Heather odiava despedidas. Odiava também a sensação horrível que se arrastava por dias, de que nada, nunca mais seria o mesmo. Tentava não se concentrar na bagunça que Matt fazia no próprio guarda roupas, procurando seus casacos, inúteis naquela parte do planeta. Dizia a si mesma que não havia motivos para chorar e ficar triste, pois o tempo cuidaria das coisas. Cuidaria dos dois.
– Acha que eu devo levar essa camiseta?
– Não. – murmurou. – Queria ficar com ela.
– Ela destaca seus olhos. – o rapaz comentou, alternando o olhar entre a namorada e a camiseta.
– Concordo.
– Você está quieta. – o rapaz comentou, se deitando ao lado dela, de modo que ficassem frente a frente e ele pudesse acariciar o rosto da moça. Ela fechou os olhos e se aconchegou nos braços do rapaz, respirando fundo, tentando memorizar o perfume dele, a sensação boa que o abraço dele passava.
– Eu poderia ficar aqui para sempre. Só nós dois. E a Morgana. – ela completou rapidamente, provocando riso no rapaz. – Você precisa de ajuda em algo?
– Não, vamos dormir. – ele resmungou e ela riu. O rapaz escondeu o rosto na curva do pescoço da namorada, depositando ali, vez ou outra, beijos. Eles nunca haviam passado tanto tempo juntos daquela maneira e o fato de isso estar acontecendo na última semana de Matthew na Nova Zelândia deixava tanto ele quanto Heather tristes. Desapontados consigo mesmos, talvez.
– Eu não quero dormir, Matt. – ela choramingou. – São seus últimos dias aqui, não quero passar dormindo mais que o necessário.
– Isso é golpe baixo. – ele riu, de olhos fechados. Heather sabia que era, mas não se importou em usar. – Tem uma coisa que eu gostaria de lhe pedir.
– Ah, Matt! – ela suspirou teatralmente. – O que você não me pede rindo que eu faço chorando, não é mesmo, docinho?
Ele riu e continuou acariciando o rosto dela, em silêncio, o sorriso diminuindo pouco a pouco. Os olhos dele logo ficaram vermelhos e lágrimas caíram dos olhos do rapaz. Como resposta, ele apenas afundou o rosto na curva do pescoço da namorada, tentando gravar cada uma das sensações que Heather despertava nele.
As malas nos degraus da escada que dava para o jardim indicavam que o dia de partir havia chegado. Luke ajudava Matt com as malas, enquanto Eleanor pegava a assinatura do rapaz em alguns documentos necessários para que o restaurante continuasse funcionando, mesmo sem ele.
Heather observava tudo de longe, sentada debaixo algumas palmeiras ao lado da casa do rapaz, junto de Morgana, que choramingava baixinho. Matthew pediu que cuidasse dela e Heather não pensou duas vezes antes de aceitar.
Viu Matt sair da casa e parar nas escadas, olhando bem em volta, se despedindo, mesmo que por pouco tempo. Logo em seguida saíram Eleanor e Luke, enquanto Scott tentava trancar a porta dos fundos. Ela não se manifestou, nem se moveu, apenas permaneceu de longe, assistindo a primeira pessoa pela qual se apaixonou ir embora.
Voltou a atenção a Morgana, que implorava por carinhos e choramingava vez ou outra por conta da falta de atenção da moça.
– Realmente, ela te ama mais.
– Você sabe que isso não é verdade. – Heather assegurou, doce. – Ela apenas prefere o meu carinho. – O rapaz riu, se abaixando para fazer carinho na cachorra.
– Meu táxi já vai chegar. – ele cochicho, como quem não quer nada. – Não queria ir sem antes te dizer que sinto muito. Pelo tempo perdido, pelas brigas egoístas e por te deixar. A parte mais difícil é te deixar.
– É difícil de ver partir rumo a tantas outras aventuras, Matt. – ela interrompeu. As palavras tinham um gosto salgado, gosto das lágrimas que escorriam pelo rosto da moça, gosto de saudade. – É difícil pra caramba te deixar ir para correr atrás dos seus sonhos.
O rapaz sentia o peso de cada palavra que saía da boca da amada, e temia pelas quais ainda não foram ditas. Ela soluçou, e acariciou o rosto do namorado com as pontas dos dedos.
– Eu sempre soube dos seus sonhos e não quero que desista deles, Matthew. Você não está me deixando, eu estou escolhendo ficar. Quero que saiba que te amo, independente do tamanho do oceano que nos separe.
Tudo o que ele conseguiu fazer foi abraçá-la, pois falar agora era algo impossível, improvável, impensável. Abraçou-a forte, numa tentativa de transformar Heather em uma parte dele. Mas quando a moça se afastou um pouquinho, o suficiente para lhe beijar os lábios, que tremiam um pouco, Matt soube: Heather sempre seria parte dele, a melhor parte.
E enquanto acenava de dentro do táxi, tentando manter um sorriso, apesar das lágrimas e apesar de deixar Heather aos prantos abraçada à Scott, notou algo que o fez sorrir, como um fagulha de esperança: ela vestia a sua camiseta.
Como de costume, Heather estava atrasada. Já conseguia ouvir o sermão que Eleanor iria passar ao vê-la passar pela porta do restaurante. Mas talvez o motivo do atraso pudesse amansar a fera. Pelo menos, era o que Heather Dean esperava.
O céu naquele dia tinha uma cor curiosa: não chegava a ser cinza nem azul. Algumas nuvens escuras ocultavam o sol e deixavam Heather na esperança de que chovesse. Desde que Matt fora para Europa não chovia em Mount Magnui. Três semanas.
Três semanas e eles se falavam todos os dias, religiosamente, às 8h da manhã para Matt e 20h para Heather. As doze horas que os separavam costumava ser causa de riso dos dois, sempre fazendo confusão e contando fatos com datas erradas. Porém, se falavam todos os dias.
Ao atravessar a rua, uma rajada de vento atingiu seu rosto em cheio, bagunçando seus cabelos recém cortados. Heather ansiava por uma mudança no visual. A moça, antes loira natural e de cabelos longos, agora tinha os cabelos bem claros e na altura dos ombros.
Ao sair de dentro do salão de beleza, era como se estivesse caminhando em direção à uma nova forma de viver, uma rotina. Se sentia uma pessoa completamente diferente. Sabia que a mudança era contínua e amava isso.
“Heather Louise Dean,
No momento, estou sentado em uma mesa bem no centro de uma cafeteria que você amaria, tenho certeza. Paredes em tom pastel e toalhas de mesa em xadrez vermelho. A iluminação baixa deixa tudo mais aconchegante e intimista. Ela vem me dado ideias para adotarmos futuramente no restaurante.
Os dias sem a sua presença passam de uma maneira cruelmente lenta. E por mais poético, cheio de rima e artístico que isso possa parecer, não é muito legal não, devo dizer. E o que piora a situação, Heather, é que tudo tem um pouquinho de você. Tudo me faz lembrar você.
A minha vizinha do andar de cima que canta Cher o dia todo, o rapaz que vende jornal na rua de baixo, que usa uma camiseta do time que está em primeiro lugar no campeonato de futebol francês, a menininha que é a cópia em miniatura de Eleanor e eu sei que só você concordaria. Tudo me faz lembrar de ti. E eu sinto que aos poucos estou enlouquecendo.
Mas então você me liga de manhã e tudo está bem novamente, porque posso te contar cada acontecimento bobo e insignificante do meu dia, assim como costumava fazer quando estávamos no mesmo ambiente. E você me conta sobre o seu dia, que é sempre mais interessante que o meu, por que você sabe contar as coisas direito. Mas eu tenho um ano pra aprender, não é?
Estou fazendo uma lista de lugares incríveis que quero te levar para conhecer. Por exemplo, o Louvre. É tão lindo que você derramaria algumas lágrimas com certa facilidade. Eu chorei. Estar cercado por todas aquelas obras de arte que você sempre ouviu falar, mas nunca teve a expectativa de ver, por que, poxa, estão tão longe! É um sentimento indescritível. E mesmo que fosse possível descreve-lo, sabe que sou péssimo com as palavras.
