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Ritual Song.
Sea Shanty.
If you can shoot faster, you win | E1D3 | Alec & Jonathan
Annelise já tinha tido seu tempo como ela mesma, agora devia voltar a ser Jon e pelo visto esperavam que Jon participasse do que teria no terceiro dia do evento, o que era realmente uma droga, ela sabia se virar com uma arma isto era verdade, preferia adagas curtas do tipo que era só esperar a pessoa se aproximar e acertar um ponto que fosse vital e assim o trabalho estava feito. Só que se gostaria de manter o disfarce não poderia sair por ai brincando de ser uma dama, já não era mais assim e ela tinha feito a escolha, nem tudo era um mar de rosas mais conseguiria se virar. Como sempre a faixa apertava os seios, a touca fazia com que sua cabeça esquentasse sobre o sol e as roupas feitas para cobrir cada parte do corpo faziam com que o clima quente fosse uma tortura, mas o festival era incrível e ela mal podia esperar para ver como estava o terceiro dia. Primeiro terminou seus afazeres que era arrumar as acomodações e limpar as armas que haviam sido solicitadas por Alexander, que era um tanto grosso e após algum falatório convenceu Annelise a se inscrever em um torneio de armas de fogo, geralmente ela ficaria exposta com uma espada na mão, era mais cautelosa que um homem e mais fraca, talvez fosse mais simples com as armas sua pontaria não era ruim, apenas rezava para que desse certo.
Apenas assentiu quando ele disse para se inscrever e colocou o nome ali, usou o nome de Jonathan mesmo, mas mudou o sobrenome, pois qualquer um que conhecesse o verdadeiro Jon sabia que ele estava morto e que era contra os princípios dele participar de qualquer coisa patrocinada pelo reino. “Pronto.” Falou após um gole da bebida do cantil para que a voz saísse mais grossa como deveria para manter o disfarce. E tomou mais um gole para responder a outra pergunta. “Estão aqui.” Estendeu as armas para ele, não para que pegasse, mas para que as enxergasse, tinha trazido já que obviamente seria necessário em um lugar como aquele.
ㅤㅤㅤㅤAlec semicerrou os orbes ao ver o garoto lhe mostrar as armas, tirou os olhos dele e colocou sobre elas, aparentemente não estavam com sujeira de pólvora na boca ou no gatilho, estavam em perfeitas condições. Jonathan limpara aquelas armas, talvez, até melhor que Alec. Sorriu para o jovem e pondo-se ao lado dele, colocou o braço esquerdo sobre os ombros do garoto e começou a andar até uma banquinha que estavam ali, oferecendo bebidas a preço e banana. — Muito bem, garoto Jonathan. Muito bem feito. — Elogiou o garoto pelas armas e chegaram até a banca. — Me veja duas canecas grandes dessa bebida aí. — Não sabia o que era. Só sabia que era uma bebida cítrica, talvez feito de aguardente e abacaxi o limão. Mas o trunfo daquela banca era como eles mantinham aquela bebida a temperaturas muito abaixo do que a maioria das bebidas que podia ser encontradas naquela cidade num dia quente como aquele. — Espero que esteja com sede. — Disse, apanhando os canecos e entregando um a ele, e bateu com sua caneca na dele, brindando com ele por estarem vivos até aquele momento. Jogou duas moedas de prata para o homem que lhes atendera e saíram dali. Alec tomou um gole daquele líquido, e de fato, aquela bebida estava muito melhor de tragar do que muitos vinhos, cervejas ou rum que estavam ao sol. Aquele vendedor iria lucrar muito naquele festival. — Enquanto não é nossa vez, vamos esperar assistindo os primeiros rounds. — Sugeriu e procurou bancos vazios o mais próximo possível da saída, caso fossem a vez deles, poderiam sair mais rápido.
ㅤㅤㅤㅤDaquele lugar que haviam se sentado possuíam uma bela vista, desde a área de tiro à alvos, ou a pratos voadores e outras modalidades da competição de armas de fogo, poderiam ver tudo. Alec e Jonathan tinham se inscrito para a modalidade de tiro ao alvo parado, para testarem a mira e o saque rápido. Os embates daquela modalidade começaram, eram três tiros subseqüentes. Alguns homens ficavam próximos, segurando relógios de bolso e marcando os tempos de cada um antes de o juiz dar o veredicto final. — Animado, garoto Jonathan? Primeira vez participando de competições em um festival? — Perguntou curioso. Toda chance para puxar conversa com o jovem marujo era importante, afinal, ele era quase que chamado o “sem-boca”. Pouco falava e era recluso dos demais, contudo, muito trabalhador.
Crystals and Red Lights | {Flashback} E1D2 | Dalec
Vidar estava colorida e animada com o grande festival que estava por vir. O circo em que Davina estava hospedada estava em pleno vapor, fervilhando gente de todos os lugares que poderia imaginar. Aquela diversidade de culturas só deixava a sereia mais animada para seu expediente acabar, a possibilitando visitar os cantos cheios de vida do reino. Poderia não ser o melhor festival do mundo para um humano normal, mas para alguém que crescera num ambiente completamente diferente, aquilo arrepiava e instigava a conhecer tudo o que podia. Ajudou as pequenas bailarinas a se vestirem e correu de volta para o seu cantinho místico. Cartas de tarô e cristais estavam espalhados pelo local, exibindo um brilho roxo e azul tímido. Atrás dos panos coloridos, um tridente de ouro envelhecido passava despercebido, a única coisa que a ligava com seu passado - com exceção a sua cauda. Ela olhava as passagens movimentadas, cheias de homens, mulheres e crianças rindo. Seu véu azul escuro lhe caia sob os ombros, não cobrindo o seu rosto pálido e angulado. Observava cada pessoa, cada movimento, esperando algo que pudesse ser utilizado como uma nova profecia. Mentir não era a melhor opção, mas era o que a mantinha no seu emprego mundano. A noite não lhe permitia ver muito bem, ainda mais fora de seu habitat natural, mas conseguia perceber um vulto chegando perto de sua cabine. Puxou o véu para cima, procurando saber quem se aproximava.
