero saber tudo agora, um dia sim, mas agora? Nesse momento, quero apenas te beijar, abraçar e ter certeza que está tudo bem.
– Mas-
– Eu não tenho que te pedir para ficar bem amanhã depois de tantos anos de abuso, sabe? – Continuou, segurando o rosto do outro entre suas mãos agora – posso te dar apoio, todos os tipos que precisar e te aceitar exatamente como você é, está tudo bem assim?
Kim piscou e lágrimas desciam suavemente de seus olhos, assentiu lentamente e então balançou a cabeça.
– Sei que está tarde, mas podemos ir a um lugar?
Alguns minutos depois estavam entrando em um cemitério que ficava relativamente longe do apartamento de Jinki, e era assustador à noite, mas Lee apenas entrelaçou seus dedos aos de Kibum e foram andando até achar uma lápide especifica. Estava na parte mais pobre do local, não tinha foto, ficava em uma enorme parece com outras pessoas e tinha um pequeno espaço para flores que estava vazio. Kibum se aproximou, tocou suavemente as letras ali.
– Está tudo bem – murmurou para a pedra – ele está preso agora. Queria tanto que você estivesse aqui para ver isso. Tentei tanto segurar e não denunciar, como sempre me pediu para fazer, mas foi diferente hoje, mãe. Não tinha como e, desculpa, sei que não queria ele preso, mas sei que no fundo queria sim. Isso não era amor. Eu imagino agora o que pode ser amor, não tenho certeza – Jinki corou, mas não disse nada – e não era isso.
Lee olhou em volta, querendo dar privacidade ao outro e ao mesmo tempo cumprindo sua função de ficar ali, como o outro tinha pedido. Estava perto de começar a sonhar acordado, quando ouviu a voz de Kim direcionada a ele:
– Queria fazer intercâmbio para fugir de meu pai – disse a explicação suavemente – quando começou a notar meus machucados, tive medo, achei que poderia achar que era uso de drogas e me expulsar da empresa. Depois notei que tinha interesse em mim e não sabia o que fazer – corou um pouco – lembrava dos meus pais. Ele batia nela e em mim. Depois voltava com flores. Odeio flores – murmurou – nunca coloco flores aqui, me soa falso, coloco sentimentos – virou seu rosto para Jinki com um sorriso suave – não te conheço há tanto tempo, mas algo me atrai em você, como um imã, como disse logo lá no início – balançou a cabeça, dedos ainda no tumulo de sua mãe – essa força me diz que será diferente disso.
– Sempre – murmurou, se aproximando para tocar a mão livre do outro – Sempre serei diferente disso.
Inclinou-se para beijar suavemente os lábios do outro e, quando abriu os olhos novamente, eles bateram em um túmulo que estava no chão, perto daquele que visitavam. Uma moça sorria em sua foto e o nome brilhava: Jung Chohee.
Jung Chohee.
Reconhecia esse nome.
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– Acredita em alma gêmea? – Perguntou, enquanto faziam o caminho de volta para casa.
Kim pareceu pego de surpresa e pensou um pouco antes de responder.
– Acho que sim – sorriu um pouco – não sei, acho que eu quero acreditar, sabe? Quero acreditar que tem alguém por aí que me ama tanto que vem me amando há várias vidas.
– Não é triste? A ideia de que você não decide nada, que tudo vem pronto numa caixinha e você tem que aceitar?
– Você realmente sempre pareceu uma daquelas pessoas mais céticas – ele riu suavemente – mas eu vejo de outro ângulo: você tem escolhas, nem todas as almas gêmeas são românticas, e também, para mim soa muito como um amor feito à mão para você. Sabe quando você vai em lojas e compra uma roupa, mas ela nunca fica tão bem em você quanto uma feita à mão? Então.
– Feita à mão? – Lee franziu a testa.
– Sim, veja bem, essas almas estão sempre procurando equivalência na Terra, certo? – Ele parecia mais empolgado em explicar, era típico de Kibum: se empolgar com uma teoria doida sobre almas gêmeas – Então nossa personalidade física e nossas vivências são feitas para encaixar perfeitamente nas necessidades de outra pessoa e vice-versa, como se ela fosse feita à mão para se encaixar perfeitamente em você.
Era realmente um conceito bonito, Lee refletiu. Imaginar que tinha alguém feito exatamente para ele rodando o mundo era inquietante, de qualquer forma, sendo que ele sentia que a pessoa ideal já estava ali ao seu lado. Kibum era feito à mão para si. Enquanto Jinki era cético, racional, Kim era emoção e impulsividade, os dois traziam coisas diferentes e novas um para o outro constantemente. Se o CEO precisava de cores em sua vida, o estagiário era um arco-íris. Se o mais novo precisava de segurança e respeito, o mais velho era extremamente respeitoso.
Se tinha uma alma gêmea, só poderia ser esse rapaz sentado ao seu lado no carro. E, de repente, essa possibilidade não parecia tão assombrosa ou improvável.
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Deixou Kibum dormir por cima de si no sofá e ligou a televisão no tal documentário que Taemin queria tanto que ele visse. Aquele das almas gêmeas. Muita bobagem, pensou consigo mesmo.
E então o filme começou a explanar como as pessoas iam sempre se encontrar da forma certa e no momento certo, e suas almas saberiam imediatamente, iriam se atrair como um ímã. Como um toque apenas era o suficiente para despertar esses sentimentos. Um leve tocar de dedos. Um aperto de mãos em uma reunião.
Essas almas raramente tinham algum controle do corpo atual, normalmente vivendo adormecidas dentro do físico que habitavam atualmente, apenas engrandecendo-se diante de seus bons atos e ficando cada vez menores diante de atos mesquinhos. Algumas pessoas tinham uma facilidade, no caso, de ver a própria alma. De ver os sonhos. De sentir ainda mais forte quando conheciam a pessoa certa para elas.
Jinki sempre foi cético, mas chorou com o outro em seus braços. Pensou em abandonar completamente esses sentimentalismos bobos, sem deixar o outro voltar para casa sozinho e terminar tudo ali, mas valia a pena? Precisava transformar a própria vida em um conto bobo de comédia romântica no qual o casal precisava brigar para terminar junto no final, ou poderia simplesmente aceitar a realidade dos fatos? Engolir seu ceticismo e aceitar que seu amor foi feito à mão para o amor que Kibum poderia oferecer e vice-versa.
Ele era essa pessoa certeira, direta ao ponto, e Kibum precisava disso. De alguém que não contasse que ele fosse pegar entrelinhas em relacionamentos, enquanto Kibum era sensibilidade em pessoa. Ele era um coração machucado que precisava de conforto e faria Jinki ver o mundo brilhar ainda mais.
Eram perfeitos. Eram únicos.
Talvez precisasse aceitar que suas almas estavam destinadas a se conhecer. A se amarem. A se acharem. Era a segunda natureza deles. Poderia engolir o orgulho e ouvir todas as piadinhas do Taemin pelo resto da vida. Segurou Kibum mais firmemente contra si e sorriu. Valia a pena.
E todos eles se abraçavam. Beijavam-se. Diziam eu te amo. Duas meninas abraçadas. Dois rapazes debaixo de uma escada que marcava a história deles. Amigos correndo pelo cemitério. Risadas de várias eras enchiam o ar. Eu te amos eram jogados ao vento e caíam nos lábios de Jinki. E não é que, no final, eles realmente eram resultado de algo especial? Quando se beijavam, sentiam energia de tantas gerações diferentes. Sempre se achariam. Curar-se-iam. Amar-se-iam. Um loop eterno no universo. Era o destino deles. Afinal, o amor feito à mão se encaixava muito mais que um comprado em uma loja.
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Notas finais: Não sei se era exatamente isso que queria, espero que sim! Como disse quando pedi as adms para tirar a dúvida: Jinki continuou sendo empresário, mas o Bum mudou um pouco. Espero que não seja um problema. FIz a fic com todo o meu carinho, espero que gostem <3
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Plot enviado: #214 - Poucas pessoas conseguem lembrar-se de suas vidas ou amores passados, no entanto, quando o amor é forte demais, não há tempo que possa apagá-lo. E bastou que Jinki apertasse a mão de um de seus clientes, por mera cortesia, para recordar-se de memórias das quais jurava não ter vivido.
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Sinopse: Quando Jinki descobre que Minho está doente, ele não pensa duas vezes e vai até o apartamento dele, nada mais do que querendo ajudar a pessoa por quem ele é apaixonado. Como Minho irá reagir a isso?
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Jinki parou em frente à porta; as mãos ocupadas com as sacolas de compra. Lá fora estava congelando e o casaco e o cabelo dele estava cheio de flocos de neve.
O que ele estava fazendo lá?
Quando ele tinha ligado para Kibum naquela manhã e dito que Minho tinha passado a noite passada fazendo um photoshoot ao ar livre, com aquele frio, e ido embora mais cedo do estúdio, porque estava doente e com febre, a mente de Jinki ficou em branco e o corpo se moveu automaticamente.
Sem nem mesmo perceber o que estava fazendo, Jinki, quando viu, já estava fora de casa indo para a farmácia e, então, ao pequeno mercado que ficava na esquina do prédio de Minho, comprando tudo o que era necessário - pelo menos era o que ele achava – para cuidar de uma pessoa doente.
Agora, ainda parado em frente à porta, Jinki se perguntou, pela milésima vez, se não era melhor ele ir embora. O negócio era que Jinki não era a melhor pessoa para cuidar de alguém doente. Para ser sincero, Jinki não conseguia nem cuidar de si mesmo quando estava doente, quanto mais cuidar de outra pessoa.
Mas era Minho quem estava doente. Minho. O lindo modelo que tinha olhos grandes e gentis, que tinha um dos melhores sorrisos que Jinki já tinha visto na vida, que conseguia ser sexy e depois fofo, tudo num photoshoot só. Que tinha uma voz maravilhosa que assombrava Jinki durante a noite, que tinha um corpo de dar inveja em qualquer um e caramba se Jinki não babava por aquele tanquinho.
Então, como Jinki podia não fazer nada? Como Jinki podia não querer cuidar de Minho quando ele era total e miseravelmente apaixonado pelo modelo? E, é claro, um ótimo amigo.
Yeah, era exatamente por isso que Jinki estava naquele prédio, em frente aquela porta, com o dedo pressionando a campainha e sentindo suor escorrer pelas têmporas.
Talvez ele devesse ir embora. Minho com certeza estava dormindo, já que tinha passado cinco minutos e ninguém ainda tinha aberto a porta.
“Oh, eu sou tão estúpido. Kibum me deu o código para no acaso de Minho estiver dormindo.” ele murmurou, procurando nos bolsos pelo celular e lendo a mensagem que o homem mais novo tinha mandado com o código do apartamento de Minho.
Jinki já tinha imaginado como seria a casa de Minho inúmeras vezes. Com certeza tinha móveis caros e elegantes e tudo seria limpo e bem arrumado. O que Jinki não imaginou era que seria totalmente ao contrário.
Os sapatos, caros e elegantes, estavam espalhados na entrada, e Jinki quase tropeçou em um deles quando tentou entrar, na sala tinha papeis e fotos espalhados pelo chão, e o sofá estava praticamente escondido por casacos e cachecóis.
“Ugh, ele é tão bagunceiro.” Jinki disse rindo e balançando a cabeça.
Colocando as sacolas na mesa da cozinha, Jinki tentou organizar um pouco as coisas, pegando os papeis e fotos espalhadas pelo lugar. Ele percebeu que as fotos espalhadas eram as do último photoshoot que Minho tinha feito para uma revista, fotos essas que tinham sido tiradas pelo próprio Jinki.
Sorrindo, Jinki pegou uma das fotos – a favorita dele –, uma em que Minho estava de olhos fechados, o rosto inclinado para o lado e os dedos nos lábios - a marca registrada dele. Minho usava um blazer vermelho, sem camisa por baixo, e uma calça preta perigosamente baixa mostrando os ossos salientes do quadril. Todos naquele set, incluindo Jinki, tiveram que se abanar com tamanha perfeição.
“Okay,” Jinki disse olhando ao redor, satisfeito com a ‘arrumação’ que ele tinha feito na sala. “Agora preciso achar Minho e ver como ele está.”
Foi no último quarto do corredor que Jinki achou Minho. O homem mais novo estava encolhido debaixo de um cobertor pesado e mesmo assim, Jinki pode ver que ele tremia e respirava alto, indicando que estava com febre.
Jinki colocou a mão na testa de Minho e percebeu como ele estava quente. Gotas de suor brotando da testa e escorrendo pelas têmporas. Ele precisava fazer alguma coisa para ajudar, afinal, ele estava lá exatamente para isso.
Mas o quê? De repente Jinki se encontrou com a mente em branco, totalmente vazia. Desesperado, ele fez a única coisa que sabia que iria ajudar: ligou para Kibum.
“O que é? Eu estou trabalhando!”
“Kibum, eu preciso de ajuda. Minho está com febre!”
“É claro que ele está com febre, foi por isso que ele foi embora.”
Ele praticamente podia ouvir Kibum revirando os olhos do outro lado do telefone.
“O que eu faço? Ele... Ele está suando e tremendo e... E eu não sei o que fazer.”
“Oh Deus, o que você foi fazer aí se você não sabe nem mesmo cuidar disso? Ah, quem eu quero enganar? É lógico que você não sabe. Você não sabe nem mesmo cuidar de você.”
“Oh, qual é Kibum.” ele disse levemente irritado, mesmo que Kibum tenha falado a verdade.
Kibum bufou. “Você passou na farmácia antes de ir aí, certo?”
“É claro que sim.”
“Então pegue o termômetro e coloque nele, debaixo do braço viu?!”
Ele não era estúpido, pelo amor de Deus.
“Eu sei,” ele murmurou mexendo na sacola atrás do termômetro. “E depois?”
“Enquanto você espera o termômetro mostrar a temperatura, coloque um pano úmido na testa dele, isso vai ajudar. Se a febre dele não estiver muito alta, você pode deixar ele assim por um tempo, molhando o pano de vez em quando até quando ele acordar. Mas se tiver muito alta, você vai ter que acordar ele para tocar o remédio.”
“Oh, okay, eu posso fazer isso.”
“Pelo menos, né?! Isso não é tão difícil. Você comprou mingau para ele também? Você sabe que isso ajuda.”
Então era isso que Jinki tinha esquecido. Ugh.
“Não,” ele murmurou. “Eu comprei laranja para fazer um suco e outras coisas, mas o mingau eu esqueci.”
“Como você pôde esquecer disso? Você por acaso não está pensando em cozinhar pra ele, né?! Oh Deus, além de doente, Minho vai ter uma indigestão também.”
“Hey,” ele disse ofendido. “Eu não cozinho assim tão mal.”
“Hyung, por favor, eu moro com você, eu sei muito bem o quão ruim é a sua comida. Eu já tive a infelicidade de provar.”
A sorte de Kibum era que Jinki era uma pessoa muito educada.
“Esqueça sobre isso,” ele bufou. “Só me ajude.”
“Okay, okay. Tem um lugar que entrega e o mingau deles, com certeza, é o melhor.”
Jinki assentiu, aliviado por Kibum, apesar de tudo, estar ajudando ele. “Obrigado, Kibum-ah.”
“Só não mate o Minho, okay? Eu preciso dele.”
“Eu não vou matar ele.” ele disso irritado, desligando o celular e voltando para o quarto do Minho com o termômetro nas mãos.
Ele iria cuidar de Minho, como tinha planejado, e, quem sabe, Jinki finalmente conseguisse criar coragem de se declarar para o homem mais novo. Depois de três anos trabalhando juntos, ele estava cansado de assistir de longe o homem mais lindo e perfeito que ele já tinha conhecido. Isso, porque Jinki já tinha conhecido muitos homens lindos na carreira dele.
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Minho franziu a testa sentindo gotas escorrer pelo rosto e pescoço; gotas frias que entravam pela gola da camiseta dele, fazendo ele estremecer um pouco. Piscando os olhos abertos, ele encarou o teto do quarto e tocou o pano molhado que estava na testa dele, franzindo a testa.
Mas antes que Minho pudesse, de fato, entender o que estava acontecendo e como aquele pano foi parar na testa dele, o som alto de algo caindo fez seu coração acelerar e, rapidamente, Minho se levantou, gemendo quando os músculos doloridos protestaram.
Quem poderia estar na casa dele? Minho não se lembrava de ter pedido para alguém ir até lá e ninguém sabia que ele estava doente. Mas uma coisa era certa, não era um ladrão, afinal um ladrão não cuidaria dele antes de roubar as coisas.
Quando Minho entrou na cozinha, a primeira coisa que ele viu foi Jinki em cima de uma cadeira que estava inclinada nos dois pés da frente, balançando perigosamente, vasculhando dentro do armário da cozinha dele. Cacos do que pareciam ser uma das canecas de chá espalhados no chão, ao lado da cadeira.
Pacientemente, Minho esperou, não querendo assustar Jinki, até que o homem mais velho soltou um grito, a cadeira balançando para os lados e braços voando desesperados. Antes mesmo que ele pudesse se mover do lugar que estava, a cadeira caiu para o lado, levando Jinki, que estava segurando outra caneca na mão, para o chão.
Minho se moveu o mais rápido que podia para o lado de Jinki que estava caído no chão; a mão que segurava a caneca erguida para cima, salvando a caneca. “Hyung?”
Jinki abriu os olhos, olhando para Minho que não sabia exatamente o que fazer primeiro. “Oh, Minho-ah?”
“Você está bem?” ele perguntou tirando a caneca da mão de Jinki e colocando em cima do balcão. “Venha, eu te ajudo.”
Lentamente, Jinki se levantou, desvencilhando as pernas enroscadas da cadeira e apoiando no balcão atrás dele. Minho estava tentando respirar direito, com o nariz entupido, parecia que ele estava morrendo, mas conseguiu ajudar Jinki que sorriu envergonhado para ele.
“Me desculpe, eu... Eu acabei fazendo uma bagunça na sua cozinha e te acordando.” ele murmurou, a cabeça baixa, encarando os próprios pés.
Minho olhou ao redor da cozinha, a chaleira estava caída dentro da pia e a caixinha de chá aberta, com os saquinhos espalhados pelo balcão e, é claro, os restos da caneca no chão.
“Err, está tudo bem. Você não se machucou, né?!”
“Eu... Não, não, está tudo bem,” ele disse olhando surpreso para Minho. “Eu meio que estou acostumado.”
E isso fez Minho finalmente rir, aquela situação toda era muito engraçada para não rir, e Jinki piscou, ficando vermelho, e, minutos depois, rindo também.
“Oh hyung,” ele disse ainda rindo, o corpo dolorido protestando. “Eu estava tão preocupado.”
“Me desculpe,” ele murmurou envergonhado, deslizando o dedo pela superfície do balcão, tentando não olhar para Minho. “Eu acabei acordando você.”
“Não,” Minho balançou a cabeça, olhando agora atentamente para Jinki. “Você não me acordou. Mas o que exatamente você está fazendo aqui?”
Isso fez Jinki olhar para Minho, o rosto ainda vermelho. “Oh, eu... Hm... Kibum me disse que você estava doente. Eu só... Eu só achei que você precisava de alguém para ajudar você.”
“Então Kibum mandou você vir.”
“Não... Não, fui eu quem quis vir.”
“Por quê?”
“Oh, porque eu fiquei preocupado,” ele sussurrou, ficando vermelho novamente. “Eu queria cuidar de você.”
Oh, então era isso? Como Minho não tinha percebido isso antes?
A verdade era que Jinki sempre foi um bom amigo para Minho, desde quando eles começaram a trabalhar juntos, e eles se tornaram muito próximos com o passar do tempo. E Minho tinha que admitir que achava o homem mais velho lindo – quem não acharia? –, mas ele nunca imaginou que Jinki estava atraído por ele.
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Minho antes mesmo que ele pudesse se conter e Jinki inclinou a cabeça, curioso e surpreso com a reação dele.
“Então você queria cuidar de mim?”
“Yeah,” Jinki disse coçando o pescoço, envergonhado. “Como você está se sentindo? Oh, por um momento eu esqueci o que vim fazer aqui.”
“Eu estou bem, na verdade...”
“Eu comprei remédio antes de vim aqui,” Jinki disse interrompendo Minho e indo até a sacola que estava em cima da mesa. “Eu não sabia o que comprar, então trouxe tudo o que o farmacêutico me disse para trazer. Ele disse que primeiro que você precisava tomar esse remédio, mas como você estava com febre... Oh, a febre! Você ainda está com febre?” ele perguntou colocando a mão na testa de Minho, mordendo o lábio inferior.
“Hyung, eu estou bem, graças a você.” ele disse sorrindo para Jinki que devolveu o sorriso.
“Isso é um alivio,” ele disse balançando a cabeça e colocando um comprimido na mão de Minho. “Então tome esse remédio aqui e vá deitar, huh? Eu comprei mingau e vou levar pra você na cama.”
Minho riu e balançou a cabeça. “Eu posso comer aqui mesmo, eu não estou assim tão ruim. Foi só uma febre.”
“Não, não, você parecia bem mal quando eu cheguei aqui e é melhor você descansar mais. Eu vou... Eu vou limpar essa bagunça aqui.”
Vendo que Jinki não iria ceder, Minho assentiu e voltou para o quarto, deitando na cama e se cobrindo com o cobertor.
Quem diria que as coisas iriam ficar assim. Minho bufou, tentando não sorrir como um idiota, mas era um pouco difícil, sabendo que a pessoa por quem ele tinha uma atração, definitivamente era atraído por ele também.
E Jinki estava bem ali no apartamento dele, cuidando dele como um namorado preocupado, até mesmo tinha comprado remédios e mingau, levando pra ele na cama. Minho deveria tirar proveito disso, porque sendo franco, quando ele iria ter outra oportunidade como aquela?
Quando Minho tinha terminado o mingau e tomado o remédio que Jinki tinha comprado e insistindo para ele tomar, ele sorriu satisfeito demais consigo mesmo, com toda aquela situação. Nunca que Minho iria imaginar que ter uma febre ajudaria tanto as coisas daquele jeito.
Jinki piscou, olhando curioso para Minho. “Você está se sentindo melhor? Você precisa de mais alguma coisa, talvez um suco? Oh, Kibum disse que suco de laranja era bom. Eu comprei laranja e vou...”
Minho segurou o pulso de Jinki que parou de falar no mesmo instante, a testa franzida. “Hyung, você pode ficar quieto por um minuto?” ele disse rindo. “Eu estou bem, muito melhor do que se estivesse sozinho e eu realmente estou agradecido que você se deu ao trabalho de vir aqui só para cuidar de mim. Então, muito obrigado.”
“Oh... Você não precisa agradecer, Minho-ah. Eu estou feliz que eu pude ajudar, mesmo que eu tenha feito uma bagunça na sua cozinha.” ele disse envergonhado, fazendo Minho rir um pouco.
“Mesmo assim, hyung, eu quero te agradecer e acho que seria legal se a gente saísse talvez para ir ao cinema e depois comer alguma coisa?”
“Cinema? T-tipo um encontro?”
“Se você não se importar.” ele disse sorrindo, usando todo o charme que tinha. Não que ele precisasse, mas era adorável o jeito que Jinki estava corando naquele momento.
“Eu não me importo.” ele disse com um sorrido enorme nos lábios.
“Ótimo, eu estou livre na próxima terça-feira.”
“Terça? Hm, eu não estou livre nesse dia.”
“Quando você está livre?”
Jinki mordeu o lábio inferior, pensando. “Sexta-feira.”
“Okay, vamos na sexta então. Eu dou um jeito.”
“T-tem certeza? Você deve estar ocupado.”
“Hyung, está tudo bem,” ele disse sorrindo e finalmente soltando o pulso de Jinki. “Vamos na sexta.”
