beer or rum? | Geraldine & Maikekai
Os olhos de Geraldine se abriram como as flores da primavera costumavam fazer, eram belos e marcantes—mas, no caso, carregavam um punhado cheio de surpresa e um leve medo repentino. A jovem acostumara-se com a vida corrida e o choque de realidade que trabalhar de garçonete lhe trazia, mas volta e meia ela ainda tomava sustos com os clientes repentinos que brotavam do chão sujo daquele bar. Era mais educado disfarçar a surpresa quando um homem grandalhão transportava o outro simplesmente para sentar-se à mesa e ordenar uma bebida—e era o que ela fazia, disfarçava e concordava. Mesmo que no fundo se questionasse o que fazia com que homens gostassem tanto de cerveja e rum.
“Pobre coitado…" Com um coração cheio de compaixão, Geraldine não podia, no entanto, disfarçar sua compaixão pelo pobre bêbado que mal conseguia postar-se em pé. E sua natureza inquieta e inconformada sempre gritava mais alto nessas horas. "O senhor não deveria tratar um pobre homem desta maneira. Já é desumano o suficiente ele estar largado nestas condições." Geraldine resmungara em um tom baixo, mesmo que alto o suficiente para que o indivíduo sendo questionado a ouvisse. Por todo o tempo ela o encarara, de sobrancelhas franzidas e olhos estreitos. Então a razão lhe tomou conta. Ele era pelo menos três vezes maior que ela. Não seria nada sensato discutir com um grandalhão daqueles.
Normalmente ela não tinha compaixão por todos os bêbados, pois a lembravam de seu pai que deixara a família para traz. Mas talvez o que a incomodara verdadeiramente fora a forma incisiva que o outro chegara e demandara as coisas. Geraldine não era uma que costumava gostar de agressividade e ordens—mas não lhe cabia muito questionar quando era apenas uma garçonete. No último mês ela já havia causado diversas comoções no local, por isso racionalizou que não deveria fazê-lo de novo ali, com um cliente pagante.
Limpou a garganta e num ar ainda um tanto arrogante, acenou com a cabeça—quando o bêbado começara a roncar não lhe restara muita escolha, afinal. E de fato ela se sentira um pouco mal quando o homem pagara a conta do bêbado. “Tudo bem, sente-se, senhor." Disse, pegando as moedas em sua mão e enfiando-as no bolso do avental. "Será somente o rum ou gostaria de algo para comer?”
Uma ruga de impaciência se formou entre as sobrancelhas grossas de Makekai, que foi facilmente evidenciada com o ar escapando do nariz de maneira grosseira. Já era bem desagradável ter saído do navio para beber, se aventurando em locais que sabia que não ser tranquilos, e agora tinha que lidar com uma novata. No momento que ela abriu a boca e as palavras não foram Algo mais, senhor? O homem perdeu as esperanças de que aquela noite não seria longas e cansativas. Além de se fazer ser servido, precisava ensinar para aquela mulher o trabalho dela? Quem dera fosse um desses outros clientes e aproveitar a presença de tão adorável criatura. Contudo, eles não tinham a liberdade de pirata concedida ao canhoeiro, nem metade das bolas que ele tinha tanto dentro quanto ora das calças.
“Você está realmente o defendendo?” A cota de palavras foi jogada ao mar como água suja da limpeza do navio. Maikekai tinha esse regime de falar pouco normalmente e muito menos quanto era exigido algo de si. Seus olhos e a fúria contida nas chamas negras de suas írises eram suficientes para passar a mensagem. Geralmente, quando direcionadas para algum individuo, o resultado era simples e fácil. Tão natural quanto respiras. Mas ela era mulher, um ser parecido com a mãe deixada na terra natal a tantos anos. Grosseria era universal, violência nem tanto. “É minha culpa ela não estar em condições de fazer nada? Fui eu quem o colocou nesse estado?”
Algo que o trasgo desprezava mais além de bêbados eram os desfalecidos. Se não consegue aguentar a cota que se propôs a tomar, não saia de casa. O desprezo, contudo, era uma fonte de rendimento descomplicada para os piratas em tempos de relaxamento na terra firme. Fáceis de retirar, fáceis de disfarçar, mais fáceis ainda culpas algum cidadão desafortunado habitante da cidade ou aldeia do que os vis piratas ancorados nas docas.
Eu já estou sentado. Comunicou com os olhos ao pousar as mãos nos joelhos separados por debaixo da mesa. Teria tomado o lugar quer ela tenha dado permissão quer ela tenha convidado-o a sair. Poderia ser a primeira vez naquela taverna, mas todos os donos seguiam a mesma filosofia. Tem dinheiro? Sirva-o. “Me surpreenda.” Replicou no mesmo tom arrogante e impertinente. Talvez devesse ter sentado em outra sessão e aproveitado o serviço calado de outra atendente. De qualquer maneira, veria se o arrependimento enfim chegaria por aquela mulher com lindos olhos de corsa.
