ㅤㅤㅤㅤAlec estava deveras animado com aquele segundo dia do festival, talvez, apenas menos animado quanto estaria com o terceiro dia, isso era um fato. Pelo segundo dia consecutivo, tomara um banho, alguns marujos até estavam perguntando se Alec iria encontrar alguma moçoila em terra firme. O pirata apenas riu, lembrando-se das três prostitutas que tomaram banho com ele durante a madrugada anterior. Um banho bem animado. Contudo, aquele dia era o que os habitantes locais estavam chamando de “dia misterioso”. Dizia que Rainha Amelie teria contratado algumas caravanas de artistas vindos de Sigrun. Ilusionistas, mágicos, dançarinas e outros indivíduos com habilidades notáveis. — Anime-se, Harry! Mesmo que estas apresentações sejam tudo uma ilusão, ainda temos as tavernas com um rum bem real. — Comentou para o irmão, que olhava atentamente para um mapa pregado num mural de madeira próximo de uma taverna. Algumas meretrizes os observavam, soltando risadinhas, sorrisinhos e algumas, mais atrevidas, beijinhos e gesticulando que se aproximassem. Alec piscou para uma delas, de cabelos negros e de pele morena pelo sol. Ainda era cedo para ter um pouco de prazer, afinal, ainda tinham o dia inteiro pela frente e não era sempre que tinha um festival a qual poderiam se esconder no meio da multidão. Depois voltaria para ter com aquela bela moça. Seguiu Harry, que dizia estar indo para uma apresentação com um “engole-lâminas”, rindo daquela ideia ridícula parou no meio do caminho, para ler uma placa misteriosa. Sobre um circo, tendo aberrações e uma famosa vidente. — Quanta baboseira. — Comentou Alec, voltando a seguir seu caminho, contudo, Harry mudara sua ideia e obrigara Alec a ir com ele. “Vai ser divertido! Gahhh como se alguém soubesse do futuro.” Resmungou em pensamento, apesar da má vontade, não deixaria o irmão ir sozinho.
ㅤㅤㅤㅤO lugar era de fato estranho. Nunca tinham entrado em um circo, ali tinham pessoas mais esquisitas do que já vira em qualquer lugar. — Que Davy Jones carregue a marinha real toda! Que pessoas são estas?! — Falou para o irmão, surpreso, sem acreditar no que via. Alec era extremamente cético, não acreditava em nada até que lhe provassem do contrário. Até hoje não acreditava que mulheres fossem mau agouro a bordo de um navio, mas sim uma distração para os tripulantes que não fariam seu trabalho para ficarem mexendo com tal figura. E as pessoas que viam ali, provavam a existência de coisas que o pirata jamais vira. Acertou uma bola na cabeça de um palhaço que viera fazer malabares na sua frente, irritado com ele por segui-lo desde a entrada fazendo aquela palhaçada. — Que pessoa irritante! — Resmungou. Estava com o rosto fechado, irritado por aquele lugar, parecia que nada lhe chamava atenção, até que uma mulher chamou sua atenção. Ela estava parada observando cada pessoa que passava por ali, trajando um véu, deixando-lhe um ar de mistério. Alec se aproximou dela, deixando Harry ir na frente, para um show de acrobacia. — Você aparenta ser muito normal para estar aqui. — Comentou, aproximando-se dela, olhando direto nos olhos, mesmo que os dela estivessem escondido por baixo do véu. A única coisa que passava em sua cabeça, era que se ela tivesse barba, sairia correndo e não pararia até estar a bordo do Poisoned Rum.

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Our Primary Selves | {Flashback} E1D2 | Jackie & Alec
Não pode evitar de rolar os olhos para o marujo, ao mesmo tempo que ria. Alec era uma figura engraçada. O homem era enorme, barbudo e mal cheiroso – não poderia ser diferente por sua natureza pirata – mas ele tinha um carisma incrível e um ótimo senso de humor. Jackie se divertia muito facilmente perto do pirata, ainda mais quando tinha uma bebida entre eles; e quase sempre tinha. “Yo ho ho and a bottle of rum!” completou a música que ele cantava, mesmo quando ele parou de cantar para cumprimentá-la. “Afinal, não há tavernas no mar”, brincou, piscando para ele antes de rir. Assim que sua caneca de cerveja chegou, ela segurou o apoio e bateu contra a garrafa do marujo. “Saúde”, disse antes de tomar um longo gole de seu malte. “Hm!”, chamou sua atenção, com a boca cheia de cerveja, antes de engolir e finalmente voltar a falar, pousando a caneca na mesa: “Você parece estar aproveitando a festa. A Rainha Amelie está ciente disso, Alec?” perguntou em um tom divertido com uma sobrancelha erguida, porém de certa forma ainda acusadora. Pelo que sabia, os piratas não eram bem-vindos nas honras do rei que cortou a cabeça do pai de Darius Rochester, o próprio capitão do Poisoned Rum – a tripulação do Mermaid Spell também deveria estar ali em algum lugar, mas Jackie não sabia reconhecê-los, uma vez que navegou apenas uma vez no navio de Darius, fato que a possibilitou conhecer Alec; e claro, Jonathan Milles. Mas fosse como fosse, ela entendia que os monarcas não tinha nenhum apreço pelos piratas, e a julgar pelos capitães de ambos os navios que mais davam dor de cabeça, eles também não tinham nenhum apreço pelos monarcas.
ㅤㅤㅤㅤRiu-se ao vê-la completar a canção que cantava alegremente pelas ruas de Vidar, mesmo os outros cantando uma música completamente diferente daquela. Ele preferia aquela canção, era mais animada e falava de coisas que ele gostava: rum. — Seria interessante se tivéssemos tavernas flutuantes. — Sugeriu o pirata, como se fosse uma ideia genial. — Exceto pelo fato que a clientela seria escassa. —Pelo simples fato que para muitas pessoas se encontrarem em alto mar, somente uma esquadra de alguma nação para derrubar algum navio pirata que trazia potencial perigo para a estabilidade alheia. Exceto pelo fato de que raramente as esquadras reais tinham navios mais rápidos do que os piratas. Bateu sua garrafa contra a caneca de cerveja da mulher. — Saúde! — Proferiu, enchendo a boca com um grande trago da bebida destilada de melaço. Seus olhos estavam nas moças que corriam pela rua, de trajes tão finos que podia ver suas silhuetas sem esforço, pois o tecido grudava-lhes na pele devido ao suor. Dias quentes eram dias de prazer. A contrabandista chamou-lhe sua atenção, então levou os olhos para ela e não pode deixar de rir com o comentário da moça. Aproximou-se de Jackie, colocando a garrafa sobre a mesa e levando-a até o rosto. — Não, não. É uma surpresa para ela. Não deixe vossa majestade saber que estou aqui até o momento certo, Jackie. — Sussurrou, junto com um hálito cheirando unicamente a rum.