Duas quadras de onde moro, há um pequeno bar onde o meu professor trabalhou quando tinha apenas doze anos de idade. Eu e uns colegas de curso, curiosos para conhecer o lugar, decidimos entrar e pedir apenas umas cervejas. Heather, o nosso cinismo caiu por terra. Parafraseando Eleanor, aquele lugar é mágico! Não sei dizer se são as luzinhas espalhadas por todo o salão, ou o jukebox estrategicamente posicionado ao lado da pista de dança. Quando vier me visitar, aquele bar tem que fazer parte do nosso tour.
Não vejo a hora de vê-la novamente, Heather. Muito obrigado pelo incentivo e pelo apoio.
Com amor,
Matthew Stone
P.S.: A menininha, chamada Isla, manda um beijo. Aproveitando a deixa, mando dois.”
– Está tudo bem? – Eleanor questionou. – Faz uns quinze minutos que você está aí, parada, olhando pra tela do computador, rindo e chorando ao mesmo tempo. – ela enxugou a mão no avental e apontou para o balcão. – Devo ligar para alguém? Seus pais? A ambulância? Um curandeiro?
Heather fez careta e ambas riram. Eleanor, curiosa até o último fio de cabelo, se pôs atrás da amiga a fim de ver o que tanto chamou a atenção de Heather.
– Mas por que raios esse animal não anexou uma foto da criança? – ela reclamou. – Só fala, fala e fala! Querido, eu trabalho com imagens! – e saiu da salinha que usavam para guardar documentos. Heather ainda se perguntava como iria ser dali em diante, ela e Eleanor tocando o restaurante sozinhas, com uma mãozinha de Luke e Scott esporadicamente. Teria um ano para aprender. E estava bastante ansiosa.
Esperava que o ano a seguir fosse tão bom quanto o que passou. Ou melhor.
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“Você deve escrever porque isso traz felicidade e satisfação; “Eu escrevo pelo puro prazer do ato, e se você puder escrever por prazer, você pode escrever para sempre”.”
Acreditem ou não, Seaside está terminando. E quer você me acompanhe aqui ou lá no Wattpad (@ stillamermaid lá, me segue, docinho), gostaria de desde já agradecer de coração pelo carinho durante a nossa jornada. Tem sido incrível, eu surto com cada curtida, repost e as amadas asks. Muito obrigada. Logo, logo o ultimo capítulo está no ar! Espero vocês!!
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– Dá muito trabalho organizar festas de despedidas. – Eleanor reclamou, fazendo bico.
– Ou qualquer festa em geral. – Luke acrescentou.
Matthew rolou os olhos, mas sorriu ao pegar as sacolas com garrafas de refrigerante.
– Vocês reclamam demais. Mas não se preocupem, está quase tudo pronto.
Eleanor bateu palmas e saiu para atender uma ligação da mãe. Luke, que havia notado a mudança no humor tanto de Heather quanto de Matthew, perguntou:
– Conversou com Heather?
Matthew tentava manter as coisas em ordem, pois ainda pretendia fazer uma surpresa para Heather no dia seguinte e tudo precisava estar perfeitamente organizado.
– Sim.
Luke cerrou os olhos e franziu o cenho. Decidiu arriscar e abusar do bom humor do amigo e fazer mais uma pergunta:
– E o que ela disse?
– Luke. – Matt suspirou. – Estamos bem, ok? Estamos aproveitando ao máximo o tempo que temos juntos, por que o futuro à Deus pertence, não é mesmo?
O amigo apenas concordou, acenando com a cabeça.
– Fico feliz por vocês dois. – ele concluiu. – De verdade. Você é como um irmão pra mim e tudo o que quero é a sua felicidade.
Matthew sorriu e abraçou o amigo, agradecendo baixinho. Luke fora o guia durante tempos difíceis, sempre o mais emotivo e calmo dos dois. Era aquele que fazia Matt sorrir depois de problemas.
Matthew não costumava receber tantas pessoas em sua casa de uma vez, mas a sensação era tão boa que queria repetir novamente em breve. E a festa mal havia começado. Heather, vestindo uma jardineira jeans e uma camiseta do Gorillaz andava entre os convidados servindo bebida, docinhos ou conversando amigavelmente. Estava tão linda, iluminada, como se tivesse roubado a luz de alguma estrela para si.
– Esses kibes estão divinos. – Diana elogiou, se aproximou do rapaz, com um sorriso maternal. – Está de parabéns, meu querido. Será muito bem sucedido em tudo o que fizer.
Ela o abraçou de lado, da mesma maneira que faria com a filha, e beijou a testa do rapaz.
– Estou sentindo um frio na barriga, mas não aquele bom. – ele confessou. – Estou com medo de dar um passo maior que a perna e acabar perdendo tudo o que tenho aqui.
Ele olhou ao redor, com um sentimento estranho, uma sensação gelada e incômoda na boca do estômago que lhe fazia perder o ar. Por fim, seu olhar pousou em Heather, que cantava Ops! ... I Did It Again com Eleanor e Scott. Diana acompanhou o olhar do rapaz e sorriu.
– Não se preocupe quanto a isso. – ela tranquilizou. – As coisas vão se acertar e tudo vai dar certo. Falo por experiência própria.
Ela piscou e se afastou para pegar mais um copo de suco, enquanto acenava para a filha, que tentava convencer Luke a cantar junto com ela, Scott e uma Eleanor muito animada.
A música animada repentinamente deu lugar a uma música antiga e lenta, escolhida a dedo por Scott. Matt se aproximou da namorada e sorriu sapeca.
– Me concede a honra desta dança, senhorita?
– Certamente, meu bom senhor. – ela riu, o rosto bem próximo ao do rapaz enquanto ouvia Elvis cantar uma de suas músicas favoritas, Love Me. – Eu amo essa música.
– Eu sei.
Trocaram um sorriso cúmplice, lembrando do fim de semana que passaram juntos, longe do resto do mundo. Heather, que estava sob efeito de algumas taça de vinho rose, deu um selinho no rapaz, e em questão de segundos se afastou e começou a dançar com Lea.
Luke, que estava sentando no sofá, bebendo suco de laranja e hora cantava junto com as garotas, hora fotografava a cena e ria de maneira despretensiosa, bateu a mão no assento do sofá, convidando Matt para sentar ao lado dele.
– O repertório delas é muito rico, fico embasbacado toda vez que uma música nova começa. – Armstrong cochichou para o amigo, que riu, atraindo alguns olhares curiosos, incluindo o de Heather.
– Concordo. Só Eleanor e Heather conseguem cantar e dançar Britney Spears e logo em seguida Elvis Presley.
– E sem perder a empolgação.
– E sem perder a empolgação. – Matt repetiu, olhando para Heather, que correspondia o olhar, sorrindo. Luke, alternando o olhar entre Heather e o melhor amigo, perguntou sussurrando:
– Você não vai ...
– Vou. – Matt respondeu, sem mudar a expressão facial.
– Quando?
– Agora. – o rapaz se levantou e foi em direção a namorada, que arqueou a sobrancelha e deu dois passos para trás, suspeitando de algo.
Luke ficou, de longe, assistindo a cena ansioso. Havia ajudado Matthew durante três dias na sua procura, aparentemente infinita, pela joia perfeita para a namorada. Quando Matt se afastou da garota, permitindo assim que Luke pudesse ver o singelo brilho do colar no pescoço da moça, suspirou aliviado.
Logo Eleanor notou o que havia acabado de acontecer e começou a rir e bater palmas, tamanha alegria. Ela se sentou no braço do sofá enquanto gesticulava para amiga, atraindo a atenção de todos os presentes. Impaciente devido a falta de atenção da amiga, Eleanor gritou:
– Discurso, discurso!
Heather arregalou os olhos em direção à Luke, um pedido silencioso para que fizesse Eleanor ficar calada, mas não foi eficaz, pois o rapaz começou a imitar a namorada.
– Ah, droga! – resmungou, provocando sorrisos. – Bem, eu peço desculpas antecipadas por qualquer constrangimento causado pelas inúmeras sangrias tomadas até agora. – respirou fundo novamente, tentando pôr em ordem os pensamentos a fim de dar um pequeno e simples discurso sobre e para o namorado. – Eu não sei muito o que dizer, por que eu tenho medo de chorar até me desmanchar em lágrimas.
