Sinopse: Jonghyun estava com tédio. Então por que não usar o teste de uma revista adolescente para encontrar sua alma gêmea?
-
Era uma tarde calorosa de verão. O sol brilhante ultrapassava o vidro da janela e invadia o quarto, tornando-o mais abafado. O garoto estava estirado sobre a cama, usando apenas uma cueca box branca. Seu peitoral bem definido e sua pele bronzeada parecia bem sensual à luz do sol. Pelo menos era o que ele achava. Jonghyun adorava admirar seu próprio corpo, e naquele momento de tédio era o que ele mais fazia.
Observar seu corpo logo se tornou monótono, no entanto. Jonghyun se entediava muito facilmente, ainda mais com um dia lindo lá fora. Ele pegou seu celular em cima do criado-mudo e acessou o aplicativo de mensagens instantâneas Kakao Talk, abriu o grupo de conversa dos seus melhores e inseparáveis amigos e digitou:
Jjong: E aí, galera? Vamos todos para a casa do Kibum tomar banho de piscina? Esse calor está de matar.
Em menos de dois minutos, os outros já estavam online.
MinHo: Estou dentro! Vou arrumar minhas coisas.
TaeMinnie: Também vou! Você vai passar na minha casa, Min?
Chicken Jinki: Também quero! Eu posso te buscar, Tae. Vou de carro.
Key: Nossa, mas eu nem disse se pode ou não. Você é muito abusado, Jjong.
Jjong: Nheeee.
Minho: Nheeee.
Taeminnie: Nheeeeee.
Chicken Jinki: Pode ou não, Key?
Jjong: Claro que pode! Vai fazer o nosso lanche também e se bobear ainda fico para dormir. Estamos de férias!
Key: Não vou fazer lanche, vocês que tragam alguma coisa. E você não vai dormir aqui, Jonghyun.
MinHo: Aê! Vou procurar minha sunga. Jinki, você pode buscar o Tae e eu?
Jjong: Vou dormir, sim. Agora quero isso mais que tudo. Kkkkk Me busca também, Jinki!
Chicken Jinki: Posso buscá-los, sim!
Taeminnie: Quero dormir aí também.
MinHo: Agora eu também quero.
Key: Nãoooo!
Chicken Jinki: Eu também!
Jjong: Vamos todos dormir então. Eu divido a cama com o Key e os outros que se arrumem no chão.
Taeminnie: Não, quem sempre dorme com o Key sou eu! ù-ú
Jjong: Por isso que agora é a minha vez. Eu sempre acordo com dor nas costas quando durmo no chão.
Key: Quem vai dormir comigo é o Tae!!
Jjong: Ah, não! Agora é a minha vez!
Key: Quem se meter a dormir na minha cama, que não seja o Taemin, vai ter que transar comigo.
MinHo: Uuuuuh! Intimou você, Jjong!
Chicken JinKi: Kkkkkkkkkkkkk. Tô fora!
Taeminnie: Essa regra serve para quem dormir no chão?
Key: Taemin! Kkkkkk
Jjong: Assim não vale. Vou dormir com o cachorro então.
MinHo: Huuum. Fugindo do compromisso, é?
Chicken Jinki: Huuuuuum.
Taeminnie: Huuuuuum.
Key: Vamos parar com a palhaçada e venham logo antes que eu mude de ideia.
MinHo: Ficou magoado.
Chicken Jinki: Ficou decepcionado.
Key: -_-‘
Jjong: Vou me arrumar. Fui ~
Taeminnie: Fui também ~
Jonghyun deixou o celular de lado e foi direto ao armário separar as roupas que levaria.
~~ * ~~
Jinki estacionou seu carro em frente à casa de cor rosa chá, uma das mais bonitas do condomínio de classe média alta. Os quatro meninos saíram do carro, cada um carregando uma mochila. Key já havia deixado a porta aberta, então eles seguiram diretamente até os fundos da casa, onde ficava a área de lazer com piscina. O dono da casa já estava trajado com sua sunga rosa pink estampada com flores tropicais na cor turquesa e descansava na espreguiçadeira ao lado da piscina, na sombra. Em seu colo, um punhado de revistas sobre moda e decoração o ajudava a passar o tempo.
Não houve cerimônias: os garotos apenas despiram suas roupas, ficando apenas de sunga, e pularam na piscina. Jonghyun nadou até a borda perto de onde Key estava. Pegou um pouco de água com a mão em posição de concha e jogou no amigo.
– Entra logo!
Key o fuzilou com os olhos.
– Estive nessa piscina a manhã inteira, depois eu entro.
– Veeem! – gritou Taemin lá do fundo.
– Eu já disse que entro depois! – Sua resposta firme não permitiu que insistissem.
Os meninos ficaram horas se refrescando e brincando com a água. Jogaram vôlei e quando Jonghyun se viu perdendo para o time MinHo e Jinki, resolveu que seria melhor descansar e sair da água. Pingando, ele se sacudiu como um cachorro na frente de Kibum.
– Ai, para com isso! – reclamou, tentando em seguida chutar a coxa do outro. Sem sucesso. – Garoto chato.
Jonghyun se jogou em cima da outra espreguiçadeira ao lado de Kibum.
– Não se cansa de olhar essas porcarias? – ele olhou com desprezo para as revistas em seu colo.
– Não – respondeu sem tirar os olhos da revista Vogue.
– Você precisa arrumar um namorado para distrair sua cabeça. É por isso que você é tão mal-humorado. – Kibum continuava o ignorando, e mesmo assim Jong prosseguiu: – Por que você não leva o Jinki para a sauna? Eu juro que não vou tentar olhar pela fresta da porta.
Kibum, rindo, deixou sua revista de lado.
– O que te faz pensar que poderia haver algo entre o Jinki e eu?
Jonghyun deu de ombros.
– Vocês já ficaram.
– Há sete anos!
– Nunca é tarde demais para o amor – replicou rindo, o que contagiou o outro.
– Mesmo que fosse o caso, agora ele só tem olhos para outra pessoa.
– Quem?
Kibum apontou para os outros três na piscina; MinHo conversava com Jinki e Taemin, sendo que o mais velho estava com seus braços agarrados à cintura do mais novo, quase como um cinto de segurança. Na percepção de Key, Jinki “protegia” Taemin da aproximação de MinHo.
– Está viajando – comentou Jonghyun. – O Jinki não gosta do Taemin dessa forma.
– Claro que gosta.
– Não, ele só é protetor porque o Taemin é mais novo e inclinado a pequenos desastres.
– Ele gosta do Taemin há muito tempo.
– Não, você gosta dele e está se sentindo ameaçado e enciumado pela aproximação deles.
Kibum encarou Jonghyun, sério.
– Você não entende mesmo os sentimentos das pessoas, não é?
– Você que não entende! – replicou, levemente ofendido.
– Não, você nunca entendeu. É tão tapado que não percebe as coisas ao seu redor. – Deixou as revistas de lado e se levantou. – Vou fazer o lanche.
Kibum saiu pisando firme, irritado. Mas Jonghyun ficou pensativo: Será que Kibum estava certo? Ele não percebia sequer o sentimento de seus próprios amigos?
Então, como mágica, ele olhou para o amontoado de revistas e leu o seguinte título, em letras rosa-bebê na capa de uma revista de fofocas: Sua alma gêmea pode estar do seu lado. Faça o teste e descubra!
Jonghyun, na mesma hora e sem preconceitos, pegou a revista e folheou até encontrar a página do teste. Leu então as instruções:
Você busca sua alma gêmea, mas tem dificuldades em decifrar os sinais que os que estão a sua volta dão? É sempre o último a saber? Nosso teste vai ajudá-lo nisso! É simples, basta responder às questões e a resposta que você mais marcar dirá a personalidade que mais combina com a sua. Vamos lá?!
Jonghyun sorriu, parecia interessante.
Questão 1: O que mais te chama atenção em uma pessoa quando está interessado por ela?
a) Aparência física
b) Inteligência
c) Gostos e habilidades
d) Personalidade
Jonghyun pegou uma caneta que Key tinha deixado dentro de outra revista e marcou a opção A. Ele dava muita importância para aparência física.
Questão 2: Como gostaria de passar o final de semana com sua alma gêmea?
a) Balada
b) Praia
c) Cinema
d) Em casa
Antes que marcasse sua resposta, no entanto, Jonghyun teve uma ideia: testaria os seus amigos. Se o teste dizia que a sua alma gêmea pode estar do seu lado, então faria o teste de acordo com quem estivesse do seu lado naquele momento. A personalidade que mais combinasse com a sua, seria a tal alma gêmea.
O baixinho levantou empolgado e andou até a borda da piscina onde os outros três estavam. Jinki ainda abraçava Taemin, ao passo que MinHo tinha se aproximado mais dos outros dois, como se quisesse invadir seus espaços pessoais.
– Lee Taemin – Jonghyun chamou, despertando a atenção dos outros, que o olharam imediatamente. – Se você estivesse viajando em um país tropical, só comigo, e tivesse que escolher como passar o final de semana, qual desses programas escolheria: balada, praia, cinema, ou ficaria no hotel assistindo um filme?
A interrogação nos olhos dos outros fez Jonghyun revirar os olhos.
– Só estou fazendo um teste.
– Teste de quê? – perguntou MinHo, tentando olhar a revista que o outro tinha em mãos.
– Um teste sobre... personalidade. Responde aí, Tae.
– Personalidade? – Jinki estranhou.
– Se fosse um país tropical – disse Taemin, ignorando a estranheza da pergunta –, eu escolheria praia, é claro. Não gosto de balada. Mas também seria legal cinema ou ver filme em casa, ou hotel, seja como for.
Jonghyun sorriu e fez uma anotação no rodapé da revista.
– E você, Jinki?
– O quê?
– Qual programa gostaria de fazer comigo em um...
– Eu sei a pergunta, mas por que eu tenho que responder?
– Só responde, vai. Deixa de ser chato.
Jinki revirou os olhos e deu de ombros. O que custava?
– Praia também. Mas se é um final de semana inteiro, por que escolher só um programa?
– É coisa do teste. – Então virou-se para Minho. – E você, Minho?
– Balada! Se é para escolher só um. Se fosse dois, seria praia e balada.
– Ótimo, obrigado.
Ainda tomando notas, Jonghyun se levantou e seguiu até a cozinha, atrás de Key. O garoto tirava cascas de pão de forma quando notou a presença do baixinho.
– Se você estivesse viajando em um país tropical, comigo, que programa gostaria de fazer no final de semana: balada, praia, cinema ou ficaria no hotel, curtindo a estadia?
Key o encarou, sem entender o porquê da pergunta.
– Sei lá – deu de ombros. – Por que eu viajaria só com você?
– É uma suposição, só responda.
– Depende. Eu iria à praia durante o dia e à noite eu descansaria no hotel. Ir para balada com você é furada.
– Por quê? Eu sempre descolo passe livre.
– Você some com as pessoas e nos deixa sozinhos.
Jonghyun sabia que era verdade.
– Então sua resposta é praia, certo?
– Isso, pode ser.
Jonghyun tomou nota, estava utilizando o teste de sua própria maneira.
Minha alma gêmea saberia que prefiro boates a qualquer outro programa. Praia é bom, mas um luau é ainda melhor. Minha alma gêmea sugeria um luau. MinHo foi o único que respondeu corretamente.
Taemin (1) Jinki (1) MinHo (2) Key (1) – 1 ponto para cada, porque todos são bonitos.
Ele passou então para a próxima questão.
Questão 3: Que gênero de filme você prefere?
a) Romance
b) Terror
c) Suspense
d) Comédia
Jonghyun já sabia sua resposta, mas precisava da resposta dos outros. Ele ajudou Key a terminar de arrumar os lanches e os levou para a mesa de madeira em frente à churrasqueira, arrumando tudo bonitinho e chamando os outros para lancharem. Os três estavam com suas peles enrugadas e logo procuraram uma toalha para se enrolar, pois o vento já batia um pouco mais forte.
Assim que começaram a se servir, Jonghyun voltou com suas perguntas.
– Taemin, qual seu gênero de filme favorito? Romance, terror, suspense ou comédia?
A pergunta fez com que novamente os olhos o encarassem. Taemin deu uma mordida em sua torrada e, sem ver problema algum, respondeu:
– Terror.
Jonghyun se voltou para Jinki.
– E o seu, Jinki?
– Está fazendo isso para ver qual de nós combina com você?
O mais velho tinha matado a charada, o que deixou Jonghyun envergonhado.
– Não. Responde: romance, terror, suspense ou comédia?
– Romance, por quê?
Jonghyun apenas tomou nota.
– E o seu, Minho?
– Suspense. Se tiver tiro, melhor ainda.
Jonghyun sorriu, para então se voltar para Key.
– E você?
– Romance.
Com as respostas, ele pôde escrever uma nota completa.
Taemin estranhamente gosta de terror, o que não combina com sua aparência frágil. Minho, bem como eu, gosta de um bom suspense com muito tiro. Jinki e Key gostam de romance e praia. Até agora eles combinam bem.
Taemin (1) Jinki (1) MinHo (3) Key (1)
Passou então para a próxima pergunta.
Questão 4: Um país perfeito para uma lua de mel seria?
a) França
b) Itália
c) Inglaterra
d) Japão
– Taemin!
Ouviu-se Jinki e MinHo resmungarem.
– Qual a próxima pergunta? – O mais novo parecia até animado.
– Qual desses países você gostaria de passar a sua lua de mel comigo: Fran...
– Lua de mel com você? – repetiu MinHo. – Que droga de teste é esse?
– Cala a boca, espera a sua vez. Então: França, Itália, Inglaterra ou Japão?
O mais novo pensou um pouco, fazendo um biquinho antes de responder:
– França! Em Paris.
Jonghyun anotou e se virou para Jinki.
– E você?
– Em lugar nenhum, não com você.
Jonghyun bufou e reformulou sua pergunta:
– Não precisa ser comigo, pode ser com quem você gosta.
Jinki sorriu levemente, e Jonghyun pôde jurar que ele olhou para Taemin e Key quase ao mesmo tempo.
– Itália. Acho um lugar bem romântico.
– MinHo?
– Inglaterra. Eu poderia ir ao Museu do Futebol.
– Muito bom. E você, Key?
– França, porque é o país da moda.
Jonghyun tomou suas notas:
Ninguém acertou. Eu escolheria Japão pelos motéis temáticos. Mas França é uma boa opção, é romântico.
Taemin (2) Jinki (1) MinHo (3) Key (2)
Jonghyun deixou a revista um pouco de lado para comer o lanche inusitadamente gostoso. Key sabia cozinhar muito bem, o que era um dom peculiar em um garoto rico que vive de moda e eventos sociais. Ele, apesar de tudo, sabia cuidar das pessoas.
– Você vai entrar na piscina agora – impôs Taemin. – São três da tarde, o sol continua quente e você precisa se refrescar. Deixa essas benditas revistas de lado.
– Tá bom, tá bom.
Key não estava muito a fim de entrar na água, mas faria companhia a Taemin.
Dez minutos depois, os quatro meninos estavam na água, conversando sobre o que poderiam fazer no resto das férias. Jonghyun, no entanto, ainda estava entretido com seu teste. Ele achava mesmo que o resultado seria a solução dos seus problemas amorosos. Ele até pegou uma caderneta emprestado com Key para escrever melhor suas anotações.
Lia agora a próxima pergunta:
Questão 5: Como você lida com o ciúme?
a) É extremamente ciumenta (o)
b) Sente ciúmes só com alguma ameaça
c) Seu ciúme é apenas para apimentar o relacionamento
d) Nunca sente ciúmes, é confiante demais
Jonghyun ficou pensando em como testaria sua resposta. No entanto, como não podia tirar a prova, achou melhor usar o método convencional e perguntar aos amigos. E quando ele se agachou perto da borda da piscina, Jinki já revirava os olhos.
– Taemin, você me acha ciumento?
Dessa vez, Taemin não sabia como responder, então deu de ombros.
– Não sei, acho que sim. Você não me deixa dirigir a sua moto, prefere deixá-la mofando na sua garagem do que arriscar usá-la diariamente. Talvez seja mesmo ciumento.
– Isso não é ciúme, é medo de você sofrer um acidente e acabar com a minha moto. – Estalou a língua no céu da boca, comentando mentalmente sobre como Taemin era idiota.
– E você, Jinki, me acha ciumento?
Jinki revirava os olhos novamente, estava detestando as perguntas de Jonghyun.
– Você é ciumento.
– Por quê?
– Se algum de nós fala com alguém que não seja do nosso grupo, você fica querendo saber quem é e fica inventando defeitos na pessoa. E você também tem ciúmes do Kibum comigo.
Jonghyun foi pego de surpresa e acabou rindo para disfarçar o nervosismo.
– Ciúme de vocês dois? Por que diabo diz isso?
Jinki olhou para Kibum, que abaixou o olhar e corou as bochechas, coisa que Jonghyun sequer notou.
– Vai saber? Me diz você, por que sente ciúmes quando o Kibum e eu ficamos juntos?
Jonghyun entrou no modo defensivo e pareceu se sentir ofendido.
– É você que enxerga coisa onde não tem porque acha que sou uma ameaça para vocês dois.
Jinki apenas riu alto, ao passo que Key se encolhia em seu canto e esboçava um sorriso amarelo. Jonghyun fez bico e se voltou para Minho.
– Me acha ciumento?
– Sim! Você tem ciúme do Key porque gosta dele.
Por mais que MinHo tivesse dito aquilo às gargalhadas, ele não estava brincando. Era sua opinião.
– Vocês comem merda. – Resmungou, mas não desistiria do teste. Então se voltou para o repentinamente tímido Kibum: – Acha que eu sou ciumento?
Kibum deu de ombros.
– Concordo com o Jinki, em parte. Você se torna ciumento quando tentamos fazer amizade com outras pessoas.
Jonghyun concordava que sentia mesmo ciúme de seus amigos com outros.
– Por exemplo – interrompeu Jinki -, lembro-me muito bem de como você ficou puto quando o Key trouxe aquele tal de Woohyun para a festa de aniversário do Taemin no ano passado. Você arrumou uma discussão boba só para ter desculpa para dar o soco no cara.
Jonghyun saiu do sério no mesmo instante.
– Discussão boba?! Aquele verme prepotente tentou me fazer de idiota na frente de todo mundo, falando coisas sobre física e astrologia que eu não fazia ideia do que significavam. Ele tentou me humilhar!
– Não era astrologia, era astronomia – Jinki corrigiu. – De qualquer forma, você tentou bancar o esperto e só falou coisas muito burras. Ele só te corrigiu e isso não é desculpa para socar o maxilar de alguém.
– Claro que é, ele me fez parecer burro.
– Porque você é meio burro – Jinki acrescentou sem delongas. – Pelo menos no quesito física e astronomia. Porém, sei que esse não foi o real motivo para você bater nele. Eu te humilho intelectualmente o tempo todo e você não faz nada.
– Porque você é meu amigo!
– Pode até ser, mas você bateu no Woohyun porque estava se roendo de ciúmes do Kibum.
Toda aquela exposição deixava Key e Jonghyun muito sem graça. No entanto, estavam acostumados com a sinceridade dos amigos. Eram sempre expostos.
– Pense o que quiser.
Jonghyun saiu pisando firme e se jogou na espreguiçadeira para fazer sua anotação.
Tenho ciúmes dos meus amigos, de fato. Então, se tenho ciúme deles, isso deve se agravar quando o alvo do ciúme é alguém que transa comigo. Todos me conhecem bem, eu ser ciumento não deve ser algo que os incomoda. Porém, só vou pontuar o Taemin e o Key porque a explicação dos outros foi totalmente sem nexo.
Taemin (3) Jinki (1) MinHo (3) Key (3)
Partiu para a seguinte questão, ignorando a nova possível discussão ou exposição que poderia surgir entre os amigos.
Questão 6: O que é mais importante em um relacionamento?
a) Amor
b) Liberdade
c) Fidelidade
d) Sexo
Jonghyun sorriu, adoraria saber a resposta dos amigos. Quando se aproximou, todos, menos Taemin, fizeram cara feia.
– Taemin, o que é mais importante em um relacionamento: amor, liberdade, fidelidade ou sexo?
Taemin soltou uma risadinha nervosa antes de responder:
– Amor, é claro.
Jonghyun tomou nota e se voltou para Jinki.
– E você?
O mais velho olhou para Taemin, sorrindo, para então responder:
– Amor, sempre o amor.
– E você, MinHo?
– Amor é importante, mas um relacionamento sem liberdade não é um relacionamento saudável.
Jonghyun sorriu enquanto tomava nota. Quando se voltou para Key, o mesmo ficou aparentemente nervoso, mesmo que tentasse esconder com um olhar desdenhoso.
– E você, Kibum?
– O que você respondeu?
– É confidencial, depois eu revelo.
Kibum revirou os olhos.
– Eu já sei a sua resposta. É sexo.
– Ah, errou! – riu.
– Não errei, não!
– Errou, eu marquei fidelidade! – respondeu em um tom esnobe.
– Fidelidade? – Kibum soltou uma risada de escárnio. – É para você responder com sinceridade, Jonghyun.
– Respondi com sinceridade!
– Não mesmo? Você se relacionaria com alguém que fizesse sexo ruim?
– Sim, claro. Se a pessoa faz sexo ruim, eu a ensino.
Os quatro riram de Jonghyun, afinal concordavam com Kibum. Mas eles não sabiam que Jonghyun estava mesmo respondendo suas questões com sinceridade.
– Responde logo, Kibum!
– Amor, é claro! Se tem amor, tem tudo. Até o sexo fica bom.
– Como pode saber? Já amou alguém, por acaso? – Jonghyun retrucou.
– Isso não é da sua conta.
– Jonghyun – Jinki interrompeu -, já terminou com essa porcaria de teste?
– Não, ainda faltam duas perguntas!
Jonghyun, deixando Key de lado, fez suas anotações. Pôs os pés dentro da água e apoiou a caderneta sobre as coxas.
Bem, amor é importante, mas amor sem fidelidade não é amor.
Taemin (3) Jinki (1) MinHo (3) Key (3)
Jinki, definitivamente, não é a minha alma gêmea.
Prosseguiu então para a próxima pergunta.
Questão 7: Quando o assunto é sexo, o que você prefere?
a) Ser dominante
b) Ser submissa (o)
c) Gosta de alternar entre submissão e dominação
d) Faz o que o parceiro desejar
Jonghyun riu internamente. Aquela pergunta era provocante e adoraria escutar a resposta dos amigos.
– Lee Taemin – Jonghyun chamou. Antes mesmo de perguntar, o mais novo já ria. – Quando o assunto é sexo, o que você prefere: Ser dominante, submisso, ambos ou o que seu parceiro desejar?
– Jonghyun! – Key censurou. – Isso é muito invasivo.
– E daí? Somos amigos – mostrou a língua. – Hein, Tae?
Dessa vez, Taemin morreu de vergonha, até cogitou não responder. Por outro lado, responder poderia ser útil para escutar a resposta dos outros.
– Bem, minha natureza é submissa. Mas se o meu parceiro quiser mudar de vez em quando... O importante é fazer com amor, certo?
Jonghyun riu discretamente enquanto fazia sua anotação.
– E você, Jinki?
Jinki estranhamente não protestou.
– Gosto de ser dominador. E concordo com o Taemin: se tiver amor, não importa como se faz.
Seu olhar para Taemin deixou o mais novo constrangido.
– E você, MinHo?
– Dominador, é claro! Não consigo ser submisso nem se eu quiser.
– No caso – Key interrompeu –, submisso não quer dizer “passivo”. Você pode ser o ativo e ao mesmo tempo submisso e vice-versa.
– Eu sei, eu sei. – Minho revirou os olhos. – Mas eu não sirvo para ser submisso e muito menos passivo. Eu tenho um instinto protetor muito grande e gosto de ver meu parceiro como um ser indefeso que precisa de proteção.
– Por isso você nunca daria certo com o Key – Jonghyun deixou escapar a nota que era para ser escrita no caderninho.
– Por quê? – MinHo e Key indagaram juntos.
Jonghyun quis se afogar.
– Ah... – deu de ombros. – O Key é muito dono de si para se deixar ser protegido.
– E você admira isso nele, certo? – MinHo contrapôs, com um sorriso sugestivo nos lábios.
– A-acho, ora. M-mas também não me importa. – Jonghyun sempre ficava sem graça demais quando confrontado. – Agora é a vez do Key. O que você prefere?
Com um sorriso nos lábios, respondeu:
– Eu gosto de ser submisso na cama, apenas. No relacionamento, eu mando – disse com orgulho. – E você, Jong? O que prefere?
Dessa vez, ele responderia.
– Dominador, claro. Eu sou um macho alfa por natureza e...
– Mas – cortou Jinki, sendo enfático. – Adora ser um pau mandado. Você pode ser dominador na cama, mas em um relacionamento, seja amoroso ou amizade, você faz sempre o que os outros mandam. Por mais que você teime, acaba fazendo o que te mandam. E por isso o seu par perfeito é o Kibum. Não precisa mais fazer esse teste. Ele é a sua alma gêmea.
As palavras de Jinki constrangeram os dois a ponto de seus rostos ficarem extremamente vermelhos. Jonghyun ficou com raiva de Jinki, achou-o tão intrometido e inconveniente. O que ele sabia sobre o amor?
E por isso que Jonghyun excluiu da sua lista o nome de Jinki. Ele, com certeza, não era a sua alma gêmea. Não estava nem perto disso.
Taemin (4) Jinki (1) MinHo (3) Key (4)
Estava um empate entre Taemin e Key e a próxima pergunta poderia empatar os três ou obter um vencedor. Se empatasse, Jonghyun já tinha uma ideia de como desempatar.
Questão 8: Seu namorado fica doente no dia de um evento muito importante, o qual você esperou o ano todo. Você é o único que pode cuidar dele e que ele quer por perto, o que faz?
a) Falta o compromisso para cuidar dele, é claro.
b) Cuida do namorado até dar a hora de ir, então se mantém informado ligando como pode.
c) Chama um amigo ou conhecido para fazer companhia para ele enquanto você está no evento.
d) Se não for tão grave, você vai ao evento sem se sentir culpado. Afinal, é um evento único.
Difícil, Jonghyun comentou mentalmente.
Os meninos conversavam sobre como Jonghyun fazia o que lhe mandavam e relembravam de vários fatos que comprovavam isso. O baixinho os ignorou, precisava terminar seu teste, e para isso não podia mandar todos eles irem se foder.
– Pergunta número oito – Jonghyun falou alto, chamando a atenção dos demais. Então repetiu a pergunta e suas opções. – Taemin?
O mais novo não hesitou.
– Letra “A”, é claro. Jamais deixaria o meu namorado doente por evento algum.
– E se seu sucesso dependesse disso? – Jonghyun contrapôs.
– Acho que se meu sucesso depender de deixar quem eu amo doente e sozinho, então ele não vale a pena.
Os outros ficaram impressionados com a resposta de Taemin, menos Jonghyun. Achava tudo um exagero.
– E você, MinHo?
– Não sou eu agora? – Jinki interveio.
– Não, eu risquei seu nome. Você com certeza não é a minha alma gêmea.
Jinki riu, ainda que se sentisse um pouco injustiçado.
– Bem, ainda bem que sabe.
– Eu acho que tudo depende – disse MinHo. – Depende da gravidade da doença e da importância do evento.
– Se a doença for tipo... hm – Jonghyun pensava. – Uma febre muito alta, que causa alucinação e desmaios. E seu sucesso profissional e acadêmico dependesse desse evento.
– Bom, no caso, concordo com Taemin. Eu poderia tentar outros meios para obter sucesso. Escolho a letra “A”.
Jonghyun fez suas anotações, então voltou-se para Key.
– Kibum?
– Óbvio que é a “A”.
– Por que não a “C”?
– Porque é egoísta.
– Não, não é. É a mais justa. Você não pode sacrificar tudo por uma pessoa. Tem que pensar em você também. Seu namorado não pode fazer um sacrifício por você?
– No caso, é a vida dele em risco. A vida dele não vale seu sucesso?
– Mas ele não vai morrer se você ficar algumas horas fora.
Kibum fez cara feia, aparentemente indignado.
– A pergunta não especifica isso. Aliás, ela é um pouco contraditória. Seu namorado precisa de você, ele está sozinho e fraco, como pode ter pensamentos egoístas?
– Não é egoísmo pensar no futuro.
– É egoísmo quando se sacrifica alguém para isso. Alguém que te ama.
– Se me ama, então não poderia sacrificar-se por mim também?
– Mas ele está doente, Jonghyun! – Kibum gritou, perdendo a calma. – Você é uma pessoa egoísta. É por isso que nunca vai encontrar uma alma gêmea. Ninguém merece ter uma cara-metade como você.
As palavras de Kibum atingiram Jonghyun em cheio. Ele ficou com tanta raiva que tacou a revista e o caderninho longe.
– E você, Kim Kibum? – Retrucou aos berros também. Os outros três estavam assustados, apenas observando com seus olhos esbugalhados. – Ou devo te chamar de Sr. Perfeito? Você se acha superior a mim por quê? Só porque é capaz de atos mais altruístas que eu? Isso te faz mesmo merecedor? Será altruísta porque gosta ou só por dever? Eu pelo menos sou sincero.
– Pessoas se qualificam pelo que podem fazer de bom para as outras pessoas, não pelo que fazem a si mesmas.
– Ah... – Jonghyun gargalhou, cheio de sarcasmo. – Então você é melhor que eu só por que tem o dom de se foder em nome dos outros? Ser bom é isso? Sempre se sacrificar, ignorar o que você precisa? Pôr a si mesmo de lado? Não deveria haver um equilíbrio? Afinal, você também é humano como todos os outros.
Kibum só o encarou, com um sorriso incrédulo nos lábios.
– Não vou discutir isso com você porque é notável que você não tem maturidade para entender.
– Agora sou imaturo?
Antes que uma briga feia começasse, Taemin tirou Kibum da piscina e o levou para o seu quarto. Jonghyun ficou com os outros, na piscina. Ele tinha vontade de socar as paredes de tanta raiva que sentia.
– Eu até que te entendo – disse MinHo. – Em partes. Sua teoria só não está muito bem desenvolvida. Mas entendi o que quis dizer.
– Obrigado. – Sorriu e então voltou a fazer cara feia.
– O Kibum ficou magoado – Jinki falou. – E também desiludido.
– Desiludido?
– Sim, porque ele gosta de você e a cada dia vê que você não presta para ele.
– De novo com essa história?
– Porque é verdade, cara. Só você não enxerga.
– Concordo – disse MinHo. – O Kibum é amarradão em você.
– Vocês não viram o que acabou de acontecer? Ele me acha péssimo.
– E por isso que até hoje não te contou nada sobre o que sente. – Jinki apertou o ombro do amigo; sentia pena de Jonghyun, no fim das contas. Não o achava uma má pessoa, só mal compreendido e um pouco idiota. – Acho que vocês deveriam conversar sobre isso.
Jonghyun deu de ombros.
– Se é verdade, ele que venha falar comigo.
Então deixou a piscina.
~~ * ~~
A noite havia caído, os meninos se divertiam na sala de estar assistindo o seriado americano F.R.I.E.N.D.S. Exceto Jonghyun. Ele ainda estava puto da vida e passou o resto do dia deitado na cama de Key, olhando para o teto. No fim das contas, o teste só serviu para deixá-lo irritado e confundi-lo ainda mais.
As risadas ecoavam pela casa, mas Jonghyun fazia pirraça. MinHo e Taemin tentaram convencê-lo a descer, só que Jonghyun era teimoso e orgulhoso demais. Entretanto, quando ele sentiu o cheiro de pizza...
Ao chegar na sala, os amigos atacavam uma pizza gigante, cada um com um pedaço na mão.
– Vocês iam comer e não me chamar? – indagou com raiva, inconformado.
– Eu ia levar para você – disse Taemin. – Compramos duas, relaxa.
– Mas só o Jinki come uma sozinho. – Jonghyun foi até a mesa de centro onde estava a pizza e pegou um pedaço sem se importar em sujar as mãos de gordura. – Seus egoístas.
– Você estava enclausurado no meu quarto – disse Key. – Achei que não quisesse ser incomodado. Está curtindo uma fase deprimida ou algo do tipo?
– Não, só estou tirando uma folga de você e sua... – bufou, dando de ombros. – Vou voltar para o quarto, ficarei na cama e ninguém vai me tirar de lá.
Jonghyun pegou mais um pedaço de pizza e voltou para o quarto, mesmo com os protestos de Key e Taemin pela cama.
Um pouco mais tarde, os meninos começaram a se preparar para dormir. Jinki tomava banho no banheiro de fora e MinHo no banheiro do quarto de Key. O dono da casa arrumava a bagunça da sala enquanto o maknae esperava MinHo sair do banho. Jonghyun não levantava da cama por nada. Observava Taemin, perdido em pensamentos, encarando a porta do banheiro. Jonghyun o achava lindo demais. Tinha um rosto feminino, quase angelical. Os cabelos negros destacavam a palidez de sua pele e seus lábios, generosamente fartos, pareciam duas pétalas de rosa-clara. Era, de fato, uma das pessoas mais linda que já vira.
– Você ganhou o teste – disse Jonghyun, fazendo de sua voz mais presente que o barulho do chuveiro.
– O quê? – O mais novo não entendeu. Estava com a cabeça nas nuvens.
– O teste de personalidade. Você é quem se aproximou mais do meu tipo ideal.
Taemin deu de ombros.
– Legal.
Jonghyun sorriu. Não esperava outra reação do maknae. Taemin era quase sempre frio. Por mais que fosse carinhoso, ele tinha uma casca dura por cima.
– Deveríamos sair?
– Acho que não. – Foi tão casual que Jonghyun se sentiu ofendido.
– E por quê? Nós combinamos.
– Não acho que seja o caso.
– De acordo com o teste, combinamos sim!
Taemin arrastou o bumbum pela cama até se aproximar do amigo. Tinha agora um sorriso compreensivo nos lábios.
– E o seu coração, o que ele diz? Acha mesmo que combinamos?
Não! – gritou a consciência de Jonghyun.
– Sei lá. Podemos descobrir se sairmos.
Taemin gargalhou, um tanto forçado.
– Somos amigos há muito tempo Jonghyun. Eu te vejo como um irmão, jamais conseguiria ter algo com você, e acho que sente o mesmo.
Sim, Jonghyun sentia. Saber que Taemin era a sua alma gêmea lhe deixou um tanto decepcionado.
– Droga... – resmungou. – Então acho que vou ter que chamar o MinHo para sair.
Jonghyun recebeu um tapa no braço.
– Deixa de ser bobo e esquece esse teste idiota. Você sabe muito bem quem deve chamar para sair.
– Não sei, quem? – retrucou com certa ousadia.
Ah, Taemin sabia que Jonghyun gostava de se fazer de desentendido. Era implicante demais.
– Começa com Kim e termina com Kibum.
– Me dá outra pista, essa está muito difícil.
E levou outro tapinha no braço.
– Eu sei que você sente algo pelo Key.
– Como pode saber? Você tem o dom de entrar no coração das pessoas?
– Não. Mas eu vi uma coisa.
– O quê?
Taemin então relembrou uma história. Algo que Jonghyun guardava em segredo e que jamais suspeitou que o menor soubesse. Era um dia de feriado nacional e Kibum tinha resolvido fazer uma festinha em sua casa e aproveitou para convidar seu mais novo amigo, Woohyun. Não acabou muito bem: a nova amizade de Key acabou naquele mesmo dia.
– Lembro de como o Key ficou arrasado – contava Taemin. – Ele chorou, bebeu e depois, quando você chegou, o levou para o quarto e queria sair à procura do Woohyun para bater nele.
– Mas o Key e o MinHo não deixaram. Esse garoto está tendo muita sorte de não me encontrar na rua.
– Sim, então todos nós dormimos aqui.
– Lembro muito bem desse dia. Bebemos enquanto você e o Key choravam juntos no quarto.
– Sim, mas você não bebeu tanto assim.
– Bebi.
– Não. Você estava sóbrio quando eu vi o que aconteceu.
As bochechas de Jonghyun se tornaram vermelhas como um tomate. Ainda assim, fingia-se de desentendido.
– E o que você viu? – Sentou-se na cama.
– Você beijando o Key. Ele estava cochilando e você se aproveitou para dar um selinho nele.
Jonghyun forçou uma risada.
– Você teve um sonho, Taemin.
– Jong... – revirou os olhos. – A quem você quer enganar? Todos nós sabemos o que você e o Key sentem um pelo outro. Descomplique as coisas, se declare logo de uma vez.
– Taemin, nã...
– Não seja covarde! – cortou. – Você não tem como esconder isso por muito tempo. Seu olhar para o Key diz tudo. Você morre de ciúme de qualquer um que chega perto dele, ama inventar saídas e coisas na casa dele porque simplesmente não consegue ficar muito tempo sem ele.
– E-eu nã...
– Esse tempo que você perde fazendo testes bobos e provocando ele, podia aproveitar ficando com ele, namorando, viajando, transando. Ninguém vai caçoar de você por expor seus sentimentos.
Jonghyun abaixou a cabeça. Taemin... ah, Taemin. Ele tinha o dom de ler as pessoas melhor que ninguém e de sempre dizer o que elas precisam escutar.
– Mas e se eu fizer algo errado e destruir tudo? Tae, eu posso destruir o nosso quinteto.
– Não vai.
– Como pode saber?
– Porque tenho certeza que o que vocês têm é verdadeiro. E se é verdadeiro, não tem como dar errado.
Jonghyun finalmente se deu conta da pessoa que Taemin era. Um menino pouco experiente no amor e jovem, mas que sabia dar conselhos como um velho de oitenta anos. Era como se Taemin tivesse vivido muito e aprendido com a vida. Jonghyun não deixou de pensar que a alma do menino deveria ser muito antiga.
– Tente. – Taemin repousou a mão na perna do amigo. Um gesto que passava confiança. – Tenho certeza que o Key vai ficar muito feliz.
– E se não ficar? E se me desprezar?
– Não vai.
– Como tem certeza?
– Porque ele gosta de você.
– E-ele... admitiu?
Taemin soltou uma risada abafada.
– Há muito tempo. Mas ele acha que você não vai corresponder e tem medo de se declarar porque acha que você vai dar o fora nele. Com isso, destruir o nosso quinteto. Mas ele está errado. Vocês são dois idiotas.
As palavras de Taemin estranhamente, deram a Jonghyun dois belos presentes: esperança e confiança. Se ele dizia que Kibum também sentia o mesmo, então era verdade. Taemin não mentia.
– Então o que eu faço?
~~ * ~~
Kibum não entendia o que diabos Taemin queria fazer na sauna tão tarde da noite. Na verdade, tinha um palpite. Achava que Taemin precisava de mais um conselho sobre como lidar com Jinki. O estranho era que ele tinha lhe enviado uma mensagem no Kakao Talk, não o chamado pessoalmente.
A noite estava fria, Key vestiu um roupão e pantufas e saiu noite afora.
A luz da sauna já estava acessa, Kibum apertou o passo para fugir da friagem, abriu a porta e...
– Jonghyun?
O mais baixo sorriu, nervoso que só.
– E-e aí?
– Ai, não acredito que você me tirou de casa nesse frio para me pregar uma peça!
– Não, Kibum. Eu... não é uma brincadeira. Te trouxe aqui para termos uma conversa.
– Conversa? – Estranho. – Olha, se vai fazer aquele teste idiota de revista de novo, eu...
– Não é isso. Senta aqui! – Jonghyun o puxou pelo pulso e o fez sentar no degrau de madeira da sauna.
Jonghyun respirou fundo umas três vezes. Estava sentindo muito calor, embora o tempo tivesse esfriado e a sauna estivesse desligada.
– Fala logo, Jonghyun. Estou com frio. – Key estava sem nenhuma paciência.
– Bem, vamos lá. – Respiro fundo outra vez. – Eu cheguei a uma conclusão hoje. O Taemin me ajudou e tal...
– Conclusão sobre o quê? – perguntou, aparentemente desinteressado.
– S-sobre... sobre... o meu teste.
– Ah! Eu sabia!
Kibum se levantou na mesma hora, mas Jonghyun o puxou de volta.
– Calma! Espere eu terminar de falar.
– Eu já sei o que vai dizer. Você quer que eu te ajude a conquistar seja lá quem for o escolhido do seu teste. Se toca, cara. Somos todos seus amigos.
– Ah, é? Acha que não poderia existir algo a mais entre amigos? Entre o nosso grupo não poderia haver um par?
Kibum, visto que tinha se precipitado, se forçou a se acalmar para conversar direito.
– Eu acredito que possa haver um casal entre nós, sim. Na verdade, o Taemin e o Jinki estão muito próximos. O MinHo parece muito incomodado com isso.
– E você também, não é? Está com ciúme do Jinki. – A expressão dele foi de nervosa a decepcionada.
Kibum revirou os olhos.
– Eu já disse que não sinto mais nada por ele, Jonghyun. O lance com o Jinki foi passageiro.
– Mesmo?
– Mesmo, mesmo.
– E você... está interessado em mais alguém?
Kibum desviou o olhar para o chão. Ele estava interessado em alguém há muito tempo. E esse “interesse” o sufocava a cada dia mais. Sufocava porque seus sentimentos e preocupações inundavam seus pulmões, fazendo-o incapaz de dizer as palavras que tanto queria.
Kibum ficou tanto tempo calado que Jonghyun percebeu sua incapacidade.
– Sabe o que eu descobri lendo aquelas revistas?
– O quê?
– Que nossos signos combinam. São como almas gêmeas. Áries é o par perfeito de Libra.
– Eu sei... – Sorriu, sem graça. – Você acredita nisso?
– Em signos?
– Sim... e que combinamos.
– Acredito. O que li combinou bem comigo e com você. – Um sorriso involuntário surgiu de seus lábios. – Lá dizia que librianos são geralmente bonitos e muito gentis. São pessoas que se preocupam com as outras.
– E você acha que sou assim? – Conforme perguntava, se aproximava mais do outro.
– Você é o garoto mais bonito que já vi. É sério. Seu rosto é perfeito e o seu coração... ele não é desse mundo.
– Jjong... – a voz de Key vacilou. Nunca tinha visto Jonghyun elogiá-lo de tal forma. – Por que está dizendo essas coisas?
– Porque você precisa saber o que realmente penso de você. – Mais confiante, prosseguiu: – Eu sou implicante. Adoro te ofender, mas você sabe que é de brincadeira, não sabe?
– Bem, geralmente eu levo na esportiva.
– Eu faço isso porque sinto vergonha de dizer o que realmente penso.
– É tão ruim assim?
– Não... acho que não.
– E o que você pensa sobre mim?
Jonghyun inesperadamente pegou a mão de Key e entrelaçou seus dedos. O garoto ficou tão nervoso e assustado que começou a tremer.
– Eu penso que você é maravilhoso. Não só o físico e seu coração, sua personalidade também. Gosto do jeito com que você enfrenta as pessoas, como protege quem ama e como vive a vida com esperança. Você alegra as pessoas a sua volta e as inspira. E é por isso que eu...
Parou na hora H. A covardia lhe ameaçava.
– Você o quê?
Ah, os olhos de Kibum brilhavam, estavam marejados e deslumbrados. Jonghyun não poderia magoá-lo. Precisava dizer.
– É por isso que eu te amo. Não te amo só como amigo, te amo completamente. Eu acho que é você a minha alma gêmea.
As lágrimas escorreram dos olhos de Kibum. Nunca se sentiu tão realizado e aliviado na vida. Depois de tantos anos vivendo um amor platônico e se perguntando se o outro sentia o mesmo, ele finalmente teve o que queria. Por mais que MinHo, Jinki e Taemin lhe contassem sobre os sentimentos de Jonghyun, Kibum só acreditou quando as palavras saíram dos lábios do mesmo.
– Diz alguma coisa, por favor – pediu Jonghyun, nervoso com o garoto que só chorava. Ele estava chorando também.
– E-eu não sei o que dizer.
– Diz o que sente. Você também gosta de mim?
A cabeça de Kibum balançou em afirmação e ele sorriu entre as lágrimas.
– Gosto. Gosto há tanto tempo que nem sei dizer ao certo quando começou ou se foi à primeira vista.
E Jonghyun não perdeu mais tempo. Tinham perdido tempo demais. Ele segurou o rosto de Key e lhe beijou nos lábios.
O beijo durou tanto tempo que eles não saberiam dizer quanto foi. Quando voltaram para dentro de casa, as luzes estavam todas apagadas e os meninos dormindo. Taemin estava sozinho na cama de Key enquanto MinHo e Jinki dormiam em colchões no chão.
– Vamos para a sala – disse Jonghyun, baixinho no ouvido de Key. – Deixa esses três pervertidos aí. Quem sabe alguém não resolva se juntar ao Taemin no meio da noite?
Key segurou o riso e, de mãos dadas, seguiram até a sala.
Naquela noite, eles dormiram juntinhos em um sofá de quatro lugares. Se beijaram durante toda a madrugada e só pararam pela manhã, quando não suportavam mais o sono.
E aquela foi a primeira noite de muitas que viriam. O vidro do medo fora quebrado, e agora não restava mais nada além da certeza de que, se cultivado, poderiam se amar até o fim de suas vidas.
Mas Kibum precisaria de muita paciência e algumas gotinhas e calmante de vez em quando.
--
Notas finais: Espero que gostem dessa curta história. Faz tempo que não escrevo nada sobre SHINee e foi muito bom relembrar como é tê-los como personagem. Queria poder escrever mais, só que estou entregando no limite. É uma comédia leve, espero que tenha distraído suas cabeças e espero que ajude a melhorar a categoria SHINee.
Beijão >3<
--
Plot enviado: #116 - Jonghyun, desocupado, decide ler uma revista voltada para meninas adolescentes e se depara com um teste para saber se "a pessoa que você gosta também gosta de você". Ele decide passar a tarde com seus amigos (ot5) e reparar em todos os seus movimentos e fazê-los responder um questionário para saber quem é sua alma gêmea.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality✓ Free Actions
Free to watch • No registration required • HD streaming
Sinopse: Alguns diziam que o outono era a estação que não tem cor, uma estação feia que transita entre o verão e o inverno. Para Kibum, o outono era a coisa mais bela que poderia existir. O que ele não sabia era que se o outono viesse acompanhado, ele poderia ultrapassar os limites daquilo que julgava como perfeição.
-
Ele era adorador das folhas secas que caíam ao chão, do barulhinho que elas faziam ao serem pisadas, do amarelo, laranja e vermelho que adornavam as calçadas e dos galhos quase nus das árvores. A época em que o azul celeste toma conta de todo o céu, junto com o sol laranja mais brilhante e uma brisa tão gélida quanto à de uma madrugada. Ah, o outono com certeza era a coisa mais linda que Kibum haveria de ver em toda sua vida.
Passava em frente ao parque todas as tardes, segurando os suspensórios negros com a bolsa sendo carregada às costas. Olhava ao redor e então adentrava os portões para encontrar a tão conhecida ponte e observar o mais lindo laranja que poderia presenciar. Quando o sol se punha, Kibum atravessava o parque e voltava seu rumo para casa.
Desde que pudera voltar sozinho, o garoto aprendera e fizera sempre o mesmo caminho, sempre sozinho, sempre do mesmo modo. Mal ele sabia que seus olhos brilhavam todas as vezes em que via o sol se pondo, mais cintilantes que o lago que refletia tamanha beleza, o sorriso que infestava seu rosto era tão precioso quanto a cena que acabava no anoitecer.
Certo dia, ao longe, à margem do lago, Kibum o avistou.
Um homem, com seu violão, e os primeiros botões da camisa abertos. A pele um tanto morena brilhava laranja junto ao pôr do sol. Cabelos levemente curtos e castanhos eram soprados com o vento que trazia a melodia de seus dedos e voz aos ouvidos de Kibum, que fechou os olhos e a apreciou.
Foi então que a rotina do jovem mudara quase que imperceptivelmente. Seus olhos não mais olhavam fixamente para o horizonte.
.
Era um fim de tarde normal para Kibum, mas não para o parque. Aquela era a festa que celebrava o aparecimento dos primeiros botões de cereja nas cerejeiras, o aviso de que, cada vez mais, o inverno se aproximava. Foi naquele dia que Kibum viu os olhos castanho escuros, semiabertos, montarem uma expressão misteriosa no rosto do moço desconhecido. Kibum não distinguia o que aquela expressão significava, só sabia dizer que a adorou em um segundo. Foi em meio a esses pensamentos sobre adorar e não conhecer que viu quando o homem fechou os olhos e se jogou para trás.
Kibum não entendeu a princípio: somente alguns muitos minutos depois percebeu que o tal homem estava dormindo, pois muito tempo havia passado e este não se levantava. Seria aquele o momento para se aproximar? A mente de Kibum dizia que não, mas um sentimento incontrolável em seu peito dizia que sim.
Quanto mais perto, mais nervoso ele ficava, mais se agarrava aos suspensórios da calça, mais rápido seu coração batia e mais sua respiração acelerava. O jovem garoto poderia ter um treco ali mesmo.
Estava a três passos do moço desconhecido quando um de seus pés não teve forças para ir mais a frente, olhou ao redor e não havia mais laranja no céu... Voltou seu olhar ao homem adormecido na grama... Apenas mais três passos e Kibum poderia encará-lo de perto, poderia descobrir se existia algo mais bonito que os fins de tarde do outono.
Kibum viu-se sentado sob as panturrilhas analisando cada milímetro do maxilar delineado do rosto conhecido, mas de expressão indecifrável. Os cílios bem alinhados, os lábios entreabertos, a respiração suave, os botões um tanto abertos da camisa, um sinal aparente no peito, uma argolinha brilhosa na orelha, a luz fraca da lua: tudo naquele momento era angelical e aprazível. Faltavam apenas algumas nuvens e mais nada para Kibum dizer que estava diante de uma divindade.
— É... Um pouco estranho ser observado desse jeito... — Era a voz melodiosa que desta vez falava e não cantava.
Kibum arregalara os olhos ao perceber que o homem a quem tanto observava sabia que fazia isto sem ao menos abrir os olhos; cogitou a ideia de que ele poderia ter não somente beleza, mas habilidades provindas dos deuses também.
— Eu... E-eu... Estou indo embora...
Os olhos castanhos o observaram e, quando Kibum deu impulso para se levantar, viu os dedos que dedilhavam as cordas do violão adormecido ao seu lado oposto segurando não tão fortemente um de seus braços. Inconscientemente agarrou um de seus suspensórios com a mão livre.
— Não disse que desgosto ou que me incomoda, apenas que é estranho.
O garoto conseguiu relaxar um pouco. Foi depois disso que seus nervos se estabilizaram e ele não tentava mais levantar. Viu a mão alheia o soltando e sendo posta no meio da grama para então ver o moço desconhecido sentar-se também, a sua frente. Kibum evitou olhá-lo.
— Se você não tivesse dito que ia embora, eu juraria que você era mudo. — Kibum então o olhou e negou com a cabeça.
— Não... É só que me senti um pouco... Envergonhado por ser pego desse jeito. — Kibum ouviu o riso alheio.
— Agora mesmo não me foi uma surpresa, você já me observa há muito tempo.
— Mas isso é porque nunca te vi por aqui! — Kibum se precipitou em explicar.
— Na primeira vez foi, nas outras não.
Kibum calou-se novamente. Havia perdido em argumentação.
— Ficou mudo de novo?
— Eu só continuo envergonhado.
Kibum vira um sorriso naquele rosto pela primeira vez e agora tinha certeza: nenhum laranja a la outono seria tão belo.
O mais velho apresentou-se para Kibum com o nome de Jonghyun. Começara a trabalhar próximo dali, nos prédios altos não muito distantes, e, ao sair do expediente uma vez, interessou-se pelo parque. Jonghyun mantinha o violão junto a si, como seu companheiro para continuar na aventura monótona que era habitar a Terra. A música lhe trazia a calmaria e a paz interior que os dias em que vivia não apresentavam.
Para Jonghyun, a música era como se fosse o que o outono representava para Kibum.
Kibum soube o que trouxe aquele jovem até perto de si, descobriu como ele vivia sozinho por ter saído do interior, que o parque o remetia a casa junto ao cheiro da grama, o lago que o lembrava dos rios que cansou de atravessar enquanto criança. De como pegou amor pela música devido ao avô do mais velho ser um amante dela.
Desde então, as tardes que passavam sob o alaranjado do pôr do sol, e depois junto ao crepúsculo, acompanhados pela luz da lua e com casacos reforçando o calorzinho que as conversas e a companhia que um fazia ao outro lhes causava, ganharam o toque especial que nenhum dos dois percebiam que faltava.
Para Kibum, Jonghyun era como uma realidade que não se aplicava ao mundo atual em que se encontrava; era o que provocava a instabilidade nas suas idas e vindas de casa para o curso, depois do curso para casa. Poderia jurar que Jonghyun não existia e que talvez fosse uma alucinação, uma miragem, a mentira mais bonita de todas. O universo paralelo do qual nunca gostaria de se livrar.
Para Jonghyun, Kibum era um mistério. Não entendia o que o fazia ter a companhia daquele garoto nas horas em que deveria estar descansando, não lembrando o que o motivava estar naquela cidade... Da saudade de casa... O que Jonghyun não queria entender era o porquê de aquele garoto sumir com todas essas coisas as quais ele mesmo não conseguia abdicar. O que era tão especial na pessoa de cabelos negros adoradora das cores quentes do outono? Jonghyun ainda não queria dar a resposta.
.
— Hey, Jong.
— Hm...
— Jonghyun?
— Hm?