ㅤㅤㅤㅤO sorriso maroto que Alec mantinha em sua face, era nada menos de quem estava querendo aprontar alguma coisa. E com seu comentário, não conseguiu abafar a risada que se seguira. — Mas que pergunta, Jackie! Talvez na próxima eu tenha sorte de receber o convite. — Gargalhou em tom debochado quanto à realeza. — Oh, tu tiveras a sorte de receber o convite, Jackie? — Lançou-lhe um olhar interrogador, deixando sua expressão falar mais do que sua própria língua. Um pouco perto de “se eu te conheço bem, dona moça, é claro que não”.
{EVENT} "So will someone come and carry me home tonight?" | D3 | Malec
Maimie enrolou os braços no tecido fino que cobria seus ombros e ergueu-os na altura do nariz apenas para sentir o cheiro agradável e familiar de casa que lhe trazia. Ela odiava Vidar. Não era suspeita em dizer —apesar de sua lista de lugares favoritos se resumir muito bem em Tortuga —, já que basicamente toda a Tragédia Shakespeariana que sua vida fora tivera como cenário principal aquele específico reino. Abandonamento, assassinato, morte, traição, mais morte e assassinato… Tudo. Se não fosse pelo fato de que absolutamente todos estavam ali (inclusive todos seus clientes), ela nunca, jamais, teria colocado os pés para fora do Madame Chaleira para seguir para o único destino completamente indesejado.
Fosse como fosse, ali estava ela, andando em plena madrugada pelas ruas praticamente desertas de Vidar, relembrando seu passado escuro, após ter ouvido o discurso da rainha e ter presenciado a explosão repentina da estátua. A explosão. Este mesmo havia sido a fofoca principal por horas após o acontecido, mas logo o assunto havia cessado e tudo que restava para trás eram as acusações duvidosas e “cheias de dedo” para cima de todos —piratas, principalmente, o povo e até mesmo a própria corte vidariana. Ela, particularmente, não se importava; seu mundo era muito distante daquele, sua realidade bastante divergente daquela para que realmente afetasse-a. Mas isso, claro, não impedia-a de fazer as próprias acusações no silêncio de seus devaneios.
A brisa chegou ao seu rosto, quase arrancando-lhe o véu fino das mãos. Apesar de todas as más memórias que Vidar pudesse trazer, as boas também estavam ali —conturbadas, sujas e entrelinhas, mas ainda ali. Por aquelas exatas ruas, havia se apaixonado pela primeira vez. E, embora houvesse sido o maior erro de toda sua insignificante vida mortal, fora uma das maiores, mais mágicas experiências quais já presenciou. Nem mesmo o maior dos ilusionistas poderia repetir tal truque, tamanho fora ele. Não se arrependia, no entanto. Tal simples erro havia levado-a a fundar o projeto de sua vida: a Taverna da Madame Chaleira, o refúgio majoritário para piratas sóbrios se tornarem piratas bêbados, o melhor rum valkyriano. Maimie se orgulhava em dizer que conhecia-os todos pelo nome, afinal, nenhum pirata decente não havia não passado pela Madame Chaleira —mortos e desertores excluíam-se da categoria, obviamente.
E a última ventania havia sido definitiva. Seu lenço longo e azul saiu voando pela extensão da rua parcialmente vazia e escura. Apesar de ser um poço vivo de coragem, não se aventuraria ali por um lenço especialmente bem-feito e caro que comprou no dia anterior nas feiras de artesanato. Deus sabe o que, diabos, sairia dali —piratas bêbados não lhe assustavam mais do que esquilos, mas homens vidarianos bêbados… Bem, digamos que não era exatamente o tipo de aventura que estava preparando para a noite. Continuou sua caminhada, cruzando os braços na frente do peito para evitar os calafrios; não estava frio, mas Maimie parecia estar se arrepiando com qualquer coisa naquele dia.
Foi perdida em pensamentos que estava quando uma mão tocou sua cintura sorrateiramente e subiu por toda a extensão do tronco da mulher, puxando-a para perto. Mais perto do que o permitido. Sentiu todos os fios de seu corpo eriçarem-se em um desespero silencioso; havia passado por uma inspeção minuciosa com um dos guardas após a explosão e não carregava nenhuma adaga na liga da meia calça ou entre o espartilho; seria impossível se livrar dos braços do homem velho, maltrapilho e enorme que segurava-a com força. Tentou se contorcer e soltar-se, mas era tarde: o velho segurou seus punhos com apenas uma das mãos e colou-a na parede mais próxima com firmeza, enquanto a outra, acariciava sua coxa por cima do vestido. Resmungou um palavrão em alto e bom som, mas duvidava que alguém tivesse peito para enfrentar o homenzarrão. - Me solte!-, mordeu seu braço com força, cuspindo em sua cara logo em seguida. Contorceu-se ainda mais e resmungou, tentando dar socos com suas mãos imobilizadas ao alto da cabeça.
ㅤㅤㅤㅤEra uma noite razoavelmente quente, embora uma ventania refrescante trouxesse um pouco do ar gelado do norte. Sua camisa de linho ligeiramente suja grudava-lhe na pele devido o suor, que escorria por uma linha fina de seu rosto e outros lugares que não precisava citar. Além de um banho que não faria mal nenhum. Todos deviam achar que piratas não tomavam banho por gosto próprio, mas ninguém queria ficar sem água caso o rum acabasse, ainda mais em alto mar. Quem gosta de água salgada? Aparentando ou não, Alec ainda precisaria muito mais do que aquela pequena garrafa de rum que trazia consigo pelas vielas de Vidar para cair de bêbado, e não estava querendo fazer isso longe de uma cama limpa de uma pousada. Se algum guarda o encontrasse não evitaria seu pé dançar pela barriga do pirata com boas pancadas. Era como agiam com os sem rumos caídos pelas vielas.