Sorrindo, Jinki olhou para as próprias mãos e Minho não podia estar mais feliz.
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Jinki estava em frente ao cinema pulando de um pé para o outro na tentativa de esquentar o corpo um pouco, e fumaça branca escapando pelos lábios. As mãos estavam enterradas dentro dos bolsos e, a cada segundo, ele olhava para os lados, tentando achar Minho dentre as poucas pessoas que estavam andando pela rua.
“Hyung?”
Virando-se, Jinki deu de cara com Minho parado do lado dele, um sorriso lindo nos lábios. “Oh, Minho-ah, você chegou?”
“Desculpe a demora,” ele disse puxando Jinki pelo braço para dentro do cinema, onde estava quente. “Por causa da neve, o trânsito está uma loucura.”
“Não se preocupe, eu não esperei por muito tempo.” ele disse suspirando aliviado quando sentiu o calor finalmente espalhando pelo corpo dele.
A mão de Minho ainda estava no braço dele, os dedos com luva enrolados contra o casaco e Jinki mordeu o lábio para não sorrir e mostrar tão descaradamente o quão feliz ele estava por estar ali com o homem mais novo.
“Então tá bom. Agora vamos entrar? Eu comprei os ingressos online, então não precisamos enfrentar fila.”
“Oh, mas... Não vamos comprar pipoca? Quero dizer, cinema sem pipoca não é a mesma coisa.” ele disse fazendo bico.
Comprar pipoca era praticamente uma obrigação e Jinki simplesmente não podia ficar sem.
Minho riu, soltando o braço de Jinki. “É claro, a pipoca. Eu acho que hoje posso abrir uma exceção.” ele disse piscando.
Como Jinki podia ser tão estúpido! É claro que Minho não comia esse tipo de coisa, já que era um modelo e tinha uma dieta regulada e provavelmente só comia coisas saudáveis, como salada.
“Está tudo bem, a gente não precisa de pipoca,” ele disse tentando parar Minho que foi para o caixa. “Minho-ah.” ele quase choramingou, se sentindo culpado agora.
“Hyung, quando se vai ao cinema, tem que ter pipoca, certo? Vamos nos divertir hoje, okay?”
Hesitante, Jinki assentiu e ambos acabaram sentados lado a lado dentro da sala de cinema; o balde de pipoca entre eles. Todas as vezes que os dedos deles se tocavam, Jinki sentia calor se espalhando pelo corpo e o coração a bater rápido dentro do peito.
Nem em um milhão de anos Jinki iria imaginar que Minho iria chamá-lo para sair, mas, mesmo assim, ele não queria criar expectativas, mesmo que o homem mais novo não estava fazendo nada além de mandar sinais de que estava interessado. Jinki não queria fazer algo errado e acabar estragando a amizades deles.
Por isso, Jinki iria esperar Minho fazer o primeiro movimento, se é que ele faria algum.
O filme que eles estavam assistindo era um de ação, o tipo favorito de Jinki, e ele acabou ficando absorto na história e com as cenas maravilhosas de ação, esquecendo um pouco sobre aquela coisa toda de romance entre ele e Minho.
“Hyung,” Minho sussurrou no ouvido dele, fazendo Jinki se assustar e virar o rosto, quase batendo o nariz na bochecha dele que sorriu.
“O-o que foi?”
“Eu realmente quero te beijar.” ele sussurrou chegando mais perto, a respiração quente contra a bochecha de Jinki.
Graças a Deus estava escuro lá dentro, porque Jinki estava mais vermelho do que um tomate. “E-e o que está te impedindo?”
Realmente, não tinha nada impedindo, e Jinki fechou os olhos assim que sentiu os lábios macios de Minho contra os dele, a respiração ficando presa na garganta e o coração batendo ainda mais rápido.
Minho colocou a mão no rosto dele, inclinando o rosto de Jinki para o lado, para o ângulo perfeito para que o beijo fosse aprofundando, deslizando a língua pelos lábios dele que, sem pensar duas vezes, entreabriu, ofegando levemente e segurando o casaco do homem mais novo entre os dedos, puxando Minho ainda mais perto.
Os dois se afastaram e Jinki sorriu um pouco envergonhado quando Minho olhou atentamente para ele, parecendo hipnotizado enquanto corria os dedos pelo rosto dele, o dedão escovando na bochecha dele.
“M-Minho-ah, eu...”
“Você é tão lindo,” ele disse olhando intensamente para Jinki. “Que eu ainda não posso acreditar que você está aqui na minha frente.”
O quê? Aquilo era um absurdo.
“Não seja bobo,” ele disse rindo, e ganhando alguns olhares das pessoas que estavam ao redor dele. “Eu sou só um cara comum, você é que é...”
“Eu sou o homem mais feliz por saber que você também gosta de mim.”
O cérebro de Jinki naquele momento resolveu desligar e ele agiu por impulso, puxando Minho pela gola do casaco e esmagando os lábios juntos novamente, mostrando a felicidade que ele estava sentindo por ter Minho lá com ele, com os lábios.
Depois do cinema, Jinki e Minho acabaram sentados em uma mesa à beira do rio Han, as luzes coloridas da ponte brilhando sobre a superfície da água, fazendo tudo parecer tão mágico, mesmo que Jinki já tenha ido naquele restaurante antes. Mas ter a companhia de Minho fazia tudo muito melhor.
“Posso te fazer uma pergunta?” Minho perguntou tocando de leve a mão de Jinki que assentiu. “Desde quando? Desde quando você gosta de mim?”
Jinki sorriu, essa era uma pergunta fácil de responder. “Você se lembra daquele photoshoot que fizemos para uma marca de roupas no telhado de um prédio?”
Minho franziu a testa por um minuto, pensativo. “Oh, você quer dizer aquele em que eu era um andróide e tive que usar aquelas roupas loucas?”
“Esse mesmo,” ele disse rindo, lembrando do quão desconfortável Minho parecia naquelas roupas. “E então começou a chover e todo mundo correu tentando salvar o equipamento e se salvar da chuva. Nós dois nos abrigamos debaixo de um toldo por mais de uma hora e você estava tão lindo, eu simplesmente não podia parar de te olhar.”
“Sério?” Minho disse rindo sem jeito. “Eu não sabia, eu não percebi nada.”
“E você?”
Já que Minho tinha perguntado, Jinki também podia.
“O dia que você escorregou no gelo,” ele disse rindo. “Cara, pensei que meu coração iria sair pela boca quando vi você caindo, por sorte consegui te segurar na hora e naquele momento, quando senti você pressionado contra mim,” ele deu de ombros. “Eu percebi que eu gostava daquilo, gostava de ter você nos meus braços.”
Isso fez Jinki ficar vermelho de novo. Minho era muito bom com as palavras e Jinki tinha que admitir que ficava pendurado em cada palavra do que o homem mais novo dizia.
“Oh, faz tempo que gostamos um do outro e mesmo assim nunca falamos nada.”
“Né?! Mas agora que resolvemos isso, podemos aproveitar.” Minho disse pegando a mão de Jinki por cima da mesa.
“Sim, nós podemos.” ele disse sorrindo e apertando de leve a mão de Minho.
Com certeza ele iria.
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Minho riu, satisfeito com o que estava fazendo, satisfeito em ver o quão afetado Jinki estava naquele momento, o quanto as mãos dele tremiam segurando a câmera fazendo as fotos saírem tremidas. Ele até estava ficando com um pouco de pena, mas era tão engraçado provocar o homem mais velho daquele jeito.
“Lee Jinki-ssi, por favor preste atenção.” o diretor reclamou, olhando paras as fotos no monitor.
Jinki assentiu e olhou para Minho com os olhos estreitos, fazendo o sorriso nos lábios dele morrer de repente. Estava claro que o homem mais velho estava ficando chateado e era hora de parar.
Ele murmurou um pedido de desculpas para Jinki que balançou a cabeça parecendo um pouco irritado, e isso fez Minho se sentir ainda mais culpado por provocar o namorado dele daquele jeito.
“Vamos tentar de novo, Minho-ssi.” Jinki disse tentando sorrir, mas pareceu que estava fazendo uma careta em vez.
“Sim, me desculpe.” ele murmurou posando novamente no sofá em que estava, colocando o braço sobre a cabeça e respirando fundo.
Depois que tudo estava terminado e Minho estava finalmente em roupas normais e sem maquiagem, ele achou Jinki terminando de guardar o equipamento e sorriu, passando um braço pela cintura do homem mais velho.
“Hey,” ele sussurrou no ouvido de Jinki que estremeceu. “Estava esperando por mim?”
Virando-se, Jinki estreitou os olhos, empurrando Minho para longe. “Ainda estou bravo com você. Deus, foi tão embaraçoso.”
“Hyung,” ele disse fazendo bico. “Eu não queria te envergonhar, eu só estava brincando um pouco com você. Me desculpa?”
“Não sei se você merece.”
“E se eu te levar para comer kkochi eomuk, você me perdoa?”
A sorte de Minho era que ele conhecia Jinki muito bem e sabia que depois de ficar o dia todo no estúdio sem comer, Jinki estaria morrendo de fome.
“Sorte sua que eu estou com fome.” ele murmurou, mordendo o lábio e Minho riu, passando o braço na cintura dele novamente e o puxando para mais perto.
“A minha sorte é ter você ao meu lado.”
E nesse momento, Jinki esqueceu de tudo, de onde estava e até mesmo que estava um pouco irritado com Minho. Tudo o que ele sabia era que estar nos braços do homem mais novo e saber que Minho era dele, era a melhor coisa.
“Me beije.”
Minho sorriu, se inclinando e escovando os lábios contra os dele. “Finalmente, eu estava morrendo de vontade de te beijar o dia inteiro.”
Não era preciso dizer que Jinki também estava e suspirou satisfeito quando Minho se inclinou, beijando ele ternamente e envolvendo Jinki com os braços, envolvendo Jinki com o calor do corpo e o cheiro dele, envolvendo Jinki com amor e isso era tudo o que ele precisava.
Melhor lugar para se estar.
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Plot enviado: #276 - Jinki decide cuidar do seu amigo quando ele fica doente. Mesmo sendo a pessoa mais atrapalhada do mundo, X fica feliz por tê-lo ao seu lado.
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Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Avisos: insinuação de sexo, sexo, linguagem imprópria, nudez
Sinopse: Em uma madrugada, Jonghyun lê fanfics que seu fandom escreve. Pouco tempo depois, adere ao hobby.
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Como de costume, lia o que suas fãs tweetavam após a rádio. Era um verão ameno, mas a madrugada nunca deixou de esfriar solitária no concreto da capital. Com passos calmos, caminhou até o seu carro, aproveitando do silêncio e tranquilidade do breve percurso. Sorrindo com os elogios e bobos comentários na rede social, pulando de um perfil a outro sem o cuidado que deveria ter de não favoritar acidentalmente um tweet avulso, vê um perfil divulgando um link com uma imagem em anexo e a descrição de um último capítulo.
Fora um dia singular. Não incomum, mas um dia cuja rotina se repete poucas vezes por ano. Não é todo dia que viaja de Paris a Seul entre uma filmagem por causa da transmissão. Além disso, tem o tornozelo enfaixado, os músculos doloridos e a mente cheia. Pensado nisso, enquanto encarava a imagem de uma montagem mal feita de seu rosto com o de Jinki, perguntou-se que mal faria ler um pouco do que as fãs tem interesse de escrever sobre eles, a fim de se distrair um pouco.
Sempre ouviu de seus sunbaes sobre as coisas que elas são capazes de escrever, além de constrangedoras edições de imagens. Sempre soube que seu fandom não era diferente, mas nunca deu espaço para conhecer esse lado dos que lhes dão suporte. Assim, abriu a página, certo de que nada do que estivesse escrito ali seria capaz de chocá-lo.
Conquanto passava os olhos pelas linhas, concentrava-se no enredo simples. A cada parágrafo, revelações sobre o passado deles numa realidade alternativa dispunha-se de modo interessante ou trivial. Eles se encontravam através de uma busca que Jinki fazia quanto a um segredo do pai, e dali situações corriqueiras e de leve impacto eram tecidas em palavras.
Era incapaz de não imaginar a si e ao colega representando os papéis dados, com simples informações pessoais que dão na mídia e que ali tornavam-se características principais.
Apesar de sentir-se um pouco constrangido quando o já previsto acontecimento romântico revelou-se na trama, ateve-se ao desenrolar geral da estória. Em certo ponto, no entanto, a relação homossexual entre os companheiros de grupo aprofundou-se de modo que não poderia não prestar atenção ao detalhamento exagerado de uma cena erótica e, ao seu ver, muito prematura.
Quando, envolto nas palavras hipnotizantes, leu “pênis”, largou o celular no banco do carona e deu partida no carro, com um riso constrangido e desacreditado. Ao contrário do que imaginou, chocou-se um pouco com a situação que estava prestes a ler, além de uma ideia que lhe surgiu de que, enquanto estava diante das fãs em um show, boa parte delas poderia estar olhando-o na esperança de somente presenciar uma interação com seu indivíduo favorito, para no fim expressar sua pulsão sexual reprimida em histórias mirabolantes.
Parte sua tivera a vontade instantânea de, no próximo concerto, negar interações que poderiam ser maliciosas; mas uma parte maior ainda sentiu o desejo de incitá-las, principalmente se fosse com um membro especial do grupo.
No dormitório, já deitado e de pijamas, lutava contra a curiosidade de terminar de ler a fanfic. Primeiro convenceu-se de que o único interesse era o de saber o final da estória. Depois reconheceu que tinha um pequeno desejo em saber como as fãs descreviam o sexo entre eles, se eram todos bons de cama e com bons centímetros quando excitados.
Quando continuou a ler, no entanto, esqueceu as desculpas e se deixou levar com os detalhes que coloriam sua imaginação.
Apesar de o sono pesar suas pálpebras, Jonghyun finalizou a leitura daquela JongYu, finalizou mais uma fanfic, abandonou duas e iniciou outra de casal diferente. A última era extremamente erótica, e praticamente não existia história além dos encontros dos membros do grupo, que sempre terminavam em sexo e gritos de prazer ao acertar-se o “ponto sensível” do outro.
Quase amanhecendo, Jonghyun constatou sincero que interessou-se muito por esse tipo de história com temática erótica, e não se envergonhou do fato de que, enquanto lia a última, percebia-se levemente ofegante e excitado, de modo que sua mão livre caminhara de encontro ao próprio sexo que se tencionava, e ele já não se preocupava se o seu nome estava em uma personagem lasciva que dizia coisas obscenas e se colocava em posições de grande embaraço.
Naquele dia, dormiu menos que de costume, e o dia seguinte foi uma recordação infinita ao ver o rosto de seus colegas e recordar das coisas que lera durante a madrugada. E, sob uma espécie de perversão divertida, continuou lendo durante os intervalos do treino. Por várias vezes, pegou-se constrangido de leve por frases românticas ou depravadas que um nunca diria para os outros, e riu da infantilidade de situações extremamente fantasiosas e da ignorância quanto ao orgasmo masculino pela próstata, e coisas relacionadas. Sabia que alguns exageros eram incentivadores, excitantes, ou até divertidos, e enquanto não conseguia parar de pensar nas fanfics durante o trabalho, ao invés de só criticar suas falhas, não deixava de se perguntar se era capaz de criar uma história que fizesse alguém ficar tão envolvido no enredo ou excitado com as descrições, como acontecia consigo diante das que lia.
Assim, três dias depois, inspirado pelas fanfics que não parou de ler, compunha alguma canção sobre amor quando uma ideia ocupou as linhas de seu caderno. De início tentou não se censurar, mas ainda que tivesse uma preferência pelas fanfics mais picantes, achou-se incapaz de continuar aquela prosa falando de um desejo sexual explícito.
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BABY-FACED BOY
“... Há tanto tempo vejo o mesmo sorriso ou a expressão de tédio tomarem as suas faces que tornei-me um escultor mental de suas feições. Admito: Nas horas vagas, modelo o seu rosto para o meu deleite; mas, às vezes, juro que é involuntário, como quando estou sozinho e, automaticamente, começo a imaginar sua presença ao meu lado, acompanhando-me no pôr-do-sol em um país onde nossos rostos não estão estampados em outdoors, ou fazendo presença junto de meus amigos íntimos no dia do meu aniversário. Nessas doces ilusões, sua palma contra a minha é de uma calidez capaz de confortar o coração mais alvoroçado, e eu me pergunto se o suor que protege a sua pele evapora como substância persuasiva. Mas que seja, pois, Taemin, só a sua essência em poeira imaginária já me transforma numa massa movida a empatia, calmaria e vigor.
Diariamente bebo do elixir de sua companhia irreal e mudo o mundo para um lugar melhor, onde a sua existência há de ser primordial, e há de ser exaltada...”
Escreveu mais: sobre a admiração que tem por seu dongsaeng, sobre como o adora e como é bom poder vê-lo crescendo e amadurecendo e tornando-se um ídolo insigne. Mas vai além. Fala também sobre um desejo oculto de tê-lo preso nos braços e tirar de si risadas ou frases românticas tão clichês quanto possível.
Achou que essa sua primeira prosa mais parecia um poema cujos versos se mantinham na mesma linha. Relendo o texto, achou que não poderia fugir muito disso, ao menos não nessa primeira fanfic, que abordava mais sentimento do que descrições de ações românticas. Apesar da discrepância no número de palavras e facilidade de decifrar o enredo ao compará-la com as que lera nos últimos dias, ficou satisfeito. Era como a primeira música que escreveu, cujas rimas infantis e exageradas mantêm-se gravadas na memória, ainda que nunca a cante e a divulgue. É sua, foi feita com carinho, alguma dedicação e sinceridade. Não tem coragem de apagar.
Mas se esforçou nos dias seguintes, sem saber exatamente o porquê, para conseguir expressar seus devaneios acerca de sua recém-formada relação imaginária com Taemin, de um jeito mais padronizado, sem tanta poesia e com mais descrições simples.
Alguns dias depois, começou outro rascunho na mesma situação em que escreveu Baby-faced Boy: buscando inspiração para uma composição que não saiu das três primeiras linhas.
Estavam todos no mesmo cômodo, com exceção de Kibum, e Taemin falava algo com empolgação para o mais velho dos cinco que tentava atravessar a sala e chegar à cozinha. Jonghyun observava de longe, sentado num sofá lateral ao que Minho jogava videogames; seus olhos permaneceram focados no dongsaeng, que parecia despertar em si um sentimento além do de carinho e admiração, quando deu-se conta do quanto adorava admirar as curvas estreitas de seu perfil.
BEAUTIFUL VIEW
É uma tarde estranhamente fria de verão. Meus sentidos estão letárgicos. Os sons de um campeonato emanam da TV onde Minho mantém sua atenção, e um vento manso adentra pela janela e esfria a minha nuca, mas o resto do meu corpo está quente como brasa. À minha frente, numa distância terrivelmente extensa, ele atrai minha visão. É angustiante, porque é impossível não olhá-lo.
Ele chama Hyung e expressa empolgação diante de alguém que não pode tornar aquilo algo mais. Eu sinto inveja. Jinki sempre é o alvo de Taemin, a quem pede ajuda ou procura para se divertir, ainda que eu sempre me mostre disponível e suscetível a suas interações. Mas sinto que preciso tentar, mais uma vez em um milhão, aproximar-me dele, mesmo que um pouco e numa tentativa que provavelmente vai ser falha, como qualquer outra.
Quando Jinki foge de Taemin com uma desculpa qualquer, do modo que sempre faz quando o mais novo lhe importuna, vou até ele. Não fica tão feliz quanto estava quando diante do mais velho, mas pretendo tentar mudar esse pensamento. Ele se mostra desanimado e eu tenho uma ideia.
— Venha comigo — sugiro, tirando a chave do carro de dentro do bolso da calça e exibindo-a diante de seus olhos, que vasculham a sala e parecem fazê-lo se decidir a vir comigo, ao perceber o que Minho faz. Sorrio ao pensar que ao menos não sou sua pior opção. Ninguém quer, durante um dia de folga, ficar mais entediado ou irritado com um jogo aborrecedor ao lado do Doutor Competição.
— Eu dirijo — ordena, mas tenho que negar. Para aliviar, enquanto descemos as escadas do estacionamento, prometo que se ele se comportar, entrego o volante na volta. Ele me olha zombeteiro antes de entrar no carro. Nem eu acredito que o tratei como criança... — Aonde vamos? — pergunta desinteressado, ligando o som e procurando alguma música no próprio celular para sintonizar. Eu não sei aonde vamos, mas preciso pensar rápido antes que ele desista e saia do carro irritado como um adolescente.
— Comer. — É o melhor que consigo? É o melhor que consigo sob pressão.
— Vamos dar uma volta antes — sugere com o tom mandão de sempre, e tem um tipo de melancolia quando coloca o cinto de segurança, o que provavelmente é um exagero das minhas concepções, sempre tentando encontrar poesia nas ações mais triviais.
Ele escolhe uma música internacional que não conheço e fica tentando cantar em inglês. Eu acelero e vejo ele sorrir.
Anoitece enquanto a gasolina esvazia no tanque. A adrenalina que sentimos quando uma curva parece que não vai ser percorrida àquela velocidade aproxima-nos mais do que compartilhar um palco por oito anos. A ideia de morrer enquanto o carro capota e pega fogo deixa-nos vulneráveis a memórias de saudade e arrependimentos, o que faz nossa conversa ser sentimental e sincera, mas também carregada de sarcasmo pela noção de termos chances de não sairmos daquele carro vivos, ainda que não acreditemos totalmente nessa ideia.
Taemin me conta sobre seus últimos anos no colégio e a última briga com os pais, mas também sobre a satisfação de seu último álbum vender bem. Digo a ele como fiquei orgulhoso de seu bom trabalho, como se eu fosse o pai que o criou, que o educou e o sustentou até que ele pudesse sair de casa e buscar um meio de viver por si próprio. Mas ele não vê com maus olhos. Agradece, com a timidez que tem quando precisa ser generoso, e promete que vai continuar assim, ou se esforçar para melhorar ainda mais.
Entre uma ultrapassagem e uma manobra bem-feita, uma gargalhada e um silêncio de tensão, exclama que sou louco, comemora o motor potente, grita meu nome num aviso excitado quando a rua está parcialmente congestionada e eu não tiro o pé do acelerador. Agarra-se ao cinto de segurança ou ergue um dos braços para fora da janela.
É a nossa sétima volta naquela rodovia quando concordamos em silêncio que é hora de fazer uma pausa. Há uma lanchonete no final da estrada, provavelmente vazia e mal administrada. Antes de sairmos do carro, arrumo seus cabelos e fico surpreso de ele não tentar se esquivar da aproximação súbita. Imagino que seja assim porque está animado demais para suspeitar que eu sinta algo, tanto que me faz o favor de ajudar-me com meus próprios cabelos. Para mim, aquela aproximação tem um significado imenso, mas para Taemin é só um passatempo para um dia entediante.
Ele sai do carro assim que termina de abaixar os fios do meu cabelo que o vento desarrumou, sem deixar existir clima entre nossos rostos aproximados. Coloco o boné que sempre guardo no carro, me preocupando um pouco por Taemin entrar na lanchonete sem pensar se pode ter alguém lá dentro para vê-lo e fazer escândalo.
Para nossa sorte, há poucas pessoas, todos casais de idade que poderiam estar em viagem, visto os trailers estacionados ao lado do estabelecimento deslocado. Ele escolhe uma mesa no canto mais afastado e, assim que se senta, percebo a luz acima, quebrada, como se existisse uma bolha obscura e que, dentro dela, as coisas de fora tornam-se diferentes.