Era mais uma tarde comum, embora um pouco mais fria que o normal. Jonghyun não estava com vontade de tocar violão, não queria falar, nem mesmo abrir os olhos; sentia-se preguiçoso demais para até mesmo sentar. Estava completamente largado com um Kibum insistente em seu encalço.
— Joooong...
— Bum, eu só estou muito cansado...
Kibum ficou um tanto chateado.
— Então... Eu deveria voltar amanhã?
— Nãaao... Sirva de travesseiro para mim hoje.
Jonghyun, com muito esforço, se aproximou das pernas de Kibum e nelas acomodou sua cabeça. Sentiu mãos quentinhas pousarem em seu cabelo para ficar no modo inconsciente por completo.
Kibum ficou estático ao ouvir a última frase de Jonghyun. Quando sentiu sua pele quente encostar-se no tecido da sua calça e aumentar a temperatura em suas pernas, ele apenas quis que aquela sensação acolhedora o inundasse. Fora aquele sentimento que o levou a alisar os cabelos castanhos, a desenhar com o indicador os traços fortes do rosto do mais velho, parando nos lábios carnudos tão macios quanto algodão.
Ele não soube por quanto tempo Jonghyun dormiu, apenas que fora tempo suficiente para cair o anoitecer. Novamente pegou-se encarando os lábios agora um pouco mais vermelhos. Não conteve o desejo de tocá-los mais uma vez e de sorrir por ter agido de tal modo.
— Me prova... — Kibum arregalou os olhos ao ouvir o modo melodioso com o qual Jonghyun proferiu aquelas palavras — Me enxerga, me sinta...
— O-o quê? — Um calor descomunal envolveu Kibum, sentia suas bochechas arderem, suas orelhas queimarem, e um desjeito sem igual.
— É uma música, Bum... — Jonghyun anteriormente cantou e agora falava, ainda com os olhos fechados.
Até que os abriu.
Sim, pois sentiu não algo áspero como a ponta de dedos tocando seus lábios, mas sim os finos e arrebitados lábios de Kibum acalentando os seus, experimentando-o de tal jeito que o surpreendeu tanto quanto ele devia ter surpreendido Kibum ao cantar. Viu quando ele se afastou de si, olhando para baixo, evitando-o o máximo que podia. Viu também quando uma das mãos de Kibum apertou o suspensório caído, deixando os dedos brancos... Jonghyun previu que, se em instantes não fizessem nada, o veria sair correndo em direção a sabe-se lá onde e que talvez não o visse mais.
Foi quando ele segurou as bochechas de Kibum em suas mãos e o beijou, de olhos fechados e com um franzido estranho na testa, com mais avidez, com mais vontade. Com uma sede incontrolável. Aprofundou o ato quando sentiu as mãos que juraria estarem a cinquenta graus célsius de Kibum tocarem gentilmente a sua. Foi ele quem provou Kibum: era Jonghyun quem queria deixar-se no garoto mais novo, escutá-lo ao pé do ouvido, e afetar os sentidos de Kibum tal qual este fazia com os seus. Queria fazer morada ali.
Desgrudou-se, embora mantendo a testa colada à de Kibum, que com sua respiração alta e descompassada agora segurava fortemente os braços de Jonghyun, pensando no medo de nunca mais o segurar, o ter junto de si.
— Me fita que eu gosto de enxergar...
Kibum sorrira com a frase cantada.
— No fim, você sempre gostou dos meus olhos sobre você, não é?
Jonghyun consentiu com a cabeça e beijou Kibum novamente. E de novo. Mais uma vez. E incontáveis vezes naquela noite. Até que o horário não lhes permitia mais estar ali.
.
O dia amanhecera lindo para Kibum. Os pássaros cantavam, o sol brilhava mais que o comum, o azul do céu era mais que encantador e seu coração ansiava demais pela tarde daquele dia. Poderia rever Jonghyun e beijá-lo mais um montão de vezes, abraçá-lo, confortá-lo e, além de tudo isso, poder ficar juntinho dele depois de ter mostrado o que sentia e o que sempre quis fazer com ele.
Porém, no começo da tarde deste mesmo dia, o tempo ficou estranhamente diferente. Nuvens arroxeadas jamais vistas em um outono circundavam o céu e levavam embora o azul que, sempre ao olhar para cima, era notado.
Aquele tempo feio não fez com que Kibum perdesse o ânimo ao sair do curso e ir alegremente em direção ao parque, como de costume. Atravessou os portões e depois parou na ponte, agarrado aos suspensórios da calça.
Naquele dia, não havia azul muito menos laranja no céu, não havia sol, não existia brilho nas águas do lago.
E não havia Jonghyun naquele parque que era engolido pela garoa fina, mas intensa.
.
Sentado à beira do lago e em cima da grama, olhando para o horizonte, um cachecol vermelho e preto adornava o pescoço de Kibum. Não havia tido curso, não era fim de tarde e ele não usava seus suspensórios junto à calça, muito menos sapatos sociais. Fazia semanas.
Há semanas, Jonghyun sumira da sua vida.
Em menos de dois meses, Jonghyun tornara-se o ponto mais importante que conhecia, o que causou um furacão dentro de si, e que como uma tempestade de verão, tão repentino como veio, foi quando se foi.
Nos dias em que se passaram após o sumiço da tempestade que era Jonghyun, nem mesmo o laranja que findava as tardes tinham as cores que Kibum gostaria de ver, e por mais que se recusasse a passar por ali, quando se dava conta, já estava. Criando esperanças, esperando, pensando que a qualquer momento ele poderia voltar.
Mas Jonghyun não voltava. Mesmo aos domingos, Kibum permanecia lá... E nada dele voltar.
Era quase noite, estava tão frio que até a respiração fazia fumacinha; Kibum brincava com ela até que, não soube ao certo quando, abraçou os próprios joelhos e por um tempo assim ficou... Não sabia mais se vivo ou não, se estava acordado ou dormindo, talvez apenas embalado por um sono repentino que o fez ver coisas as quais esperava, mas que tinha a certeza que não aconteceria.
Braços fortes e conhecidos apenas por uma vez despertaram o tato de Kibum. Eles embrulharam o seu corpo, e cabelos castanhos e cheirosos pinicavam de modo agraciador a pele de seu rosto... E talvez, para Kibum, sua existência pudesse acabar ali, junto à sensação mais aconchegante que poderia sentir naquele momento.
Quando abriu os olhos, Kibum viu o céu: as estrelas brilhavam acompanhadas da brisa gélida daquela noite. Notara que não havia mais frio, não havia mais solidão, nem uma esperança sem sentido adornando seus pensamentos.
Até que Kibum ouviu.
— Bum... Hey, Bum. Kibum, me responde.
Sentiu os braços o apertarem com mais força, a voz falhar cada vez que o chamava, que clamava seu nome, e aquela sensação molhada ora quente ora fria em seu pescoço.
—Me d-desculpe, Bum... Eu não tinha c-como te avisar, eu não conseguia te avisar... Esse tempo foi a coisa mais horrível que aconteceu na minha vida... Eu...
A voz melodiosa ditava de modo afoito as palavras no ouvido de Kibum, que ao virar-se e deparar-se com os olhos castanhos, olhos manchados com olheiras e inchaços, os olhos que pensou tanto que pudesse não ver novamente, ali estava a chave para enxergar JongHyun. Foi naquele momento que a ficha de Kibum caiu.
Jonghyun estava ali. Ele havia voltado.
E por mais que quisesse ter raiva, a única coisa que Kibum sentia era felicidade.
Felicidade em vê-lo, em tocá-lo, em beijá-lo desesperadamente como fez! De empurrá-lo contra o gramado, e jogar-se em cima do corpo que tanto esperou, tentando matar completamente a vontade e a falta que adquiriu em semanas. Sentiu as mãos alheias agarrarem-se ao seu suéter escuro, os lábios de Jonghyun se moverem junto aos seus, o sabor de Jonghyun misturado com o seu, das mãos que o seguravam e o apertavam mais contra ele mesmo.
— Shh... Você não precisa falar nada, só não saia mais de perto de mim.
Foi o que Kibum disse após separar o beijo, do modo mais convicto que pôde.
— Bum, foi o meu avô-
— Shh...
Não deixou Jonghyun se explicar, não ali, não naquele momento, não quando se encontrava tão necessitado em tê-lo e ser dele.
— Você pode me contar depois... Eu não me importo. — Após falar, Kibum sorrira de tal modo que fez Jonghyun calar-se e ter a certeza de que mesmo que não tivesse um motivo para sumir, Kibum o quereria de volta mesmo assim.
E foi ali, no frio da madrugada, sob a grama amassada, ao lado de um lago que brilhava forte refletindo a luz da lua que Kibum marcou o corpo de Jonghyun com suas digitais, que Jonghyun tateou os caminhos do corpo de Kibum.
Foi naquela noite que um olhou o outro sem impedimentos, que um tocou o outro do modo mais íntimo que duas pessoas podem fazer. Foi no lugar onde tudo começou que Jonghyun escutou o seu nome ser chamado manhosamente em seu ouvido enquanto seguia os movimentos descompassados junto ao corpo de Kibum, enquanto segurava as coxas alheias, enquanto se conectava a Kibum como nunca se conectaria com mais ninguém.
Ali, Kibum viu que não apenas o amarelo o laranja e o vermelho são bonitos: que todas as cores que Jonghyun o fazia ver tinham uma beleza colossal, que estas poderiam não ser apenas vistas, mas sentidas num misto quase sem nexo e com uma força quase palpável. Uma sensação que apenas Jonghyun poderia fazê-lo sentir.
Kibum e Jonghyun se provaram, se enxergaram, se sentiram e se deixaram um no outro incontáveis vezes naquela noite.
JongHyun achara algo que amava mais que a música.
E Kibum encontrara algo que amava mais que o outono.
--
Notas finais: Aiiinn gente ;-; fazia taaaanto tempo que não escrevia! Bom bom, espero que o autor ou a autora tenha gostado da história em que eu transformei o plot dele ou dela. Eu também espero muito muito mesmo que todos que leram puderam ter apreciado. Estou um pouquinho insegura, mas tentei mesmo assim skopaskpaoskoap' um ps: Essa fic tem muita coisa da musica Cor de Marte da artista Anavitória, consegui inspiração através dessa música. Beijo beijo gente <3'
--
Plot enviado: #120 - Mas talvez naquele parque mergulhado no vermelho, laranja e amarelo, assistindo aquele cara do violão e voz melodiosa ao lado do lago, Kibum tenha encontrado algo que ame mais do que o outono.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: A vida de Kibum muda completamente quando ele descobre ser portador do HIV e percebe que as coisas são mais difíceis do que parecem. Mas... Quem sabe as coisas pareçam melhores se o dono daquele sorriso bonito estiver ao seu lado?
-
Você nunca pensa que isso vai acontecer com você. Você faz o teste porque dizem nos folhetos que é bom fazer, porque um amigo de um amigo descobriu que tem e você tem um pouquinho de medo. Mas apesar do medo, você imagina o que vai fazer depois que essa chatice acabar. Você pensa nas coisas que tem que fazer em casa, naquele livro para faculdade que você não leu por preguiça.
"Acho que vou passar na loja de conveniência aqui do lado e comprar um chocolate. Qual o nome daquela marca de chocolates mesmo?" Era isso que passava pela minha cabeça enquanto estava sentado na sala de espera olhando para o ventilador que ia de um lado para o outro.
Mas aí um enfermeiro te chama para uma salinha pequena. Um médico aparece e ele fala tudo com calma, faz perguntas cautelosas, te olha nos olhos, tenta te passar segurança, mas parece que joga as palavras sobre você como se fossem pedras.
— Os seus exames deram positivo para HIV. Você precisa fazer um teste para confirmar.
As palavras não entraram na sua cabeça, você não pensa em muita coisa. Sua mente está vazia e você faz o outro teste.
A sensação de esperar a resposta do outro teste é um pouco diferente. Você está com medo de verdade dessa vez, você pensa em como vai contar para sua família, o que vai fazer, pensa se vai morrer, pensa em todos aqueles casos que você ouviu falar de gente famosa nos anos 80 e 90, se pergunta quem pode ter te passado, pensa qual foi o exato dia em que você deixou isso acontecer.
O mesmo médico de antes entra na sala. Ele falava todo manso, com muito cuidado em cada palavra, a voz saindo baixinha, e até para escrever em uma folha era tudo lentamente. Talvez ele achasse que eu fosse surtar, talvez ele achasse que eu ia começar a chorar naquele instante — não que eu não quisesse fazer qualquer uma dessas coisas.
— Kim Kibum — falou com o mesmo tom sério e baixo, mas ao mesmo tempo como se explicasse algo muito difícil de entender — Seus exames confirmaram que você é soropositivo.
Acho que ele deve ter percebido que eu comecei a tremer e meus olhos se encheram de lágrimas. Ele me olhou nos olhos e me pediu calma.
— Ser soropositivo não é o fim do mundo. Não é o fim da linha — disse muito calmo. Eu estava odiando seu jeito calmo, eu queria que alguém se desesperasse junto comigo, que gritasse e que dissesse que estava tudo uma merda — As coisas não são como antigamente. Você vai se cuidar, começar a ter um acompanhamento médico rigoroso, tomará os medicamentos que precisa. Mas não pode desistir — ele escreveu um monte de coisas em um papel e me entregou — Você tem que marcar uma consulta. No balcão de atendimento vão te dar todas as instruções.
Eu não pensei muito quando caminhei até o balcão e entreguei o papel para a moça que não me disse nada, apenas leu e digitou as informações nele. Ela anotou tudo em um papel e me entregou. Eu nunca soube como eu cheguei em casa naquela tarde quente, só sei que abri a porta e me deixei chorar de verdade.
-
Sabe aquela história de que quem tem HIV tem uma vida normal? É mentira. Não é normal tomar um monte de comprimidos por dia, não é normal todos os efeitos colaterais dos remédios, não é normal se preocupar com um mínimo corte no dedo, nem ter medo que te vejam como uma espécie de monstro ou uma pessoa nojenta. Você não morrer pela AIDS não significa que sua vida vai ser mil maravilhas e que tudo vai ser como antes.
Você provavelmente está se perguntando quem me transmitiu. E a minha resposta é...
Eu não faço a mínima ideia.
Não que eu transasse com um cara diferente toda a semana — bem que eu queria —, não era pra tanto, mas eu tinha uma vida sexual ativa — e muito boa por sinal. Às vezes saía com um cara por uma ou duas semanas, às vezes namorava por uns três meses.
Eu poderia namorar por dez anos e ainda assim correr o risco se não me cuidasse porque — como minhas pesquisas mostraram — às vezes as pessoas confiam muito umas nas outras. Às vezes você acha que consegue reconhecer essas coisas só de olhar para as pessoas.
"Ele parece tão saudável, é lógico que ele não tem nada."
"Ele disse que não tem nada, então deve ser verdade, não é?"
"Esse é bonito demais para ter alguma coisa."
Eu sei, bem idiota, não?
Não estou querendo dizer que deva parar de fazer sexo. Porque, venhamos e convenhamos, é bom para caralho!
Uma coisa chata — uma das tantas — é ter que avisar as últimas pessoas com quem você transou. E não é como se você fosse obrigado por alguma lei a contar, mas, depois de duas semanas do diagnóstico, eu entrei em um poço de culpa e acabei me rendendo.
Como você acha que deve contar isso?
"Ei, aqui é o Key. A gente se pegou por um tempo. Eu fiz uns exames e descobri que sou soropositivo, então seria melhor que fizesse um check-up."
Você acha que eu ia falar desse jeito? Pois foi assim mesmo que eu falei. A mesma mensagem para todos os contatos que eu precisava mandar.
As respostas foram:
"SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADO, VOCÊ ME PASSOU AIDS?"
Insira mais uma lista bem completa e rica de xingamentos.
Eu até responderia explicando a diferença entre ter HIV e ter AIDS, mas ele me bloqueou.
"Eu faço testes regularmente, não se preocupe. Eu sinto muito por você, se cuide."
"Isso é sério? Uma brincadeira dessas não tem graça."
Tiveram outras mensagens e alguns apenas me ignoraram.
Eu não tentei investigar, pensar em quem parecia mais suspeito. Eu nem ao menos sabia há quanto tempo tinha o vírus. E sinceramente, que diferença faria saber quem tinha me passado? Não é como se magicamente eu fosse ficar curado.
-
Sete meses depois, eu estava sentado naquele mesmo consultório dos últimos meses, esperando meu infectologista dizer a coisa mais importante da minha vida.
— Kibum, sua carga viral é indetectável — o médico disse com um sorriso.
Sabe quando parece que você tirou uma tonelada e meia das costas? Foi essa a sensação ao escutar aquelas palavras.
Aquilo não queria dizer que eu estava curado — até porque não tem cura — nem queria dizer que eu podia parar de tomar os coquetéis, nem que eu não podia contaminar ninguém. Só queria dizer que a quantidade de vírus era muito pequena no meu sangue e seria mais difícil eu contaminar alguém. Parece ser pouca coisa, mas não é.
Eu tinha esperado esse tempo antes de me relacionar com qualquer pessoa — como se minha carga viral indetectável fosse meu passe livre.
Até então eu não tinha a menor noção de como seria difícil. Porque afinal as pessoas evoluíram, certo? Errado! As pessoas são extremamente preconceituosas e mal informadas. Então, sim, eu escondia das pessoas. Era exaustivo ter que lidar com as reações ao dizer isso. E bem, a não ser que eu vá transar com a pessoa, ela não precisa saber sobre isso.
Um diabético não chega em meio a uma conversa sobre a chuva da semana passada e diz "Ei, eu sou diabético". O assunto não é citado até entrar em pauta, não via motivo para andar com um crachá escrito "eu sou soropositivo".
Mas tem aquele momento em que você conhece alguém, você se interessa por esse alguém e esse alguém se interessa por você. Tem todo um clima com esse alguém e você tem certeza que vai ter algo mais — e definitivamente você quer, porque faz meses que nada acontece. E você não sabe se conta ou não. O certo é contar, não é? Mas você fica com medo de ser rejeitado de novo porque isso acontece com frequência.
E você conta porque tem aquela vozinha chata na sua cabeça que te faz se sentir culpado.
Você é rejeitado.
Você vai para um bar.
Mas lembra que não pode beber nada alcóolico por causa da merda do coquetel de remédios.
Então você fica vendo as pessoas bebendo e se divertindo — ou pelo menos fingindo — enquanto bebe um refrigerante.
E é nesse momento que você pensa "minha vida é uma merda".
No mesmo instante desse pensamento, aquela pessoa entrando pelo bar com o sorriso mais lindo do mundo simplesmente te faz corrigir sua frase. "Talvez minha vida não seja tão merda assim", só porque você pode ver aquele sorriso.
Ok, acho que é isso que chamam de amor à primeira vista. Mas quem não se apaixonaria por alguém assim?
Ele se sentou ao meu lado e começou a conversar com o cara do outro lado do balcão do bar. Taemin, o cara que estava falando com o mais novo amor da minha vida, era meu melhor amigo — um dos poucos que continuaram sendo depois que eu contei minha sorologia — desde que éramos dois adolescentes idiotas.
Taemin passou um bom tempo conversando com aquele homem bonito; riam de vez em quando, davam sorrisos de canto. Depois de uma meia hora ele se levantou, se despediu de Taemin e foi embora. Isso mesmo, ele foi embora sem falar comigo, sem olhar para mim, SEM NOTAR MINHA EXISTÊNCIA.
— Taemin! — chamei meu melhor amigo assim que aquele cara saiu do bar — Quem é ele?
— Ele? Jonghyun. Ele é meu amigo da faculdade, meu sunbae.
— Está tendo algo com ele?
— Não.
— Ele tem namorada?
— Não.
— Namorado?
— Não — Taemin sorriu daquele jeito bobo dele — Está interessado?
— É lógico! Ele pode ser o amor da minha vida. Eu posso ser o amor da vida dele! E ele nem olhou para mim. Nenhuma vez!
— Olha... Vai ter uma festa de um amigo nosso. Você vai lá e fala com ele. Jonghyun é legal.
Por algum motivo, eu estava bem inseguro quando fui para aquela festa com Taemin. Demorei mais que o normal para me arrumar e pensei em pelo menos dez desculpas convincentes para simplesmente não ir, mas Taemin me arrastou até lá.
Eu me sentia ligeiramente patético de estar indo naquela festa apenas para encontrar Jonghyun, um cara de quem eu só sabia um nome e que nunca tinha trocado nenhuma palavra comigo.
Se fosse alguns meses atrás, eu não me sentiria nada incomodado naquele lugar e já teria conversado com pelo menos metade daquelas pessoas, mas agora parecia muito difícil quebrar aquela barreira invisível que eu tinha erguido. No final das contas, acabei sentado em um canto, sem poder beber nada — porque lógico que as bebidas que supostamente não tinham álcool estavam batizadas — e olhando para toda aquela gente. Eu já estava determinado a procurar Taemin e ir embora de lá quando uma voz que chamou meu nome me assustou.
— Desculpa, eu não queria te assustar — disse Jonghyun com um sorriso — Você é o Kibum, não é? Amigo do Taemin.
— É... Eu sou — demorei um pouco até me dar conta de que estava sendo mal-educado e olhava fixamente para ele. Fiz uma pequena reverencia e sorri — Pode me chamar de Key. Você é o Jonghyun. Taemin falou de você.
De repente, tínhamos saído da festa e estávamos comendo lámen em uma loja de conveniências enquanto conversávamos sobre qual lugar era melhor para viajar, como os gatos eram diferentes dos cachorros e se sorvete de morango conseguia superar o de baunilha. Descobri que não existia pessoa mais diferente de mim que Kim Jonghyun.
Eu falava Paris, ele falava Japão.
Eu preferia gatos, a preferência dele era por cachorros — quanto mais fofos e peludos melhor, segundo ele.
Se eu dissesse que gosto de baladas nas várias boates de Seoul que eu conhecia, Jonghyun dizia que preferia muito mais ficar em casa com um monte de chocolate assistindo algum drama bem meloso.
Ele disse que gostava mais de Sonic, eu fiz uma careta e disse que preferia Mário.
Seus filmes favoritos eram de drama, os meus eram de comédia.
Ele disse chorar fácil, já eu quase não chorava, só quando não aguentava mais.
Se eu dizia preto, ele dizia branco.
Eu era inverno e ele verão.
Mas de um jeito bem estranho, eu não me sentia incomodado por sermos tão diferentes. Era bom como nada na gente combinava, como Jonghyun não se esforçava para mostrar que combinávamos.
— Aish, se somos tão diferentes, como vou te chamar para sair? — perguntou.
— Está me chamando para sair, Jong? — não me pergunte como, mas criamos intimidade suficiente naquelas poucas horas para poder chamá-lo assim.
— Estou. Então, aonde vamos? Um parque?
— Um museu? — ele fez uma careta.
— Um parque de diversões! Lotte World? — sugeriu, empolgado — Vamos, todo mundo gosta de parque de diversões.
Eu fiz uma careta, mas depois sorri e assenti. Isso tínhamos em comum: eu adorava parques de diversão. Depois de marcarmos o dia que nos encontraríamos, trocarmos nossos números e terminarmos de comer, voltamos para a festa sem muita pressa. Eu precisava dar carona de volta para Taemin. Jonghyun não entrou, ficou comigo até Taemin aparecer e então me deu um beijo no rosto e foi embora.
Taemin ficou uns cinco minutos depois que nos encontramos no carro me olhando com um sorrisinho.
— ME CONTA LOGO, HYUNG! — gritou, me assustando.
— O quê?!
— Para onde foram? Vocês estão namorando? Quando vão morar juntos?
— Não seja exagerado!
— Mas você chamou ele para sair, não é? Se esperar que ele te chame vai demorar...
— Ele me convidou. Vamos em um parque de diversões na semana que vem.
— Está zoando, não é? — eu neguei — Jonghyun nunca convida ninguém para sair. Ele não é do tipo que toma iniciativa. E você não é do tipo que espera uma iniciativa, Key.
-
Conversei com Jonghyun por mensagens durante a semana inteira. Às vezes eu não tinha nada para falar, nem ele, mas parecia que surgia um assunto que levava a outro e a outro.
Um dia antes do nosso encontro, eu estava simplesmente surtando. Eu nunca tinha tido um encontro com um cara assim. Geralmente, eu marcava alguma coisa com um cara, íamos para um bar legal, ele fingia que gostava das mesmas coisas que eu, depois íamos para a casa de um dos dois, transávamos, e talvez nos falássemos mais algumas vezes. E só. Pronto. Mas Jonghyun é diferente e inventou de me levar na droga de um parque de diversões. Eu não fazia ideia do que esperar.
No dia seguinte, devo ter ficado meia hora olhando para o meu guarda-roupa, pensando no que eu deveria usar. Fui obrigado a ligar para o Taemin para que ele me ajudasse.
— Sério que me chamou até aqui por causa de uma roupa?!
— Sim, eu não faço ideia do que devo usar. Eu nunca tive um encontro desse tipo.
Taemin me ajudou a escolher uma roupa confortável, mas bonita — não que ele fosse um símbolo de bom gosto, mas o que eu podia fazer?
— Está nervoso apenas pela roupa? — perguntou depois que eu me arrumei e ainda faltava algum tempo para encontrar Jonghyun onde tínhamos marcado.
— Eu não estou nervoso.
— Está sim. Está preocupado em contar para ele? Sabe que não precisa contar, não é? Se você não colocá-lo em risco, não precisa.
— Não é como se fôssemos ir para a cama hoje — Taemin me encarou com um olhar de "eu te conheço bem, hyung" — Ok, talvez nós possamos ir. Mas eu não quero. Eu... Eu não quero que dê errado ainda. Eu sei que não é o caso, mas se eu não contar, sinto que estarei enganando ele. Se formos fazer alguma coisa, ele tem o direito de saber.
— Só aproveite o dia, hyung. Não cobre muito de você mesmo.
Taemin me abraçou e sorriu. O mais novo me perturbou o tempo todo sobre os remédios até que eu tomasse. Eu não quis ser muito pontual para encontrar Jonghyun porque Taemin disse que ele não era de chegar no horário nos lugares. Mas eu estava tão ansioso que saí no horário.
Tínhamos marcado de nos encontrar em frente a uma loja; eu já colocava na minha cabeça que não era para desistir se ele se atrasasse mais de cinco minutos, mas para minha surpresa, Jonghyun já estava lá.
— Eu cheguei atrasado? — perguntei, olhando no relógio.
— Não, eu que cheguei muito cedo — respondeu rindo — Acho que eu estava ansioso. Vamos?
Não demorou muito para que eu me sentisse bem mais à vontade. Chegamos no parque e, bem diferente do que eu pensei, foi o encontro mais divertido que eu já tive. Jonghyun era bem medroso e acabava agarrando minha mão, gritando em qualquer brinquedo mais rápido ou alto.
Em algum momento que eu nem notei, Jonghyun segurou minha mão enquanto andávamos e não soltou mais. Comemos um monte de porcaria na lanchonete dali — eu sei, alimentação saudável é muito importante, principalmente para o meu tratamento, mas um dia só não faria mal. Quando saímos do parque, eu preferi terminar a noite assim. Eu queria esperar mais. Jonghyun parecia valer que eu esperasse mais e aproveitasse sua companhia por mais tempo.
Nos encontramos algumas vezes mais. Íamos a algum lugar legal, conversávamos sobre um monte de coisas idiotas ou sobre nossas vidas. Jonghyun não insistia em nada, me deixava confortável. Duas semanas depois, eu já estava um pouco cansado de esperar e me sentia mais seguro.
— E então, o que vamos fazer agora? — perguntou no caminho de volta.
Uma pergunta assim com outra pessoa eu apenas entendia como "na minha casa ou na sua?", mas com Jonghyun eu realmente não sabia o que aquilo significava.
— O que quer fazer?
— Não sei... — ele sabia sim, mas parecia envergonhado ou com medo de falar.
— Sua casa é muito longe daqui? — perguntei como se ele tivesse respondido "podíamos ir para minha casa ou para a sua" e pelo jeito acertei no palpite, porque ele sorriu e negou.
Não era realmente longe dali. O apartamento de Jonghyun era bem legal: não era muito grande, mas era confortável, com uma parede de action figures, um piano vertical preto e mais outra estante, cheia de livros e cadernos.
— Você toca? — perguntei, apontando para o piano.
— Eu sou compositor. Vendo algumas músicas, é meu trabalho — disse, largando as chaves em cima do balcão.
— Isso é legal! Você cursa letras, não é?
— Sim, só faço para que meus pais me deixem em paz. Eles querem que eu tenha uma faculdade. Compor é meu trabalho e eu me dedico muito a ele. Você estuda?
— Faço moda.
E começamos a falar sobre nossos cursos e o que gostávamos ou não neles.
— Quer beber alguma coisa? — ele disse, se levantando para ir até a cozinha e abrindo a geladeira — Tem... Hum... Cerveja e vinho, basicamente.
— Eu não bebo nada alcóolico. Não estou com sede.
Jonghyun colocou uma taça de vinho para ele mesmo e bebeu enquanto conversávamos sobre várias coisas. Eu sentia que Jonghyun estava entrando na minha vida muito facilmente; ele conseguia me fazer contar as coisas sem esforço nenhum. Mas era quase uma troca, eu também conhecia mais dele aos poucos.
Eu decidi mandar o autocontrole à merda e, quando percebi, estava no colo de Jonghyun enquanto ele me beijava com vontade, segurando minha cintura com possessividade. Seu beijo tinha gosto de vinho. Tirei sua camiseta e passei as minhas unhas curtas por onde o tecido cobria antes. Jonghyun arfou entre o beijo e eu sorri, rebolando sobre seu membro que começava a despertar. Os beijos de Jonghyun desceram para o meu pescoço: ele beijava, chupava e mordia, me fazendo gemer e me mexer mais.
Estava tudo tão bom... Eu queria tanto continuar, mas quando Jonghyun foi tirar minha roupa, eu o parei.
— Para... — pedi ofegante e amaldiçoando aquela vozinha mental que me dizia o que era certo.
— O que foi? Eu fiz alguma coisa errada?
— Não. Na verdade, você faz tudo muito certo — disse, me arrependendo de ter parado, mas quem disse que a voz me deixava ignorar? Jonghyun voltou a me beijar — Jonghyun! Antes de a gente continuar, eu preciso contar uma coisa.
— Pode falar — disse, voltando para o meu pescoço.
— Jong, é sério. Eu... Eu sou soropositivo.
Ficamos em silêncio e Jonghyun se encostou no sofá e olhou para mim, confuso.
— Então você...
— É, eu tenho HIV.
Eu tinha a esperança de que ele dissesse apenas "tudo bem, onde estávamos mesmo?". Mas ele só me encarou por um tempo sem se mexer. Não disse uma palavra, o que foi bem pior do que quando diziam que era melhor eu ir embora ou que era melhor eu não voltar mais. O silêncio foi uma rejeição bem pior. Eu suspirei e saí do seu colo, me ajeitando e indo em direção à porta.
— Não, Key. Espera.
— Olha... Tudo bem. Não tem problema. Eu já imaginava que ia ser assim.
— Key...
— Obrigado pelos últimos dias. Foi divertido.
Saí de lá o quanto antes, batendo a porta e indo embora. Eu só queria conseguir chegar até em casa sem começar a chorar. Eu não devia estar me sentindo assim. Não era a primeira vez que isso acontecia, não era como se eu não pensasse na possibilidade de dar errado. Não é como se eu chorasse com uma rejeição!
Eu cheguei em meu apartamento e me sentei no chão, encostado na porta. Eu não queria chorar, eu definitivamente não ia chorar... Eu me sentia tão frustrado, irritado e deprimido. Eu queria que Jonghyun fosse diferente. Ele parecia ser diferente.
— Ei, o que foi? — pulei de susto quando ouvi Taemin.
— O que está fazendo no meu apartamento, Taemin?
— Eu briguei com o Minho, quis dar um gelo nele e vim para cá.
— Tanto faz — disse arrastando os pés até o sofá e me jogando ali.
— Hyung, o que aconteceu?
— O que sempre acontece, Tae.
Contei tudo o que aconteceu e Taemin ficou comigo, me consolando a noite toda.
— Eu vou falar com ele e...
— Não! Ficou louco, Taemin? Vai parecer que estou desesperado e que eu preciso que me defenda. Ele não tem culpa. Deixa isso quieto.
Eu não queria mais pensar sobre isso ou sobre Jonghyun. Só precisava lidar com mais essa e tudo ficaria bem de novo.
-
Jonghyun sumiu assim como eu tinha previsto. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação. Algumas noites eu ia até o bar em que Taemin trabalhava e lhe fazia companhia ao mesmo tempo em que ocupava a cabeça com algo que não fosse Kim Jonghyun.
— Já pensou em tentar sair com outra pessoa, hyung? — perguntou Taemin depois de servir um grupo.
— Eu não quero sair com ninguém agora. Estou focado em terminar a faculdade.
— Ainda está deprimido por causa do Jonghyun?
— Não... Quer dizer... Talvez um pouco.
— Deveria falar com ele.
Eu neguei e continuei olhando para o meu copo de refrigerante que já ficava sem gás. Me despedi de Taemin e fui embora. Tinha que ir ao meu infectologista bem cedo.
O resultado da minha consulta foi que meus exames deram alteração e o médico preferiu trocar os medicamentos: era uma quantidade menor de comprimidos, o que para mim já se tornava melhor. Nem sempre os remédios vão ser os mesmos. Depois dessa mudança, o médico me garantiu que se eu precisasse mudar os remédios, seria só daqui a alguns anos.
Mas havia o problema que eu tinha que encarar: eu precisava me adaptar ao medicamento. Demoraria cerca de uma ou duas semanas para que eu estivesse adaptado a ele. E enquanto isso, eu passaria pelos mesmos problemas de quando comecei a tomar os primeiros remédios: efeitos colaterais.
Eu tive que pegar um atestado para faltar as aulas da faculdade. Eu mal conseguia ficar em pé, nada parava em meu estômago e eu devo ter emagrecido mais do que o normal naqueles três dias em que os efeitos colaterais começaram. Parecia que a cada hora um caminhão passava sobre mim. Às vezes eu pensava em simplesmente parar de tomar os remédios, mas sabia que eram necessários e os efeitos horríveis iriam parar.
Taemin ia quase todo dia no tempo que tinha entre a faculdade e o trabalho. Fazia comida — mesmo que sua comida não fosse muito boa —, dava comida para a minha gata, porque ou eu esquecia ou estava muito mal para fazer isso.
Nem todo dia Taemin conseguia ir me ver, então ele me ligava de duas em duas horas.
— Tae, eu vou ficar bem. Eu estou descansando, não precisa se preocupar, logo isso passa.
Fiquei praticamente o dia inteiro jogado na cama entre os cobertores. Acordei com a campainha tocando sem parar. Amaldiçoei qualquer que fosse ali e me arrastei até lá. Eu estava horrível, não queria ver ninguém, mas do mesmo jeito abri a porta.
Eu teria batido a porta de volta no mesmo segundo se Jonghyun não tivesse me impedido.
— O que faz aqui? — perguntei enquanto tentava forçar para fechar a porta de novo, o que não adiantou muito já que eu estava bem fraco.
— Eu vim te ver. Taemin disse que você não está bem.
— Taemin fala demais. Eu estou bem, estou...
Tive que soltar a porta para colocar a mão sobre a boca e correr para o banheiro para vomitar — de novo. Quando me virei, Jonghyun estava na porta me encarando. Ótimo, nada como ter o cara que você está afim vendo você vomitar!
— Key...
— Olha... Eu estou bem. O Taemin se preocupa demais.
— O que você tem?
— Nada. Pode ir embora, ok? — disse, me apoiando na pia e escovando os dentes.
— Você mal está ficando em pé, Key. O que você tem? — perguntou de novo, me apoiando quando eu me arrastei até a porta.
— Eu não vou cair, não precisa me ajudar.
Me soltei dele e fui até o sofá, já que era mais perto do que o quarto. Jonghyun sentou ao meu lado. Tentei sorrir para ele.
— Estou me adaptando para alguns remédios novos, vai durar só mais dois dias e vou voltar ao normal.
— Não precisa mesmo de ajuda?
— Não. Estou ótimo. Eu sei que o Taemin é bem convincente quando quer...
— Ele não me pediu para vir. Eu vim porque quis. Taemin só comentou que você não estava bem e insisti para que ele me passasse seu endereço.
— Por quê?
— Porque eu fiquei preocupado.
— Por quê?
— Não é óbvio, Kibum?! — perguntou irritado.
Eu esperei que ele dissesse, mas Jonghyun ergueu a mão até mim e acariciou meu rosto.
— Você está com febre! — disse alto demais, com uma cara assustada.
— É, é um dos efeitos colaterais.
— Não pode tomar um remédio para passar?
— Meu médico disse que é melhor não misturar.
— Então eu vou fazer um chá para você. Vai ajudar a abaixar a febre.
Eu nem tive como argumentar. Jonghyun foi até minha cozinha e depois de alguns minutos voltou com uma caneca e me entregou. Enquanto eu tomava o chá, Jonghyun não parava de me olhar como se pensasse em um monte de coisa.
— O que foi, Jonghyun? — disse depois que terminei de beber, já que ele me obrigou a tomar tudo.
— Quer alguma coisa? — perguntou preocupado.
— Não, Jonghyun. O que você tem? Eu já disse que estou bem e posso muito bem me virar sozinho. Então pode ir embora, ok?
Me levantei e o puxei até a porta, mas o soltei quando passei em frente ao espelho grande ao lado da porta.
— O que foi, Key? — perguntou baixinho enquanto eu encarava meu próprio reflexo.
— N... Nada. Só vai embora.
Ele não foi, continuou me olhando e eu não consegui mais segurar o choro preso em minha garganta. Eu fiquei de joelhos e me encolhi, chorando alto, soluçando e querendo sumir. Eu me sentia horrível, cansado e cheio de medo. Eu tinha medo de não ser forte o suficiente todas as vezes que eu precisasse, eu tinha medo que Jonghyun estivesse ali apenas por pena, tinha medo de enlouquecer, de não saber o que fazer, eu tinha medo do futuro. A única coisa mais próxima que eu tinha de uma família era o Taemin. Eu me sentia sozinho. Parecia coisa demais para mim.
Jonghyun me abraçou e ficou sentado comigo no chão enquanto eu chorava em seus braços. Quando eu me acalmei um pouco, ele me ajudou a levantar e foi comigo até meu quarto. Bonnie, minha gata, estava deitada na cama e, apesar de nunca fazer isso, tentei tirá-la. A pobrezinha se assustou e me arranhou, o que só serviu para me fazer ter outra crise de choro. Jonghyun tirou-a de lá com cuidado e segurou minha mão arranhada que sangrava um pouco.
— Não! Ficou louco?! — tirei minha mão rápido.
Ele me ignorou e pegou um pote com remédios e curativos que eu tinha em uma cômoda. Jonghyun segurou minha mão de novo, me impedindo de puxá-la dessa vez.
— Jong...
— Não é assim que funciona, Key. Eu não tenho nenhum machucado na mão. Você não vai me contaminar por causa desse cortezinho de nada.
— Como sabe?
— Porque eu pesquisei — disse, pegando um algodão com um pouco de álcool e passando na ferida — É muito improvável que alguém se contamine apenas tocando no sangue de um soropositivo. A pessoa tem que ter alguma ferida aberta e ter contato com uma quantidade considerável de sangue para se infectar.
Depois de limpar, colocou um curativo e sorriu para mim. E o que aconteceu? Isso mesmo, comecei a chorar de novo. Bonnie, como se estivesse arrependida, se aproximou de mim e deitou no meu colo. Jonghyun enxugou minhas lágrimas e acariciou meu rosto.
— Você mentiu para mim — disse com a voz baixa — Você disse que não chora fácil.
Nós dois rimos. Jonghyun continuou a falar e falar, me fazendo sentir melhor. Quando eu já estava me sentindo cansado de novo, Jonghyun deitou junto comigo, e Bonnie ficou deitada confortavelmente nos pés da cama.
— Por que pesquisou sobre aquilo? — perguntei com os olhos pesando.
— Porque eu queria ter certeza que entenderia o que você passa — disse, passando a mão em meu cabelo em um carinho gostoso — Você me entendeu errado naquele dia. Eu não nego que fiquei surpreso, mas não queria parar de te ver. Então achei que o melhor jeito de você se sentir seguro comigo era entender. E eu te dei um tempo porque não sabia se você tinha desistido de mim ou não, mas o Taemin falou que você não estava bem e fiquei preocupado.
— Ah, Jonghyun, o que está fazendo? — ele não entendeu o que eu quis dizer — Você é todo diferente e está cuidando de mim... Eu não quero ser a pessoa que se entrega demais.
Jonghyun deu o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida — mais lindo que aquele de quando o vi pela primeira vez, pode acreditar — e beijou minha testa, me envolvendo com seus braços de um jeito incrivelmente bom.
— Eu acho que já sou a pessoa que se entregou demais, Key — ele me olhou com uma falsa indignação — O que fez comigo, Kim Kibum? Tem que arcar com a responsabilidade por eu ter me apaixonado por você!
Se eu não estivesse mal, com certeza teria ficado vermelho. Jonghyun riu da expressão que eu fiz e me abraçou forte. Eu me aconcheguei mais em seus braços, sentindo o sono me dominar mais um pouco, mesmo que meu coração estivesse tão acelerado.
Em algum tempo, acabei dormindo, sentindo o calor de Jonghyun me envolver.
-
Acordei com Bonnie tentando entrar no espaço pequeno entre mim e Jonghyun. Acabei passando algum tempo vendo Jonghyun dormir ao meu lado com uma expressão fofa. Bonnie conseguiu se encaixar ali, acordando Jonghyun.
Em porcentagem, eu me sentia apenas 30% melhor que no dia anterior, mas já era o suficiente para eu ter forças para levantar da cama sem parecer que iria morrer.
Jonghyun fez questão de cozinhar para mim, mesmo que eu tivesse dito que não precisava. Fez eu comer um monte de coisas porque disse que eu precisava ficar forte para me recuperar mais rápido. Depois passou o dia todo comigo. Nem adiantava dizer que ele poderia ir embora. Jonghyun só foi embora à noite, mas voltou meia hora depois com uma mochila.
— Vou ficar aqui até que esteja bem.
E eu nem tentei argumentar, porque não adiantaria e eu queria que ele estivesse comigo.
Quando nos deitamos na minha cama e aproveitei a desculpa do frio para abraçá-lo, ficamos em silêncio por um bom tempo. Não foi um silêncio desconfortável ou por falta de palavras: todas elas existiam, mas não precisavam ser usadas. Era um silêncio acolhedor, como se apreciássemos a companhia um do outro.
— Kibum... — me chamou com a voz baixa. Eu o olhei, esperando que ele falasse — Eu posso ficar ao seu lado?
E por cinco segundos, eu não entendi sua pergunta. Mas seu olhar se assegurou de me fazer entender exatamente o que ele quis dizer, então assenti e o beijei com carinho para que ele tivesse total certeza da minha resposta, para que ele tivesse certeza de que era isso que eu queria.
Definitivamente, o que eu mais queria era que Jonghyun ficasse ao meu lado.
--
Plot enviado: #62 - Ele foi pego totalmente de surpresa quando o enfermeiro lhe informou que seu teste para HIV dera positivo.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: Era sobre amor e a capacidade que tínhamos de amar mais de uma pessoa. Era sobre superar o ego e conquistar o amor próprio. Amar sou eu, Kibum e Jonghyun. E, se eles quisessem, outras pessoas também.
-
Uma vez, disseram-me que amar é perder.
Quando conheci Jonghyun, eu soube que estava perdido. Perdido em seus olhos, em sua voz, em seu jeito lento de falar. Me perdi em suas palavras bonitas, na forma como hesitava antes de finalizar um pensamento e na sua calmaria.
Os dias com Jonghyun eram suaves, seus dedos dedilhando o violão no fim do dia enquanto seus lábios cantavam alguma música romântica antiga. Nós nos encontrávamos em meio a folhas de composições, rascunhos e cifras de músicas populares. Em meio a acordes lentos, reflexões sobre o dia de amanhã e, talvez, em uma taça de vinho barato.
Era algo sobre o feitiço em que ele me mantinha preso, era algo sobre o som macio de sua voz, sobre seu olhar tenro. Ainda sim, não era sobre isso – eu não conseguiria pôr em pauta os motivos pelo qual perdi para Jonghyun.
Estar com ele era como observar o mar calmo ao anoitecer em um dia caloroso da primavera. A areia fina sob seus pés, a brisa leve sobre seu rosto. Seus beijos eram intensos, o gosto de suas balas de canela na boca sempre me deixando inebriado. Seu carinho era confortável, a ponta de seus dedos fazendo cócegas em minha pele.
Não havia uma rotina. Ainda que fosse sempre o mesmo bar, era sempre um novo repertório. Eu permanecia próximo ao balcão, bebendo algum energético enquanto observava-o tocar para os clientes daquela noite. E eu sabia que ele me olharia de volta, sorriria bonito e dedicaria uma música a sua pessoa, arrancando meus mais sinceros sorrisos.
Jonghyun queria ser um músico conhecido. Ainda que não tivesse condições para treinar em uma boa empresa, ele queria que as pessoas soubessem sobre suas composições, queria cantar para um grande público, viver bem fazendo o que amava. Jonghyun sabia que eu era seu maior fã.
Em uma noite silenciosa, enquanto caminhávamos até sua casa, sussurrei que eu me sentia desconfortável em estar em um relacionamento, que sempre fora assim para mim. Que eu conhecia o amor, e o amava intensamente, mas não parecia natural estar preso a alguém.
Jonghyun concordou. Ele disse que se sentia igual, e sussurrou pela primeira vez que me amava, gaguejando e sorrindo nervoso. Tolo era Jonghyun, que achava que seu amor não era reconhecido por mim muito antes daquela confissão.
Depois de anos sem rotular nosso relacionamento, nós decidimos. Estávamos namorando, em um relacionamento aberto. Nós diríamos um ao outro quando quiséssemos ver outra pessoa, se desejássemos isso.
-
Uma vez, disseram-me que amar é render-se.
Me rendi a Kibum em algum momento. Algum instante quando a visão da sua presença ilustre somado ao som bonito da sua voz alta pronunciando palavras em francês fez minha respiração parar. Algum instante quando seu olhar encontrou o meu e seus lábios bonitos disseram Bonjour, professeur.
E quando percebi, quando dei por mim, era tarde demais – o francês havia escapado dos meus pensamentos e tudo se resumia a como Kibum parecia bonito. Seus olhos felinos combinavam com sua cicatriz na sobrancelha; sua expressão forte combinava com seu casaco animal print e calças apertadas. Sua elegância também caía bem com os brincos, e seus olhos bonitos me analisavam enquanto esperava uma resposta.
Kibum era uma avalanche. Repentino, súbito, inesperado. Ele chegou abrindo minhas portas, seu sorriso em meio a meus sentidos. Seu francês bonito, seus olhos atentos em minhas explicações durante as aulas. Ele era charmoso, havia uma certa sofisticação em seu jeito de mover-se.
Uma dúvida tirada após a aula e números trocados, Kibum dizia que eu era muito bonito. Foi uma conexão automática, meu coração amolecido ao vê-lo pelo Facetime. Kibum me ligava antes de dormir, seu rosto bonito sem maquiagem sorrindo para a câmera; meus pijamas de desenhos infantis fazendo-o rir, enquanto ele usava pijamas listrados simples.
Ele era um estilista novato. Fora contratado por uma pequena empresa para que elaborasse os figurinos de determinadas peças teatrais e o resultado havia sido bom. Com a indicação do diretor da empresa somado a seu portfólio, Kibum estava constantemente sendo convidado a alguns desfiles e empregos temporários para confecção de figurinos. Por isso, o francês era importante. Também estava dedicando-se ao italiano em horas vagas, e aperfeiçoando seu inglês.
Seus olhares durante as aulas passaram a ser provocativos, seus beijos roubados quando a aula terminava e não restava mais ninguém além de nós dois, a pele alva do pescoço pedindo para ser beijada. Kibum me fazia agradecer a ausência de câmeras, me fazia perder a cabeça para saber se a porta estava realmente trancada, me deixava com medo de ser pego.
Seu beijo era apressado, seus lábios grossos contra os meus, suas mãos segurando a curva entre meu maxilar e pescoço, seus dedos sempre macios… Eu gostava. Eu me rendi a ele.
Antes de começarmos a ficar sério, eu o informei que estava em um relacionamento aberto. Que assim como ele, meu namorado era um artista. Um músico. E que estava tudo bem se ele não entendesse, se ele recusasse meu estilo de vida.
Kibum riu, dizendo que sim, ele estava bem com o jogo livre. Disse que queria tentar estar inteiramente comprometido nesse relacionamento, que parecia certo.
-
Quando disse a Jonghyun que precisávamos conversar, ele apenas acenou e me pediu para que esperasse seu horário acabar. Nós conversaríamos no caminho até sua casa.
Escutei o repertório de músicas românticas antigas, sorrindo com a voz melodiosa de Jonghyun enquanto tomava uma bebida. Ele dedicou uma música e não demorou muito para que seu violão estivesse na capa, a alça em seu ombro enquanto fazíamos o caminho a que estávamos acostumados.
Era uma noite fria, em contraste com nossas respirações. Enquanto eu observava nossas sombras no chão, as luzes dos postes iluminando nosso caminho, contei que estava saindo com outra pessoa. Disse-lhe que gostaria de apresentá-lo, que ele era um aluno do curso que eu ministrava.
Jonghyun e eu estávamos juntos há dois anos, se o tempo em que não oficializamos contasse. Eu e Kibum, dois meses. Eu sabia como Jonghyun se parecia ao acordar, antes de dormir e enquanto nós nos amávamos. Sabia sobre suas manias, suas músicas favoritas e sobre como sua cachorrinha latia enquanto estávamos trancados no quarto, obrigando-nos a abrir a porta para que ela dormisse conosco.
Eu sabia que Jonghyun roncava quando estava muito cansado, não conseguia fazer uma refeição sem manchar sua blusa, e falava como uma criança quando estava bêbado. Que ele gostava de andar apenas de cueca em casa, se sentia mais inspirado para compor quando estava frio, e gostava de cantar durante o banho.
Eu queria saber como Kibum se parecia quando acordava. Se ele preferia café com açúcar ou sem, se ele gostava de andar em casa vestido, apenas de roupas íntimas ou de roupão. Queria saber se ele falava enquanto dormia, queria receber seu beijo de boa noite, escutá-lo estudando francês e italiano, ser o modelo de suas futuras coleções.
Jonghyun ficou um pouco calado. Sorriu, dizendo querer conhecê-lo, mas eu sabia que tinha algo o incomodando. Desta forma, resolvi respeitar seu espaço e deixar-lhe a vontade para me falar apenas o que se sentia confortável. Apenas o abracei e beijei nos lábios, lembrando que eu o amava muito.
Chamar Kibum para me acompanhar ao bar não foi difícil. Ele disse que não era de recusar uma bebida, especialmente na companhia de um professor bonito como eu. E depois que nos sentamos em frente ao bar e pedimos uma tequila, o som da voz calorosa de Jonghyun invadiu nossos ouvidos. De soslaio, observei Kibum sorrir nostálgico. Eu amo essa música, murmurou, o cantor tem uma voz linda.
Orgulhoso, eu disse-lhe que ele era meu namorado. Kim Jonghyun, vinte e quatro anos, aspirante a músico. Kibum virou-se de uma vez, curioso, analisando o Kim mais velho. Seu olhar meticuloso tornou-se suave de um instante para o outro, os lábios curvando-se em outro sorriso bonito.
Eu sabia que era a primeira vez dele se envolvendo em um relacionamento aberto. Era minha primeira vez também. Também sabia o quanto poderia parecer desconfortável algumas vezes, então pedi para que me dissesse o que ele sentia em relação a tudo isso. Kibum rodou seu copo, a bebida balançando de um lado para outro antes de me dizer:
“Por um instante, eu senti algo ruim. Um sentimento como… eu preciso ser melhor que ele. Mas isso não fez sentido no instante seguinte. Eu estou nessa com você, eu me importo contigo e me importo com nosso relacionamento. Com o seu relacionamento. Hyung, eu percebi que esse sentimento ruim é egoísmo.”
Quando Jonghyun terminou seu pequeno espetáculo, batemos palmas em uníssono e assobiamos contentes, chamando sua atenção. Jonghyun sorriu, parecendo um pouco surpreso por me ver acompanhado.
Aproximando-se de nós dois no bar, encostando a capa do violão no balcão, eu lhe dei um sorriso. Antes que eu pudesse lhe apresentar a Kibum, o mais novo já havia se levantando da cadeira e feito seu caminho em direção a Jonghyun, abraçando-lhe forte. Escutei-o dizendo algumas palavras encorajadoras, elogiando suas habilidades e dizendo que amou assisti-lo.
Kibum soou muito verdadeiro. Eu sabia que ele estava sendo sincero.
Jonghyun ficou impactado por alguns segundos, logo em seguida agradecendo tímido, retribuindo o abraço. Os dois eram apenas sorrisos, o clima era bom. Eu me sentia confortável, feliz em presenciar aquele carinho.
Junto a Jonghyun, deitados sobre seu lençol, em sua cama antiga que rangia as vezes, o mais novo brincava suavemente com meus dedos. Olhei em sua direção, observando as pintinhas em seu peito desnudo, meu olhar subindo até pousar em seus olhos. Sorrindo sereno, Jonghyun retribuiu o olhar, desviando em seguida e apertando um pouco mais meus dedos, antes de fazer sua confissão.