ㅤㅤㅤㅤSuas passadas eram rápidas, para quem estava no início da embriagues, agitado e com um sorriso alegre na face, cantarolando por onde quer que passe. — Don’t forget your old shipmate, faldee raldee raldee raldee rye-eye-doe! — Sua canção foi interrompida quando notou uma movimentação mais adiante. Via duas figuras, quase que entrelaçadas, se tocando. De primeiro momento, achou que fosse apenas um casal que não tivera paciência para chegar em casa, até que ouvira um palavrão e logo em seguida um “Me solte!”. Semicerrou os olhos, tentando distinguir as formas, estava ligeiramente longe deles. Foi se aproximando sorrateiramente. Deixou a mão esquerda cair sobre a base da empunhadura da adaga que ficava presa à suas costas, enquanto se aproximava e observava. — Yo. — Chamou a atenção do cara que tocava na mulher à força. Não havia reconhecido-a. Mesmo sendo um pirata, Alec tinha algo que poderiam chamar de honra, talvez? Mas ele “trabalhava” para pagar suas próprias prostitutas. — Falta-lhe ouro para pagar por uma, verme? — Questionou o homem, despreocupado. Virou outro gole de rum garganta a baixo e sorriu para ele. — Vamos, vamos. Não quer chegar ao alvorecer com formigas saindo-lhe da boca, quer? — Desafiou o homem, que agora tinha parado de tocá-la. Piscou para a moça e foi quando a reconheceu. Maimie Jones! A dona do Miss Chaleira em Tortuga e uma das melhores anfitriãs para com os piratas, desde que não queiram roubá-la na cara dura.
Ready Aim Fire! | E1D3 | Alec & Lucius
ㅤㅤㅤㅤNaquele dia em especial, Vidar estava agitada. Não apena pelos eventos do terceiro dia que envolvia as competições de esgrima, arquearia e armas de fogo, mas pelo fato de ter ocorrido um atentado à realeza no dia anterior. Enquanto Amelie discursava avidamente, a estátua de seu pai fez-se em pedaços após muita pólvora explodir. Aparentemente a Rainha só ficara com alguns ferimentos superficiais, no entanto, quem estava bem em frente dela tivera os piores machucados. Hambleton não iria parar com o evento, estava convencida de que aquilo fora um atentado pirata contra sua vida e não se deixaria abater. Mais guardas estavam nas ruas patrulhando e observando qualquer suspeito, e o que não faltava naquela cidade eram pessoas suspeitas. Aquilo ficara na mente de Alec a madrugada inteira, será que a Aliança Poisoned Rum & Mermaid’s Spell já estava agindo e os capitães nem sequer contaram aos seus homens? Teria que questiona seu capitão.
ㅤㅤㅤㅤTodavia, não seria naquele momento que Alec iria começar a fazer as perguntar. Queria estar por dentro das ações, mas estava concentrado com a competição de armas de fogo. Fizera o jovem Jonathan se inscrever na competição e acabou tendo que enfrentar o Downey. A habilidade do marujo com as armas ainda não era boa o suficiente, Alec o derrotou facilmente, com um saque rápido e mira precisa. O pirata observava alguns piratas também participando do evento, alguns dando nomes falsos, outros fazendo como ele, apenas a inicial e o sobrenome, não queriam alarmar a população mais do que já estavam. Era perigoso para eles. Então, o arauto do evento soou a trombeta e chamou a próxima rodada. Avistou uma figura conhecida no meio dos competidores, aparentemente não havia assistido a rodada de bang-bang dele. Lucius Rochester, o infame capitão do Mermaid’s Spell. Inimigo jurado do Poisoned Rum e atual aliado. ─ Ora, ora. Quem eu vejo por aqui. ─ Deixou um sorriso insolente surgir-lhe na face, antes de fato cumprimentar o homem de fato. ─ Está competindo também Lucius? ─ Questionou, curioso. Assistira quase todas as rodadas, exceto por aquelas que ocorreram enquanto saíra para urinar e comprar uma garrafa de rum.
If you can shoot faster, you win | E1D3 | Alec & Jonathan
ㅤㅤㅤㅤEstava esperando ansiosamente o terceiro dia do evento, era quase o melhor dia de todas aquelas festividades. Era o dia das verdadeiras competições. Luta com espadas, que para os nobres e pomposos era a competição de esgrima, haveria a de arquearia e claro, uma das que Alec mais gostava além da esgrima era a competição de armas de fogo. Manter uma precisão excepcional em sua mira e um saque rápido eram características excelentes para qualquer atirador, quando acabasse as balas, ao menos eram menos homens com os quais lutar corpo-a-corpo usando uma espada. Alec incentivara a todos no navio a participarem disfarçadamente nas competições, como mestre-de-armas do Poisoned Rum, era de responsabilidade dele não deixar ninguém enferrujar. Tivera um trabalho um pouco dobrado em convencer Jonathan a participar do evento, ao menos conseguiu convencê-lo a participar pelo menos da competição de armas de fogo. Ainda mais sendo um dos novos marujos, estava em treinamento ainda e naquela competição poderia ver uma parte da evolução do jovem pirata com sua perícia em armas. Apesar de ainda aparentar ser uma criança, nem barba tinha ainda, Alec não sabia dizer algo específico sobre ele. Era uma pessoa estranha, sim.
ㅤㅤㅤㅤ— Vamos, garoto Jonathan! Se inscreva! — O incentivou à beira da mesa das inscrições, embora, tivera passado na frente e assinado seu nome. Colocara apenas a inicial do nome e seu sobrenome. Havia pensado em falsificar um nome e passar-se por um empregado de algum lorde que havia aprendido a manusear armas de fogo, mas preferira passar por si mesmo. — Vê? A inscrição é facílima! Coloque seu nome e sobrenome aí. — Ordenou e quase o chamou de marujo mas conseguira controlar sua língua. Era perigoso soltar certas palavras ao vento naquele festival, nunca se sabia quem poderia estar ouvindo. — Preparado? Trouxe as pistolas que te ordenei que limpasse? — Questionou, mesmo vendo-o na posse do marujo. Queria certificar-se que estariam limpas e prontas para o evento. Já Alec trajava uma bandoleira semelhante a um suspensório com três pares de pistolas expostos no peito sobre o colete. Armas preparadas não lhe faltavam.

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{Festival in the kingdom} The legends become true | {Flashback} E1D1 | @Syrander
Syrena mantivera-se perdida em seus devaneios, sendo aclamada pela brisa que continuava soprando-lhe a face. Não saberia como resistir aos encantos daquela noite, sem que perdesse toda a sua consciência para com o novo. A euforia lhe tomava o âmago, mostrando-se latente em todo o seu corpo, agitando cada célula e músculo que o formava. Não poderia deixar de pensar em suas irmãs, ou em Davina, a mais especial dentre sua família. Podia imaginá-las fitando-a naquele momento, julgando-a por acreditar em um humano, cujo fazia-na de prisioneira. Não podia tirá-las da razão. Darius não poderia receber o rótulo de confiável, não quando a pessoa em questão, na verdade não era uma pessoa, mas sim uma sereia. Embora a simpatia alheia lhe fosse um ponto positivo, não podia apostar todas as suas cartas nele. Até por que, estava longe de ser uma boa jogadora. Tinha muito que aprender, tempo o bastante para que seu mundo não fosse tão divergente dos demais. Nem mesmo tinha noção se estava pronta ou não, apenas se jogaria naquela de cabeça, deixando de lado os possíveis perigos que encontraria mais a fundo naquele oceano.