Ele escolhe um hambúrguer cheio de muitas coisas e um refrigerante de uva. Eu fico com o mais simples e água com gás. Tento puxar qualquer assunto, mas ele não ajuda. Fica me encarando, ou encarando os dois funcionários entediados e os clientes silenciosos, até que alguém traz os hambúrgueres.
— Não deveríamos comer isso, é lixo puro... Mas tão gostoso! — exclama antes de morder o lanche, sujando o redor da boca de molhos ketchup e mostarda. Sorrio com sua imagem imatura e deixo de sorrir com a percepção de que eu sorria.
Ocupo-me com meu próprio lanche e com a fome que ele me traz, procurando, antes de comê-lo, qualquer inconformidade que me faça sentir repulsa e sair do estabelecimento, com a promessa de nunca mais entrar em uma franquia de fast-food.
— Se você procurar demais, vai encontrar. — Ri soprado, brevemente, e torna a observar as pessoas ou focar-se no alimento.
Pergunto o motivo do sorriso bobo e as pernas balançando frenéticas, e ele responde com um dar de ombros, depois olha para fora. Lá longe, acima das montanhas, uma área de claridade opaca é calmamente engolida por um batalhão de nuvens gordas cinza escuras. A grama ao lado da lanchonete é bonita, iluminada pela luz fluorescente, mas do outro lado da estrada a escuridão é visivelmente tenebrosa. Forço meus olhos a enxergar qualquer coisa naquele breu, e ele torna a falar.
— Quer que eu termine por você? — Limpa os lábios e bebe o que restou do refrigerante. Olho para ele e sorrio, sabendo que não vou comer o hambúrguer. — Por que nunca fizemos isso antes? — pergunta indignado enquanto caminhamos até o caixa.
— Porque você sempre está muito ocupado com Jinki hyung.
— Não é verdade, ele… Espera. O que é isso? — Abre a carteira. Está vazia. — Desculpe, hyung, eu juro que não sabia — diz, rindo demais para que eu acredite. Reviro os olhos e pago a conta. Tudo bem, não é nada. Não é como se eu tivesse uma lamborghini e não pudesse pagar dois hambúrgueres comuns. — Eu tinha me esquecido que troquei de carteira. Já que você não se importa…
Ele pega um pote de sorvete de tamanho exagerado para uma pessoa só – ou duas –, colheres de plástico extremamente pequenas e me espera do lado de fora.
— Me dê a chave, você prometeu. — Ergue a mão direita, animado.
— O quê? Você quer vomitar no meu carro?
— Eu não vou correr, prometo. Só nos guiar para casa, respeitando o limite de velocidade.
Aparentemente, alguma pessoa naquela lanchonete deslocada conhecia alguém que podia chegar próximo ao local com uma pequena trupe de fãs, cujos rostos são apenas celulares em modo câmera. Elas nos veem quando estamos adentrando a cidade e, mesmo sem querer, com o sinal fechado, Taemin acelera para se livrar da intromissão. Fica um pouco nervoso, e eu tento tranquilizá-lo para que não acabe cometendo algum outro erro; e sem mais vidro abaixado pelo resto do caminho.
Há agora um clima casual entre nós, como se fôssemos irmãos que cresceram juntos em harmonia, ou velhos conhecidos com muitas ideias em comum. O silêncio não é incômodo, e não preciso tomar conta da velocidade em que ele está. Mas a música que toca agora, em contraste com a nossa sincronia silenciosa, e a fim de me transformar em um depressivo de circunstâncias, diz que perto de uma pessoa em especial, ela continua sozinha; que mesmo que ele a deixe, ela ficará bem, e que nunca se apaixonará.
Ainda que eu adore Taemin, percebo que mesmo que ele se aproxime, continuará muito distante de sentir o mesmo que eu, e diante dessa revelação não posso deixar de odiá-lo por alguns segundos.
— O que foi? Triste por estar voltando para sua vida normal? — pergunta, invadindo meu espaço em busca de uma colherada minúscula do sorvete que gela minhas coxas.
— Por que você come tanto essas coisas se sabe que são porcarias?
— Não tenho vontade de chegar nem perto dos cem anos.
No dormitório, Jinki nos aborda e toma o sorvete das mãos de Taemin, que o segue como um bobo. Fico desapontado – mas não surpreso – por saber que ele permanecerá mais algumas horas com Jinki antes de ir dormir; então vou para o nosso quarto. No entanto, não se passa um minuto e ele adentra ao cômodo. Eu o olho e ele parece esperar alguma coisa, até começar um assunto avulso, sentando-se na cama e sugerindo que eu faça o mesmo. É visível meu estado de surpresa, mas ele continua, e eu me acostumo à sua boa ideia.
Em um momento em especial, meu celular vibra, e ele me incentiva a ver o que é.
— Onde está o seu celular? — pergunto, lendo a mensagem mentalmente em seguida. Taemin tateia seus bolsos e pensa por um momento.
— Acho que esqueci no carro.
— Às vinte e duas horas e quinze, manager diz: “Vocês sabem que ultrapassar o sinal vermelho dá multa, além de se tornar notícia. Então, por quê?” — leio como um locutor para o mais novo, e ele faz uma expressão que se divide entre culpa e diversão.
— Desculpe, hyung — ele pede com um sopro, sorrindo envergonhado. Não é o que eu quero, vê-lo se sentindo assim e assumindo a culpa no dia seguinte. É o que ele vai fazer, mas o dia precisa terminar bem, então eu o chamo imitando uma voz que não é minha. Ele me olha confuso e cúmplice e eu chamo seu nome novamente, seguido de uma bronca típica do nosso manager. Um pouco exagerada e extremamente debochada, acrescento detalhes de sua vida pessoal que de verdade nunca seriam ditas por ele, mas que todos nós sabemos e sempre fazemos pouco caso pelas suas costas.
Quando vejo ele está com as mãos na barriga, deitando-se desajeitado sobre o colchão, de tanto rir. Sigo seus movimentos, deitando-me ao seu lado e retomando as imitações infantis, mas que felizmente o fazem gargalhar novamente quando o riso se tornava brando.
— Chega, por favor, ou eu vou morrer! — pede, e então eu paro. Nossos olhos estão cheios de lágrimas e aos poucos recuperamos o ritmo normal da respiração. A calmaria nos traz um sono absurdo. Quando ele faz menção de se levantar, eu intervenho.
— Fica assim... Desse jeito eu posso ter a visão mais bonita de você antes de dormir. — sussurro, as bochechas doendo pelo sorriso prolongado; ele permanece. Antes de fechar as pálpebras, sinto uma satisfação que me deixa em estado de plenitude. As pálpebras de Taemin também se fecham aos poucos e um pequeno sorriso se mantém nos lábios bonitos. Quando tudo já está escuro, sinto seus dedos tímidos procurarem os meus e abrigarem-se na minha palma que os acolhem. Depois é a inconsciência de paz.
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Terminou de escrever sentado no mesmo lugar, escutando as risadas casuais de Jinki e Taemin na cozinha. Se fosse até eles, seria incluído na conversa, mas não queria assim. Queria ser o único a fazê-lo dar alguma risada. Um pouco desapontado consigo mesmo, seguiu até o quarto que divide com ele e deitou-se na cama com o notebook, a fim de revisar o capítulo.
No fim, poucos dias depois, publicou com um pseudônimo que achou até cômico. No site de fanfics, @fakejonghyun90.
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Uma semana depois, leu os comentários que recebeu. Sentiu-se lisonjeado com os elogios. Entre os comentários, eis que um chamou sua atenção: um pedido de fanfic com classificação dezoito anos. Jonghyun sentiu-se tentado, planejou alguma coisa e escreveu várias outras que não terminou. Mas não desistiu da ideia.
Sua vida diante dos outros quatro membros não mudou muito, com exceção de que passava mais tempo agora com toda sua atenção voltada a um aparelho onde podia ler outras histórias e verificar sua própria conta. A única coisa que o tirava do seu mundo particular era Taemin. Observava todas as suas ações descaradamente, mas permanecendo quieto e não mais tentando impressioná-lo ou agradá-lo sem que tenha sido requisitado.
No intervalo de um show, Taemin se preparava para o solo com Danger. Os outros membros se refrescavam enquanto ele trocava as roupas e era maquiado. Jonghyun fingia mexer no celular, bisbilhotando o dongsaeng sempre que podia, quando o mais novo começou a procurar algo nas cadeiras dispostas próximo à parede e na mesa onde são maquiados. Minho começou a rir, junto de Kibum, repetindo em conjunto “tão típico!”, ao mesmo tempo que se dispuseram a ajudá-lo a procurar o retorno de ouvido que havia perdido.
Sob a pressão de estar demorando demais, Jinki ofereceu o seu e tudo se resolveu momentaneamente, mas o sorriso no rosto dos quatro permaneceu diante da particularidade de seu maknae.
Vê-lo abafado, corado por causa de algo que fora culpa de sua desatenção, atraiu novamente a visão criativa de Jonghyun, que anotou no bloco de notas o que um mês depois seria sua segunda pequena fanfic, baseada na imagem dele diante daquela cena corriqueira.
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CLUMSY ANGEL
“Ele se mostra a mim entre uma névoa cintilante. Tem quatro asas: com duas cobre as faces, e com as inferiores eleva-se do chão. Meus olhos ardem diante de sua pele dourada refletindo o sol nascente. Está nu, mas só o que vejo é um relance de seu corpo em um borrão esbranquiçado. As penas de suas asas dançam na brisa leve, juntamente com alguns fios de seus cabelos louros e reluzentes. Acomodo-me na cama, ainda espremendo as pálpebras para enxergá-lo, na dúvida do que dizer e o que não fazer.
— Jonghyun… — chama, e sua voz é um canto aveludado. Aos poucos, a névoa se esvai e as asas se guardam atrás de suas costas. A luz também diminui, e nenhuma expressão de constrangimento aparece em seu rosto quando posso vê-lo por inteiro. Enquanto me observa, penso perceber uma hesitação em seus olhos de íris acinzentadas e pálpebras rasgadas, típicas do oriente.
De repente não estamos mais no meu quarto, mas sentados em uma grama absurdamente macia. Olho ao redor. A mata se abre para mostrar que uma cachoeira se suicida num lago azul imenso ao nosso lado. Através de seu espelho trêmulo, vejo o céu nublado. Sobre nós cai um sereno frio e incômodo, e o anjo engatinha em minha direção. Quando vê que percebo sua aproximação felina, senta sobre as panturrilhas, o rosto com uma leve expressão de sonolência. Seu falo está rijo e umedece o ventre que o veta, e durante alguns longos minutos fico paralisado com aquela exposição.
Quando acordo da longa constatação, não tenho a sensação de estar em um ambiente diferente, mas algumas coisas foram movidas de lugar. O sereno frio se intensifica numa chuva morna, a água do lago é esverdeada, a grama é um mar de lençóis e o horizonte é infinito e vazio. O anjo permanece com o sexo pulsando, olhando-me nos olhos. Então percebo que sua sonolência não é sono, mas excitação, e que me olha esperando que eu aprove sua aproximação. Eu mesmo começo a ficar teso.
Por algum motivo, reconheço seu rosto e até mesmo seu corpo, mas não sei quem é. Nenhum nome ou lembrança. Ele considera o recente volume do meu sexo sob o lençol como um convite e torna a engatinhar em minha direção.
Até que ele se sente sobre minhas coxas e se apoie em meus ombros, permaneço hipnotizado. Quando se move contra mim, apenas com o lençol de algodão separando nossos sexos, a vibração do prazer nos meus músculos, que deveria me deixar mais avoado, me põe nos eixos. Sua pele parda dançando em frente aos meus olhos é de um esplendor salivante. Ele suspira e eu poderia gozar apenas com aquele sopro em meu ouvido.
Mas é um anjo, e anjos não são corrompíveis. Mesmo que ele dance no meu colo e aperte meu pescoço contra os lábios quentes, eu jamais poderia fazer cair do céu a criatura mais linda do cosmos. Afasto-o lentamente e nego sua menção de se reaproximar. Não sei o que deixou-o suscetível aos prazeres da carne, mas não serei eu quem ajudará em sua destruição.
Quando percebe que estou decidido a negá-lo, começa a se masturbar me olhando com olhos desafiadores.
— Não faça isso! — peço e tento pará-lo, mas ele me empurra e rapidamente se desmancha, com uma expressão que faz uma parte de mim se arrepender de não tê-lo tomado, e outra se culpar por não ter conseguido impedi-lo. Mas o que sei eu sobre o porquê de ele estar entregando-se assim? Por que um deus criaria um ser divino que pudesse considerar a queda?
O gozo escorre de seu corpo e se multiplica pelo chão, agora em linóleo azul claro. Aos poucos, somos engolidos por um oceano alvo, e enquanto tento encontrar uma saída pelas paredes do quarto, ele ri da minha angústia e asco.
Acordo e permaneço por alguns segundos relembrando o sonho, até que Taemin me chama, empurrando meu braço com o pé. Ele está sentado à escrivaninha ao lado da cama, com um livro novo em mãos e a luz do abajur iluminando metade de seu rosto. Tem uma expressão suspeita.
— Estava gemendo. Sonhou comigo? — pergunta com um sorriso de deboche. Gostaria de censurá-lo, mas estou suado e com o pênis entre dois caminhos.
— Você era um anjo — revelo, recostando-me à cabeceira; ele se mostra surpreso e interessado, deixando de lado o livro que lia.
— E o que eu fazia? Tentava te engravidar? — brinca, apoiando os braços nos joelhos, com uma expressão surpresa.
— Tentava me seduzir — respondo, falhando em expressar como acho o sonho patético com um tom de deboche.
— E então?
— Tentei te impedir de cometer o pecado!
— Você não me comeu!?! — Ergue as sobrancelhas. — Sabia que isso pode ser um aviso do subconsciente? Talvez você queira até terminar comigo! Como eu agia?
— Como agia?!
— Sim, como eu tentava te seduzir? Não! Preciso que narre todos os acontecimentos, detalhadamente.
— Primeiro, flutuava aos pés da cama. Depois chamava meu nome... — conto a ele o pouco que lembro e ele se interessa, a ponto de fazer perguntas. Não tenho certeza das respostas que dou, mas satisfaço sua vontade enquanto ele tenta imaginar. No fim, enquanto ele ainda está ruminando os fatos, pergunto: — Que horas são?
— Seis. — Ergue-se da cadeira e abre a cortina, revelando uma claridade inesperada. — Não faço ideia do significado do seu sonho — começa, despindo-se —, mas não posso deixar que meu eu fique na mão assim em todos os universos. Você foi muito cruel com ele, mas não pode negar o eu da sua realidade — finaliza, colocando-se nos pés da cama e tomando na pele a luz do dia. — Ficava aqui?
Assinto, e ele tapa os olhos com as mãos, como se fossem as asas. Repete a cena numa lentidão cômica. — Engatinhava assim? — pergunta, subindo na cama e pondo-se de quatro. Enquanto se aproxima, no entanto, desequilibra-se ao buscar suporte sem tatear antes, e quase cai por não encontrar apoio no vão de minha perna e o colchão. Com uma expressão assustada, ele se recompõe e rimos juntos por breves segundos.
— A paisagem não mudou — indico, idiota.
— Cale a boca! — reclama, pondo as pernas ao meu redor. Sorrimos juntos.
— Não é você que quer seguir o script? Estou apenas ajudando...
— Shh! — rebola no meu colo e pressiona os lábios no meu pescoço. Com aquelas sensações, não me deixo mais perturbá-lo. Acaricio suas costas quentes e apalpo as nádegas macias. Ele geme e se empina para conseguir maior contato entre nossos sexos e, como reflexo, seus suspiros se tornam constantes.
Lembra-se novamente do que sabe sobre o sonho e tenta soprar meu ouvido, mas realiza o ato com uma intensidade desnecessária, fazendo-me esquivar, antes que ele perceba e comece a rir por mais um deslize. Eu o acompanho nesse momento e nos seguintes onde ele se enrola em alguma ação de feitio simples.
Em algum momento, quando concordamos que tiramos quase todo o prazer que aquela posição poderia nos dar, ele busca um preservativo na sua carteira sobre o criado-mudo. Enquanto visto-a, Taemin se coloca de quatro à minha frente.
— Jjong... o seu mastro… na minha auréola — diz, tentando ser sensual enquanto segura o riso, e eu quase desisto de foder com ele. Abaixa os ombros até estarem deitados sobre o colchão, incitando a minha visão por estar tão exposto, iluminado pela luz nublada que entra pela janela.
Aos poucos, penetro-o, indo e voltando e afundando-me cada vez mais, sempre que ele relaxa e me permite ir mais fundo. Imagino que não consiga mais fazer piadinhas, agora que está concentrado em rebolar e sentir prazer, mas ele me surpreende quando, atento demais nos movimentos ritmados que faço contra o seu corpo, resmunga um “amém” ou um “aleluia”, “oh, Pai”, forçando-me a deitá-lo de costas e ocupar sua língua com a minha. Não que eu esteja irritado, mas, às vezes, ele exagera.
As expressões de prazer que ele faz…, parte por realmente estar imerso em sensações extasiantes, parte para me provocar, intensificam o meu desejo. Não preciso estocar com força ou numa velocidade violenta para sentir a contração prazerosa dos músculos do meu corpo. A pressão de seu interior e o erotismo de seus suspiros são o bastante para que eu precise buscar mais oxigênio a fim de não gozar tão rápido; mas ele, vendo que estou perto do ápice, me tenta com gemidos baixos e arranhões superficiais nas costas e braços. O gozo vem rápido e intenso.
Logo que fico livre da inércia pós-orgasmo, abaixo-me até estar com o seu sexo entre os lábios, beijando-o e depois lambendo toda a extensão, de baixo para cima, vagarosamente, até que ele comece a desejar por mais. Assim, e após brincar com a glande numa sucção torturante, abocanho-o e faço-o deslizar até a garganta, retirando-o totalmente em seguida, e assim sucessivamente, enquanto ele ofega e tenta tomar o controle dos movimentos com o quadril.
Deixo que ele o tome, e ele impede que eu tire o seu sexo teso da boca, fazendo-me sugá-lo num ritmo constante. O membro pulsando próximo à minha garganta me deixa um pouco sem ar, às vezes, fazendo com que invariavelmente eu tenha que me afastar para respirar. Apressado para obter prazer, mal espera que eu me recupere para enfiar novamente o sexo teso e afundá-lo em minha boca.
— Ah, Deus; ah, deus..., ah, Jonghyun, assim… Ahh… — geme enquanto dita o ritmo, com os dedos enroscados nos meus cabelos, e goza de modo abundante.
Permaneço por mais um tempo por ali, beijando seus quadris e barriga, até que ele me puxa para um beijo singelo e me acolhe no peito com carícias amorosas.
— Sua boca está com gosto de porra, mas porra divina — diz; reviro os olhos, erguendo-me para ver sua expressão e mostrar a minha de descrença, e ele ri.
É um sentimento estranho o que sinto, um aquecer do coração quando suas bochechas espremem as pálpebras e seus lábios cheios prendem a atenção de meus olhos. Nesses momentos, quando sorri assim, não importando o ambiente em que estejamos, o tempo ridiculamente para e o mundo é tomado por uma sublime lentidão, desfocando-se diante do seu brilho.
Não desejo que alguém tenha que levar a culpa, mas que divindade deitou os dígitos primais diante de seu nascimento e formação? Sua existência é injusta. Quem poderia vê-lo e não se interessar? Que louco é aquele que não se ajoelha diante de seus pés e os beija em devoção! Eu sou devoto; bendito seja Lee Taemin, o anjo querubim do reino dos céus. Entrego-me aos seus intuitos e comemoro todos os dias a sua vinda do céu.
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Após publicar, sentiu-se inibido. Era como enfim afirmar a si mesmo que gostaria de dormir com o mais novo e saborear daquela pele macia.
Respondia alguns comentários da história anterior, quando Jinki, Taemin e Minho voltaram de um ensaio de fotos. Por um instante, enquanto Kibum, que há pouco havia chegado para se preparar para o treino, tirava deles informações sobre o estúdio, Jonghyun perguntou-se como falaria com o mais novo dos quatro após imaginá-lo de quatro.
Como encarar Taemin após despi-lo em palavras? Felizmente para si, ele não estava ficando no dormitório (poucas eram as noites que, de tão cansado, desmaiava na cama sem nem conseguir comer ou tomar um banho, e quando acordava, sumia ao voltar para a empresa a fim de concluir os trabalhos de seu novo álbum solo, antes de encontrar com os membros novamente para os treinos juntos).
Como encará-lo sem malícia, após assistir vídeos de suas apresentações e voltar um milhão de vezes para admirar o movimento de seu corpo, ou aquela expressão de gozo ao buscar oxigênio entre um verso e outro? Como olhar para Taemin e não sentir a queimação no estômago, ou a culpa de expô-lo secretamente em um site de fãs? Lembrar-se das fantasias que tinha era aprazível, mas perceber que não passavam disso doía no peito, como se o ar saísse e nunca mais pudesse entrar de novo. Era como desistir de respirar para que, no desmaio, o delírio se tornasse real.
Mas uma força estranha incitava-o a imaginar mais, a cada intervalo, a cada brecha de tempo, indiferente de seus sentimentos quanto à realidade; ela dizia: imagine, e por fim, escreva. Ao escrever, deu forças ao seu monstro. Olharia para Taemin e esperaria que ele desvendasse, por trás de seus olhos, o que havia imaginado? Ainda que impossível, não ficou ali para ver. Guardou o notebook e preparou-se antes dos outros, saindo às pressas para a empresa.
Não achava que era algo de mais. Ou será que, por conhecê-lo pessoalmente, não devia escrever seu nome num texto junto de palavras impróprias? Finalmente tinha conseguido. Escreveu “pênis” e não se constrangeu quando o fez. Escrever histórias sem enredo muito elaborado começava a parecer normal; escrever desse jeito ficava cada vez mais natural, como quando compunha uma canção sobre amor.
Seus escritos seguintes enchiam-se de erotismo. Todo seu tempo livre foi usado para mergulhar cada vez mais nas realidades alternativas que criou, e que a cada dia tinham importância igual ou superior à vida real.
Estava dependente das fantasias. Sabia disso agora porque, mesmo ciente de que não compunha uma canção há meses, no meio de um jantar com Minho, descrevia cenas no bloco de notas do celular cada vez que um grupo de amigos comemoravam em uma mesa, cada vez que alguém saia pela porta, sempre que ações triviais traziam à mente ideias para enredos clichês.
Dividindo uma bebida alcoólica com o mais novo, naquela noite, deixou escapar que estava escrevendo histórias.
— Heh? Vai lançar outro livro? — perguntou Minho, e o mais velho fez que não. Estavam imersos numa recente onda de melancolia, trazida pelo vinho de arroz e intensificada pelo estômago ainda vazio.
— Estou um pouco frustrado. É um pouco frustrante.
— Então por que continua?
— Não consigo parar. As coisas que escrevo… Elas são absurdas, mas eu queria tanto que as partes mais simples fossem reais...
— Você tem se iludido com isso?
— Tenho vivido para isso — suspirou, decidindo enfim o que comeria.
— Quando posso ler? — perguntou sério; Jonghyun se desfez em risadas... Nunca, nunca.
O mais novo não insistiu; o mais velho não deu trela para os assuntos seguintes. Enquanto Minho vangloriava-se de qualquer besteira, Jonghyun imaginava como chegar à cena erótica para a próxima história.
Horas mais tarde, de volta ao dormitório, alguma conversa em grupo se mantinha quando Jonghyun não conseguiu permanecer no meio dos quatro. Tinha uma necessidade vital de passar para o computador as ideias que teve quando comia com Minho. Despediu-se brevemente deles e fingiu ter sono.