“Jinki, sabe… Quando você me contou que estava saindo com outra pessoa… Foi doloroso. Eu me senti insuficiente, como se você precisasse de outra pessoa para preencher um espaço que deixei vazio. Eu sei que concordei com nosso relacionamento, eu me sinto muito como você. Mas foi tão inevitável... E então, Kibum me abraçou… Foi um choque. Me senti tão conectado a ele. Percebi que ele é uma pessoa comum como eu, dividindo a mesma experiência. Parece certo. Eu sinto que seremos bons amigos.”
-
Uma vez, disseram-me que eu não poderia amar duas pessoas ao mesmo tempo.
Eu sabia que isso era bobagem.
Eu amava as covinhas do Kibum. Passei a amar nossas noites juntos, acordados até tarde assistindo desfiles, filmes internacionais e reality shows – e até mesmo apostávamos sobre os participantes que ganhariam. Amava escutá-lo falando em francês, ainda que a língua fosse algo habitual para mim. Amava sua manha, seus biquinhos involuntários e seu dialeto.
Sua letra apressada em recados na geladeira, seus emoticons em mensagens de texto. Seu cheirinho de cosméticos de abacate, um hidratante de pele que ele também passou a aplicar em mim. O formato de seus olhos, sua risada após suas próprias piadas e suas pequenas cicatrizes no rosto. Seu ateliê, sua paixão pela moda, suas reclamações sobre as estampas obsoletas de meus suéteres...
Eu amava tudo em Kibum. Eu o amava.
Eu também amava os meios sorrisos de Jonghyun. Sua preferência pelo inverno, suas frases bonitas sussurradas repentinamente, seus olhos de filhotinhos. Amava seus pés gelados encostando em minhas pernas quentes, seu perfume doce e sua voz melodiosa.
Amava sua mania de marcar as suas passagens favoritas dos livros com um post-it, de conseguir dormir em quase todos os lugares e seus olhares profundos. Amava seus beijos demorados, seus dedos curtinhos e seu carinho gostoso em meu cabelo.
Eu amava tudo em Jonghyun. Eu o amava.
A ideia de se fechar para outras pessoas não era natural. Se fosse, por que traição e divórcio eram comuns? Por que conhecíamos tão poucas histórias de casamentos que realmente deram certo, em que os envolvidos eram realmente felizes?
Nós éramos feitos de amor. Não era sobre sexo, não era sobre não querer um compromisso. Nós éramos comprometidos. Era sobre amor e a capacidade que tínhamos de amar mais de uma pessoa.
Era sobre superar o ego e conquistar o amor próprio.
Amar sou eu, Kibum e Jonghyun. E, se eles quisessem, outras pessoas também.
--
Notas finais: Não sei se ficou claro, mas Kibum e Jonghyun podem se relacionar com outras pessoas, se eles quiserem. Ou se relacionar entre eles. Inclusive, agradeço ao BuzzFeed por ter feito um video 10/10 sobre relacionamentos abertos, que me deixou muito a par de alguns pontos. Eu não tenho certeza se é isso que o autor do plot esperava, mas foi muito bom viver essa aventura! Amei ter participado da Fest e espero por mais versões!
--
Plot enviado: #251 - Jinki nunca entendeu por que todos diziam que ele não poderia amar duas pessoas ao mesmo tempo.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: TaeMin não era mais o mesmo. Muita coisa havia mudado em pouco tempo. Mas uma coisa ainda continuava a mesma: ele queria distância de Choi MinHo! Entretanto, não era uma que MinHo tinha em mente! Será que uma aposta é capaz de diminuir essa distância e aproximar duas pessoas? Ou será que só é capaz de afastá-los ainda mais? Porém, dessa vez, pode não ter volta!
-
O despertador tocava mais uma vez naquela fria manhã, mas o garoto enrolado debaixo das grossas cobertas se recusava a levantar. Ele não queria mesmo ir para aquela escola. Estava cansado de olhar para a cara daquelas pessoas, cansado daquela rotina massacrante, cansado de ter todos os olhos voltados para si depois do que acontecera e por carregar o sobrenome que possuía.
— Senhor Lee, levante-se, por favor! O senhor chegará atrasado novamente ao colégio. — Um empregado batia em sua porta insistentemente.
— Some daqui, merda! — A voz abafada pelas cobertas saiu com irritação. — Não quero saber daquele lugar!
— Infelizmente, senhor Lee, serei obrigado a repassar essa informação ao seu pai e creio que isso não o deixará feliz — respondeu o empregado.
— Que caralho! Eu já vou descer pra ir pra aquele inferno! — Carregado com enorme frustração, o garoto atirou as cobertas no chão e seguiu para o banheiro, aonde faria sua higiene matinal e, depois, finalmente, seguiria para o colégio, aonde mais uma vez chegaria atrasado.
O mau humor de Lee TaeMin era a única coisa que não tinha mudado nos últimos meses. Andava cabisbaixo e frustrado por causa dos últimos acontecimentos e do rumo que a sua vida tinha tomado e ainda tomaria em tão pouco tempo.
Ter o sobrenome Lee era um fardo enorme a se carregar, mas isso nunca tinha sido problema para TaeMin. Sua família sempre fora muito afetuosa, mesmo sendo um dos clãs mais importantes da sociedade. Com a aproximação do seu aniversário de dezessete anos, a expectativa para a definição do que seria era enorme, afinal, assim como seu irmão mais velho, Jinki, e, como a maioria dos homens de sua família, TaeMin queria se tornar um alfa, mas para seu total desgosto e surpresa de todos, ele era um ômega! Justo um ômega!
Aquele primeiro cio tinha sido um total e completo inferno. Seu pai e irmão tiveram que passar o período fora de casa, uma vez que o seu cheiro de ômega perturbava consideravelmente a sanidade dos dois. Apenas sua mãe e os empregados, todos betas, tentaram o ajudar, mas não puderam fazer muito. A dor constante e imensa, a necessidade de satisfação sexual o consumia quase por completo, mas ele recusou, com as poucas forças que tinha, os alfas que sua mãe conseguira para lhe trazer alívio. Ele se negou a copular com quem quer que fosse, tentando afastar de si seus instintos mais primitivos. Quase enlouquecera por isso, mas se manteve firme. Tinha certeza de que não conseguiria o mesmo sucesso no próximo cio.
Os muros altos da escola já podiam ser vistos. TaeMin suspirou profundamente, colocou seu fone, esperou o carro estacionar e saiu sem olhar para trás. Não tinha a menor ideia de como conseguiria suportar os anos que faltavam para sair daquele lugar.
— Não olha por onde anda, não, criança? — Aquela voz irônica chegou até os ouvidos de TaeMin, que agora estava caído no chão depois do esbarrão que dera naquela pessoa.
— Cala a porra da boca, MinHo! — TaeMin disse se levantando. — Para de encher a porra do meu saco logo de manhã!
— Hum... que ômega mais estressadinho! — MinHo ignorava as palavras ditas por TaeMin. — Você sabe que seu cio está chegando outra vez, não é? Se precisar de ajuda, eu tô a...
— Eu prefiro ser fodido pelo primeiro beta que aparecer na minha frente a ser comido por você! — A raiva que TaeMin sentia podia ser sentida naquelas palavras. — Saiam da minha frente, porra! — Ignorando a pequena multidão que havia se formado ao redor dos dois, ele saiu em direção à sala.
— Qual a necessidade disso, MinHo? — JongHyun, melhor amigo de MinHo, se aproximava do alfa. — Você não aprende e só faz merda!
— Você é chato pra caralho, cara! — MinHo dizia rindo para o amigo. — Ele tá tão gostoso! E o cheiro dele, Jong?
— Você é ridículo, idiota! — Os dois saíram em direção à sala e, à medida que andavam, os alunos abriam um corredor para que passassem, demonstrando o quanto aqueles dois alfas detinham o respeito de todos naquele lugar.
TaeMin simplesmente não queria estar naquele ali! Todos os olhares excessivamente questionadores em cima de si buscavam entender como depois de tanto tempo um dos membros do clã Lee acabara por ser um ômega. Ele mesmo não aceitava muito bem toda essa situação, mas tinha em mente que, por pior que fosse, o que mais afligia sua mente era o fato de ser subjugado por alguém. Independente de ser um ômega ou não, a ideia de ser total e completamente submisso a um alfa, o fazia odiar cada vez mais tudo o que estava vivendo.
Ignorando o sinal que tocava, TaeMin seguiu no sentido contrário aos que os outros alunos iam, chegou até a sala de música e um pequeno sorriso de canto surgiu nos seus lábios ao avistar o piano. Sabia que ali poderia fugir por alguns instantes de tudo aquilo que lhe afligia. Caminhou até o instrumento e começou a dedilhá-lo, jogou a mochila num canto qualquer, sentou-se na frente do piano e deixou a sua mente vagar, enquanto uma melodia triste tomava conta do lugar.
TaeMin realmente não sabia dizer quanto tempo tinha ficado ali, mas sabia que estava realmente muito encrencado. Não fazia ideia de como justificaria sua ausência nas primeiras aulas e nem como faria para que aquilo não chegasse aos ouvidos do seu pai. Apanhou sua mochila e saiu do local, caminhando lentamente na direção das salas de aula, todavia, ao passar pela porta do anfiteatro, alguns risos e cochichos chamaram a sua atenção. Ficou curioso em saber quem seriam os alunos que tinham decidido matar aula assim como ele. Abriu vagarosamente a porta que dava acesso ao anfiteatro sem fazer barulho, não queria nada além de matar a sua curiosidade, então ficou escondido no fundo do local para que não fosse visto, enquanto observava um grupo de rapazes rindo e conversando no meio do palco. Rapidamente pôde reconhecer alguns deles.
“Então o presidente do grêmio estudantil e capitão do time de futebol da escola também mata aula como nós meros mortais!” pensou TaeMin, imaginando o quanto era irônico ver MinHo e alguns de seus amigos ali longe da sala de aula . “O que será que o diretor acharia dessa pequena reunião?”
Com o intuito de ir imediatamente até a direção entregar MinHo e os outros alunos que ali estavam, TaeMin estava prestes a sair do anfiteatro, quando teve a impressão de ter escutado o seu nome. Parou onde estava para tentar ter certeza do que ouvira e mais uma vez seu nome foi dito. “O que diabos esses babacas estão falando de mim?” A raiva crescia enquanto TaeMin se agachava e aproximava o máximo que podia entre as cadeiras sem ser visto, a fim de poder escutar melhor o que os outros conversavam.
— A gente tem que concordar com você, Kyuhyun! O TaeMin tá cada vez mais gostoso! — dizia ChangMin. — E depois de ter virado um ômega parece que ficou ainda mais apetitoso!
— O alfa que conseguir entrar no meio daquelas pernas será um cara de sorte! — Kyuhyun continuou. — Não concorda, MinHo?
— Eu acho que vocês estão exagerando...— MinHo respondeu com certo desdenho na voz. — Não vejo nada de interessante naquele magrelo desnutrido! Tenho pena do alfa que for obrigado a encarar aquele bicho pau mal humorado no próximo cio dele!
— MinHo... se eu fosse você pensava muito bem no monte de merda que tá falando! — JongHyun suspirou no canto, desaprovando o que o amigo dizia.
— O que foi, JongHyun? Tá sabendo alguma coisa sobre o MinHo? Conta pra gente! — insistia ChangMin.
— Ah! Olha a cara do MinHo! Ele ficou assim depois que a gente falou do TaeMin! — Kyuhyun exclamou eufórico. — Não me diga que o MinHo quer tirar a virgindade do ômega mais gostoso e esquisito da escola!
— Vai se foder, Kyuhyun! — MinHo vociferou. — Se eu quisesse, era só estalar os dedos, e o TaeMin estaria estirado na minha cama pronto pra ser fodido por mim quantas vezes me desse vontade!
— MINHO! — Jonghyun gritou. — Você é um...
— Para de reclamar como se fosse a mãe do MinHo, Jonghyun! — ChangMin o interrompeu. — MinHo, a gente sabe que todos betas e ômegas dessa escola lambem o chão que você passa, além de muitos ômegas esperarem que o herdeiro do clã dos Choi os marque e aquelas baboseiras todas... Mas o TaeMin está muito longe desse grupo! Ele quer distância de você e do seu pau!
— Eu posso ter o TaeMin na hora que eu quiser! — MinHo respondeu de maneira arrogante e presunçosa.
— Você acredita mesmo nisso, MinHo? Ele mal suporta olhar pra sua cara! — Kyuhyun ria enquanto falava.
— Se você tem tanta certeza assim, MinHo, então prova! — ChangMin disse enquanto se aproximava de MinHo com um olhar desafiador.
— Como assim? — MinHo se sobressaltou.
— É muito simples, você tem até o próximo cio do TaeMin pra transar com ele...— ChangMin dizia enquanto se aproximava vagarosamente do maior. — Se você conseguir, serei seu escravo durante o resto do ano, mas caso não consiga, o seu lindo Porsche, meu amigo, será meu até o final do ano.
— Esquece is...
— Fechado! — Jonghyun não teve tempo de terminar o que dizia, uma vez que MinHo já tinha aceitado a aposta que seus amigos lhe tinha feito.
Os quatro rapazes se assustaram quando ouviram o barulho da porta do anfiteatro ser batida. Olharam um para o outro, assustados, pensando na possibilidade de mais alguém estar ali justo naquele momento, ouvindo o que falavam.
— Tinha mais alguém aqui? — Kyuhyun perguntou espantado. — Eu não vi ninguém além da gente!
— Eu também não vi, mas vamos até lá conferir que merda foi essa — ChangMin disse, indo em direção à porta. — Não quero ninguém atrapalhando a nossa aposta, não!
Assim que Kyuhyun e ChangMin saíram do anfiteatro, MinHo teve sua cabeça acertada por um tapa de JongHyun, que o encarava furioso:
— Porra, Jong! Isso dói! — MinHo esfregava o local atingido. — Tá me batendo por quê? Esse seu relacionamento com o Kibum tá realmente te afetando!
— EU NUNCA CONHECI UMA PESSOA TÃO IDIOTA QUANTO VOCÊ, MINHO! — JongHyun gritava irritado. — Você é o único animal que eu conheço que consegue fazer uma aposta ridícula usando a pessoa que ama! Deve ser por isso que eu estou irritado! E pelo fato de ter ouvido você suspirar e babar pelo TaeMin todos esses anos!
— Jong, eu sei o que tô fazendo! Eu tenho um pla...
— VOCÊ NÃO TEM CARALHO DE PLANO NENHUM! — O menor dos dois continuou exaltado. — Você se lembra do quanto choramingou quando percebeu que estava de quatro pelo TaeMin, mas o fato dele ser “praticamente” um alfa por causa da família o impedia de tentar alguma coisa? Se lembra de como ficou tão feliz com o fato dele ter se tornado um ômega que pouco faltou implorar ao Kibum pra te levar até a casa dele pra ajudá-lo no cio?
— Me escuta, Jong! — MinHo tentava acalmar o ânimo do amigo. — Eu sei que parece que eu fiz merda, mas no final vai dá tudo certo!
— O teu rabo que vai dar certo, MinHo! — JongHyun não se acalmava. — Eu realmente não sei em que você está pensando, mas já vou logo avisando que vai dar merda, e o TaeMin nunca mais vai querer olhar na sua cara quando descobrir sobre essa aposta! E mais uma coisinha, eu não quero saber dessa palhaçada mesmo! Você que se ferre sozinho!
— Mas Jong...— MinHo ainda tentou chamar a atenção do amigo enquanto este caminhava furioso em direção a saída!
— Fecha a porra da boca, Choi MinHo! Não é assim que você vai conseguir a atenção do TaeMin, seu babaca! — A raiva estava longe de deixar o menor. — E deixe o Kibum fora dessa merda! — JongHyun saiu batendo a porta.
MinHo caminhou em direção a sua mochila, a apanhou e, antes de colocá-la nos ombros e sair, começou a pensar se realmente havia se deixado levar pelo calor do momento e feito a maior burrada de sua vida. Mas infelizmente não tinha como voltar atrás, além do seu orgulho não permitir, era a chance que precisava para se aproximar de TaeMin. Da maneira errada, é claro, mas mesmo assim, faria de tudo para ter o ômega mais bonito e inteligente daquela escola em seus braços.
Escondido outra vez na sala de música, TaeMin tentava secar as teimosas lágrimas de ódio que escorriam por sua face. Sabia que tanto Kyuhyun quanto ChangMin não se dariam ao trabalho de entrar ali para procurar quem estava escutando a conversa deles no anfiteatro. Provavelmente, já deveriam estar acreditando que o barulho fora apenas o vento. Mas aquela conversa não saía da cabeça de TaeMin. Aqueles babacas tinham apostado a sua virgindade por pura diversão! E o pior de tudo isso era que o maior idiota de todos, Choi MinHo, era quem estava apostando com os outros! Logo ELE!
Ainda tentando controlar as lágrimas e buscando colocar os pensamentos em ordem, pegou o celular e, na discagem rápida, chamou a única pessoa que poderia lhe ajudar naquele momento:
— Me encontra na sala de música agora e não demora! — TaeMin dizia rápido, tentando disfarçar o choro.— EU NÂO ESTOU CHORANDO, CARALHO! Só vem logo e para de falar! — Não deixou o amigo terminar e desligou o telefone, pois sabia que ele logo estaria ali.
E estava certo, já que em poucos minutos, um Kai aflito e ofegante abriu a porta da sala de música:
— Tae! Tae! Cadê você? — o rapaz já aumentava o tom de voz. — TAEMIN!
— Para de gritar, merda! — TaeMin disse encolhido num canto da sala. — Eu ‘tô aqui!
— O que aconteceu? — Kai falou espantado ao ver o jeito que seu melhor amigo se encontrava. — Pelo amor de Deus, Tae! Fala logo o que aconteceu, merda!
— Se você calar a porra da boca e me deixar falar, eu te conto! — A raiva ainda estava presente na voz de TaeMin. — Senta logo aqui!
Kai fez o que o amigo disse e se sentou ao lado dele. Em seguida, escutou atentamente toda a história que TaeMin lhe contava. Um misto de raiva e indignação passava pelo rosto de Kai. Como alguém ousava fazer um absurdo daqueles com o seu amigo?
— Você não disse nada, Tae? — Kai levantou e começou a caminhar de um lado para o outro. — Você tinha que ter ido até lá e enfiado a porrada nesse escroto! Nunca pensei que o MinHo fosse um idiota tão grande assim!
— Nunca pensou? — TaeMin levantou e encarou o amigo. — Desde quando você se dá ao trabalho de pensar alguma coisa sobre ele, Kai?
— Desde o momento em que o meu melhor amigo começou a ter uma paixonite por ele há alguns anos! — Kai respondeu. — Você se lembra muito bem de como ficou naquela época em relação a ele, Tae! Acabei buscando algumas informações sobre ele e bem... ele parecia ser um cara legal! Mas depois dessa aposta aí, não sei o que pensar!
— PARECIA SER UM CARA LEGAL? — Mais uma vez TaeMin se exaltou. — Realmente Kai, eu não sei como o D.O. consegue aturar a sua lerdeza! Você se lembra de como eu fiquei na época dessa porra de paixonite, idealizando um Choi MinHo que eu nunca poderia ter já que eu seria um alfa! EU SERIA UM ALFA, KAI! — As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto bonito de TaeMin. — Eu me obriguei a esquecê-lo por causa dessa merda e, de repente, eu sou um ômega! Irônico, não é mesmo?
— Tae, não fica as...
— E EU VOU FICAR COMO, JONGIN? — TaeMin cuspia as palavras. — Depois que eu descobri que sou um ômega, você sabe como eu fiquei! Todo mundo acha que é palhaçada, mas não é! Ninguém sabe o quanto é difícil pra mim, o quanto é complicado aceitar tudo isso! E VOCÊ MAIS DO QUE NINGUÉM SABE O QUANTO EU TÔ TENTANDO! E agora, vem isso! UMA APOSTA, KAI? EU SÓ SIRVO PRA UMA APOSTA? É ASSIM QUE ELE ME VÊ?
— Claro que não, Tae! — Kai estava começando a ficar assustado com o desespero do amigo. — Você precisa se acalmar!
— ACALMAR, MEU RABO! EU TÔ MUITO BEM ASSIM! — TaeMin tentava secar as lágrimas que teimavam em rolar pelo seu rosto. — Mas se ele tá pensando que vai conseguir me comer fácil desse jeito, ele tá muito enganado!
— O que você pretende fazer, Tae? — Kai tentava a todo custo entender o amigo. — Esfria a cabeça e pensa um pouco no que você vai fazer... Toda vez que você age por impulso, acaba sofrendo sem necessidade!
— Que merda é essa que você tá falando, Kai? — TaeMin olhava irritado para o amigo. — Detesto quando você começa com esses papos de maluco que eu não entendo porra nenhuma! Cala a boca e vamos pra sala!
— Você não pode voltar pra sala desse jeito, Tae! Tenta se acalmar um pouco e a gente vai.
— Meu caralho! Como você tá chato! — TaeMin já estava na porta esperando o amigo. — Vai vir ou não?
— Você não vai me dizer o que está pensando não, Tae? — Kai perguntou desconfiado, pois já imaginava que o amigo estava tramando algo. — Sei muito bem que você vai aprontar alguma coisa pra cima do Choi, TaeMin!
— Pra quem é lerdo como uma lesma até que você pensou rápido dessa vez, JongIn! — TaeMin deu um sorriso sarcástico na direção do amigo. — Se o Choi resolveu jogar comigo, acho justo que duas pessoas participem desse jogo... Não acha?
— Tae...
— Ah! Vamos logo pra aula que a gente já tá atrasado, Kai!
— Mas o que deu em você agora, garoto? — Kai parou em frente à porta. — É você que nunca quer assistir às aulas! A sua sorte é que você é inteligente o suficiente pra não precisar prestar atenção naquelas aulas chatas e que não têm fim!
— Você realmente não lembra a aula que a gente tem agora, não é mesmo? — TaeMin empurrava o amigo para fora da sala. — Anda logo, Kai! O dia vai ser bem agitado hoje.
Assim que entraram no espaço do laboratório de Ciências, Kai logo entendeu o que o amigo queria dizer. Desde o início do ano letivo, a turma deles estava tendo algumas aulas junto com a turma do terceiro ano, mais precisamente, com a turma de MinHo, uma vez que no final daquele semestre teriam uma importante feira para participarem.
TaeMin seguiu diretamente para o seu lugar e passou a fingir que prestava atenção na aula. Já havia decidido o que faria em relação àquela aposta e a MinHo. Só tinha que esperar o momento certo para começar a colocar seu plano em prática.
E parecia que o mundo resolvera conspirar a seu favor quando o professor começou a falar sobre a tal feira do final do semestre e como os trabalhos seriam apresentados em duplas formadas por um aluno de cada ano. Eles teriam que apresentar vários trabalhos ao longo do semestre, recebendo notas pelos mesmos, que seriam somadas à nota que eles receberiam quando apresentassem o produto final durante a feira de Ciências.
TaeMin nem precisou pedir pra fazer dupla com MinHo, pois o alfa não havia nem deixado o professor terminar de dar as explicações e foi logo solicitando o Lee como seu parceiro. Era quase impossível aquele ser ter algum pedido negado naquela escola e foi justamente isso que aconteceu. Lá estava TaeMin, indo se sentar ao lado de MinHo pelo resto do semestre.
— Tae... antes de mais nada, deixa eu me desculpar com você por hoje mais cedo... — MinHo dizia sem jeito.
— Mas veja só o que temos aqui: se não é o grande capitão do time de futebol pedindo desculpas a um simples mortal como eu! — TaeMin debochava do maior. — Me economiza das suas gracinhas, MinHo!
— Eu tô falando sério, TaeMin! — o maior insistia. — Eu sei que exagerei, na verdade, eu ando exagerando nos últimos dias com você! É porque eu simplesmen...
— Meu Deus! Acho que hoje vai cair o maior temporal! — TaeMin continuava implicando. — Você se desculpando por todas as palhaçadas que anda fazendo comigo? Só pode se milagre mesmo! Mas mesmo assim, nem vem de graça! Quero mais que você morra sufocado com todas essas suas desculpas esfarrapadas! E vê se cala essa boca porque o professor tá explicando o trabalho!
— Poxa, Tae! O que custa você me desculpar? — MinHo não desistiria tão fácil. — Eu já disse que foi mal pelo vacilo que eu dei com você, eu quero que isso fique pra trás e que a gente possa tentar ser amigos a partir de agora!
— Amigos o seu rabo, MinHo! E mais uma coisa: ou você cala essa boca ou eu vou pedir pro professor me trocar de lugar com o Kai!
— Você não faria isso, e o professor também não atenderia a esse seu pedido! — MinHo disse entredentes.
— Eu não sou o melhor aluno dessa disciplina a toa, seu poste! — TaeMin soprou debochado. — Vai calar a porra da boca ou quer apostar?
MinHo engoliu em seco e preferiu não dizer mais nada. Outra aposta não estava nos seus planos e, para dizer a verdade, se não fosse pelo calor do momento e pela possibilidade de ter algo que desejava há muito tempo, não teria se metido naquela confusão. Teria que fazer valer a pena e torcer para que no final o ômega o entendesse e o perdoasse.
TaeMin por sua vez percebeu que se quisesse fazer com que o maior provasse um pouco do seu próprio veneno, não poderia continuar agindo daquele jeito com ele, teria que engolir toda a raiva que estava sentindo e se aproximar de MinHo.
— Ei, MinHo... — TaeMin chamou o maior. — Eu não ‘tô a fim de continuar com essa palhaçada mais não. ‘Tô de saco cheio de ter você pegando no meu pé todo dia! E já que seremos obrigados a passar um bom tempo juntos por causa dessa porcaria de trabalho, que tal uma trégua, hein?
— Ah, Tae! — MinHo exclamou surpreso. — Isso é tudo o que eu mais quero! Me desculpa por pegar tanto no seu pé! Eu realmente não se...
— Tá, tá, tá bom, MinHo! — Aquilo estava sendo mais difícil do que TaeMin esperava. — Só não precisa ficar falando tanto no meu ouvido!
MinHo não podia acreditar naquilo! Ter TaeMin por perto sem querer voar em seu pescoço era um grande avanço. A partir daquele momento, era só ir se aproximando cada vez mais do menor e fazer com que ele se apaixonasse por si. Tinha certeza de que se conseguisse fazer com que isso acontecesse, TaeMin o perdoaria.
XXXXX
A semana passou voando e tanto TaeMin quanto MinHo estavam bastante envolvidos no trabalho para a feira de Ciências. Apesar de estarem bastante adiantados, MinHo percebia que o menor não parecia estar se dedicando ao máximo para fazer o trabalho e isto já estava lhe incomodando, pois, mesmo buscando se aproximar de TaeMin, ainda precisava manter sua média alta.
— TaeMin, você tem certeza que deveríamos colocar isso aqui como resposta? — MinHo apontava para a página do livro. — Isso não tem nada a ver com a pergunta que o professor fez!
— MinHo, eu já te disse que é essa resposta aí mesmo! — TaeMin falava calmamente com o maior. — Você não tá acreditando em mim, por quê? — disse o menor com certo ar de tristeza fingida na voz.
— Não, Tae! É claro que eu acredito! — MinHo disse rapidamente. Tentava desfazer a tal tristeza que o menor aparentava ter. — É só que eu não ‘tô muito certo de que isso aqui se...
— AH! Eu sabia que ia ser assim! — TaeMin cortou o maior. — Eu não sei porque quis te dar uma chance de ser meu amigo, MinHo! Eu realmente estava acreditando que você tinha mudado! Essa semana, a gente até se aproximou um pouco, e você disse que estava gostando de estar me conhecendo melhor, de estar comigo e agora você não confia em mim?
— TAE! É CLARO QUE EU CONFIO EM VOCÊ! — MinHo falou um tanto desesperado. — Me desculpa mesmo! Eu confio em você, é lógico que eu confio!
— Mas não parece! — TaeMin não parou com a encenação.
— Olha, já estou escrevendo a resposta que você disse aqui! — MinHo faria de tudo para satisfazer o menor. — Se é isso que você disse que é, então é!
— Me dá isso aqui! — TaeMin puxou o trabalho da mão de MinHo. — Pode deixar que eu termino o que falta e entrego ao professor. Não quero mais você desconfiando de mim e reclamando igual a um ômega no cio! — resmungou irritado.
— Mas que eu saiba o ômega daqui é você! — MinHo não perdeu a oportunidade de implicar com TaeMin.
TaeMin já havia suportado tudo o que podia e o que não podia ao longo daquela semana. Depois que saíram da aula que tiveram juntos, teve que aguentar JongIn perguntando sobre o que ele estava tramando e o porquê de estar fazendo dupla com MinHo sem reclamar ou brigar com o professor. MinHo também não lhe deu um descanso! Ele fora até a sua sala e o convidou para almoçarem juntos, e TaeMin teve que engolir o seu ódio para responder que sim. Lá estava ele, junto do maior, atraindo todos os olhares por onde passava naquele maldito lugar. Até que admitiria que, em alguns momentos, conseguiu achar MinHo menos desprezível do que pensava, mas esse pensamento logo era esquecido. Conseguiu descobrir que JongHyun era bem falante e agradável, que tinha um namorado por quem era completamente apaixonado e que, se fosse em outra época, teria sido bom tê-lo como amigo.
MinHo não parava de falar em todos os momentos que estavam juntos! Como ele era irritante! Queria conversar e que se conhecessem melhor! TaeMin tinha vontade de socar a cara do maior com toda a força que possuía quando ele “acidentalmente” vinha ajeitar o seu rabo de cavalo ou aparecia com o seu sorvete preferido depois da aula só para lhe fazer um agrado. Realmente lhe intrigava o fato de MinHo saber de qual sorvete ele mais gostava, uma vez que eles mal conversavam antes de fazerem o trabalho juntos. Aliás, eles estavam a ponto de trocarem socos assim que se viam em qualquer canto da escola e agora estavam ali daquele jeito, caminhando diariamente lado a lado, parecendo que estavam tendo um momento agradável, conversando sobre tudo menos sobre a porcaria do trabalho! TaeMin não sabia por mais quanto tempo poderia suportar isso.
— ME DÁ ESSA MERDA AQUI! — TaeMin puxou o trabalho com raiva da mão de MinHo, o dobrou e, com força, bateu com ele na cabeça do maior. — Deixa que eu termino essa merda sozinho e entrego ao professor! — E saiu andando na direção do carro que já o aguardava na calçada da escola.
— Poxa, Tae! Isso doeu, sabia! — MinHo esfregava a cabeça enquanto sorria descaradamente. — Se precisar de ajuda, é só me ligar!
— Graças a Deus, eu não tenho a porcaria do seu número! — TaeMin respondeu com um sorriso, já entrando no carro.
— Eu anotei mais cedo no seu caderno! Então, é só me ligar! — MinHo tinha quase certeza que o menor tinha lhe mandando pra algum lugar antes de entrar no carro, mas isso não importava! O que realmente era importante é que durante aquela semana tinha feito mais avanço com TaeMin do que durante aqueles anos em que passou o admirando de longe. Começou a achar que aquela aposta não tinha sido uma coisa tão ruim afinal.
XXXXX
Após passar todo o final de semana trancado no seu quarto, fugindo dos seus pais que insistiam com o sermão “você precisa arranjar logo um alfa”, TaeMin chegou mais cedo na escola naquele dia, o que tinha causado um certo espanto no empregado de sua casa, quando o menor passou correndo por ele logo cedo, dizendo que iria de metrô. Todo aquele esforço valeria a pena! A primeira parte de sua vingança contra MinHo começaria naquele dia.
— Professor Oh, posso entrar? — TaeMin abriu a porta e se curvou respeitosamente e esperou a permissão do professor para poder entrar e sentar.
— A que devo a honra do meu melhor aluno vir me procurar tão cedo nessa semana? — o professor perguntou intrigado. — Você anda muito distraído ultimamente, TaeMin! Sorte sua ser inteligente o suficiente para manter uma média alta! Quem dera se grande parte dos seus amigos daqui fossem assim! — disse frustrado. — Mas creio que você tenha uma boa razão para ter vindo aqui. Vamos, me diga!
— Olha, professor, eu vou ser bem direto com o senhor! — TaeMin começara o seu falso discurso. — Sei que o MinHo praticamente o obrigou a permitir que ele fizesse dupla nesse trabalho comigo...
— Lee, infelizmente o Choi possui muito prestígio dentro da escola não só com o diretor, mas com boa parte dos outros professores! — O professor suspirou frustrado. — Ainda mais com a final do campeonato de futebol se aproximando, não é prudente contrariá-lo, entende?
— Acho que entendo sim, professor! — TaeMin sabia perfeitamente o que o professor queria dizer. — Mas o que eu esta...
— Ir contra Choi MinHo nesse momento seria arrumar confusão com o diretor, com os professores e a maior parte dos alunos dessa escola que só se importam com essa maldita taça da liga estudantil! — o professor interrompeu TaeMin, irritado. — Não consigo entender todo o fascínio que esse garoto exerce sobre eles. O sobrenome que ele carrega deve contribuir pra isso!
— Isso mesmo, professor! — TaeMin havia achado a deixa perfeita pra continuar. — É justamente sobre essa folga toda que eu vim aqui procurar o senhor! — O menor estava se segurando para não rir e destruir todo o teatro que estava fazendo. — Por causa dessa maldita final do campeonato de futebol, o MinHo me deixou fazendo o trabalho praticamente sozinho! O pouco que ele me ajudou foi durante as suas aulas, professor! Eu realmente não queria prejudicar o MinHo, mas nesse momento, eu acho que ele deveria saber muito bem quais deveriam ser as suas prioridades!
— O Choi teve coragem de te obrigar a fazer tudo sozinho? — A raiva na voz do professor soava como música aos ouvidos de TaeMin. Ele teve que se segurar para não cair na gargalhada naquele momento. — Quem ele pensa que é para te tratar assim?
— Eu não pude me negar a fazer porque... bem, porque ele é o MinHo, né professor? — TaeMin continuava com todo aquele teatro. — Quem seria capaz de dizer não ao todo-popular-alfa-amado-de-todos, Choi MinHo? Eu é que não quero ter toda a escola contra mim, sabe? Mas eu pensei bem durante todo final de semana e, mesmo correndo o risco de ter problemas com todo mundo, decidi que não era justo o MinHo me usar para conseguir uma boa nota sem fazer nada! Por isso eu vim até aqui falar com o senhor!
— Ah, meu caro Lee... não se preocupe com isso! — O professor tinha caído na conversa de TaeMin. — Eu irei resolver essa situação de uma maneira em que o seu nome não seja envolvido! O jovem Choi terá o que merece e nada sobre essa nossa conversa sairá daqui!
— Muito obrigado, professor! — TaeMin se curvou agradecido. — Eu não tenho palavras para lhe agradecer por tudo o que está fazendo por mim!
— Ora, menino Lee! — o professor respondeu, parecendo orgulho com o apreço que o aluno parecia lhe demonstrar. — Faço isso porque essa escola deveria valorizar alunos como você e não um atleta superestimado como o Choi!
— Vejo o senhor na aula, professor! — E assim que saiu da sala, TaeMin mal conseguiu segurar a risada até virar o corredor. Ainda não acreditava como o professor Oh tinha caído naquele papo furado! É verdade que ele sabia que o tal professor não gostava muito dos alunos atletas da escola, mas nunca pensou que poderia usar isso a seu favor!
Naquele dia, depois de muito tempo, a música que preencheu aquela sala de música demonstrava o quanto quem a tocava estava alegre.
XXXXX
A manhã transcorreu tranquilamente, apenas com um JongIn estranhando o bom humor repentino do amigo. Fazia um bom tempo que TaeMin não ficava daquele jeito. Aquele bom humor tinha que ter um bom motivo, e JongIn achava que era algo relacionado a MinHo. Mas não ousaria perguntar e estragar toda aquela felicidade que o amigo aparentava ter.
Prestes a começar a aula de Ciências, TaeMin mal se continha em seu lugar e isso era perceptível para todos. Principalmente para o seu parceiro de dupla:
— Tae, você está bem contente hoje, né? — MinHo o questionou. — Não vai me contar que passarinho foi esse que você viu no fim de semana, não?
— Como você é um pé no saco, MinHo! — TaeMin o olhou frustrado. — Mesmo você sendo um idiota completo, e eu sendo obrigado a estar aqui sentado com você, nada estragará o meu bom humor! Nada e nem VOCÊ!
— Nossa, Tae! — MinHo fez um biquinho na direção do menor. — Essa magoou!
— Cala a boca, seu idiota! — TaeMin disse rapidamente. — O professor está entrando na sala!
— Grande coisa! Nunca tive uma aula mais chata do que essa em toda a minha vida! — MinHo suspirou frustrado. — Não sei como você aguenta ficar ouvindo esse mimimi sem fim desse professor! Se não fosse por você, eu já tinha dado um jeito de ter me livrado dessa aula faz tempo!
— Por minha causa? — TaeMin o olhou surpreso. — Para de falar merda, seu ridículo! Nós só passamos a ter essa aula juntos na semana passada!
— TaeMin, eu só assisti pouquíssimas aulas de Ciências em toda a minha vida! — MinHo sorriu presunçoso. — Ser o presidente do conselho estudantil e ter o sobrenome que eu carrego ajuda em algumas coisinhas! Além do mais, essa porra dessa matéria nunca foi o meu forte!
— Usar o cérebro nunca foi o seu forte realmente, MinHo — o menor o respondeu atravessado. — Não é a toa que você só faz merda atrás de merda.
— E desde quando eu só faço merda, TaeMin? — MinHo não gostou do que TaeMin tinha lhe dito. — Sei que já fiz muita besteira por aí e me arrependo de algumas delas, inclusive das brincadeiras e piadas de mau gosto que te disse. Mas isso não quer dizer que eu seja só assim!
— Será que não, MinHo? — TaeMin ignorou por completo a presença do professor. — Desde quando o alfa super popular dessa escola decadente faz alguma coisa além de espalhar o seu cheiro e atrair tudo quanto é ômega e beta que tem por aqui? Que eu saiba você nunca fez nada além de sair por aí demonstrando toda a capacidade atlética e aproveitando do seu cio para acasalar com tudo quanto é gente que se esfrega em você! O que, convenhamos, é quase toda a escola, não é mesmo?
— TaeMin! De onde você tirou toda essa merda? — MinHo estava surpreso e irritado com aquelas palavras. TaeMin nunca havia sido tão direto assim com ele. — Você mal me conhece e já vem despejando esse monte de merda pra cima de mim! Muito me admira você estar dando ouvidos a um monte de fofoca que rola nos corredores daqui! Sempre achei que nada disso te interessava!
— E não interessa mesmo! — O bom humor de TaeMin já havia ido embora. — Não quero saber de nada disso aqui! De ninguém daqui! E muito menos nada sobre você!
— Como você já sabe o que o povo daqui costuma dizer, as fofocas que rolam por aqui, vamos esclarecer alguns fatos: primeiro, eu não costumo acasalar com tudo quanto é ômega e beta daqui não! Acho essa porra toda de cio extremamente desgastante e não acho certo usar as pessoas só pra satisfazer um simples desejo; segun...
— Simples desejo? — TaeMin o interrompeu irritado. — Seja menos hipócrita, MinHo! Desde quando a porra de um cio enlouquecedor é um simples desejo? Duvido que você não saia enfiando esse seu pau em tudo quanto é buraco disponível que apareça! E eu sei que aparecem vários!
— O cacete que eu faço isso, seu babaca! — MinHo também já estava irritado. — As pessoas não devem ser tratadas como objeto não, TaeMin! O que você está pensando que eu sou, seu merda?
— Justamente isso: UM MERDA! — TaeMin vociferou. — E esse seu papinho pra boi dormir aí não engana ninguém! Não quer tratar ninguém como objeto, mas sai por aí fazen...
— Eu realmente não queria atrapalhar o espetáculo que os dois estão fazendo na minha aula, mas no momento, eu realmente preciso dar início a ela! — o professor Oh falou alto e interrompeu a discussão. — Se vocês puderem sentar e ficarem de boca fechada, ignorarei todo o circo que ambos armaram aqui na minha frente! Agradeçam a boa notícia que recebi antes de entrar aqui o fato de não os expulsar agora mesmo da sala!
Assim que o professor terminou de falar, TaeMin olhou ao seu redor e constatou que toda a sala estava virada olhando para ele e MinHo. Algumas meninas o olhavam com uma cara de deboche, outros estavam tentando entender o que tinha se passado ali e JongHyun e JongIn olhavam seus melhores amigos perplexos. O que tinha acontecido com aqueles dois para estarem fazendo uma cena justamente na aula de Ciências?
— Bom, a respeito da primeira etapa do trabalho de vocês, todos conseguiram entregar o que lhes pedi a tempo e isso me deixou bem satisfeito. Entretanto, para o meu desgosto, chegou ao meu conhecimento que alguns de vocês não demonstraram total empenho durante a realização do trabalho, deixando para seus colegas de dupla toda a responsabilidade. Para que isso não ocorra na segunda etapa que passarei hoje, acabei por fazer algumas mudanças — o professor dizia, olhando especificamente para MinHo. — Cada dupla terá um horário de estudo determinado a cumprir na monitoria. Será uma hora diária durante a próxima semana! — o falatório começou antes mesmo de o professor terminar. — Com exceção da dupla formada por Lee TaeMin e Choi MinHo. Vocês dois farão duas horas de monitoria! Comigo!
— O QUÊ? — gritaram TaeMin e MinHo ao mesmo tempo.
— Bem, rapazes... — o professor Oh se sentou e continuou. — Pelo que eu pude perceber, o ânimo entre os senhores anda bem exaltado, e o trabalho de vocês refletiu isso! Por isso, estou dobrando o horário de vocês para possibilitar não só o entrosamento entre vocês dois, mas para fazer com que o meu melhor aluno produza tudo àquilo que espero dele. Certo, Lee TaeMin?
— Certo, professor! — TaeMin respondeu engolindo a raiva.
— Professor Oh, eu não posso ficar esse tempo na monitoria! — MinHo estava exaltado. — A final do campeonato escolar é no sábado, e eu tenho treino com o time todo dia!
— Isso não é da minha conta, Choi MinHo! — o professor o respondeu secamente. — Ou o senhor aparece para a monitoria e cumpre todo o horário ou tenha certeza que o reprovarei imediatamente! E dessa vez não adianta nem o diretor vir pedir para sermos mais flexíveis com o senhor!
TaeMin estava com raiva por perceber que seu plano não saíra como havia planejado, mas não pôde deixar de rir por ver que MinHo estava mais encrencado do que ele!
Tudo o que TaeMin queria era que a dupla com MinHo fosse desfeita e que o maior tirasse nota baixa no tal trabalho, pois conhecendo o professor Oh como TaeMin conhecia, ele iria até o diretor reclamar e aí estaria formada a confusão, uma vez que MinHo não poderia jogar a final do campeonato do sábado por estar pendente na matéria.
Entretanto, lá estava MinHo irritado, mas pelo motivo errado! E isso ainda o incluía! Não era para MinHo ainda ter a possibilidade de jogar! E muito menos dele ter que passar duas horas do seu tempo livre com MinHo na monitoria! Junto com o professor Oh! Isso só podia ser castigo!
— Me diz o que você falou com o professor, Lee? — MinHo disse tirando TaeMin dos seus devaneios. — Que porra você disse ao professor Oh quando foi entregar esse maldito trabalho?
— Tá maluco, MinHo? — TaeMin respondeu rapidamente. — O que eu poderia dizer ao professor, hein? Que eu fiz a merda do trabalho praticamente sozinho? Que era pra ele te dar nota baixa? Que você é um idiota que só pensa em futebol e na porra da final que é essa semana?
— VOCÊ DISSE ISSO TUDO, NÃO DISSE? — MinHo gritou para o menor . — Eu sabia que tinha dedo seu nessa porra, TaeMin!
— Larga de ser babaca que eu estou tentando te dizer justamente o contrário! — TaeMin mentia descaradamente. — Você acha que se eu tivesse dito tudo isso, ele teria me dado esse castigo também?
— Ah! Aí chegamos num ponto muito importante! — MinHo debochava. — Realmente ele não te castigaria porque desde quando o professor Oh iria fazer alguma coisa com o seu aluno favorito? O prodígio, o super inteligente Lee TaeMin!
— Que merda é essa que você tá falando? — TaeMin perguntou irritado, mesmo sabendo muito bem do que o maior falava.
— Por favor, TaeMin, toda a escola sabe o quando o professor Oh puxa o seu saco! Que você é o seu aluno preferido! — MinHo falava. — Foi uma surpresa ele ter me deixado fazer dupla com você já que ele não vai muito com a minha cara!
— Me faça um grande favor, MinHo, CALA A PORRA DA SUA BOCA! — TaeMin o respondeu entredentes.
— Eu não vou pedir aos senhores de novo para sentarem e ficarem quietos! — o professor falou se aproximando dos dois. — Agradeçam aos céus pelo meu bom humor no momento, mas já vou logo avisando que a próxima gracinha de qualquer um dos dois resultará no acréscimo de mais uma hora na monitoria comigo!
Tanto MinHo quanto TaeMin sentaram em seus lugares e mal se olharam durante a aula. Não queriam dar a chance ao professor Oh de aumentar nem um minuto que fosse o tempo que teriam que passar fazendo o bendito trabalho.
Assim que as aulas terminaram, MinHo e TaeMin se encaminharam para a sala em que o professor Oh os esperava. O clima entre eles não podia ser mais pesado e mais frio.
TaeMin recebeu autorização para que ambos pudessem entrar e se acomodarem na sala. Era ali, naquele lugar, que ele e MinHo passariam pelo menos duas horas por dia na próxima semana.
— Bom, eu já coloquei nos lugares que vocês irão sentar as questões que quero respondidas pelos senhores hoje. Caso vocês não consigam responder tudo no tempo programado, ficarão aqui o tempo que for necessário para solucionar todo o trabalho — o professor deu uma rápida explicação. — Agora comecem, por favor!
Os dois rapazes se sentaram e sem dizer nenhuma palavra um ao outro, começaram a responder as questões.
Pouco mais de uma hora depois, o professor Oh recebeu uma ligação, que tomou alguns minutos de seu tempo e, em seguida, se dirigiu aos meninos:
— Tenho que ir até a diretoria, pois o diretor quer falar comigo. — O professor se encaminhou para a porta. — Terminem o que estão fazendo e não saiam sem a minha autorização. — Em seguida, se retirou.
— Merda de professor! — MinHo estava irritado e frustrado.
— Cala a boca e termina isso! A culpa é sua por estarmos aqui! — TaeMin reclamava com o maior.
— MINHA? — MinHo não gostou do que ouviu. — Isso tá na cara que é história sua, TaeMin!
— Ah! Vai se foder, MinHo! — O menor suspirou e voltou a fazer o seu trabalho.
MinHo, por sua vez, soltou uma pequena gargalhada e ficou observando o menor, que, ao perceber o que o outro fazia, questionou:
— Perdeu alguma coisa aqui? — TaeMin estava começando a ficar irritado. — Faz logo essa porra!
— Sabia que você fica uma gracinha todo irritadinho? — MinHo deu um sorriso de lado para o menor.
— De verdade, eu acho que você tem merda de galinha na cabeça! — TaeMin respondeu.
— Eu sempre quis saber como um cara tão bonito como você mudou tanto de uma hora pra outra. — MinHo decidiu mudar o rumo da conversa. — Sei que você sempre foi tímido e tudo mais, mas mesmo assim, não é razão pra ter se tornado esse pé no saco em tão pouco tempo!
— Já acabou de falar esse tipo de merda? — TaeMin falou escrevendo em seu papel. — Faz logo essa porra aí!
— Tae, não vai me dizer que você não tem noção do quanto é bonito? — MinHo não estava acreditando que o menor não tinha ideia do efeito que causava nas pessoas. — É isso, não é mesmo? Acertei, não é?
— E se for? Desde quando isso é da sua conta? — TaeMin estava ficando ainda mais irritado.
— Meu Deus! Eu sabia que você era todo esquentadinho e cheio de si, mas não sabia que era meio tapado também! — MinHo gargalhou e disse, sério, logo em seguida. — Você é muito bonito, TaeMin! É uma das pessoas mais bonitas que eu já vi! E tenho certeza que por baixo de toda essa marra toda aí tem uma pessoa ainda mais bonita do que conseguimos ver por fora!
— Tá tentando fazer o que, MinHo? — TaeMin estava tentando mudar o foca da conversa, pois não gostava desse tipo de assunto. — Quer me distrair e enrolar ainda mais pra podermos ficar ainda mais tempo aqui juntos? Não pense que esse tempo aqui me fará querer conhecer você ou algo desse tipo!
— Eu não preciso disso, TaeMin! — Minho respondeu presunçoso. — Se eu quiser, posso diminuir esse tempo de castigo com um só telefonema!
— Larga de ser ridículo, garoto! — TaeMin gargalhava. — Quem você pensa que é pra ir contra um professor e fazer esse tipo de coisa?
— Não duvide de mim, Lee TaeMin! — MinHo lançou um olhar presunçoso para o menor.
— Sério? — TaeMin duvidava. — Se é assim, vamos fazer uma aposta!
— Adorei a ideia! — MinHo respondeu animado. — Se eu conseguir diminuir o tempo desse castigo ou até mesmo suspendê-lo, você irá responder tudo que eu te perguntar durante essa semana sem dar respostas atravessadas e ir comigo à final do campeonato no sábado!
— Tudo isso? — TaeMin resmungou — Tudo bem! Mas se não conseguir, você irá comigo num recital de caridade no sábado!
— Fechado! — MinHo respondeu rapidamente.
— O recital será no sábado de manhã no horário do jogo! — TaeMin respondeu com um sorriso sarcástico no rosto.
— O QUÊ? — MinHo questionou indignado. — Você não falou isso antes!
— Você já apostou! Agora já era! — TaeMin gargalhava ainda mais!
— Tudo bem! Isso não vai mudar nada mesmo! — Minho disse cheio de si. — Me dê só um minutinho!
O maior pegou o celular na mochila, discou um número e se afastou um pouco. Depois de uns cinco minutos, voltou com um sorriso largo no rosto.
— O que foi? — TaeMin estava curioso. — Fala logo!
— Você saberá em breve! — MinHo falou piscando para o menor.
Passados cerca de vinte minutos, o professor Oh voltou até a sala com uma expressão fechada! MinHo já imaginava o que estava acontecendo e se segurava para não rir:
— Rapazes, guardem suas coisas e podem ir! — o professor dizia extremamente irritado. — A partir de amanhã, vocês cumpriram apenas uma hora de monitoria e nada mais!
— Mas... mas professor? — TaeMin estava abismado enquanto MinHo se divertia com a situação. — Por que isso agora?
— Saiam logo daqui! — o professor os expulsou.
Enquanto caminhavam em direção à saída da escola, TaeMin tentava descobrir o que MinHo tinha feito para conseguir a diminuição do castigo.
— TaeMin, o que eu fiz tá feito! — MinHo estava cheio de si!
— Você falou com o diretor, não foi? — O maior deu um sorriso que confirmou. — AQUELE PUXA SACO DOS INFERNOS!
— Não quero saber! A partir de amanhã, você e eu almoçaremos juntos pra você responder algumas coisas que eu quero saber sobre você e, no sábado, você estará na arquibancada torcendo por mim!
— Nem fodendo! — TaeMin não queria aceitar aquilo.
— Não seja um mau perdedor, Lee! — MinHo disse bagunçando o cabelo do menor. — Até amanhã!
E assim, durante toda aquela semana, TaeMin almoçou com MinHo e respondeu a quase todas as perguntas dele. Dizia para si mesmo que fazia aquilo tudo com o intuito de se vingar de MinHo, mas na verdade, em vários momentos, não podia negar que se sentia bem e confortável diante da presença do alfa. Ele estava começando a achar que MinHo não era tal mau quanto pensava.
XXXXX
O sábado chegou, e TaeMin realmente não sabia o que estava fazendo ali. Chegava a ser irônico o fato de ter perdido aquela aposta ridícula pra MinHo na monitoria. Justamente uma aposta que tinha feito aquilo tudo começar. Ele não tinha esquecido tudo o que tinha ouvido naquela sala, tudo que MinHo e seu amigos tinham falado a seu respeito, mas não podia negar que a semana que passara na monitoria com MinHo não fora de todo ruim.
Ele começou a desejar, em alguns momentos, que tudo o que ouvira naquele dia fosse apenas coisa da sua cabeça, fruto de sua imaginação e que eles poderiam ser amigos, quem sabe se conhecerem melhor...
— Terra chamando TaeMin! — JongHyun se aproximou de TaeMin, tocando-lhe o ombro. — Uma moeda pelos seus pensamentos!
— Não precisa desperdiçar o seu dinheiro com isso! — O menor revirou os olhos em desdém. — Quero saber que horas esse maldito jogo vai terminar pra eu poder ir embora logo!
— Isso é um fato curioso: o que você está fazendo aqui? Pelo que eu me lembre, você não é adepto aos esportes, muito menos futebol! — JongHyun perguntou curioso. — Veio torcer pelo MinHo é?
— Infelizmente, eu não tive escolha! — TaeMin começou a caminhar na direção da arquibancada. — Estou aqui por causa de uma aposta infeliz. — Virou-se na direção de JongHyun e sorriu ironicamente. Também não deixou de perceber o mal estar que causou no outro com aquelas palavras. — Seu amigo me obrigou a estar aqui!
— Vocês realmente se aproximaram bastante nessas duas semanas, não é mesmo? — JongHyun tentava mudar o rumo da conversa.