Ela respirou fundo. Uma. Duas. Três vezes. Fechou os olhos e concentrou-se no perfume de Matthew, que estava perto dela.
– Matthew e eu temos o costume de cozinhar juntos. Ambos amamos isso, ele escolheu como profissão e eu, por outro lado, como hobby. Matthew não costuma seguir receitas. Todos os ingredientes e a quantia necessária deles é estipulada à olho. E eu sou adepta da receita, por mil e um motivos, um deles é a memória de peixinho dourado. – ela riu para o rapaz. Eleanor já tinha os olhos vermelhos de lágrimas. – Mas infelizmente não há receita pra vida. Não existe uma quantidade de erros e acertos pré-definidos, ou quantas vezes você vai tentar para finalmente dar certo. Ou para dar errado também.
Todos na sala olhavam atentos à ela, que tentava a todo custo não chorar.
– Confesso que queria a receita da vida. – ela riu, acompanhada por alguns. – Assim eu saberia quais os ingredientes necessários pra fazer tudo dar certo. Então, como estamos todos medindo a olho, Matt decidiu que era hora de realizar um sonho dele. E eu decidi apoiar. Porém não irei com ele nessa aventura. – ela respirou fundo. – Não pessoalmente, porque não há como te separar de mim, Matt. Você é parte importante da pessoa que eu me tornei. Nós crescemos e evoluímos como pessoas juntos. Eu não quero te separar de quem eu sou, de quem eu me tornei. Por que eu te amo demais pra tentar fazer isso.
Nesse momento, algumas lágrimas escaparam e escorreram pelo rosto da moça.
– E eu aprendi, Matt, que amor também é deixar ir. E eu te deixo ir não por que você nunca quis ficar, mas sim porque sua vontade sempre foi ir. Sobre o futuro, já conversamos sobre isso, e acredito que as coisas vão acontecer no curso natural da vida. Vamos seguir a nossa própria receita e ver no que dá.
Plot twists são aquelas reviravoltas que alteram completamente o curso da história. Escritores e roteiristas amam isso. E aparentemente o universo também.
Heather sempre amou plot twists. Na ficção. Porque na vida real as coisas são um pouco mais complicadas. E duram mais que qualquer filme de duas horas de duração ou um livro de trezentas páginas.
Assim que chegou a casa, notou uma movimentação na cozinha e decidiu ir até lá para pegar um copo d'água e tentar se distrair com algum assunto banal que seu pai traria a tona em algum momento.
– Olá? – ela chamou. Da última vez que entrou na cozinha sem avisar, quase matou a mãe de susto.
– Estou na cozinha, filha. – ouviu Diana responder. Esperou um pouquinho antes de entrar, tentando de decidir se conversaria com a mãe ou não. Afinal, quais eram suas opções? Sofrer em silêncio ou desabafar com a pessoa que mais a amava no mundo?
– Precisa de ajuda, mãe? – Heather não tinha realmente a intenção de ajudar, apenas queria algo para distrair-se dos últimos acontecimentos, e estava muito cedo para bebidas alcoólicas.
– Bem, se puder, corte as frutas por favor. – Diana pediu, um pouco agitada, tentando preparar o café da manhã em pouco tempo a fim de não se atrasar. – Seu pai precisa comer mais frutas, legumes e verduras, mas ele é tão teimoso!
Diante do suspiro da mãe, a moça sorriu pensando em como os pais cuidavam um do outro.
– Dia corrido hoje? – a mais nova perguntou, fingindo estar concentrada em picar frutas. Mas Diana Dean não era boba nem nada, conhecia a filha como a palma da mão e notou assim que a moça entrou na cozinha que algo não estava em seu perfeito estado.
– Vamos só ao laboratório buscar alguns exames dos animais e trabalhar em cima dos resultados. – ela respondeu, observando a filha, que respondeu com um muxoxo. – Heather, o que está te incomodando, querida?
– Filha, por que vocês não deixam essa infantilidade de lado por um pouco e aproveitam o pouco tempo que ainda tem juntos? – Diana suspirou. – Jovens adultos são tão dramáticos.
Heather picava as frutas em silêncio, reagindo às palavras da mãe apenas por expressões faciais.
– Na idade de vocês, quando eu fui passar um semestre lecionando fora, eu e seu pai resolvemos as coisas de uma maneira mais simples e madura. – ela riu, lembrando da cena. –Na cara ou coroa.
– Maneira madura. – a moça resmungou, mas Diana não se importou.
– Eu precisava me decidir em menos de doze horas, e eu não sabia o que fazer. – ela então sorriu de leve. – Então o seu pai, que na época tinha um pouco menos de juízo do que tem agora, pegou uma moeda do colega de quarto dele e tentamos a sorte.
– E o que aconteceu? – Heather pareceu ficar interessada no fim daquela história. Mal conseguia acreditar que os pais haviam passado pelo mesmo que ela e Matt estavam passando.
– Eu fui. – Diana sorriu. – E nós não estaríamos aqui se eu não tivesse ido.
– Como assim, não estaríamos aqui?
– Esse trabalho que eu e seu pai temos na Nova Zelândia eu consegui por conta daquelas aulas anos e anos atrás.
Heather continuou a ajudar a mãe, pensativa. Tentava encontrar uma forma de fazer aquilo tudo funcionar.
A estrada parecia não ter mais fim. O sol brilhava forte no céu enquanto Matthew dirigia de volta para Mount Maunganui. Tentara amenizar o desconforto da viagem ligando o rádio, que tocava The Chain. O rapaz sempre ouvia essa música com os pais, fanáticos por Fleetwood Mac.
Enquanto tentava não de concentrar na sensação sufocante que estar dentro de um carro, dirigindo por um asfalto quentíssimo, sob um sol escaldante. Morgana, deitada no banco traseiro, estava claramente incomodada, resmungando de tempos em tempos.
– Calma, menina. – Matt sorriu. – Estamos quase chegando.
Matt havia feito uma viagem de quatro dias para conversar e organizar com fornecedores como as coisas seriam feitas dali em diante. Quatro dias de longas discussões que deixaram o rapaz exausto.
Assim que entrou na cidade, notou como estava calma. A onda de turistas havia deixado a baía de Plenty, mas voltaria logo. O rapaz sempre gostou de ver as ruas cheias de pessoas, de vida. Porém tinha de admitir que a cidade tinha lá seu charme quando poucos moradores caminhavam pelas calçadas.
Ao estacionar em frente o bar do avô de Luke, o rapaz observou o carro de Eleanor parado logo em frente a escada que levava a porta da casa do rapaz. Respirou fundo, fazendo um carinho em Morgana, que tentava a todo custo se livrar da coleira.
– Merda. – xingou, descendo os degraus em uma velocidade mais baixa que a geralmente usada. Sabia o que poderia ouvir e pior ainda, sabia que os amigos teriam profunda razão.
Bateu na porta de madeira escura, manchada pela umidade trazida pela brisa. Esperou alguns segundos e então bateu novamente, dessa vez com mais intensidade. Ouviu passos do lado de dentro e o click da chave destrancando a porta. Luke estava sem os óculos e de cabelos curtos e um sorriso enorme nos lábios.
– Vejam só! – o rapaz exclamou, puxando o amigo para um abraço forte. Luke Armstrong nunca teve medo de demonstrar afeto pelos amigos, nunca poupou energia para demonstrar que os amava. – Entre, Matt, Lea está aqui também. Estamos escolhendo um filme para assistir.
Algo no tom caloroso da voz do amigo fez com que o coração de Matthew batesse apertado, dolorido. Como se já sentisse saudade sem nem mesmo ter partido.
– Você viu a Heather? – Matt perguntou, tentando soar descontraído e calmo, quando na realidade estava desesperado.
Luke riu e suspirou, cansado. Estava formulando uma resposta que agradaria tanto Matt quanto a Heather, quando Eleanor se aproxima com um balde de pipoca.