O quarto o inspirou pela escuridão. Sentou-se em sua cama e observou o leito vazio onde Taemin costuma dormir quando não vai para a própria casa. A luz pálida provinda do editor iluminou seu rosto inexpressivo. O barulho das teclas soaram.
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INTERNAL WAR
Entra no quarto em silêncio e em uma lentidão exagerada. Tem uma toalha nos ombros nus, e outra à cintura. Estou escrevendo poemas e ideias avulsas desde as quatro; o sol começa a se pôr no horizonte, iluminando sua tez de um laranja pálido, que sutilmente vai se desfazendo conquanto o astro emerge em escuridão. Tem os lábios entreabertos e úmidos, e as mãos seguram com força as pontas da toalha dos ombros.
— Hyung… ontem… — hesita. Sei a que se refere, mas não sei por que pergunta. É constrangedor para ambos, então, por quê? — O que você...?
— Foi acidental — explico, e é óbvio. — Eu devia ter me preparado antes — se é que você me entende; penso em completar, mas não é necessário. Ele ri breve, constrangido, e os dedos que estavam pressionados na toalha, relaxam.
— Sabe o que é? Eu pensei que tivesse a ver comigo.
— De certo modo…
— Como assim? — rebate rápido; mostra-se surpreso.
— Você ficou me alisando! E fazendo aquela expressão… — gesticulo qualquer coisa, ele logo compreende.
— Ah! Mas foi culpa sua! Na verdade, fiquei daquele jeito também — revela, tornando a apertar a toalha nos dedos, envergonhado.
— Sério? Não deu para perceber... — declaro, e ele parece ofendido. O que posso dizer? Não havia volume algum em suas calças.
— Bem, e o que vai fazer quanto a isso?
— Quanto ao quê?
— Quanto à performance de hoje, quanto ao modo que me deixou…? — Irrita-se.
— Vou fazer você-sabe-o-que antes. Sugiro que o faça também — respondo, tornando a me focar nas anotações que fazia em meu caderno, pois logo devemos nos aprontar para o concerto. Ele não diz mais nada. Pega alguma roupa no armário e sai do quarto. Quando nos vemos novamente, ele está desesperado.
— Hyung! Tentei fazer o que me sugeriu! — exclama com os olhos arregalados, após entrar no meu camarim, apressado. — Mas não consigo!
Olhando-o aturdido e com as mãos em frente ao zíper da calça, peço para que a maquiadora deixe-nos a sós por um minuto.
— Como assim não consegue?!?!
— Estou fazendo isso há meia hora, mas nunca chego lá!
— Taemin... — Não sei o que dizer. — E se você tent-
— Já tentei de tudo, hyung! Não consigo, não sei por quê! Não posso aparecer assim! — Está exasperado. Mostra-me o volume sob a calça, muito aparente, e em silêncio me pede para resolver.
— Não posso fazer nada! — explico o óbvio, numa risada nervosa. — Tente colocar gelo, sei lá!
— De que vai adiantar? Quando estivermos no palco, ele vai acordar novamente!
Encosto-me em uma das cadeiras e fico rindo, constrangido, imaginando o quão absurda aquela situação é. Alguém bate à porta, e como não abrimos, diz que devemos terminar de nos preparar para subir ao palco. Taemin arregala os olhos e esconde metade do rosto com a mão esquerda.
— Por favor, hyung… Faça isso… — pede numa súplica aflita, aproximando-se receoso.
Era só o que me faltava! Um moleque que não consegue se masturbar, pedindo que eu faça por ele! Quem, nesse mundo, numa idade dessas, não consegue findar a própria ereção? Ele se mostra assombrado, pois assim eu o olho. É inacreditável demais, demais!
— Você está brincando? — pergunto, esperando que ele relaxe a expressão e diga que sim, mas ele faz que não. Encaro-o por um ou dois minutos inteiros, esperando que ele saia do camarim ou diga alguma coisa, mas ele não faz, só permanece ali como se sua ereção fosse um machucado de uma doença terminal e eu fosse o único enfermeiro portando uma cura milagrosa.
Pergunto-me mais duzentas vezes se devo fazer o que ele me pede para fazer, e a resposta é sempre não. Mas ele não faz menção de que vai resolver a situação, e não podemos nos atrasar. Sendo assim, e ignorando todos os avisos de alerta que minha mente notifica, tranco a porta à sua retaguarda e ponho-me a abrir o fecho de sua calça.
— Se contar a alguém, eu juro que mato você! — ameaço, e ele suspira um pouco aliviado; e também surpreso, tal como eu mesmo.
Ele não muda as feições até que meus dedos encostem no topo úmido, e daí começa a relaxar do jeito que pode. Faço aos poucos, aumentando a intensidade de acordo como estou acostumado. Tira a camisa e apoia-se com as mãos nos meus ombros; arqueja sempre que dou atenção especial à glande, atrevendo-se até a mover os quadris a fim de ditar um ritmo especial.
Estranhamente, não me sinto tão incomodado quanto achei que ficaria. Estou exageradamente concentrado para uma simples masturbação, pois, por algum motivo, quero que ele pense que sei fazer direito. Tento contornar essa vontade, mas a cada suspiro que ele dá, sinto-me compelido a deixá-lo mais desinquieto.
No entanto, quando meu braço começa a queimar pelo movimento rápido e constante, começo a me aborrecer: não consigo fazê-lo chegar a lugar algum, e o jeito que estou executando é o melhor que sei.
— Taemin, goza logo, porra...
— Estou tentando, hyung! — brada, mordendo os lábios inferiores e apertando meus ombros ao concentrar-se nos estímulos. Sem sucesso, suspiro de enfado, e enquanto o conduzo até que sente-se na cadeira que antes me apoiava, duvido de mim mesmo.
Abocanho o sexo molestado. Ele geme surpreso e se atrapalha enquanto aceita os fatos, arqueando as costas e erguendo o rosto, cada vez que seu membro chega à minha garganta. Observo suas expressões, cada vez mais elevadas, e procuro intensificar as sensações ao mover mais a língua; funciona. Dali a poucos minutos, entra em êxtase. Seus músculos se tencionam e ele se atreve a segurar a minha cabeça contra o seu sexo. Não deixo que o faça dentro da minha boca, mas permaneço por perto, estimulando o frênulo com a língua e o períneo com meu polegar.
Se derrama brevemente na minha bochecha e permanece na cadeira por mais algum tempo, relaxado e ofegante, de olhos fechados e com um pequeno sorriso aliviado.
Começa a rir.
— O que foi? — pergunto cético.
— Achei que não ia conseguir! — Tem um sorriso de pura satisfação.
Eu devia vê-lo com desprezo, após a situação em que me colocou; mas só consigo assimilar suas feições enquanto canta com as que pude ver enquanto chupava seu sexo… e elas não me fazem odiá-lo, e nem amá-lo!, mas sim, contra a minha vontade de espírito e de conduta, desejá-lo.
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Após escrever, permaneceu mais algum tempo relendo e procurando erros gramaticais ou de digitação, até que alguém bate na porta e ele se distrai.
— Olá, hyung — cumprimentou Taemin, e o mais velho o olhou fundo nos olhos após duas semanas inteiras evitando-o. Percebeu que Taemin tinha um sorriso pequeno nos lábios, uma incerteza, enquanto sentava-se aos pés da cama. — No que se ocupa tanto, aí?
— Tentando compor, mas estou tendo um bloqueio de criatividade — mentiu.
— Talvez devesse dar uma volta. Só fica aí, dia e noite... Foi o que ouvi dizer.
— Na verdade, estou evitando ficar na sala. No momento, a vontade de ouvir Minho se gabando de suas pontuações em qualquer jogo é zero. — Sorriem cúmplices.
Depois de uma breve hesitação, pensando no que o outro dissera, viu uma oportunidade. Tinha plena consciência de que estava dependendo demais daquele hobby, mas agora que havia acabado de escrever alguma coisa e estava um pouco cansado daquilo, podia arriscar. Estava exausto por evitar Taemin, e com saudade de bajulá-lo em troca de nada. Assim, tirou a chave do bolso da calça e ergueu-se da cama, deixando o notebook de lado.
— Por que sorri? — perguntou Taemin, seguindo o mais velho com os olhos.
— Vamos?
— Aonde?
— Dar uma volta! — sugeriu, usando um tom alto a fim de jogar a culpa daquela iniciativa no mais novo.
— Hum…
— Vai ser divertido, anda logo... — saiu primeiro, ciente de que o mais novo não era de ceder nada por gestos gentis demais, mas imaginou que se quisesse realmente ajudar seu hyung, ele iria consigo. Esperaria no carro, mas por breves minutos: se ele não aparecesse, sabia que seria um pouco decepcionante, mas se esforçava a acreditar que aquilo não tinha tanta importância assim.
Afinal, não era como se as cenas da primeira fanfic que publicou fossem se realizar. De fato, não queria levar uma multa, nem comer algo que destruiria a dieta que mantinha por mais de meses… mas o final não era desagradável, nem parecia impossível.
Só por estar ali, longe do notebook e tentando se focar em outra coisa além de histórias que queria escrever, sentiu um pouco de alívio. Não era escravo daquilo, ainda que estivesse agindo assim. Podia deixar que uma ideia ou outra fosse perdida; não era como se quisesse viver daquilo agora.
Pensando nisso, e em como o outro estava demorando, foi subitamente tomado por uma dúvida preocupante, que começou num arrepio da espinha, uma tensão nos dedos, amedrontando-o por dentro, queimando seus órgãos e deixando-o vertiginoso, até chegar ao átomo mais deslocado de seu corpo.
Perguntou em um sussurro para si mesmo, na proteção do interior do carro, suando como se estivesse diante de mil sóis:
— Será que fechei o editor de texto?
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Plot enviado: #76 - Stalkeando seus fãs no twitter, Jonghyun descobre fanfics do SHINee. Ele lê algumas e fica bem chocado no início, mas alguns dias depois começa a escrever cenas bem detalhadas do que gostaria de fazer com um dos seus membros, coisas com que ele apenas sonha. Ele compartilha suas fics na internet sob um nome falso.
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Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: Em toda suas vidas, Kim Kibum e Choi Minho jamais haviam imaginado que seriam ameaçados virtualmente por um psicopata por causa de um erro bêbado estúpido. Porém, o mundo gira, o mundo é uma bola, e às vezes há males que vem para o bem.
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Nada era melhor que uma festa sem sentido para esquecer os problemas. Não que Kim Kibum tivesse tantos problemas assim: na verdade, só queria mesmo uma desculpa para beber; não perdia a oportunidade de saborear uns bons drinks. Se bem que uma festa patrocinada por um jogador de futebol só tinha cerveja barata, mas o importante é que era álcool.
Ele já havia perdido a conta de quantos copos de batida havia ingerido, mas quando Woohyun aparece na sua frente com mais um, ele não rejeita. O gosto é horrível e, dessa vez, o doce do morango havia sido totalmente neutralizado pelo amargo da vodka que desce queimando por sua garganta, mas ele vira o copo igual.
― Jonghyun tá te procurando. ― Woohyun diz, se encostando ao seu lado na parede. Eles estavam no canto abastado da sala ao lado de uma janela, observando enquanto seus outros colegas perdiam juízo e dignidade enquanto dançavam.
― Ah, é? ― Um sorriso aparece em seu rosto bonito, e Key se empertiga todo. ― Onde você o viu?
Kibum pergunta, os olhos passando ávidos pelas pessoas amontoadas dançando. Woohyun se inclina sobre suas costas e aponta para o outro lado do cômodo onde Jonghyun estava encostado na parede com os olhos igualmente procurando por alguém, provavelmente ele.
― Pensei que figurinha repetida não completasse álbum. ― Woohyun diz quando ele lhe devolve o copo vazio e começa a tentar dar um jeito em sua aparência; um tanto difícil sem a ajuda de um espelho, mas podia apostar que estava lindo.
― Digo o mesmo pra você e o Sungkyu. ― Ele responde fazendo o amigo ficar vermelho, uma coisa bem normal quando o nome do presidente do corpo estudantil era mencionado.
― Sungkyu é meu namorado! ― Woohyun grita para ser ouvido acima do som alto. Kibum ri andando com passos decididos para o outro lado da sala.
― Ele parece que não sabe!
A questão é que Kibum deveria ter contado quantos copos de vodka misturada com sei lá o quê havia tomado. Ficar paradão encostado na parede era uma coisa, começar a se mover era outra totalmente diferente, principalmente com o nível de álcool que tinha no sangue. Ele desvia de um corpo dançante, mas não é rápido o bastante, e a criatura desajeitada bate em si, fazendo-o perder o balanço, quase indo de encontro ao chão, porém braços morenos e fortes o seguram apertado pela cintura.
― Hey, delícia, estava te procurando. ― Jonghyun sussurra contra seu ouvido, e trilha uma porção de beijos por seu pescoço. É inevitável se sentir quente no momento, com o outro o segurando tão firme e suas costas sendo pressionadas contra o peitoral definido do outro.
― Nossa, Jjong, se eu não estivesse tão bêbado, eu broxaria. Odeio quando você me chama assim. ― Kibum diz se virando no abraço e enlaçando os braços ao redor do pescoço do moreno que sorri de orelha a orelha.
― É mesmo? ― Jonghyun não lhe dá uma chance de resposta, colando seus lábios em um beijo necessitado, e Kibum ficou muito agradecido; menos conversa e muitos beijos: era disso que precisava.
•
A pior coisa de se encher a cara é o dia seguinte. Principalmente se esse dia seguinte for uma segunda-feira ensolarada e dia de aula. Maldito Son Dongwoon e sua festa em pleno domingo, jogador de futebol estúpido.
Kibum se sente um lixo, porém um lixo que se divertiu horrores no fim de semana.
― Eu vou matar o Jonghyun. ― Ele resmunga olhando seu reflexo no espelho, encarando os chupões horrorosos de vermelho em seu pescoço e clavícula. Era uma regra básica e que sempre deveria ser seguida por seus ficantes: nada de marcas.
Key chega a escola atrasado, nada muito fora do comum. Algumas pessoas o encaram nos corredores e ele sorri debochado. O adolescente tinha pensado seriamente em esconder os vergoēs em sua pele, mas de última hora resolveu não fazê-lo, já que se não era pra causar, nem sairia de casa.
― Uou, Kim Kibum! Parece que você se divertiu bastante ontem! – Woohyun diz assim que o vê. Ele caminha para o fundo da sala para o seu lugar no meio de seus dois melhores amigos.
― Parece, não é mesmo? Isso é tudo culpa do Jonghyun.
― Minha o quê? ― O moreno em questão pergunta, com resquícios de sono na fala.
― Os chupões. ― Key diz, mas o amigo franze o cenho confuso. ― Key, eu nāo fui responsável por isso não. A gente deu uns pegas na pista de dança, mas não tivemos muito tempo pra isso. ― O moreno diz apontando para as suas marcas, deixando o loiro totalmente confuso. ― Pode perguntar ao Woohyun, ele viu quando a gente se separou na festa, e eu fui socorrer o Taemin de entrar em coma alcoólico no banheiro.
Key se vira para o amigo loiro, que concorda com o que foi dito pelo outro. Kibum dá de ombros e senta assim que a porta da sala de aula é aberta e a professora de química entra no recinto. Ele provavelmente havia ficado com mais de uma pessoa na festa; ele lembrava bem de ter beijado o Jonghyun, e talvez o Jinki, mas não era do perfil do mais velho dos três ser tão agressivo. O adolescente franze o cenho, ele tinha a sensação de que havia dado o amasso, vulgo sarrada do século, com um indivíduo muito gostoso, mas o problema era que não se lembrava de nada.
Duas aulas vêm e vão e Kibum não diz uma palavra. Seu cérebro parecia que ia fritar de tanto que tentava recordar do rosto, ou pelo menos da voz do peguete misterioso. Seu celular vibra em seu bolso e ele discretamente o puxa para fora, desbloqueando a tela para ler a mensagem do Woohyun.
[Namu]'E então? Quem te fez de pirulito?’
'Eu não sei!’
[Namu]'Tem crtza? Com quem vc ficou?’
'Eu peguei o Jjong e o Onew, e não foram eles’
[Namu]'Você realmente não se lembra?’
'Porra o corpo é meu!! É claro que eu lembraria em quem me esfreguei!!’
Kibum deita a cabeça de encontro a mesa, frustrado. Não, ele não fazia ideia de quem havia lhe marcado, e não era justo. E o problema todo nem era o fato dele não se lembrar, porque essa não era a primeira vez que acontecia, o problema era que havia sido diferente, algo lhe dizia que, quem quer fosse o peguete, não merecia ser esquecido.
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Choi Minho era o tipo de cara que fazia as garotas da escola molharem a calcinha com apenas um olhar ou um sorriso. Ele era bonito, alto, atlético, capitão do time de futebol, com ótimas notas e simpático com quem lhe convinha: ele tinha tudo o que alguém poderia querer em um namorado, mas esse alguém não era Kim Kibum. Sinceramente, ele odiava Minho com todas as suas forças. Não tinha ideia de como a antipatia havia começado. Talvez tivesse sido quando o recém-transferido Minho sentou na sua aula de teatro e roubou seu papel principal como Danny Zuko, ou foi quando um então capitão do time de futebol resolveu namorar sua amiga Sunkyung, para então terminar com ela despedaçando seu coração em pedacinhos. Existiam muitos motivos para se odiar Choi Minho e sua pose hétero.
Então, quando o infeliz senta ao seu lado na única matéria que pagam juntos, Key fica possesso.
Possesso, porque o loiro não parava de lhe lançar olhares de soslaio, vez ou outra, e quando Key olhava em sua direção, via Choi Minho olhar para o outro lado com rapidez. Isso estava lhe irritando demasiadamente.
― O que foi? ― ele pergunta depois da décima olhada do loiro.
― Nada. ― Minho dá de ombros como se não fosse nada de mais.
― Sério, se você me acha tão bonito assim que não pode parar de olhar, tira uma foto. Dura mais.
― Você se acha a última bolacha do pacote, né, Kim Kibum?
Minho pergunta, com um leve desdém na voz. Kibum respira fundo e sorri o mais brilhantemente possível.
― Eu sou.
Eles não conversam mais que isso, eles nunca faziam. Se era para Choi Minho e Kim Kibum fazerem algo juntos seria apenas uma coisa: insultar um ao outro.
Kibum dá graças a Deus quando o sinal indicando o fim da aula toca, e sai em disparada antes mesmo de o professor sair do recinto. Porém, ele não faz um caminho muito longo; seu braço é preso em um aperto e ele é virado de frente, batendo em um peitoral musculoso. Assim que seus olhos realizam que quem o segura é Choi Minho, Kibum se afasta como se tivesse medo de contrair uma doença contagiosa. E meio que estava, vai que heterossexualidade pega.
― Qual o seu problema?
― Eu só queria ter certeza, Kim Kibum. ― Minho diz, dando dois passos pra frente e, por consequência, o imprensando contra a parede. Kibum não gosta nenhum pouco de como seu coração bate acelerado.
― De quê?!
Ele pergunta e Choi Minho sorri ladino, os cabelos loiros caindo nos olhos. Por um momento, Kibum sente uma sensação de dejavu.
― Nada.
•
Kibum entra no refeitório apressado. Ele havia lembrado um pouco sobre o peguete da noite anterior e mal podia esperar para compartilhar com os amigos, apesar de ainda não ter visualizado um rosto.
― Viadas, eu me lembrei de uma coisa em relação a festa do Dongwoon. ― Key senta ao lado do Jonghyun, atraindo a atenção dos dois melhores amigos para si. ― Eu beijei uma boca maravilhosa, e foi o melhor beijo bêbado da minha vida.
Ele suspira. Só de pensar no beijo, seu coração palpitava. Toda a pegação havia sido épica, pelo menos a parte que lembrava.
― Foi a minha boquinha. ― Jonghyun diz e ele faz uma careta.
― Não, ele beijava melhor que você, Jjong, e quando a gente ficou eu estava parcialmente sóbrio.
Tudo havia acontecido depois da ideia brilhante do Onew de jogarem beer pong. Kibum tinha uma péssima pontaria e se viu tendo que virar duas canecas grandes de cerveja, que misturadas com a vodka de antes o fez fazer loucuras, e obviamente ficou impossibilitado de se controlar para não beijar bocas desconhecidas. E esse era seu único arrependimento: ele daria tudo para saber quem era o dono dos cabelos loiros e beijos gostosos.
― Então diz logo quem foi! Eu também quero beber dessa água.
Jonghyun diz, desviando de um empurrão dado pelo Woohyun que logo discorda.
― Ah, não quer não, ele não faz seu tipo. ― O loiro diz, com um meio sorriso que faz Jonghyun arregalar os olhos e logo fazer uma careta, seguido de um 'uh’ enojado.
― WOOHYUN! ― Kibum grita interrompendo seus amigos e desferindo dois tapas no braço do loiro. ― Nós não nos pegamos, né? Diz que não!
― Por quê? Tá com medo de eu ter sido a melhor boca que você beijou? Oras, eu fui seu primeiro beijo, Kibum! ― O loiro diz e se arrepende logo em seguida pelo tapa que leva nas costas. ― Isso dói! E não fui eu! Por que você acha que fui eu? Jamais trairia o meu mozão.
― Eu me lembrei de uns cabelos loiros, só conheço você de cabelos loiros além de mim.
Ele responde simplista, passando as mãos nos cabelos do amigo. A textura era diferente, não tinham sido esses cabelos que havia puxado com vigor. Kibum estava muito bêbado, e era do tipo que lembrava depois de pequenas coisas, nunca detalhes importantes.
― O Woohyun não é a única pessoa loira na escola inteira. O Onew é loiro, o Myungsoo, o Junmyeon, a Taeyeon, o Choi Minho. ― Ele faz uma careta ao ouvir o último nome da lista do Jonghyun, seus olhos vão até a mesa do idiota Minho e sua gangue hétero.
― Eca! Minha boquinha jamais chegaria perto de nenhum integrante do clube hétero.
Kibum diz enojado, ainda encarando a mesa do outro lado do refeitório, perdendo de ver seus dois amigos sorrirem cúmplices. Por um breve momento, os olhos de Choi Minho se encontram com o seu e Key sente o almoço que nem havia comido querer fazer o caminho reverso pra fora de sua boca. Ele preferiria morrer a beijar Choi Minho.
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A vida é feita de tentativas, acertos e erros. E esses deslizes, os benditos erros, às vezes enormes escorregadas, acontecem para servir de lição para uma não repetição futura. Ou para uma aprendizagem.
A festa de Son Dongwoon iria entrar para sua lista de coisas a pisotear, esmagar, enterrar e esquecer para sempre. Veja bem, uma importante informação que não pode ser esquecida. Choi Minho é uma pessoa heterossexual e apaixonada pelo sexo oposto. Informação guardada? Então, como um cobiçado solteiro e brilhante capitão de seu time, ele foi à festa de um de seus jogadores para se divertir, comemorando a sequência de vitórias que seu time vinha tendo e, claro, como bom líder, manter um olho nos seus jogadores. Claro que a propriedade era se divertir e não servir de babá.
O problema é que, se ele tivesse sido um pouco mais ajuizado, não teria feito uma burrada tão grande e definitivamente não estaria com uma bomba chiando nas mãos, pronta para explodir.
E tudo começou por causa de sua competitividade estúpida e um desafio bêbado feito por seu arqui-inimigo.