— Outra coisa que eu não tive escolha! — TaeMin encontrou um lugar no meio da arquibancada e se sentou. — Mesmo evitando conversar com aquele poste, ele não fecha a porra da boca!
— Ele realmente fala demais! Chega a ser chato pra valer! — JongHyun sentou ao lado de TaeMin — Mas isso não quer dizer que você tinha que continuar conversando com ele. Era só ignorá-lo que uma hora ele parava! — JongHyun deu uma risada.
— Como se isso fosse fácil! — TaeMin suspirou frustrado. — E o que você tem a ver com isso? Aliás, por que você está aqui tão cedo? E ainda sentado do meu lado?
— Eu gosto de vir mais cedo pra poder apoiar os meninos e tentar ajudar no que puder — JongHyun respondeu, olhando para o gramado, percebendo que os jogadores já começavam a entrar para se aquecer. — E assim que eu te vi aqui sozinho, vi que era a oportunidade perfeita pra poder te dizer uma coisa.
— Se for sobre o MinHo nem precisa começar! — TaeMin foi logo taxativo. — Já sei o suficiente sobre ele.
— Mesmo assim, eu vou falar! — JongHyun teve que segurar o braço de TaeMin que já havia se levantado para sair dali. — O MinHo é um cara legal! Meio idiota às vezes, mas é um cara bacana! Bem diferente desses alfas escrotos que tem por aí!
— Você também é um alfa, não é mesmo? — TaeMin falou tirando o braço da mão de JongHyun. — Tá querendo me dizer que o MinHo é um alfa decente, gentil, bondoso e caridoso, que nunca faz mal pra ninguém? Quase um príncipe encantado? — seguiu debochando.
— Também não precisa exagerar, moleque! — JongHyun disse bagunçando o cabelo de TaeMin. — Ele é muito escroto quase sempre, faz um monte de merda por impulso, tem uma boca enorme que só o mete em confusão, mas no fundo, é um cara bom!
— Hum! Eu não sei se rio ou se te dou os parabéns por estar fazendo uma ótima propaganda do seu amigo! — TaeMin disse já em pé. — Mas sinto lhe informar, você está falando isso pra pessoa errada! Não me interessa saber quem o MinHo é ou deixa de ser! Eu já sei o que eu preciso saber sobre ele!
— TaeMin, sério, ele é muito mais do que aparenta ser! — JongHyun tentava falar com TaeMin. — Ele só tem a péssima mania de meter os pés pelas mãos!
— E você tem a péssima mania de puxar conversa com quem não quer conversar com você! — TaeMin o olhou irritado. — Vai falar essa ladainha sem fim pra quem tá a fim de ouvir! Ou melhor, pra quem tá a fim do alfa líder MinHo! E, por sinal, até aonde eu sei, você também é um alfa! Não acha estranho esse papo todo de MinHo ser bonzão aqui, ser legal a beça ali, não? Parece até que o ômega da história é você e não eu!
— O que você quer dizer com isso, hein? — JongHyun achou interessante o que o outro havia lhe respondido. — Você já tinha reparado no MinHo antes, né?
— Mas que caralho! — TaeMin resmungou irritado. — Não é a toa que vocês são amigos! Dois babacas! Em primeiro lugar, sua imaginação de alfa é muito fértil! E em segundo lugar, você tem namorado, não tem não? Por que você não vai tomar conta do KiBum e para de cheirar o rabo do MinHo?
— Desde quando você conhece o KiBum? — JongHyun o olhou espantado.
— Você realmente deveria se preocupar mais com o ômega que come, não é mesmo? — TaeMin voltou com a ironia — Talvez se você parasse de tentar vender o MinHo ou consertar as cagadas que ele faz, saberia que eu e o KiBum somos parentes!
— Parentes? Como assim? — JongHyun disse espantado.
— JONG! TAE! — MinHo corria no campo, acenando na direção dos dois. — Que bom que vocês já estão aqui!
— Eu tô aqui obrigado, e você sabe disso! — TaeMin falou emburrado.
— Que cara estranha é essa, Jong? — MinHo perguntou curioso ao amigo que ainda olhava para TaeMin.
— Ele ficou assim depois que eu disse que KiBum e eu somos parentes! — o mais novo comentou rindo. — Acho que ele deveria procurar conhecer um pouco mais da família do namorado dele, não é mesmo?
— É sério que você não sabia disso, Jong? — MinHo falou rindo na direção do amigo. — Que espécie de namorado você é?
— Um bem ruim, pelo visto! — TaeMin acompanhou Minho na risada. — Aqui, eu preciso ir ao banheiro, mas eu não quero ir nos daqui não! Posso ir ao vestiário?
— Tae, não posso te deixar ir lá agora! — MinHo disse meio sem jeito. — O técnico vai me matar se eu fizer isso!
— Ah! Que ótimo, não é mesmo? — TaeMin voltou a se sentar emburrado. — Eu perco uma maldita aposta e tenho que vir pra assistir essa porcaria de jogo e nem tenho um banheiro decente pra poder usar!
— Tudo bem, TaeMin! — MinHo suspirou derrotado. — Eu te levo lá, mas tem que ser rápido entendeu?
— Não precisa ir até lá comigo! É só me dizer o caminho que eu chego lá sozinho! — TaeMin rapidamente se levantou, prestando atenção no caminho que MinHo lhe falava. — Ok! Já entendi, não precisa falar mais nada não! — E saiu na direção do vestiário.
— Jong, dá pra muda essa cara, vai! — MinHo olhava para o amigo rindo. — Juro que não consigo entender como você consegue ser tão lerdo assim!
— Eu não sou lerdo, MinHo! — JongHyun respondeu o amigo irritado. — Eu sei muito bem que o KiBum é parente da família Lee! Que a mãe dele é irmã de alguém da família Lee! Mas você sabe como o KiBum é! Tem horas que ele começa a falar sem parar e vai dizendo uma coisa atrás da outra! Não dá pra acompanhar!
— Você simplesmente finge que está prestando atenção nele e ignora as coisas que ele diz! — MinHo caiu na gargalhada. — Se ele souber disso, vai te matar!
— Ele nunca vai saber disso, entendeu? — JongHyun se sentou emburrado. — Mas mudando de assunto... Você sentiu o cheiro também, não sentiu? Tá diferente! — continuou preocupado.
— Senti sim! Tá mais forte e mais inebriante do que antes! — MinHo olhou na direção em que TaeMin havia saído. — Ele ainda não percebeu, mas logo começará a sentir as dores do cio.
— Dessa vez, não tem remédio ou qualquer coisa que ele faça que dê jeito nisso, MinHo! — JongHyun falou. — Ele ficará tão louco em duas semanas que você terá a oportunidade perfeita de ganhar a sua aposta! Basta continuar em cima dele que logo, logo você estará no meio das pernas dele.
— Porra, JongHyun! Dá pra não colocar as coisas desse jeito? — MinHo resmungou irritado para o amigo. — Eu não quero só isso do Tae e você sabe disso!
— Mas é só isso que você terá quando ele souber da aposta! — O menor se levantou e saiu em direção à cantina. — Faça valer a pena a noite que você terá com ele daqui a alguns dias! Ele provavelmente nunca mais olhará na sua cara depois disso!
— Aonde você vai? — MinHo perguntou ao amigo que se distanciava, mas JongHyun continuou o caminho que fazia em direção a cantina.
Entrando no vestiário, TaeMin não poderia deixar de estar mais satisfeito com toda aquela situação. Estava torcendo pra que tudo corresse bem e que o seu plano desse certo. E realmente parecia que os deuses estavam conspirando a seu favor. Não havia ninguém naquele lugar além dele!
Rapidamente, procurou entre as cabines que continham os uniformes e materiais dos jogadores aquela que buscava. Não demorou muito até que localizasse todo material que pertencia a MinHo. Ele foi até lá e procurou as garrafas de isotônicos do maior. Já tinha ouvido falar de como o maior era chato com as suas coisas e tinha lá as suas superstições, como deixar suas garrafas separadas das dos demais. TaeMin poderia agradecer a MinHo por isso depois.
Uma a uma, TaeMin tirou as garrafas de isotônicos das coisas do maior e misturou a elas um pouco do líquido de um frasco que carregava consigo. Se tudo corresse como o planejado, essa partida de futebol seria inesquecível não só pra MinHo, mas para todo mundo que ali estava.
Saindo do vestiário, TaeMin ligou pra JongIn para confirmar mais uma vez aquilo que já sabia:
— Tem certeza que apenas uma pequena dose é o suficiente? — TaeMin perguntava pela milésima vez. — Eu coloquei mais da metade do frasco em apenas uma das garrafas... — TaeMin agora ria quase que descontroladamente. — O restante eu dividi nas outras que sobraram!
— TaeMin! E se isso fizer o MinHo passar mal? — JongIn parecia preocupado do outro lado da linha. — Só um pouquinho já bastava! Eu não sei por que eu fui arrumar isso pra você!
— Ah! Para de reclamar como uma menininha, JongIn! — TaeMin brigava com o amigo. — Você deveria ficar do meu lado, tá? Você sabe muito bem o que ele quer fazer comigo!
— E olha só o que você tá fazendo com ele, TaeMin! — JongIn reclamava do outro lado da linha. — Já era pra você ter terminado com isso há muito tempo! Bastava falar na cara dele que você já sabe da tal aposta, exigir desculpas e terminar essa porra toda!
— Meu Deus! Andar com esse seu namoradinho tá te transformando praticamente numa mocinha, sabia? — TaeMin debochava do amigo. — E eu achando que você era o alfa dessa relação!
— Tá vendo como é complicado falar com você? — JongIn já tinha perdido a paciência. — Desde que você se tornou um ômega, você culpa todo mundo por isso! Ninguém tem culpa dessa merda ser assim, TaeMin! Essa porra só acontece e pronto!
— Você só fica me falando isso porque você é um alfa! — TaeMin respondia o amigo sinceramente. — Não é você que vai ter que dá pra um e pra outro até encontrar o bondoso filho da puta que irá querer te marcar, fazendo com que você abra as pernas pra ele por toda a sua vida sem ao menos questionar! Isso sem contar o fato de ter que parir as crias dele!
— Ao invés de reclamar da porra da vida do jeito que ela é como você sempre faz, que tal começar a tentar ver alguma coisa boa nisso tudo, hein? Você pode arrumar um cara legal, que vai te respeitar e vai querer ficar com você o resto da vida!
— Ah! Esqueci que você vive num mundo de fantasia, não é mesmo, Kai? — TaeMin chamou o amigo pelo apelido que só usava quando queria debochar do mesmo. — Como o idiota do seu namorado e o ridículo do meu primo KiBum deram a rara sorte de encontrarem alfas que se apaixonassem logo na primeira foda e os marcassem, vocês acharam que o mundo mágico em que vivem acontece com todo mundo! MAS SINTO LHE INFORMAR QUE NÃO É ASSIM!
— Como você é negativo e exagerado, TaeMin! — JongIn disse frustrado do outro lado da linha.
— Negativo? Exagerado? Você tem noção de quantos alfas já se ofereceram pra trepar comigo no meu próximo cio? Ou quantos o meu pai já entrou em contato? Ele acha que eu não sei, mas eu ouço ele e minha mãe conversando, dizendo que a maioria se dispõe a “aliviar meu sofrimento”, mas nenhum deles quer me marcar! E os que aceitam me marcar pedem os maiores absurdos em troca disso ao meu pai! Eu nunca pensei que traria esse tipo de vergonha pra minha família!
— Vergonha do que, TaeMin? — JongIn tentava fazer o amigo enxergar a verdade. — Você apenas ouve as conversas pela metade e tira as suas próprias conclusões! Eu te conheço bem e sei que você faz isso! Desde que você virou ômega, anda tão transtornado que não enxerga um palmo na frente do seu nariz! Fica preso nesse seu mundinho de negação que nem vê a merda que tá fazendo!
— Merda? Do que você tá falando, Kai? — TaeMin estava ficando cada vez mais irritado.
— Tá certo que o que o MinHo fez não foi legal, mas é obvio que esse idiota sempre gostou de você! Só que é tão burro que não soube como expressar isso e fez essa merda toda! Mas eu não acho que ele seja esse babaca todo que você diz que ele é! Se você parasse com esse drama todo e desse uma oportunidade pra ele se explicar, te garanto que vocês fariam um casal legal!
— Vai tomar no cú, JongIn! — TaeMin desligou o telefone furioso! Como o ridículo do seu melhor amigo ousava defender MinHo daquele jeito?! MinHo era e sempre seria um babaca completo!
Mesmo muito irritado, TaeMin caminhou em direção a arquibancada e sentou em seu lugar! O jogo estava prestes a começar, e ele queria ter a melhor visão do que aconteceria dentro daquele campo.
Assim que o locutor começou a falar, anunciando os times que fariam a final do campeonato, TaeMin pôde constatar como todos ficaram eufóricos quando fora anunciado o nome do capitão do time da escola, Choi MinHo! A euforia tomou conta de toda a arquibancada, fazendo com que TaeMin chegasse a pensar que toda a torcida era na verdade para ele e não para os dois times! Viu quando alguns jogadores do outro time chegaram perto do maior para cumprimentá-lo, alguns mais eufóricos do que o normal, além de algumas lideres de torcida que faltavam pouco se esfregarem nele!
— Todo jogo é assim? — TaeMin perguntou para a menina que estava sentada do seu lado. — Esse povo todo fica babando o MinHo como se ele fosse a última bolacha do pacote?
— Isso aí não é nada! — a menina respondeu sem tirar os olhos do maior que estava dentro do campo. — Você vai ver quando ele ganhar a partida e o campeonato! Ele vai poder sair daqui com quem e quantos ele quiser! Ninguém dispensa ou nega Choi MinHo! Qualquer um aqui tem a esperança de que ele escolha e marque alguém!
— Tudo isso pra ter o MinHo? — TaeMin disse irritado. — Esse povo todo só pode estar maluco! — Era nítido na voz do garoto o incômodo que toda aquela situação estava lhe causando. Mas felizmente, para ele, aquilo tudo era só por causa da briga que tivera a momentos atrás com seu melhor amigo. Não tinha nada a ver com o fato de MinHo estar cercado de vários meninos e meninas, querendo não só a atenção dele, mas serem seus pelo resto da vida.
A partida começou bem disputada, e TaeMin pôde observar o quanto MinHo realmente era bom naquele esporte. Ele corria por todo o gramado, orientava seus companheiros e se dedicava ao máximo ali.
Já havia se passado mais da metade do primeiro tempo, quando TaeMin viu MinHo se aproximar do banco de reservas, pegar uma garrafa de uma mochila e beber um pouco. O menor não pôde deixar de sorrir ao ver aquela cena. Torcia para que aquela garrafa fosse a que continha quase todo o líquido que despejara. Caso não fosse, talvez nada do que havia planejado acontecesse.
MinHo tomou o líquido da garrafa praticamente quase todo e a jogou novamente na mochila. Voltou correndo para o meio do campo, retomando o lugar em que estava minutos antes.
Mais alguns minutos se passaram, e TaeMin estava ansioso em seu lugar. Queria ver MinHo correndo para o vestiário, abandonando a partida do campeonato de futebol que tanto prezava.
Porém, a ansiedade de TaeMin deu lugar a outra sensação; uma forte pontada no baixo ventre fez com que ele caísse de joelhos e começasse a suar frio. Ele mal conseguia se mover ou dizer qualquer coisa, e a situação ficou ainda pior quando um barulho ensurdecedor tomou conta do estádio e todas as pessoas começaram a pular e a comemorar alguma coisa que tinha acontecido.
A dor parecia se intensificar, e TaeMin mal conseguia se mexer. Por muito pouco, não fora pisoteado pelas pessoas que estavam ao seu redor. Parecia que era invisível!
MinHo havia acabado de marcar um gol! Tinha conseguido colocar o seu time em vantagem no placar e não cabia em si de felicidade! Voltou o seu olhar para a arquibancada onde TaeMin estava e, estranhamente, não viu o menor no lugar onde deveria estar. Será que ele tinha ido embora? Mas esse não era o trato que ambos tinham feito! Mesmo cercado pelos seus companheiros de time que o abraçavam e pulavam em cima dele, MinHo foi chegando o mais perto possível da arquibancada que conseguia e assim pôde ver TaeMin caído no chão, parecendo se contorcer de dor!
Desesperado com a cena que via, MinHo gritou para o seu treinador:
— ME SUBSTITUI! — Corria em direção à arquibancada. — COLOCA OUTRO PRA JOGAR NO MEU LUGAR!
Por sorte, o lugar em que TaeMin estava sentado não era muito difícil de chegar! Mesmo com todos aqueles torcedores todos empolgados e querendo cumprimentá-lo, ao gritar um SAI DA FRENTE assim que pisou no primeiro degrau que subia, ninguém mais ousou entrar em seu caminho. Em poucos segundos, MinHo já estava diante do menor, afobado:
— TAE — a preocupação estava estampada em sua voz —, o que aconteceu?
— Dó...i mui...to! — TaeMin tinha dificuldade em responder.
— Vamos, Tae! — MinHo abaixou e o pegou no colo. — Vou te levar até a enfermaria.
Com o estádio mudo, MinHo começou a passar entre as arquibancadas com TaeMin no colo. O menor escondia o rosto em seu peito, gemendo de dor, enquanto todos os observavam.
Assim que chegaram à enfermaria, TaeMin fora colocado numa maca e MinHo teve que esperar do lado de fora enquanto este era examinado.
Depois de esperar o que pareceu ter sido uma eternidade, o enfermeiro chamou MinHo:
— Você não deveria estar jogando nesse momento, não? — perguntou curioso.
— É serio isso? — MinHo respondeu indignado. — Como está o TaeMin? Eu posso vê-lo?
— Desculpe a falta de jeito, mas eu realmente fiquei curioso sobre o motivo que fez o capitão do time largar a decisão do título e vir até aqui. — O enfermeiro riu sem jeito. — Mas o seu amigo está bem. Eu dei um remédio para que ele pudesse dormir e descansar.
— Mas você não deu nenhum remédio para que a dor melhorasse, não? — MinHo não gostou do que tinha ouvido. — E se a dor voltar quando ele acordar?
— Infelizmente, eu não posso fazer nada além do que já fiz — o enfermeiro respondeu sinceramente. — Pelo que eu pude perceber, ele começou a sentir o reflexo da proximidade do cio. Me diga uma coisa: ele ainda não copulou com ninguém, não é mesmo?
— Não! Mas eu acho que isso não é da sua conta. — MinHo respondeu secamente.
— Realmente não é! — O enfermeiro sorriu sem jeito. — Mas se aconteceu o que eu estou pensando, as coisas pra ele ficarão muito complicadas a partir de agora.
— Como assim? — o maior perguntou preocupado.
— Pra ele ter suportado o primeiro cio sem ter copulado, provavelmente teve que tomar algum tipo de medicamento ou ter tido uma força descomunal, pois a dor é quase insuportável — explicava calmamente. — Entretanto, as dores e a necessidade de copular apenas foram amenizadas durante o cio anterior e, a partir de agora, voltarão com uma intensidade ainda maior. Se eu calculei bem, o cio dele iniciará dentro de poucos dias!
— Não! Você está errado! — MinHo o corrigiu. — O cio dele começará em duas semanas!
— Isso aconteceria se ele tivesse copulado no cio anterior. Aí as coisas aconteceriam dentro do previsto! Mas do jeito que as coisas estão, se ele conseguir suportar mais uma semana já será um grande milagre — o enfermeiro falou.
— PUTA QUE PARIU! — MinHo gritou irritado. — Isso só pode ser sacanagem comigo!
— Você não pode gritar por aqui, meu jovem — o enfermeiro o repreendeu. — Se você quiser entrar e ficar com ele até que acorde, tudo bem. Mas faça silêncio! E conte a ele tudo o que eu te disse. Seria bom se ele arrumasse um alfa para ajudá-lo em breve.
— Ele não precisa arrumar porra nenhuma! Ele já tem um! — MinHo disse entredentes e entrou na enfermaria.
Ao entrar na enfermaria, MinHo encontrou o menor dormindo num sono profundo. Puxou uma cadeira e sentou do seu lado.
— Poxa, Tae! Seu você soubesse o quanto eu ‘tô arrependido dessa merda de aposta! — MinHo pegou a mão do menor e colocou entre as suas. — Essa merda toda começou só porque você nunca nem sequer olhou pra mim. Custava ter me notado antes, porra? Sei que esse caralho todo de ser alfa ou ômega atrapalhou tudo, mas por que você resolveu odiar o mundo só por ser um ômega, hein? — A frustação que sentia saía em suas palavras. — Agora me diz como eu vou te explicar essa porra toda e ainda te pedir uma chance, hein? — Suspirou profundamente. — Com certeza, você vai me matar quando souber disso tudo!
— Hum... ainda dói... — TaeMin resmungou enquanto dormia.
— Que grande merda eu fui fazer! — MinHo colocou a cabeça entre as mãos e suspirou ainda mais frustrado. — Mas que porra de dor de barriga é essa? — Ele levantou correndo da cadeira em direção ao banheiro.
XXXXX
A comemoração pelo título do campeonato durou o dia toda na escola. Tanto os jogadores quanto o público tentavam comemorar a tão suada vitória por 1 X 0, com um gol do capitão que simplesmente abandonara a partida para cuidar de um menino que estava caído na arquibancada, mas o principal assunto que estava rodando entre os grupinhos espalhados pelo campo depois da vitória era o porquê do capitão ter feito isso. O que tinha levado o capitão a deixar o gramado e o time para trás e ir socorrer Lee TaeMin?
— O que está acontecendo entre eles dois, JongHyun? — ChangMin tentava tirar alguma informação do menor. — Eles estão juntos?
— Fala logo o que você sabe dessa merda, Jong? — Kyuhyun perguntava impaciente.
— Pra começar, eu ‘tô tão surpreso quanto vocês! — JongHyun respondeu com desdém. — E mais uma coisa: eu não devo satisfação a nenhum de vocês dois! Eu tenho certeza que essa porra dessa aposta só vai foder ainda mais a vida do MinHo com o TaeMin!
— O problema não é meu se o MinHo é um idiota de querer apostar logo a virgindade do cara que ele gosta com a gente! — ChangMin debochou. — E ainda mais esse cara sendo o TaeMin!
— Como é que você sabe dessa porra? — JongHyun exclamou exaltado. — O MinHo não contou pra ninguém além de mim que gosta do Tae!
— Meu caro, JongHyun, como você mesmo acabou de dizer, eu não te devo satisfações. — ChangMin deu um tapinha no ombro do menor. — Vamos embora, Kyuhyun! Essa aposta acabou de ficar ainda mais interessante!
Na enfermaria, MinHo aguardava pacientemente ao lado de TaeMin alguém vir buscá-lo. O enfermeiro da escola havia telefonado para a casa dos Lee e avisado que TaeMin havia passado mal. MinHo decidira esperar ali pois queria que o menor o visse caso acordasse.
— Olá, meu rapaz! — Um senhor se aproximara de MinHo e o tocou no ombro. — Me chamo Park e trabalho na mansão da família Lee. Vim buscar o menino TaeMin.
— Ele ainda está dormindo! Acho melhor você não acordá-lo porque a dor pode voltar — MinHo lhe explicou preocupado.
— O enfermeiro já me disse tudo a respeito da situação do menino Lee — o empregado Park dizia pacientemente. — Assim que chegar em casa colocarei os pais dele a par de tudo! Tenho certeza que eles procurarão fazer o melhor para deixar o menino Lee confortável o mais rápido possível. Agora se você puder me dar licença, preciso pegá-lo.
As palavras do empregado só fizeram com que a preocupação de MinHo aumentasse, pois sabia muito bem o que elas significavam. Dentro de poucos dias, o cio de TaeMin estaria no auge e seus pais fariam de tudo para que ele não sofresse, ou seja, encontrariam um alfa que quisesse copular com TaeMin mesmo sem marcá-lo. O menor poderia sofrer ainda mais nas mãos de uma alfa que só buscaria satisfazer a si mesmo ou pior ainda, acaba nas mãos de um alfa que o marcaria e o faria seu para sempre.
Só de pensar nisso, o humor de MinHo afundou extremamente. Nem mesmo sabia se o time havia conseguido vencer a partida, mas isso pouco importava. Por quase uma hora, a sua barriga não lhe deu trégua e fora necessário o enfermeiro lhe dar um remédio para poder se sentir um pouco melhor. Agora, ao observar o menor sendo levado pelo empregado, MinHo não tinha mais ânimo para saber de mais nada. Só queria ir para casa e decidir o que faria a seguir.
— MINHO! — A voz do amigo o fez parar. — Eu preciso falar com você! — JongHyun disse quase sem fôlego. — Te procurei por quase toda a escola, cara! Onde você estava?
— Eu ‘tô indo embora, Jong — MinHo disse desanimado. — Quer uma carona?
— Você não vai ficar pra comemorar o título não? — Jong disse espantado. — Tá a maior festa lá no gramado e todo mundo está perguntando por você. MinHo, você fez o gol do título!
— Vai querer a carona ou não? — MinHo disse indiferente. — Era isso que você queria me falar?
— Cara, o que deu em você? — JongHyun insistiu. — Mas não é isso que eu quero te falar... olha só, tem alguma coisa errada nessa aposta que o ChangMin fez com você.
— Como assim, Jong? Ele te disse alguma coisa? — MinHo perguntou curioso.
— Na verdade, ele não disse nada demais! — JongHyun disse meio confuso. — Mas o jeito que ele falou... dá pra sacar que ele tá aprontando alguma coisa!
— Ah, Jong! Isso é coisa da sua cabeça! — o maior disse frustrado. — Ele é um idiota, mas eu sou muito mais idiota do que ele já que aceitei participar dessa palhaçada, não é mesmo? — Sorriu frustrado. — Minha carona chegou! Vai comigo ou não?
— Não vou não! O KiBum está vindo me buscar! — JongHyun respondeu. — Tem uma festa hoje na casa de algum parente dele que eu não lembro o nome, e a gente vai.
— Ele te obrigou a ir, não é mesmo? — MinHo disse rindo. — Você sempre faz o que ele quer, não é mesmo?
— E você não faria se fosse com o Tae? — JongHyun respondeu, rindo também. — Você sabe que ele é o amor da minha vida, não sabe?
— Sei sim! — MinHo suspirou. — Será que o Tae é o meu ômega, Jong?
— Eu espero que não seja, meu amigo... — JongHyun respondeu sério. — Porque se for, depois que ele descobrir tudo isso, dificilmente te perdoará!
— Eu preciso ir... — MinHo seguiu até o portão da escola e entrou no carro que o aguardava.
XXXXX
— MinHo, posso entrar? — seu pai batia na porta de seu quarto.
— Entra aí, pai! — O maior estava deitado brincando com uma bolinha, que jogava no teto e pegava de volta.
— Tá tudo bem com você, rapaz? — o pai lhe questionou. — Soube que o seu time ganhou o campeonato e você nem ficou para comemorar com seus companheiros. Além de ter largado a partida e não ter voltado pra ajudá-los. Aconteceu alguma coisa?
— Não aconteceu nada de mais, pai! — MinHo respondeu sem o encarar. — Não precisa se preocupar! Mas quem lhe contou isso? Como ficou sabendo disso tão rápido?
— As notícias voam, meu filho! — O homem deu uma risada alta. — Ainda mais notícias como essa.
— Não dê importância pra isso. Eu estou bem. — MinHo deu um sorriso de canto para comprovar o que dizia ao pai.
— Se é assim, não vai se importar em se arrumar e acompanhar a sua mãe e a mim numa festa hoje à noite, não é mesmo? — O mais velho sorriu enquanto levantava da cama.
— Festa? Hoje? — MinHo o olhou incrédulo. — Não mesmo, pai! Eu ‘tô cansado e, se puder, gostaria de ficar em casa! Não 'tô no clima pra festa, não!
— Realmente a sua mãe e eu gostaríamos que fosse você fosse conosco a essa festa já que, se eu não estiver errado, seu cio está se aproximando, e acho que já está na hora de você encontrar um ômega que possa marcar e ficar com você!
— Pai! Isso não é tão fácil assim! — MinHo não queria ter aquela conversa com o seu pai. — Quando meu cio começar, eu dou um jeito, não se preocupe! Eu só não quero ir à festa, tá?
— E o seu jeito é ter um beta diferente entrando e saindo dessa casa todo dia enquanto você estiver no cio? — O pai endureceu o tom de voz. — Você sabe muito bem que eu não gosto disso! Já te falei que se for pra fazer isso, é melhor você ir para o apartamento que a sua mãe e eu te demos! Na nossa casa não é lugar pra isso!
— Eu sei, pai! — MinHo não iria discutir com o pai. — O senhor tá certo. Depois eu vejo isso.
— Hum... Em outra hora, voltaremos a falar disso, MinHo — o pai disse seguindo até a porta. — Mas agora eu preciso ir e começar a me arrumar pra festa na casa dos Lee. Sua mãe detes...
— FESTA NA CASA DOS LEE? NA CASA DE LEE TAEMIN? — MinHo deu um pulo da cama.
— Se eu não me engano, esse é o nome do filho mais novo da aniversariante, sim! — o pai de MinHo respondeu parado em frente a porta. — É justamente ele que a sua mãe e eu queríamos que você conhecesse! Ele é um ômega e dizem ser muito bonito, além de pertencer a uma boa família!
— Eu vou a essa festa, pai! — MinHo disse já pulando da cama e indo em direção ao banheiro.
— Isso tudo é por causa desse rapaz? — O pai seguiu até a porta do banheiro. — Até que seria uma excelente ideia te ver junto com alguém da família Lee. Acho que eu posso conversar com o pai dele e ver se eu resolvo as coisas pra você. Sei que a sua mãe e a mãe deles se conhecem da acade...
— Pai, por favor, não precisa se meter nesse assunto, tá? — MinHo interrompeu o pai. — Já chega a confusão toda que deu ano passado quando o senhor rompeu o meu compromisso com a Sulli, ok?
— Mas eu só rompi o compromisso que vocês tinham por sua culpa e da sua mãe! — O homem aumentou o tom de voz. — Você disse que não passaria o resto da sua vida com alguém que não amava e sua mãe te deu total apoio!
— E como sempre, você sempre faz as vontades dela! — MinHo sorriu ligando o chuveiro. — Pai, quando conheceu a mamãe, como o senhor sabia que era com ela que você queria passar o resto da vida?
— Eu acho que sempre soube, filho. — O pai amansou o tom de voz. — A sua mãe sempre foi especial. O cheiro dela me enfeitiçou de tal maneira que eu conseguia identificá-lo mesmo no meio de uma multidão. Isso mesmo antes de marcá-la. — Ele deu um sorriso de canto diante das lembranças. — Diz a sua mãe que o meu cheiro também era diferente dos demais!
— Ela também se sentia diferente em relação a você? — O mais jovem colocou a cabeça para fora do box espantado. — Achei que isso só acontecesse com os alfas quando encontravam um ômega especial.
— Nem sempre, MinHo — o homem disse, indo em direção à porta. — Quando a ligação entre um alfa e um ômega é especial, parece que ambos podem sentir isso, filho! Agora termine de se arrumar porque não demoraremos muito a sair. — E se retirou.
Enquanto terminava de se arrumar para ir a tal festa, MinHo não deixou de pensar um só segundo naquilo em que seu pai disse. É lógico que havia se relacionado com alguns ômegas e betas durante os dois cios que já tivera, mas o cheiro de cada um deles era muito similar uns aos outros. Em determinado momento, chegava até achar que se tratava da mesma pessoa de tão sutil que era a diferença. Mas com TaeMin, nunca havia sido assim. O cheiro que emanava do menor era tão bom, tão diferente dos demais que fazia com que MinHo quisesse se aproximar dele de qualquer forma. Chegou a segui-lo em vários lugares, não só pela escola, seguindo o cheiro que o consumia e o hipnotizava.
Porém, ao descobrir de quem se tratava e sabendo que não teria nenhuma possibilidade de ter TaeMin para si, pois ele seria provavelmente um alfa, MinHo decidiu ficar por perto de alguma forma e teve a estúpida ideia junto com ChangMin de começar a implicar com ele.
TaeMin sempre o respondia a altura, chegando em diversas situações a provocá-lo, além do que, normalmente seria capaz de suportar. Entretanto, lá estava aquele bendito cheiro que o deixava quase à beira de pular em cima do menor. E não seria para começar uma briga.
Até que o dia em que tudo mudou. TaeMin era um ômega. Mas isso fez com que ele mudasse completamente. MinHo até tentou conversar com ele, mas o menor o ignorava por completo. Tentou tantas vezes que, no primeiro momento, em que perdeu a cabeça e debochou da sua nova condição, TaeMin reagiu. E, a partir dali, tudo havia mudado pra pior.
Mas ao ver o menor ali na enfermaria e depois de passar todo aqueles dias na companhia dele, MinHo tinha certeza de que fizera a maior besteira da sua vida ao aceitar aquela aposta. TaeMin não merecia aquilo, e ele também não queria fazer aquilo. Ele queria ficar com TaeMin, mas da maneira certa. Queria ele pra si. E tinha quase cem por cento de certeza que isso não seria coisa de momento e sim para a vida toda. Ele teria que arrumar um jeito de resolver a situação o mais rápido possível. E isso seria naquela noite.
Assim que chegou à festa, MinHo queria ir procurar TaeMin. Infelizmente, seu pai queria que ele cumprimentasse várias pessoas naquele lugar. Na terceira pessoa que MinHo falava, seus pais acabaram por se afastar um pouco dele e MinHo viu ali a oportunidade perfeita para sair à procura de TaeMin.
Estava o procurando em uma das muitas salas daquele lugar, quando esbarrou em JongHyun e KiBum:
— Mas é um troglodita mesmo, não é? — KiBum resmungou assim que viu quem era. — Por que não olha pra onde anda, hein?
— KiBum, cadê o TaeMin? — MinHo perguntou. — Preciso falar com ele agora!
— Eu não conheço nenhum KiBum! E você, Jong? — KiBum respondeu ironicamente.
— Porra, KiBum! Eu ‘tô com pressa! — MinHo estava impaciente. — Fala logo onde o Tae está?
— Ah! Eu não sou obrigado a nada, meu bem! — KiBum continuou com o deboche. — E KiBum são os betas insignificantes que você come! É KEY! E o que você quer falar com o meu primo? TAE? Desde quando vocês são íntimos desse jeito?
— Que caralho, JongHyun! — MinHo perdeu a paciência. — Como você consegue conviver com esse ser irritante?
— Ele nem é tão irritante assim! — JongHyun respondeu distraído. — E o TaeMin está na biblioteca, segunda porta a direita virando o corredor! Eu o vi entrando lá quando estava voltando da cozi...
— EU SOU IRRITANTE, JONGHYUN? — KiBum estava furioso com o namorado. — É ISSO QUE VOCÊ DISSE? É MUITO BOM SABER DESSAS COISAS! MALDITA HORA QUE EU DEIXEI VOCÊ ME MARCAR! OLHA SÓ O QUE EU SOU OBRIGADO A ...
MinHo não estava mesmo com saco para ouvir os dramas de KiBum. Não sabia como JongHyun conseguia aguentar todo o drama em pessoa que ele era. Seu amigo realmente devia amá-lo muito.
Seguindo o caminho que JongHyun havia lhe dito, MinHo chegou até a biblioteca! Entrou sem bater e fechou a porta sem fazer barulho. Ao contrário do que imaginava, não encontrou o menor lendo algum livro ou distraído com alguma outra coisa. Ele estava encolhido em um dos sofás, com a cabeça entre os joelhos, que segurava com as mãos, gemendo baixinho:
— Tae? A dor voltou? — o maior falou enquanto se aproximava.
— O que... você está... fazendo aqui? — TaeMin levantou a cabeça e perguntou curioso diante a presença do maior.
— Meus pais vieram pra festa, e eu vim te ver! — MinHo se agachou na frente do menor e disse lentamente. — Eu preciso conversar com você e te contar uma coisa séria.
— MinHo, eu não que... ro saber de nada que... diz respeito a você! — TaeMin disse, ainda gemendo por causa da dor. — Só vá embo... ra e me dei.. xe em paz!
— Eu não posso, Tae! — MinHo insistia. — Você tem que saber de uma coisa...
— O QUE... É QUE VOCÊ TAN... TO QUER CON...TAR? — TaeMin disse irritado se levantando, mas não conseguiu ficar em pé por muito tempo e caiu.
— TAE! — MinHo estava realmente preocupado. — Eu vou te ajudar, vem aqui!
— COM CER... TEZA VOCÊ VAI ME A... JUDAR! — TaeMin se forçou a ficar em pé, respirou profundamente, tomou fôlego e falou. — E como você vai me ajudar? Ah! Seria se oferecendo pra transar comigo e fazer com que essa merda de dor passe? Você seria tão bondoso e cavalheiro em me ajudar desse jeito? Ah! Já sei, você vai me ajudar porque agora somos amigos! É isso, não é?
— TaeMin, por favor, me deixa te explicar a situação! — MinHo pedia ao menor. — Só me ouve um minuto!
— QUE CARALHO, MINHO! — TaeMin gritava exasperado. — EXPLICAR O QUE? QUE VOCÊ VAI TRANSAR COMIGO PRA ME AJUDAR OU PRA VENCER UMA MERDA DE UMA APOSTA?
— Do que você está falando, Tae? — o maior perguntou surpreso com o que TaeMin acabara de dizer.
— PORRAAAAAAA! — suspirou longamente outra vez. — Eu tô aqui quase morrendo com esse caralho de dor e você vem de deboche com a minha cara? Vai se foder, MinHo! Eu sei sobre a merda da aposta, tá! Sei de tudo o que você e aquele babaca apostaram!
— Você sabe? — a voz de MinHo quase não saiu. — Tae... Sobre isso, não é o que você está imaginando! Podia ser no início, porque eu agi na pilha do ChangMin, mas depois, as coisas mudaram...
— Mudaram? É serio? — TaeMin ria em deboche. — Pois bem, MinHo, se mudaram ou não, estou pouco me fodendo! Eu preciso é ser fodido e você será a última pessoa nesse mundo pra quem eu irei dar! Pode ir começando a se acostumar a ser escravo do seu amiguinho ridículo! — TaeMin terminou de falar e se levantou com dificuldade pra sair da biblioteca, mas ao passar pelo maior teve o seu braço segurado por ele.
— Só me escuta um minuto! — MinHo suplicava. — Para de ser assim tão teimoso, Tae! Eu sei que você está sofrendo e eu só quero ajudar!
— VOCÊ SÓ AUMENTA O MEU SOFRIMENTO, MINHO! — TaeMin gritou com sinceridade. — É você que está fazendo com que a minha dor aumente! AGORA ME SOLTA!
— O que está acontecendo aqui? Eu estava indo ao banheiro e ou... MINHO! — a menina que abriu a porta gritou surpresa assim que viu o maior parado ali. — Eu realmente estava te procurando! Seus pais me pediram pra te achar e levá-lo de volta a festa! Eles realmente estão furiosos com você por ter desaparecido assim que chegou! A titia não para de reclamar! E por que vocês estão aqui sozinhos? Por que você está segurando o braço dele? Eu exijo saber o que está acontecendo aqui!...
— CALA A PORRA DA BOCA E SAI DAQUI, SULLI! — MinHo gritou com ela. — SOME DAQUI AGORA! — TaeMin aproveitou a discussão pra tirar seu braço da mão do maior. Mas MinHo não o deixaria ir tão facilmente e voltou a agarrar o seu braço outra vez. — Você não vai sair daqui antes que eu possa ter a chance de explicar tudo pra você!
— MINHO! VOCÊ NÃO PODE FALAR ASSIM COMIGO! EU SOU SUA NOIVA! — a menina o respondeu com lágrimas nos olhos. — Desse jeito você me magoa!
— Sua noiva? — TaeMin soltou uma risada debochada. — A história só fica cada vez melhor!
— PARA DE FALAR MERDA, GAROTA! — MinHo estava perdendo a paciência. — VOCÊ SABE MUITO BEM QUE A HISTÓRIA NÃO É ASSIM!
— GENTE DO CÉU! QUE GRITARIA É ESSA? TÁ PARECENDO UMA FEIRA LIVRE! — KiBum interrompeu a discussão aos gritos. — O que está acontecendo aqui?
— Key, eu não tô me sentindo bem... Tá doendo muito! — TaeMin chamou a atenção do primo. — Me tira daqui!
— O QUE ESSE BOÇAL TÁ FAZENDO SEGURANDO VOCÊ? — KiBum avançou na direção de MinHo e tirou TaeMin de seu aperto. — Se você o machucou, juro que arranco isso aí que você tem no meio das pernas na unha!
— KiBum, não se mete nisso! Eu só preciso terminar de falar com ele! — MinHo disse entredentes.
— Só por cima do meu cadáver! — KiBum o respondeu autoritário. — Vamos, Tae! Vou te levar pro seu quarto e avisar ao titio que você não está bem.
— Não quero estragar a festa da mamãe, Key — o menor disse baixo, apoiando o corpo no primo. — Ela estava esperando esse dia faz tempo.
— Eu vou ficar lá cuidando de você, mas pelo menos o JinKi vai ter que saber! — KiBum caminhava na direção da porta com o primo.
— Tae, eu vou voltar amanhã pra gente terminar de conversar! — MinHo ainda tentava fazer o menor lhe ouvir uma última vez.
— Pro inferno você, sua noiva e sua conversa! — Foram as últimas palavras do menor antes de sair da biblioteca com o primo.
— Nossa! Como ele é mal educado, né? — Sulli disse se aproximando de MinHo. — Por que você ainda fica querendo conversar com ele? Que assunto é esse que vocês têm tão importante assim pra você praticamente suplicar a atenção dele? Eu não gostei disso não, MinHo! Fiquei com ciúmes! — Acabou de falar e abraçou o maior.
— Bota uma coisa nessa porra de cabeça vazia que você tem: eu não quis ficar com você antes, não quero agora e não vou querer nunca! — MinHo disse a segurando nos braços e a encarando. — Graças a Deus, meu pai rompeu aquele maldito compromisso que nossas mães fizeram quando éramos pequenos! Então, para com essa palhaçada de ficar dizendo pra todo mundo que é minha noiva! Some da minha vida! — O maior a jogou no sofá e saiu irritado.
XXXXX
O fim de semana não tinha sido nada fácil pra MinHo. No sábado, havia perdido a final do campeonato de futebol e, depois de tudo o que TaeMin tinha lhe dito naquela festa, pensava que não tinha como as coisas ficarem pior. Mas estava completamente enganado!
Assim que acabara de jogar Sulli no sofá, saiu da festa ignorando os chamados de JongHyun e de seus pais. Acabou conseguindo um táxi e foi pra casa, onde num acesso de raiva tinha quase destruído o seu quarto por completo.
Quando seus pais chegaram, a situação piorou um pouco mais. Eles estavam extremamente irritados com o fato de MinHo ter chegado na festa e não ter feito o seu papel como um perfeito cavalheiro membro da família Choi e ignorado muitas pessoas importantes que ali estavam, e o fato de terem encontrado o seu quarto naquele estado deplorável, não ajudou em nada. Para um jovem que completaria dezoito anos em breve, estar de castigo por um mês em pleno mês de seu aniversário era algo que nunca pensou que aconteceria.
— Tá vindo de algum funeral, cara? — JongHyun tentou fazer graça com o amigo.
— Vai se foder, JongHyun! — MinHo falou entredentes com o amigo. — Não quero papo com ninguém nessa porra desse lugar!
— Caramba! Você está falando igualzinho ao TaeMin, MinHo! — JongHyun continuou, tentando implicar com MinHo. — Esse tempo que vocês passaram juntos realmente fez com que vocês se conectassem, não é mesmo?
— Eu vou te enfiar a porrada se você continuar aqui! — MinHo fuzilou o amigo com o olhar.
— Tudo bem! Se é assim, não vou nem te contar o que tá acontecendo com o TaeMin, então — o menor disse com um ar zombeteiro e se virou para sair, mas foi puxado com certa violência pelo maior.
— O que aconteceu? Onde o Tae está? — MinHo questionava ao amigo, ansioso.
— Me solta, cara! — JongHyun se soltou das mãos de MinHo e tentou se ajeitar. — Você faz a merda toda e agora fica assim! Se controla!
— Fala logo, Jong! Não ‘tô com paciência pra suas gracinhas, não. — MinHo disse entredentes.
— Calma aí, estressadinho! — Jong falava com o amigo. — Agora, falando sério, a situação do TaeMin piorou de sábado pra cá! Os pais dele estão tão preocupados que já avisaram que ele não virá pra escola enquanto a situação não melhorar.
— Você quer dizer enquanto o cio dele não passar! — MinHo cortou o amigo.
— Não dessa vez, meu amigo. — JongHyun continuou. — KiBum me contou que os tios não deixaram o TaeMin passar por todo o sofrimento do cio sozinho como fez da última vez. Mesmo se ele não concordasse, eles iriam arrumar um alfa para ajudá-lo a passar por esse período.
— Eles já arrumaram um alfa pro Tae? — MinHo estava começando a ficar desesperado. — E ele concordou com isso?
— Como o KiBum mesmo me disse, “o Tae estava estranhamente mais receptivo com as ideias que seus pais estavam tendo” — o menor falou. — Parece que ele não fez nenhuma objeção.
— Foi muito rápido, Jong! — MinHo agora estava desesperado. — Como eles conseguiram isso em um dia?
— Cara, isso eu não sei! — JongHyun estava tentando ajudar o amigo. — E eu odeio ser o chato da história, mas eu bem que te avisei que essa aposta não terminaria bem.
— Essa merda de aposta! — MinHo agora estava furioso. — Eu vou resolver essa porra agora!
— Resolver o que? — JongHyun correu atrás do amigo. — Que merda que você vai fazer agora?
— Cala a boca e me segue, Jong! — MinHo andava apressado. — Se eu bem conheço aquele filho da puta do ChangMin, ele deve estar no vestiário agora. Vai ficar por lá até a segunda aula começar.
— O que você quer falar com aquele babaca? — JongHyun falava atrás do amigo. — Deixa esse idiota pra lá.
— Eu te disse pra fechar a porra da boca, não disse? — MinHo fuzilou o amigo com o olhar e JongHyun achou prudente não falar mais nada.
Chegando ao vestiário, MinHo e JongHyun escutaram algumas risadas vindas do fundo, próximo aos chuveiros. Fazendo sinal para que Jong não fizesse barulho, MinHo começou a se aproximar do local de onde vinham as risadas, a fim de que pudessem surpreender as pessoas que estavam naquele local.
— Eu ‘tô realmente chocado com a sua inteligência, Chang! — Kyuhyun dizia ao amigo.
— Kyu, até eu ‘tô surpreso com o rumo que as coisas tomaram e como o destino conspirou a meu favor! — ChangMin falava entre risos. — Não imaginava que no final de tudo, eu conseguiria me vingar do MinHo e, ainda por cima, tirar dele a única coisa que ele mais quer no momento: o TaeMin!
— Como assim? — Kyuhyun perguntou curioso.
— Eu só me tornei amigo do idiota do MinHo por pressão do meu pai. O velho sempre encheu o meu saco pra me dar bem com alguém da família Choi, já que ele trabalha pro pai do TaeMin , portanto, já frequenta a casa dos Lee — explicava ChangMin.
— Disso eu sei, Chang! Até aí, não é nada demais — Kyu respondeu ao amigo.
— É extremamente irritante ver o MinHo sendo o centro das atenções em tudo quanto é lugar só porque carrega a porcaria de um sobrenome importante! — ChangMin dizia com raiva. — Eu sou muito melhor que ele e sempre fico em segundo plano porque lá está o MinHo em primeiro! Até a porra do casamento arranjado com a gostosa da prima dele, ele conseguiu cancelar só porque ela não era o seu ômega! Quem consegue fazer isso hoje em dia, Kyu? Só o bonzão do MinHo que tudo pode! — A irritação só aumentava. — Mas mesmo assim eu tinha que obedecer ao idiota do meu velho! Virei um dos melhores amigos do retardado do Choi!
— Chang, para de rodeio e diz logo o seu plano! — Kyu estava impaciente. — Detesto esses papos longos e complicados!
— Porra! Como você é um pé no saco! — ChangMin resmungou. — Tudo bem. Eu já desconfiava que o MinHo tinha uma quedinha pelo TaeMin faz tempo.
— Quedinha?! — Kyuhyun o interrompeu. — Um precipício, você quer dizer. E isso não é novidade, Chang. Lembra quando o MinHo tomou um porre no dia que ganhamos a semifinal do campeonato e acabou falando o quanto achava Lee TaeMin incrível e que o cheiro dele era o melhor cheiro que ele já sentiu na vida? Pra dizer a verdade, o Lee nem cheira tão bem assim! É um cheiro bom, mas como de qualquer outro ômega.
— Realmente você é um idiota, sabia? — ChangMin falava rindo. — O cheiro dele é assim pro MinHo porque ele gosta do Lee e provavelmente eles são “o par perfeito” um do outro! Não é a toa que o Lee também sentia a mesma coisa!
— E como você sabe disso? — Kyuhyun perguntou curioso.
— Em algumas situações, eu tive que ir até a casa dos Lee para o meu pai e aproveitava para espionar o que eu podia por lá — ChangMin dizia orgulhoso. — Até que um dia ouvi o TaeMin e o primo conversando, e ele perguntava sobre o MinHo e contava o que sentia toda vez que sentia o cheiro dele. O primo idiota dele falou que isso era estranho já que o Lee seria um alfa e que o melhor a fazer era esquecer tudo aquilo.
— Nossa! Ele já tava caidinho pelo MinHo, então? — Kyuhyun riu.
— Pelo visto sim! Mas com toda a pressão de ser um alfa, ele acabou se concentrando nisso e se fodeu quando acabou virando um ômega. — A risada dos dois encheu o local. — Aí ele ficou fazendo a porra de um drama sem fim, e o idiota do MinHo resolveu chamar a atenção dele do jeito errado. Melhor pra mim, que só coloquei pilha e fiquei vendo o circo pegar fogo.
— Você realmente não vale nada! — Kyu riu ainda mais.
— Enfim, a história da aposta foi só pra afastar ainda mais os dois, já que o retardado do MinHo não nega uma competição. — ChangMin continuou. — O fato do TaeMin ter descoberto tudo, só me ajudou ainda mais.
— Por quê? — Kyuhyun perguntou ainda mais curioso.
— O TaeMin tá quase morrendo por causa do cio dele — Chang fazia questão de explicar ao amigo. — Parece que tudo o que ele fez pra suportar o outro sem dar pra um alfa qualquer fez com que esse cio se antecipasse e ele nem consegue andar de tanta dor. Precisa ser comido urgentemente. — A risada de ChangMin foi ainda mais alta. — E é aqui que eu entro. Na festa, depois que ele e o MinHo brigaram, e antes que você me pergunte, eu estava na casa dos Lee no sábado com o meu pai, segui o MinHo discretamente assim que ele chegou e fiquei ouvindo atrás da porta ele e o TaeMin brigarem, ele passou muito mal e seus pais ficaram desesperados. Tentaram arrumar um alfa de qualquer jeito pra ele e enquanto o pai dele fazia várias ligações, o meu pai me ofereceu pra “ajudar” o menino Lee!
— E você como um bom filho obedeceu! — Kyu explodiu em risos.
— Aceitei, mas ainda não o ajudei — ChangMin continuava falando. — Eles até que falaram pra eu ir lá ontem e resolver tudo logo, mas eu achei melhor esperar até hoje e vir pra escola, pra ver como o coitado do MinHo está e tirar um sarro da cara dele. Ainda não vou contar a grande novidade pra ele. Vai ser melhor quando ele vir o TaeMin novamente, marcado por mim, submisso às minhas vontades!
— Você vai marcá-lo mesmo? — Kyuhyun disse surpreso.
— O pai dele me pediu pra não fazer isso. Ele quer apenas que eu o ajude a passar por essa fase difícil, mas eu não vou perder a oportunidade de fazer parte do clã Lee e de pisar no alfa todo poderoso Choi MinHo — ChangMin falava orgulhoso de sua decisão. — A partir de hoje à noite, o filho mais novo do clã Lee terá um novo dono!
MinHo estava quase explodindo de tanta raiva escondido atrás do armário. JongHyun estava tendo muito trabalho para conseguir conter o amigo. Sabia que MinHo tinha toda razão e motivos pra quebrar a cara daqueles dois ali mesmo, mas ele tinha algo mais importante para fazer naquele momento.
— Eu sei que você quer ir lá e quebrar a cara deles, mas você tem que ir atrás do Tae agora. — Assim que MinHo ouviu o nome do mais novo, começou a prestar atenção nas palavras de Jong. — Só você pode fazer com que o Tae não passe por isso tudo. Ele não merece ser humilhado dessa maneira.
— O que você acha que eu posso fazer se ele nem quer ver a minha cara? — MinHo disse entredentes irritado.
— Vai pra casa do Tae agora! — JongHyun teve uma ideia. — Eu vou ligar pro KiBum e contar tudo. Tenho certeza que se tem uma pessoa que pode te ajudar nesse momento é ele. — JongHyun puxava o amigo pra fora do vestiário. — Mas pelo amor de Deus, chame-o de Key! Ou ele não vai querer te ajudar.
MinHo não sabia muito bem o que dizer ou que fazer naquele momento, mas se havia alguma chance de consertar as coisas com o TaeMin, não importava o que teria que fazer ou como faria, só importava em ter TaeMin pra si.
XXXXX
Assim que chegou à casa de TaeMin, KiBum já o esperava agitado nos portões da mansão:
— Eu devia é quebrar essa sua cara ridícula em duas, seu sapo gigante! — O loiro estapeava o maior com força. — Que ideia absurda é essa de apostar o Tae? Você por um acaso tem merda na cabeça?