Dentre seus pensamentos, desligou-se do mundo, esquecendo-se de onde jazia e como jazia. Algo do lado de fora da sua bolha, para ser mais precisa uma voz, exigia a sua presença. Darius estava chamando-na, lembrando-a de que tinham um compromisso. Voltando a realidade, sorriu alegremente, virando-se para constatar que o capitão chamava-na. Infelizmente, equivocou-se. A voz que ecoava pelo convés do navio não pertencia a Darius, tampouco a alguém que conhecesse. Syrena o fitava tentando compreendê-lo, embora tivesse dificuldade em fazê-lo. Não estava acostumada com outros marujos, outros homens, enquanto estes pegavam-na de surpresa. A brisa não lhe era mais agradável, atingindo-na como pedras de gelo escorrendo por seu corpo, espalhando calafrios por todo o seu corpo. Não sabia o que fazer, nem mesmo dizer. — E-e-e… — Tentou explicar-se, falhando miseravelmente. As palavras desapareceram com facilidade, deixando-na perdida. A vontade que tinha era a de correr, mas acabaria falhando também. A ideia de levantar-se passou por sua mente, cutucando-a, convencendo-a. Assim que o fizera, suas pernas rejeitaram sustentá-la, fazendo-na cair sentada onde estava. Syrena respirou fundo, tentando fitar o homem nos olhos. — O caplitão tlouxe-me aqui. Chame-o, e-e-ele o expliclará. — O nervosismo lhe roubava a coerência, atrapalhando-a na pronuncia.
ㅤㅤㅤㅤSeu semblante era ameaçador. Olhava direto nos olhos da moça de pele clara, sem quase piscar. Encarando-a, como se olhasse no fundo da alma dela para saber se mentiria ou não. Percebeu que no momento que se dirigiu a ela, toda a postura da jovem mudara, aparentava estar amedrontada. Não era para menos. Alec não deixaria um estranho sentir-se bem vindo dentro do navio a qual ajudara a construir junto com Darius. Se não sabia quem era, era assim que o trataria, senão, com os próprios punhos e armas. O pirata estreitou os olhos, quando ela começou a falar. Não piscou. Seu olhar não se movia por um segundo. Olhos nos olhos. Azul com azul.
ㅤㅤㅤㅤIrradiava sua desconfiança por sua expressão facial, ainda mais quando a moça gaguejara. Típico de quem é pego no flagra e não sabe o que falar. ─ Darius trouxera você a bordo, heh? ─ Afagou a barba, ainda mantendo os olhos semicerrados e pregados nela. ─ Por que ele deve-me explicação se tu estás aqui? Você deve falar por si mesma. ─ Ordenou, dando um passo na direção da mulher. Estava a uns cinco metros dela, inicialmente. Sentada na escaleira, preocupada e se ela tinha algum envolvimento com o capitão Rochester, era ela quem deveria explicar-se. Podia dizer que a moça estava no local errado e na hora errada, e, sobretudo, encontrara a pessoa errada. Alec era muito resoluto e um pouco ferrenho, não a deixaria ir-se sem uma boa explicação. Claro, após andar na prancha. Ninguém sobe a bordo do Poisoned Rum sem autorização e se livra sem punição.
Crossbows and Muskets | {Flashback} E1D1 | Carrie&Alec
Com uma das mãos Carrie mantinha o chapéu em segurança na cabeça, enquanto a outra segurava a balestra com força. Ela nada respondeu à alegação feita por Downey, resolveu simplesmente ignorar para que sua mente não se distraísse com coisas irrelevantes. Mas de jeito algum deixaria que ele abatesse o animal e cantasse vitória sobre ela. Podia ver claramente o javali correndo em desespero bem à frente, mas seu campo de visão logo foi atrapalhado quando seu adversário, espertamente, foi mais rápido e colocou-se em sua frente. Respiração ofegante, rosto brilhando de suor e batimentos cardíacos acelerados, Carrie xingou mentalmente e por um breve momento teve vontade de lançar uma flecha no infeliz. Mas logo passou, visto que seria uma atitude extremamente injusta e isso era algo que ela não era. Se ganhasse aquele torneio, e ela iria, seria de forma justa e merecida. O som do vento em seus ouvidos durante a corrida ficava cada vez mais alto à medida que ela forçava as pernas longas e ágeis a moverem-se mais depressa. Sua rapidez a fazia acreditar que nada poderia interrompê-la. Até que algo a fez. Não conseguiu suprimir o suspiro alto que veio assim que Alexander parou subitamente no meio do caminho. Tentou frear à tempo, mas não foi possível. Estava correndo muito rapidamente para conseguir reduzir a velocidade antes que seu corpo se chocasse com o dele, o impacto lançando-a para trás e então ao chão. O susto a fez pressionar o gatilho de sua arma, que liberou a flecha para o alto.
Uma expressão totalmente irada tomou conta de seu rosto, imaginando que ele havia feito aquilo propositalmente para atrasá-la. Mas quando viu que ele se preparava para atirar, percebeu que aquela não havia sido exatamente sua intenção ─ embora tivesse sido muito conveniente. O barulho do tiro desfez qualquer esperança que a mulher tinha de ganhar e ela franziu a testa, esperando que o homem comemorasse a vitória. Sua alegria por ele ter errado o tiro durou pouco, pois logo um nobre metido surgiu por entre as árvores, rindo e se gabando. No fim das contas, nenhum dos dois havia conseguido. Ainda sentada no chão, Carrie fechou as mãos em punho com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos e suas unhas perfuraram a carne de sua palma, tirando uma exígua quantidade de sangue. ─ Não! ─ Bravejou enquanto se levantava, pegando o chapéu que também caíra no chão e segurando-o com força entre os dedos da mão livre. ─ Você me atrasou! Se não tivesse se metido em meu caminho… ─ Começou, aproximando-se de Alexander e encarando-o com os olhos claros cheios de fúria, apesar de saber que nenhum dos dois tinha realmente culpa na história. Haviam se encontrado por um mero acaso e, em todo caso, ela quem havia atirado uma flecha de raspão nele. Se não fosse aquilo, nem teriam trocado qualquer palavra.