Minho estava de boa, tomando uma cerveja gelada e assistindo Doojoon e Kikwang ganharem de Onew e Taemin num jogo simples de beer pong onde você deveria acertar uma bola de golf dentro de um copo em lugares absurdos. A questão é que Onew e Taemin nāo sabiam onde estavam se metendo porque a dupla de jogadores de futebol era ótima no jogo e brincava com frequência nos vestiários entre treinos. Então, era óbvio que ambos iriam perder e o mais novo deles teria que tomar um litro de cerveja de cabeça pra baixo, e foi exatamente o que aconteceu, acarretando uma séries de merdas seguidas. E ali começou o seu vórtice temporal particular. Se Lee Taemin nāo tivesse passado mal, o jogo talvez tivesse continuado sem ele e Kim Kibum, que escolheu aquela hora para entrar tropeçando nos próprios pés na cozinha e se juntar a eles. A primeira coisa que Minho faz ao vê-lo entrar na cozinha é tentar sair de fininho – ele e Kibum juntos sempre rendiam belas discussões, principalmente quando envolvia álcool, e Minho estava longe de estar embriagado para aguentar tal coisa. Mas ele não é rápido o bastante para competir com um bêbado aparentemente, porque Key o encurrala no balcão da pia. Ele se aproxima com um sorriso faceiro no rosto bonito e dá aquela olhada cheia de desdém para o loiro, que revira os olhos.
― Essa é uma ótima oportunidade para mostrarmos quem é melhor, uh, Choi Minho? ― Kibum diz se encostando ao seu lado no balcão. Minho ri sem vontade, balançando a cabeça em negativa.
― Passo ― ele responde se preparando para sair, mas Key o impede com a mão em seu cotovelo ― Yah, Choi, eu te desafio! ― Essa era a frase que o loiro não podia ouvir, seu ponto mais que fraquíssimo.
― Você acha que não vou ganhar de você? ― Ele pergunta se aproximando de Kibum e falando bem no seu ouvido para ser escutado no meio da gritaria adolescente.
― Acho. ― Kibum responde presunçoso, tomando o copo de sua mão e bebendo todo o conteúdo. ― Quer apostar que você não ganha? ― Ele completa.
Minho sorria largo, os dentes branquinhos dignos de um comercial da Colgate à mostra.
― E o que eu ganho em troca caso você perca? ― Os olhos de Kim Kibum eram de um castanho claro lindo, brilhantes, e que o deixava mais ainda parecido com um gato. O menor morde o lábio inferior e sorri debochado, dando de ombros.
― O que você quiser, o mesmo pra mim.
E foi ali que as coisas começaram a rolar ladeira abaixo.
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Minho entra na escola como sempre, como se tivesse saído de um dorama, e é logo flanqueado por um grupo de garotas, para que ele obviamente não dá muita bola. Ele sorri para elas, diz um ‘Olá’, mas não é nada mais que isso: garotas que gostavam de ter a atenção do 'oppa’ a todo custo não eram seu tipo. Ele curtia umas mais difíceis. As que faziam o famoso cu doce e que o faziam trabalhar duro para tê-las. Tudo ocorre como sempre: ele assiste suas aulas da manhã, almoça no refeitório, joga um pouco de conversa fora com os amigos e vai para o campo de futebol. Ele chega cedo como sempre, então não se apressa a ir ao vestiário trocar de roupa. Ele prefere se sentar na arquibancada, escutando um pouco de música. Choi Minho queria poder esquecer por completo o que havia acontecido no fim de semana, mas era difícil, e parecia que seu cérebro estava quebrado, porque toda vez que parava pra pensar, a imagem dele imprensando Kim Kibum contra uma cama e abusando do pescoço branquinho do menor vinha a sua mente. Ele conseguia lembrar com nitidez a textura da pele em sua língua, os lábios e os gemidos manhosos. Ainda conseguia sentir os arranhões das unhas bem feitas do outro em suas costas, os puxões em seu cabelo. Minho daria tudo para esquecer e, ao mesmo tempo, daria tudo para repetir a dose.
― Minho, tudo bom? ― Um cutucão em seu ombro o traz de volta a realidade, e ele abre os olhos para encontrar Moon Yunmi em pé a sua frente, seus cabelos pretos caindo nas costas como um véu. Ele sorri, batendo o espaço ao seu lado, e ela senta tímida.
― Veio torcer por mim hoje? ― Ele pergunta se aproximando dela, que fica vermelha quando ele coloca a mão no topo de sua cabeça carinhosamente. Yunmi era fofa, e Minho mal podia ver a hora em que sairia com ela.
― Você disse que eu poderia vir, então resolvi aparecer ― ela responde baixinho. A garota era dois anos mais nova e havia lhe escolhido para ser seu primeiro amor, não ia negar.
― Eu disse. ― Minho sorri. Por trás dela, ele vê alguns dos garotos do time aparecerem. Como sempre, Doojoon, Kikwang e Dongwoon estão correndo, e logo atrás Woohyun anda com os olhos grudados no celular seguido por Hoya, Taekwoon e Junho. Ele volta sua atenção para a Yunmi, mas, antes que pudesse voltar a escutar o que ela dizia, seu celular vibra e a mensagem que ele recebe no aplicativo messenger do facebook lhe tira o ar. Choi Minho era uma pessoa simples, gostava de garotas e futebol. Porém um deslize estava prestes a destruir sua reputação.
― Você ficou pálido de repente. Tudo bem? ― Yunmi pergunta, tocando-lhe o braço, e Minho afobado guarda o telefone celular no bolso da calça cáqui. Seu coração batia feito louco e suas mãos tremiam desenfreadamente.
― E-e-eu, é. Eu tô bem, só vou… eu vou ali. ― ele sai meio que correndo, passando voado pelos colegas de time que gritam perguntando onde ia, mas ele não liga, a pessoa que estava fazendo aquilo só podia querer acabar com sua vida. Minho respira fundo e segue com passos pesados em direção ao prédio de artes da escola. Só tinha uma pessoa que podia lhe esclarecer que merda era aquela. Ele iria matar Kim Kibum.
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A sala de desenho estava vazia, tendo suas aulas terminado há bastante tempo. Kibum gostava de ficar por ali por ser silencioso e muito mais calmo que o prédio principal da escola. No momento, ele estava editando fotos do Sungjong e Myungsoo: ambos eram ulzzangs e suas fotos faziam sucesso no Tumblr do loiro.
Seu sonho era no futuro se tornar um fotógrafo de moda, por isso usava os amigos de cobaia. Seu celular vibra notificando uma mensagem, e ele o pega esperando ser a Sunkyung ou a Amber o chamando para fazer altos nadas, mas não é o que encontra. O remetente um tal de Minkey shipper – um fake –, e o que lê o deixa perplexo.
“Se você estiver lendo isso é porque 'eu sei o que você fez na noite passada'. Não, falando sério. Eu realmente sei o que você fez na festa do Son Dongwoon. Por exemplo, eu sei que o Taemin quase entrou em como alcoólico ao tomar um litro de cerveja de cabeça pra baixo, sei que a Taeyeon e a Tiffany brigaram feio por causa de uma foto no Instagram, sei que a Hyuna pegou o Hyunseung aos beijos com o Junhyung e sei que Choi Minho e Kim Kibum tiveram o amasso de suas vidas. Você acha que é mentira? Olha seu inbox do Facebook.
Isso é só uma prévia, eu tenho em minhas mãos cinco minutos inteiros de pura sacanagem que o mundo adoraria ver (talvez não o mundo, só a comunidade estudantil da Lee Soo High), mas que não irá ser divulgado caso você que está lendo coopere comigo.
Você ainda está aí? ㅋㅋㅋㅋㅋㅋ
Então, seja bem vindo ao Minkey show!
ㅎㅎㅎㅎㅎㅎㅎㅎㅎ~~
Apertem bem os cintos e sigam as minhas instruções à risca – não vale trapacear ou tentar me enganar, a não ser que vocês queiram que o mundo saiba o quanto adoram chupar um ao outro.”
ㅋㅋㅋㅋㅋㅋㅋㅋㅋ
Kibum lê e relê a mensagem de texto incrédulo. Só podia ser uma brincadeira de mau gosto, não podia ser verdade. Porém, era sim. A prova estava bem ali, anexada com um vídeo de segundos dele e Choi Minho se beijando, e mesmo se o vídeo não estivesse ali, Kibum agora lembrava muito bem. Ele não sabe bem o que fazer, só junta suas coisas na velocidade da luz. Kibum precisava fugir dali o mais rápido possível, de preferência fugir do planeta. Ele anda rápido em direção a saída mais rápida, com o objetivo claro de chegar em casa e caçar a alma do filho da puta que ousava o chantagear, mas precisava fazer isso longe da outra parte da equação.
― YAH, KIM KIBUM! ― Seu nome é gritado a plenos pulmões, ecoando pelo corredor vazio, e Key sente todo o almoço que havia comido mais cedo fazer o caminho reverso. Ele xinga baixinho, mas não para, continua andando rápido e se fingindo de surdo em direção ao caminho oposto em que a voz vinha. Ele não a escuta uma segunda vez, porém os passos de alguém correndo para lhe alcançar são altos. Ele também corre, porém não era uma pessoa atlética.
― Foi você, não foi? E eu achando que você não lembrava de porra nenhuma! ― Minho grita o empurrando contra a parede; Kibum perde o ar com o impacto de suas costas contra a superfície de concreto. Kibum era uma pessoa destemida, mas a visão de um Choi com um metro e oitenta e músculos furioso a sua frente lhe tira toda a capacidade de ser sagaz.
― Do que você tá falando?
― Qual é, Kibum! A porra da mensagem!
― Você também recebeu?
― O quê? Vai me dizer que não foi você?
― Não ― ele responde e logo em seguida seu celular apita, avisando a chegada de mais uma mensagem. O celular de Choi Minho também parece ganhar vida, pois ele o tira do bolso. O remetente é o mesmo da mensagem anterior, um perfil fake.
“Vejo que você visualizou minha mensagem, significa que estamos na mesma página, certo? Então, você deve estar se perguntando: o que eu quero? Bom, nada mais que diversão e Minkey! Então, pombinhos vamos ao jogo e não tentem me fazer de bobo, eu sei de tudo.” O primeiro desafio é….
TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN
Minkey show To-do list 1: Tomar um café juntos e conversar! Kyaaaa~~~ (não é tão difícil assim, certo?). Não se esqueçam, eu sei de tudo.
― Mas que porra!
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Era inacreditável: em toda sua vida, Kibum jamais havia imaginado que passaria por esse desastre, que seria ameaçado virtualmente e que teria que dividir uma mesa e conversar com Choi Minho por causa de um erro bêbado estúpido.
Minho se senta à sua frente, Key não presta muita atenção nele, mais preocupado em contar quantas pessoas conhecidas além do Jonghyun, que trabalhava no pequeno café que resolveram entrar, estavam ali agora presenciando um absurdo daqueles. Minho parece fazer o mesmo – ele olha ao redor com seus olhos expressivos, nervoso.
Jonghyun se aproxima da mesa deles. Minho se senta ereto, tomando uma pose defensiva, mas o moreno ignora, colocando um copo de cappuccino na frente do Kibum, que sorri agradecido.
― O que você vai querer? ― Jonghyun então pergunta a Minho, que murmura um ‘suco de maracujá’ baixo. Seu amigo volta a lhe encarar mais confuso do que nunca. ― O que você tá fazendo com ele?
― Depois te conto. ― ele responde ao amigo, que bufa exasperado, indo de volta ao balcão.
Os dois garotos não conversam muito depois disso, não tinham nem sobre o que falar.
O celular de ambos pisca notificando a mensagem, anexada com uma foto de um computador mostrando a página da escola e o vídeo dos dois prestes a ser postado no fórum dos alunos.
Minho se levanta rápido, olhando em todas as direções, mas logo se senta outra vez, derrotado por não encontrar nada suspeito. Kibum, por outro lado, resolve analisar com o olhar todos em posse de um celular em mãos.
― Quem você acha que pode ser? ― a voz do Minho se faz presente depois de um tempo.
― Não sei. ― Key observa uma garçonete vir com o suco do Minho. Ela também estudava na mesma escola que eles, só que dois anos abaixo. Ele a encara com olhares desconfiados, mas a garota ignora totalmente sua existência, sorrindo toda serelepe para o jogador de futebol. Ele espera ela ir embora para então voltar a falar. ― Temos que descobrir a pessoa logo, não quero um vídeo meu com você vazado por aí. Isso é ridículo, e eu nem lembro como chegamos àquela situação. Ridículo.
― Você realmente não lembra?
― Eu lembro um pouco da pegação, mas não me recordo de antes. Você se lembra?
― Não. Nem um pouco.
A conversa dos dois não sai muito do campo neutro, mas não é de um todo ruim. Kibum descobre que Minho gosta de literatura inglesa e tem um vasto conhecimento de girlgroups assim como ele. Minho também curtia musicais e escutava Lorde.
Kibum ficou impressionado, porém a hostilidade ainda estava lá. Eles se odiavam por serem total opostos e não havia como mudar isso.
•
Vejo que vocês me obedeceram direitinho. Me senti orgulhoso, porém aqueles 30 minutos que vocês passaram em silêncio foram tensos. Enfim, chegamos à segunda rodada. Estão prontos? Aí vai.
Minkey show To-do list 2: Assistir a um filme juntos no cinema. UAHHHHHH! Daebak!~~ espero q vcs se divirtam como estou me divertindo horrores sos. ㅋㅋㅋㅋㅋㅋ
― Ninguém pode saber que estamos saindo. ― Minho diz se esgueirando na pequena cabine individual que Kibum estava estudando na biblioteca. O menor suspira cansado: o outro vinha repetindo isso sempre que tinha uma oportunidade. Eles haviam conversado de verdade há dois dias e, nesse tempo, sempre que o jogador de futebol o via lhe dizia isso, quando Kibum não fugia dele.
― Não estamos saindo, Minho. Só estamos agindo feito marionetes de um lunático. Enfim, eu pedi ajuda do Jonghyun e ele me disse que tem como rastrear o endereço de IP do idiota que manda as mensagens.
Ele responde. Quem quer fosse o psicopata que estava mandando as mensagens estava absurdamente quieto. Dois dias e nem um sinal de vida, e Key estava literalmente com o coração na mão. Ele parecia um louco atualizando as redes sociais e tendo mini infartos a cada notificação em que era marcado em algo. Quem parecia estar se divertindo com isso eram seus melhores amigos: Jonghyun e Woohyun não perdiam a oportunidade de marcá-lo em coisas idiotas no Facebook ou fazer piadinhas quando viam Choi Minho.
― Isso é bom. Quando eu pegar essa pessoa, ela vai se arrepender.
Kibum revira os olhos, voltando a atenção para o livro de geografia.
― Você disse que não quer que nos vejam juntos e está aqui. O que você quer, Choi? ― Kibm só queria que ele fosse embora, porque onde o loiro estava na escola, seu fã-clube ia, e era irritante.
― Vamos ao cinema hoje. ― Minho diz. Kibum levanta os olhos de seu livro com a boca aberta em confusão. ― Sabe onde fica o Cinema Ribbon no centro da cidade? ― Kibum murmura um sim perplexo. Por que diabos Choi Minho queria ir ao cinema com ele? Ainda mais para o Cinema Ribbon, que era um lugar frequentado por pessoas que gostavam de filmes alternativos, de baixo orçamento e cult. Nāo para héteros como Minho, que era fã de blockbusters. ― Te encontro lá às sete, beleza?
― Tá, mas por quê?
― A mensagem. Você não recebeu? ― Minho pergunta e Key suspira, puxando o celular da bolsa. Realmente a mensagem estava lá. Por um momento, ele havia pensado em algo completamente diferente, mas obviamente seria impossível isso acontecer.
― Às sete, Kibum, não esquece. ― Minho diz mais uma vez e o deixa sozinho, com uma leve sensação de decepção no ar.
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Kibum dá o ar da graça com vinte minutos de atraso, só porque ele pode. Minho está o esperando na porta do cinema, com os ingressos na mão e uma expressão de poucos amigos. Ele está bonito, com jeans azul claro, camisa polo preta e cabelos loiros em um topete.
― Você está atrasado. ― Ele resmunga, empurrando o ingresso para o menor, que o pega. Kibum lê o título do filme no papel e não pode deixar de sorrir: era seu favorito. 'Les Chansons D’amour’, um filme musical francês e xodó do Key, que o Ribbon estava reprisando naquela semana.
― Ah, adoro esse filme. ― Ele diz com um sorriso que é retribuído pelo outro.
― Bom, vamos entrar logo. Não quero correr o risco de alguém nos ver juntos.
Minho diz o puxando pelo pulso para dentro do cinema.
Eles assistem ‘As canções de amor’ na companhia de outros amantes da sétima arte e, se Key fica impressionado por Choi Minho saber todas as músicas de Alex Beaupain, não deixa transparecer. Porém, quando o loiro repete baixinho a última frase do filme junto com Louis Garrel “Ama-me menos, mas ama-me por muito tempo”, é involuntário o arrepio que lhe envolve.
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― Por que você tem tanto medo de ser visto comigo? ― Kibum deixa escapar depois de um tempo andando em silêncio. Era uma coisa que estava curioso em saber. ― Acha que seus amiguinhos héteros vão pensar que você é viado por estar na companhia de um?
Minho não responde de imediato. Com as mãos nos bolsos, ele caminha sem pressa como se fosse dono de todo o tempo.
― Eu não tenho problema com sua sexualidade, Kibum. Se eu tivesse, Woohyun e Junho não estariam no meu time, estariam? – Ele diz por fim. Eles já estavam na rua do Kibum; sua casa era a última, não faltava muito.
― Qual o problema então?
― Você. ― Kibum franze a testa um pouco confuso. E Minho logo completa. ― Você tem uma reputação, sabia?
― Ah, isso. ― Key nunca foi de se importar com sua ‘reputação’. Na verdade, ele não dava um foda-se para o que as pessoas falavam sobre si; eram sempre mentiras, mas nunca teve forças de desmenti-las. ― Você já procurou pensar que talvez não sejam verdades o que falam de mim por aí?
Ele arrisca perguntar, olhando bem nos olhos do mais alto. Minho o encara de volta e eles passam alguns muitos segundos olhando nos olhos um do outro em uma minibatalha. Kibum é o primeiro a desviar o olhar, encarando seus tênis surrados.
― Estou começando a perceber isso agora ― ele escuta Choi Minho dizer, mas não se dá o trabalho de questionar, ou entender. Kibum se vira sem nem ao menos dizer ‘adeus’ e entra em casa. Ele estava sentindo demais e não curtindo nem um pouco.
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Minkey show To-do list 3: Assistir a um jogo de futebol do Minho (e torcer por ele).
Essa vai especialmente para você, Kibumie. É sua hora de quebrar as amarras do preconceito quanto a esse esporte maravilhoso e se jogar viado no futebol. Te garanto: não existe nada mais emocionante que 22 homens suados correndo atrás de uma bola. Então, esteja pronto, vista seu melhor modelito e vá ser a melhor líder de torcida da Lee Soo High! :'D
― Ah, vá se foder! Meu melhor amigo joga e eu nunca vi um jogo nessa merda e terei que fazer por Choi Minho?! Me matem! ― Kibum resmunga contra o travesseiro. Ele tinha planos maravilhosos para sua noite, que consistiam em assistir RuPaul’s Drag Race e manter distância do loiro jogador de futebol. Definitivamente não tinha plano algum de ir a um jogo idiota.
A noite anterior tinha sido estranha demais, cheia de sentimentos indesejáveis. Kibum não havia nascido para gostar de Choi Minho, disso tinha certeza, ou ao menos achava que tinha. Afinal, eles se odiavam desde o primeiro dia que haviam se visto, ou assim pensava que o ódio era mútuo. A questão é que alguma coisa estava mudando e rápido demais com apenas alguns dias na companhia do outro, e por culpa de uma chantagem idiota que nem sabia por que diabos estava obedecendo. Não tinham garantia de que o filho da puta do Minkey shipper iria apagar o vídeo depois de todos os desafios feitos, ou se ao menos os desafios iriam parar. Kibum só queria chorar e voltar a ter uma vida normal.
Ele vai igual para o jogo; não tinha outra alternativa, afinal.
Kibum chega na escola faltando alguns minutos para o começo da partida e segue a massa em direção ao campo de futebol, arrastando os pés. As arquibancadas estão lotadas, mas ele consegue ver Kim Sungkyu, pseudo namorado do Woohyun, com um cartaz com o nome do amigo, e segue até ele.
― Key! Finalmente veio torcer pelo Woohyunie? ― O presidente estudantil pergunta,
― É, algo do tipo. Não sabia que você curtia futebol, Gyu.
― Não gosto. Na verdade, não faço ideia do que acontece, mas minha presença deixa o Hyun feliz, então. ― O mais velho sorri apaixonado e Key franze o cenho. Ele perturbava muito com o amigo sobre os sentimentos do Sungkyu, muitas vezes dizendo que o mais velho apenas lhe dava bola por ser irritante, mas parecia que estava errado.
O pessoal na arquibancada começa a gritar empolgado e Kibum volta sua atenção para o campo onde ambos os times se alinhavam no centro. O time da Lee Soo High com seu uniforme rosa e preto, que Kibum achava muito bonito por sinal, e o time adversário da Yang Goon School, com seu uniforme cinza e preto. Seus olhos procuram ávidos entre os jogadores de sua escola pelos cabelos loiros de seu melhor amigo e Choi Minho. Ambos estavam lindos, mas Kibum não podia negar que o Choi estava impecável e de morrer em sua pose de capitão.
― Então, qual o objetivo? ― ele pergunta ao Sungkyu assim que a bola rola em campo e os vinte e dois machos começam a correr.
― Eles têm que acertar a bola na rede adversária. ― O mais velho responde e Key volta a olhar pro campo. Nāo parecia ser tão difícil assim. Todo o primeiro tempo ele passa em silêncio, o time da escola estava levando um acocho da YG, aparentemente. Kibum aguenta firme e forte calado, batendo palma ocasionalmente junto com os outros, mas quando Minho pega a bola e avança contra o goleiro adversário fazendo um gol, ele grita para logo xingar a terceira geração da YG quando seu jogador derruba o capitão da Lee Soo.
― Isso não é errado? ― Ele pergunta a Sungkyu, mordendo o lábio inferior apreensivo. Minho estava no chão com as mãos na panturrilha esquerda enquanto os outros jogadores se amontoavam ao seu redor.
― É sim. Mas o juiz é idiota demais para dar cartão.
― YAH, CHOI MINHO! ACHO MELHOR VOCÊ LEVANTAR ESSA BUNDA DO CHÃO AGORA! ― Kibum grita a todos pulmões se fazendo ouvir por toda a extensão do gramado. ― WOOHYUN, QUEBRA A PERNA DESSE PUTO! ― ele continua, e o adolescente em questão lhe dá dois polegares pra cima. ― YAH, SUNGYEOL! ― Por fim, ele termina de gritar para o goleiro Lee Soo, por ser a única outra pessoa que conhecia de verdade no time, e volta a se sentar como se nada tivesse acontecido. De longe, ele pode ver Woohyun rindo, assim como outros garotos conhecidos do time. Choi Minho apenas o encarava com o semblante fechado – ele parecia bem melhor. O capitão levanta mancando e com a ajuda do auxiliar técnico e é tirado de campo apenas por alguns minutos para se recuperar e não segurar o jogo parado. Ele anda até a arquibancada e, por um breve momento, Kibum acha que ele vai lhe xingar até a morte, mas ele simplesmente sorri, tomando a garrafa d'água que o menor tinha na mão e tomando seu conteúdo.
― Eu vou fazer um gol pra você ― ele diz e pisca para Kibum, lhe devolvendo a garrafa e voltando para a beira do campo.
― Desde quando você e Choi Minho sāo amigos?
― Nāo somos.
Ele diz consciente demais de muitos olhares para si. Pela primeira vez na vida, Kibum se sente constrangido de algo.
― E que porra foi essa então?