— Key, para com isso, tá? — MinHo apenas se defendia. — Eu ‘tô todo errado, sei muito bem o tamanho da cagada que fiz, mas você vai me ajudar ou não?
— Key? — KiBum riu sarcasticamente. — Realmente você está desesperado, hein?
— Quando você vai parar com o deboche e me ajudar? — MinHo estava ansioso. — Eu só preciso falar com ele.
— Eu não sei se ele vai querer falar com você. Está trancando no quarto desde o sábado à noite, depois que conversou com o pai dele — o loiro explicava. — Pelo que me disseram, o dia ontem foi bem ruim, por isso já dispensaram a maior parte dos funcionários e só a minha tia ficou com ele pela manhã. Ela está bem angustiada com o que está acontecendo.
— Por favor, Key, se você quiser, eu converso com a sua tia! Mas eu tenho que falar com o Tae! — MinHo não estava aguentando esperar. — Eu vou falar com ele de qualquer jeito!
— Cruzes! Para de palhaçada que eu já disse que vou te ajudar! — Key semicerrou os olhos. — Eu não sei quem é pior: você todo agitado e suplicando desse jeito ou o Jong e a lerdeza absurda que ele tem.
— Que porra de comparação é essa, KiBum? — MinHo perguntou incrédulo.
— KiBum é o caralho! Já disse pra me chamar de Key! — KiBum apontou o dedo no rosto do maior. — Você realmente quer que eu te explique ou prefere ir ver o Tae? Ah! A minha tia não está em casa. Dei um jeito dela sair — o loiro disse com orgulho na voz.
— Onde ele está? — MinHo disse tomando a frente e abrindo a porta. — DEUS DO CÉU! — Assim que entrou na casa, o maior teve o olfato invadido por um forte e inebriante odor.
— O que foi? Por que você está empacado aí? — KiBum o empurrou pra poder passar. — Qual o problema? E que cara é essa?
— Você não está sentindo esse cheiro? — MinHo disse já andando em direção as escadas. — Como isso é bom.
— De que porra você está falando? — Key andava rápido na direção em que MinHo estava. — Toma isso. — Jogou uma chave para MinHo. — São as chaves extras do quarto do Tae. Siga em frente no corredor e vi...
— Eu sei aonde é. É só seguir o cheiro — MinHo disse, já alcançando o corredor e sumindo da visão de KiBum.
— COMO É QUE VOCÊ SABE, HEIN? — KiBum gritou. — Eu nem acabei de falar! MINHO! Ah! Que se dane, também! — O loiro saiu resmungando da casa e decidiu dar um tempo para que os dois conversassem e quem sabe se entendessem.
XXXXX
TaeMin lutava para achar uma posição confortável na cama. Desde sábado à noite, a sua situação havia piorado e muito. Assim que começara a sentir aquela dor durante a partida do campeonato, não imaginava que esta chegaria a esse ponto. E tudo graças ao idiota do MinHo.
A dor por si só já era uma coisa difícil de suportar, mas TaeMin havia percebido que ela se intensificava quando MinHo estava próximo a si.
Fora assim quando ele o pegou no colo e o levou para a enfermaria e quando MinHo tinha entrado na biblioteca. A dor aumentou de tal forma que foi preciso um esforço descomunal para que TaeMin não sucumbisse a vontade de se atirar em cima do maior e lhe implorar pra fazer com que a dor passasse.
Com uma nova pontada mais intensa no baixo ventre e aquele forte e peculiar odor ficando cada vez mais próximo e mais intenso, TaeMin percebeu que as coisas estavam para piorar:
— Por favor, Deus, não é possível! — o menor gemeu e se encolheu na cama. — Não pode ser ele aqui!
Mal acabou de pronunciar aquelas palavras, a porta do seu quarto fora aberta bruscamente. Ele nem precisou olhar para saber quem era:
— VAI EMBORA! SOME DAQUI! — TaeMin berrou.
Ignorando as palavras do menor, MinHo trancou a porta e jogou a sua bolsa em algum lugar daquele quarto. Assim que baixou seus olhos, pôde observar alguns itens peculiares espalhados pelo chão:
— Puta que pariu, Tae! — MinHo exclamou frustrado, com um tom de voz sombrio. — Você sabe que usar essas coisas não vai melhorar em nada a sua situação, não sabe? — A sua voz refletia o quanto ele estava afetado por tudo aquilo. — Qual é o problema em aceitar o que você é?
— Ser um alfa facilita as coisas, não é mesmo? — TaeMin respondeu com dificuldade. — Huuuuummm! — gemeu arrastado. — Mas isso não é mais importante! AI QUE CARALHO! QUE PORRA DE CHEIRO É ESSE QUE VOCÊ TEM? Ele faz doer ainda mais!
— Se você não fosse tão teimoso e me deixasse explicar, poderíamos nos acertar! Poderíamos tentar namo...
— CALA A PORRA DA BOCA! JÁ DISSE PRA FIC... NÃO SE APROXIME DE MIM! — TaeMin tentou mais uma vez mandar o maior embora, mas fora surpreendido com este indo em sua direção e puxando o edredom que o cobria.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? SAI DE CIMA DE MIM! — TaeMin se debatia preso pelas mãos com o maior em cima de si. Estar nu, com o membro ereto e com a sua entrada vazando o lubrificante natural característico dos ômegas só fazia a situação ficar ainda mais constrangedora para o menor.
— CALA A BOCA E OLHA PRA MIM, TAEMIN! AGORA! — MinHo gritou autoritário e TaeMin quase que involuntariamente o obedeceu. — Eu detesto usar esse tipo de coisa de alfa com você, mas se você não me deixa escolha, é assim que vai ser!
TaeMin observou atentamente o olhar do mais velho e pôde perceber como este estava mais escuro, transparecendo excitação e desejo. Ao mesmo tempo em que aquilo o amedrontava, também fazia com que o seu desejo e sua dor aumentassem.
— A aposta foi um erro, e eu me arrependo profundamente disso! — MinHo dizia sinceramente. — Mesmo podendo usar essa merda de coisa de alfa com você, eu nunca fiz isso e fiquei de longe. Mas acabei fazendo uma cagada atrás da outra e te afastando de mim cada vez mais. Queria poder voltar atrás ou consertar as coisas, mas não posso. Só que não vou deixar você ser violado por um cara como o ChangMin. Não vou deixar aquele babaca te fazer sofrer ou qualquer coisa assim só pra tirar uma com a minha cara. Por mais que eu queira você, muito mais do que uma foda, muito mais do que um cio, mesmo me custando a porra da sanidade, eu vou embora! Mas eu vou arrumar um alfa pra te ajudar!
— VOCÊ O QUE? — TaeMin perguntou chocado e incrédulo.
— Isso mesmo que você ouviu! Eu vou embora e trago alguém aqui! — MinHo estava sendo o mais sincero que podia ser. — Ele vai te ajudar a passar por esse cio, sem te marcar, é claro. E quando isso tudo passar, nós vamos conversar e tentar nos acertar.
— Olha o tamanho da idiotice que você está dizendo? — TaeMin não conseguia acreditar naquilo tudo. — Sei bem que nenhum alfa, ainda mais de uma das famílias do clã vai aceitar essa situação. Por que você aceitaria?
— Porque eu quero você independente de qualquer coisa! Se é desse jeito que eu posso te ter, eu aceito! — MinHo afrouxou o aperto nas mão de TaeMin. — O seu cheiro é bom demais! — Abaixou até o pescoço do mesmo e inspirou profundamente. — Se eu não sair daqui agora, não vou conseguir responder por mim. Eu volto em pouco tempo.
Assim que fez menção de sair de cima do menor, MinHo fora impedido pelos braços de TaeMin.
— Aonde você vai? — TaeMin disse com a voz baixa, um pouco envergonhado. — Eu ‘tô com dor! Preciso de ajuda pra fazê-la passar.
MinHo o olhou incrédulo por alguns segundos até assimilar a situação. Mas assim que a sua ficha caiu, grudou seus lábios nos do menor e iniciou um beijo cheio de luxúria e desejo.
Aquele primeiro beijo intenso e apaixonado acabou de vez com a pouca sanidade que MinHo ainda tinha. Ele queria TaeMin. Precisava tê-lo e fazê-lo seu!
As línguas de ambos exploravam a boca um do outro intensamente. Cada canto, cada pedaço era experimentado com vontade, como se não houvesse amanhã. As mãos de MinHo exploravam o corpo nu de TaeMin avidamente. Subiam e desciam pelas curvas que o menor possuía, fazendo com que o maior o desejasse ainda mais.
Quando o fôlego se fez necessário e os lábios se separaram, MinHo desceu até o pescoço do menor e começou a dar leves mordidas seguidas de suaves chupões e beijos. Fora descendo ainda mais, trilhando beijos pelo tórax alvo e intocado, chegando até o mamilo rosado e dando uma leve sugada:
— Min... HO! — TaeMin não aguentou e chegou ao seu ápice, com uma série de pequenos espasmos. — Mas... que... dro... fo... ess...? — tentou dizer, mas não conseguia ser muito coerente.
— Até que você demorou mais do que eu esperava... — MinHo disse com um sorriso no canto dos lábios. — Olha só como você ainda está tão excitado como antes? Temos um longo e prazeroso caminho pela frente, bebê.
— Ainda dói muito — TaeMin disse manhoso.
— Você está tão lubrificado, Tae — MinHo disse olhando a entrada do menor que escorria o líquido abundantemente. — Preciso sentir isso! — Enfiou o dedo médio na entrada do menor que o recebeu sem resistência.
TaeMin gemeu longa e profundamente. MinHo fez alguns movimentos de vai e vem lentamente, observando as expressões de prazer que o menor fazia. Seu membro implorava por atenção dentro de suas calças, mas MinHo sabia que se fizesse isso naquele momento, não conseguiria dar toda a atenção que precisava dar ao menor. Tudo acabaria se resumindo em se satisfazer!
— Isso é tão bom, MinHo! — TaeMin falava enquanto acariciava o seu membro que estava latejando de tão duro. — Anda logo! Eu preciso de mais do que isso!
— Pra que a pressa, Tae? — MinHo estava cada vez mais excitado com o que via. — Quero sentir o seu gosto. — E sem deixar tempo para o menor dizer alguma coisa, MinHo se colocou entre as pernas de TaeMin e lambeu a sua entrada. O menor gemia cada vez mais alto e com mais força. Com as mãos nos cabelos de MinHo, TaeMin tentava controlar a sua respiração, mas nada do que fazia parecia o ajudar.
O menor já estava começando a ter espasmos novamente, mas não conseguiu se controlar e acabou gozando ao sentir a cavidade úmida e quente engolir o seu membro completamente. MinHo tinha deixado a sua entrada e engolido o seu membro. Aquilo tinha sido a perdição de TaeMin mais uma vez, que gozou na boca do maior. MinHo engolira tudo e continuou lambendo e chupando o membro de TaeMin, que permanecia ereto apesar de tudo. Chupava a glande com vontade, ora o colocando todo na boca, ora usando a língua para lamber a cabeça rosada e pulsante.
Assim que TaeMin gozara mais uma vez em sua boca, MinHo voltou a beijá-lo intensamente, fazendo o menor provar o seu próprio gosto.
— Tae, eu não posso esperar mais! — O maior falou tirando a blusa e a calça junto com a cueca que vestia.
— Você já me enrolou demais, MinHo! — TaeMin disse alisando o abdome do mais velho. — Eu preciso de você dentro de mim. AGORA!
MinHo não esperou mais. Ajeitou o seu pesado e duro membro entre as pernas do menor e começou a encaixá-lo lentamente em sua entrada. TaeMin gemia cada vez mais alto e mais intensamente:
— MINHO! Enfi... AAAA... tu... DOOOOO de u... MA VEZ! — O menor não conseguia ser coerente. Mas mesmo assim, MinHo fez o que ele queria. De uma só vez, se colocou por completo dentro de TaeMin, que soltara o mais longo e alto gemido.
O maior permaneceu parado alguns segundos, respirando rápido e com força, tentando se controlar:
— Por favor, se mexa, Min! — Aquelas palavras foram a perdição total de MinHo. Ele começou a estocar o menor rápido e profundamente. Cada estocada fazia a temperatura já alta daquele quarto se elevar ainda mais. Os gemidos eram um só e preenchiam não só aquele quarto, mas provavelmente toda a casa.
MinHo queria mais de TaeMin. Queria senti-lo ainda mais. Saiu de dentro do menor, ouvindo um alto e claro resmungo dele, mas antes que este pudesse dizer alguma coisa, o ajeitou em seu colo e o fez sentar sobre o seu membro.
— Vamos, Tae. Quero te ver engolindo o meu pau. — E ajudou o menor a cavalgar sobre o seu membro. — TaeMin era uma completa bagunça. Mas nunca se sentira tão bem em todos esses últimos meses como estava naquele momento. Cavalgava com vontade, sendo auxiliado pelo maior, enquanto o beijava duramente e arranhava suas costas.
O maior só queria possuir TaeMin de todas as formas que pudesse e assim, segurou o menor nos braços, o beijou longamente e o colocou de quatro na cama.
— Se eu te machucar ou for demais pra você, me fala! Não sei se vou conseguir me controlar. — MinHo não queria assustar o menor.
— Só anda logo com isso! — O menor só queria que MinHo o possuísse mais e mais.
As estocadas recomeçaram fortes e rápidas. Com o cabeça do menor apoiada no travesseiro, MinHo só ia aumentando cada vez mais a velocidade, marcando as nádegas alvas do menor e fazendo com que o nó crescesse.
— TAE! — MinHo gritou enquanto as estocadas ganhavam um ritmo ainda mais rápido. — Tá sentindo isso?
— Min...Ho! — o menor gemia. — O que... é?
— É o nó se formando, Tae — MinHo o segurou pelos ombros e o abraçou sem parar de estocá-lo. — Eu quero marcá-lo, Tae! Me deixa marcá-lo, por favor!
— Anda... logo com... isso! — TaeMin virou a cabeça de lado e o beijou profundamente. — Aproveitando a posição do menor, MinHo desfez o beijo e o mordeu. A dor que o menor sentia no baixo ventre começou a se dissipar enquanto MinHo o mordia. A mordida veio junto com uma forte e demorada estocada aonde MinHo chegou ao seu ápice dentro do menor. TaeMin, por sua vez, tinha mais um orgasmo naquele momento, apoiando os braços na parede para suportar o seu peso e o de MinHo.
Cansados e exaustos, os dois caíram na cama, com MinHo em cima do menor de bruços! Ambos tentavam normalizar as respirações!
MinHo, com o resto de forças que possuía, se levantou e virou o menor para si, deitou-o em seu peito e uniu as suas mãos!
— Como você está se sentindo? — MinHo perguntou enquanto observava as mãos unidas.
— Bem! Muito bem! — TaeMin fora sincero respondendo com um pequeno riso. — E você?
— No momento, eu quero te beijar — MinHo disse e riu enquanto levantava os olhos na direção do menor.
— E você precisa me pedir depois de tudo isso que acabamos de fazer? — TaeMin fora irônico e deu língua para o maior.
MinHo deu um beijo apaixonado no menor, tentando transmitir através dele tudo o que estava sentindo naquele momento.
— Hum! Parece que alguém já despertou outra vez! — MinHo disse ao sentir o membro de TaeMin mais uma vez ereto. — Acho que a segunda rodada vai começar agora mesmo. — O menor não teve nem tempo de responder, pois teve seus lábios mais uma vez tomados por ele.
MinHo não sabia quanto tempo seria necessário para aplacar todo aquele desejo que sentia, mas sabia que faria o que fosse preciso pra poder ter TaeMin o resto da vida do seu lado.
XXXXX
— Eu não ‘tô entendendo mais merda nenhuma! — ChangMin chutava irritado uma lixeira no pátio da escola. — Tentei ir à casa daquele idiota do Lee por três dias seguidos e nem me deixaram passar do portão principal!
— Será que eles arrumaram outro alfa pra ele? — Kyu perguntou ao amigo.
— Só pode ter sido isso! MAS QUE CARALHO! — ChangMin disse irritado. — Tava tudo bom demais pra ser verdade!
— Chang, você reparou que o MinHo também sumiu por esses dias? — Kyu questionou ao amigo. — Será que eles não...?
— Você acha que eles...? — ChangMin encarou o amigo surpreso. — Olha lá! O idiota do MinHo resolveu aparecer depois de três dias. Vamos saber dessa porra agora.
— MINHO! — ChangMin chamou o maior. — O que houve com você, cara? Sumiu todos esses dias sem dar notícias. Fiquei preocupado.
— Pois não devia, cara — MinHo o respondeu com um sorriso. — Eu não poderia estar melhor.
— Como assim? — ChangMin perguntou curioso.
— Tá curioso demais, Chang! — MinHo o encarou. — Eu não lhe de... TaeMin! — MinHo olhou na direção do portão da escola e viu o menor chegando. Com os longos cabelos soltos cobertos por uma touca e fone de ouvido, TaeMin entrava cabisbaixo, como sempre fazia. Parou assim que sentiu o cheiro do maior e olhou na direção em que ele estava. Foi ao seu encontro e parou. O sorriso de canto que o maior deu só não chamou mais atenção do que ele fez em seguida, quando selou seus lábios demoradamente nos do menor.
— Senti sua falta agora de manhã — MinHo reclamou manhoso. — Não queria ter ido embora da sua casa. Do seu quarto, pra dizer a verdade.
— Acho que isso não será problema futuramente — TaeMin dizia enquanto tentava ignorar todos os olhares que recebiam. — Creio que nossos pais não vão reclamar se você ficar hospedado lá em casa por mais alguns dias. Para dizer a verdade, eu ainda estou sentindo um pouquinho de dor, sabia? — O menor fez manha também.
— Que tal a gente ir lá pra casa e aproveitar o resto da sexta no meu quarto? — MinHo sugeriu malicioso. — Eu realmente quero transar com você em todos lugares de lá.
TaeMin deu uma risada e segurou a mão do maior, virando em direção à saída da escola.
— QUE PORRA É ESSA? — ChangMin gritou com o casal, chamando a atenção dos dois. — Desde quando vocês estão juntos? Você sabia que ele apostou a sua virgindade comigo? Que você deu pra esse idiota só porque ele queria ganhar uma aposta ridícula?
TaeMin soltou a mão de MinHo, caminhou até a direção de ChangMin e deu um soco na cara dele.
— Se essa foi a aposta idiota que ele fez, adivinha? Ele venceu — TaeMin dizia, indiferente. — Ele não só tirou a minha virgindade como passou os últimos três dias me fodendo sem parar. E só pra você saber, ele fode muito bem.
MinHo apenas observava de perto a situação, não escondendo o orgulho que sentia do seu parceiro.
— Ah! E mais uma coisinha: a partir de segunda você será não só escravo dele, mas meu também! — O menor voltou até onde MinHo estava, segurou novamente a sua mão e o puxou até a saída.
— Eu realmente me apaixonei e escolhi o ômega certo — MinHo dizia entre risos. — Minha vida ao seu lado nunca será monótona.
— Você ‘tá de carro hoje? — TaeMin perguntou.
— ‘Tô sim, por quê? — MinHo perguntou, levantando a sobrancelha, curioso.
— Acho que não vai dar pra esperar chegar até em casa não! — TaeMin disse o puxando e beijando intensamente.
MinHo riu entre o beijo e se separou do menor, o puxando correndo até o estacionamento.
Apesar do início conturbado, o relacionamento dos dois cresceu com o passar dos anos. Sabiam que apesar de tudo, estavam destinados a pertencer um ao outro e mesmo que lutassem contra isso, no final, acabariam nos braços um do outro.
--
Plot enviado: #212 - Minho se vê em uma situação frustrante quando, pela primeira vez desde que se descobriu alfa, é rejeitado por um ômega. Não um simples ou qualquer ômega; mas Lee Taemin, o mais inteligente e frio ômega do colégio, que descobriu que, a princípio, Minho só foi até ele para tentar ganhar uma aposta que fez com os amigos. Contudo, mesmo com esse pequeno empecilho, Choi Minho jamais deixaria de ganhar uma aposta, mesmo que isso implicasse se apaixonar como resultado.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality✓ Free Actions
Free to watch • No registration required • HD streaming
Sinopse: Quando Jinki descobre que Minho está doente, ele não pensa duas vezes e vai até o apartamento dele, nada mais do que querendo ajudar a pessoa por quem ele é apaixonado. Como Minho irá reagir a isso?
-
Jinki parou em frente à porta; as mãos ocupadas com as sacolas de compra. Lá fora estava congelando e o casaco e o cabelo dele estava cheio de flocos de neve.
O que ele estava fazendo lá?
Quando ele tinha ligado para Kibum naquela manhã e dito que Minho tinha passado a noite passada fazendo um photoshoot ao ar livre, com aquele frio, e ido embora mais cedo do estúdio, porque estava doente e com febre, a mente de Jinki ficou em branco e o corpo se moveu automaticamente.
Sem nem mesmo perceber o que estava fazendo, Jinki, quando viu, já estava fora de casa indo para a farmácia e, então, ao pequeno mercado que ficava na esquina do prédio de Minho, comprando tudo o que era necessário - pelo menos era o que ele achava – para cuidar de uma pessoa doente.
Agora, ainda parado em frente à porta, Jinki se perguntou, pela milésima vez, se não era melhor ele ir embora. O negócio era que Jinki não era a melhor pessoa para cuidar de alguém doente. Para ser sincero, Jinki não conseguia nem cuidar de si mesmo quando estava doente, quanto mais cuidar de outra pessoa.
Mas era Minho quem estava doente. Minho. O lindo modelo que tinha olhos grandes e gentis, que tinha um dos melhores sorrisos que Jinki já tinha visto na vida, que conseguia ser sexy e depois fofo, tudo num photoshoot só. Que tinha uma voz maravilhosa que assombrava Jinki durante a noite, que tinha um corpo de dar inveja em qualquer um e caramba se Jinki não babava por aquele tanquinho.
Então, como Jinki podia não fazer nada? Como Jinki podia não querer cuidar de Minho quando ele era total e miseravelmente apaixonado pelo modelo? E, é claro, um ótimo amigo.
Yeah, era exatamente por isso que Jinki estava naquele prédio, em frente aquela porta, com o dedo pressionando a campainha e sentindo suor escorrer pelas têmporas.
Talvez ele devesse ir embora. Minho com certeza estava dormindo, já que tinha passado cinco minutos e ninguém ainda tinha aberto a porta.
“Oh, eu sou tão estúpido. Kibum me deu o código para no acaso de Minho estiver dormindo.” ele murmurou, procurando nos bolsos pelo celular e lendo a mensagem que o homem mais novo tinha mandado com o código do apartamento de Minho.
Jinki já tinha imaginado como seria a casa de Minho inúmeras vezes. Com certeza tinha móveis caros e elegantes e tudo seria limpo e bem arrumado. O que Jinki não imaginou era que seria totalmente ao contrário.
Os sapatos, caros e elegantes, estavam espalhados na entrada, e Jinki quase tropeçou em um deles quando tentou entrar, na sala tinha papeis e fotos espalhados pelo chão, e o sofá estava praticamente escondido por casacos e cachecóis.
“Ugh, ele é tão bagunceiro.” Jinki disse rindo e balançando a cabeça.
Colocando as sacolas na mesa da cozinha, Jinki tentou organizar um pouco as coisas, pegando os papeis e fotos espalhadas pelo lugar. Ele percebeu que as fotos espalhadas eram as do último photoshoot que Minho tinha feito para uma revista, fotos essas que tinham sido tiradas pelo próprio Jinki.
Sorrindo, Jinki pegou uma das fotos – a favorita dele –, uma em que Minho estava de olhos fechados, o rosto inclinado para o lado e os dedos nos lábios - a marca registrada dele. Minho usava um blazer vermelho, sem camisa por baixo, e uma calça preta perigosamente baixa mostrando os ossos salientes do quadril. Todos naquele set, incluindo Jinki, tiveram que se abanar com tamanha perfeição.
“Okay,” Jinki disse olhando ao redor, satisfeito com a ‘arrumação’ que ele tinha feito na sala. “Agora preciso achar Minho e ver como ele está.”
Foi no último quarto do corredor que Jinki achou Minho. O homem mais novo estava encolhido debaixo de um cobertor pesado e mesmo assim, Jinki pode ver que ele tremia e respirava alto, indicando que estava com febre.
Jinki colocou a mão na testa de Minho e percebeu como ele estava quente. Gotas de suor brotando da testa e escorrendo pelas têmporas. Ele precisava fazer alguma coisa para ajudar, afinal, ele estava lá exatamente para isso.
Mas o quê? De repente Jinki se encontrou com a mente em branco, totalmente vazia. Desesperado, ele fez a única coisa que sabia que iria ajudar: ligou para Kibum.
“O que é? Eu estou trabalhando!”
“Kibum, eu preciso de ajuda. Minho está com febre!”
“É claro que ele está com febre, foi por isso que ele foi embora.”
Ele praticamente podia ouvir Kibum revirando os olhos do outro lado do telefone.
“O que eu faço? Ele... Ele está suando e tremendo e... E eu não sei o que fazer.”
“Oh Deus, o que você foi fazer aí se você não sabe nem mesmo cuidar disso? Ah, quem eu quero enganar? É lógico que você não sabe. Você não sabe nem mesmo cuidar de você.”
“Oh, qual é Kibum.” ele disse levemente irritado, mesmo que Kibum tenha falado a verdade.
Kibum bufou. “Você passou na farmácia antes de ir aí, certo?”
“É claro que sim.”
“Então pegue o termômetro e coloque nele, debaixo do braço viu?!”
Ele não era estúpido, pelo amor de Deus.
“Eu sei,” ele murmurou mexendo na sacola atrás do termômetro. “E depois?”
“Enquanto você espera o termômetro mostrar a temperatura, coloque um pano úmido na testa dele, isso vai ajudar. Se a febre dele não estiver muito alta, você pode deixar ele assim por um tempo, molhando o pano de vez em quando até quando ele acordar. Mas se tiver muito alta, você vai ter que acordar ele para tocar o remédio.”
“Oh, okay, eu posso fazer isso.”
“Pelo menos, né?! Isso não é tão difícil. Você comprou mingau para ele também? Você sabe que isso ajuda.”
Então era isso que Jinki tinha esquecido. Ugh.
“Não,” ele murmurou. “Eu comprei laranja para fazer um suco e outras coisas, mas o mingau eu esqueci.”
“Como você pôde esquecer disso? Você por acaso não está pensando em cozinhar pra ele, né?! Oh Deus, além de doente, Minho vai ter uma indigestão também.”
“Hey,” ele disse ofendido. “Eu não cozinho assim tão mal.”
“Hyung, por favor, eu moro com você, eu sei muito bem o quão ruim é a sua comida. Eu já tive a infelicidade de provar.”
A sorte de Kibum era que Jinki era uma pessoa muito educada.
“Esqueça sobre isso,” ele bufou. “Só me ajude.”
“Okay, okay. Tem um lugar que entrega e o mingau deles, com certeza, é o melhor.”
Jinki assentiu, aliviado por Kibum, apesar de tudo, estar ajudando ele. “Obrigado, Kibum-ah.”
“Só não mate o Minho, okay? Eu preciso dele.”
“Eu não vou matar ele.” ele disso irritado, desligando o celular e voltando para o quarto do Minho com o termômetro nas mãos.
Ele iria cuidar de Minho, como tinha planejado, e, quem sabe, Jinki finalmente conseguisse criar coragem de se declarar para o homem mais novo. Depois de três anos trabalhando juntos, ele estava cansado de assistir de longe o homem mais lindo e perfeito que ele já tinha conhecido. Isso, porque Jinki já tinha conhecido muitos homens lindos na carreira dele.
--
Minho franziu a testa sentindo gotas escorrer pelo rosto e pescoço; gotas frias que entravam pela gola da camiseta dele, fazendo ele estremecer um pouco. Piscando os olhos abertos, ele encarou o teto do quarto e tocou o pano molhado que estava na testa dele, franzindo a testa.
Mas antes que Minho pudesse, de fato, entender o que estava acontecendo e como aquele pano foi parar na testa dele, o som alto de algo caindo fez seu coração acelerar e, rapidamente, Minho se levantou, gemendo quando os músculos doloridos protestaram.
Quem poderia estar na casa dele? Minho não se lembrava de ter pedido para alguém ir até lá e ninguém sabia que ele estava doente. Mas uma coisa era certa, não era um ladrão, afinal um ladrão não cuidaria dele antes de roubar as coisas.
Quando Minho entrou na cozinha, a primeira coisa que ele viu foi Jinki em cima de uma cadeira que estava inclinada nos dois pés da frente, balançando perigosamente, vasculhando dentro do armário da cozinha dele. Cacos do que pareciam ser uma das canecas de chá espalhados no chão, ao lado da cadeira.
Pacientemente, Minho esperou, não querendo assustar Jinki, até que o homem mais velho soltou um grito, a cadeira balançando para os lados e braços voando desesperados. Antes mesmo que ele pudesse se mover do lugar que estava, a cadeira caiu para o lado, levando Jinki, que estava segurando outra caneca na mão, para o chão.
Minho se moveu o mais rápido que podia para o lado de Jinki que estava caído no chão; a mão que segurava a caneca erguida para cima, salvando a caneca. “Hyung?”
Jinki abriu os olhos, olhando para Minho que não sabia exatamente o que fazer primeiro. “Oh, Minho-ah?”
“Você está bem?” ele perguntou tirando a caneca da mão de Jinki e colocando em cima do balcão. “Venha, eu te ajudo.”
Lentamente, Jinki se levantou, desvencilhando as pernas enroscadas da cadeira e apoiando no balcão atrás dele. Minho estava tentando respirar direito, com o nariz entupido, parecia que ele estava morrendo, mas conseguiu ajudar Jinki que sorriu envergonhado para ele.
“Me desculpe, eu... Eu acabei fazendo uma bagunça na sua cozinha e te acordando.” ele murmurou, a cabeça baixa, encarando os próprios pés.
Minho olhou ao redor da cozinha, a chaleira estava caída dentro da pia e a caixinha de chá aberta, com os saquinhos espalhados pelo balcão e, é claro, os restos da caneca no chão.
“Err, está tudo bem. Você não se machucou, né?!”
“Eu... Não, não, está tudo bem,” ele disse olhando surpreso para Minho. “Eu meio que estou acostumado.”
E isso fez Minho finalmente rir, aquela situação toda era muito engraçada para não rir, e Jinki piscou, ficando vermelho, e, minutos depois, rindo também.
“Oh hyung,” ele disse ainda rindo, o corpo dolorido protestando. “Eu estava tão preocupado.”
“Me desculpe,” ele murmurou envergonhado, deslizando o dedo pela superfície do balcão, tentando não olhar para Minho. “Eu acabei acordando você.”
“Não,” Minho balançou a cabeça, olhando agora atentamente para Jinki. “Você não me acordou. Mas o que exatamente você está fazendo aqui?”
Isso fez Jinki olhar para Minho, o rosto ainda vermelho. “Oh, eu... Hm... Kibum me disse que você estava doente. Eu só... Eu só achei que você precisava de alguém para ajudar você.”
“Então Kibum mandou você vir.”
“Não... Não, fui eu quem quis vir.”
“Por quê?”
“Oh, porque eu fiquei preocupado,” ele sussurrou, ficando vermelho novamente. “Eu queria cuidar de você.”
Oh, então era isso? Como Minho não tinha percebido isso antes?
A verdade era que Jinki sempre foi um bom amigo para Minho, desde quando eles começaram a trabalhar juntos, e eles se tornaram muito próximos com o passar do tempo. E Minho tinha que admitir que achava o homem mais velho lindo – quem não acharia? –, mas ele nunca imaginou que Jinki estava atraído por ele.
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Minho antes mesmo que ele pudesse se conter e Jinki inclinou a cabeça, curioso e surpreso com a reação dele.
“Então você queria cuidar de mim?”
“Yeah,” Jinki disse coçando o pescoço, envergonhado. “Como você está se sentindo? Oh, por um momento eu esqueci o que vim fazer aqui.”
“Eu estou bem, na verdade...”
“Eu comprei remédio antes de vim aqui,” Jinki disse interrompendo Minho e indo até a sacola que estava em cima da mesa. “Eu não sabia o que comprar, então trouxe tudo o que o farmacêutico me disse para trazer. Ele disse que primeiro que você precisava tomar esse remédio, mas como você estava com febre... Oh, a febre! Você ainda está com febre?” ele perguntou colocando a mão na testa de Minho, mordendo o lábio inferior.
“Hyung, eu estou bem, graças a você.” ele disse sorrindo para Jinki que devolveu o sorriso.
“Isso é um alivio,” ele disse balançando a cabeça e colocando um comprimido na mão de Minho. “Então tome esse remédio aqui e vá deitar, huh? Eu comprei mingau e vou levar pra você na cama.”
Minho riu e balançou a cabeça. “Eu posso comer aqui mesmo, eu não estou assim tão ruim. Foi só uma febre.”
“Não, não, você parecia bem mal quando eu cheguei aqui e é melhor você descansar mais. Eu vou... Eu vou limpar essa bagunça aqui.”
Vendo que Jinki não iria ceder, Minho assentiu e voltou para o quarto, deitando na cama e se cobrindo com o cobertor.
Quem diria que as coisas iriam ficar assim. Minho bufou, tentando não sorrir como um idiota, mas era um pouco difícil, sabendo que a pessoa por quem ele tinha uma atração, definitivamente era atraído por ele também.
E Jinki estava bem ali no apartamento dele, cuidando dele como um namorado preocupado, até mesmo tinha comprado remédios e mingau, levando pra ele na cama. Minho deveria tirar proveito disso, porque sendo franco, quando ele iria ter outra oportunidade como aquela?
Quando Minho tinha terminado o mingau e tomado o remédio que Jinki tinha comprado e insistindo para ele tomar, ele sorriu satisfeito demais consigo mesmo, com toda aquela situação. Nunca que Minho iria imaginar que ter uma febre ajudaria tanto as coisas daquele jeito.
Jinki piscou, olhando curioso para Minho. “Você está se sentindo melhor? Você precisa de mais alguma coisa, talvez um suco? Oh, Kibum disse que suco de laranja era bom. Eu comprei laranja e vou...”
Minho segurou o pulso de Jinki que parou de falar no mesmo instante, a testa franzida. “Hyung, você pode ficar quieto por um minuto?” ele disse rindo. “Eu estou bem, muito melhor do que se estivesse sozinho e eu realmente estou agradecido que você se deu ao trabalho de vir aqui só para cuidar de mim. Então, muito obrigado.”
“Oh... Você não precisa agradecer, Minho-ah. Eu estou feliz que eu pude ajudar, mesmo que eu tenha feito uma bagunça na sua cozinha.” ele disse envergonhado, fazendo Minho rir um pouco.
“Mesmo assim, hyung, eu quero te agradecer e acho que seria legal se a gente saísse talvez para ir ao cinema e depois comer alguma coisa?”
“Cinema? T-tipo um encontro?”
“Se você não se importar.” ele disse sorrindo, usando todo o charme que tinha. Não que ele precisasse, mas era adorável o jeito que Jinki estava corando naquele momento.
“Eu não me importo.” ele disse com um sorrido enorme nos lábios.
“Ótimo, eu estou livre na próxima terça-feira.”
“Terça? Hm, eu não estou livre nesse dia.”
“Quando você está livre?”
Jinki mordeu o lábio inferior, pensando. “Sexta-feira.”
“Okay, vamos na sexta então. Eu dou um jeito.”
“T-tem certeza? Você deve estar ocupado.”
“Hyung, está tudo bem,” ele disse sorrindo e finalmente soltando o pulso de Jinki. “Vamos na sexta.”
Sorrindo, Jinki olhou para as próprias mãos e Minho não podia estar mais feliz.
--
Jinki estava em frente ao cinema pulando de um pé para o outro na tentativa de esquentar o corpo um pouco, e fumaça branca escapando pelos lábios. As mãos estavam enterradas dentro dos bolsos e, a cada segundo, ele olhava para os lados, tentando achar Minho dentre as poucas pessoas que estavam andando pela rua.
“Hyung?”
Virando-se, Jinki deu de cara com Minho parado do lado dele, um sorriso lindo nos lábios. “Oh, Minho-ah, você chegou?”
“Desculpe a demora,” ele disse puxando Jinki pelo braço para dentro do cinema, onde estava quente. “Por causa da neve, o trânsito está uma loucura.”
“Não se preocupe, eu não esperei por muito tempo.” ele disse suspirando aliviado quando sentiu o calor finalmente espalhando pelo corpo dele.
A mão de Minho ainda estava no braço dele, os dedos com luva enrolados contra o casaco e Jinki mordeu o lábio para não sorrir e mostrar tão descaradamente o quão feliz ele estava por estar ali com o homem mais novo.
“Então tá bom. Agora vamos entrar? Eu comprei os ingressos online, então não precisamos enfrentar fila.”
“Oh, mas... Não vamos comprar pipoca? Quero dizer, cinema sem pipoca não é a mesma coisa.” ele disse fazendo bico.
Comprar pipoca era praticamente uma obrigação e Jinki simplesmente não podia ficar sem.
Minho riu, soltando o braço de Jinki. “É claro, a pipoca. Eu acho que hoje posso abrir uma exceção.” ele disse piscando.
Como Jinki podia ser tão estúpido! É claro que Minho não comia esse tipo de coisa, já que era um modelo e tinha uma dieta regulada e provavelmente só comia coisas saudáveis, como salada.
“Está tudo bem, a gente não precisa de pipoca,” ele disse tentando parar Minho que foi para o caixa. “Minho-ah.” ele quase choramingou, se sentindo culpado agora.
“Hyung, quando se vai ao cinema, tem que ter pipoca, certo? Vamos nos divertir hoje, okay?”
Hesitante, Jinki assentiu e ambos acabaram sentados lado a lado dentro da sala de cinema; o balde de pipoca entre eles. Todas as vezes que os dedos deles se tocavam, Jinki sentia calor se espalhando pelo corpo e o coração a bater rápido dentro do peito.
Nem em um milhão de anos Jinki iria imaginar que Minho iria chamá-lo para sair, mas, mesmo assim, ele não queria criar expectativas, mesmo que o homem mais novo não estava fazendo nada além de mandar sinais de que estava interessado. Jinki não queria fazer algo errado e acabar estragando a amizades deles.
Por isso, Jinki iria esperar Minho fazer o primeiro movimento, se é que ele faria algum.
O filme que eles estavam assistindo era um de ação, o tipo favorito de Jinki, e ele acabou ficando absorto na história e com as cenas maravilhosas de ação, esquecendo um pouco sobre aquela coisa toda de romance entre ele e Minho.
“Hyung,” Minho sussurrou no ouvido dele, fazendo Jinki se assustar e virar o rosto, quase batendo o nariz na bochecha dele que sorriu.
“O-o que foi?”
“Eu realmente quero te beijar.” ele sussurrou chegando mais perto, a respiração quente contra a bochecha de Jinki.
Graças a Deus estava escuro lá dentro, porque Jinki estava mais vermelho do que um tomate. “E-e o que está te impedindo?”
Realmente, não tinha nada impedindo, e Jinki fechou os olhos assim que sentiu os lábios macios de Minho contra os dele, a respiração ficando presa na garganta e o coração batendo ainda mais rápido.
Minho colocou a mão no rosto dele, inclinando o rosto de Jinki para o lado, para o ângulo perfeito para que o beijo fosse aprofundando, deslizando a língua pelos lábios dele que, sem pensar duas vezes, entreabriu, ofegando levemente e segurando o casaco do homem mais novo entre os dedos, puxando Minho ainda mais perto.
Os dois se afastaram e Jinki sorriu um pouco envergonhado quando Minho olhou atentamente para ele, parecendo hipnotizado enquanto corria os dedos pelo rosto dele, o dedão escovando na bochecha dele.
“M-Minho-ah, eu...”
“Você é tão lindo,” ele disse olhando intensamente para Jinki. “Que eu ainda não posso acreditar que você está aqui na minha frente.”
O quê? Aquilo era um absurdo.
“Não seja bobo,” ele disse rindo, e ganhando alguns olhares das pessoas que estavam ao redor dele. “Eu sou só um cara comum, você é que é...”
“Eu sou o homem mais feliz por saber que você também gosta de mim.”
O cérebro de Jinki naquele momento resolveu desligar e ele agiu por impulso, puxando Minho pela gola do casaco e esmagando os lábios juntos novamente, mostrando a felicidade que ele estava sentindo por ter Minho lá com ele, com os lábios.
Depois do cinema, Jinki e Minho acabaram sentados em uma mesa à beira do rio Han, as luzes coloridas da ponte brilhando sobre a superfície da água, fazendo tudo parecer tão mágico, mesmo que Jinki já tenha ido naquele restaurante antes. Mas ter a companhia de Minho fazia tudo muito melhor.
“Posso te fazer uma pergunta?” Minho perguntou tocando de leve a mão de Jinki que assentiu. “Desde quando? Desde quando você gosta de mim?”
Jinki sorriu, essa era uma pergunta fácil de responder. “Você se lembra daquele photoshoot que fizemos para uma marca de roupas no telhado de um prédio?”
Minho franziu a testa por um minuto, pensativo. “Oh, você quer dizer aquele em que eu era um andróide e tive que usar aquelas roupas loucas?”
“Esse mesmo,” ele disse rindo, lembrando do quão desconfortável Minho parecia naquelas roupas. “E então começou a chover e todo mundo correu tentando salvar o equipamento e se salvar da chuva. Nós dois nos abrigamos debaixo de um toldo por mais de uma hora e você estava tão lindo, eu simplesmente não podia parar de te olhar.”
“Sério?” Minho disse rindo sem jeito. “Eu não sabia, eu não percebi nada.”
“E você?”
Já que Minho tinha perguntado, Jinki também podia.
“O dia que você escorregou no gelo,” ele disse rindo. “Cara, pensei que meu coração iria sair pela boca quando vi você caindo, por sorte consegui te segurar na hora e naquele momento, quando senti você pressionado contra mim,” ele deu de ombros. “Eu percebi que eu gostava daquilo, gostava de ter você nos meus braços.”
Isso fez Jinki ficar vermelho de novo. Minho era muito bom com as palavras e Jinki tinha que admitir que ficava pendurado em cada palavra do que o homem mais novo dizia.
“Oh, faz tempo que gostamos um do outro e mesmo assim nunca falamos nada.”
“Né?! Mas agora que resolvemos isso, podemos aproveitar.” Minho disse pegando a mão de Jinki por cima da mesa.
“Sim, nós podemos.” ele disse sorrindo e apertando de leve a mão de Minho.
Com certeza ele iria.
--
Minho riu, satisfeito com o que estava fazendo, satisfeito em ver o quão afetado Jinki estava naquele momento, o quanto as mãos dele tremiam segurando a câmera fazendo as fotos saírem tremidas. Ele até estava ficando com um pouco de pena, mas era tão engraçado provocar o homem mais velho daquele jeito.
“Lee Jinki-ssi, por favor preste atenção.” o diretor reclamou, olhando paras as fotos no monitor.
Jinki assentiu e olhou para Minho com os olhos estreitos, fazendo o sorriso nos lábios dele morrer de repente. Estava claro que o homem mais velho estava ficando chateado e era hora de parar.
Ele murmurou um pedido de desculpas para Jinki que balançou a cabeça parecendo um pouco irritado, e isso fez Minho se sentir ainda mais culpado por provocar o namorado dele daquele jeito.
“Vamos tentar de novo, Minho-ssi.” Jinki disse tentando sorrir, mas pareceu que estava fazendo uma careta em vez.
“Sim, me desculpe.” ele murmurou posando novamente no sofá em que estava, colocando o braço sobre a cabeça e respirando fundo.
Depois que tudo estava terminado e Minho estava finalmente em roupas normais e sem maquiagem, ele achou Jinki terminando de guardar o equipamento e sorriu, passando um braço pela cintura do homem mais velho.
“Hey,” ele sussurrou no ouvido de Jinki que estremeceu. “Estava esperando por mim?”
Virando-se, Jinki estreitou os olhos, empurrando Minho para longe. “Ainda estou bravo com você. Deus, foi tão embaraçoso.”
“Hyung,” ele disse fazendo bico. “Eu não queria te envergonhar, eu só estava brincando um pouco com você. Me desculpa?”
“Não sei se você merece.”
“E se eu te levar para comer kkochi eomuk, você me perdoa?”
A sorte de Minho era que ele conhecia Jinki muito bem e sabia que depois de ficar o dia todo no estúdio sem comer, Jinki estaria morrendo de fome.
“Sorte sua que eu estou com fome.” ele murmurou, mordendo o lábio e Minho riu, passando o braço na cintura dele novamente e o puxando para mais perto.
“A minha sorte é ter você ao meu lado.”
E nesse momento, Jinki esqueceu de tudo, de onde estava e até mesmo que estava um pouco irritado com Minho. Tudo o que ele sabia era que estar nos braços do homem mais novo e saber que Minho era dele, era a melhor coisa.
“Me beije.”
Minho sorriu, se inclinando e escovando os lábios contra os dele. “Finalmente, eu estava morrendo de vontade de te beijar o dia inteiro.”
Não era preciso dizer que Jinki também estava e suspirou satisfeito quando Minho se inclinou, beijando ele ternamente e envolvendo Jinki com os braços, envolvendo Jinki com o calor do corpo e o cheiro dele, envolvendo Jinki com amor e isso era tudo o que ele precisava.
Melhor lugar para se estar.
--
Plot enviado: #276 - Jinki decide cuidar do seu amigo quando ele fica doente. Mesmo sendo a pessoa mais atrapalhada do mundo, X fica feliz por tê-lo ao seu lado.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: Em toda suas vidas, Kim Kibum e Choi Minho jamais haviam imaginado que seriam ameaçados virtualmente por um psicopata por causa de um erro bêbado estúpido. Porém, o mundo gira, o mundo é uma bola, e às vezes há males que vem para o bem.
-
Nada era melhor que uma festa sem sentido para esquecer os problemas. Não que Kim Kibum tivesse tantos problemas assim: na verdade, só queria mesmo uma desculpa para beber; não perdia a oportunidade de saborear uns bons drinks. Se bem que uma festa patrocinada por um jogador de futebol só tinha cerveja barata, mas o importante é que era álcool.
Ele já havia perdido a conta de quantos copos de batida havia ingerido, mas quando Woohyun aparece na sua frente com mais um, ele não rejeita. O gosto é horrível e, dessa vez, o doce do morango havia sido totalmente neutralizado pelo amargo da vodka que desce queimando por sua garganta, mas ele vira o copo igual.
― Jonghyun tá te procurando. ― Woohyun diz, se encostando ao seu lado na parede. Eles estavam no canto abastado da sala ao lado de uma janela, observando enquanto seus outros colegas perdiam juízo e dignidade enquanto dançavam.
― Ah, é? ― Um sorriso aparece em seu rosto bonito, e Key se empertiga todo. ― Onde você o viu?
Kibum pergunta, os olhos passando ávidos pelas pessoas amontoadas dançando. Woohyun se inclina sobre suas costas e aponta para o outro lado do cômodo onde Jonghyun estava encostado na parede com os olhos igualmente procurando por alguém, provavelmente ele.
― Pensei que figurinha repetida não completasse álbum. ― Woohyun diz quando ele lhe devolve o copo vazio e começa a tentar dar um jeito em sua aparência; um tanto difícil sem a ajuda de um espelho, mas podia apostar que estava lindo.
― Digo o mesmo pra você e o Sungkyu. ― Ele responde fazendo o amigo ficar vermelho, uma coisa bem normal quando o nome do presidente do corpo estudantil era mencionado.
― Sungkyu é meu namorado! ― Woohyun grita para ser ouvido acima do som alto. Kibum ri andando com passos decididos para o outro lado da sala.
― Ele parece que não sabe!
A questão é que Kibum deveria ter contado quantos copos de vodka misturada com sei lá o quê havia tomado. Ficar paradão encostado na parede era uma coisa, começar a se mover era outra totalmente diferente, principalmente com o nível de álcool que tinha no sangue. Ele desvia de um corpo dançante, mas não é rápido o bastante, e a criatura desajeitada bate em si, fazendo-o perder o balanço, quase indo de encontro ao chão, porém braços morenos e fortes o seguram apertado pela cintura.
― Hey, delícia, estava te procurando. ― Jonghyun sussurra contra seu ouvido, e trilha uma porção de beijos por seu pescoço. É inevitável se sentir quente no momento, com o outro o segurando tão firme e suas costas sendo pressionadas contra o peitoral definido do outro.
― Nossa, Jjong, se eu não estivesse tão bêbado, eu broxaria. Odeio quando você me chama assim. ― Kibum diz se virando no abraço e enlaçando os braços ao redor do pescoço do moreno que sorri de orelha a orelha.
― É mesmo? ― Jonghyun não lhe dá uma chance de resposta, colando seus lábios em um beijo necessitado, e Kibum ficou muito agradecido; menos conversa e muitos beijos: era disso que precisava.
•
A pior coisa de se encher a cara é o dia seguinte. Principalmente se esse dia seguinte for uma segunda-feira ensolarada e dia de aula. Maldito Son Dongwoon e sua festa em pleno domingo, jogador de futebol estúpido.
Kibum se sente um lixo, porém um lixo que se divertiu horrores no fim de semana.
― Eu vou matar o Jonghyun. ― Ele resmunga olhando seu reflexo no espelho, encarando os chupões horrorosos de vermelho em seu pescoço e clavícula. Era uma regra básica e que sempre deveria ser seguida por seus ficantes: nada de marcas.
Key chega a escola atrasado, nada muito fora do comum. Algumas pessoas o encaram nos corredores e ele sorri debochado. O adolescente tinha pensado seriamente em esconder os vergoēs em sua pele, mas de última hora resolveu não fazê-lo, já que se não era pra causar, nem sairia de casa.
― Uou, Kim Kibum! Parece que você se divertiu bastante ontem! – Woohyun diz assim que o vê. Ele caminha para o fundo da sala para o seu lugar no meio de seus dois melhores amigos.
― Parece, não é mesmo? Isso é tudo culpa do Jonghyun.
― Minha o quê? ― O moreno em questão pergunta, com resquícios de sono na fala.
― Os chupões. ― Key diz, mas o amigo franze o cenho confuso. ― Key, eu nāo fui responsável por isso não. A gente deu uns pegas na pista de dança, mas não tivemos muito tempo pra isso. ― O moreno diz apontando para as suas marcas, deixando o loiro totalmente confuso. ― Pode perguntar ao Woohyun, ele viu quando a gente se separou na festa, e eu fui socorrer o Taemin de entrar em coma alcoólico no banheiro.
Key se vira para o amigo loiro, que concorda com o que foi dito pelo outro. Kibum dá de ombros e senta assim que a porta da sala de aula é aberta e a professora de química entra no recinto. Ele provavelmente havia ficado com mais de uma pessoa na festa; ele lembrava bem de ter beijado o Jonghyun, e talvez o Jinki, mas não era do perfil do mais velho dos três ser tão agressivo. O adolescente franze o cenho, ele tinha a sensação de que havia dado o amasso, vulgo sarrada do século, com um indivíduo muito gostoso, mas o problema era que não se lembrava de nada.
Duas aulas vêm e vão e Kibum não diz uma palavra. Seu cérebro parecia que ia fritar de tanto que tentava recordar do rosto, ou pelo menos da voz do peguete misterioso. Seu celular vibra em seu bolso e ele discretamente o puxa para fora, desbloqueando a tela para ler a mensagem do Woohyun.
[Namu]'E então? Quem te fez de pirulito?’
'Eu não sei!’
[Namu]'Tem crtza? Com quem vc ficou?’
'Eu peguei o Jjong e o Onew, e não foram eles’
[Namu]'Você realmente não se lembra?’
'Porra o corpo é meu!! É claro que eu lembraria em quem me esfreguei!!’
Kibum deita a cabeça de encontro a mesa, frustrado. Não, ele não fazia ideia de quem havia lhe marcado, e não era justo. E o problema todo nem era o fato dele não se lembrar, porque essa não era a primeira vez que acontecia, o problema era que havia sido diferente, algo lhe dizia que, quem quer fosse o peguete, não merecia ser esquecido.
•
Choi Minho era o tipo de cara que fazia as garotas da escola molharem a calcinha com apenas um olhar ou um sorriso. Ele era bonito, alto, atlético, capitão do time de futebol, com ótimas notas e simpático com quem lhe convinha: ele tinha tudo o que alguém poderia querer em um namorado, mas esse alguém não era Kim Kibum. Sinceramente, ele odiava Minho com todas as suas forças. Não tinha ideia de como a antipatia havia começado. Talvez tivesse sido quando o recém-transferido Minho sentou na sua aula de teatro e roubou seu papel principal como Danny Zuko, ou foi quando um então capitão do time de futebol resolveu namorar sua amiga Sunkyung, para então terminar com ela despedaçando seu coração em pedacinhos. Existiam muitos motivos para se odiar Choi Minho e sua pose hétero.
Então, quando o infeliz senta ao seu lado na única matéria que pagam juntos, Key fica possesso.
Possesso, porque o loiro não parava de lhe lançar olhares de soslaio, vez ou outra, e quando Key olhava em sua direção, via Choi Minho olhar para o outro lado com rapidez. Isso estava lhe irritando demasiadamente.
― O que foi? ― ele pergunta depois da décima olhada do loiro.
― Nada. ― Minho dá de ombros como se não fosse nada de mais.
― Sério, se você me acha tão bonito assim que não pode parar de olhar, tira uma foto. Dura mais.