ㅤㅤㅤㅤSeus olhos focalizaram a mulher no centro do raio de sua visão, ela estava suja, suada e com folhas e galhos presos pelos cabelos e roupas. Até parece que ela tinha caído no chão sem nenhum motivo aparente. Queria rir da situação dela, mas sua raiva pelo nobre estar mais perto do que ele do javali apenas crescia dentro de si. Sua mão esquerda estava coçando para apanhar a pistola e ir até ele, dar-lhe pelo menos um tiro na perna, para aprender como a vida é. Carrie também esbravejou, estressada. Podia ver o semblante de frustração nela, não devia ser menos que aquilo que Alec aparentava. Se estivesse mais perto do dito cujo que abateu o javali, teria lhe uns bons socos e pontapés depois de dizer aquilo. Seus olhos faiscaram de ódio quando Jones começou a querer culpá-lo. Fechou o rosto, respirando muito rápido. ─ Você afugentou o animal, mulher! Se não tivesse espantado para tão longe, ele estaria muito mais perto da minha linha de tiro. ─ Cerrou os punhos, sentiu o fluido quente que escorria dos nós para a palma nas pontas dos dedos e então relaxou a mão. ─ Eu.. arh ─ Estava sem saber o que dizer.
ㅤㅤㅤㅤSua raiva estava tomando conta, respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos. ─ Quer saber? Dane-se. ─ Falou com os olhos fechados. ─ Eu preciso é de um bom rum, porque o cozinheiro daquele verme vai queimar aquele bacon. Farei questão disso. ─ Abriu os olhos e mostrou-lhe um sorriso, ainda que tímido e forçado pela raiva ardente que fazia ouvir um zunido agudo, iria descobrir onde aquele nobre estava hospedado e faria com que aquele javali não servisse de comemoração alguma. ─ Vai me acompanhar, Jones? Ou vai ficar mascando gravetos aí? ─ Se aquilo foi um convite que Alec fizera, nem de longe aparentava ser. Começou a andar na direção em que ouviu a trombeta, certamente já haviam chegado com o javali na tenda do evento.
254/365 │ Imagine Dragons - Warriors
Here we are, don't turn away now we are the warriors that built this town from dust
Crossbows and Muskets | {Flashback} E1D1 | Carrie&Alec
Carrie se sentiu muito, mas muito ultrajada com o fato de Alexander ter tido o infame pensamento de que ela pretendia segui-lo. Não acreditou que ele pudesse ser tão cara de pau a ponto de acusá-la daquilo quando, pelo menos para ela, era óbvio que acontecia exatamente o oposto. Como se ela precisasse seguir qualquer um para rastrear um maldito javali! Não conseguiu expressar toda a sua indignação em palavras, então simplesmente bufou e rolou os olhos dramaticamente. ─ Como é iludido, Downey. ─ Praticamente cuspiu as palavras enquanto ele passava por ela, tão perigosamente perto que teve que se segurar para não agarrá-lo ali mesmo. Não saberia dizer se de raiva ou desejo, mas resolveu deixar aquela dúvida sem uma resposta. Encarou as costas do homem por um breve momento antes de suspirar nervosamente e continuar a andar na mesma direção que ele, embora alguns metros atrás e para o lado.
Enquanto andava por entre as árvores altas e espessas, manteve-se atenta às proximidades e também ao outro caçador, até que ouviu um barulho não muito distante de onde estava. Vinha de algum ponto entre ela e Alexander, que, pelo modo como mudara de postura, certamente também tinha ouvido. Imediatamente preparou a balestra e apertou o passo, embora ainda se movesse com cautela e certa vagarosidade. Agora a ruiva e o loiro estavam em paralelo, apenas alguns metros separando-os. E antes que Carrie tivesse tempo de soltar um comentário provocador, um enorme javali saiu de trás de um arbusto e começou a correr na mesma direção em que ela ia, afastando-se cada vez mais. Algo que se assimilava a um rosnado escapou da garganta da mulher e ela pôs-se a correr também, podendo sentir a presença de Downey bem perto. Sua voz soou feroz quando ela resmungou: ─ Afaste-se, homem! ─ Sabia que era inútil, mas ela não queria saber de mais nada uma vez que adrenalina começava a correr por suas veias.
ㅤㅤㅤㅤIgnorara completamente a mulher atrás de si, falando ou resmungando, não sabia dizer, apenas ouvira um zumbido. Sua concentração estava nas árvores, até ouvir algo, começara a andar cautelosamente na direção que havia ouvido o som. Então, de uma moita o javali surgira, correndo para se distanciar. Um vulto passou ganhando velocidade a sua esquerda e só notou que era Carrie após mandá-lo se afastar. — Jamais! — Gritou de volta. Podia ter saído atrasado, mas tinha pernas longas o suficiente para em pouco tempo pôr-se em equilíbrio na caçada pelo javali. — Você não o levará. — Disse determinado, saltando por um tronco caído. Mantinha firme seu aperto no mosquete. Estava apenas esperando para poder ter um tiro limpo e rápido, para ao menos não fazer o animal sofrer, no entanto aquela ideia estava se esvaindo de sua mente ao lembrar-se que Jones não iria se importar em acertar uma das pernas para derrubá-lo. O sangue pulsava rápido, sentia a veia atrás de sua orelha pulsar avidamente, ao carregar sangue para o cérebro. A adrenalina enchia suas veias com o êxtase do momento.