Key dá de ombros, o rosto quente e as mãos tremendo involuntariamente. Ele segura a garrafa apertado contra o peito, como se fosse algo precioso, e assiste o resto do jogo vibrando junto com os outros – ou pelo menos tenta, já que seus olhos não deixam Choi Minho um único momento, tal como as borboletas em seu estômago não paravam de se alvoroçar a cada sorriso do loiro.
Quando o jogo termina, consagrando a Lee Soo High vitoriosa, Kibum vai embora sem dar chance do loiro o alcançar e ignorando totalmente o Sungkyu, que tentava lhe levar até a beirada do campo onde seu melhor amigo estava. Key só queria ir para casa e pensar melhor seus atos e sentimentos.
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[N° desconhecido] ‘Obrigado por hoje. Sabe, por torcer por mim.’
Tava na lista
[Hétero] Mesmo assim
Foi divertido
[Hétero] Você gritando meu nome me deu flashbacks, tinha esquecido que cê é um bom vocal
visualizada há cinco minutos
[Hétero] Dsclp
Boa noite, Minho
[Hétero] Boa
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Depois de ver Kibum no jogo, Minho sentiu uma gama de sensações estranhas e nenhuma delas explicava de fato o que estava acontecendo consigo. Ele queria de alguma forma, uma leve parte de si, queria agradecer o misterioso Minkey shipper, mas não antes de enforcá-lo até o último suspiro. Ele só sabia que era melhor se deixar levar; talvez não fosse nada importante, talvez algo bom fosse surgir de tudo isso – no mínimo, uma amizade. Não que estivesse à espera de mais que isso. De jeito nenhum.
― O que você tá fazendo?! Todo mundo tá olhando?! ― Kibum entra em pânico quando Choi Minho puxa a cadeira ao seu lado na mesa do refeitório. Verdadeiro a suas palavras, todo mundo havia parado o que fazia para olhar. O jogador então sorri para Kibum, passando o braço por seus ombros.
― E daí? Pensei que você adorasse atenção. ― ele puxa a bandeja de comida do menor para seu lado, roubando suas batatinhas.
― É, mas não fui eu que disse que não queria ninguém sabendo que estamos saindo. ― Kibum diz baixinho quando o fã clube do Minho passa por eles. Elas param por alguns segundos com expressões incrédulas no rosto ao ver o oppa em mesa inimiga, mas seguem seu caminho.
― Depois de ontem, Kibum, muita gente está cheia de teorias. E eu só estou almoçando com um amigo, certo, Woohyun?
O loiro em questão dá de ombros e sorri. Minho finge não ver Key sussurrar 'traidor’ para o outro.
― Claro.
Minho olha pra Kibum, que tem uma expressão traída no rosto dirigida ao amigo, mas suas bochechas estão com uma coloração vermelha e a linha de seus ombros estão tensas. Ele tira essa oportunidade para se aproximar mais ainda, puxa Kibum contra seu corpo e seus lábios roçam de leve na orelha do menor.
― Relaxa, Kibum. ― Ele sussurra contra o ouvido do outro e sorri satisfeito quando a cor de seu rosto e pescoço ficam em um tom escuro de vermelho.
Choi Minho não tinha ideia do que estava fazendo, mas estava adorando causar um tumulto.
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OI CASAL MAIS LINDO DO PLANETA!!! Vocês realmente acharam que eu não iria mandar um desafiozinho hoje? Então gostaria de deixar registrado aqui que eu AMO as fotos do Kibumie. O Key tira lindas fotos e seria legal que ele variasse em seus modelos, porque nós fãs do seu blog estamos cansado de ver fotos do Myungsoo, Sungjong e Taemin sempre (pfvr não digam a eles) Então, Minho, essa é pra você.
Minkey show To-do list 4: Servir de modelo para o blog ulzzang do Kibum! Quero muitas fotos lindas, ein! <3
[Minho] O que eu preciso para as fotos?
Minho manda a mensagem pro Key e espera a resposta ansioso entre a montanha de roupas no chão de seu quarto. Desde que o desafio do Minkey shipper havia sido exposto, ele estava interessado nas fotografias do Kibum. Era bom saber mais sobre o garoto loiro, era bom ter uma visão diferenciada do outro. Minho estava fascinado; tanto que havia passado horas no tumblr do garoto.
[Meu Karma] Só veste sua melhor roupa e me encontra na cidade.
Kibum responde depois de um tempo, e ele suspira pesado, se jogando nas roupas. Não era a resposta que queria, mas era o máximo que conseguiria arrancar do Kibum.
Key está sentado em um banco de praça, aparentando uma total impaciência, e ele percebe que não foi uma boa ideia assim se atrasar; afinal de contas, intimamente, ele não queria desagradar o outro. Minho se aproxima sorrateiro; Key estava tão focado em olhar pro seu celular que não percebeu até o jogador falar em um tom alegre.
― Cheguei!!! ― Disse num sorriso largo. Kibum se sobressaltou um pouco, mas logo recuperou a compostura, encarando-o dos pés à cabeça com uma careta no rosto bonito.
― Essa é sua melhor roupa? ― Key resmunga, demonstrando o quão sem paciência estava, enquanto ajustava a mochila nos ombros.
Minho não estava nem feio na sua concepção. Sua calça jeans clara rasgada nas coxas e camisa branca eram elegantes e despojadas o bastante, além de caras.
― Foi mal pelo atraso. Então, onde vamos? ― Ele pergunta, já seguindo um Key que andava rápido entre as pessoas que haviam tirado o domingo para curtir o sol da manhã.
― Há todo um processo de iluminação que eu preciso por conta do sol, que você, atleta estúpido, nunca saberia. De qualquer forma, já estamos perdendo muito tempo. ― O menor explica e Minho percebe que estão indo em direção a um pequeno parque no meio da selva de prédios de onde moravam, a única coisa verde na cidade grande. ― Toma essa coroa de flores. Coloca na cabeça, senta no gramado e tenta parecer bonito. ― A última fala foi dita quase em um sussurro meio a contragosto, e Minho sorri largo. Ele sabia que era bonito, mas ouvir Kim Kibum dizer isso era muito melhor.
― Uma coroa de flores?
― É, Hétero. Uma coroa de flores. Flower boy sempre foi o conceito das minhas fotos. Vai dar pra trás? Isso fere todo seu orgulho heterossexual?
MinHo encara o outro por alguns segundos. De uma forma estranha, se sentia levemente ofendido pela maneira grossa e arisca que Kibum sempre falava consigo e, principalmente, odiava quando dava a entender que ele era algo próximo a um homofóbico. Em primeiro lugar, ele nunca se importou com quem era ou não gay. Em segundo lugar, sua cabeça estava muito confusa para simplesmente afirmar a própria heterossexualidade. Mas isso ele nunca admitiria para o Kibum. E muito menos para si.
Ele solta um muxoxo baixo e acaba colocando as benditas flores na cabeça assim que chegam a uma parte abastada do parque, entre grandes árvores e um campo de flores. Não achava que fosse algo que combinasse com seu estilo, mas estava bem cansado de entrar naquelas brigas sem sentidos que sempre aconteciam entre ele e o mais velho. Minho se senta sobre o gramado, logo ficando descalço ao tirar os tênis encardidos – assim que Kibum dá um chilique dizendo que o calçado não combinava no conceito –, e deixa toda a sua atenção para a câmera, tentando fazer poses que desse a ideia do tal conceito que fora lhe dito, sendo ajudado pelo próprio fotógrafo diversas vezes.
MinHo não pode deixar de perceber como era bonitinha a concentração do mais velho junto de sua câmera. A testa franzida, as diversas caretas enquanto brigava pela melhor angulação… Muitas das fotos tiradas tinham um sorriso sincero estampado no rosto: o maior se sentia feliz e até mesmo encantado demais por Kim Kibum.
E quanto ao próprio Kibum… Repetia mentalmente várias vezes na cabeça que precisava marcar um cardiologista com urgência. Seu coração não deveria estar batendo tão rápido quando tudo o que fazia era tirar fotos.
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Uau! As fotos ficaram lindas como sempre. Eu nunca tinha reparado, mas nossa, Choi Minho, você é de tirar o fôlego! Enfim...
Eu sei que vocês devem me achar um psycho ou algo do tipo, mas eu só quero o bem. Veja só, talvez eu seja alguém bem random, ou alguém que está sempre ao lado de um de vocês, ou eu só seja bem louco. Enfim, o que estou tentando dizer é que a amizade é uma coisa bonita, principalmente quando ela supera o ódio e raiva infrutífera e assim também é o amor. Fica a dica.
Minkey show To-do list 5: Assistir ao pôr do sol na praia.
Já dizia um filósofo famoso ‘O mundo gira, o mundo é uma bola’. Bom, se não foi um filósofo, foi alguém muito inteligente e sensato. O mundo de Choi Minho havia girado, saído de seu eixo e indo girar finalmente em torno de um sol. E o pior, ou melhor, não havia decidido ainda esse sol era Kim Kibum, outro garoto. O garoto que todos falavam pelos cantos por ser ‘dado’ demais, feliz demais, gay demais. O garoto com o qual seu santo não batia e que sempre batia boca quando era votado pelo corpo estudantil para ser o próximo protagonista nas peças de teatro da escola.
Honestamente ele se via totalmente perdido. O que era pra ser um conjunto de coisas a se fazer para salvar sua reputação, havia se tornados dias que ele não queria esquecer. Nunca. Ora… Ainda gostava de uns belos e fartos pares de peitos, da curva acentuada e de uma boca com gostinho de gloss de morango. Não era como se magicamente tudo que ele tinha como mantra pessoal tivesse mudado.
Mas tinha o Kibum…
E ele realmente não entendia como isso estava lhe abalando tanto. Os risos. As caretas. Até mesmo os tapas constantes acertados em suas costas, pareciam coisas que o atleta não queria perder.
Mesmo com medo de admitir. Ele queria o Kibum próximo a si. O tempo todo.
― Uma porção de coisas pra estudar e aqui estou eu, recebendo insolação contra minha pele branquinha na praia. ― A voz que provavelmente faria Minho revirar os olhos e querer sair de perto por acreditar se tratar de futilidade, naquela vez, acendeu levemente um calor dentro de seu corpo, fazendo-o sorrir.
― Você sabe fazer alguma coisa além de reclamar, Kibum? ― O atleta pergunta risonho, afastando-se um pouco da toalha que estava estendida na areia da praia para que o menor se sentasse.
― Comer e dormir. Reclamar, comer e dormir é minha santa trindade ― Key responde prontamente, abraçando os próprios joelhos enquanto observa as ondas das praia se quebrando na beira.
― Achei que sua santa trindade seria Madonna, Britney e Lady Gaga. ― Ele diz em tom de brincadeira, mas Kibum se vira para encará-lo como se estivesse pronto para quebrar seu pescoço.
― Só porque eu sou gay, aparentemente eu tenho que gostar de todas as divas pop do planeta? Não posso gostar de Metallica ou, sei lá, Guns ‘n Rose?
― Pode, mas…
― Mas elas são sim minha santa trindade do pop mesmo. ― Key acaba rindo, fazendo o loiro rir junto. A risada do Kibum, querendo ou não, era totalmente contagiante.
― Conseguiu descobrir com o Jonghyun quem é que está mandando as mensagens? ― Minho pergunta depois de um tempo, jogando pedrinhas ao vento, levemente entediado.
― Não. Ainda não. Eu sinto muito… Espero que por estarmos fazendo tudo, o vídeo não seja divulgado e estrague sua popularidade.
― Você está me pedindo desculpas? ― A voz era totalmente surpresa e até mesmo levemente chocada. Desde quando Kibum pedia desculpas a alguém?
― Não fode, Choi. Eu imagino o quanto sua heterossexualidade deve ser intocada. Fora que você não ia aguentar o peso que é ser gay numa sociedade completamente homofóbica.
― Você sofreu muito… Digo… Quando se assumiu gay?
― Meus pais não aceitaram de cara e me expulsaram de casa. Isso foi no primeiro ano do ensino médio, e eu tive que morar um tempo com o Woohyun até eles entenderem que isso é o que eu sou e sempre serei. Já levei socos feios por estar andando de mãos dadas com outro garoto.... Além das fofocas infinitas ao meu respeito, né? Na escola, já dei pra metade da população masculina, certo? Não foi o que você ouviu por aí? Quando, se muito, namorei com uns cinco. Ser gay é difícil pra caralho, Choi. E não importa o quanto eu te odeie, eu nunca ia querer isso pra você.
O loiro fica calado, absorvendo cada palavrinha dita pelo menor. Os olhos estavam concentrados no horizonte, onde o sol preguiçosamente se escondia aos poucos, deixando o céu numa mistura de cores linda. Azul, amarelo, rosa, e até mesmo levemente verde.
― Sabe, Key, eu nunca saberei o que você passou. E talvez por isso eu seja um babaca e até mesmo preconceituoso, mas tudo isso foi por pura ignorância. Por não entender. Por ter medo do diferente. Desculpa. Desculpas por mim e por todos os caras idiotas e héteros que acham que podem falar qualquer coisa da tua vida. Você é incrível.
Kibum ri, mas não olha uma única vez na direção de Choi Minho, os olhos fixos no horizonte.
Também não soube o que falar, ele apenas… Se sentiu acolhido diante daquelas palavras. Muito, até. Estava perdido e confuso com o conjunto de sensações que lhe acometia no peito; não saberia nunca explicar o que lhe rondava a cabeça. Também não saberia explicar como sua mão havia se entrelaçado com a do outro enquanto viam o sol sumir uma vez por todas do céu.
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É com uma dor no coração que venho lhes informar que chegamos a reta final do nosso show.
I’m like TT, Just like TT
You don’t know how I feel, So mean, so mean~~
Fico feliz de vocês terem seguido minhas instruções por causa de uma coisa tão boba quanto a reputação de ambos. Fico feliz também em saber que vocês se tornaram bons amigos… vocês se tornaram amigos, certo? certo? Eu espero. Apesar de que, como um bom Minkey shipper, eu preferiria ver vocês se pegando pelos corredores dessa escola tediosa. E sim! Eu estudo com vocês, nossa! nossa! Na verdade, estou mais próximo do que imaginam e nunca irão descobrir, estou tão próximo que sei bem que seguiram meus passos (mais uma vez segue em anexo as provas. São lindas minhas fotos, não?) Bom, depois do nosso último desafio, vocês irão receber todas as senhas das minhas nuvens e poderão fazer o que quiser com o vídeo de vocês. E prometo que não tenho mais cópias, eu juro de dedinho.
Eu estou tão triste! ㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠ
Minkey show To-do list 6: Se beijem romanticamente na chuva, assim como nos filmes que o Kibum gosta!
Ele estava sentado na arquibancada do campo de futebol. As pernas esticadas rente ao corpo, desprovido da camisa que estava enrolada na mão, devido ao suor e o calor de ter corrido tantas e tantas vezes pelo gramado. De longe, conseguia fitar a mochila com todas suas coisas, mas a preguiça pós-treino falava mais alto que tudo. Deveria ir para o vestiário, tomar um banho e seguir para as coisas que tinha que fazer. Mas não, estava na arquibancada, fugindo do sol forte, pensando nas últimas coisas que lhe vinham acontecendo.
Não que fosse estranho rejeitar uma garota – ele havia feito aquilo uma porção de vezes. Mas rejeitar a pobre Yunmi, pensando em como não queria que o Kibum ficasse chateado consigo por ter ficado com outra, parecia o cúmulo do absurdo. Aquele baixinho arisco estava tomando conta dos seus pensamentos de uma maneira incontrolável, deixando o atleta totalmente louco.
Um suspiro cansado acabou escapando de seus lábios e, batucando os dígitos sobre as coxas, se perguntava o que aconteceria depois que a lista de coisas para ele e o Key fazer chegasse ao fim. Ele não queria se afastar do garoto; estranhamente, a ideia de ter que voltar a sua rotina normal sem o menor na sua vida, parecia… Triste.
― Um absurdo! Uma puta falta de absurdo! ― O jogador olha para a parte de baixo da arquibancada, vendo um Kibum enfezado e vermelho, subindo enquanto resmungava com o ar e o mundo. Não muito longe, ele via os olhares curiosos de algumas pessoas ao redor do campo e, na pista de atletismo, os dois vinham recebendo muito disso desde que começaram a se falar na frente de todos abertamente.
― Boa tarde, Kibum! ― Riu baixinho, enquanto o outro se encarregava em lhe dar o dedo do meio, acabando por fazer o sorriso se tornar uma gargalhada.
― Boa tarde pra quem, idiota? Você viu a droga que teremos que fazer dessa vez?
― Não. Meu celular está na mochila e estou exausto demais para ir atrás dela. Qual o problema dessa vez? Você vai ter que entrar em campo comigo?
Ele ria só de imaginar a cena, mas quando não foi acompanhado pelo outro, que tinha os braços cruzados contra o corpo e o pé batendo raivoso no chão, logo parou.
― Não, otário. A gente vai ter que se beijar. Beijar. Eu. Você. Beijando.
Kibum sibila entredentes e Minho sente as borboletas em seu estômago se alvoroçarem em antecipação. Sinceramente, ele não estava nem um pouco avesso à ideia; se isso fosse há alguns dias, principalmente antes da festa na qual ele havia incitado o Kibum a ficar consigo, talvez Minho fosse fazer uma expressão de nojo e morrer. Mas agora, não. Choi Minho queria isso; na realidade, ele desejava isso há muito tempo, só que antes era covarde o suficiente para não se aceitar e aceitar o Kibum.
― Me deixa ver a mensagem. ― Ele pede, esticando a mão onde o outro coloca o aparelho celular. Minho segura o sorriso que queria partir seu rosto ao meio e lê a ideia do Minkey shipper com interesse. ― É uma pena que não esteja chovendo agora. – Ele suspira, olhando para o céu ensolarado.
― É mesmo. PERA, É O QUÊ?! NÓS NÃO VAMOS FAZER ISSO, MINHO!
― Por quê? Tá com medo de se apaixonar por mim, Kibum? ― Key não responde sua pergunta e, por alguns segundos, ele se enche de esperança. Minho também não dá muita chance de o outro ter qualquer reação a nada. Ele pega Kibum pelo pulso e o arrasta consigo arquibancada abaixo em direção ao campo. Seus companheiros de time ainda estão por lá, mas todos estão saindo do local para as laterais, porque os irrigadores estavam prestes a serem ligados. Eles andam até o ponto central e Minho para com o Key a sua frente; ele coloca as mãos nos ombros do menor, segurando-o no lugar, mas, na realidade, ele estava mesmo se apoiando com medo de cair para o tanto que suas pernas tremiam.
― O que você está fazendo? Por que estamos aqui?! ― Kibum pergunta e Minho sorri.
― Espero que você tenha roupas extras na mochila. ― Ele diz e, antes que Kibum possa perguntar por quê, os irrigadores são ligados, pontuais como sempre, e Minho puxa o menor até seus corpos estarem colados. Ele espera Kibum se afastar, mas não recebe resistência, então cola seus lábios carnudos nos finos do outro em um beijo casto – apenas um selinho. Os lábios de Kibum eram exatamente como se lembrava, doces e macios como veludo, e o beijo simples evolui para um beijo de língua, as mãos o menor indo para suas costas, e Minho leva as suas para os cabelos loiros do outro.
Quem quer fosse o tal Minkey shipper, eles precisavam agradecê-lo, pois já dizia o ditado: ódio e amor andam de mãos dadas.
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― Puta que pariu, eles estão se beijando! ― Do outro lado do campo, dois adolescentes assistiam à cena romântica boquiabertos, juntamente com uma pequena multidão que estava se formando. ― Eu achei que eles fossem arregar. ― Jonghyun diz, olhando pra Woohyun em total estado de espanto.
― Você acha que aquilo é um beijo forçado por medo de revelarmos o vídeo, ou é outra coisa? ― O loiro pergunta ao amigo, mas não precisa responder. Key e Minho se afastam e o jogador de futebol puxa o menor para um abraço, deixando um beijo nos cabelos molhados, para logo em seguida saírem andando de cabeça erguida e mãos dadas.
― Minkey é real ― Woohyun diz, sorrindo e olhando para Jonghyun, que também sorri. ― Nós somos os shippers mais sortudos da história, nosso couple é real.
Eles fazem uma dancinha ridícula da vitória, totalmente alheios a um presidente de corpo estudantil totalmente enfezado atrás de ambos. Pode-se dizer que alguém dormiu na casa do cachorrinho logo após serem estraçalhados pela ira de Kim Kibum.
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Notas finais: Todos os agradecimentos a @Twomoons, que me aguentou chorando por causa do prazo, do tamanho ridículo dessa fic, e que me deu um caminho a seguir.
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Plot enviado: #275 - Kibum nunca admitiria ter ficado com ele naquela festa da faculdade. Infelizmente, existia um vídeo comprometedor pra provar.
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Avisos: álcool, linguagem imprópria, insinuação de sexo, homossexualidade
Sinopse: Minho sempre esteve junto com os outros membros e isso evitava problemas, mas o que faria agora que estava morando sozinho com seu amado Jinki?
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- Então, Taemin, quer que eu te ajude a levar essas últimas malas lá pra baixo? - Jinki perguntou fazendo uma cara um tanto triste. Mas eu? Ai cara, eu tava tão feliz que poderia chutar o Taemin pra fora de casa agora mesmo.
Mas fazer o quê, não é mesmo? Temos que respeitar o momento.
- Jinki, pelo amor de Deus, é só uma maleta e uma mochila! - Taemin sorriu - Não estou morrendo, não. Tô só me mudando.
- Agora só sobramos você e eu Minho - Ele virou pra mim com uma cara triste.
Ai, ai, Jinki, você não sabe o quanto esperei por isso...
Bem, a verdade é que os meninos saíram um por um. O Kibum foi o primeiro. Depois de receber mais e mais trabalhos como ator, tanto em dramas, quanto em musicais, ele achou que estava na hora de se mudar. Ter uma casa maior, mais confortável e um pouco de privacidade.
Jonghyun não demorou muito. Como ele tava vendendo suas músicas para várias empresas, com o sucesso do seu livro, e com seu solo, ele quis procurar um canto só pra si também.
E bem... Agora Taemin estava fazendo o mesmo.
Não é como se eu não estivesse triste. Faz muitos anos que moramos juntos; o SHINee é minha segunda família e eu aprendi a amar cada um.
Mas existe um motivo pelo qual eu nunca saí, mesmo com minha vida como ator deslanchando e meus filmes, felizmente, fazendo bastante sucesso de bilheteria.
O motivo era ele.
Lee Jinki.
Eu sou completamente louco por ele.
Já faz um tempo que estou apaixonado. Obviamente eu não aceitei de cara. Pra falar a verdade, eu nem percebi, mas o Kibum fez questão de jogar isso na minha cara durante um pequeno momento de ciúmes. Aparentemente, todo mundo já tinha percebido. Menos eu.
E Jinki, aparentemente.
Mas isso não conta muito, porque ele é meio lerdo mesmo. Outro dia fui fazer o mapa astral dele e vi que seu ascendente é em peixes. Mereço... Mais lerdeza que isso impossível.
Inclusive eu e ele temos o mesmo signo. O mesmo fucking signo. Somos muito sagitarianos. Quer prova maior do universo de que devemos ficar juntos?
Pois então, não tem.
Mas o problema é que depois de tanto remoer, depois de superar essa fase "não deveria gostar do amiguinho de grupo", eu decidi me aproximar dele. O problema é que eu me apaixonei mais AINDA, e, embora eu seja um babão e o abrace o tempo inteiro, ele não se toca. E isso me deixa completamente louco.
Mas, pelo visto, a vida tem visto que tenho sido um cara bonzinho... Ou talvez nós estejamos conectados pelo fio vermelho e agora o destino decidiu nos unir (eu de iludido com a lenda do akai ito)... Ou simplesmente é sorte mesmo...