– Matthew cansou de bancar o adulto e trouxe essa bunda de volta pra casa? – resmungou, mastigando pipoca e abraçando o rapaz logo em seguida. – Senti falta do seu mau humor característico.
Eleanor Parrish não costumava ser delicada em palavras e ações. Eram raras exceções.
– Também senti sua falta, Lea. – ele riu. Morgana bebia água numa tigela que Luke havia pego.
Tudo parecia tão rotineiro, mas ao mesmo tempo Matthew tinha a sensação de despedida. A mesma sensação de quando as aulas estão acabando e você não pode esperar para poder ficar em casa dormindo, mas também sabe que nada será como antes. Seus colegas prometem manter contato, mas todos sabem que não será bem assim.
– Heather disse que não estava muito legal e que iria ficar em casa. – Eleanor respondeu simplesmente, deixando Matt preocupado. – E não faça essa cara pra mim!
Luke observava a cena do balcão na cozinha, servindo refrigerante em três copos descartáveis, apenas balançando a cabeça diante a teimosia do amigo e da mania que a namorada tinha de dizer tudo o que lhe vinha à mente.
Esperou alguns segundos e então bateu novamente, dessa vez com mais intensidade. Ouviu passos do lado de dentro e o click da chave destrancando a porta. Luke estava sem os óculos e de cabelos curtos e um sorriso enorme nos lábios.
– Vejam só! – o rapaz exclamou, puxando o amigo para um abraço forte. Luke Armstrong nunca teve medo de demonstrar afeto pelos amigos, nunca poupou energia para demonstrar que os amava. – Entre, Matt, Lea está aqui também. Estamos escolhendo um filme para assistir.
Algo no tom caloroso da voz do amigo fez com que o coração de Matthew batesse apertado, dolorido. Como se já sentisse saudade sem nem mesmo ter partido.
– Você viu a Heather? – Matt perguntou, tentando soar descontraído e calmo, quando na realidade estava desesperado.
Luke riu e suspirou, cansado. Estava formulando uma resposta que agradaria tanto Matt quanto a Heather, quando Eleanor se aproxima com um balde de pipoca.
– Matthew cansou de bancar o adulto e trouxe essa bunda de volta pra casa? – resmungou, mastigando pipoca e abraçando o rapaz logo em seguida. – Senti falta do seu mau humor característico.
Eleanor Parrish não costumava ser delicada em palavras e ações. Eram raras exceções.
– Também senti sua falta, Lea. – ele riu. Morgana bebia água numa tigela que Luke havia pego.
Tudo parecia tão rotineiro, mas ao mesmo tempo Matthew tinha a sensação de despedida. A mesma sensação de quando as aulas estão acabando e você não pode esperar para poder ficar em casa dormindo, mas também sabe que nada será como antes. Seus colegas prometem manter contato, mas todos sabem que não será bem assim.
– Heather disse que não estava muito legal e que iria ficar em casa. – Eleanor respondeu simplesmente, deixando Matt preocupado. – E não faça essa cara pra mim!
Luke observava a cena do balcão na cozinha, servindo refrigerante em três copos descartáveis, apenas balançando a cabeça diante a teimosia do amigo e da mania que a namorada tinha de dizer tudo o que lhe vinha a mente.
– Eu não vou te falar nada, Matthew. – Eleanor falou, adotando uma postura rígida, apontando o indicador em direção ao rapaz. Respirou fundo, irritada, abrindo e fechando a boca algumas vezes. – O que você tem nessa sua cabeça no lugar do cérebro? Uma noz?
Luke não conseguiu segurar a risada, atraindo olhares duros de ambos.
– Sabe o que te torna ainda mais idiota e irritante, analisando apenas essa situação? – a moça questionou e recebeu um muxoxo negativo em resposta. – O fato de você, em nenhum momento, ter pensado em como nós seríamos afetados pelas suas decisões.
Matt não conseguiu reproduzir nenhum som, nenhuma palavra nem ao menos um movimento. Sentia-se de fato pertencente a família Stone.
– Eu acredito que somos parte importante da vida uns dos outros. – ela suspirou, tentando controlar as emoções dentro de si. Raiva, tristeza e algo que ela não soube nomear ocupavam todo o seu corpo, controlando suas palavras e ações. – Você é uma parte importantíssima da minha vida, da minha rotina. Eu te vejo todo maldito dia, Matthew. Eu esperava que isso fosse valer algo.
– Então você acha que eu devo ficar? – ele questionou, porém se arrependeu de tê-lo feito no momento em que a expressão no rosto de Eleanor se tornou cada vez mais frio.
– Eu não seria tão egoísta a ponto de exigir que desista dos seus sonhos para ficar aqui me fazendo companhia. – ela riu, adotando uma pose digna de Fiona Parrish. – Nenhum de nós faríamos isso, querido.
– Então por que raios está tão magoada comigo?
– Você está agindo como todo o resto da sua família: deixando a gente de fora da sua vida quando lhe interessa.
Ela deu as costas pro rapaz, pegando a bolsa jogada na bancada e saiu pela porta dos fundos. Luke permaneceu em silêncio, esperando o amigo se manifestar.
– Ela é boa. – Matt coçou a barba e riu. – Estou me sentindo um lixo.
– Lixo é muito pesado. – Luke falou, a expressão facial de quem pedia perdão. – Mas sem dúvidas, narcisista.
A praia estava vazia, como era de se esperar. Depois de nadar por algum tempo, Heather decidiu voltar para casa, pois a água estava ficando gelada.
O tempo voa quando estava dentro do mar, submersa em suas águas hora calma, ora tempestuosas. Perdia a noção do tempo com a mesma facilidade que o vento sopra a areia.
Talvez era por causa do poder de distração que o oceano proporciona. Quando precisava desligar-se dos problemas, era só sentar-se na areia da praia e esperar que a brisa levasse para longe todas as suas preocupações.
A água salgada ainda batia na metade das coxas da moça quando ela avistou Matthew parado no meio da praia, observando-a. Um arrepio lhe tomou o corpo e ela não quis admitir que aquilo havia sido uma resposta a presença do rapaz.
Os passos dados até ele pareciam ser mais pesados, mais lentos e afundar mais ainda na areia. Era como se toda a confusão de sentimentos dentro dela se tornasse matéria e passasse a pesar centenas de quilos.
– Olá. – Matt tentou sorrir, mas estava apreensivo demais para que qualquer tentativa de sorriso desse certo.
– Olá.
Heather continuou parada à alguns metros de distância do rapaz, sem saber se falava tudo o que sentia ou se dava um tempo para as coisas se resolverem por si só.
– Eu gostaria de pedir desculpas pelos últimos dias. – o rapaz começou, dando dois passos à frente. – Eu fui estúpido, egoísta e mesquinho. Eu não sei nem por onde começar a me desculpar por ter sido um lixo.
A moça ainda permanecia em silêncio, ponderando sobre o que responder. O seu lado sentimental queria correr e pular nos braços do rapaz, mas o lado racional tinha medo. E ela detestava ter medo. Ela temia ser sugada pra dentro daquela bagunça que era o rapaz e se machucar no caminho. Os sentimentos de ambos não pareciam ser gentis um com o outro.
– Por favor. – ele suspirou, fechando os olhos. Parecia estar sentindo dor, uma dor aguda. – Por favor, fala alguma coisa.
– Eu não sei o que dizer. – e ela foi sincera. Nenhuma frase que tentasse formular naquele momento iria fazer sentido ou expressar o que ela sentia. Suspirou, cansada de toda aquela complicação, quando tudo poderia ser bem simples. Pelo menos ela queria que fosse.
– Precisamos conversar. – a voz do rapaz era grave e atraiu a atenção de Heather. – Gostaria de lhe dizer algumas coisas antes de ...
Ele não conseguiu terminar a frase. E nem precisou, pois a moça entendeu o que ele queria dizer com aquilo que ficara preso em sua garganta.
– Tudo bem.
Matt soltou a respiração que nem havia se dado conta de que estava prendendo e sorriu um pouco.
– Eu conheço um lugar bem bonito apenas algumas horas daqui. – ele começou, analisando as feições da namorada. – Podemos passar o fim de semana lá, caso queira. É calmo, bonito e poderemos conversar. O que me diz, Heather Louise?