ㅤㅤㅤㅤAcelerou o passo para ultrapassá-la, sem dó. Sentiu os músculos de sua perna tencionar e arderem, contraindo-se involuntariamente. Não se importou com a dor da falta de treinamento com corrida, afinal, seu único trabalho era saltar de um navio ao outro, atirar em quem podia e lutar usando sua espada com outras pessoas. Tentou ficar na mesma reta que Jones, atrapalhando sua visão. Apenas parou de repente, esperando que ela caísse sobre ele. Provavelmente ela tentaria parar de alguma forma para não trombar com Alec. O loiro apenas ajoelhou-se rapidamente, colocando-se em posição de tiro e mirou. Tinha uma linha de tiro limpa, sem qualquer obstáculo. Puxou o gatilho, a pólvora explodiu liberando uma grande quantidade de fumaça. O javali tomara para o lado, pouco mais a frente estava uma árvore, na qual Alec podia ver claramente o buraco que seu disparo causara. — Maldição! — Praguejou, cuspindo no chão, irritado. Ouviu risadas do outro lado e um jovem nobre vinha andando tranquilamente até o javali. “Acho que este é meu, meu amigo. E ah, minha linda amiga também. Mande soarem a trombeta. O javali é meu.” Rangeu os dentes, fechou o punho e socou a árvore que estava próxima do pirata. — Bastardo infeliz, mimado de merda! Grrrrh! — Cuspiu as palavras ao ar. Estava louco para jogar a culpa nela, mas Jones não tinha culpa. O nobre estava mais perto na hora do disparo, que aparentemente fora ao mesmo tempo. — A caça acabou. — Puxou a mão, abriu o punho lentamente, sentindo alguns ossos estalarem levemente e o sangue escorrer numa fina linha para a sua palma. Olhou para a mulher, diretamente nos olhos claros dela, com os dentes cerrados, tentando manter a raiva dentro de si ou explodir com quem fora.

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Our Primary Selves | Jackie & Alec
Uma coisa era fato: rainhas sabiam como dar uma festa. Apesar de Jackie nunca realmente ligar para quem era o mimado da vez no poder, com aquele festival caribenho em plena rua, estava começando a gostar um pouco mais da rainha. Ela tinha bom gosto afinal. Apesar de não ser noite ainda em Vidar, o céu alaranjado forçava a população acender as lamparinas, o que deixava o espetáculo mais bonito. Corpos morenos de sol dançavam pelas ruas, animando a população. Sigrun era uma ilha bem menos urbanizada que os reinos, com paisagens estonteantes, um eterno paraíso tropical – era a ilha favorita de Jackie Mordaunt. Esses fatores davam aos habitantes de lá uma beleza selvagem e exótica, com corpos morenos, esculturais e que não tinham nenhuma restrição quanto a dançar seminu por aí – os mais conservadores de Vidar os chamavam de “sem-vergonha” naquela noite. As músicas se desprendiam da clássica viola e rebeca, adotando um ritmo mais cigano, sensual e dançante. Obviamente, a contrabandista aproveitava o quanto podia o seu dia de folga.
Praticamente se tornou mais uma dançarina entre os contratados – de pés descalços, coroa de flores nos cabelos e vestido mais leve, enfiou-se entre os ciganos junto com um grupo de mulheres com quem fez amizade e dançaram junto com eles. Simpáticos, os dançarinos a ensinavam a dançar, e ela ria toda vez que errava grotescamente um passo de dança, ou até mesmo quando acertava. Rir de maneira legítima e divertida estava sendo fácil aquela noite, principalmente quando não precisava ser durona ou algo do tipo. Era nessas horas em que ela estava em contato com o seu “ser natural”, como gostava de dizer, e voltava a ser apenas uma garota de vinte anos, curiosa e com necessidade de liberdade. Mas, uma hora, teria de voltar a ter vinte e oito, de maneira que após dançar por longos minutos com os ciganos já tinha as pernas cansadas e as bochechas pedindo descanso de tantos sorrisos. Ela sentou-se em uma mesa de centenas montadas nas ruas pelas tavernas, seu corpo agradecendo por um descanso. Um tanto ofegante, pediu a uma das garçonetes por uma caneca de cerveja, quando uma figura a chamou a atenção. “Está um pouco longe do mar, marujo!”, falou para o homem, voltando a sorrir de maneira jovial enquanto seu corpo ainda desfrutava daquela maravilhosa sensação de cansaço.
ㅤㅤㅤㅤVidar era uma concepção de mundo completamente diferente da maioria das ilhas que estava acostumado a visitar, em especial, à Tortuga. Alec deliciar-se-ia com tamanha diversão que aquele reino lhe proporcionara. Música, dança, bebida e mulheres, dias a fio e um calor razoável e sem sinal de chuva alguma para estragar a festividade. Rainha Amelie Hambleton aparentava ter tirado a sorte grande com tal época para a realização do festival. Estava completamente absorto com os eventos que ocorriam a cada dia, coisas que jamais imaginara para um memorial. No dia anterior, Alec havia saído para caçar javalis como se fosse um cavaleiro ou nobre que fazia aquilo por esporte; apenas conseguira avistar o suíno, mas não tivera habilidade suficiente para rastrear e abater o animal. Sim, estava decepcionado por tamanha incompetência própria, sobretudo, por nem sequer saber rastrear algo dentro de uma mata. Mas nada daquilo lhe importava naquele segundo dia de comemorações, as ruas estavam abarrotadas de gente, tavernas haviam colocados mesas ao ar livre, ciganos liam a sorte e faziam previsões macabras sobre o futuro alheio.
ㅤㅤㅤㅤMovia-se ao ritmo da música que ouvia, sobretudo ao som de banjos, rabecas, flautas e tambores rústicos, com uma garrafa de rum a mão, cantarolava alguma coisa entre os goles generosos da bebida destilada do melaço e de escura. Um novo ritmo apoderou-se do ar, e como um bom pirata não pode deixar de notar que aquele ritmo se assemelhava muito a uma música que conhecia muito bem. — Yo ho ho and a bottle of rum! — Cantarolou, erguendo a garrafa de rum, feliz. — Fifteen men on a dead’s men chest. Yo ho ho and a bottle of rum! — Devia ser o único que estava cantarolando ao ritmo da música, pois olhares tortos estavam vindo em sua direção. Quando uma senhora olhou para ele irritada por “estragar” a música para ela, mandou-lhe um beijo e o marido dela fechou a cara e começou a resmungar. — Drink and the devil will done the rest! — Cantarolou mais uma frase da música que conhecida de longa dada, aprendera enquanto ainda trabalhava lavando o convés do Sutton Hoo. Contudo, sua atenção foi chamada quando alguém se dirigiu a ele. Seus olhos focaram-se numa figura de cabelos morenos e enfeitado por uma coroa de flores. — Ora, um homem às vezes precisa por seus pés em terra firme! — Afirmou com gosto, tragando um longo gole e abrindo um grande sorriso. — Jackie! — Cumprimentou a moça, sentando-se em uma cadeira ao lado da moça.
