koblishenâ:
A intenção de Kobe era encostar seus lĂĄbios nos de Brooke por alguns segundos Ășnica e exclusivamente para que ela se acalmasse (ou pelo menos era isso que afirmaria para qualquer um que perguntasse), mas quando sentiu o corpo dela suavizar ao seu toque ele nĂŁo poderia negar que algo parecia ter se remexido em seu estĂŽmago. Sensação essa que aumentou quando a morena correspondeu ao beijo e ele se deixou levar pelo momento. Deixou que seu toque sobre a pele dela se tornasse mais firme e lentamente a puxou para mais perto de si. Ok, aquilo estava saindo de controle, a parte racional de sua mente constatou. PorĂ©m Kobe nĂŁo queria parar e nĂŁo fazia ideia do porque nĂŁo queria parar. Ele nem ao menos gostava de Shafiq, como poderia gostar de beijĂĄ-la?
Interrompeu o contato entre eles Ă contragosto. Independente do que estava sentindo, Kobe jamais se aproveitaria da situação para conseguir qualquer coisa. âEu vou nos tirar daqui, ok?â Falou entre uma tosse forçada e um pigarro, mantendo sua voz surpreendentemente calma, mas sem coragem de encarĂĄ-la. Ainda sentia o fantasma do corpo de Brooke em suas mĂŁos e tentou limpar a sensação em sua calça, sem sucesso. Seja lĂĄ o que tinha acabado de acontecer, parecia que Kobe carregaria aquilo consigo por um bom tempo ainda. Caminhou em direção a sua mesa, procurando em sua gaveta alguma coisa que pudesse os ajudar. Se admirou quando seus dedos encontraram uma pequena lanterna ali e ele pegou o objeto, voltando-se para a porta do escritĂłrio deles. Aquela porta nĂŁo deixaria a luz de uma varinha passar, contudo provavelmente nĂŁo tinha nada que impedia a luz de uma lanterna trouxa, que o Blishen agora desligava e ligava, tentando mandar um sinal para quem estivesse de fora. Fez tudo isso sem olhar para a morena uma Ășnica vez, sem se deixar questionar sobre o que ela estaria pensando, se ela estava planejando a morte dele pelo que tinha feito ou se ela tambĂ©m estava se sentindo esquisita, como ele.
Ainda em condiçÔes normais, onde nĂŁo estava sob um nĂvel de estresse altĂssimo, era apropriado dizer que ainda sim, Brooke nĂŁo tinha a sua cabeça em ordem. Agora, sentia como se um furacĂŁo tivesse embaralhado todos os seus neurĂŽnios, deixando-a em completo caos. Afinal, apenas o nĂvel alto de cortisol explicaria a loucura que era estar gostando tanto de ter sido beijada naquele momento. Sobretudo, por quem.Â
Sentiu um brisa gelada tocar seu corpo nos lugares onde, atĂ© entĂŁo, as mĂŁos e os lĂĄbios de Kobe estavam. Sentindo atĂ© mesmo um certo incomodo quando ele se afastou. Seus olhos se abriram em um susto quando a voz do mais velho soou. âAham.â Foi o que conseguiu responder para o outro, se afastando rapidamente, passando as mĂŁos pelos cabelos escuros, deixando-os, nĂŁo propositalmente, bagunçados. Sentou-se em sua mesa e pegou um caderno qualquer e o abriu em frente ao seu rosto, tampando-o completamente, enquanto fingia que lia as pĂĄginas em branco. Seu rosto queimava de vergonha enquanto seus pensamentos se encontravam em pura insalubridade. Estava concentrada na pĂĄgina vazia a sua frente quando ouviu passos do outro lado do corredor, acompanhados da voz do segurança. âTem alguĂ©m aĂ? Por Merlin!â Brooke, sem pensar duas vezes largou o caderno vazio e se levantou da cadeira em um pulo, sentindo seu tornozelo torcer durante a ação, mas nĂŁo tinha tempo e nem coragem para reclamar da dor que irradiava pela sua perna. Mancando, se arrastou atĂ© a porta, ao lado de Kobe e começou a bater na porta com os punhos. âYES! Please open the door.âÂ