Ela fez uma careta ao ouvir o nome dela sair de forma doce e despojada da boca dele.
– Tudo bem. Eu vou.
Morgana permanecia deitada no colo de Heather, mesmo ficando com grande parte do corpo no banco do carro. A moça fazia carinho no pelo macio e longo da cachorra, enquanto observava as paisagens maravilhosas pela janela traseira.
– Estamos quase chegando – Matthew anunciou, provocando um sorriso contido na garota, que mesmo com a consciência gritando que aquela viajem era um erro tremendo, decidira ir, apenas pra ver no que iria dar. Heather começava a se perguntar se era masoquista. – Você vai amar. Eu costumava vir aqui quando criança, até que meu irmão caiu em uma das trilhas e quebrou o braço e mamãe nos proibiu de voltar.
– Lembra o Havaí. – Heather comentou, o pensamento distante, divagando entre as memórias da infância na ilha e no que imaginava ser Matthew Stone antes da fase adulta. – Eu costumava ser guia em algumas trilhas nos fins de semana, só pra ganhar uns trocados. Parece que tudo aquilo aconteceu em outra vida.
Matt fez uma curva a direita, indo em direção a um pequeno chalé, cercado de árvores e coqueiros. Ao estacionar o carro, Morgana desceu correndo, latindo para todos os pássaros que estavam nas árvores.
– Você precisa ver isso. – Matt parecia uma criança quando tomou Heather pela mão e a conduziu até a parte de trás do chalé. A moça ria de maneira sincera, pela primeira vez em dias, e parecia ter retirado um peso imenso do peito. – É a melhor parte da nossa viagem.
Heather parou boquiaberta assim que deram a volta no chalé. Um lago imenso estendia-se até onde a vista alcançava. A água era límpida e possuía um tom de azul claro que deixou a moça maravilhada.
– Se existir o Paraíso, deve ser aqui. – brincou a moça, com um sorriso no rosto que fazia o coração de Matthew saltar.
– Vamos entrar? – o rapaz perguntou, indicando o lago com o polegar, abrindo um sorriso sapeca, seguido pela moça.
– É claro!
Heather sempre quis ter alguém para acompanha-la em suas aventuras. Um irmão, uma irmã ou um primo. Amigos que gostassem de agir sem antes planejar muita coisa. Mergulhos em corais, trilhas em florestas e montes, procurar por cachoeiras, lagos e riachos. E encontrar isso em Matthew a deixava extasiada.
Heather era completa por si só, mas com Matt, ela transbordava.
– Você não está com vergonha, né? – o rapaz arriscou, visto que a moça estava parada, com as mãos na barra da camiseta. – Eu viro de costas, se te fizer se sentir melhor.
– Idiota. – ela riu, rolando os olhos, retirando a camiseta. – Não há nada aqui que você já não tenha visto.
Ela riu mais ainda quando notou o rapaz engolindo seco e corando um pouco. Se aproximou do rapaz um pouco mais lento do que o necessário, apenas apreciando o efeito que tinha sobre ele. Parou em frente ao rapaz, a poucos centímetros de distância e sorriu, travessa.
– Vai ficar só olhando?
O rapaz riu e pegou a namorada no colo, correndo em direção ao lago, pulando com ela ainda em seus braços.
Ao submergir, ambos sem fôlego, rindo e Heather ainda presa ao corpo do rapaz, trocaram um sorriso que continha todas as emoções que ambos tinham problemas para transformar em palavras, frases e diálogos.
– Eu te amo tanto. – ele sussurrou, acariciando o rosto da namorada, que suspirou e encostou a cabeça no ombro do rapaz.
– Eu te amo mais. – sorriu triste e depositou um beijinho na base do pescoço do namorado, enquanto tentava, a todo custo, não chorar. Estava nos braços de seu primeiro amor e logo isso mudaria.
– Por favor, não chora. – o rapaz pediu e ela se afastou um pouco, para olhá-lo nos olhos. – Durante esse fim de semana nada mais existe, nada além de você e eu.
Heather apenas sorriu. Sorriu pois não havia o que dizer. Era tudo o que tinham e deveriam aproveitar aqueles preciosos momentos. Por isso, a jovem beijou o rapaz com urgência e saudade, antecipando todos os sentimentos vindouros.
Passaram as horas seguintes entre beijos, risadas e brincadeiras, apreciando a paisagem e a companhia um do outro.
– Eu estava lendo sobre a França. – Heather começou, receosa de tocar naquele assunto. Porém, uma hora tinha de ser feito. – E descobri que os franceses acreditam que virar a baguete de ponta cabeça dá azar. Também descobri que eles consomem cerca de 11 bilhões de taça de vinho por ano.
– Você se daria bem lá, então. – Matt riu, acompanhado da moça, porém com menos intensidade. Ele se sentou direito, ainda ao lado de Heather, ponderando sobre o que falar. – Eu deveria ter te contado desde de o começo sobre os meus planos, deveria mesmo, e tenho vontade de bater com a cabeça numa pedra toda vez que lembro da burrada que cometi, de achar que você não entenderia.
Heather estava sentada olhando o horizonte, ambos esperando o pôr do sol. Ela tomou a mão do rapaz e entrelaçou os dedos nos dele.
– Baby, não fique se culpando. O que está feito, está feito. Estamos bem agora. – ela sussurrou, doce. Beijou os lábios do rapaz novamente e ele deitou a cabeça no peito dela, ambos em silêncio, enquanto o sol ia embora.
Os minutos foram passando e passando, a escuridão da noite foi tomando todo o lugar, apenas iluminado pela lua.
– Como você está se sentindo a respeito disso tudo? – Heather questionou.
– Eu me sinto dividido. Eu tenho uma vida toda aqui, tenho amigos, tenho família, tenho você. – suspirou. – Mas por outro lado, eu sempre sonhei com isso. As coisas sempre foram meio atropeladas na minha vida. Lidei com coisas que não queria muito cedo e deixei oportunidades passar por falta de orientação, por que era jovem e inexperiente. E só agora estou tendo essa oportunidade.
Heather acariciava o cabelo do rapaz, escutando com atenção e sentindo o peito apertar ao se identificar com algumas coisas.
– Não desperdice, meu amor. – ela aconselhou.
– Mas é um ano! – ele exclamou. – Eu não quero passar tanto tempo longe das pessoas que eu mais amo. Eu não quero passar um ano longe de você!
Instantaneamente, um arrepio tomou o corpo de Heather, e ela não soube dizer o real motivo.
– Quando deixei o Havaí, confesso que não tinha muitas perspectivas de mudança. Porém, durante pouco mais de um ano que estou aqui, tudo mudou. Eu mudei, minha rotina mudou, minhas vontades e desejos mudaram, minha perspectiva de vida mudou, Matt. – ela confessou. – Eu sou uma pessoa completamente diferente de quem eu era um ano atrás.
Matt não sabia o que dizer. Apenas ficou olhando para Heather, iluminados pela luz da lua, em silêncio, quando notou que ela tinha um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos.
– Um ano te muda muito, Matt. – ela soluçou. – Eu e você vamos continuar tendo o mesmo sentimento um pelo outro quando estivermos mudados por 365 dias?
– Vamos nos preocupar com o agora, Heather.
Ela se levantou e estendeu a mão em direção ao rapaz, que aceitou prontamente. Em silêncio, ela o guiou até o chalé, tentando não se preocupar com o tempo e o futuro.
Camp NaNoWriMo season is upon us! As we gear up for another great season of camping, we’re asking the NaNo community about their best tips for a great month of writing. Today, writer Christina Bagni shares the six things you can’t do without in a month of Camp NaNo:
Hikers and writers have a lot in common. Some hikers can wake up on a Tuesday and decide to climb a mountain on the way home from work. Other hikers plan their excursions to a T, homemade trail mix included. However they prepare, all hikers have the same goal: to climb that mountain!