{Festival in the kingdom} The legends become true | {Flashback} E1D1 | @Syrander
A liberdade lhe parecia tão próxima a ponto de podê-la tocar com a ponta de seus dedos, acariciando-a como uma velha amiga faria. Syrena sentia-se ansiosa, nervosa, tendo um turbilhão de desejos percorrendo seu âmago, deixando-a completamente excitada para com o momento. A brisa tocava-lhe a face, trazendo consigo o cheiro da maresia, fazendo com que a melancolia a tomasse nos braços. Naquele instante, aproveitava um pouco da liberdade que tanto procurava. Ainda que estivesse presa a algo, incapaz de escapar, deleitava-se com o momento impar que logo mais desfrutaria. Sentada na escalera que daria para a proa do navio, tentava ao máximo despertar-se para a realidade. Talvez tudo não passasse de uma utopia, um sonho que a inebriava, lhe tomando a razão. Tudo lhe parecia bom demais para ser verdade, todavia, apegava-se com força na sinceridade de Darius. As íris perdiam-se na imensidão que jazia além do navio, ansiando pelo momento que sairia deste, reconhecendo as terras que a cercava. A benevolência de seu capitão era reconhecida, enquanto agradecia aos Deuses pelo que se seguiria. A Deusa Diana em todo o seu glamour, abençoava-na com seu brilho, enquanto envolvia-se em uma dança vagarosa com sua imaginação.
Darius naquele mesmo dia, um pouco mais cedo, em sua visita rotineira a Syrena, falara sobre um festival que aconteceria na cidade de Vidar. Demorara um pouco para compreendê-lo, mas logo o fizera. No desenrolar da conversa, o capitão chegara no ponto em que a envolvia por completa: Syrena participaria do festival. Acreditar em tais palavras parecia ser impossível, dando inicio a um logo questionamento. Queria entender os motivos que o levaram a deixá-la sair do navio; o porquê de ser naquela noite; naquela cidade; e quando jazia completamente absorvida pela novidade, chegara à conclusão de que não havia nada para vestir. Para a sua surpresa e alegria, Darius providenciara sua vestimenta. Os humanos em seu código de conduta, apegavam-se aos tecidos e ela, como uma estrangeira neste mundo, deveria fazer o mesmo quando estivesse entre eles. O vestido remetia as águas cristalinas de Freyja, assim como, os detalhes dourados a luz de Febo. Não podia deixar de sentir-se grata ao capitão, embora este não fizesse sempre por onde. Ainda era uma prisioneira e tal condição ficara clara, nas regras que lhe foram citadas.
Todavia, na hora marcada, lá estava ela em toda a sua majestade, fazendo-se passar por uma humana comum. A cascata loura que era seu cabelo, caia pelo ombro banhando-a, enquanto os lábios foram retocados com um brilho rosado, provindo de muitos das bugigangas que lhe fora dada. Estava pronta para aventurar-se entre os humanos, conhecê-los mais de perto e observá-los em sua cultura. O seu contato com os demais se limitava aos piratas e estes, personificavam os bárbaros. Darius e Damien, os únicos com que mantinha contato, pareciam ser a exceção entre os marujos. Apoiando-se no capitão, deixara a cabine deste para que pudessem apreciar o festival. O nervosismo lhe era latente, deixando-na bamba. Caminhar já era um problema, estando nervosa duplicava a equação. Por sorte, o homem que acompanhava-na mostrava-se paciente, a conduzindo em seu próprio ritmo. Quando alcançaram o convés do navio, um empecilho. Algo estava acontecendo e a presença do capitão era exigida em alguma parte da embarcação, cujo nome não era possível ser pronunciado. Prometendo que se comportaria e que não tentaria fugir, fora deixada na escalera, ao aguardo do outro.
Não tinha intenção alguma de fugir, embora esta fosse sua vontade. Sabia dos riscos que correria ao tentar caminhar sem apoio e a confiança de Darius, lhe parecia preciosa o bastante para não colocá-la em risco. Talvez se tentasse algo, acabaria prejudicando-se, piorando a sua condição dentro do navio. Só lhe restava esperar e paciência naquele instante, era uma ótima companheira, assim como a Deusa Diana e suas seguidoras.
ㅤㅤㅤㅤPiratas tinham fama de trazer o caos e a morte onde quer que aportassem. O que não é mentira, mas nem uma completa verdade. Piratas gostavam de festejar, encher-se de bom rum e aproveitar-se das mulheres dos bordéis. Saqueavam para gastar com luxos e benfeitorias para si próprios, mesmo que fosse só bebida ou mulher os "objetos" pelo qual trocavam o ouro que angariavam. Alec era como um pirata comum, na verdade, todo pirata era um pirata comum, exceto pelos capitães, que tinham mais ouro do que se reunisse toda a riqueza que os marujos guardassem - isso se guardassem. Naquele dia o Poisoned Rum chegara a costa de Vidar antes do alvorecer, o navegador do dia ficara incumbindo de levá-los até Vidar antes de poder dormir e Darius aproveitara de chegada tão antecipada para por todos os marujos para a cidade. Alec não fora exceção.
ㅤㅤㅤㅤAcreditava estarem apenas os marujos que ficaram com o plantão de sentinelas para cuidar do navio naquele primeiro dia de evento, pobres bastardos, perderiam a abertura do evento e só iriam contentar-se com rum que havia no navio e comeriam o que pudessem preparar para si mesmos, pois o cozinheiro tinha tirado o dia de sorte. Com tal fato em sua mente, Alec voltou para o Poisoned Rum para apanhar seu mosquete porque iria participar da caçada à javalis na Floresta Real de Vidar, estaria participando daquele evento apenas por causa de uma aposta que fizera com Harry em troca de metade dos espólios do irmão, bem como ele teria se Alec não conseguisse capturar o javali e ser o jantar daquela noite para toda a tripulação. Assim que subira a escada de corda e entrou a bordo do navio procurou qualquer sentinela para que avisasse sobre sua volta, contudo, apenas o que avistou foi uma cabeleira tão clara que ofuscou sua vista com o reflexo do sol. Aquilo lhe intrigou, tal cor de cabelo não lhe era familiar de nenhum marujo presente. Foi ao encontro de tal figura, sem imaginar o que poderia esperar ao chegar próximo. — Uma mulher? Uma mulher a bordo do Poisoned Rum?! — Exclamou, surpreso com a figura feminina ali. Não havia se lembrado no momento de que Darius mantinha uma jovem cativa. — Quem deixou você entrar aqui? — Questionou em um tom desafiador. Arqueara a sobrancelha e deixava aparente aquele semblante de interrogação.