― Você se acha a última bolacha do pacote, né, Kim Kibum?
Minho pergunta, com um leve desdém na voz. Kibum respira fundo e sorri o mais brilhantemente possível.
― Eu sou.
Eles não conversam mais que isso, eles nunca faziam. Se era para Choi Minho e Kim Kibum fazerem algo juntos seria apenas uma coisa: insultar um ao outro.
Kibum dá graças a Deus quando o sinal indicando o fim da aula toca, e sai em disparada antes mesmo de o professor sair do recinto. Porém, ele não faz um caminho muito longo; seu braço é preso em um aperto e ele é virado de frente, batendo em um peitoral musculoso. Assim que seus olhos realizam que quem o segura é Choi Minho, Kibum se afasta como se tivesse medo de contrair uma doença contagiosa. E meio que estava, vai que heterossexualidade pega.
― Qual o seu problema?
― Eu só queria ter certeza, Kim Kibum. ― Minho diz, dando dois passos pra frente e, por consequência, o imprensando contra a parede. Kibum não gosta nenhum pouco de como seu coração bate acelerado.
― De quê?!
Ele pergunta e Choi Minho sorri ladino, os cabelos loiros caindo nos olhos. Por um momento, Kibum sente uma sensação de dejavu.
― Nada.
•
Kibum entra no refeitório apressado. Ele havia lembrado um pouco sobre o peguete da noite anterior e mal podia esperar para compartilhar com os amigos, apesar de ainda não ter visualizado um rosto.
― Viadas, eu me lembrei de uma coisa em relação a festa do Dongwoon. ― Key senta ao lado do Jonghyun, atraindo a atenção dos dois melhores amigos para si. ― Eu beijei uma boca maravilhosa, e foi o melhor beijo bêbado da minha vida.
Ele suspira. Só de pensar no beijo, seu coração palpitava. Toda a pegação havia sido épica, pelo menos a parte que lembrava.
― Foi a minha boquinha. ― Jonghyun diz e ele faz uma careta.
― Não, ele beijava melhor que você, Jjong, e quando a gente ficou eu estava parcialmente sóbrio.
Tudo havia acontecido depois da ideia brilhante do Onew de jogarem beer pong. Kibum tinha uma péssima pontaria e se viu tendo que virar duas canecas grandes de cerveja, que misturadas com a vodka de antes o fez fazer loucuras, e obviamente ficou impossibilitado de se controlar para não beijar bocas desconhecidas. E esse era seu único arrependimento: ele daria tudo para saber quem era o dono dos cabelos loiros e beijos gostosos.
― Então diz logo quem foi! Eu também quero beber dessa água.
Jonghyun diz, desviando de um empurrão dado pelo Woohyun que logo discorda.
― Ah, não quer não, ele não faz seu tipo. ― O loiro diz, com um meio sorriso que faz Jonghyun arregalar os olhos e logo fazer uma careta, seguido de um 'uh’ enojado.
― WOOHYUN! ― Kibum grita interrompendo seus amigos e desferindo dois tapas no braço do loiro. ― Nós não nos pegamos, né? Diz que não!
― Por quê? Tá com medo de eu ter sido a melhor boca que você beijou? Oras, eu fui seu primeiro beijo, Kibum! ― O loiro diz e se arrepende logo em seguida pelo tapa que leva nas costas. ― Isso dói! E não fui eu! Por que você acha que fui eu? Jamais trairia o meu mozão.
― Eu me lembrei de uns cabelos loiros, só conheço você de cabelos loiros além de mim.
Ele responde simplista, passando as mãos nos cabelos do amigo. A textura era diferente, não tinham sido esses cabelos que havia puxado com vigor. Kibum estava muito bêbado, e era do tipo que lembrava depois de pequenas coisas, nunca detalhes importantes.
― O Woohyun não é a única pessoa loira na escola inteira. O Onew é loiro, o Myungsoo, o Junmyeon, a Taeyeon, o Choi Minho. ― Ele faz uma careta ao ouvir o último nome da lista do Jonghyun, seus olhos vão até a mesa do idiota Minho e sua gangue hétero.
― Eca! Minha boquinha jamais chegaria perto de nenhum integrante do clube hétero.
Kibum diz enojado, ainda encarando a mesa do outro lado do refeitório, perdendo de ver seus dois amigos sorrirem cúmplices. Por um breve momento, os olhos de Choi Minho se encontram com o seu e Key sente o almoço que nem havia comido querer fazer o caminho reverso pra fora de sua boca. Ele preferiria morrer a beijar Choi Minho.
•
A vida é feita de tentativas, acertos e erros. E esses deslizes, os benditos erros, às vezes enormes escorregadas, acontecem para servir de lição para uma não repetição futura. Ou para uma aprendizagem.
A festa de Son Dongwoon iria entrar para sua lista de coisas a pisotear, esmagar, enterrar e esquecer para sempre. Veja bem, uma importante informação que não pode ser esquecida. Choi Minho é uma pessoa heterossexual e apaixonada pelo sexo oposto. Informação guardada? Então, como um cobiçado solteiro e brilhante capitão de seu time, ele foi à festa de um de seus jogadores para se divertir, comemorando a sequência de vitórias que seu time vinha tendo e, claro, como bom líder, manter um olho nos seus jogadores. Claro que a propriedade era se divertir e não servir de babá.
O problema é que, se ele tivesse sido um pouco mais ajuizado, não teria feito uma burrada tão grande e definitivamente não estaria com uma bomba chiando nas mãos, pronta para explodir.
E tudo começou por causa de sua competitividade estúpida e um desafio bêbado feito por seu arqui-inimigo.
Minho estava de boa, tomando uma cerveja gelada e assistindo Doojoon e Kikwang ganharem de Onew e Taemin num jogo simples de beer pong onde você deveria acertar uma bola de golf dentro de um copo em lugares absurdos. A questão é que Onew e Taemin nāo sabiam onde estavam se metendo porque a dupla de jogadores de futebol era ótima no jogo e brincava com frequência nos vestiários entre treinos. Então, era óbvio que ambos iriam perder e o mais novo deles teria que tomar um litro de cerveja de cabeça pra baixo, e foi exatamente o que aconteceu, acarretando uma séries de merdas seguidas. E ali começou o seu vórtice temporal particular. Se Lee Taemin nāo tivesse passado mal, o jogo talvez tivesse continuado sem ele e Kim Kibum, que escolheu aquela hora para entrar tropeçando nos próprios pés na cozinha e se juntar a eles. A primeira coisa que Minho faz ao vê-lo entrar na cozinha é tentar sair de fininho – ele e Kibum juntos sempre rendiam belas discussões, principalmente quando envolvia álcool, e Minho estava longe de estar embriagado para aguentar tal coisa. Mas ele não é rápido o bastante para competir com um bêbado aparentemente, porque Key o encurrala no balcão da pia. Ele se aproxima com um sorriso faceiro no rosto bonito e dá aquela olhada cheia de desdém para o loiro, que revira os olhos.
― Essa é uma ótima oportunidade para mostrarmos quem é melhor, uh, Choi Minho? ― Kibum diz se encostando ao seu lado no balcão. Minho ri sem vontade, balançando a cabeça em negativa.
― Passo ― ele responde se preparando para sair, mas Key o impede com a mão em seu cotovelo ― Yah, Choi, eu te desafio! ― Essa era a frase que o loiro não podia ouvir, seu ponto mais que fraquíssimo.
― Você acha que não vou ganhar de você? ― Ele pergunta se aproximando de Kibum e falando bem no seu ouvido para ser escutado no meio da gritaria adolescente.
― Acho. ― Kibum responde presunçoso, tomando o copo de sua mão e bebendo todo o conteúdo. ― Quer apostar que você não ganha? ― Ele completa.
Minho sorria largo, os dentes branquinhos dignos de um comercial da Colgate à mostra.
― E o que eu ganho em troca caso você perca? ― Os olhos de Kim Kibum eram de um castanho claro lindo, brilhantes, e que o deixava mais ainda parecido com um gato. O menor morde o lábio inferior e sorri debochado, dando de ombros.
― O que você quiser, o mesmo pra mim.
E foi ali que as coisas começaram a rolar ladeira abaixo.
-
Minho entra na escola como sempre, como se tivesse saído de um dorama, e é logo flanqueado por um grupo de garotas, para que ele obviamente não dá muita bola. Ele sorri para elas, diz um ‘Olá’, mas não é nada mais que isso: garotas que gostavam de ter a atenção do 'oppa’ a todo custo não eram seu tipo. Ele curtia umas mais difíceis. As que faziam o famoso cu doce e que o faziam trabalhar duro para tê-las. Tudo ocorre como sempre: ele assiste suas aulas da manhã, almoça no refeitório, joga um pouco de conversa fora com os amigos e vai para o campo de futebol. Ele chega cedo como sempre, então não se apressa a ir ao vestiário trocar de roupa. Ele prefere se sentar na arquibancada, escutando um pouco de música. Choi Minho queria poder esquecer por completo o que havia acontecido no fim de semana, mas era difícil, e parecia que seu cérebro estava quebrado, porque toda vez que parava pra pensar, a imagem dele imprensando Kim Kibum contra uma cama e abusando do pescoço branquinho do menor vinha a sua mente. Ele conseguia lembrar com nitidez a textura da pele em sua língua, os lábios e os gemidos manhosos. Ainda conseguia sentir os arranhões das unhas bem feitas do outro em suas costas, os puxões em seu cabelo. Minho daria tudo para esquecer e, ao mesmo tempo, daria tudo para repetir a dose.
― Minho, tudo bom? ― Um cutucão em seu ombro o traz de volta a realidade, e ele abre os olhos para encontrar Moon Yunmi em pé a sua frente, seus cabelos pretos caindo nas costas como um véu. Ele sorri, batendo o espaço ao seu lado, e ela senta tímida.
― Veio torcer por mim hoje? ― Ele pergunta se aproximando dela, que fica vermelha quando ele coloca a mão no topo de sua cabeça carinhosamente. Yunmi era fofa, e Minho mal podia ver a hora em que sairia com ela.
― Você disse que eu poderia vir, então resolvi aparecer ― ela responde baixinho. A garota era dois anos mais nova e havia lhe escolhido para ser seu primeiro amor, não ia negar.
― Eu disse. ― Minho sorri. Por trás dela, ele vê alguns dos garotos do time aparecerem. Como sempre, Doojoon, Kikwang e Dongwoon estão correndo, e logo atrás Woohyun anda com os olhos grudados no celular seguido por Hoya, Taekwoon e Junho. Ele volta sua atenção para a Yunmi, mas, antes que pudesse voltar a escutar o que ela dizia, seu celular vibra e a mensagem que ele recebe no aplicativo messenger do facebook lhe tira o ar. Choi Minho era uma pessoa simples, gostava de garotas e futebol. Porém um deslize estava prestes a destruir sua reputação.
― Você ficou pálido de repente. Tudo bem? ― Yunmi pergunta, tocando-lhe o braço, e Minho afobado guarda o telefone celular no bolso da calça cáqui. Seu coração batia feito louco e suas mãos tremiam desenfreadamente.
― E-e-eu, é. Eu tô bem, só vou… eu vou ali. ― ele sai meio que correndo, passando voado pelos colegas de time que gritam perguntando onde ia, mas ele não liga, a pessoa que estava fazendo aquilo só podia querer acabar com sua vida. Minho respira fundo e segue com passos pesados em direção ao prédio de artes da escola. Só tinha uma pessoa que podia lhe esclarecer que merda era aquela. Ele iria matar Kim Kibum.
•
A sala de desenho estava vazia, tendo suas aulas terminado há bastante tempo. Kibum gostava de ficar por ali por ser silencioso e muito mais calmo que o prédio principal da escola. No momento, ele estava editando fotos do Sungjong e Myungsoo: ambos eram ulzzangs e suas fotos faziam sucesso no Tumblr do loiro.
Seu sonho era no futuro se tornar um fotógrafo de moda, por isso usava os amigos de cobaia. Seu celular vibra notificando uma mensagem, e ele o pega esperando ser a Sunkyung ou a Amber o chamando para fazer altos nadas, mas não é o que encontra. O remetente um tal de Minkey shipper – um fake –, e o que lê o deixa perplexo.
“Se você estiver lendo isso é porque 'eu sei o que você fez na noite passada'. Não, falando sério. Eu realmente sei o que você fez na festa do Son Dongwoon. Por exemplo, eu sei que o Taemin quase entrou em como alcoólico ao tomar um litro de cerveja de cabeça pra baixo, sei que a Taeyeon e a Tiffany brigaram feio por causa de uma foto no Instagram, sei que a Hyuna pegou o Hyunseung aos beijos com o Junhyung e sei que Choi Minho e Kim Kibum tiveram o amasso de suas vidas. Você acha que é mentira? Olha seu inbox do Facebook.
Isso é só uma prévia, eu tenho em minhas mãos cinco minutos inteiros de pura sacanagem que o mundo adoraria ver (talvez não o mundo, só a comunidade estudantil da Lee Soo High), mas que não irá ser divulgado caso você que está lendo coopere comigo.
Você ainda está aí? ㅋㅋㅋㅋㅋㅋ
Então, seja bem vindo ao Minkey show!
ㅎㅎㅎㅎㅎㅎㅎㅎㅎ~~
Apertem bem os cintos e sigam as minhas instruções à risca – não vale trapacear ou tentar me enganar, a não ser que vocês queiram que o mundo saiba o quanto adoram chupar um ao outro.”
ㅋㅋㅋㅋㅋㅋㅋㅋㅋ
Kibum lê e relê a mensagem de texto incrédulo. Só podia ser uma brincadeira de mau gosto, não podia ser verdade. Porém, era sim. A prova estava bem ali, anexada com um vídeo de segundos dele e Choi Minho se beijando, e mesmo se o vídeo não estivesse ali, Kibum agora lembrava muito bem. Ele não sabe bem o que fazer, só junta suas coisas na velocidade da luz. Kibum precisava fugir dali o mais rápido possível, de preferência fugir do planeta. Ele anda rápido em direção a saída mais rápida, com o objetivo claro de chegar em casa e caçar a alma do filho da puta que ousava o chantagear, mas precisava fazer isso longe da outra parte da equação.
― YAH, KIM KIBUM! ― Seu nome é gritado a plenos pulmões, ecoando pelo corredor vazio, e Key sente todo o almoço que havia comido mais cedo fazer o caminho reverso. Ele xinga baixinho, mas não para, continua andando rápido e se fingindo de surdo em direção ao caminho oposto em que a voz vinha. Ele não a escuta uma segunda vez, porém os passos de alguém correndo para lhe alcançar são altos. Ele também corre, porém não era uma pessoa atlética.
― Foi você, não foi? E eu achando que você não lembrava de porra nenhuma! ― Minho grita o empurrando contra a parede; Kibum perde o ar com o impacto de suas costas contra a superfície de concreto. Kibum era uma pessoa destemida, mas a visão de um Choi com um metro e oitenta e músculos furioso a sua frente lhe tira toda a capacidade de ser sagaz.
― Do que você tá falando?
― Qual é, Kibum! A porra da mensagem!
― Você também recebeu?
― O quê? Vai me dizer que não foi você?
― Não ― ele responde e logo em seguida seu celular apita, avisando a chegada de mais uma mensagem. O celular de Choi Minho também parece ganhar vida, pois ele o tira do bolso. O remetente é o mesmo da mensagem anterior, um perfil fake.
“Vejo que você visualizou minha mensagem, significa que estamos na mesma página, certo? Então, você deve estar se perguntando: o que eu quero? Bom, nada mais que diversão e Minkey! Então, pombinhos vamos ao jogo e não tentem me fazer de bobo, eu sei de tudo.” O primeiro desafio é….
TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN
Minkey show To-do list 1: Tomar um café juntos e conversar! Kyaaaa~~~ (não é tão difícil assim, certo?). Não se esqueçam, eu sei de tudo.
― Mas que porra!
-
Era inacreditável: em toda sua vida, Kibum jamais havia imaginado que passaria por esse desastre, que seria ameaçado virtualmente e que teria que dividir uma mesa e conversar com Choi Minho por causa de um erro bêbado estúpido.
Minho se senta à sua frente, Key não presta muita atenção nele, mais preocupado em contar quantas pessoas conhecidas além do Jonghyun, que trabalhava no pequeno café que resolveram entrar, estavam ali agora presenciando um absurdo daqueles. Minho parece fazer o mesmo – ele olha ao redor com seus olhos expressivos, nervoso.
Jonghyun se aproxima da mesa deles. Minho se senta ereto, tomando uma pose defensiva, mas o moreno ignora, colocando um copo de cappuccino na frente do Kibum, que sorri agradecido.
― O que você vai querer? ― Jonghyun então pergunta a Minho, que murmura um ‘suco de maracujá’ baixo. Seu amigo volta a lhe encarar mais confuso do que nunca. ― O que você tá fazendo com ele?
― Depois te conto. ― ele responde ao amigo, que bufa exasperado, indo de volta ao balcão.
Os dois garotos não conversam muito depois disso, não tinham nem sobre o que falar.
O celular de ambos pisca notificando a mensagem, anexada com uma foto de um computador mostrando a página da escola e o vídeo dos dois prestes a ser postado no fórum dos alunos.
Minho se levanta rápido, olhando em todas as direções, mas logo se senta outra vez, derrotado por não encontrar nada suspeito. Kibum, por outro lado, resolve analisar com o olhar todos em posse de um celular em mãos.
― Quem você acha que pode ser? ― a voz do Minho se faz presente depois de um tempo.
― Não sei. ― Key observa uma garçonete vir com o suco do Minho. Ela também estudava na mesma escola que eles, só que dois anos abaixo. Ele a encara com olhares desconfiados, mas a garota ignora totalmente sua existência, sorrindo toda serelepe para o jogador de futebol. Ele espera ela ir embora para então voltar a falar. ― Temos que descobrir a pessoa logo, não quero um vídeo meu com você vazado por aí. Isso é ridículo, e eu nem lembro como chegamos àquela situação. Ridículo.
― Você realmente não lembra?
― Eu lembro um pouco da pegação, mas não me recordo de antes. Você se lembra?
― Não. Nem um pouco.
A conversa dos dois não sai muito do campo neutro, mas não é de um todo ruim. Kibum descobre que Minho gosta de literatura inglesa e tem um vasto conhecimento de girlgroups assim como ele. Minho também curtia musicais e escutava Lorde.
Kibum ficou impressionado, porém a hostilidade ainda estava lá. Eles se odiavam por serem total opostos e não havia como mudar isso.
•
Vejo que vocês me obedeceram direitinho. Me senti orgulhoso, porém aqueles 30 minutos que vocês passaram em silêncio foram tensos. Enfim, chegamos à segunda rodada. Estão prontos? Aí vai.
Minkey show To-do list 2: Assistir a um filme juntos no cinema. UAHHHHHH! Daebak!~~ espero q vcs se divirtam como estou me divertindo horrores sos. ㅋㅋㅋㅋㅋㅋ
― Ninguém pode saber que estamos saindo. ― Minho diz se esgueirando na pequena cabine individual que Kibum estava estudando na biblioteca. O menor suspira cansado: o outro vinha repetindo isso sempre que tinha uma oportunidade. Eles haviam conversado de verdade há dois dias e, nesse tempo, sempre que o jogador de futebol o via lhe dizia isso, quando Kibum não fugia dele.
― Não estamos saindo, Minho. Só estamos agindo feito marionetes de um lunático. Enfim, eu pedi ajuda do Jonghyun e ele me disse que tem como rastrear o endereço de IP do idiota que manda as mensagens.
Ele responde. Quem quer fosse o psicopata que estava mandando as mensagens estava absurdamente quieto. Dois dias e nem um sinal de vida, e Key estava literalmente com o coração na mão. Ele parecia um louco atualizando as redes sociais e tendo mini infartos a cada notificação em que era marcado em algo. Quem parecia estar se divertindo com isso eram seus melhores amigos: Jonghyun e Woohyun não perdiam a oportunidade de marcá-lo em coisas idiotas no Facebook ou fazer piadinhas quando viam Choi Minho.
― Isso é bom. Quando eu pegar essa pessoa, ela vai se arrepender.
Kibum revira os olhos, voltando a atenção para o livro de geografia.
― Você disse que não quer que nos vejam juntos e está aqui. O que você quer, Choi? ― Kibm só queria que ele fosse embora, porque onde o loiro estava na escola, seu fã-clube ia, e era irritante.
― Vamos ao cinema hoje. ― Minho diz. Kibum levanta os olhos de seu livro com a boca aberta em confusão. ― Sabe onde fica o Cinema Ribbon no centro da cidade? ― Kibum murmura um sim perplexo. Por que diabos Choi Minho queria ir ao cinema com ele? Ainda mais para o Cinema Ribbon, que era um lugar frequentado por pessoas que gostavam de filmes alternativos, de baixo orçamento e cult. Nāo para héteros como Minho, que era fã de blockbusters. ― Te encontro lá às sete, beleza?
― Tá, mas por quê?
― A mensagem. Você não recebeu? ― Minho pergunta e Key suspira, puxando o celular da bolsa. Realmente a mensagem estava lá. Por um momento, ele havia pensado em algo completamente diferente, mas obviamente seria impossível isso acontecer.
― Às sete, Kibum, não esquece. ― Minho diz mais uma vez e o deixa sozinho, com uma leve sensação de decepção no ar.
-
Kibum dá o ar da graça com vinte minutos de atraso, só porque ele pode. Minho está o esperando na porta do cinema, com os ingressos na mão e uma expressão de poucos amigos. Ele está bonito, com jeans azul claro, camisa polo preta e cabelos loiros em um topete.
― Você está atrasado. ― Ele resmunga, empurrando o ingresso para o menor, que o pega. Kibum lê o título do filme no papel e não pode deixar de sorrir: era seu favorito. 'Les Chansons D’amour’, um filme musical francês e xodó do Key, que o Ribbon estava reprisando naquela semana.
― Ah, adoro esse filme. ― Ele diz com um sorriso que é retribuído pelo outro.
― Bom, vamos entrar logo. Não quero correr o risco de alguém nos ver juntos.
Minho diz o puxando pelo pulso para dentro do cinema.
Eles assistem ‘As canções de amor’ na companhia de outros amantes da sétima arte e, se Key fica impressionado por Choi Minho saber todas as músicas de Alex Beaupain, não deixa transparecer. Porém, quando o loiro repete baixinho a última frase do filme junto com Louis Garrel “Ama-me menos, mas ama-me por muito tempo”, é involuntário o arrepio que lhe envolve.
-
― Por que você tem tanto medo de ser visto comigo? ― Kibum deixa escapar depois de um tempo andando em silêncio. Era uma coisa que estava curioso em saber. ― Acha que seus amiguinhos héteros vão pensar que você é viado por estar na companhia de um?
Minho não responde de imediato. Com as mãos nos bolsos, ele caminha sem pressa como se fosse dono de todo o tempo.
― Eu não tenho problema com sua sexualidade, Kibum. Se eu tivesse, Woohyun e Junho não estariam no meu time, estariam? – Ele diz por fim. Eles já estavam na rua do Kibum; sua casa era a última, não faltava muito.
― Qual o problema então?
― Você. ― Kibum franze a testa um pouco confuso. E Minho logo completa. ― Você tem uma reputação, sabia?
― Ah, isso. ― Key nunca foi de se importar com sua ‘reputação’. Na verdade, ele não dava um foda-se para o que as pessoas falavam sobre si; eram sempre mentiras, mas nunca teve forças de desmenti-las. ― Você já procurou pensar que talvez não sejam verdades o que falam de mim por aí?
Ele arrisca perguntar, olhando bem nos olhos do mais alto. Minho o encara de volta e eles passam alguns muitos segundos olhando nos olhos um do outro em uma minibatalha. Kibum é o primeiro a desviar o olhar, encarando seus tênis surrados.
― Estou começando a perceber isso agora ― ele escuta Choi Minho dizer, mas não se dá o trabalho de questionar, ou entender. Kibum se vira sem nem ao menos dizer ‘adeus’ e entra em casa. Ele estava sentindo demais e não curtindo nem um pouco.
•
Minkey show To-do list 3: Assistir a um jogo de futebol do Minho (e torcer por ele).
Essa vai especialmente para você, Kibumie. É sua hora de quebrar as amarras do preconceito quanto a esse esporte maravilhoso e se jogar viado no futebol. Te garanto: não existe nada mais emocionante que 22 homens suados correndo atrás de uma bola. Então, esteja pronto, vista seu melhor modelito e vá ser a melhor líder de torcida da Lee Soo High! :'D
― Ah, vá se foder! Meu melhor amigo joga e eu nunca vi um jogo nessa merda e terei que fazer por Choi Minho?! Me matem! ― Kibum resmunga contra o travesseiro. Ele tinha planos maravilhosos para sua noite, que consistiam em assistir RuPaul’s Drag Race e manter distância do loiro jogador de futebol. Definitivamente não tinha plano algum de ir a um jogo idiota.
A noite anterior tinha sido estranha demais, cheia de sentimentos indesejáveis. Kibum não havia nascido para gostar de Choi Minho, disso tinha certeza, ou ao menos achava que tinha. Afinal, eles se odiavam desde o primeiro dia que haviam se visto, ou assim pensava que o ódio era mútuo. A questão é que alguma coisa estava mudando e rápido demais com apenas alguns dias na companhia do outro, e por culpa de uma chantagem idiota que nem sabia por que diabos estava obedecendo. Não tinham garantia de que o filho da puta do Minkey shipper iria apagar o vídeo depois de todos os desafios feitos, ou se ao menos os desafios iriam parar. Kibum só queria chorar e voltar a ter uma vida normal.
Ele vai igual para o jogo; não tinha outra alternativa, afinal.
Kibum chega na escola faltando alguns minutos para o começo da partida e segue a massa em direção ao campo de futebol, arrastando os pés. As arquibancadas estão lotadas, mas ele consegue ver Kim Sungkyu, pseudo namorado do Woohyun, com um cartaz com o nome do amigo, e segue até ele.
― Key! Finalmente veio torcer pelo Woohyunie? ― O presidente estudantil pergunta,
― É, algo do tipo. Não sabia que você curtia futebol, Gyu.
― Não gosto. Na verdade, não faço ideia do que acontece, mas minha presença deixa o Hyun feliz, então. ― O mais velho sorri apaixonado e Key franze o cenho. Ele perturbava muito com o amigo sobre os sentimentos do Sungkyu, muitas vezes dizendo que o mais velho apenas lhe dava bola por ser irritante, mas parecia que estava errado.
O pessoal na arquibancada começa a gritar empolgado e Kibum volta sua atenção para o campo onde ambos os times se alinhavam no centro. O time da Lee Soo High com seu uniforme rosa e preto, que Kibum achava muito bonito por sinal, e o time adversário da Yang Goon School, com seu uniforme cinza e preto. Seus olhos procuram ávidos entre os jogadores de sua escola pelos cabelos loiros de seu melhor amigo e Choi Minho. Ambos estavam lindos, mas Kibum não podia negar que o Choi estava impecável e de morrer em sua pose de capitão.
― Então, qual o objetivo? ― ele pergunta ao Sungkyu assim que a bola rola em campo e os vinte e dois machos começam a correr.
― Eles têm que acertar a bola na rede adversária. ― O mais velho responde e Key volta a olhar pro campo. Nāo parecia ser tão difícil assim. Todo o primeiro tempo ele passa em silêncio, o time da escola estava levando um acocho da YG, aparentemente. Kibum aguenta firme e forte calado, batendo palma ocasionalmente junto com os outros, mas quando Minho pega a bola e avança contra o goleiro adversário fazendo um gol, ele grita para logo xingar a terceira geração da YG quando seu jogador derruba o capitão da Lee Soo.
― Isso não é errado? ― Ele pergunta a Sungkyu, mordendo o lábio inferior apreensivo. Minho estava no chão com as mãos na panturrilha esquerda enquanto os outros jogadores se amontoavam ao seu redor.
― É sim. Mas o juiz é idiota demais para dar cartão.
― YAH, CHOI MINHO! ACHO MELHOR VOCÊ LEVANTAR ESSA BUNDA DO CHÃO AGORA! ― Kibum grita a todos pulmões se fazendo ouvir por toda a extensão do gramado. ― WOOHYUN, QUEBRA A PERNA DESSE PUTO! ― ele continua, e o adolescente em questão lhe dá dois polegares pra cima. ― YAH, SUNGYEOL! ― Por fim, ele termina de gritar para o goleiro Lee Soo, por ser a única outra pessoa que conhecia de verdade no time, e volta a se sentar como se nada tivesse acontecido. De longe, ele pode ver Woohyun rindo, assim como outros garotos conhecidos do time. Choi Minho apenas o encarava com o semblante fechado – ele parecia bem melhor. O capitão levanta mancando e com a ajuda do auxiliar técnico e é tirado de campo apenas por alguns minutos para se recuperar e não segurar o jogo parado. Ele anda até a arquibancada e, por um breve momento, Kibum acha que ele vai lhe xingar até a morte, mas ele simplesmente sorri, tomando a garrafa d'água que o menor tinha na mão e tomando seu conteúdo.
― Eu vou fazer um gol pra você ― ele diz e pisca para Kibum, lhe devolvendo a garrafa e voltando para a beira do campo.
― Desde quando você e Choi Minho sāo amigos?
― Nāo somos.
Ele diz consciente demais de muitos olhares para si. Pela primeira vez na vida, Kibum se sente constrangido de algo.
― E que porra foi essa então?
Key dá de ombros, o rosto quente e as mãos tremendo involuntariamente. Ele segura a garrafa apertado contra o peito, como se fosse algo precioso, e assiste o resto do jogo vibrando junto com os outros – ou pelo menos tenta, já que seus olhos não deixam Choi Minho um único momento, tal como as borboletas em seu estômago não paravam de se alvoroçar a cada sorriso do loiro.
Quando o jogo termina, consagrando a Lee Soo High vitoriosa, Kibum vai embora sem dar chance do loiro o alcançar e ignorando totalmente o Sungkyu, que tentava lhe levar até a beirada do campo onde seu melhor amigo estava. Key só queria ir para casa e pensar melhor seus atos e sentimentos.
-
[N° desconhecido] ‘Obrigado por hoje. Sabe, por torcer por mim.’
Tava na lista
[Hétero] Mesmo assim
Foi divertido
[Hétero] Você gritando meu nome me deu flashbacks, tinha esquecido que cê é um bom vocal
visualizada há cinco minutos
[Hétero] Dsclp
Boa noite, Minho
[Hétero] Boa
•
Depois de ver Kibum no jogo, Minho sentiu uma gama de sensações estranhas e nenhuma delas explicava de fato o que estava acontecendo consigo. Ele queria de alguma forma, uma leve parte de si, queria agradecer o misterioso Minkey shipper, mas não antes de enforcá-lo até o último suspiro. Ele só sabia que era melhor se deixar levar; talvez não fosse nada importante, talvez algo bom fosse surgir de tudo isso – no mínimo, uma amizade. Não que estivesse à espera de mais que isso. De jeito nenhum.
― O que você tá fazendo?! Todo mundo tá olhando?! ― Kibum entra em pânico quando Choi Minho puxa a cadeira ao seu lado na mesa do refeitório. Verdadeiro a suas palavras, todo mundo havia parado o que fazia para olhar. O jogador então sorri para Kibum, passando o braço por seus ombros.
― E daí? Pensei que você adorasse atenção. ― ele puxa a bandeja de comida do menor para seu lado, roubando suas batatinhas.
― É, mas não fui eu que disse que não queria ninguém sabendo que estamos saindo. ― Kibum diz baixinho quando o fã clube do Minho passa por eles. Elas param por alguns segundos com expressões incrédulas no rosto ao ver o oppa em mesa inimiga, mas seguem seu caminho.
― Depois de ontem, Kibum, muita gente está cheia de teorias. E eu só estou almoçando com um amigo, certo, Woohyun?
O loiro em questão dá de ombros e sorri. Minho finge não ver Key sussurrar 'traidor’ para o outro.
― Claro.
Minho olha pra Kibum, que tem uma expressão traída no rosto dirigida ao amigo, mas suas bochechas estão com uma coloração vermelha e a linha de seus ombros estão tensas. Ele tira essa oportunidade para se aproximar mais ainda, puxa Kibum contra seu corpo e seus lábios roçam de leve na orelha do menor.
― Relaxa, Kibum. ― Ele sussurra contra o ouvido do outro e sorri satisfeito quando a cor de seu rosto e pescoço ficam em um tom escuro de vermelho.
Choi Minho não tinha ideia do que estava fazendo, mas estava adorando causar um tumulto.
•
OI CASAL MAIS LINDO DO PLANETA!!! Vocês realmente acharam que eu não iria mandar um desafiozinho hoje? Então gostaria de deixar registrado aqui que eu AMO as fotos do Kibumie. O Key tira lindas fotos e seria legal que ele variasse em seus modelos, porque nós fãs do seu blog estamos cansado de ver fotos do Myungsoo, Sungjong e Taemin sempre (pfvr não digam a eles) Então, Minho, essa é pra você.
Minkey show To-do list 4: Servir de modelo para o blog ulzzang do Kibum! Quero muitas fotos lindas, ein! <3
[Minho] O que eu preciso para as fotos?
Minho manda a mensagem pro Key e espera a resposta ansioso entre a montanha de roupas no chão de seu quarto. Desde que o desafio do Minkey shipper havia sido exposto, ele estava interessado nas fotografias do Kibum. Era bom saber mais sobre o garoto loiro, era bom ter uma visão diferenciada do outro. Minho estava fascinado; tanto que havia passado horas no tumblr do garoto.
[Meu Karma] Só veste sua melhor roupa e me encontra na cidade.
Kibum responde depois de um tempo, e ele suspira pesado, se jogando nas roupas. Não era a resposta que queria, mas era o máximo que conseguiria arrancar do Kibum.
Key está sentado em um banco de praça, aparentando uma total impaciência, e ele percebe que não foi uma boa ideia assim se atrasar; afinal de contas, intimamente, ele não queria desagradar o outro. Minho se aproxima sorrateiro; Key estava tão focado em olhar pro seu celular que não percebeu até o jogador falar em um tom alegre.
― Cheguei!!! ― Disse num sorriso largo. Kibum se sobressaltou um pouco, mas logo recuperou a compostura, encarando-o dos pés à cabeça com uma careta no rosto bonito.
― Essa é sua melhor roupa? ― Key resmunga, demonstrando o quão sem paciência estava, enquanto ajustava a mochila nos ombros.
Minho não estava nem feio na sua concepção. Sua calça jeans clara rasgada nas coxas e camisa branca eram elegantes e despojadas o bastante, além de caras.
― Foi mal pelo atraso. Então, onde vamos? ― Ele pergunta, já seguindo um Key que andava rápido entre as pessoas que haviam tirado o domingo para curtir o sol da manhã.
― Há todo um processo de iluminação que eu preciso por conta do sol, que você, atleta estúpido, nunca saberia. De qualquer forma, já estamos perdendo muito tempo. ― O menor explica e Minho percebe que estão indo em direção a um pequeno parque no meio da selva de prédios de onde moravam, a única coisa verde na cidade grande. ― Toma essa coroa de flores. Coloca na cabeça, senta no gramado e tenta parecer bonito. ― A última fala foi dita quase em um sussurro meio a contragosto, e Minho sorri largo. Ele sabia que era bonito, mas ouvir Kim Kibum dizer isso era muito melhor.
― Uma coroa de flores?
― É, Hétero. Uma coroa de flores. Flower boy sempre foi o conceito das minhas fotos. Vai dar pra trás? Isso fere todo seu orgulho heterossexual?
MinHo encara o outro por alguns segundos. De uma forma estranha, se sentia levemente ofendido pela maneira grossa e arisca que Kibum sempre falava consigo e, principalmente, odiava quando dava a entender que ele era algo próximo a um homofóbico. Em primeiro lugar, ele nunca se importou com quem era ou não gay. Em segundo lugar, sua cabeça estava muito confusa para simplesmente afirmar a própria heterossexualidade. Mas isso ele nunca admitiria para o Kibum. E muito menos para si.
Ele solta um muxoxo baixo e acaba colocando as benditas flores na cabeça assim que chegam a uma parte abastada do parque, entre grandes árvores e um campo de flores. Não achava que fosse algo que combinasse com seu estilo, mas estava bem cansado de entrar naquelas brigas sem sentidos que sempre aconteciam entre ele e o mais velho. Minho se senta sobre o gramado, logo ficando descalço ao tirar os tênis encardidos – assim que Kibum dá um chilique dizendo que o calçado não combinava no conceito –, e deixa toda a sua atenção para a câmera, tentando fazer poses que desse a ideia do tal conceito que fora lhe dito, sendo ajudado pelo próprio fotógrafo diversas vezes.
MinHo não pode deixar de perceber como era bonitinha a concentração do mais velho junto de sua câmera. A testa franzida, as diversas caretas enquanto brigava pela melhor angulação… Muitas das fotos tiradas tinham um sorriso sincero estampado no rosto: o maior se sentia feliz e até mesmo encantado demais por Kim Kibum.
E quanto ao próprio Kibum… Repetia mentalmente várias vezes na cabeça que precisava marcar um cardiologista com urgência. Seu coração não deveria estar batendo tão rápido quando tudo o que fazia era tirar fotos.
•
Uau! As fotos ficaram lindas como sempre. Eu nunca tinha reparado, mas nossa, Choi Minho, você é de tirar o fôlego! Enfim...
Eu sei que vocês devem me achar um psycho ou algo do tipo, mas eu só quero o bem. Veja só, talvez eu seja alguém bem random, ou alguém que está sempre ao lado de um de vocês, ou eu só seja bem louco. Enfim, o que estou tentando dizer é que a amizade é uma coisa bonita, principalmente quando ela supera o ódio e raiva infrutífera e assim também é o amor. Fica a dica.
Minkey show To-do list 5: Assistir ao pôr do sol na praia.
Já dizia um filósofo famoso ‘O mundo gira, o mundo é uma bola’. Bom, se não foi um filósofo, foi alguém muito inteligente e sensato. O mundo de Choi Minho havia girado, saído de seu eixo e indo girar finalmente em torno de um sol. E o pior, ou melhor, não havia decidido ainda esse sol era Kim Kibum, outro garoto. O garoto que todos falavam pelos cantos por ser ‘dado’ demais, feliz demais, gay demais. O garoto com o qual seu santo não batia e que sempre batia boca quando era votado pelo corpo estudantil para ser o próximo protagonista nas peças de teatro da escola.
Honestamente ele se via totalmente perdido. O que era pra ser um conjunto de coisas a se fazer para salvar sua reputação, havia se tornados dias que ele não queria esquecer. Nunca. Ora… Ainda gostava de uns belos e fartos pares de peitos, da curva acentuada e de uma boca com gostinho de gloss de morango. Não era como se magicamente tudo que ele tinha como mantra pessoal tivesse mudado.
Mas tinha o Kibum…
E ele realmente não entendia como isso estava lhe abalando tanto. Os risos. As caretas. Até mesmo os tapas constantes acertados em suas costas, pareciam coisas que o atleta não queria perder.
Mesmo com medo de admitir. Ele queria o Kibum próximo a si. O tempo todo.
― Uma porção de coisas pra estudar e aqui estou eu, recebendo insolação contra minha pele branquinha na praia. ― A voz que provavelmente faria Minho revirar os olhos e querer sair de perto por acreditar se tratar de futilidade, naquela vez, acendeu levemente um calor dentro de seu corpo, fazendo-o sorrir.
― Você sabe fazer alguma coisa além de reclamar, Kibum? ― O atleta pergunta risonho, afastando-se um pouco da toalha que estava estendida na areia da praia para que o menor se sentasse.
― Comer e dormir. Reclamar, comer e dormir é minha santa trindade ― Key responde prontamente, abraçando os próprios joelhos enquanto observa as ondas das praia se quebrando na beira.
― Achei que sua santa trindade seria Madonna, Britney e Lady Gaga. ― Ele diz em tom de brincadeira, mas Kibum se vira para encará-lo como se estivesse pronto para quebrar seu pescoço.
― Só porque eu sou gay, aparentemente eu tenho que gostar de todas as divas pop do planeta? Não posso gostar de Metallica ou, sei lá, Guns ‘n Rose?
― Pode, mas…
― Mas elas são sim minha santa trindade do pop mesmo. ― Key acaba rindo, fazendo o loiro rir junto. A risada do Kibum, querendo ou não, era totalmente contagiante.
― Conseguiu descobrir com o Jonghyun quem é que está mandando as mensagens? ― Minho pergunta depois de um tempo, jogando pedrinhas ao vento, levemente entediado.
― Não. Ainda não. Eu sinto muito… Espero que por estarmos fazendo tudo, o vídeo não seja divulgado e estrague sua popularidade.
― Você está me pedindo desculpas? ― A voz era totalmente surpresa e até mesmo levemente chocada. Desde quando Kibum pedia desculpas a alguém?
― Não fode, Choi. Eu imagino o quanto sua heterossexualidade deve ser intocada. Fora que você não ia aguentar o peso que é ser gay numa sociedade completamente homofóbica.
― Você sofreu muito… Digo… Quando se assumiu gay?
― Meus pais não aceitaram de cara e me expulsaram de casa. Isso foi no primeiro ano do ensino médio, e eu tive que morar um tempo com o Woohyun até eles entenderem que isso é o que eu sou e sempre serei. Já levei socos feios por estar andando de mãos dadas com outro garoto.... Além das fofocas infinitas ao meu respeito, né? Na escola, já dei pra metade da população masculina, certo? Não foi o que você ouviu por aí? Quando, se muito, namorei com uns cinco. Ser gay é difícil pra caralho, Choi. E não importa o quanto eu te odeie, eu nunca ia querer isso pra você.
O loiro fica calado, absorvendo cada palavrinha dita pelo menor. Os olhos estavam concentrados no horizonte, onde o sol preguiçosamente se escondia aos poucos, deixando o céu numa mistura de cores linda. Azul, amarelo, rosa, e até mesmo levemente verde.
― Sabe, Key, eu nunca saberei o que você passou. E talvez por isso eu seja um babaca e até mesmo preconceituoso, mas tudo isso foi por pura ignorância. Por não entender. Por ter medo do diferente. Desculpa. Desculpas por mim e por todos os caras idiotas e héteros que acham que podem falar qualquer coisa da tua vida. Você é incrível.
Kibum ri, mas não olha uma única vez na direção de Choi Minho, os olhos fixos no horizonte.
Também não soube o que falar, ele apenas… Se sentiu acolhido diante daquelas palavras. Muito, até. Estava perdido e confuso com o conjunto de sensações que lhe acometia no peito; não saberia nunca explicar o que lhe rondava a cabeça. Também não saberia explicar como sua mão havia se entrelaçado com a do outro enquanto viam o sol sumir uma vez por todas do céu.
•
É com uma dor no coração que venho lhes informar que chegamos a reta final do nosso show.
I’m like TT, Just like TT
You don’t know how I feel, So mean, so mean~~
Fico feliz de vocês terem seguido minhas instruções por causa de uma coisa tão boba quanto a reputação de ambos. Fico feliz também em saber que vocês se tornaram bons amigos… vocês se tornaram amigos, certo? certo? Eu espero. Apesar de que, como um bom Minkey shipper, eu preferiria ver vocês se pegando pelos corredores dessa escola tediosa. E sim! Eu estudo com vocês, nossa! nossa! Na verdade, estou mais próximo do que imaginam e nunca irão descobrir, estou tão próximo que sei bem que seguiram meus passos (mais uma vez segue em anexo as provas. São lindas minhas fotos, não?) Bom, depois do nosso último desafio, vocês irão receber todas as senhas das minhas nuvens e poderão fazer o que quiser com o vídeo de vocês. E prometo que não tenho mais cópias, eu juro de dedinho.
Eu estou tão triste! ㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠㅠ
Minkey show To-do list 6: Se beijem romanticamente na chuva, assim como nos filmes que o Kibum gosta!
Ele estava sentado na arquibancada do campo de futebol. As pernas esticadas rente ao corpo, desprovido da camisa que estava enrolada na mão, devido ao suor e o calor de ter corrido tantas e tantas vezes pelo gramado. De longe, conseguia fitar a mochila com todas suas coisas, mas a preguiça pós-treino falava mais alto que tudo. Deveria ir para o vestiário, tomar um banho e seguir para as coisas que tinha que fazer. Mas não, estava na arquibancada, fugindo do sol forte, pensando nas últimas coisas que lhe vinham acontecendo.
Não que fosse estranho rejeitar uma garota – ele havia feito aquilo uma porção de vezes. Mas rejeitar a pobre Yunmi, pensando em como não queria que o Kibum ficasse chateado consigo por ter ficado com outra, parecia o cúmulo do absurdo. Aquele baixinho arisco estava tomando conta dos seus pensamentos de uma maneira incontrolável, deixando o atleta totalmente louco.
Um suspiro cansado acabou escapando de seus lábios e, batucando os dígitos sobre as coxas, se perguntava o que aconteceria depois que a lista de coisas para ele e o Key fazer chegasse ao fim. Ele não queria se afastar do garoto; estranhamente, a ideia de ter que voltar a sua rotina normal sem o menor na sua vida, parecia… Triste.
― Um absurdo! Uma puta falta de absurdo! ― O jogador olha para a parte de baixo da arquibancada, vendo um Kibum enfezado e vermelho, subindo enquanto resmungava com o ar e o mundo. Não muito longe, ele via os olhares curiosos de algumas pessoas ao redor do campo e, na pista de atletismo, os dois vinham recebendo muito disso desde que começaram a se falar na frente de todos abertamente.
― Boa tarde, Kibum! ― Riu baixinho, enquanto o outro se encarregava em lhe dar o dedo do meio, acabando por fazer o sorriso se tornar uma gargalhada.
― Boa tarde pra quem, idiota? Você viu a droga que teremos que fazer dessa vez?
― Não. Meu celular está na mochila e estou exausto demais para ir atrás dela. Qual o problema dessa vez? Você vai ter que entrar em campo comigo?
Ele ria só de imaginar a cena, mas quando não foi acompanhado pelo outro, que tinha os braços cruzados contra o corpo e o pé batendo raivoso no chão, logo parou.
― Não, otário. A gente vai ter que se beijar. Beijar. Eu. Você. Beijando.
Kibum sibila entredentes e Minho sente as borboletas em seu estômago se alvoroçarem em antecipação. Sinceramente, ele não estava nem um pouco avesso à ideia; se isso fosse há alguns dias, principalmente antes da festa na qual ele havia incitado o Kibum a ficar consigo, talvez Minho fosse fazer uma expressão de nojo e morrer. Mas agora, não. Choi Minho queria isso; na realidade, ele desejava isso há muito tempo, só que antes era covarde o suficiente para não se aceitar e aceitar o Kibum.
― Me deixa ver a mensagem. ― Ele pede, esticando a mão onde o outro coloca o aparelho celular. Minho segura o sorriso que queria partir seu rosto ao meio e lê a ideia do Minkey shipper com interesse. ― É uma pena que não esteja chovendo agora. – Ele suspira, olhando para o céu ensolarado.
― É mesmo. PERA, É O QUÊ?! NÓS NÃO VAMOS FAZER ISSO, MINHO!
― Por quê? Tá com medo de se apaixonar por mim, Kibum? ― Key não responde sua pergunta e, por alguns segundos, ele se enche de esperança. Minho também não dá muita chance de o outro ter qualquer reação a nada. Ele pega Kibum pelo pulso e o arrasta consigo arquibancada abaixo em direção ao campo. Seus companheiros de time ainda estão por lá, mas todos estão saindo do local para as laterais, porque os irrigadores estavam prestes a serem ligados. Eles andam até o ponto central e Minho para com o Key a sua frente; ele coloca as mãos nos ombros do menor, segurando-o no lugar, mas, na realidade, ele estava mesmo se apoiando com medo de cair para o tanto que suas pernas tremiam.
― O que você está fazendo? Por que estamos aqui?! ― Kibum pergunta e Minho sorri.
― Espero que você tenha roupas extras na mochila. ― Ele diz e, antes que Kibum possa perguntar por quê, os irrigadores são ligados, pontuais como sempre, e Minho puxa o menor até seus corpos estarem colados. Ele espera Kibum se afastar, mas não recebe resistência, então cola seus lábios carnudos nos finos do outro em um beijo casto – apenas um selinho. Os lábios de Kibum eram exatamente como se lembrava, doces e macios como veludo, e o beijo simples evolui para um beijo de língua, as mãos o menor indo para suas costas, e Minho leva as suas para os cabelos loiros do outro.
Quem quer fosse o tal Minkey shipper, eles precisavam agradecê-lo, pois já dizia o ditado: ódio e amor andam de mãos dadas.
•
― Puta que pariu, eles estão se beijando! ― Do outro lado do campo, dois adolescentes assistiam à cena romântica boquiabertos, juntamente com uma pequena multidão que estava se formando. ― Eu achei que eles fossem arregar. ― Jonghyun diz, olhando pra Woohyun em total estado de espanto.
― Você acha que aquilo é um beijo forçado por medo de revelarmos o vídeo, ou é outra coisa? ― O loiro pergunta ao amigo, mas não precisa responder. Key e Minho se afastam e o jogador de futebol puxa o menor para um abraço, deixando um beijo nos cabelos molhados, para logo em seguida saírem andando de cabeça erguida e mãos dadas.
― Minkey é real ― Woohyun diz, sorrindo e olhando para Jonghyun, que também sorri. ― Nós somos os shippers mais sortudos da história, nosso couple é real.
Eles fazem uma dancinha ridícula da vitória, totalmente alheios a um presidente de corpo estudantil totalmente enfezado atrás de ambos. Pode-se dizer que alguém dormiu na casa do cachorrinho logo após serem estraçalhados pela ira de Kim Kibum.
--
Notas finais: Todos os agradecimentos a @Twomoons, que me aguentou chorando por causa do prazo, do tamanho ridículo dessa fic, e que me deu um caminho a seguir.
--
Plot enviado: #275 - Kibum nunca admitiria ter ficado com ele naquela festa da faculdade. Infelizmente, existia um vídeo comprometedor pra provar.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)
Sinopse: Jinki sempre fora cético, racional, e tinha namoros calculados. Não acreditava nessas bobagens de alma gêmea ou lendas urbanas bobas, até que conheceu Kim Kibum, e, de repente, sua vida estava cercada de sonhos estranhos e preocupações inesperadas.
-
Your love was handmade for somebody like me
Lee Jinki respirou fundo, apertando a mão de mais um estagiário que não seria contratado, e olhou para as outras pessoas na sala com a expressão fechada. Assim que a porta fechou, guiando o penúltimo rapaz para fora da sala, ele gemeu alto, soando irritado, e jogou as mãos para o alto.
– Eu preciso realmente fazer parte disso? – Reclamou – Não é como se Choi aqui não soubesse selecionar as pessoas; ele é chefe do Rh, pelo amor de Deus!
Choi Minho, sentado um pouco mais a frente, corou levemente de orgulho, mas logo depois sorriu para o chefe.
– Fico extremamente feliz que confie na minha capacidade de julgamento, mas ainda assim creio que esses profissionais devem ser selecionados por você, senhor.
– Viu – Taemin comentou, rolando os olhos para o irmão mais velho – Estamos tentando fazer o nosso melhor aqui, Jinki! – O mais velho notou a falta do ‘hyung’, o que indicava certa irritação do mais novo – Por favor, sabe que precisamos de sua aprovação para continuar.
– Que papel eu assino para não precisarem mais da minha aprovação?
– Por favor – Taemin ignorou o outro, sorrindo para o segurança na porta –, chame o último, pode ser?
Jinki respirou fundo, vendo o irmão sorrir para Minho enquanto conversavam baixo sobre os candidatos. Taemin era seu irmão mais novo e se envolvia com a parte administrativa da empresa tanto quando ele, herdeiro oficial da empresa. A Lee Industries tinha começado com o pai deles, um engenheiro que tinha o sonho de ver a Coreia funcionando da forma mais simples com energia natural, em uma época em que se preocupar com o ambiente não era tão bem visto; ainda assim, cavou seu lugar como uma das pioneiras a fornecer energia natural aos que se interessavam.
Assim que a empresa caiu nas mãos de Jinki, quando seu pai decidira se aposentar e morar no interior com sua mãe, ele viu uma ótima oportunidade de não só se preocupar com os recursos, mas o estilo: a Lee Industries se tornou um mix bonito de tudo que poderia englobar energia natural. A empresa tinha sua sede, o prédio mais antigo, na Coreia do Sul, ainda responsável por maior parte das descobertas e invenções, e tinha várias filiais espalhadas pelo mundo, dedicadas desde consultoria a grandes empresas para transformar seus prédios em ecologicamente corretos até grandes projetos de educação ambiental. Ele, em particular, apesar de formado em engenharia ambiental, preferia a parte administrativa da empresa. Já Taemin gostava de trabalhar a parte de supervisão interna da empresa. Então, os irmãos se completavam nesse aspecto.
– Jinki hyung? – Taemin reclamou, notando a distração do outro – Kibum-ssi vai começar.
Só então ele se virou para ver o rapaz bonito parado com uma apresentação de Power Point aberta. Ele estava usando calça jeans e blusa – já o diferenciando de todos que tentaram usar terno –, junto com o jaleco branco habitual.
– Seu nome? – O mais velho perguntou, vendo Taemin xingar baixo ao seu lado. Aparentemente isso já tinha sido dito.
– Kim Kibum – O rapaz respondeu mesmo assim, em sua voz surpreendentemente grave – Completei meu primeiro ciclo como estagiário aqui agora.