Bem, não importa o motivo. O que realmente interessa é que agora nós dois estamos morando juntos. JUNTOS. ISSO É MUITO COISA DE CASAL, EU TÔ PIRANDO!!
Okay, o surto passou.
Agora é fazer de tudo para que ele me note e depois tenhamos filhos, e uns três cachorros e... Chega, parece até que sou de câncer; eu sou a vergonha do meu signo. Eu tô muito animado. Eu não consigo nem controlar meus pensamentos, eu acho que tô-
- Minho, você tá bem? Tá parado aí já tem quinze minutos. Está passando mal? - Jinki perguntou me analisando detalhadamente. Ele tinha o costume de fazer isso. No começo eu corava muito, mas cheguei no estágio mais pra amor mesmo. Já tô acostumado com certas coisas.
- Eu tô bem, só estou chocado que o Tae foi embora... - Ri torto. Mas não é como se ele fosse notar, ele é lerdo mesmo.
- Hm, entendi. Por um momento pensei que você ia desmaiar, parecia que estava pra ter um piripaque. Tava até me preparando pra uma respiração boca a boca. Li uma vez que é bom fazer isso com pessoas prestes a ter surtos. -Disse dando de ombros
Agora me diz, universo, por que raios eu não desmaiei agora? Espera, por que meu rosto ta esquentando?
- Você tá ficando vermelho, tá com febre? - Ele se aproximou e colocou a mão na minha testa. Segurei-a e a tirei rapidamente de lá, virando o rosto. Eu não aguentava tanta aproximação assim.
Mas isso deixou um clima tenso entre nós. Jinki suspirou pesado, me pegou pela mão e me arrastou pela sala. Ele se sentou e deu uma batidinha no sofá, indicando que eu sentasse ali, e eu obedeci.
Ele virou de frente pra mim, e eu acabei virando pra ele.
- Minho, eu sei que as coisas não estão saindo como a gente queria, que nós e os meninos somos uma grande família, mas é claro que ia chegar o momento que eles iriam querer uma certa privacidade.
Apenas concordei, não sabia onde ele queria chegar com isso.
- E eu percebi que a saída do Taemin foi a mais difícil pra você, já que eram muito amigos, mas eu vou me esforçar pra você não sentir tanta falta dele.
- Aham, é exatamente is... Espera, o quê? Não, não.
- Mas claro que foi. Não precisa esconder isso de mim, nos conhecemos há anos.
Eu me levantei exasperado.
- Não, não, você tá entendendo tudo errado, droga! Não estou assim por causa do Taemin, e sim porque tô nervoso que vou ficar aqui só com você! - Falei de uma vez e senti que minha respiração estava acelerada.
- Mas não precisa, agora eu vou ser o melhor hyung do mundo porque terei tempo apenas pra você.
E deu um sorriso.
O melhor do mundo.
Aquele sorriso que me deixava nas nuvens, e me fazia rir junto sem nem notar. Basicamente um sorriso que me deixava com cara de otário.
- Se quiser qualquer coisa, nós podemos contar um com o outro, certo? - Acenei positivamente - Ele se levantou do sofá e me abraçou.
Assim.
Sem mais nem menos.
- Você é muito importante pra mim - Ele sussurrou no pé do meu ouvido... Arrepiei - Agora vou tomar banho. Liga pra algum lugar aí pedindo comida e pede também uns sojus pra gente beber. Já, já eu volto.
Ele saiu, mas eu ainda estava lá, parado. Foi quase como se ele tivesse gemido no meu ouvido, e eu estava todo arrepiado ainda. Inconscientemente levei minha mão até meu membro e apertei.
Eu precisava urgentemente me aliviar ainda sentindo essa sensação de arrepio causada por ele.
Mas aqui só tem um banheiro.
* * *
Depois de comer e beber muito nós já estávamos mais pra lá do que pra cá.
Jinki estava com o rosto corado devido à bebida, e eu... Bem, eu tava rindo por qualquer coisa, porque eu fico assim bêbado.
- E o Key falou pra mim que se eu fizesse isso mais uma vez, ele me castraria.
Eu comecei a rir que nem uma hiena. Quando eu estava voltando a mim, vi o rosto dele e fui parando de rir lentamente e fiquei encarando. Ele estava tão lindo com aquele rosto corado, o cabelo bagunçado e os lábios cheinhos estavam rosados.
A bebida em meu sangue me deixou bem mais solto, e eu levei minhas mãos e pousei elas em seu rosto, e Jinki me encarava estranhando tudo; talvez até surpreso.
E as palavras que eu tanto tentei esconder, que eu neguei pra mim durante tanto tempo fluíram como um rio seguindo seu curso.
- Eu gosto de você - Soltei de uma vez. Eu não estava assim tão bêbado para não ter nenhuma noção do que disse (afinal, eu nunca vou perder para o álcool, anotem), o álcool apenas me deu coragem, e aquilo estava entalado na garganta tinha tanto tempo...
Jinki me olhava fixamente, e o rosto dele estava tão perto. Seus olhos estavam brilhando. De repente eles foram ficando pequenos, parecendo meias luas e sua boca logo mostrou os dentes. Ele estava sorrindo
- Eu também gosto de você. Gosto muito. - Sua voz tava fraquinha e do nada ele apagou.
APAGOU. De uma vez! Não acredito que ele resolveu apagar logo hoje, caramba. Ele geralmente bebe a noite toda tranquilamente, por que logo hoje ele apagou?
Eu não iria conseguir levar ele pro quarto, e também não poderia deixar ele jogado em cima da mesa. Oh céus , o que eu fiz para merecer tanto castigo? Eu juro que dessa vez eu ia falar que gosto dele como meu pai gosta da minha mãe, porque só sendo assim pra ele entender.
Tentei dar umas batidinhas em seu rosto pra ver se ele reagia. Nada. Não tinha jeito, teria que arrastar ele até o sofá. Levei-o arrastando mesmo pelo chão, o piso era de madeira mesmo. Confesso que as mãos escorregaram e ele deve ter batido a cabeça umas duas vezes no processo, mas o que importa é que consegui levá-lo até o sofá. Fui ao seu quarto procurar um edredom e voltei para cobrí-lo.
Jinki era lindo, de todas as formas. Seu rosto estava sereno e seu peito subia e descia levemente. Me peguei encarando-o muito perto... Eu realmente queria beijá-lo, queria tanto que sentia meu baixo ventre apertar e formigar. Eu estava tão perto podia sentir sua respiração em meu rosto. Eu queria fazer. Eu precisava fazer.
Não. Quando eu beijar ele, eu o quero bem acordado, isso é algo que tem que ser lembrado por nós dois.
Gostaria de dizer que tomei essa decisão de forma muito madura, mas na verdade eu mordi meu punho pra me conter e voltei correndo pro meu quarto, me joguei na cama, peguei meu travesseiro e o apertei contra meu rosto só pra gritar de frustração.
Exausto das reações que Jinki causa no meu corpo.
* * *
Dia de ressaca.
Pro Jinki, porque eu acordei ótimo.
Fiz uma sopa para ver se ele melhorava, porque a situação dele não me parecia muito boa.
- Minha cabeça parece que vai explodir. O que é toda essa claridade? - Falava choramingando
- Uma coisa chamada sol, ele ilumina o dia sabe? – Falei sarcástico mesmo, Jinki é um bêbado muito legal, mas, de ressaca, nem eu aguento tanto drama.
Mas ainda amo o mozão.
- Min, a gente não tem nada marcado pra hoje, né? Diz que não tem, por favor.
- Claro que não, foi por isso que decidimos beber!
- Foi nada, eu decidi beber com você, porque por causa da sua tristeza com a saída do Taemin.
- De onde você tirou que eu tava tão triste assim? Você não disse para bebermos quando o Kibum escolheu ir embora. Minha tristeza com a saída dos membros do dormitório é igual para todos.
- Tô sem fome, vou tomar uma água e dormir. Horrível essa garganta seca depois de beber. - Falou se levantando em seguida.
É meio complicado quando o Jinki fica evasivo. Parece que algo incomoda ele, então ele muda de assunto totalmente e foge.
Mas não dessa vez. Segurei seu pulso antes que ele fosse até a geladeira.
- Vem cá Jinki, qual é o seu problema?
- No presente momento? Sede - Disse sarcástico
- Você tá agindo estranho desde que o Taemin foi embora. Fica aí dizendo que eu tô sofrendo, que eu tô isso e que eu tô aquilo, porra, eu tô bem caramba!
- Tá Minho, okay, fico feliz, agora eu posso beber minha água?
Soltei ele sem conseguir entender. Mas fiquei magoado. Muito. Ele nunca tinha falado assim comigo antes, então foi como um tapa na minha cara. Soltei seu pulso e o deixei ir. Me perguntei mentalmente se eu não deveria soltá-lo pra sempre.
* * *
Jinki e eu já morávamos juntos há duas semanas, mas estávamos nos evitando. Eu evitava, na verdade, porque eu tava muito magoado com a forma com que ele tinha me tratado. Não importa o quanto eu goste de uma pessoa, eu não aceito ninguém falar daquela forma comigo. Acho que no fim todos temos orgulho e amor próprio. Ou, pelo menos, deveriam ter.
Cheguei em casa depois de ter saído com uns amigos para beber. Já eram mais ou menos umas duas da manhã e eu tava um pouco alterado. Eles me mandaram pra casa mais cedo, porque eu tava bancando o sofrido depois de duas míseras garrafas de soju misturadas com cerveja.
Abri a porta evitando fazer barulho. Não sei por que me dou ao trabalho, já que ele tem o sono mais pesado que um elefante. Tirei meu tênis, coloquei a pantufa e acendi a luz da sala.
Dois olhos me encaravam e confesso que soltei um gritinho um pouco fino, mas, em minha defesa, vocês teriam feito o mesmo; Jinki sério é meio assustador, tirando que eu nem esperava que ele estivesse acordado até esse horário.
- Annyeonghaseyo - Falei formal mesmo, pra perceber que tô zangado e não vou dar intimidade. Se quiser se aproximar de mim de novo, vai ter que me conquistar.
Ele nem se deu ao trabalho de me responder, se levantou e veio na minha direção e aproximou seu rosto do meu, dei um passo pra trás totalmente constrangido e senti minhas bochechas esquentarem.
- O-o q-que você tá fazen...
- Você bebeu de novo? - Perguntou de forma direta e com um tom de repreensão.
- Te interessa? - Saí de perto pisando duro e indo para o banheiro.
- Você bebeu ontem também, Minho. Vai ficar bebendo todo dia? Tá maluco?
- E se eu tiver? Pare de bancar meu pai, porque você não é.
- O que tá acontecendo com você?
- Você tá acontecendo comigo, você! Será que dá pra dar um tempo? Para de ocupar meus pensamentos, para de ficar se preocupando e me dando falsas esperanças, para de sorrir o tempo todo me fazendo rir também só por ver a sua felicidade, por favor, para de me fazer sofrer! - Gritei de uma vez tudo e senti minhas bochechas serem molhadas. Eu estava chorando. Saí o mais depressa possível e fui para o meu quarto, tranquei a porta, virei de costas e fiquei ali, chorando. Minhas pernas foram perdendo as forças e fui deslizando até ficar abaixado chorando desesperadamente. Ouvi leves batidas na porta e ele me chamando baixinho. Quase abri a porta porque queria um colo, mas simplesmente não podia ser ele. Não demorou muito pra ele desistir. Chorei tanto que nem vi quando dormi.
O QUE FOI QUE EU FIZ, JESUS?
Me diz que eu não fiz isso.
Acordei no chão e estranhei estar ali no chão. Não demorou muito pra eu lembrar flashes da noite anterior. Alguém fala pra mim que eu não disse aquilo tudo pro Jinki, pelo amor de Deus.
Eu to ferrado.
Tipo, muito.
Olhei no relógio e ainda tava cedo, eram umas seis e meia da manhã. Isso é até cômico. Nunca conseguia acordar cedo por mais que fosse dormir cedo e, logo hoje, levanto em plena madrugada. Acho que meu erro foi nunca ter dormido no chão.
Vou me lembrar disso quando tiver agenda lotada.
Achei que tomar um banho seria ideal pra esfriar a cabeça, então saí do quarto e fui pro banheiro. Banhei e enquanto passava o shampoo, fiquei puxando meu cabelo pra me punir me lembrando o quanto eu era burro.
Mas a pior parte foi escovar os dentes. Olhar minha cara no espelho me dava mais raiva ainda
- Tu é muito burro mesmo, hein, Minho? Tu tinha que falar aquelas coisas pro Jinki - Falei e depois cuspi, e continuei escovando os entes com raiva - Agora como tu vai encarar ele, me diz? E se a relação de vocês ficar pior do que já tá por causa da tua imbecilidade? - Cuspi novamente e depois lavei a minha boca.
Eu tava literalmente louco.
Saí do banheiro só com a toalha e tava indo pro quarto me trocar, mas óbvio que dei de cara com o Jinki antes.
Agora me diz planeta, o que eu fiz pra você?
Ele tava com o cabelo bagunçado e a carinha inchada. Eu estava o achando lindo, mas acho que não posso opinar em nada sobre a beleza de Jinki, ele é simplesmente perfeito pra mim.
- Vá se trocar e venha pra cozinha, precisamos conversar.
Fui pro quarto quase correndo. Eu tava desesperado, o que seria de nós agora? Nojo eu sei que ele não tem, porque o Jonghyun e o Key já namoraram, mas será que ele me daria um fora? Eu não estava preparado pra isso. Na verdade eu não tava preparado pra nada. Só queria morrer de vergonha, ficar no meu quarto até o resto dos meus dias.
Obviamente não ia rolar.
Vesti minha calça de moletom e fui pra cozinha de uma vez. Eu iria dizer que tava fora de mim, porque estava bêbado e rezar pra ele acreditar.
Cheguei lá e ele me encarou na hora.
- Senta. - Ele falou e sentei de frente pra ele.
- Pega - Disse me entregando um papel.
- O que é isso? - Perguntei um tanto confuso.
- Pode ler - Falou e pegou uma garrafa de água em seguida e ingeriu o líquido.
Abri o papel e o conteúdo foi a última coisa que eu esperava na vida. Sério, acho que nunca fiquei tão chocado.
Era uma lista intitulada "Coisas que faço que tornam a vida do Minho mais difícil".
Tinha um "não sorrir tanto, pois meu sorriso é contagioso e Minho se sente mal em rir comigo". Pra vocês terem uma noção tinha um item "Não faça coisas muito memoráveis, Minho não gosta de ficar lembrando das coisas que você faz".
Eu estava tão chocado lendo aquelas coisas que levei um susto quando ele falou.
- Se tiver faltando algo você pode acrescentar. Em troca, tudo que peço é que nossa relação volte ao normal e você pare de beber tanto.
- Eu to me sentindo ridículo - Disse baixo.
- Não precisa, tudo o que eu quero é tornar aqui o melhor lugar pra você viver e...
- Eu simplesmente não acredito que você teve coragem... Eu sou tão pouco assim pra você? - Falei e sorri com escárnio e sem achar a mínima graça - Eu juro que não sei mais o que fazer - Me levantei e saí da cozinha.
Mas claro que ele me seguiu
- Minho, eu ao menos estou tentando. Você poderia, por favor, me dizer o que...
Virei de uma vez, segurei sua cintura e o empurrei contra a parede e fiquei ali encarando ele, seu olhar confuso. Eu sentia tantas coisas, raiva, frustração... Desejo.
Jinki estava muito próximo de mim, eu podia sentir sua respiração perto do meu rosto. Percebi que eu ainda segurava sua cintura. Acabei apertando. Ele soltou um suspiro e foi o fim pra mim.
Eu o beijei.
E ele não correspondeu. Eu movia meus lábios sobre os seus, pressionando, mas eu não sentia que ele me correspondia. Ele estava lá. Parado. Mesmo assim continuei beijando ele, porque a boca do Jinki era macia. Além de que, pelo andar da carruagem, aquele seria nosso primeiro e último beijo.
Até que ele movimentou finalmente os seus lábios sobre os meus.
Naquele momento o beijo mudou totalmente. Ficou suave. Eu pressionei mais levemente meus lábios, e, quando ele entreabriu a boca, eu coloquei minha língua buscando a sua pra fazer um leve carinho.
Tirei minha boca da sua apenas para grudá-las em seu pescoço. Os suspiros que ele dava me deixavam louco.
Chegamos no meu quarto parcialmente despidos. E nos entregamos um ao outro, onde apenas os lençóis foram testemunhas de quão ardente foi nosso ato de amor.
* * *
- Não acredito que você vai mesmo embora, Jinki. Eu não acredito que você vai fugir de tudo que aconteceu aqui, por favor, não faz isso comigo, não seja um covarde - Falei derramando lágrimas.
Ele me deu um tapa na cabeça.
- Deixa de ser ridículo e vai pegar suas malas no quarto, os homens da mudança estão pra chegar pra empacotar os móveis.
- Aish, doeu - Falei passando a mão onde ele havia me batido. Nem sempre as pessoas apreciam os dons artísticos das outras, tsc, tsc.
Depois de três meses namorando o Jinki, descobri que na verdade ele gostava de mim também, mas que nunca sonhou que era correspondido porque desconfiava que eu gostava do Taemin. Vai entender.
De qualquer forma, nos acertamos e decidimos também ir para um apartamento menor, mais aconchegante e com apenas dois quartos, embora fôssemos dormir juntos.
Eu vinha sendo muito feliz esses últimos meses, nunca pensei que poderia me apaixonar mais a cada dia, mas era ótimo ver as facetas de um Jinki apaixonado.
Eu o amava. Ele era o homem da minha vida. E a cada sorriso que ele me dava, eu sabia que ele me amava de volta.
Era engraçado ver como eu e ele também estávamos saindo do dormitório. Pensei que ele e eu ficaríamos aqui até o fim do SHINee. Mas vamos juntos iniciar uma nova vida. Juntos.
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Plot enviado: #79 - Depois que Jonghyun, Key e Taemin saíram do dormitório do SHINee para morarem sozinhos ou com suas famílias, Onew e Minho ficaram com o apartamento todo para si mesmos. Com tanto tempo sozinhos, Minho estava tendo problemas para lidar com seus sentimentos pelo líder.
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Avisos: tópicos religiosos (sem qualquer tipo de difamação)
Sinopse: "Quando uma cidade é condenada à destruição, quando seus habitantes são julgados por Deus, um arcanjo é por Ele enviado para cumprir a missão de extermínio. No entanto, em meio à grande massa de perversão, nem tudo parece ser apenas vício e Minho, arcanjo e filho comprometido a seu Pai, se vê obrigado, pela primeira vez, a pensar por si mesmo. Se vê vacilando diante dos céus. E talvez mudando o curso de sua história de uma forma que jamais imaginou."
-
Suas asas batem sobre o mundo e este mundo é Sodoma. Sua sombra se estende conforme o sol passa muito além do meio dia. Engole a cidade, aos poucos, lentamente. Uma sombra pesada. E as pessoas pensam: é apenas uma nuvem. Carregada. Irá chover, constatam inconscientemente.
Sim. Choverá em Sodoma, e ela será destruída. Deus ordenou e assim será. Não por uma inundação, a água traz a morte, mas também a vida, e o crime de Sodoma é prazeroso e estéril. O fogo cairá. Cairá, esmagará e as ruínas sumirão com o tempo, assim como a perversão.
O arcanjo pairava, invisível e poderoso, o poder dos céus era o seu espírito. Deus o chamara, dera o veredito e ali ele estava.
Sua matéria, não seu coração.
Deus está a me testar.
O arcanjo que aos humanos muito amava.
Esta tarefa é para mim a mais difícil.
O arcanjo observava, como muitas vezes fizera em suas visitas ao mundo mortal, e, no entanto, desta vez era diferente: se recusava a ver de fato, não se apegaria ou se compadeceria. A ordem fora dada e não seria questionada.
Minho moveu-se em direção ao solo seco, nublando os próprios olhos, as asas ainda abertas, como que o lembrando de quem era, e então passou a caminhar sem um rumo certo. Esperando algo por mais que soubesse que não havia nada a sua frente, nenhum sinal, nenhuma força necessária que seria a ele conferida no momento preciso da catástrofe, ele era a catástrofe, a ele cabia começá-la. A qualquer instante. E com esse peso maior sobre os ombros, viu tudo a sua volta, não pôde mais cegar-se. As construções, as pessoas, suas expressões relaxadas. Por um momento, sentiu raiva. Fora um instante tão ínfimo que o próprio arcanjo viu-se confuso com o ardor repentino em seu peito, que sumira como que expulso. Ficou sem perceber que, pela primeira vez, a convicção de seu coração se abalara, ainda que por um instante.
Estava escurecendo, desta vez, devido à natureza, ao sol que se escondia. As sombras formadas pelos edifícios aumentavam e Minho continuou a caminhar. A caminhar. A adiar. Pensou em seu irmão, no quanto ele reprovaria seu coração fraco por estender as vidas que já estavam destinadas a acabar. Porém, por um motivo que nunca poderá ser descoberto, um movimento interrompeu seus pensamentos. Um movimento entre tantos outros, no canto de seus olhos distraídos, chamou sua atenção. Era frágil, mas cheio de coragem.
Frágil e cheio de coragem.
Um jovem rapaz emergia das sombras de uma viela. A cabeça erguida, a expressão fechada e firme. O andar lento, mas constante. Passos pequenos e rígidos. Minho franziu o cenho enquanto o observava passar por ele, que não o via obviamente. Era como se aquele caminhar demorado fosse reflexo dos pesados estágios pelos quais a mente do próprio arcanjo cruzava até chegar ao entendimento.
Os cabelos negros, o olhar inocente, a pele clara. Sim, eram todos do rapaz que ali passava, exceto pelos cabelos estarem mais longos, quase cobrindo os olhos envelhecidos, a pele mais pálida, doente, cansada. As asas de Minho se fecharam, encolhendo-se sobre suas costas e ele correu até o humano. Analisando-o. Uma marca roxa em sua bochecha. Um corte ressente em seu lábio inferior. Minho parou por um instante e olhou para o beco. Assustado, atordoado, um tanto desesperado. Sua áurea se espalhou como uma bomba, e a sua confusão tomou conta da expressão das pessoas ao redor que se perguntavam o que estava acontecendo: de repente, ficou tão escuro, como se a noite ali chegasse mais cedo.
Minho alcançou o rapaz, tentando se convencer de que era outra pessoa. De que não era aquele garoto.
— Você. Não deveria estar nesta cidade. O que está fazendo? — perguntou — O que estava fazendo? — questionou, sabendo a resposta: uma faca afiada e crua, a realidade inquestionável que viola, abusa e condena.
E, de repente, os rostos contentes das pessoas que vira assim que chegou lhe pareceu agora o reflexo de uma satisfação envenenada, alimentada por intensões perversas.
O rapaz parou como se ouvisse o arcanjo e olhou ao redor em dúvida, porém logo começou a andar novamente e Minho apressou-se a colocar-se a sua frente, a alguns metros de distância, finalmente revelando sua presença. O rapaz parou abruptamente, os olhos revelando seu espanto mesmo que brevemente.
— O que faz aqui? — perguntou Minho ansiando por uma resposta — Abri aquela porta para que fugisse, não abri?
O rapaz apertou os olhos para enxergar melhor, para apagar a alucinação, porém o arcanjo ainda estava ali.
— O quê...? — sussurrou ele, olhando para Minho, notando de imediato sua presença poderosa, suas vestimentas dignas do imperador, seu olhar penetrante, mas não as asas, estas permaneceram escondidas. O rapaz olhou ao redor, mas as pessoas ignoravam o homem estranho que o encarava no meio da rua.