I like to be prepared when I hike; the same is true when I write. To help new campers out, I’ve compiled my packing list for the upcoming Camp NaNo adventure. You might pack your bag a little differently, but this is a great place to start:
#1: Fire Starter
Every hiker knows the importance of a lighter or some flint and steel. For a writer, your fire starter is your pen or your laptop. It might take a while to get your tinder blazing, but just keep working—eventually a spark of inspiration will catch!
Matthew levantou da cama com os olhos ardendo devido à falta de sono. Não havia dormido nem por um mísero minuto depois que lera o e-mail. Tentou de tudo: tomou chá, um banho quente, leu, assistiu a um filme ou dois, ouviu música instrumental e por fim, quando estava sem ideias, se juntou a Morgana no sofá e começou a folhear um livro de receitas que havia na sala. Permaneceu ali por certo tempo esperando amanhecer.
Isso também não funcionou então o rapaz voltou para a cama, analisando o teto branco, com algumas manchas de tinta, devido ao trabalho amador que ele e os amigos haviam feito assim que Luke voltou da Austrália.
Os pais de Matthew haviam acabado de voltar para a cidade, afinal era o mês em que Agnes havia morrido, doze anos atrás e ele queria distrair um pouco a mente, bem como dar novos ares a casa. A garotinha, de então três anos, tinha uma saúde frágil e acabou adoecendo gravemente. Na época, Scott estava do outro lado do mundo e Matt se sentia cada vez mais sozinho. O irmão mais velho, Simon, costumava culpar o mais novo pela morte da pequenina, por Matt sempre deixava as cortinas abertas, o que poderia ter causado uma forte gripe na criança.
Isso se seguiu durante anos, até que a verdadeira causa da morte de Agnes fosse revelada: enquanto estava com pneumonia, os médicos receitaram para a menininha um remédio que acelera os batimentos cardíacos. Como Agnes havia nascido com uma má formação no coração, assim como o pai e Simon, ela não suportou o efeito do remédio e faleceu, nos braços de Matthew.
Um erro médico. Uma fatalidade. Um acidente. Uma vida toda pela frente. Um ponto final logo no início de uma frase.
Após a morte de Agnes a família nunca mais foi a mesma, mesmo com todos os esforços dos pais de Matt e os outros familiares.
Matthew balançou a cabeça, tratando logo de pensar em outra coisa. Evitava pensar na irmã, pois poucas memórias ainda lhe restaram além de seus últimos suspiros.
Pegou o celular e decidiu ligar para Heather. Depois de muito pensar, sabia que, antes de tomar uma decisão, qualquer que seja, tinha de contar para ela. Já havia escondido coisas demais dela.
Heather terminou de passar protetor solar no rosto e nas mãos, como havia aprendido num episódio qualquer de Keeping Up With The Kardashian que assistiu com Eleanor.
Recebeu uma ligação de Matt um pouco antes de o sol nascer, pedindo para encontrá-lo na praia, em frente à casa em que ambos presenciaram a briga de um casal.
Ela estranhou a ligação, o pedido e a coisa toda. Checou o número cinco vezes para ter certeza se era ele mesmo que estava ligando e não um psicopata. Mas algo na voz do rapaz a fez ir. Algo que não estava lá quando se despediram no dia anterior e isso a deixou um pouco preocupada.
Heather estacionou o carro em frente à casa do casal, e caminhou até a praia descalça. Os óculos escuros facilitaram na hora de procurar o rapaz pela praia. Mesmo cedo, o sol na Nova Zelândia estava forte.
Assim que avistou o rapaz, apressou o passo, pois correr na areia exigia um esforço extra, e ela não estava nem um pouco disposta a fazer.
O rapaz, por sua vez, levantou-se assim que a moça entrou no seu campo de visão. Não pode deixar de sorrir vendo que ela fazia o mesmo.
– Bom dia. – o rapaz cumprimentou, sem sair de onde estava. Sentia-se de volta aos primeiros dias daquele relacionamento, onde cada ação, cada frase era repensada dezenas de vezes. Heather estranhou a repentina timidez do rapaz e se aproximou para beijá-lo.
– Está tudo bem? – Heather perguntou, preocupada. – Está tendo dificuldade para dormir novamente?
O rapaz negou, enquanto enrolava uma mecha dos cabelos loiros e longos da moça na ponta do dedo indicador. Seu cérebro trabalhava a todo vapor, tentando encontrar uma forma de dizer tudo o que precisava ser dito.
– Precisava falar com você. – ele finalmente conseguiu dizer. – Não consegui dormir, nem mesmo comer.
Heather cerrou os olhos, por baixo dos óculos escuros. Viu o rapaz tomar fôlego não uma, nem duas, mas sim três vezes antes de pegar um pequeno graveto que estava ao lado dele e começar a desenhar na areia. Conforme as linhas eram traçadas e algumas palavras eram adicionadas, Heather notou que Matt havia feito um gráfico na areia. Encarou aquilo por uns cinco segundos, e então perguntou um pouco irritada com tudo aquilo:
– Matt, o que está acontecendo com você? O que isso quer dizer? – apontou para o gráfico desenhado na areia da praia.
– É uma forma idiota de mostrar como minha vida é mais feliz com você! – ele sorriu, mas parecia frustrado. Tinha tanto pra dizer, mas nada parecia querer sair de sua garganta. – Se você olhar na linha vertical verá a indicação “Nível de felicidade”. E na linha horizontal, temos os itens “Sem Heather” e “Com Heather”. Aqui, quer dizer, com você na minha vida ou não.
Heather ouvia tudo em silêncio, soltando um sorriso e outro, achando amável o ato do rapaz, que tinha dificuldade em expressar suas emoções.
– Agora, as informações que tiramos do gráfico. – ele respirou fundo. – Eu sou muito mais feliz com você! E não é só por que estamos juntos. Não! É por que você ilumina a vida das pessoas a sua volta, Heather. Você muda as pessoas pra melhor! Você me mudou pra melhor! Eu me tornei uma pessoa completamente diferente graças a você.
A moça estava sem palavras, a respiração descompassada e os olhos levemente úmidos. Matthew aproveitou o silêncio dela e respirou fundo, aproveitando a súbita coragem para falar tudo àquilo que estava em sua cabeça nos últimos tempos.
– E eu não digo isso tudo apenas pelo fato de nos beijarmos com uma frequência e tanto. – ele riu e Heather rolou os olhos. – Mas sim por que a primeira coisa que eu penso quando acordo não é “eu preciso escovar meus dentes, esse gosto de cabo de guarda chuva está me matando”. Não! A primeira coisa que eu penso quando acordo é “meu dia melhoria 100% se eu a visse, mesmo que por alguns segundos”. Vê só? Eu estou apaixonado por você. Completamente. Sem volta.
Ele deu de ombros, como se estivesse se desculpando de algo, enquanto Heather ainda tentava processar as palavras dele. Depois de alguns segundos, ela riu ainda incrédula, e puxou o rapaz para um beijo.
– Mas tem mais uma coisa. – ele disse a voz falhando pela falta de ar. – E essa não é muito boa. – ele sorriu amarelo quando Heather levantou os óculos e o olhou séria. – Eu ganhei uma bolsa para estudar culinária na França.
– Isso é incrível, Matt! – ela exclamou. A ficha ainda não tinha caído, provavelmente. – Quanto tempo de curso?
– Um ano.
Permaneceram em silêncio, por algum tempo. Talvez poucos segundos. Ou alguns minutos. Não sabiam dizer. Nenhum dos dois ousava abrir a boca e dizer o que se passava dentro deles.
– França, uh? – Heather resmungou, se afastando um pouco e torcendo internamente para que o rapaz não notasse, mas ele notou.
– Tem algo te incomodando?
Momento delicado para uma pergunta de resposta óbvia. E possivelmente o gatilho de uma discussão.
Heather riu de forma sarcástica e se levantou, tentando ao máximo não começar uma briga besta, da qual se arrependeria mais tarde. Não se sentia no direito de estar brava, nem chateada.
– Você vai ignorar tudo o que disse hoje? – Matt adotou um tom de voz áspero.