O estágio na Lee Industries era um processo diferenciado: os aspirantes começavam trabalhando por um período de 3 meses não-remunerados. Isso tinha começado quando o Sr. Lee, com uma empresa pequena, precisava de estagiários, mas não podia bancá-los. Continuou por tradição. As pessoas selecionadas recebiam apenas transporte e alimentação, ambos da própria empresa. Depois de uma apresentação para a equipe, que consistia nele (infelizmente), Taemin e Choi Minho, chefe do setor de Rh, e de um relatório detalhado do chefe do setor que a pessoa trabalhava, ela passava para o segundo ciclo, dessa vez já remunerada, porém não fixa. Depois de 3 meses, passavam novamente por uma segunda avaliação e, depois disso, poucos acabavam selecionados para trabalharem de verdade na Lee Industries. Ou da Coreia ou de qualquer filial do mundo.
– Hum, curioso para saber se vai ter salário agora, Kibum-ssi? – Jinki perguntou com um sorriso sarcástico.
– Não – O estagiário corou profundamente – Quero saber se vão gostar da minha ideia.
– Ótimo – Taemin sorriu amigavelmente – Pode apresentar, querido.
Kibum apresentou rapidamente um slide; ao contrário de muitos, não surgiu com uma criação própria, e sim com um modelo de coletor de energia eólica para casas pequenas que tinha sido abandonado há alguns meses, por ter produção extremamente cara e não ser tão facilmente rentável.
– Achei que o projeto tinha futuro com algumas alterações – explicou rapidamente, definitivamente estava nervoso – Perguntei a Chanyeol, er... Ao chefe do meu setor, e ele disse que ninguém conseguiu ter uma ideia boa para aprimorá-lo e que... Bem... – Ele olhou em volta, soando mais nervoso – Enfim, eu tive muitas ideias.
– Eu que barrei esse projeto – O Lee mais velho disse – Ninguém conseguiu me convencer a não fazê-lo. Nem mesmo seu supervisor. Ele é formado por onde mesmo? MIT? Você já é formado? – O rapaz negou – Está por qual?
– KAIST – Kibum corou ainda mais, se fosse possível – Eu... Eu...
– Estou intrigado.
Kibum assentiu e continuou a apresentação, apontando todas as falhas que encontrou no modelo anterior, algumas que a própria equipe da empresa não tinha identificado, e depois enumerou tudo que poderia ser feito não só para diminuir os custos, como para tornar o produto mais acessível ao consumidor classe média, uma dificuldade de empresa. Claramente a confiança dele foi aumentando, sua voz parou de tremer, e ele respondeu a todas as dúvidas com firmeza.
– Certo, isso foi ótimo, Kibum-ssi. Creio que todos concordam – Minho sorriu para o estagiário, apertando sua mão.
– Foi ótimo. Acho que Park te enviou por último, pois sabia que terminaria com chave de ouro – Taemin comentou, também apertando a mão do outro.
Kibum se curvou para os dois e se virou com a mão esticada para o Lee mais velho. Até então, essa situação acontecera ao final de todas as apresentações e, mesmo assim, Jinki tinha deixado a mão do estagiário no ar. Viu Taemin arregalar os olhos e se mover para ficar entre eles, porém Jinki foi mais rápido: sem entender realmente o que tomou conta de si, apertou firmemente a mão do outro.
Risos encheram o quarto. Os dedos do mais velho estavam deslizando por uma pele macia da cintura esguia, enquanto via o outro se contorcer rindo à sua frente.
– Por favor – O outro tentou, mas foi impiedoso, continuando o ataque de cócegas até que o outro ficasse sem ar em seus braços. Estava rindo junto, até que seus olhos caíram sobre o rosto do outro: olhos brilhantes de risos, rosto corado pelo esforço de tentar fugir, um sorriso brincalhão nos lábios bonitos. Foi inevitável inclinar-se sobre o corpo bonito e colar seus lábios aos do mais jovem. Um gemido surpreso quase fez com que se afastasse, mas mãos ansiosas acharam seus fios de cabelo, trazendo-o para perto. Deixou seu corpo relaxar contra o do outro, aproveitando a intimidade que seus corpos nus tinham quando estavam próximos.
– Jinki hyung?
– Jinki-ssi?
Piscou, e tudo estava de volta ao normal. Sua mão estava prendendo a de Kibum, que o fitava com olhos arregalados. Finalmente prestou atenção no rosto do outro: maçãs de bochechas altas, uma franja de fios negros cobria olhos felinos e profundos, nariz bonito do tamanho ideal para completar seu rosto. Tinha a pele macia – notava com o tato e só de perceber a pele bonita a sua frente.
– Perdão – soltou a mão, colocando as suas no bolso logo em seguida – Estava pensando sobre seu projeto. Incomum jovens estagiários aparecerem aqui com uma reformulação de algo que descartamos como prova de que podem continuar na empresa. Normalmente tentam se mostrar como pavões.
– Oh, não sei se consigo ser como um pavão – Kibum deu de ombros, olhando para Taemin com um sorriso incerto.
– Er – O Lee mais jovem assentiu lentamente – Então, está dispens-
– Está contratado – Jinki disse, seus próprios olhos pequenos jamais deixando o rosto do outro. Viu a expressão ir de educada a surpresa em segundos.
– Hum?
– Jinki, o que está fazendo? – O Lee mais novo sorriu ao estagiário e puxou o braço do irmão – Hyung!
– Não me importo – Jinki deu de ombros – Kibum-ssi está dentro. De resto, podem chamar quem quiserem, tenho mais o que fazer.
Retirou-se da sala sem olhar para trás, sem pensar na expressão absurdamente confusa de Kim Kibum segurando sua mão, ou nesse devaneio louco que tivera. Sentia os próprios dedos formigarem quase como se estivera ali. Quase como se fora ele, mas não lembrava de nada parecido com aquilo. Será que em algum momento tinha bebido a ponto de simplesmente não lembrar algo assim?
Mas com certeza lembraria. Sentiu o coração aquecer ao lembrar-se do riso; não teria como deixar aquele momento em específico escapar de sua corrente de memórias. Enfim, não tinha como deixar sua vida parar por nada assim, era importante que focasse em seu trabalho. Tinha reuniões e não poderia ficar pensando em bobagens como aquelas.
Kibum estava sentado na beirada de uma janela que não conhecia. Pés para fora, braços abertos. Jinki correu para ele assim que o viu, envolvendo a cintura esguia com seus braços e puxando-o para perto.
– Você quer me matar do coração?
Não foi Kibum quem o fitou de volta.
O grito ecoou pela sala. Jinki sentou-se com a respiração acelerada e olhando em volta no próprio apartamento vazio. Tinha uma varanda que ficava logo à frente do sofá, a porta aberta deixando uma brisa fria entrar. Calmamente, foi até a cozinha, pegou um copo de água e seus pensamentos foram para o estagiário de mais cedo. Qual mesmo o nome dele?
Kim Kibum.
Não sabia exatamente o que estava acontecendo e não se importava. Talvez o outro fosse realmente bonito o bastante para causar uma impressão nele; definitivamente era o tipo de homem por que Jinki normalmente iria se interessar, caso não fosse funcionário da Lee Industries. Pegou alguns contratos para analisar e não percebeu que, no canto de um papel de anotações, desenhou exatamente o mesmo protótipo que Kibum tinha apresentado mais cedo.
Handmade
– Gosto quando você acha um tempo para os meros mortais – Jonghyun comentou quando Jinki entrou em sua própria sala uma semana depois.
Lee deu de ombros, levando uma mão à testa. Queria correr os dedos por seus fios de cabelo, mas eles estavam cuidadosamente arrumados, e tinha reunião no primeiro horário – ou achava que tinha.
– Jong? E hoje?
– Oh, nenhuma explicação sobre o motivo de você ter me largado desmarcando um dia inteiro de compromissos do nada ontem? Ok, consigo viver com isso – O outro reclamou – Visita com dois investidores chineses com tour pela fábrica.
Kim Jonghyun era seu secretário pessoal há, pelo menos, 5 anos. Atualmente os dois já nutriam uma boa amizade que permitia esse tipo questionamento e cobrança, mas mesmo assim Jinki não conseguia explicar para o outro que tinha faltado, pois há 5 noites não dormia direito e precisou apelar a remédios fortes. Acontece que ficar sem dormir para Lee Jinki era praticamente modus operandi, mas algo agora era diferente. Não ficava acordado com o nariz preso em contratos, mas sim tendo sonhos estranhos e pensando no estagiário que nem deveria mais se importar com ele, além do fato de que era CEO na empresa em que trabalhava. Mas mesmo assim aqueles olhos felinos o perseguiam dia e noite.
– A vida tem dessas. Quando eles chegarem, me avise. E depois?
– Reunião naquele restaurante que você adora, mas para café da manhã.
– Obrigado, Jong.
O rapaz abaixou o tablet no qual conferia a agenda do outro e o fitou diretamente, com uma expressão preocupada.
– Em todos os meus anos trabalhando aqui, a única vez em que você faltou foi quando seu pai precisou ser internado no hospital. Algo errado?
– Estresse, Jong, só isso.
O outro pareceu considerar um pouco e então sorriu, parecendo incrédulo.
– Você está sempre estressado. Mas enfim, se não quer me dizer, vou te deixar sozinho agora.
Não ouviu nem ao menos a porta abrir e fechar. Um dia longe da sua sala já parecia uma eternidade. Até mesmo quando viajava, acabava vendo aquela sala em conferencias de vídeo com Jonghyun ou Taemin – raramente ficava longe do local. Era simples: uma enorme janela que poderia ficar completamente escura, se quisesse, mas agora mostrava a paisagem de fora; uma mesa, cadeira e um sofá posicionado ao canto, na frente de uma mesa de centro. Esperou a hora da reunião, tentando se concentrar em alguns contratos, e teve que se concentrar extremamente para falar o chinês que estava tão acostumado há tanto tempo já. Como sempre, levou os investidores apenas para os laboratórios mais interessantes, normalmente os que envolviam ou muitas contas nos quadros, ou testes físicos, mas notou seus pés fazendo o caminho involuntário para um setor que mostrava pouco.
A empresa era completamente dividida em vários mini-setores de grandes departamentos, e agora estava se dirigindo ao setor C do departamento de desenvolvimento, quando normalmente só mostraria o A.
Seus olhos caíram na figura de Kibum assim que entrou na sala. O rapaz estava concentrado em alguma coisa na mesa, usava óculos, redondos, e-
– Jinki-ssi? – Park Chanyeol se curvou, parecendo pego de surpresa.
– Olá, Park-ssi, como está? – Jinki sorriu para ele. Gostava de Park Chanyeol, o setor dele era o terceiro melhor do departamento, mas ele era um dos melhores supervisores, comprometido, logo passaria para o B – Pode nos explicar o que estamos fazendo hoje? Em chinês?
– Claro – Park disse em um chinês claramente enferrujado, porém entendível – Estamos desenvolvendo melhor aquela ideia do conversor de energia eólica caseiro, aprimorando os cálculos que o Kibum-ssi fez, já que Jinki-ssi nos disse para focarmos nesse projeto.
– Pode explicar os processos passo a passo?
Assim que Park Chanyeol se distraiu mostrando aos investidores exatamente o que seria aquele equipamento, Jinki tomou a liberdade de se distanciar, já conhecendo aquela explicação, e indo parar diante da mesa de Kim. Outras pessoas trabalhavam em alguma parte do projeto, mas o posicionamento da mesa de Kibum tão próxima a do supervisor demonstrava que os dois estavam diretamente envolvidos nas partes do projeto.
– Parece concentrado.
O rapaz tomou um óbvio susto, olhou para cima em velocidade recorde e então deixou o lápis que usava cair na mesa e se curvou.
– Perdão, Lee-ssi, não te vi entrar aqui.
– Jinki.
– Oi? – Ele o fitou, os olhos levemente arregalados.
– Gosto que me chamem de Jinki. Lee parece meu pai – Explicou com uma calma incomum – Vejo que estão continuando o projeto que você apresentou.
O rosto do outro adquiriu um tom avermelhado quase orgulhoso quando ele assentiu, um sorriso discreto em seus lábios.
– Obrigado, Jinki-ssi! Fiquei muito feliz de poder continuar nele.
– Foi uma boa apresentação, uma ótima ideia – deu de ombros – Agradeça a si mesmo.
Jinki gostou quando o sorriso do outro realmente se abriu – era maravilhoso. Genuíno como há muito não sorriam para Lee. Ele vivia no mundo de investidores e pessoas ricas, estava habituado a sorrisos falsos e pessoas que só se importariam com ele enquanto mantivesse o mesmo status. Kibum levou os dedos para arrumar os óculos no lugar, e seu jaleco correu um pouco, revelando algo muito roxo no pulso do outro. Intrigado, Jinki esticou a mão para segurar, perto do cotovelo do outro, e ver melhor.
Dedos longos seguravam os seus enquanto corriam pela praia. Os risos eram divertidos, não se importavam se estavam na água ou não, molharam os sapatos com tênis. Mas estava valendo a diversão. O dia não estava aberto, nuvens densas cobriam o céu, e a água estava gelada. Nenhum dos dois tinha casaco. Ninguém precisava de um, podiam se proteger da chuva e do frio no braço dos outros, como sempre faziam. Era para aquilo que tinham braços, afinal de contas.
– Jinki-ssi?
Lee recuperou-se rápido, a tempo de perceber os olhos arregalados do outro e como seus dedos estavam segurando firmemente o braço do rapaz, expondo ainda mais o pulso arroxeado.
– Está tudo bem? – Perguntou imediatamente, afrouxando um pouco o aperto da mão e tentando trazer o machucado para mais perto, para ver melhor, porém o outro puxou o braço com certa violência.
– Sim – A expressão séria e reservada não combinava com o rosto bonito do outro, decidiu.
– Não parece.
– Eu malho – explicou um pouco rápido demais – Machuquei o pulso tentando pegar um peso que achei que conseguia, mas era muito pesado.
– Coloque gelo – Jinki assentiu, decidindo aceitar a história – Aqui na enfermaria tem tiras de gelo que servem para essa situação, já que é comum as pessoas do carregamento se machucarem assim.
Kibum assentiu lentamente, segurando o pulso ainda firmemente contra o próprio peito, e seus óculos escorregaram um pouco pela ponte do nariz.
– Não usava óculos na apresentação – O CEO comentou, olhos presos ao pulso do outro ainda.
– Oh, achei que ficava mais... Menos – deu de ombros – Não sei, me aconselharam a não usar. Pareço mais novo com ele.
Jinki negou suavemente, percebendo com o canto dos olhos que Park estava acabando com a dupla e que logo teria que continuar trabalhando.
– Não acho, fica parecendo mais... – Piscou, notando a falta de palavras por um segundo, até que escapou por seus lábios – Bonito.
Kim piscou algumas vezes, surpreso, mas não parecia exatamente irritado. Jinki balançou a cabeça: era extremamente inapropriado se comportar assim com um funcionário. Sabia que não era sua intenção, mas soaria quase como se tivesse se aproveitando da sua situação para chamar a atenção de um estagiário.
– Encaixa bem com seu formato de rosto, digo – continuou, sentindo seu rosto queimar um pouco, como não acontecia há anos.
– Sim – Kibum disse lentamente, sorrindo um pouco sem graça – Obrigado.
– Talvez eu tivesse te levado mais a sério com os óculos, digo – continuou, até que reconheceu que era hora de abandonar aquele assunto. – Eu-
– Jinki-ssi? – Park perguntou, em coreano – Acho que é isso. Quer que o Kibum fale algo?
Jinki não comentou a falta de qualquer tipo de pronome; afinal, ele mesmo mandava as pessoas pararem de falar, às vezes, então apenas negou. Queria mandar Park continuar com a visita e ficar ali conhecendo mais aquele rapaz, não entendia exatamente como poderia ter tanto interesse assim por alguém que conhecia pouco; mesmo que o físico fosse atrativo, era incomum se apegar tanto a funcionários. Existiam tantos outros homens que poderia achar bonitos e que não iriam processar a empresa por assédio sexual caso tentasse flertar com eles. Qual o problema com Kibum?
– Tudo bem, chinês é complicado e não sei-
– Espero que tenham gostado do projeto – Kibum falou em um chinês perfeito quando os investidores se aproximaram – Estamos dando nosso melhor para que fique tudo perfeito.
Enquanto o CEO tentava esconder sua clara surpresa, ouviu Park rindo ao fundo e percebeu que os investidores estavam parecendo bem satisfeitos com esse acontecimento.
– Consegui perceber isso – um deles disse, olhando Kim curiosamente – Tem quantos anos?
– 23.
– Jovem – replicou, mas sorriu – Uma arma que você achou. Se com essa idade ele tem dias assim... – o chinês disse para Jinki e então olhou novamente para Kim – KAIST?
– Sim, senhor.
– Bom, faça uma especialização logo, criança – ele comentou.
Todos foram se dirigindo para a saída da sala, mas Lee se viu obrigado a olhar o estagiário mais uma vez, sabendo que teria poucas outras oportunidades.
– Bom chinês.
– Obrigado, Jinki-ssi! – E se curvou.
Handmade
– Você tem sonhos estranhos?
A pergunta pareceu pegar Lee Taemin de surpresa, fazendo-o fitar o irmão mais velho com a testa franzida.
– Estranhos? Quer dizer, pesadelos, algo assim?
– Não, só estranhos – Jinki recostou na cadeira, levando as mãos para cobrir o rosto – Quase como lembranças, mas que não lembra exatamente de ter vivido.
O irmão mais novo deixou o tablet descansar em seu colo, fitando o outro com uma expressão séria.
– Eu não – sorriu delicadamente – Mas, me diga, esses... Sonhos acontecem só quando você está dormindo?
– Não. Minha mente está sempre vagando para esses sonhos. É só eu parar um pouco... Sabe? Quando sua mente fica vagando por ideias, até que chega a momentos que não viveu, e então você se percebe sonhando acordado?
– Sonhar acordado acontece comigo – ele sorriu um pouco –, mas não são estranhos.
Jinki levantou-se, parecendo frustrado e começou a dar passos pelo cômodo. Estavam no apartamento do mais novo, esperando a chegada de seus ternos para se trocarem e irem direto para um evento na empresa. Era bem menos formal do que estava acostumado, mas costumavam fazer festas para os funcionários quando atingiam as metas do mês, e era uma das coisas que fazia com que todos fossem focados durante todo o período. A verdade era que Jinki facilmente passaria a oportunidade de ir, mas Taemin insistia. Dizia que era importante que fosse envolvido no dia a dia da empresa, além de apenas trabalhar administrando planilhas e fazendo reuniões com pessoas que veria só uma vez.
– Não sei se estranho foi a palavra certa... Estranho para mim. É quase uma fixação bizarra.
– Devo ficar preocupado?
– Eu nunca tive sonhos românticos – Jinki falou friamente – Nunca mesmo. Meus sonhos sempre foram pesadelos ou focados em dinheiro.
– E agora você tem? – Existia um sorriso ameaçando se mostrar nos lábios do mais novo.
– Aparentemente. Eu não sei o que tem de errado comigo.
Lee deixou o tablet na cadeira quando se levantou e foi até seu irmão, tocando-o suavemente no braço.
– Eu sei o que tem de certo – Taemin disse, olhos intensos demonstrando tanta verdade – Não sei o que está sonhando, mas sei que sempre tive medo que terminasse sozinho. Que todos, inclusive eu, achássemos alguém, e você fosse se separando cada vez mais e deixando sua vida ser definida em encontros rápidos e sentimentos vazios. Estou feliz que não vá ser assim. Estou feliz que agora, mesmo que depois de tanto tempo me preocupando, esses sonhos tenham finalmente chegado.
– Tae-
As batidas na porta interoperam a linha de raciocínio do irmão mais velho, mas não do mais novo, que antes de se encaminhar para abrir a porta, deu um abraço caloroso no outro.
Handmade
A festa estava tão chata quanto sempre foi, até os olhos de Jinki acharem Kibum na multidão. O rapaz estava sentado com algumas pessoas, incluindo Park Chanyeol, o que fez com que Jinki acreditasse que aquela era a mesa dos engenheiros. Kim parecia um pouco deslocado, mesmo obviamente conhecendo bem a todos da mesa – ele olhava para os lados e para o relógio constantemente. O prato intocado a sua frente também era incomum, não dele, mas dessas festas. Sempre faziam questão de ter comida especial, preparadas por grandes chefs, que nem sempre pessoas com um salário comum teria chance de experimentar.
Ao seu lado, na mesa que tinha ele, Taemin, Jonghyun, Minho e todas as pessoas da parte mais alta da hierarquia de administração da empresa, a conversa acontecia de forma animada, como quase sempre, e ele sentiu-se descolado, como nem sempre acontecia; afinal, aqueles eram seus amigos. Mesmo que não fosse o melhor amigo que alguém poderia ter, aqueles continuavam ali.
– Certo, Jinki?
Ele desgrudou os olhos de Kibum para fitar os outros da mesa quando ouviu seu nome.
– Certo.
Todos riram, e ele não entendeu o motivo. Franziu a testa e fitou Taemin em busca de respostas, mas esse apenas balançou a cabeça com uma expressão suave em seus olhos.
– Meu irmão anda distraído, gente, podem perdoar.
– Ele faltou um dia desses – Jonghyun comentou – Incomum. Tudo certo, chefe?
Seu secretário usou o apelido de forma brincalhona, mas conseguia ver a real preocupação refletida em seu rosto.
– Tudo ótimo – O Lee mais novo respondeu antes que o mais velho tivesse a chance – Ele anda distraído com alguns sonhos – piscou para ele – Acontece.
– Lee Jinki distraído com sonhos? – Minho riu um pouco – Acho que incomum é a palavra da noite.
– Lee Jinki apreciaria se vocês não falassem como se ele não estivesse aqui – o CEO comentou, rendendo algumas risadas – Estava apenas observando os novos estagiários.
– Oh, incomum é realmente a palavra da noite – Taemin disse, agora com a testa franzida – Já quer demitir alguém? Só passou duas semanas, Jinki, pelo amor de Deus.
– Não, eu não – Jinki se virou a tempo de ver Kibum levantar da mesa – Preciso ir ao banheiro – falou rapidamente – Podem falar de mim agora.
E saiu da mesa sem maiores explicações. Foi passando pelas pessoas e ouvindo os murmúrios, todos achando estranho o chefe saindo de sua mesa habitual; afinal, Lee não fazia questão nenhuma de sair “fazendo o social”, como seu irmão dizia (e fazia). Costumava chegar, sentar a sua mesa, e depois de duas horas achar uma desculpa para ir embora.
Mas não daquela vez.
Naquela noite, ele estava dando passos rápidos pelo corredor até encontrar Kibum parado em um deles, sozinho, o celular firmemente pressionado contra o seu rosto.
– Eu já disse: é uma confraternização da empresa – Ouviu-o dizer, soando cansado. – Não tem ninguém aqui fora meus colegas. Você é louco – respirou fundo – Eu já te pedi para sair daí. Não, eu já disse não – o rapaz se virou de frente para a parede, encostando sua testa nela – Eu não vou voltar, então. Dane-se, eu durmo na rua. – Respirou fundo – Como você entrou aí? Eu troquei a fechadura!
Jinki deveria se sentir culpado e sair – fofoca era dificilmente algo que fazia –, mas deu alguns passos para trás, visando voltar um pouco e se esconder na virada de um corredor para o outro.
– Eu te vi, Jinki-ssi – Kibum falou, alto, a testa ainda pressionada contra a parede – Não precisa mudar seu caminho, já estou saindo. Desculpa se precisou ouvir isso.
O rapaz se afastou da parede, claramente forçando um sorriso, mesmo que seus olhos estivessem imensamente tristes. Jinki deveria deixá-lo em paz e ir embora dali. Voltar para sua mesa e aguentar mais algumas horas daquela festa chata. Aquilo definitivamente não era um assunto profissional e não cabia a ele se preocupar.
– Com quem estava falando? – Perguntou e mentalmente bateu em si mesmo.
Kim também parecia pego de surpresa pela pergunta: seus olhos felinos arregalaram um pouco e depois vagaram por algum ponto atrás do CEO. Provavelmente procurando alguma forma de escapar. Claramente essa atitude soava tudo menos amigável, talvez ainda parecesse que o mais velho estava se enfiando em assuntos que não eram seus... O que realmente era o que ele estava fazendo.
Por um segundo, desejou que fossem seus assuntos também, mas nunca admitiria em voz alta.
– Ninguém – ele respondeu, finalmente.
– Ninguém estava na sua casa – Lee disse, assentindo lentamente – E você não o queria lá.
– Eu vou... Ah, creio que não se interessa pelo o que farei, certo? Tem muito mais problemas para pensar que seu estagiário tendo briguinhas no telefone, perdão ficar no seu caminho.
Kibum estava fazendo o caminho para sair, quando Lee o impediu com um braço bloqueando o caminho. Sua mão não tocava a parede, o outro podia facilmente dar a volta e continuar saindo, caso quisesse, e se o fizesse Lee não iria tentar segurá-lo. Mas, ao invés disso, o estagiário lhe fitou diretamente nos olhos agora. Estavam mais próximos, conseguia sentir o perfume de lírios que o cabelo do outro tinha, e quase se aproximou mais e enterrou o nariz nos fios negros.
– Jinki-ssi?
– Seu pulso está melhor? – Murmurou.
Isso fez o outro se surpreender mais uma vez, e então uma sombra de sorriso apareceu nos lábios bem desenhados.
– Está sim, obrigado por perguntar, Jinki-ssi!
– Não vá para casa se tem alguém lá que não deseja encontrar – murmurou – Pode dormir comigo.
Jinki só percebeu o quão errada a conotação de sua frase tinha sido assim que ela saiu de seus lábios, e o rosto do outro assumiu um tom de vermelho profundo, enquanto uma chama quase furiosa aparecia em seu olhar.
– Não! – Exclamou imediatamente – Não literalmente dormir comigo, digo, tenho um apartamento enorme, quatro quartos, pode dormir no quarto de hóspedes. Creio que Taemin também vai para lá hoje, então vai ter mais gente. Além dos empregados, claro.
Kim piscou, ainda parecendo suspeitar de algo.
– Perdoe-me, Jinki-ssi, mas por que exatamente está me oferecendo isso? Agradeço que tenha sido gentil comigo todas as vezes em que nos vimos, mas sei que não é um comportamento padrão. Todos na empresa comentam como é frio e não se importa com o aspecto humano dos funcionários e que isso normalmente é função do Taemin. Mas agora ouviu meia conversa e me oferece um quarto de hóspedes? Parece muito bom para quem simplesmente não se importa.
– Eu me importo com vocês – retrucou –, mas minha função nessa empresa é ser CEO, ou seja, administrar a parte externa e cuidar para que ela continue sendo o que meu pai idealizou que fosse! Imagino que isso possa realmente soar como algo ruim, pois odeio tudo isso – gesticulou para o salão –, mas não significa que não consiga me importar nem um pouco com ninguém.
Kibum pareceu avaliar o que ele disse, uma sobrancelha levantada, a desconfiança ainda pairando no ar. Lee realmente não podia culpá-lo, seria a reação de todos diante de algo assim, mas mesmo assim sentiu-se ficar levemente frustrado. Algo fazia com que ele confiasse o suficiente no estagiário para chamá-lo para sua casa, então a falta de reciprocidade era confusa. Não sobre Kim, tudo estava certo com ele, mas sobre si mesmo: por que exatamente ele se importava? Se fosse qualquer outro funcionário, teria ido embora assim que o viu no corredor, mas algo na presença do outro o fez ficar.
– Sinto muito a desconfiança – Kibum finalmente disse, sorrindo suavemente – Agradeço a oferta, mas sou incapaz de aceitar. Muito obrigado mesmo assim.
E facilmente deu a volta no braço de Jinki e saiu em direção ao salão principal da festa. Se alguém perguntasse, Jinki iria negar completamente que sentiu preocupação naquele momento. Assim como negaria que à noite sonhou com risos suaves, dedos percorrendo seu corpo e um cheiro maravilhoso de lírios o cercando.
Handmade
Lee Jinki estava inquieto no escritório, dava passos rápidos de um lado para o outro, e Jonghyun não sabia lidar com a situação. Estava parado ao lado da porta, pronto para avisar que os investidores da China tinham voltado, mas diante do estado do outro se viu incapaz de enfiá-lo em uma reunião.
– Chefe?
– Jonghyun! – Jinki falou como se não tivesse o notado ali, abrindo um imediato sorriso e se aproximando dele – Conhece Kim Kibum?
– Um dos novos estagiários?
– Ele!
– Acho que o vi algumas vezes – assentiu lentamente – Algo errado? Preciso conversar com o Rh?
– NÃO! – Lee praticamente gritou, olhos arregalados como se seu secretário tivesse acabado de sugerir jogar o estagiário pela janela do escritório – Digo, hum... Nunca conversou com ele?
– Não.
– Certo. Eu vou descer, Jong.
Foi até a cadeira, pegando seu terno, o celular e as chaves na mesa.
– Os investidores da China voltaram e-
– Remarque, diga que estou doente!
E saiu pela porta antes que Jonghyun pudesse argumentar algo. O secretário, percebendo a situação na qual se encontrava, respirou e bateu com a mão na própria testa. Não sabia o que o estagiário tinha feito de errado, mas se não valia uma demissão, não entendia realmente o interesse do outro pela situação, afinal, Jinki costumava ser completamente alheio a situações decorrentes de seus funcionários.
Handmade
Jinki viu Kibum sentado, vários papeis a sua frente, olhos vidrados enquanto trabalhava. Estava sozinho ali, as outras pessoas do setor C espalhadas por outras mesas, e Park Chanyeol completamente fora do campo de visão. Sentiu um leve alívio ao ver que o outro estava ali; após ter ouvido a conversa quase agressiva que o estagiário tinha tido no telefone, o CEO passou a noite praticamente em claro, pensando em tudo que poderia ter acontecido com o rapaz. Sua mente vagou por várias possibilidades terríveis, o que tinha quase feito com que ele fosse até a empresa mexer nos arquivos do Rh para verificar o endereço, mas isso era passar bastante dos limites.
O riso encheu a sala, enquanto o rapaz corria pela praia a sua frente e se jogava na água fria. Estava muito quente, e nenhum dos dois se sentiu disposto a esperar para trocar para roupas de banho. Correu atrás do outro, rindo também, até que conseguiu segurá-lo em seus braços. Caíram na beirada da praia, uma confusão de braços, pernas e beijos.
Quando percebeu, estava parado na porta do setor B, alguns funcionários olhando de longe, parecendo levemente assustados; afinal, o CEO nunca descia até ali sozinho: ou era arrastado por Taemin, ou apenas com pessoas que estavam visitando a fábrica. Ignorou os olhares, focando no rapaz que ainda não tinha lhe visto. A princípio seu objetivo era apenas vê-lo de longe, ter certeza que estava tudo bem, mas agora percebia que não era o suficiente. Precisava chegar mais perto, ver os olhos felinos, os sorridos delicados...
– Kibum?
O estagiário tomou um susto, se levantando tão rápido e arregalando os olhos quando percebeu seu chefe parado a porta.
– Oi, Jinki-ssi.
– Só Jinki está bom para mim – sorriu para ele – Essas formalidades, às vezes, soam muito perdidas para mim, sabe? Falo com tantas pessoas por causa dessa empresa, de tantos lugares, que tive que me acostumar a não ouvir os pronomes. Taeminie é igual, mas ele ainda tenta.
Kim piscou parecendo levemente confuso com o rumo da conversa, mas deu de ombros.
– Como desejar, Jinki-ssi – riu um pouco sem graça ao perceber o erro – Jinki, desculpa.
– Tudo bem, o que for mais confortável – colocou as mãos nos bolsos da calça, tentando esconder o repentino nervosismo que tomou conta de si – Tudo bem?
– Oh, sim – O estagiário se afastou um pouco e apontou a mesa – Estava fazendo algumas projeções de como poderia ficar as novas versões do coletor de energia eólica. Achamos que mudar o design pode deixar o modelo ainda mais eficiente. Agora que resolvemos o problema do material, pedimos ajuda a equipe de design de produção e-
– Ótimo – interrompeu sutilmente e deu alguns passos para a frente, tentando evitar que outras pessoas ouvissem a conversa, já que todos estava obviamente fingindo trabalhar, mas prestavam atenção aos dois – Perguntei sobre você. Tudo bem?
– Sim, claro – Ele não se afastou, afinal ainda estavam a uma distância segura, mas parecia bastante confuso – Algo errado, Jin-Jinki?
– Fiquei levemente preocupado após ouvir aquela conversa sua na festa. Sua casa estava vazia quando chegou?
O rapaz corou tão profundamente que atingiu um tom de vermelho sangue, e pareceu imediatamente sem graça. Lee não quis dizer nada, mas percebeu que, ao mencionar o telefone, o rapaz escondeu ambas as mãos atrás do próprio corpo.
– Isso não foi nada de mais – explicou rapidamente – Apenas uma briga com meu namorado. Isso é comum, certo? Creio que deve brigar com a sua... Namorada? – Ele hesitou um pouco – Ou namorado – deu de ombros – O tempo todo.
– Sou solteiro.
– Ah, claro, mas já brigou com namoradas, sabe como é.
– Nenhum deles invadiu minha casa – franziu a testa – Algumas pessoas já invadiram minha casa, mas não creio que eu gostasse delas.
– Bom, está tudo bem agora – sorriu suavemente – Agradeço a preocupação, Jinki, mas está tudo bem, prometo.
Lee notou que todos pareciam um pouco desconfiados, afinal estavam sussurrando agora, então se afastou um pouco e sorriu.
– Tudo bem, continue com o ótimo trabalho, Kibum. – Levantou a mão em um aceno mudo para o resto do setor – Continuem trabalhando, pelo visto está saindo tudo melhor que o esperado.
Saiu rapidamente sem nem ao menos notar que deixava para trás um Kim Kibum perdido, mas com um sorriso suave em seus lábios.
Handmade
– Eu sei que não está tudo bem.
Kibum praticamente gritou, deixando sua mochila cair e parecendo completamente assustado, até notar seu chefe ao seu lado. Jinki tinha tentado parecer sutil enquanto esperava o rapaz sair da empresa e se encaminhar até o ponto de ônibus.
– Você quer me matar do coração?
– Não, perdão – Lee sorriu para ele, se abaixando para pegar a mochila – Simplesmente senti que estava nervoso demais quando conversei com você, e queria perguntar de forma mais privada. Kibum-ssi – usou o pronome buscando se mostrar o mais formal possível –, se tem alguém atormentando a sua vida, nós podemos te ajudar; não só eu, mas todo mundo da Lee Industries. Pode conversar com Minho, ele é ótimo e já ajudou várias pessoas aqui.
Isso pareceu fazer o outro se acalmar um pouco, olhando em volta de forma quase desconfiada.
– Obrigado pela preocupação mais uma vez, Jinki, mas não tem nada, eu estou bem.
– Se você diz – deu de ombros, e então, depois de um minuto, acrescentou – Deseja uma carona? Meu carro está logo ali e vou naquela – apontou aleatoriamente – direção.
A sorte estava ao seu favor, aparentemente, pois o rapaz demorou quase dois minutos para responder, como se calculasse todas as variáveis possíveis e então respirou fundo.
– Queria dizer não – murmurou – mas a verdade é que chegar em casa mais rápido me ajudaria muito, pois tenho muitas atividades para fazer.
– Levando trabalho para casa? – Perguntou, guiando-o silenciosamente para o estacionamento.
– Sim, e também tenho coisas da faculdade.
Andaram em silêncio até chegar ao carro e, de forma calculada, Jinki se aproximou para abrir a porta do carona para Kim, na mesma hora que o rapaz se mexeu para fazer o mesmo, e assim que seus braços se chocaram, o estagiário soltou uma exclamação de dor e se afastou.
– Eu– Eu-
– Eu não sou idiota – Jinki disse com uma calma fria e se aproximou do outro, tocando delicadamente em seu braço direito e fazendo o outro se afastar rapidamente – Pode não me contar caso não queira, não me conhece e não tem motivo nenhum para confiar em mim, mas sei que tem algo errado. Seu braço está machucado. E eu sei disso.
Lee deu a volta, deixando a porta do carona aberta, e se sentou na parte do motorista. Kim pareceu hesitar, e então entrou silenciosamente no carro. E assim ficaram boa parte do caminho, falando apenas para acharem o endereço no Google Maps.
Eventualmente, Kim olhou em volta do carro e para ele.
– Confio em você – disse calmamente – Não sei exatamente por que, até agora vem agindo como um doido que fica perseguindo estagiários, mas algo me faz confiar em você.
Jinki piscou, mas manteve os olhos na rua. Estava fazendo o caminho mais longo, e sabia que o outro já havia percebido isso.
– Talvez não devesse.
– Talvez – concordou – Mas aparentemente todo esse seu comportamento é apenas por ter percebido que me machuco às vezes – ouviu o suspiro cansado do outro – Mas deveria deixar esse assunto em paz.
– Como poderia? Você não parece em paz.
Kim não teve muito o que argumentar sobre isso, então voltou a não falar nada. Quando chegaram no local, Lee olhou o prédio: era pequeno, poucos andares e parecia muito antigo. Como aqueles que costumava ver em filmes, mas nunca havia morado. Viu que Kibum estava abrindo a porta para sair e foi rápido fazendo o mesmo. Logo estava ao lado do outro, segurando a porta para ele.
– Cheio de surpresas – Kibum comentou, rindo um pouco – Não imaginei nem que dirigia o próprio carro, e agora está abrindo portas para mim.
– Gosto de dirigir, mas tenho um motorista também – fitou o outro diretamente nos olhos – Obrigado por confiar em mim, Kibum.
– Não agradeça, prove que merece – disse calmamente – Obrigado pela carona, Jinki, sei que é muito incomum aceitar caronas do chefe, então essa será a última vez que te tirarei do seu caminho.
– Mas esse parece ser meu novo caminho – comentou, sem nem ao menos saber por quê, lembrando dos sorrisos em seus sonhos e de como a presença do outro parecia tão reconfortante como o amor que sonhava nas madrugadas atualmente – Eu não sei o que é, alguma coisa está me... Me atraindo para você, como um ímã. O que disse na festa é verdade: não me preocupo com ninguém, não me importo, mas algo me fez ficar preocupado com você.
– Nem ao menos me conhece – O estagiário murmurou, soando confuso.
– E nem você, mas mesmo assim disse que confia em mim – sorriu um pouco – Mas não consegue explicar, certo? É alguma coisa que acontece e não tem justificativa, apenas está lá.
Kim olhou em volta parecendo preocupado.
– Sim, mas isso tem que parar, seja lá o que for – deu alguns passos para trás – Não quero que achem que só consigo qualquer coisa na empresa por sua causa.
– Então podemos criar uma regra: eu te dou carona todos os dias, até te ajudo com a faculdade, mas não falo com você na empresa, nada além do profissional.
– Por quê?
– Porque como disse: não te conheço, mas quero. A melhor forma de conseguir isso é podendo conversar. Entendo perfeitamente e concordo que a empresa não é o ambiente ideal, mas as caronas podem ser divertidas. Só precisa dizer que sim; caso diga não, sumo da sua vida.
Isso fez o outro franzir a testa, parecendo realmente confuso demais com alguma coisa. Demorou quase um minuto até que perguntasse em um sussurro.
– Se eu dissesse não, ia conseguir sumir da minha vida?
– Em âmbito pessoal, sim. Mas continuaria sendo seu chefe.
– Mesmo?
– Claro, Kibum-ssi, por que deveria continuar te abordando dessa forma se sei que minha presença não é bem-vinda?
Isso fez o outro sorrir. Era um sorriso diferente de todos que tinha visto até agora: não era muito educado, nem para aparências, nem agradecido, era apenas grande. Brilhava tanto que brigava com a luz do sol, mas essa já tinha perdido o espaço para a luz emanando dos olhos castanhos.
-– Sim. E me chame de Kibum.
Handmade
Jinki estava com o carro parado na frente do prédio quando viu Kibum sair. Estava acompanhado de mais duas pessoas, Park Chanyeol e uma menina, provavelmente do seu setor, que conversavam animadamente. Não disse nada, apenas continuou encostado à porta do passageiro e esperou até que os olhos felinos o achassem por trás dos óculos. Quando aconteceu, sentiu um sorriso inesperado surgir nos próprios lábios e notou uma expressão quase surpresa no outro. Kibum parou de andar e se virou para os outros dois, gesticulando rapidamente, e então acenou, encaminhando-se diretamente para o carro do CEO, que se afastou e abriu a porta do passageiro.
– Seu braço está melhor?
– Sim – Kibum entrou no carro e olhou para ele – Achei que não ia estar aqui.
– Eu disse que estaria – Jinki fechou a porta e então acenou suavemente para os outros dois funcionários, dando a volta no carro e entrando no lado do motorista – O que disse a eles?
– Disse que você ia me levar para ajudar na avaliação de alguns materiais de um outro projeto – deu de ombros – Não sei se acreditaram. Talvez você devesse me pegar no estacionamento.
Lee suspirou, manobrando o carro. Não gostava da ideia de que não poderia falar abertamente com Kibum, mas ao mesmo tempo entendia como poderia soar uma aproximação aos outros.
– O que tinha acontecido com seu braço? – Perguntou suavemente.
– Eu me machuquei levantando peso – Kim retirou os óculos, limpando as lentes na própria blusa – Já disse que talvez devesse deixar esse assunto para lá.
– O assunto de você estar constantemente machucado? – O CEO virou para fazer o caminho mais longo, como havia feito no primeiro dia – Então sobre o que deseja falar?
Kim franziu a testa por um tempo e então sorriu para ele.
– Qual sua estação do ano preferida?
– Inverno.
– Outono – e o fitou como se esperasse alguma coisa. Demorou alguns segundos até Lee entender e sorrir um pouco.
– Sol ou chuva? – Perguntou suavemente.
– Neve.
O dia estava frio quando se viram pela primeira vez – ele carregava flores nas mãos trêmulas e lágrimas caíam pelo seu rosto. O local não era digno de primeiros encontros, mas mesmo assim algo o atraiu até aquele rapaz em pé diante da cruz simples e hesitando ao colocar as flores na lápide. Era uma mulher. Jung Chohee. Segundo as datas marcadas no mármore, tinha 75 anos quando fora levada para lá. Silenciosamente depositou uma de suas próprias flores por cima do nome bonito. O rapaz lhe deu um olha de quase gratidão.
– Jinki-ssi?
O CEO piscou, ouvindo buzinas dos outros carros, e percebeu que tinha parado em alguma sinaleira que já estava verde novamente. Acelerou o carro, dando uma olhada suave para o rapaz ao seu lado, que parecia levemente preocupado, então disse:
– Chuva. Quando era criança, costumava fugir de casa quando chovia. Tinha um rio por perto, ia para lá, mergulhava na água, já molhado, e era uma ótima sensação. Minha mãe odiava.
Kim riu um pouco, balançando a cabeça.
– Nunca tomei banho em um rio, nem em mar, sendo sincero. Sempre estive aqui – deu de ombros – Nunca sai daqui. Seoul.
– Mas tem praia aqui – murmurou – Sua família nunca quis te levar para lá?
– Minha família nunca foi muito de tirar férias, sabe? Viagens, saídas em família, nem nada do gênero.
– E seus amigos? Quando Taemin era mais novo, viajava com os amigos constantemente.
– Nunca tive muitos amigos – deu de ombros – Taemin viajava? E você?
– Eu sabia que quando assumisse a empresa como CEO ia ser obrigado a viajar o tempo todo, então preferi aproveitar a estabilidade enquanto a tinha – deu de ombros – Sempre ficava aqui.
– Acho que você acertou, então, embora viajar deva ser bom.
– Se você tem tempo de passear e conhecer tudo, sim, mas eu sempre estou correndo – deu de ombros – Tem aula hoje?
– Tenho aula todos os dias, pego o máximo de matérias que consigo encaixar – explicou suavemente – Preciso acabar logo a faculdade.
– Algum motivo especial?
– Quero sair daqui, Jinki – Kibum encostou a cabeça no banco do carro, o corpo todo virado na direção de Lee – Queria fazer intercâmbio, mas achei o estágio na Lee Industries, e isso já é algo muito bom para meu currículo. Quando acabar a faculdade, farei minhas malas e irei embora.
– Já sabe para onde?
– Provavelmente Estados Unidos – deu de ombros – Ou Inglaterra. Mas Inglaterra tem um custo de vida mais alto – fechou os olhos – Eu só vou sair daqui.
Jinki ia questionar quando percebeu que tinha chegado em frente ao prédio do outro, então encostou o carro, desligando-o em seguida. Tirou seu cinto e se sentou da mesma forma que o outro, cabeça pressionada contra o encosto do carro e fitando-o diretamente. Ficaram alguns minutos, talvez horas, assim, em completo silêncio, aproveitando a calma que sentiam na presença um do outro. Lee deixou os próprios olhos fecharem.
Tudo parecia fazer sentido quando ela sorria. Era como se a Terra estivesse parada, até que ela sorriu e tudo voltou a fazer sentindo. As duas estavam arrumando as cadeiras do jardim, em meio a piadas e risadas; choveu e fez sol, e elas ainda estavam ali juntas.
– Você acha que eles vêm?
– Se não vierem, tomamos vinho deitadas na mesa.
– Posso chorar em seus braços?
– Pode morar neles, já que foram feitos para você.
– Obrigado, Jinki – Kim murmurou, depois de bastante tempo – Tenho aula agora, preciso me arrumar.
Lee sentiu um impulso quase infantil de perguntar “Você sonhou também? Com duas meninas arrumando a casa para receber a família delas? Você tem sonhos estranhos também? E mesmo que esses sonhos não sejam comigo, sempre te lembram de mim?”, mas apenas sorriu, não deixando seus olhos desfocarem do outro.
– Amanhã?
– Amanhã.
Handmade
– Conseguimos achar o design perfeito para o coletor solar caseiro! – Kibum anunciou animado quando entrou no carro de Jinki. Estavam fazendo esse esquema há aproximadamente uma semana e não tinha falhado nenhuma vez. Lee estava fazendo mais reuniões por Skype que o habitual, mas valia a pena no final.
– Talvez não seja ideal conversar sobre trabalho agora – o CEO comentou, dando partida no carro assim que o outro se acomodou na carona.
– Tem algum problema nisso? – Kim franziu a testa.
– Não, só que – Jinki apertou o volante, de repente se sentindo um pouco ridículo. Nunca era a pessoa mais emocionalmente investida da relação, e agora percebia como seus ex-namorados (as) provavelmente sofreram – Esses momentos são nossos. Não queria trazer a empresa para isso, sabe?
O mais novo pareceu refletir um pouco, encostando a cabeça no banco e ficando em silêncio por alguns minutos.
– É estranho – comentou – O trabalho faz parte de mim de forma tão intrínseca que não acho justo não poder dividi-lo contigo só por ser meu chefe. Quero poder ficar animado com você como ficaria com qualquer outra pessoa próxima.
– Você gosta tanto assim de engenharia? – Lee franziu a testa.
– Amo – deu de ombros – Acho que é o mínimo que deve sentir por algo que decide fazer durante sua vida toda, sabe? É meu ticket para uma vida melhor. Não se sente assim em relação à administração?
– Não sei – refletiu um pouco. Tinha sido tão encaminhado para administração desde muito novo que nunca tinha pensando em outra possibilidade – Meu pai sempre quis que eu fizesse administração para assumir a Lee. Eu sou formado em Engenharia Ambiental, mas acabei indo para Administração, afinal, era o caminho que eu deveria seguir. Meu pai até gostou, pois agora tenho um conhecimento relativo em engenharia para entender vocês.
– Mas e o que você queria? Era Engenharia ambiental?
Não era. O CEO franziu a testa, nunca foi uma pessoa guiada por esse tipo de emoção. Era racional: sempre fez muito mais sentindo assumir a Lee Industries que simplesmente sair por aí procurando outro curso, então foi o que ele fez. Não sabia se sentia amor pela profissão, mas também não odiava. Claramente não era o tipo de sentimento que Kibum esperava que alguém devesse sentir por seu emprego, pois quando explicou isso, o jovem lhe deu um olhar quase temeroso.
– Você deixou toda a sua vida nas mãos de seus pais? Não pensou que pudesse existir algo que fosse sua profissão ideal por aí e você nunca tentou? Algo que realmente fazer?
– Ser CEO da Lee me faz feliz... Acho, ao menos. E, bom, dizem que seus pais são as pessoas que mais sabem o que é certo para você – deu de ombro, sorrindo hesitantemente – Não levou em consideração o que seus pais achavam de engenharia?
– Minha mãe gostava – sorriu um pouco, soando nostálgico – Costumava sonhar comigo, sobre eu entrando para KAIST. Infelizmente ela faleceu antes que pudesse me ver cumprindo esse caminho – existia uma tristeza óbvia na voz do outro enquanto falava isso, mas claramente já fazia um tempo que tinha acontecido, pois parecia muito mais recuperado do que estaria se a mãe dele tivesse falecido há menos tempo – Nunca me importei com o que meu pai poderia dizer sobre nada.
Jinki estacionou em frente ao prédio do outro e desligou o carro, esperando já o momento que teriam juntos ali.
– Sinto muito pela sua mãe, você tinha quantos anos?
– Quinze – encolheu os ombros – Ela era a luz na minha vida. Agora vivo no escuro.
O mais velho não sabia o que dizer, então apenas estendeu a mão e tocou os dedos do outro com os seus, e então deram as mãos. Considerando o sentimento de paz que sentiu e a calma que invadiu os olhos felinos, tinha dito a coisa certa, mesmo sem palavras.
Handmade
– Posso saber por que você está há um mês saindo com um estagiário da Lee Industries?
Taemin perguntou, uma expressão curiosa, enquanto via o irmão colocar o terno para a festa daquele mês.
– Quando o relógio marca 18h, Kibum não é mais estagiário da Lee – comentou calmamente e conferiu a própria aparência no espelho. Há um mês tinha dado carona para Kibum aproximadamente 25 vezes, contando algumas viagens que não conseguiu adiar, e todos os dias tinham sido cheios de descobertas. Kim era um rapaz inteligente, mas isso ele já sabia, afinal ele cursava KAIST e era estagiário do setor C da Lee, mas também era esperto, contava boas piadas, sabia desenhar, e tinha uma boa voz de canto.
Ele gostava de cantar músicas junto com o rádio enquanto criava coreografias com suas mãos. Os dois sempre ficavam parados quase uma hora em frente a casa do outro. Ou dançando com as mãos. Ou rindo de piadas idiotas. Ou Lee ensinava a Kibum os princípios de administração. Ou Kim ensinava a Jinki o básico da engenharia. Ou apenas se olhavam.
Jinki sentia que seus olhos nunca cansavam de olhar para o outro. Toda vez que passava seus olhos pelo outro achava algo diferente, fosse alguma marca no rosto, ou na alma.
– Ele me preocupa, às vezes – comentou, sem conseguir se conter.
Isso pareceu chamar a atenção do mais novo, que franziu a testa para ele.
– Você? Preocupado com alguém que não seja família ou a empresa? – Apoiou o rosto em uma das mãos – Algo está mudando em você.
– Algo errado com isso?
– Nunca – e sorriu para ele – Gosto de ver sua vida se encaminhando, de alguma forma. Mas diga, por que se preocupa?
– Ele aparece machucado todos os dias – se virou e encostou no espelho – todo dia em algum lugar diferente. E, às vezes, ele não quer ficar no carro depois que a gente chega, diz que precisa correr, mas sabe quando você percebe que alguém está muito nervoso? E ele fica olhando em volta o tempo todo, como se alguma coisa fosse acontecer e ele não soubesse exatamente o quê.
– Ficar no carro?
– A gente fica no carro, ok? – Jinki disse, exasperado – Depois que chega no prédio, a gente costuma ficar no carro até ele ter que sair para a faculdade – deu de ombros – é um tempo...
– De vocês? – Taemin tinha um sorriso quase malicioso – Certo, machucados. Nervosismos. Ele mora sozinho?
– Que eu saiba sim.
– Ele já te chamou para subir no apartamento dele alguma vez?
– Não.
– Faça um teste e chame ele para sua casa hoje – Aconselhou, uma expressão séria.
– O que isso tem a ver?
– Simples, se ele negar a visita a sua casa, indica que ele nunca te chamou para o apartamento dele por não querer nenhum tipo de intimidade extra com você além das caronas e das horas passadas aleatoriamente no carro – e riu debochadamente, quase como se isso fosse impossível –, mas se ele aceitar a conclusão é simples.
– Tem algo de errado com o apartamento dele.
– Bingo. – O Lee mais novo levantou e foi até o irmão com o celular na mão. – me diga, continua tendo aqueles sonhos?
Lee respirou fundo e assentiu.
– Cada vez mais frequentemente, não sei exatamente por quê.
– Eles te fazem pensar no Kibum?
– Fazem. O que isso tem a ver? – Franziu a testa – Na verdade, acho que começaram quando eu conheci ele, acho. Foi?
– Você me disse uma semana depois da apresentação dos estagiários – Taemin sorriu um pouco – Já ouviu falar da teoria alma gêmea? Que algumas pessoas que conhecem o amor da sua vida conseguem ver todas as vidas passadas deles?
Jinki rolou os olhos e afastou o celular que no qual o outro tentava lhe mostrar alguma coisa.
– Sério, Tae? Lenda urbana a essa altura do campeonato?
– É real, tem um documentário – o mais novo enfiou o celular mais próximo ao rosto dele – Chama The Soulmate I Didn’t Hope So. Foi uma moça que achou a dela e decidiu pesquisar mais sobre.
– Tae – Lee segurou o irmão pelos ombros – isso é mentira, ok? É uma lenda urbana boba, tipo qualquer uma dessas bobagens de filminho de terror, ok?