Movido pela indiferença que o colocava alheio a tudo, ou quase tudo, ele não se abalou, não enxergou o ar divino do homem ainda que fosse claramente sobrenatural. Ou talvez, estivesse apenas cansado demais para isso.
— Porta? — perguntou já de volta a seu semblante inicial.
Minho apertou os olhos diante daquela palavra rasa, simples, distante.
— Em uma noite de lua cheia... — explicou. — Há algumas primaveras... Havia um garoto sendo arrastado por estas ruas logo após ter perdido sua mãe. Ele fora jogado em uma casa escura com somente uma porta de madeira... Por homens de faces distorcidas...
O rapaz aprumou-se ao ouvir aquilo e Minho continuou.
— Havia ali um cheiro abafado e podre de decomposição... E o garoto arranhava a madeira de um jeito alucinado. Aquele garoto era você... Mas continua na prisão da qual te libertei.
A expressão do rapaz suavizou-se.
— Foi você? Por quê?... Quem é você?
— Não pude ignorar sua angústia – respondeu Minho prontamente. — Vivendo na terra em que vivia e ainda vive, eu soube plenamente a razão de sua dor. Por isso me pergunto, se aquela angústia o engolia, uma angústia que entregava o quanto abominava este lugar, por que continua aqui? Sinto teu desespero sendo meu novamente.
O rapaz franziu o cenho diante das palavras do homem, tão carregadas quanto seu olhar.
— Uma criatura poderosa se importa com um humano que não pode nem ao menos abrir uma porta?
— Os humanos deveriam ser livres — defendeu Minho como se o outro o ofendesse. E por causa das emoções alteradas, suas asas se estenderam e o humano a sua frente sentiu como se seu tamanho dobrasse ou ele mesmo diminuísse imensamente.
Seus olhos se arregalaram.
Sentiu-se pequeno, sentiu-se como nada.
Era um anjo, um espírito celestial, servo do Deus único! O humano percebeu e consumiu-se de pavor, um anjo em Sodoma não poderia ser um bom sinal.
— Taemin hyung!
Uma voz infantil subitamente cortou o ar, mas o rapaz continuou a encarar o arcanjo.
Um garotinho aproximou-se de Taemin, abraçando suas pernas. Ele se apressou em trazê-lo mais para perto de si e disse, como se o tempo fosse pouco, como em uma clemência ou uma justificativa. Talvez um pedido.
— O motivo de minha angústia era por terem me afastado do presente que minha mãe me deixara e não pela razão que pensa. Naquela noite, ela havia acabado de dar à luz ao meu irmão e nada mais me importava. Eu não poderia ir embora sem levá-lo comigo.
O arcanjo o analisou por silenciosos segundos.
— E por que continua aqui depois de tanto tempo? Por que não foi embora com a criança? — insistiu Minho.
Um trovão estremeceu a terra, e o céu límpido pairava como um grande olho negro.
— Porque a liberdade não existe — disse Taemin franzindo o cenho àquele som. — A escória de Sodoma não tem vez para além destas muralhas.
Outro impacto, desta vez imponente, caiu subitamente sobre o solo e o fez tremer sob os pés de todos. Taemin olhou ao redor, procurando, cheio de receio, a causa daquela forte e breve agitação, porém, não havia nada, era tudo como antes. Exceto pelo fato de que no instante seguinte o arcanjo com quem falava sumiu totalmente de sua vista.
As poucas pessoas que estavam nas ruas já não pareciam confusas, estavam verdadeiramente preocupadas. Janelas se abriram, mulheres enroladas em lençóis apareceram junto de seus acompanhantes, esticando suas cabeças para o céu que nada lhes dizia.
Tudo pareceu parar por um instante. Entretanto, rapidamente, as pessoas deram as costas a mais um sinal que aquele dia lhes mostrava, ignorando definitivamente qualquer aviso de um possível perigo, da ira de qualquer deus enfurecido e continuaram com suas vidas. Fechando as janelas, esgueirando-se pelas vielas, dirigindo-se às suas casas.
Taemin segurou com firmeza a pequena mão de seu irmão e começou a andar, quase esquecendo-se da dor que sentia em suas pernas, perguntando-se para onde deveria ir. Disperso, ignorava totalmente a voz infantil que exigia sua atenção, porque ele, mais do que qualquer um, sabia que algo estava marcado para acontecer. Tinha o costume de naquela hora do dia ficar com seu irmão, depois de ele passar o dia com uma antiga amiga de sua mãe, e caminhar com ele ou ficar em algum lugar da cidade com o menino em seus braços, brincando, distraindo-o, vendo-o dormir, evitando ao máximo voltar para casa, fazendo isso apenas quando já estivesse bem escuro e todos já dormissem distantes em seus sonos agitados.
Mas hoje o que faria? Sentia-se ameaçado sob aquele céu, como se a cobertura de um lar fosse o proteger de tudo.
Mas aquele lugar não era seu lar.
Não poderia ser o lar de ninguém.
Taemin parou olhando para baixo, seu irmãozinho o encarava apreensivo, triste, os olhos marejados. Taemin abaixou-se e pegou-o no colo, apertou-o contra seu corpo, perguntando-se se deveria sair da cidade, tocando pensativo a região entre seu peito e clavícula, xingando baixinho, odiando-se.
Se saíssem de Sodoma, não durariam muito. E se ficassem, o que aconteceria?
— Taemin... o filho da minha prostituta preferida, ou deveria dizer a minha, agora, substituta preferida? O que está fazendo por aqui uma hora dessas?
—
Minho sentia o corpo sendo puxado em alta velocidade em direção ao céu. Reconheceu quem o segurava pelas vestes antes mesmo que visse aquela expressão irritada transbordando da face de um de seus irmãos. O arcanjo parou bruscamente no alto, distante da terra firme, e largou o irmão que agarrava em sua fúria, empurrando-o em meio ao ar.
— Sua missão é muito simples e já deveria estar concluída! — berrou o homem de expressão felina.
- Sei de minha missão, Kibum. E irei cumpri-la. Não preciso que me pressione — retrucou Minho.
— Estou cansado de sempre ver você conversando com os humanos — disse ele. — Qual é o seu problema? De verdade. Tem de matá-los e ainda assim insiste em criar laços com eles?
— Nosso Pai está irritado? Mandou-o aqui para que me repreendesse? — Kibum apenas continuou a encarar o outro com firmeza. Minho continuou: — Era o que eu imaginava.
— Você os ama — rebateu Kibum, insistindo em mostrar seus argumentos. — Como poderia não vir aqui quando tudo o que faz é se arrastar pelas ruas sujando nossos nomes? Os nomes dos seres divinos. Você os ama mesmo que tudo o que adorem seja o prazer da carne cujos os sons imundos escuto facilmente ao simplesmente passar próximo destas vielas. Eles são sujos, todos eles, e ainda assim você vaga entre eles quando deveria acatar a vontade de Deus.
Minho respirou fundo, detestando ouvir aquilo, lembrando-se de Taemin.
— Não discutirei isto com você. Nosso Senhor ama a todos eles muito mais do que jamais amarei.
— Ele o mandou para que os matasse!
— Exatamente, Kibum — enfureceu-se Minho. — Não foi você. Ele mandou a mim, não você! E talvez seja justamente por você ter este pensamento tão simples! Por cegar-se quando um comando lhe é dado! Nem ao menos pensa sobre as ações dele decorrentes. E agora eu vou voltar lá para baixo. Não venha me dar outro sermão, pois em nada é superior a mim, meu irmão.
Minho se preparava para se virar, porém Kibum não se deu por satisfeito.
— Está a um passo de se tornar como ele.
Minho o observou, sabendo exatamente onde ele queria chegar.
— Lucifer? — disse sério.
— Satã — corrigiu Kibum.
Minho simplesmente lhe deu as costas e desceu ao solo novamente.
—
Taemin gelou ao perceber as casas ao seu redor, sem ter antes notado que já havia andado tanto. Amaldiçoou-se ao ver o homem que se aproximava. Foi para aquele lugar enquanto estava absorto em seus pensamentos.
Virou instintivamente o irmão que estava em seus braços para outra direção.
— Oh — disse Taemin, rindo nervosamente. — Acabei por me distrair. Tenho que ir a outro lugar. Nos vemos amanhã.
Taemin virou-se para se afastar.
— Ei, ei. Espera, criança — chamou o homem. — Está aqui e não vai a lugar nenhum.
— Amanhã, Joaquim. — Sua voz estava firme, como o seu olhar, mas aquilo era claramente uma súplica.
O homem, porém, segurou seu braço livre com força.
— Meu irmão está aqui, mas que droga! — soltou exasperado.
— Você escolhe — disse ele em resposta, secamente.
Taemin hesitou, porém acabou por virar-se para seu irmão ainda em seus braços.
— Pode fazer uma coisa para mim? — pediu e o menino acenou com a cabeça, os olhos apertados. — Sabe aquele lugar? Aquele para o qual sempre vamos? Pode me esperar lá?
— E você, hyung? — perguntou angustiado.
— Vou estar lá antes que note — sussurrou Taemin para que apenas ele escutasse.
Abaixou-se para colocá-lo no chão e observou enquanto via as perninhas infantis se distanciarem. Por fim, Taemin respirou fundo e virou-se.
— Vamos para casa — disse o homem.
— Não vou com você — Taemin estava estranhamente calmo. — Algo grande está prestes a acontecer, se fosse você tomaria cuidado... Fugiria.
O homem riu.
— Sempre achei que você fosse um garoto bem inteligente, mas me parece que alguém torrou os seus miolos — cuspiu as palavras enquanto caminhava na direção de Taemin, empurrando sua testa com o dedo indicador para intimidá-lo.
Taemin sabia que não tinha forças para enfrentá-lo, a não ser que corresse, sua coragem (e insolência) não significava nada além da garantia de um futuro mais doloroso.
— Você é nossa vadia e vai continuar a ser se não quiser que a gente estrague com o seu irmãozinho, foi o combinado e você quer realmente que eu te lembre disso?
Quando deu por si, Taemin já estava sendo pressionado contra a parede de uma casa, a roupa sendo agarrada pelo homem que despejava seu hálito podre sobre ele.
Percebeu que não haveria outra maneira de escapar a não ser convencendo-o de que uma catástrofe estava prestes a cair sobre Sodoma.
— Não estou mentindo sobre fugir. Tem de acreditar em mim. Acha mesmo que arriscaria o bem estar...
No entanto, Joaquim não queria o escutar. E não escutou uma palavra sequer que fora dita. Ele mantinha em mente as suas próprias palavras e nada mais. E com isso, forçou ainda mais suas mãos sobre Taemin, puxando-as e rasgando a roupa do rapaz por alguns centímetros. O suficiente para revelar uma longa cicatriz.
Taemin arregalou os olhos, em choque, tremendo levemente, sentindo urgência por cobrir-se outra vez.
— Lembra-se do que aconteceu quando tentou fugir na noite em que a puta da sua mãe morreu? — perguntou o homem, traçando com os dedos as marcas sob toda a extensão da clavícula de Taemin. — Está escrito, bem aqui, em você. Não pode sair dessa cidade.
Taemin sentiu uma fúria incontrolável tomar conta de si e, quando se deu conta, já havia empurrado o homem para longe. Porém, surpreendentemente, depois de dar passos incertos para trás, dando a entender que o empurrão de Taemin em nada lhe afetara, com um sorriso convencido prestes a brotar de seus lábios, Joaquim simplesmente, em uma velocidade assustadora, caiu sobre o chão como se algo invisível, pesando uma tonelada, houvesse caído sobre ele, esmagando-o. O solo ao seu redor afundou em uma cratera e ele tinha os olhos arregalados, saltando de suas órbitas, sem qualquer marca de sorriso em seu rosto, apenas uma poça de sangue se alastrando ao redor de sua cabeça e membros.
Taemin deu um passo para trás, encontrando novamente a parede, e deixou uma exclamação sair de seus lábios, sem entender o que acabara de acontecer.
Havia começado?
O que o anjo havia vindo fazer havia começado?
A dizimação da cidade e de todos que estavam nela?!
Porém, a paisagem diante de seus olhos se alterou: asas gigantescas começaram a se tornar visíveis diante de Taemin, que arregalou ainda mais seus olhos.
O arcanjo estava debruçado sobre o cadáver e, aos poucos, erguia seu corpo e virava-se para encarar um Taemin paralisado, apreensivo: também temendo a própria morte. No entanto, Minho não o atacou como fizera com Joaquim. Ele abriu os lábios para dizer alguma coisa, mas desistiu logo em seguida como se mudasse de ideia, e o que Taemin não percebera foi que isso aconteceu após o arcanjo ter mirado uma parte em específico do corpo de Taemin.
— No momento em que vi este homem perto de você, só pude pensar no quanto não suportaria vê-lo abusando de ti — começou Minho com o cenho franzido. — Mesmo que eu fosse matar... matar você, Taemin, assim como a todos os cidadãos deste lugar, mesmo que sua vida fosse chegar ao fim pelas minhas mãos no final, no fundo de meu coração, não pude suportar vê-lo desta maneira, então tudo que quis a princípio em meu egoísmo foi afastar este homem de você para aliviar o meu desconforto e acabei por não medir minha força no processo. — Ele olhou o corpo atrás de si durante um instante, fechando os olhos ao repreender-se, e se virou novamente para encarar o rapaz. — E sim, eu estava decido, mais do que tudo, por mais que meu espírito estivesse aflito, eu estava decido a cumprir minha missão, porque a palavra de Deus é a última e a definitiva e não temos o direito de retrucar sua sabedoria... Ou assim pensei... — completou com desconforto. — Nada havia me feito questionar minha missão porque por mais que eu tenha escutado cada palavra da conversa de vocês dois e por mais que eu tenha me enchido de dor no processo, eu ainda não entendia o porquê de você permanecer neste lugar. Eu só conseguia pensar que, se desejava tanto proteger o seu irmão, o melhor seria ir embora de Sodoma e não continuar aqui, fazendo parte desta realidade suja. Não havia lhe entendido completamente, não até este presente momento.
Minho não desviou os seus olhos dos de Taemin enquanto falava. O humano tampouco: lhe observava quase em transe. Mas no momento seguinte, Minho abaixou o olhar na direção das roupas rasgadas do rapaz, que ao se dar conta disso, imediatamente cobriu-se, odiando a ideia de deixar que alguém, que o arcanjo, visse as marcas em sua pele.
Um trovão cortou visivelmente o céu, clareando a noite e, após alguns segundos, seu estrondo estremeceu mais uma vez toda a terra. E Minho apenas deu passos à frente, ignorando tudo que estava atrás de si e se concentrando somente em Taemin, chegando a alguns centímetros dele, segurando em suas mãos, acalmando suas asas, fechando-as, e continuando a falar.
— Você não vai morrer hoje... Ou ao menos esta é a minha súplica e, em minha súplica, farei de tudo, porque meu coração decidiu ainda que isto não seja o suficiente.
Taemin continuou calado, seus olhos assustados. Ou talvez isso era só o que sua expressão dizia. Talvez o medo não fosse nem metade do que sentia, talvez o medo nem tivesse lugar dentro dele.
O arcanjo por fim puxou gentilmente as mãos de Taemin, revelando a cicatriz sob sua clavícula, que havia sido escrita provavelmente a ferro quente. Violando sua pele e marcando-o para sempre.
“Escória de Sodoma”.
Minho soube imediatamente que aquilo fora seu castigo na noite em que tentara fugir após ir atrás de seu irmão (pois esse era seu objetivo, fugir após salvar também seu irmão). Na noite em que aquela porta fora aberta. Soube que aquela marca em seu corpo ultrapassava a dor de sua carne que havia sido queimada em um processo longo e repetitivo, aquela marca também o obrigava a ficar ali, porque fora daquela cidade, se a descobrissem, tudo estaria acabado e seu irmão terminaria sozinho. Morrendo de fome ou entregue a um destino ainda pior.
— Não estou entendendo o que está fazendo — disse Taemin finalmente.
— Amo os seres humanos, e a missão de matá-los é para mim a mais difícil. Deus julgou-os e os sentenciou à morte, e eu aceitei porque acreditei neste julgamento, mas não posso fechar meus olhos a você. Você não merece morrer, Taemin. Principalmente depois de tudo o que fez.
— Irá me salvar? — perguntou Taemin descrente, recuperando-se de seu choque inicial, aos poucos mergulhado na situação surreal em que vivia.
No entanto, antes que qualquer outra coisa fosse dita, um estrondo capaz de fazê-los perderem o equilíbrio foi ouvido ali perto. Ao olharem para a direção do barulho viram uma casa já em ruínas: uma imensa rocha em chamas acabara de esmagá-la. O fogo se espalhava, as pessoas gritavam, já haviam corpos no chão.
Minho abriu as asas. De maneira precipitada, recebendo um olhar questionador de Taemin. Os olhos expandidos. Acabando de pressentir outro perigo se aproximando de suas costas. Como que mirando-o. Ou mirando o humano a sua frente: aquela era sua deixa: fugiria ou ficaria?
— Cuidado! — gritou Taemin no momento em que percebera, e o arcanjo, em um piscar de olhos, foi atingido em sua asa esquerda.
Ela não se movera um centímetro sequer. Minho não deixara. Mas os ferimentos eram evidentes. Graves. As penas que sobraram na região atingida já não eram brancas e sim vermelhas. Um fogo tímido se espalhava vagarosamente como que se alimentando furtivamente para que ninguém percebesse.
— Suas asas! — exclamou Taemin estendendo os braços. — E estão pegando fogo!
— Não se preocupe com isso — disse Minho, segurando Taemin pelos ombros para que ele não se movesse.
O arcanjo sabia exatamente o que as chamas significavam. A dor era excruciante, mas ele não faria nada, não se moveria.
Taemin arregalou os olhos em seguida, lembrando-se, e sugou o ar como se a muito não respirasse.
— Meu irmão! O meu irmão! — gritou, encarando Minho para logo depois tentar se desprender daquele aperto.
— Ele ficará bem! — assegurou Minho com urgência.
— Do que está falando?! Bolas de fogos estão caindo do céu por toda parte! — retrucou Taemin com a voz trêmula. — Solte-me!
No segundo seguinte, Minho foi atingido novamente e não conseguiu evitar que lhe escapasse um gemido de dor.
— Por acaso é estúpido?! Vá embora, me deixe ir atrás de meu irmão e pare de se deixar machucar desse jeito!
Haviam gritos de pessoas em agonia por toda parte e ainda assim Minho sorriu e Taemin imediatamente se acalmou.
— Confie em mim, ele ficará bem... Além disso, se eu lhe deixar você morrerá.
— Não foi isso que veio fazer desde o início? Por que se rebela por alguém que está entre as pessoas que deveria matar?
— Sabe a razão. Eu já lhe disse.
— Mas você está sofrendo... Suas asas estão derretendo! Deveria apagar o...
Minho balançou a cabeça, cortando-lhe.
Seu sangue se espalhava pelo chão e ele estava visivelmente enfraquecido. Apoiou-se na parede que ainda se mantinha firme a sua frente, sem deixar de se colocar como uma barreira para proteger Taemin, que se encolheu extremamente tenso e preocupado. Sentindo-se em um mar de agonia ainda que o inferno da cidade estivesse dele separado, ainda que a dor do anjo não o atingisse na pele.
— Um segundo muda tudo, e isso é assustador. Nunca me imaginei fazendo o que faço agora — murmurou Minho sorrindo perplexo, distante em seu tremendo esforço.
— Sinto-me forçado a lhe agradecer, mas isso me parece irreal, e você me parece estúpido demais para um anjo.
Minho não lhe respondeu.
Taemin sentia uma responsabilidade enorme sobre os dois e não sabia como lidar com aquilo.
Os minutos de destruição foram longos, e ele estava prestes a enlouquecer.
— Pergunto-me se meu Pai me considera em pé de igualdade com meu irmão que se pôs contra Ele há muito tempo... – Minho começou a sussurrar depois de um tempo. Delirante. Sufocado pela dor. Tudo o que se ouvia ao redor agora era o silêncio, as chamas — Kibum disse que sim... Por mais que nossas razões sejam opostas... Por mais que eu esteja aqui por amor à humanidade... Não... Por amor a um único homem.
Taemin mirou Minho surpreso. Seus olhos estavam quase totalmente fechados e ele pensou que talvez o arcanjo não soubesse o que dizia: era um delírio apenas.
— Mesmo que o que me coloque onde estou agora, defendendo sua vida, seja a sua coragem e não o meu amor.
- Você... — murmurou Taemin perdido, sentindo uma gratidão e um carinho imenso crescer em seu peito. — Não sei o seu nome...
— Minho... — respondeu ele antes de desabar nos braços do outro.
Ao segurá-lo para que não caísse, Taemin obrigou-se a olhar as asas que antes estavam sendo consumidas em carne viva pelas chamas celestiais. E o rapaz constatou, com assombro, que não havia mais nada. Sequer uma pena ou brasa. No lugar daquilo que lhe garantia voar pelos céus estava agora duas cicatrizes de queimadura em suas costas. Taemin respirou fundo e uma lágrima correu pelo seu rosto enquanto tocava com suas mãos trêmulas a pele ao redor do ferimento.
— Terá que me ajudar. Não consigo carregá-lo sozinho — disse com a voz embargada, mas contente ao perceber que Minho, após ter colocado um de seus braços sobre seu ombro, deu um pequeno passo à frente mostrando que ainda estava consciente.
Taemin olhou para a destruição ao redor, corpos, membros, sangue, morte. As pessoas que antes via todos os dias agora largadas sobre o chão, suas expressões mirando o nada, perdidas. Imaginou-se entre elas e isso lhe foi significativamente fácil. E era isso o que ele era, apenas uma delas, era onde deveria estar, mas não estava. Fora sorteado e, talvez, o que visse a sua frente não fosse liberdade, mas era algo bom, melhor.
Ele mirou o céu sombrio e não se sentiu mal, não sentiu culpa ou qualquer peso, viu o céu como uma gigantesca íris que os observava agora sem qualquer julgamento. E após andarem durante alguns minutos, Taemin sentiu sua preocupação se esvair ao ver um garotinho sentando afastado, olhando o horizonte, alheio, milagrosamente, ao que acontecia às suas costas.
Taemin sorriu para Minho, em um agradecimento silencioso, apoiando-o em uma rocha para que sentasse e se afastou na direção da criança.
— Sou humano agora? — sussurrou Minho, disperso, observando Taemin abraçando seu irmão, lágrimas aliviadas em seus olhos.
Não se sentia vazio.
O arcanjo caiu dos céus e agora vivia entre os homens.
— O que isso significa? — ele se perguntou, mas ao olhar para Taemin sentiu como se alguém lhe sussurrasse a resposta. — Que escolhi uma vida difícil da qual me arrependerei.
Mas Minho olhou mais atentamente e sorriu, pois viu Taemin sorrir e aquilo sem dúvida lhe mostrava algo diferente.
— Quem sabe...
Ele se levantou indo em direção aos dois que o encararam. Minho bagunçou os cabelos do menino que ficou apreensivo a princípio, mas acabou por lhe sorrir. Ele observou a criança admirado, cheio de uma nova convicção que a vida dela representava.
— O que faremos? — Taemin perguntou atravessando seus pensamentos.
Minho o fitou, esticou sua mão e esperou que Taemin a pegasse. Curiosamente o rapaz não sentiu qualquer tipo de hesitação.
— Não sei, mas vamos sair daqui — respondeu Minho sentindo a mão de Taemin tocar a sua.
Era quente e pequena e Minho o amava.
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Plot enviado: #218 - Taemin vive na cidade de Sodoma, tentando permanecer vivo. Minho é um dos arcanjos enviados para destruir a cidade pecadora mas percebe que a alma de um dos habitantes vale a pena ser salva do inferno.
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