– Você disse o que sentia por mim e logo depois soltou essa bomba, de que vai passar um ano em outro continente! – ela gesticulava rapidamente e falava mais rápido ainda. – Essas coisas não acontecem o dia pra noite e você poderia muito bem ter me contado Matthew! Eu sei que não tenho o direito de ficar brava nem magoada com você, porque esse é seu sonho, mas eu queria que tivesse me contado antes.
– Contado pra quê? – ele questionou, com a voz levemente alterada. – Teria terminado comigo?
– Não! Mas teria feito algumas coisas diferentes. – ela suspirou vendo o rapaz recolher a toalha da areia. – O que está fazendo?
– Tenho que trabalhar. – ele respondeu seco e se afastou. Era sempre assim, ele se afastando de tudo e todos até alguém ir se desculpar por algo que ele havia feito.
– Eu realmente não sei mais o que fazer com você! – ela bufou, dando um tapa na testa tamanha frustração. – Sério, Matt, onde você estava com a cabeça?
O rapaz abriu a boca para responder, visivelmente irritado, mas ela foi mais rápida.
– Ah, eu já sei! Enfiada bem na sua ...
– Querida, menos, por favor! – Luke, que observava tudo em silêncio, interrompeu tocando gentilmente o cotovelo da garota. – O ponto, Matthew, é que você não pode simplesmente sair correndo só por que ela disse algo que você não gostou.
O ego do rapaz estava visivelmente machucado. E existe algo mais sensível que ego masculino? É difícil dizer.
– Mas ela quem começou a discussão. – ele tomou um gole de água. – E admitiu que não tem o direito de ficar brava e magoada com a coisa toda. Ela sempre notou meu interesse pela culinária francesa, não é difícil ligar os pontos.
– Você escuta a si mesmo quando fala? – Eleanor o encarou, sua expressão facial entregando tudo o que ela pensava do assunto. – Eu amo ler quadrinhos, mas, por favor, não ligue os pontos e entenda que eu virei um X-Men.
Luke tentou sem sucesso segurar uma risada, irritando Matt ainda mais.
– O que pretende fazer? – Eleanor perguntou, dando uma mordida no seu misto quente. Ela não parecia realmente interessada no drama do amigo, apenas queria que a situação fosse resolvida da melhor forma possível.
– Vou esperar ela vir pedir desculpas. – ele respondeu, num tom que sugeria que sua opção era óbvia.
– Eu não acredito nisso, connard. – Eleanor exclamou um tanto decepcionada e frustrada com a reação do amigo, se levantando, ainda com o misto quente em mãos e saiu do estabelecimento rapidamente, deixando Luke para trás e Matthew com uma careta confusa.
– Significa “babaca” em francês. – Luke explicou, dando de ombros. Ele teria dito coisa pior caso Eleanor não reagisse.
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– Vamos conhecer os pais dela! – Eleanor exclamou, ajeitando o vestido tubinho vermelho que destacava a sua pele negra. – Estou nervosa.
Luke fez careta, olhando para a namorada. Depois sorriu sapeca em direção ao melhor amigo.
– Matt é quem deveria estar nervoso, afinal você vai conhecer os pais dela! – tentou imitar a voz de Eleanor, fazendo tanto Matt quanto a moça rolar os olhos.
Tentando esquecer todo o nervosismo, Matthew tocou a campainha e esperou. O pensamento confuso e o estômago retorcendo de ansiedade. Como olhar para o pai de Heather e afirmar que é um amigo da moça, quando apenas pensar nos momentos que passa com ela o fazem respirar descompassado? Como agir de modo educado e ao mesmo tempo natural?
Heather Dean abriu a porta com um grande sorriso, trajando um short de alfaiataria rosa cereja e uma camisa fina branca. Assim que viu os amigos, o sorriso aumentou de tamanho, se isso fosse possível.
– Olá!
Eleanor foi a primeira a passar por ela, a abraçando e dirigindo-se rumo à sala de estar. Luke abraçou a amiga e comentou, de forma breve e descontraída, o fato de ela estar radiante aquela noite, ao passo que ela dizia que estava assustada com a mudança de visual.
E por último, Matthew Stone, que tinha nos braços um buquê de rosas laranja. Heather sorriu ao notar o presente do rapaz, que colocou o buquê nos braços da moça e deu um beijinho casto na testa. Ela fez um sinal para o rapaz segui-la, ainda olhando abobalhada para o arranjo que carregava nos braços.
– Mãe! – ela chamou, a felicidade presente no tom de voz da jovem. – Veja só, ganhamos flores.
Diana saiu da cozinha, sorridente e calorosa em seu vestido estampado.
– São lindas! Muito obrigada.
Matthew tentava encontrar semelhanças entre mãe e filha, mas Heather havia herdado pouca coisa de Diana. Porém quando o pai da moça se juntou a eles, era impossível negar a paternidade.
– Você é o rapaz que fez aqueles cupcakes divinos? – Phillip perguntou, sorrindo amistoso e guiando o rapaz em direção à cozinha. – Você precisa me passar a receita, rapaz! Diana vive reclamando que eu nunca faço nada saboroso.
Matthew riu do homem, que fazia graça com o fato de não saber cozinhar tão bem quanto a esposa e a filha, mesmo que se esforçasse. Eleanor e Luke foram logo em seguida em direção à cozinha, conversando com Heather e a mãe.
Ao chegar à cozinha, deram de cara com Scott, que já havia chegado à cerca de vinte minutos.
– Tio Scott! – Eleanor se apressou para abraça-lo, sentindo-se imensamente mais tranquila com a presença dele.
Enquanto se cumprimentavam, Heather se apressou em colocar as rosas em um vaso com água. Tentava também disfarçar o nervosismo que sentia em receber os amigos em casa, principalmente, em receber Matt em casa, num jantar com seus pais.
Seus pais não eram bobos, e sabiam exatamente o que ela fazia quando saía de casa. E isso dificultava mais ainda as coisas.
– Eu comi demais. – suspirou Eleanor, fazendo todos na mesa rir.
– A comida está deliciosa! – Luke elogiou. Dentre os três, o rapaz era o mais educado. Sempre agradecendo e elogiando, pedindo perdão e sendo gentil.
Diana sorriu e comentou:
– Vocês são uns docinhos! – virou-se para Heather e completou. – São os amigos mais simpáticos que a Heather já teve.
Eleanor riu, ao passo que Heather abaixava a cabeça, as bochechas avermelhadas de vergonha. Diana sempre fazia comentários como esse, porém a moça nunca se acostumava.
– Realmente. – Phillip concordou, olhando para todos à mesa com um grande sorriso. – Eu gostaria de agradecer à vocês, em nome da minha família, o carinho com que tem tratado minha filha.
Aquilo pegou a todos de surpresa, e emocionou Heather. Sabia que seu pai era tímido e sentiu o carinho dele em cada palavra dita.
– Vocês sabem que eu e Diana passamos dias longe de casa, e Heather fica sozinha. – ele sorriu em direção à filha, que tinha que segurar as lágrimas. Tanto ele como Diana não diziam coisas assim com frequência. – Então eu gostaria muito de agradecer pelo carinho e cuidado que vocês dão a ela. Do fundo do meu coração, eu sou eternamente grato por fazer com que Heather se sinta em casa.
Eleanor, como sempre espontânea e alegre, disse:
– Heather foi um presente dos céus. – ela e a amiga se abraçaram, sentadas lado a lado, enquanto Heather sorria abertamente, num misto de emoção e alegria. – Muita coisa mudou com ela aqui, pra melhor.
Analisando as mudanças que ocorreram desde a chegada da família Dean, era notável a melhora na vida de Eleanor, Matthew, Luke e Scott. A verdade é que pessoas boas podem mudar a vida daqueles ao seu redor.
Lea havia ganhado uma grande amiga com quem poderia contar sempre. Luke encontrou em Heather conselhos e palavras de consolo em todos os momentos. Scott via em Heather a sua sobrinha, e nutria uma afeição inestimável. Já Matthew sentia por Heather coisas que nunca havia se permitido sentir por nenhuma outra pessoa. O rapaz acreditava que, caso existissem mesmo almas gêmeas, a moça era a sua. Sem um pingo de dúvidas.