– Não é assim – ele bufou – você sabia que toda essa sua atração com o rapaz é só uma forma de seu corpo comunicar que ele é a pessoa certa?
– Jura? – Rolou os olhos mais uma vez, indo até a porta.
– JURO! E você vai ver, quando finalmente ficar com esse rapaz, sua vida vai mudar para sempre, os sonhos vão ficar mais intensos e vai ver que estou certo.
– Taemin, pare de ler livros de fantasia e vamos para a festa.
Ele saiu do apartamento, e não viu o irmão mais novo respirar fundo e jogar as mãos para o alto, parecendo extremamente consternado.
Handmade
A mesa dos administradores estava divertida, como sempre, mas Jinki continuava procurando Kibum com os olhos. Ele estava conversando com alguns amigos e parecia estar tendo um bom momento também, ao contrário daquela primeira festa.
– Por que você não desce e vai falar com ele? Está tão óbvio que você quer fazer isso – Jonghyun comentou, bebendo um pouco de suco e lhe dando um olhar malicioso.
– Nós combinamos que não nos falaríamos na empresa, para a situação não ficar estranha para ele – deu de ombros – Aparentemente as pessoas pensariam que estamos juntos e isso poderia dar a entender que ele só conseguiu qualquer coisa aqui por ser brinquedo sexual do chefe mais velho, mesmo que ele prove a inteligência dele diariamente.
– Você é mais velho que ele? – Jonghyun perguntou.
– Vocês não estão juntos? – Minho perguntou em seguida.
– Ele tem 23 anos – Lee esclareceu – e não estamos juntos.
– Não ainda – Taemin sorriu – mas aparentemente é um caminho que a vida vai seguir, não é mesmo?
Jinki estava pronto para responder, mas risadas altas se destacaram no salão e todos se voltaram para a mesa do setor C. As pessoas pareciam muito entretidas com alguma piada, e Kim estava com o rosto completamente corado, não de uma forma legal.
Mesmo se conhecendo há um mês, Lee já sabia diferenciar a maior parte das expressões do outro rapaz, e o mais novo, por ter a pele muito clara, corava muito constantemente: da forma legal, que era quando estava rindo demais, ou recebia um elogio, ou da forma chata, quando estava envergonhado. Agora era definitivamente a segunda opção. Os olhos felinos encontraram os seus e um sorriso suave surgiu nos lábios bem desenhados.
– Licença – Lee disse e levantou da mesa antes que questionamentos começassem, e foi em direção à mesa do setor C. Pôde perceber a expressão do outro mudando, algo entre surpresa e esperança, o rosto ainda corado, enquanto as outras pessoas da mesa estavam conversando, ainda alto, e incapazes de perceber o óbvio desconforto do rapaz.
– Kibum? – Kim olhou para cima, um sorriso ameaçando surgir em seus lábios. Lee estendeu a mão, em uma oferta silenciosa. O estagiário fitou todos na mesa, que agora tinham parado de conversar e olhavam o CEO da empresa parecendo chocados, e então usou a mão oferecida como apoio para se levantar.
Quando saíram andando pelo salão, Jinki pensou em como gostaria de ter continuado de mãos dadas com o outro. Saíram para a parte de recepção do prédio. Estava completamente vazio, luzes apagadas, mas a porta de vidro permitia que a iluminação da rua entrasse no local.
– Estava tudo bem ali? Parecia desconfortável – explicou-se rapidamente – por isso acabei me metendo. Sei que o combinado era só nas caronas, mas-
– Tudo bem, você leu meu pedido silencioso de ajuda – Kim sorriu para ele – é incomum, nem todo mundo me entende tanto assim – deu de ombros – Estava realmente desconfortável.
– Sobre o que falavam?
– Você. Eu.
Lee respirou fundo, parando em frente a um enorme balcão da recepção e se escorando ali.
– Sinto muito, você disse desde o início que nossa aproximação poderia gerar falatórios e eu não fui tão cuidadoso, até o Tae descobriu.
– Eles não estavam exatamente me criticando – Kim disse, o rosto voltando ao tom avermelhado – apenas coisas que não deveriam ser ditas em uma mesa com 20 pessoas.
– Nada deveria ser dito em uma mesa com 20 pessoas – eles riram, Jinki gesticulou para que o outro fosse ficar ao seu lado, mas Kim parou a sua frente, mantendo uma distância entre os dois, mas ainda perto o suficiente para que ele conseguisse sentir o cheio de lírios que emanava de seus cabelos – Vai fazer algo depois daqui?
– Dormir? – Brincou – Não pretendo fazer muito, só ir para casa mesmo.
– Talvez pudesse ir para a minha – murmurou a oferta, sentindo-se, de repente, tímido – Pensei que poderíamos assistir a um filme, sabe? Ou alguma coisa divertida, não sei.
– E por que faria isso? Sexta à noite, você é um CEO rico e muito bonito, poderia simplesmente sair por aí, “se divertindo” – Fez aspas com as mãos – mas quer apenas ver um filme comigo?
– Gosto de passar meu tempo com você – afirmou, fitando-o diretamente nos olhos – me faz muito bem. Mas se não quiser, não tem problema, não vou ficar magoado, afinal, tem todo o direito de dizer não.
Normalmente esse tipo de afirmação tinha um efeito estranho em Kibum, que arregalava os olhos como se tudo fosse uma perspectiva muito nova para ele, e Lee sempre sentia vontade de falar dos machucados que apareciam, porém tentava respeitar o desejo do outro.
– E direito de dizer sim?
– Sempre tem.
Kim suspirou e deu alguns passos à frente, invadindo o espaço pessoal do CEO suavemente, e hesitantemente, como se esperasse ser empurrado para longe. Lee deixou as mãos pairarem de cada lado da cintura esguia do outro por um minuto antes de perguntar:
– Posso?
Esperou uma afirmação do outro para encostar os dedos ali e depois trazer o mais novo para um abraço. Os dedos longos de Kibum seguraram sua blusa, e ele encostou o rosto em seu peito. Seu coração batia muito mais rápido que o normal, irracionalmente esperou que ele não notasse. Decidiu que gostava de lírios, eram suas flores favoritas agora, e sentia-se cercado pelos cheiro e braços do outro. Uma sensação muito nova, incomum, não tinha sentido nem com seus namorados anteriores. Kim Kibum era novo e completamente diferente de tudo que poderia imaginar. Era uma força da natureza, e seus corpos eram como ímãs: estavam perto, mas precisavam chegar mais perto.
Jinki levou uma das mãos até a nuca do outro e deixou seus dedos acariciarem os fios negros. O mais novo sorriu contra sua blusa e suspirou pouco depois, deixando a própria mão fazer o caminho da sua cintura, passando pelo peito até chegar no rosto do CEO, puxando-o de forma que olhasse para baixo, e logo levantou o seu para que se fitassem diretamente nos olhos.
– Péssima ideia – murmurou.
– Continua tendo todo o direito de dizer não – Jinki lembrou a ele.
E isso fez o outro encostar seus lábios em um beijo desajeitado, que logo se aprofundou. O braço que estava em volta da cintura do mais novo o trouxe para mais perto, assim como os dedos longos de Kibum seguravam a blusa na altura do ombro do outro. Aquele beijo era longo, Jinki percebeu. E de repente sua mente correu vendo o casal de jovens meninas se beijando, assim como o rapaz que tinha conhecido o outro no cemitério, aquele primeiro em meios às cócegas. Eram vários lábios se encontrando. Eram vários sentimentos ao mesmo tempo. Eram anos, décadas atrás, ou à frente. Eram a mais pura forma de carinho. Eram poderosos. Eram vários em um.
Handmade
– Eu sinto que estou presa aqui – a moça comentou, fios longos, negros e cacheados voando enquanto ela dava passos firmes em direção ao mar. Atrás de si, alguém lhe observava atentamente, os olhos observando cada passo com atenção extrema.
– Sinto que vou explodir e ainda não vai ser o suficiente para me livrar da dor – ela voltou a dizer. A praia estava deserta, era noite – é como se tivesse morrido, mas fosse obrigada a continuar vivendo. Por que faz isso comigo?
Virou-se, gritando a última frase, o rosto levemente inchado enquanto lágrimas caíam pelo seu rosto, olhos avermelhados indicando que chorava há algum tempo, braços apertados contra o próprio estômago com tanta forma que conseguia ver que o sangue tinha parado de circular no pulso.
– Sei que é difícil – a outra pessoa finalmente disse, uma voz masculina e hesitante, dando passos lentos até ela – mas precisa confiar em mim.
– CONFIAR? EM VOCÊ?
– EU NÃO TENHO CULPA!
– NINGUÉM TEM CULPA! – Ela gritou de volta – DEUS TEM CULPA!
Quando o homem perdeu a paciência e correu em direção à moça, ela se jogou nas ondas arredias do mar.
Lee Jinki acordou assustado, com olhos arregalados, e sentindo-se completamente perdido por alguns segundos. Sentiu cheiro de lírios que não entendeu exatamente de onde viam, até perceber que algo estava em seus braços. Alguém. Kibum. Olhou em volta e reconheceu a própria sala de estar. A televisão ligada passava o menu da Netflix – aparentemente tinham dormido em algum momento em meio ao filme que viam. Deixou seus dedos correrem pelo braço do outro, que o abraçava deitado meio por cima e meio ao lado, rosto pressionado contra seu peito, e sentiu-se cercado de paz.
Pensou sobre o sonho, foi mais longo que os demais e não conseguia apontar exatamente o que estava acontecendo. Imaginou que se Kibum não estivesse deitado exatamente ao seu lado, teria se sentido vazio e confuso. A presença do outro era como um calmante, um remédio para todos os seus pesadelos. Eram ímãs que precisavam estar sempre juntos. O pensamento lhe assustou levemente, afinal, estavam conversando há apenas um mês. Claro que era uma frequência de conversas diariamente, até mesmo viajando, pois trocavam mensagens no celular.
– Não – Kim murmurou, e escondeu mais o rosto no peito do outro – por favor, não, de novo não. NÃO! NÃO! – Ele esticou o braço para a frente, quase como se tentasse se defender de algo, e se escondeu ainda mais no corpo de Lee.
Incomodado com o desespero do rapaz, que até então dormia muito tranquilamente, levou as mãos até as costas dele e balançou suavemente. Isso rendeu uma reação ainda mais violenta, quando Kim gritou e tentou se afastar de Jinki, quase caindo do sofá e, preocupado, o CEO o puxou para mais perto de si.
– Sou eu, Kibum – murmurou perto do ouvido do outro – Jinki. Está tudo bem, pode acordar, pode abrir seus olhos – deixou os dedos correrem carinhosamente pelos braços magros – está tudo bem, você não está sozinho e ninguém quer te machucar.
Lentamente sentiu o outro se acalmar um pouco, mas continuou com o carinho e as palavras até que ele abrisse os olhos, soando confuso por alguns minutos, até abrir um lindo sorriso para o mais velho.
– Bom dia.
– Bom dia – respondeu e se abaixou para beijar a testa do outro – dormiu bem?
– Sabe que não – murmurou – tive um pesadelo horrível, mas alguém conseguiu me acordar da forma mais agradável possível – brincou, suas mãos procurando o rosto do outro para trazê-lo ainda mais perto – Obrigado – e lhe deu um rápido beijo nos lábios.
– Acho que não deu para sentir sua gratidão – riu um pouco, sentindo o outro se mexer até sentar em seu colo.
– Não? – Kim lhe beijou novamente, dessa vez lentamente e mais demoradamente. Lee poderia ficar ali para sempre, era perfeito. Era o seu lugar. Mais uma vez se surpreendeu com o rumo dos próprios pensamentos, não costumava ser assim. Idealizar relacionamentos. Era racional, quando faziam alguns meses namorando, calculava se valia a pena continuar e, caso não, terminava. Vários namorados e várias namoradas reclamavam que ele não sonhava, não queria ir mais longe com o relacionamento, apenas queria uma vida comum. Mas a verdade é que até aquele momento não sentia qualquer necessidade de se ver envolvido romanticamente com alguém, conseguia passar meses, até anos, solteiro, e não sentia falta. Não precisava ter sua vida presa a qualquer pessoa para se sentir feliz.
Ou era assim até tocar na mão de Kibum pela primeira. Desde então, pouco a pouco, o rapaz se tornava uma presença vital em sua vida. Tinha ido da completa e total apatia, até chegar ao ponto de precisar saber, todos os dias, se Kim estava bem e feliz. Sentir o cheiro de lírios fazia sua vida mais colorida. Um sorriso iluminava mais que o sol.
E se conheciam há apenas um mês. Sentiu algo escurecer seu coração ao pensar no nível de dependência que iria atingir caso esse relacionamento durasse muito tempo. Pior ainda: no nível de tristeza que sentiria caso o relacionamento não durasse. Sentiu seu ar sumir dos pulmões e rapidamente foi segurado pelo outro, que começou a oferecer várias possibilidades de primeiros socorros, enquanto procurava o celular no bolso.
Olhos felinos arregalados, assustados, temerosos. Jinki nunca mais queria ver isso. Começou a controlar a própria respiração e segurou as mãos trêmulas entre as suas. Sorriu um pouco quando, finalmente, se acalmou.
– Está tudo bem.
– Parecia que você estava sem respirar – Kim disse, ainda soando aterrorizado, e Lee imediatamente lhe abraçou – achei que fosse morrer aqui. Na minha frente. E eu não sabia ajudar.
– Calma – murmurou, e lhe beijou o rosto – está tudo bem, apenas fiquei um pouco nervoso, pois lembrei de algumas coisas da empresa.
– Hoje é sábado – O mais novo murmurou, agora soando quase irritado, o que gerou uma risada no CEO.
– Quando se trabalha com algo, sua mente está sempre trabalhando, até mesmo nas folgas.
O outro pareceu considerar um pouco o que foi dito, franziu a testa, e então deu de ombros.
– Creio que sim, mas hoje é a primeira vez que estamos assim – gesticulou para o local – juntos assim. Não quero que fique pensando na empresa.
– Sei no que estou pensando – Jinki começou, sorrindo um pouco – você ainda parece sonolento, e eu estou enérgico.
– Como? – Kim perguntou, fingindo indignação – 7 horas da manhã de um sábado.
– Estou sempre acordado esse horário. Mas enfim, me dá permissão para te levar para um lugar?
Isso chamou a atenção do outro, que se afastou para fitá-lo diretamente agora, analisando exatamente a expressão do outro.
– Depende. É um bom lugar?
– Claro, nunca te levaria para um lugar ruim – sorriu sem graça e levantou o braço para tocar delicadamente o rosto do outro – mas quero que seja surpresa, confia em mim? Pode cochilar no carro.
Kim não hesitou quando respondeu, firmemente:
– Confio.
Handmade
Jinki esperou ansiosamente para Kibum abrir os olhos. Ele deitou o encosto da cadeira até que o outro estivesse deitado e ficou observando seu sono tranquilo. Ele dormia tão profundamente que parecia que não o fazia faz tempo. Talvez fosse algo de universitários; como ele não tinha trabalhado enquanto estudava, não conhecia a sensação. Tinham pouco em comum. Kim era, obviamente, maravilhoso. Os olhos felinos eram peculiares, lindos, enquanto as bochechas altas e os lábios pequenos geravam um rosto harmonioso, mas mesmo assim não conseguia entender o que tinha lhe atraído tanto para o outro e tão rápido. Todos os seus namoros até ali aconteceram por pura influência de Taemin ou apenas por a outra pessoa ter sido explicitamente clara a respeito de suas intenções, mas Kibum tinha só aparecido na frente dele, sorrido, e era isso. E de repente seus pensamentos sempre levavam a ele.
Risos encheram o ambiente, enquanto um rapaz corria do outro em um quarto.
– ISSO NÃO É JUSTO!
– CLARO QUE É JUSTO! – O outro gritou, rindo – você disse que podia!
O outro se divertia correndo pelo quarto, subindo na cama e descendo em círculos com o outro obviamente correndo devagar para não alcançar tão rápido.
– Eu disse que podia falar e não que podia chamar o cara para o ménage! – Riu alto e se jogou na cama – e agora?
– E agora temos um ménage? – Disse deitando com o corpo por cima do outro – vai ser divertido.
Ele riu um pouco, puxando o outro para perto de si.
– PARA!
Lee piscou, saindo de seus devaneios para ver Kibum se debatendo no banco, exatamente como fazia mais cedo, braços esticados tentando se defender do invisível.
– ME DEIXA EM PAZ – gritou – DEIXA A GENTE EM PAZ!
Imediatamente, Lee se aproximou dele, sacudindo-o levemente e se afastando quando o rapaz levantou assustado, e olhou em volta tão abismado que nem parecia notar onde estavam, até focarem o olhar no rosto do CEO.
– Jinki?
– Eu mesmo – sorriu para ele e abriu os braços para receber o outro ali. Sentiu o corpo menor tremer contra o seu e quis perguntar, mas guardou. Não era o momento. Não cabia a ele perguntar, e sim ao outro dizer, na hora dele. Correu os dedos carinhosamente pelas costas do mais novo e deixou que ele se acalmasse ali.
– Desculpa – Kim murmurou contra o peito do outro.
– Não sei se precisa se desculpar por alto.
– Não passamos nem 24 horas juntos e eu já estou te assustando com meus problemas.
Lee se afastou, segurando o rosto do outro entre suas mãos e sorrindo para ele.
– Não estou assustado; preocupado sim, mas não se preocupe – aproximou sua testa da do outro – não pretendo ir embora, a não ser que você me mande.
Kim piscou algumas vezes e se inclinou mais até que seus lábios se tocassem. Era quase como se o mundo parasse novamente e nada existisse mais que o rapaz em seus braços. Tinha esquecido de tudo, até seu nome, para continuar beijando-o. Quando se afastaram, sorrisos brincando em seus rostos, e então Kibum olhou para o lado. E seu queixo caiu.
– Jinki?
– Achei que gostaria – ele riu sem graça.
O estagiário abriu a porta do carro e saiu correndo pela areia, de tênis mesmo, sem nem pensar no que estava acontecendo. A praia estava levemente vazia, as ondas quebravam na água e o brilho nos olhos castanhos dele contaminaram o coração de Jinki.
– Você não fez isso! MEU DEUS – ele riu alto e deixou os sapatos na areia, saindo correndo em direção à água – VOCÊ FEZ ISSO!
O CEO pisou na areia já descalço e observou a animação. O outro estava cogitando se entrava ou não na água, e apenas observava o local com óbvio interesse e adoração. O dia não estava tão quente, não era o ideal para a praia, mas parecia perfeito quando notava que o mais novo estava tão maravilhado.
– Vem! – Lee piscou, confuso, e então o outro, parecendo frustrado de tê-lo chamado algumas vezes, andou até o mais velho e o puxou pelo pulso – VAMOS! QUERO VOCÊ COMIGO!
Normalmente Jinki não seria o tipo de pessoa que iria, mas, naquele dia, com seus dedos entrelaçados aos do outro, entrou no mar e riu quando ao ouvir a reclamação de quão fria estava. Ficaram assim. Água até os tornozelos, mãos dadas, observando o horizonte em silêncio.
– É imenso – Kim comentou – não acaba nunca e nos dá a sensação de que somos tão... Pequenos. Diante de tudo no mundo. Nossos problemas são tão mínimos diante da imensidão do oceano.
Lee assentiu e se deixou ficar em silêncio, até que olhou para o lado e viu lágrimas descendo silenciosamente pelo rosto magro. E então, sem dizer nada, o trouxe novamente para um abraço, dando um rápido beijo na testa do outro, e não questionando absolutamente nada.
– Você está me mimando – Kim murmurou contra o peito do outro, mas não se afastou, apenas o trouxe para mais perto, deixando suas lágrimas molharem a blusa do outro.
– Não.
– Está sim. Nenhuma vida é tão boa assim, ou tão simples... Ou segura.
– Simples eu duvido realmente – murmurou contra os fios negros – mas comigo vai ser sempre boa, e principalmente segura.
– Sempre? – A voz do outro estava trêmula.
– Sempre – disse firmemente.
Handmade
Kim gemeu de dor e se afastou quando Jinki tocou em seu joelho sem querer na volta de carro. O rapaz corou e virou para a janela.
– Qual a desculpa dessa vez?
– Nenhuma, não é desculpa – murmurou – sou desastrado e me machuco, qual o problema?
A resposta veio na defensiva, e Jinki não queria estregar o clima dos dois depois de uma tarde tão bem aproveitada, mas mesmo assim se viu dizendo:
– O problema é que eu odeio te ver machucado – disse rispidamente – e todo dia tem um novo, mal consigo manter a conta! Todos os dias, Kibum. Agora me diz, o que devo pensar disso?
– Que eu malho muito?
– Eu sei que você não malha, merda! – Bateu no volante e respirou fundo – eu não sou imbecil, sei toda a sua rotina a essa altura e você não tem tempo nenhum para malhar, nem em academia, nem em casa. Tem alguma coisa gerando isso tudo aí e não confia em mim o suficiente para dizer. E sinceramente? Eu não posso te forçar a me dizer nada, mas vou continuar perguntando, sabe por quê? Eu me preocupo com você!
Kibum olhou para as próprias mãos por alguns minutos e o silêncio reinou no carro. Lee estava pesando se foi realmente uma boa ideia pressionar o outro dessa forma, mesmo deixando claro que o outro poderia não contar, talvez devesse deixar isso de lado. Mas não conseguia. Era impossível imaginar que o estagiário estava se machucando tanto e não conseguia ajudar.
– Não é que eu não confie em você – ouviu um sussurro – apenas... Sinto que talvez isso te faça perder o interesse em mim, ou que te faça ir embora, por eu ser tão fraco.
– Nunca – respondeu imediatamente – pode achar o que quiser, mas isso nunca vai acontecer.
Depois disso a conversa voltou a ser assuntos leves e brincadeiras. Poderiam ser sérios em outro momento.
Handmade
– Eu não quero viajar – Jinki reclamou.
– Pelo amor – Jonghyun rolou os olhos – você sempre quis viajar. Sempre foi sua parte favorita, agora tu acha um estagiário para dar carona e decide que não vai mais?
Jinki lhe deu um olhar intimidador, que faria qualquer outro funcionário temer por seu emprego, mas não fez nem cócegas em Jonghyun, que apenas levantou uma sobrancelha.
– Não me importa – o secretário disse – você vai e volta na sexta, dê seu jeito de se organizar com seu estagiário.
Nesse momento, a porta da sala foi aberta por Taemin e o secretário saiu, deixando-os a sós.
– Vi que aprovou que o setor C em que seu estagiário está subisse para ser Setor B.
– E?? – Respirou fundo, já exausto daquele dia como nunca imaginou que estaria.
– Não acha que isso pode gerar algum tipo de retaliação a Kibum? Ele é o queridinho do chefe – riu um pouco – e aí, de repente, o setor dele é promovido?
Lee deu de ombros. A possibilidade tinha passado por sua cabeça enquanto assinava o papel, mas, mesmo assim, não podia ser cego a respeito do que o setor C de Park Chanyeol tinha feito pela empresa nos últimos 2 meses.
– O setor C tem sido o mais produtivo nos últimos tempos, é assim tão “de repente” mesmo? – Encostou o rosto em uma das mãos – sem contar que isso é dificilmente só mérito de Kibum, mas Park Chanyeol é quem comanda o setor e ele merece todos os maiores méritos.
– Concordo – o mais novo sorriu – mas as pessoas podem ser cruéis quando querem. Te aconselho a falar com ele, Kibum-ssi, assim que a promoção acontecer. Pergunte se está tudo bem, qualquer coisa fale com Minho.
O mais novo saiu da sala deixando o CEO com suas reflexões. Não queria viajar e deixar Kibum sozinho em uma situação delicada, se é que mudar o setor seria realmente tão problemático. As pessoas realmente poderiam ser egoístas e invejosas quando queriam, mas seria realmente tão sério a ponto de ignorar os fatos: que o setor C tinha merecido subir para B diante tantos avanços?
Ele estava chorando debaixo da escada da escola quando lhe encontrou, rosto escondido atrás das pernas dobradas, e seu corpo tremia com a força de seus soluços.
– Tudo bem?
Era uma pergunta idiota. Quando alguém estava chorando tanto a ponto de seus olhos ficarem vermelhos e inchados, claramente nada estava bem;
– Está sim.
Era uma resposta pior que a pergunta. O rapaz limpou o rosto com mãos trêmulas e tentou sorrir. Seu rosto estava vermelho demais de um dos lados, como se tivessem batido nele. E realmente tinham, aparentemente. Ensino Médio poderia ser cruel para algumas pessoas, então se sentou ao lado dele. E nunca mais saiu.
Handmade
Naquele dia, quando Kibum entrou no carro, ele tinha olhos inchados e avermelhados. Seu antebraço estava enfaixado, mas Jinki resolveu não questionar, não hoje.
– Tudo bem?
– Tudo – murmurou, e depois disso colocou o cinto de segurança. Sem animação nenhuma a respeito dos projetos do dia. Nenhum comentário sobre seu setor ter sido promovido.
– Não parece tudo bem – comentou, ligando o carro – não quer falar sobre o assunto? – O outro negou fracamente com a cabeça – certo, e como foi a mudança de setor?
A pergunta feita animadamente, buscando tirar um sorriso do outro, na verdade rendeu lágrimas. O mais novo começou a chorar fortemente, tremendo muito e escondendo o rosto entre as mãos. Lee encostou o carro no acostamento e trouxe o rapaz para seus braços, sentindo as lágrimas molharem sua camisa, mas apenas o segurou até que o tremor passasse ao menos um pouco.
– Foi ótimo – respondeu com a voz embargada – sabe o que ser setor B ainda sendo apenas um estagiário na Lee significa no mercado? Muita coisa! Eu posso fazer o que quiser agora, dentro da minha área, sabe?
Isso fez o CEO sorrir e beijar os fios negros carinhosamente.
– Claro que fez, isso me deixa feliz por você.
– Mas outras pessoas também queriam essa oportunidade, então... Bom, nem todo mundo foi tão legal com o fato que eu subi de setor e estou envolvido com você ao mesmo tempo.
Lee se afastou um pouco para fitar os olhos do outro diretamente.
– Tocaram em você?
– Não. Apenas... Coisas não tão legais foram ditas. Só isso.
– O quê?
– Eu não quero repetir, Jinki – disse firmemente, e então o outro deixou o assunto de lado – não tem problema, é só que... Estou acostumado a não ter amigos, mas na Lee todo mundo era legal comigo, sabe? Agora nem mesmo meus colegas falam comigo direito, só Chanyeol hyung, e isso dói. Não imaginei que doeria, mas é diferente quando você já chega nas turmas sendo o rapaz estranho que está sempre machucado e que a mãe morreu, então ninguém nem ao menos chega perto de você, do que você ter amigos e eles de repente virarem as costas dessa forma. Dói mais.
O CEO o trouxe novamente para descansar em seu peito e sentiu que tudo estava errado. Talvez não tivesse percebido, mas Kibum deixava seu mundo mais brilhante, menos com ele triste assim. Agora tudo a sua volta tinha uma opacidade estranha e sentia falta do sol que era o sorriso do outro em sua vida.
– Vou precisar viajar, infelizmente – contou suavemente – mas não vou te deixar sozinho nisso, ok? – Segurou o rosto do outro entre suas mãos – E meu motorista vai te pegar nos dias que eu não estiver aqui.
– Mas Jin-
Foi calado com um beijo suave nos lábios, tão rápido que mal teve tempo de corresponder.
– Sei que vai negar, mas me sentirei melhor assim. Sei que sua rotina fica muito mais livre indo de carro para casa, e não é minha viagem que vai atrapalhar isso, tudo bem? – Beijou-o mais uma vez, dessa vez demoradamente, e foi correspondido à altura. Aqueles momentos eram sempre um evento para Jinki, sempre parecia a primeira vez. Era como se todos os planetas se alinhassem em um evento único que acontecia várias vezes ao dia só para eles. Era como um eclipse solar.
– Não se preocupe – disse entre beijos – não estarei aqui, mas darei um jeito nisso.
– Jinki! – Se afastou um pouco – não acha que você se meter pode piorar tudo?
O mais velho não respondeu, mas no outro dia, no avião a caminho para sua reunião em Londres, recebeu várias fotos de Taemin mostrando o efeito que sua ideia teve: um enorme mural eletrônico na parede principal do espaço onde os setores ficavam que mostravam as letras enormes “MOTIVOS PELOS QUAIS O SETOR C SUBIU PARA B QUE NÃO ENVOLVEM O FATO DE LEE JINKI E KIM KIBUM ESTAREM JUNTOS” e mostrava gráficos animados de como, nos últimos tempos, esse setor tinha se destacado em números, muito acima dos demais, até mesmo do setor A. Depois uma foto de Kibum, olhos arregalados, um sorriso incrédulo em seus lábios e junto veio uma mensagem de Taemin: “acho que ele vai ficar bem ;)”.
Handmade
Assim que chegou de volta à Coreia, no sábado, pegou o carro e foi diretamente falar com Kibum. Nem pensou duas vezes, ou ligou antes, queria ver o rapaz. Assassinar a saudade que tinha crescido em si. Não estava acostumado a esse tipo de sentimento: normalmente quando viajava estava bem no lugar que ia, não sentindo necessidade nenhuma de voltar que não fosse racional.
Na verdade, Jinki não estava acostumado a ser tão guiado por emoções como acontecia com tanta frequência por causa de Kibum. Parou o carro em frente ao prédio e, pela primeira vez, foi até o portão e apertou o interfone no apartamento que já sabia o número sem nem ao menos ter subido alguma vez. Nenhuma resposta.
Tocou mais uma vez. Nada.
Sentiu a frustração subir por seu corpo, talvez o outro tivesse saído. Deu as costas para voltar ao carro e tentar ligar para ele de lá.
– Jinki? – O grito lhe fez virar para ver um Kibum em roupas casuais, rosto pálido e trêmulo.
– Kibum? – Franziu a testa diante da aparência tão assustada do outro, mas abriu os braços para recebê-lo em seu abraço mesmo assim. – Está tudo bem?
– Me tire daqui, por favor – suplicou e então se afastou, tocando o rosto dele com dedos trêmulos – senti sua falta, me tire daqui.
Sem questionar, Jinki segurou a mão do outro e correram até o carro. Dirigiu sem rumo, ouviu Kim contar como seus colegas tinham lhe pedido desculpa, ou como a semana tinha sido triste sem poder ver o outro todos dias. E o CEO concordou em voz alta, desacostumado a compartilhar sentimentos assim, mas sua afirmação fez Kibum sorrir com os lábios e os olhos, então valeu a pena.
Ele tentou tocar no assunto da casa do outro, mas quando a expressão do mais novo ficou séria e triste, decidiu que preferia usar seu sábado para fazê-lo feliz. Fez o caminho até a praia automaticamente. Rolaram na areia, entraram na água de roupa, se beijaram contra as ondas.
Tudo estava bem. Pelo menos por agora. E já era o suficiente.
Handmade
– Você sumiu durante o sábado todo – Taemin comentou sutilmente, sentando na frente do irmão.
– Não é da sua conta.
– Você também sumiu no meio da festa na sexta – sorriu suavemente – e certo estagiário também.
Jinki fez questão de continuar com os olhos presos ao contrato que deveria estar lendo, mesmo que estivesse pensando em outra coisa. Kim Kibum. Se antes seus pensamentos sempre voltavam ao rapaz, agora era praticamente impossível não pensar nele. O sábado que passaram juntos foi, no mínimo, especial. Mesmo que não tivessem feito muito além de sentar na praia e depois deitar na areia, abraçados. Compartilhando histórias de infância ou curiosidades sobre a vida, o universo e tudo mais. Depois Lee passou o domingo todo sonhando com aquelas poucas horas.
– O que você quer? – Perguntou finalmente, respirando fundo.
– Leu sobre alma gêmea?
– Não – rolou os olhos – porque isso é ridículo e não existe.
– E Kibum?
– Acontece que Kibum é um rapaz muito bonito e extremamente charmoso – falou friamente – e eu não preciso de alguma dessas feitiçarias que você gosta de inventar pra me interessar por ele.
O Lee mais novo rolou os olhos, parecendo perto de prender o outro a uma cadeira e forçá-lo a ver o tal do documentário e, conhecendo-o, provavelmente estava mesmo.
– Alma gêmea não é sobre isso, seu bosta – reclamou – não é como se tivesse uma porra de uma força que te forçasse a gostar de alguém. É como se o universo sempre fizesse com que vocês se encontrassem, como se tudo acontecesse muito rápido. Sabe aqueles relacionamentos que ficam muito sérios muito rápidos e no final dão certo? Então! Acontece porque suas almas já se amam, elas não precisam se apaixonar de novo.
– Se isso fosse verdade, o que não é como sabemos – riu um pouco quando o outro bufou e cruzou os braços – não faz sentido, vocês que acreditam em “almas” – fez as aspas com os dedos – dizem que a gente esquece tudo quando renasce, e aí depois dizem que a gente lembra, não tem lógica nenhuma.
– Você esquece superficialmente – explicou não tão calmamente quanto deveria se estava tentando convencer o mais velho de qualquer coisa –, mas sua alma nunca esquece. Seu físico e sua alma estão ligados, mas não são a mesma coisa. Têm mentes diferentes. São poucas as pessoas que conseguem acessar as memórias da alma. Alguns dizem que, para poucas pessoas sortudas, as memórias da alma se abrem em forma de sonhos quando se encontra a alma gêmea.
– Não faz sentido mais uma vez – murmurou e continuou mesmo que a porta do seu escritório tivesse se aberto e Jonghyun entrado – como que você pode dizer que essa alma gêmea não faz a pessoa se apaixonar por outra, mas ao mesmo tempo, quando duas pessoas assim se veem se apaixonam justamente porque a porcaria das “memórias da alma” se abriram!
– NEM TODA ALMA GÊMEA É ROMÂNTICA! – Falou alguns tons acima do seu normal, e então respirou fundo – Jinkie, hyung, o que essas memórias fazem é apenas te mostrar o que o passado já foi e o futuro vai ser, ao lado dessa alma que você conhece. Significa que vocês vão se conhecer, mas ser um casal? Existem várias formas de amor. Ele pode vir como um pai e um filho, dois melhores amigos, ou dois amantes. No final, o que importa, é que é amor e que essas almas estão juntas!
– Bonito – Jonghyun falou, forçando uma tosse para interromper a briga, e o CEO agradeceu mentalmente – digo, o que o Tae disse foi bonito. – O mais novo sorriu para ele enquanto disse um “claro que foi”. O secretário se virou para seu chefe, uma expressão séria agora – Normalmente iria para Minho com esse tipo de situação, mas achei que gostaria de saber. Tem um homem fazendo uma confusão na recepção. Ele está procurando por Kibum-ssi aos berros.
Isso fez com que o Lee mais velho se levantasse imediatamente e, sem dar qualquer palavra, saiu da sala para descer escadas até a recepção, o mais novo em seu encalço, e não precisava olhar para ver Jonghyun seguindo-os. Quando chegou ao local viu a recepcionista do momento se escondendo atrás do balcão, enquanto um homem de aparentemente 40 anos batia no balcão com força o suficiente para ter trincado o vidro em poucos minutos. Um segurança tentava, inutilmente, segurá-lo sozinho.
– CADÊ ELE? VAMOS, ELE SABE QUE TEM OBRIGAÇÕES!
– Licença – Jinki comentou, chegando perto do homem – pode me informar o que você está fazendo na minha empresa?
O homem se voltou para ele e imediatamente Lee reconheceu os traços: os lábios pequenos, as bochechas altas, seu rosto tinha o formato oval, mas ainda assim ele e Kibum eram extremamente parecidos.
– PAI! – Isso fez com que todos se voltassem para ver o segundo segurança chegando ao local trazendo consigo um Kibum, ainda de jaleco, e olhos arregalados. – O que você está fazendo aqui?
– SEU MERDA – o homem avançou tão rápido em Kibum que foi difícil prever o movimento, que dirá segurá-lo. O Sr. Kim estava na frente de Jinki, e um segundo depois prendia o seu filho na parede pelo pescoço. Ele era alto e forte, seu corpo era o triplo do rapaz, e ele foi facilmente preso com apenas uma das mãos. O CEO viu, chocado, os olhos felinos que tanto gostava se arregalarem, enquanto dedos longos batiam no ombro do outro tentando empurrá-lo. Os dois seguranças estavam tentando puxar o outro também. Conseguiu ver, de canto de olho, Taemin ligando para a polícia, enquanto Jonghyun ligava para alguém, suspeitava que uma ambulância. A recepcionista saiu correndo de forma que ela achava despercebida, mas Lee notou sem nem ao menos virar para conferir se ainda estava lá.
Viu as mãos se moverem para tentar empurrar o homem que o segurava. E quando, por um milagre, e a ajuda de um terceiro segurança que chegou, a mão folgou um pouco, conseguiu ouvir a voz rouca e ofegante:
– SAI DAQUI! DEIXA A GENTE EM PAZ!
Então enquanto ele tinha sonhos românticos aleatórios, Kibum sonhava com isso? Percebeu que o homem gritava acusações que simplesmente não conseguia entender, algo sobre pratos sujos e trabalhar demais. Assim que a mão do Sr. Kim folgou o suficiente para Kibum cair no chão, joelhos cedendo imediatamente, ele caiu sentado no chão. Os braços se moveram rapidamente para cobrir o rosto em um gesto de defesa que Kim tinha visto o outro fazer várias vezes em seus sonhos. Lee foi mais rápido, correndo, ajoelhando em tempo recorde e se colocando entre Kibum e a mão que desceu forte em suas costas. Dedos longos seguraram sua blusa e o CEO segurou a nuca do outro, trazendo-o contra seu peito.
– O QUE É ISSO AGORA? – Outra porrada desceu forte nas costas de Jinki – CONSEGUIU UM CAFETÃO?
– Jinki – ouviu a voz suave de Kibum, enquanto o trouxe ainda mais perto, sentindo a força da mão do outro em suas costas – Sai.
Nesse momento ouviram sirenes, mais de uma, e em minutos, com muita gritaria, o homem foi contido. Muitas pessoas passavam correndo, olhando, e Lee estava ali, segurando o estagiário em seus braços, sem se preocupar se outras pessoas veriam. Ou se suas costas estavam doendo. Ficaria ali até que o corpo do outro parasse de tremer. Até que os pesadelos acabassem. E os machucados sumissem. Os físicos e os internos também.
– Jinki? – Ouviu a voz de Taemin soar longe, mas se virou mesmo assim. Percebeu somente naquele momento que estava sentado no chão, Kibum seguro em seus braços, exausto contra seu peito. Seu irmão sorriu para ele – acho que precisamos levar o Kibum-ssi para o hospital.
Lee olhou em volta lentamente. Todo o setor C observava tudo, expressões entre preocupação e choque enfeitavam seus rostos. Tinha vidro pelo chão. Aparentemente o balcão tinha finalmente quebrado. Jonghyun dava ordens para a equipe de limpeza. Kibum estava em seus braços. Como deveria ser.
– Não.
– Jinki! – Deixou o ar escapar de sua boca com força – ele precisa ser examinado para saber há quanto tempo isso acontece.
O CEO olhou para baixo, seus olhos se encontrando com os de Kim e imediatamente soube o que precisava fazer. Era quase como se não precisassem falar naquele momento, sabia exatamente o que precisava fazer.
– Ok, – viu Taemin sorrir e acenar aos médicos – mas eu preciso ficar com ele.
– Mas-
– Ou isso, ou nada de exames – explodiu, apertando o outro contra si – ele está cansado, assustado, foi interrompido em meio ao trabalho por gritos e apanhou na frente de todas as pessoas que conhece, está com vergonha. Mesmo que ninguém aqui julgue ele por isso – olhou friamente para todos na sala – além disso, o namoro dele com o dono da empresa na qual ele é apenas estagiário acabou de ser exposto da pior forma possível, e você ainda quer que ele passe por todo esse processo traumático de exames sozinho?
Taemin abriu e fechou a boca algumas vezes, sem saber exatamente o que responder, e então finalmente deu de ombros.
– Certo, falarei aos médicos.
Viu o mais novo se afastar e então voltou a atenção para Kibum. Deixou seus dedos correrem os frios negros no que esperava ser uma caricia agradável, e sussurrou.
– Precisamos levantar. Vamos ao médico e depois você dorme no meu quarto de hóspedes. Tudo bem?
O rapaz assentiu, e levantaram juntos. Lee percebeu que suas costas estavam doendo ainda, onde o pai do outro bateu, mas não se importou. Estava em segundo plano agora. Quando saíram de mãos dadas, a imprensa insuportavelmente em volta deles, e as duas mãos abraçando Jinki por trás, enquanto Kim lhe abraçava escondendo o rosto em suas costas e sua nuca com um capaz, o mais velho percebeu que até em meio ao inferno, estar perto do outro tornava o dia um pouco mais colorido.
Handmade
Os exames serviram para comprovar tudo aquilo que todos já sabiam: os abusos eram de longa data agora, e Kibum estava quebrado por dentro e por fora. O rapaz tinha o corpo coberto de hematomas e cicatrizes. Sentiu que Kim se encolheu quando notou seu olhar, mas sorriu para ele. A verdade era que tudo aquilo importava tão pouco. Era inacreditável ter um sentimento tão forte por alguém que conhecia há quase dois meses agora, mas seu coração doía com a ideia de algo acontecer com o outro.
Kim Kibum dormia na cama de Lee Jinki naquela noite. E o CEO estava na sala de seu apartamento, olhando a janela. Saber que o outro sofria tanto gerava uma dor quase insuportável em si, como se seus sentimentos estivessem interligados, presos um ao outro por uma linha invisível.
– Não sei se isso é uma boa ideia – uma menina disse para outra. Seus cabelos crespos voando enquanto encarava a menina a sua frente.
– É só um teste – a outra riu – todo mundo faz isso e nada acontece.
Ela respirou fundo, se controlou para não bater o pé no chão – tinha 18 anos e era muito velha para esse tipo de atitude – e encarou o penhasco. Era alto demais e as ondas quebravam violentamente contra a pedra. Estava longe de parecer uma boa ideia.
– VAMOS!
– Eu não quero, de verdade.
– Trouxa. – Ela reclamou, mas seu tom era carinhoso. – Eu vou mesmo assim!
Viu a outra pegar distância e correr, se jogando da pedra diretamente no mar. Se inclinou para ver a amiga subir e rir da sua cara. Ela não subiu.
– Jinki?
O CEO se virou para ver Kibum lhe fitando com olhos arregalados no canto. O rapaz estava com os próprios braços em volta do corpo e parecia hesitante.
– Diga, Bum.
O apelido carinhoso foi claramente uma surpresa, mas claramente não foi desagradável.
– Tive um pesadelo – contou em tom de conspiração.
Lee não fez nada, apenas abriu um de seus braços e deixou o outro se aninhar contra si. Era facilmente a coisa mais confortável que já haviam feito. Não precisavam de sexo, não ainda, ao menos. Não quando um abraço parecia tão íntimo quanto ficar nu em frente a alguém. Quando estavam juntos a sensação que o mais velho sentia era de um mundo mais vivo, com cores saturadas e brilhantes, e no qual felicidade era o sentimento mais comum a todos. Ou só a eles dois.
– Quer contar? – O rapaz negou.
Passaram alguns minutos apenas observando o céu estralados e compartilhando um abraço.
– Ele sempre foi assim – Kibum murmurou – desde que tenho lembranças, batia em mim e em minha mãe, nunca conseguimos correr – fungou, como se estivesse perto de chorar – sempre estraga meus relacionamentos, meu trabalhos, tudo! Não sei como durei tanto tempo na KAIST sem ele estragar isso também.
Calmamente Lee o apertou mais contra si.
– Ele não estragou seu estágio.
– Mas-
– Nem a gente – continuou, sorrindo para ele – ainda somos-
– Namorados? – O outro completou, rosto corando suavemente ao lembrar da bronca que o CEO tinha dado em Taemin ao tentar separá-los para exames.
Lee Jinki corou como há muito não fazia.
– Se quiser – sussurrou.
– Como poderia não querer? – Respondeu, olhos incertos, porém carinhosos – é tão estranho, te conheço há tão pouco tempo e... Parece que meu coração vai explodir em meu peito – sorriu um pouco – tive muito medo que ele estragasse isso também.
– Ele não vai mais chegar perto de você – respondeu firmemente – Dois meses e eu sou tão seu como nunca imaginei que poderia ser de alguém – beijou o outro nos lábios. Isso sempre seria um evento, sempre faria a Terra girar ao contrário e sempre faria seu coração bater mais rápido. Não precisava ser vidente para saber que ficariam para sempre daquele jeito.
– Achei que era seu namorado? – Perguntou alguns minutos depois.
Isso fez Kibum fungar mais uma vez, a tristeza voltando a sua expressão enquanto ele sorria suavemente.
– Eu... hum... Menti – explicou calmamente – achei que se te contasse que estava fugindo do meu pai – piscou, lágrimas caindo por seus olhos – ia me jogar de lado, sabe? Achar que não tenho bons sentimentos. Tantas pessoas já me falaram que preciso amar meu pai, mas não sou capaz de sentir nada por ele além de ódio, sabe? – Respirou fundo, soando exausto – Não estou acostumado a isso – gesticulou entre eles – nunca tive isso, mal tive amigos, não sei se consigo me abrir, não sei se-
– Shh – segurou as duas mãos de Kim entre as suas – eu não quero saber tudo agora, um dia sim, mas agora? Nesse momento, quero apenas te beijar, abraçar e ter certeza que está tudo bem.
– Mas-
– Eu não tenho que te pedir para ficar bem amanhã depois de tantos anos de abuso, sabe? – Continuou, segurando o rosto do outro entre suas mãos agora – posso te dar apoio, todos os tipos que precisar e te aceitar exatamente como você é, está tudo bem assim?
Kim piscou e lágrimas desciam suavemente de seus olhos, assentiu lentamente e então balançou a cabeça.
– Sei que está tarde, mas podemos ir a um lugar?
Alguns minutos depois estavam entrando em um cemitério que ficava relativamente longe do apartamento de Jinki, e era assustador à noite, mas Lee apenas entrelaçou seus dedos aos de Kibum e foram andando até achar uma lápide especifica. Estava na parte mais pobre do local, não tinha foto, ficava em uma enorme parece com outras pessoas e tinha um pequeno espaço para flores que estava vazio. Kibum se aproximou, tocou suavemente as letras ali.
– Está tudo bem – murmurou para a pedra – ele está preso agora. Queria tanto que você estivesse aqui para ver isso. Tentei tanto segurar e não denunciar, como sempre me pediu para fazer, mas foi diferente hoje, mãe. Não tinha como e, desculpa, sei que não queria ele preso, mas sei que no fundo queria sim. Isso não era amor. Eu imagino agora o que pode ser amor, não tenho certeza – Jinki corou, mas não disse nada – e não era isso.
Lee olhou em volta, querendo dar privacidade ao outro e ao mesmo tempo cumprindo sua função de ficar ali, como o outro tinha pedido. Estava perto de começar a sonhar acordado, quando ouviu a voz de Kim direcionada a ele:
– Queria fazer intercâmbio para fugir de meu pai – disse a explicação suavemente – quando começou a notar meus machucados, tive medo, achei que poderia achar que era uso de drogas e me expulsar da empresa. Depois notei que tinha interesse em mim e não sabia o que fazer – corou um pouco – lembrava dos meus pais. Ele batia nela e em mim. Depois voltava com flores. Odeio flores – murmurou – nunca coloco flores aqui, me soa falso, coloco sentimentos – virou seu rosto para Jinki com um sorriso suave – não te conheço há tanto tempo, mas algo me atrai em você, como um imã, como disse logo lá no início – balançou a cabeça, dedos ainda no tumulo de sua mãe – essa força me diz que será diferente disso.
– Sempre – murmurou, se aproximando para tocar a mão livre do outro – Sempre serei diferente disso.
Inclinou-se para beijar suavemente os lábios do outro e, quando abriu os olhos novamente, eles bateram em um túmulo que estava no chão, perto daquele que visitavam. Uma moça sorria em sua foto e o nome brilhava: Jung Chohee.
Jung Chohee.
Reconhecia esse nome.
Handmade
– Acredita em alma gêmea? – Perguntou, enquanto faziam o caminho de volta para casa.
Kim pareceu pego de surpresa e pensou um pouco antes de responder.
– Acho que sim – sorriu um pouco – não sei, acho que eu quero acreditar, sabe? Quero acreditar que tem alguém por aí que me ama tanto que vem me amando há várias vidas.
– Não é triste? A ideia de que você não decide nada, que tudo vem pronto numa caixinha e você tem que aceitar?
– Você realmente sempre pareceu uma daquelas pessoas mais céticas – ele riu suavemente – mas eu vejo de outro ângulo: você tem escolhas, nem todas as almas gêmeas são românticas, e também, para mim soa muito como um amor feito à mão para você. Sabe quando você vai em lojas e compra uma roupa, mas ela nunca fica tão bem em você quanto uma feita à mão? Então.
– Feita à mão? – Lee franziu a testa.
– Sim, veja bem, essas almas estão sempre procurando equivalência na Terra, certo? – Ele parecia mais empolgado em explicar, era típico de Kibum: se empolgar com uma teoria doida sobre almas gêmeas – Então nossa personalidade física e nossas vivências são feitas para encaixar perfeitamente nas necessidades de outra pessoa e vice-versa, como se ela fosse feita à mão para se encaixar perfeitamente em você.
Era realmente um conceito bonito, Lee refletiu. Imaginar que tinha alguém feito exatamente para ele rodando o mundo era inquietante, de qualquer forma, sendo que ele sentia que a pessoa ideal já estava ali ao seu lado. Kibum era feito à mão para si. Enquanto Jinki era cético, racional, Kim era emoção e impulsividade, os dois traziam coisas diferentes e novas um para o outro constantemente. Se o CEO precisava de cores em sua vida, o estagiário era um arco-íris. Se o mais novo precisava de segurança e respeito, o mais velho era extremamente respeitoso.
Se tinha uma alma gêmea, só poderia ser esse rapaz sentado ao seu lado no carro. E, de repente, essa possibilidade não parecia tão assombrosa ou improvável.
Handmade
Deixou Kibum dormir por cima de si no sofá e ligou a televisão no tal documentário que Taemin queria tanto que ele visse. Aquele das almas gêmeas. Muita bobagem, pensou consigo mesmo.
E então o filme começou a explanar como as pessoas iam sempre se encontrar da forma certa e no momento certo, e suas almas saberiam imediatamente, iriam se atrair como um ímã. Como um toque apenas era o suficiente para despertar esses sentimentos. Um leve tocar de dedos. Um aperto de mãos em uma reunião.
Essas almas raramente tinham algum controle do corpo atual, normalmente vivendo adormecidas dentro do físico que habitavam atualmente, apenas engrandecendo-se diante de seus bons atos e ficando cada vez menores diante de atos mesquinhos. Algumas pessoas tinham uma facilidade, no caso, de ver a própria alma. De ver os sonhos. De sentir ainda mais forte quando conheciam a pessoa certa para elas.
Jinki sempre foi cético, mas chorou com o outro em seus braços. Pensou em abandonar completamente esses sentimentalismos bobos, sem deixar o outro voltar para casa sozinho e terminar tudo ali, mas valia a pena? Precisava transformar a própria vida em um conto bobo de comédia romântica no qual o casal precisava brigar para terminar junto no final, ou poderia simplesmente aceitar a realidade dos fatos? Engolir seu ceticismo e aceitar que seu amor foi feito à mão para o amor que Kibum poderia oferecer e vice-versa.
Ele era essa pessoa certeira, direta ao ponto, e Kibum precisava disso. De alguém que não contasse que ele fosse pegar entrelinhas em relacionamentos, enquanto Kibum era sensibilidade em pessoa. Ele era um coração machucado que precisava de conforto e faria Jinki ver o mundo brilhar ainda mais.
Eram perfeitos. Eram únicos.
Talvez precisasse aceitar que suas almas estavam destinadas a se conhecer. A se amarem. A se acharem. Era a segunda natureza deles. Poderia engolir o orgulho e ouvir todas as piadinhas do Taemin pelo resto da vida. Segurou Kibum mais firmemente contra si e sorriu. Valia a pena.
E todos eles se abraçavam. Beijavam-se. Diziam eu te amo. Duas meninas abraçadas. Dois rapazes debaixo de uma escada que marcava a história deles. Amigos correndo pelo cemitério. Risadas de várias eras enchiam o ar. Eu te amos eram jogados ao vento e caíam nos lábios de Jinki. E não é que, no final, eles realmente eram resultado de algo especial? Quando se beijavam, sentiam energia de tantas gerações diferentes. Sempre se achariam. Curar-se-iam. Amar-se-iam. Um loop eterno no universo. Era o destino deles. Afinal, o amor feito à mão se encaixava muito mais que um comprado em uma loja.
--
Notas finais: Não sei se era exatamente isso que queria, espero que sim! Como disse quando pedi as adms para tirar a dúvida: Jinki continuou sendo empresário, mas o Bum mudou um pouco. Espero que não seja um problema. FIz a fic com todo o meu carinho, espero que gostem <3
--
Plot enviado: #214 - Poucas pessoas conseguem lembrar-se de suas vidas ou amores passados, no entanto, quando o amor é forte demais, não há tempo que possa apagá-lo. E bastou que Jinki apertasse a mão de um de seus clientes, por mera cortesia, para recordar-se de memórias das quais jurava não ter vivido.
--
Não se esqueçam de comentar e fazer o autor feliz! (opção disponível na versão desktop do site)