Porém, o que Heather Dean ganhou com tudo isso? Uma segunda família, cujos laços não eram sanguíneos, mas sim afetivos, baseados no amor e carinho que tinham uns pelos outros. Havia encontrado um novo lar. E felicidade, apesar de todos os problemas.
O dia estava quente e o sol que começava a se pôr machucava os olhos daqueles que se aventurassem a passear sem a proteção de óculos escuros.
Matt tentava, sem sucesso, falar com Heather pelo celular. Vez ou outra bufava, atraindo a atenção de Eleanor.
– Vá até a biblioteca se encontrar com ela, Romeu. – a garota tinha mania de arquear as sobrancelhas quando achava que tinha dito algo óbvio, o que havia sido o caso. – Às vezes você é tão lerdo que me assusta.
Dito isso, ela saiu em direção à cozinha, deixando o rapaz um tanto ofendido e sozinho. Decidiu ir seguir o concelho da melhor amiga e saiu a caminho da biblioteca, para encontrar Heather.
As ruas estavam lotadas de turistas curiosos, apontando suas câmeras para todo lado, tentando capturar as belezas do lugar. Matthew amava viver em Mount Maunganui, por diversos motivos. E um deles era um tanto imaturo e até mesmo egoísta: conhecer lugares, histórias e pessoas que os turistas nunca conheceriam.
Ao virar a esquina da biblioteca, avistou Heather parada nas escadarias, conversando com uma aluna de, aparentemente, seis anos. Matthew diminuiu a velocidade das passadas e observou atentamente a cena.
As duas conversavam animadamente, a garotinha gesticulando animadamente fazendo Heather rir. A atenção das duas foi tomada por um carro que estacionou em frente às escadarias da biblioteca e buzinou. Elas se despediram rapidamente e a garotinha desceu correndo pelos degraus, entrando no carro logo em seguida.
Heather acompanhou o carro dobrar a esquina e então deu uma olhada pela rua, distraída, quando avistou Matt. Ambos sorriram ao mesmo tempo, e ela acenou.
– Olá. – a moça sorriu e o rapaz se esticou para beija-la. A brisa quente bagunçou os cabelos dos dois, fazendo Heather rir.
– Existe alguma possibilidade da senhorita aceitar sair comigo hoje?
Era praticamente um pecado dizer não, principalmente quando o rapaz sorria de forma esperançosa e tentava disfarçar a apreensão, como uma criança. Ela pegou a mão dele e apertou de leve, sorrindo antes de responder:
– É claro que existe Matt. Vou só pegar minha bolsa na sala e volto.
Enquanto esperava a moça, Matt checou as mensagens no celular, recostado no corrimão da escadaria. Respondia a mensagem de Eleanor sobre o molho secreto, que havia feito muito sucesso, quando notou Heather se aproximar.
– Aonde vamos? – ela questionou.
– Ver um filme. – eles começaram a descer as escadas, lado a lado. – Há uma lanchonete na cidade que faz exibições de filmes antigos de tempos em tempos. Hoje eles vão passar Matilda. Quer ir?
Heather abriu um sorriso alegre, tentando controlar a euforia que começava a dar sinais de existência. Matilda era um de seus filmes favoritos por diversos motivos. A sede por conhecimento da garotinha, a amável professora e a diretora cruel, bem como a famosa cena do bolo de chocolate a prendiam em frente à TV desde mais nova.
– Parece ótimo! – a moça comentou, dando a mão para o rapaz, passando assim a andarem de mãos dadas.
Quem os via de mãos dadas, sorrisos fáceis e conversa leve diria com convicção que eram namorados de longa data. Que se conheciam desde sempre, que não havia segredos entre os dois. Que ambos haviam adiado novamente a conversa sobre um relacionamento sério, com a desculpa de terem tempo de sobra para aproveitar o que estavam tendo no momento, seja lá o que aquilo fosse.
Mas algo dentro de Matt não se sentia confortável quanto à questão de ter tempo, porém o rapaz resolveu não comentar com a moça. Nem com ninguém.
Mais tarde naquela noite, quando o rapaz estava em casa, Matt relia um e-mail havia entrado em sua caixa de mensagem. E assim como da primeira vez que o lera, não soube como reagir.
Se perguntassem ao rapaz alguns meses antes, receber aquele e-mail, aquela oportunidade era o que ele mais desejava. Mas e agora? Deveria sentir-se feliz e realizado? Pois tudo o que ele tinha agora era uma porção de dúvidas e receio.
Matthew Stone passou aquela noite em claro, ponderando as consequências de qualquer que fosse sua decisão. Nenhuma das duas parecia simples.
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Ei, você! Tumblr de escrita/web/afins dê uma olhada aqui. É com você que eu quero falar. Acho que não é segredo nenhum que a dash anda mega parada. Onde fomos todos parar? As vezes tem pessoas novas por aqui e nem sabemos, porque com tudo tão quieto e parado, ninguém tem muito espirito de entrar aqui. Que tal mudarmos isso?
Esse é um tópico de apresentação e de praxe divulgação também. Vamos fazer o seguinte: cada um vai completando o post com uma apresentação rápida de si (nome, idade, o que faz da vida… esse tipo de coisa bem de escola mesmo), também apresente um pouquinho do seu blog e pra fechar, reblogou o port de alguém? Mande uma ask para essa pessoa falando de alguma coisa que você goste no blog, ou sobre a pessoa mesmo. Prontinho! Reblogue e espere alguém vir falar com você.
No fim vamos ter uma listona de blogs focados em escrita e webs. Viu alguém nessa lista que você ainda não conhece? Pois é a oportunidade que você estava esperando para conhecer essa pessoa. Siga o seu blog, fale com essa pessoa… vamos fazer novos amigos!
Beleza, eu vou começar. Meu nome é Gabriela, até o presente momento tenho 22 anos (acreditando ainda ter 17, mas a gente releva). Sou formada em fotografia, amo mexer com edição, mas todo mundo que me conhece sabe que a minha verdadeira paixão é a escrita. Eu amo cinema. Sofredora voluntaria por Harry Styles. Amo colecionar fotos. E meu sonho de princesa é aprender a desenhar.
O Cats não é necessariamente voltado pra escrita, meio que é um diário. Reblogo muita coisa voltada pra escrita, as vezes surge um Star Wars, ou Marvel por aí (e Harry Styles, É CLARO!). Meus posts basicamente são sobre as minhas experiências com a escrita, aquilo que estou aprendendo aos poucos. E é isso!
Minha vez, minha vez, minha vez! *pula com a mão levantada*
Meu pseudo (sim, pseudo, porque ainda não me sinto confortável para exibir meu nome real aqui) é Ells. Tenho 21 anos e faço faculdade de Farmácia, que atualmente tem se apresentado bem mais interessante e relevante pra mim. Adoro escrever e faço isso há 5 anos, apesar de nunca ter terminado uma história a sério para postar. A escrita pra mim é um hobbie que me ajuda a viajar na maionese (o que já faço normalmente), além de ser um ótimo meio pra eu conhecer livros, autores, culturas, enfim, várias coisas.
O EW tem como foco principal a escrita, só que de uma maneira bem mais informal. Amo postagens com gifs (quase todas têm) e vez ou outra coloco aqui meus diários de escrita, compartilhando meus sucessos e frustrações enquanto escritora. Mas também posto diversas coisas aleatórias, desde fotos inspiracionais (tem meu perfil do Pinterest na aba “Extras”; a propósito, me segue lá :3 ) a imagens da Birdy e de Kpop, principalmente do Jungkook, e o que mais me der na telha.
Olá, meu nome é Rebeca e eu tenho 18 anos. minha missão na terra é sofrer pelos shipps! Brincadeira, minha missão mesmo é sofrer, de maneira geral!
Amo animais, escrever, Fleetwood Mac e membros de ex- boybands (hi, One Direction), não necessariamente nessa ordem.
Minha história, Seaside, fala sobre um grupo de amigos na Nova Zelândia. Eu morro de vontade de conhecer esse lugar, sério! Ela também está disponível no Wattpad, beleza?
Eu gosto muito de conversar, principalmente usando memes!Então, chega na ask, chuchu! Vamos ser mais que amigos, vamos ser friends!