Uma viagem ao centro de Tarkovsky
Nas férias do 3 semestre da faculdade, li "Esculpir o tempo" do Andrei Tarkovesky. Aqui vão alguns pensamentos
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Andrei Tarkovsky foi um renomeado diretor russo na época da uniao sovietica. Aprendeu sobre a arte cinematografica na primeira faculdade de cinema do mundo, a famosa VGIK, fundada em 1919. Não apenas isso, mas a instuição inaugurou diversos pensadores importantes como Sergei Eisenstein que foi o responsavel pela famosa "Teoria da montagem Sovietica".Â
Dessa forma, Andrei tinha uma boa base do cinema. E em toda sua vida, dirigiu somente 7 longas metragens. Quando, infelizmente faleceu de cancer aos 50 anos.Â
Em 1985, lançou seu livro teorico "Esculpir o tempo", onde dialoga sobre seus filmes e demonstra sua visao de mundo acerca da significado de arte. Andrei, em seus filmes sempre aborda esse tema com veracidade. Todos eles são diferentes mas iguais em sua intimidade. Sempre indo para o caminho mais poético do que linear, o mesmo defende que no fim, a imagem é somente uma imagem.Â
No lançamento de Solaris (1972), Tarkovsky se encontra com Akira Kurosawa na divulgação do filme. Quando os dois mestres da mise en scene se encontram, acontece a troca de elogios e admirações um pelo outro. Akira, após o falecimento do amigo, comentou:
Eu nunca esquecerei o olhar em seus olhos amigáveis. Tanto nós concordamos em muitas coisas sobre a vida e o cinema. Mas somos tão diferentes na disposição que nossos resultados são bastante opostos em caráter. Ele é um poeta, eu não sou. Conversamos um com o outro e concordamos que um filme não deveria tentar explicar nada. O cinema não é um meio adequado de explicação. Aqueles que o veem devem ser deixados livres para sentir seu conteúdo. Deve estar aberto a uma variedade de interpretações. No entanto, Tarkovsky absolutamente nunca explica, ele não dá nenhuma explicação. Seu rigor é incrÃvel… Sua incomum sensibilidade é ao mesmo tempo esmagadora e assombrosa, quase atinge uma intensidade patológica; provavelmente não há igual entre os cineastas vivos agora. Por exemplo, muitas vezes vemos água em seus filmes, que é retratada em uma variedade de expressividades […] Eu amo todos os filmes de Tarkovsky. Eu amo sua personalidade e todas as suas obras. Cada cena de seus filmes é uma imagem maravilhosa em si mesma. Mas a imagem acabada nada mais é do que a realização imperfeita de sua ideia. Suas ideias só são realizadas em parte. E ele tinha que se contentar com isso.
Andrei cita Kurosawa em muitos momentos de seu livro, mencionando até que a mise en scene do Akira era muito poderosa e cheia de personalidade. E claramente, é possivel perceber que o cinema é uma arte coletiva. O que seria dos filmes sem o público? Sem a troca de conhecimento e sem a fé do proprio trabalho? Esse tópico é retratado demasiadamente no livro, e a Arte, é o que nos prepara para a morte.Â
Um artista sofre por todo o percurso de sua vida com o dom que Deus lhe deu. O peso de fazer com que a humanidade se encontre na auto percepçao pesa os ombros e muitas vezes, o que faz uma obra prima de fato ser uma obra prima, é a fé que foi colocada encima dela. Um poeta precisa ter conviçao de seu trabalho. Antes de ajudar o outro, precisa ter fé em sua obra. Nenhuma arte é divisivel, todas são únicas e não devemos criticar e nem replicar algo que se é singular.
Mas agora fugindo um pouco dessa assunto. Eu discordo e concordo muito com ele quando trazemos o tópico roteiro da a discussão. E na verdade, os pontos trazidos por ele sempre me deixaram na dúvida. Sim, o roteirista e o diretor sempre vão tem alguma rixa, pois de certa forma, o filme era diferente na mente de cada um. No entanto, dizer que um roteirista não é um escritor? Achei que foi longe demais. Sinto como se ele tivesse um desgosto enorme com essa função. Contudo, como diretor eu consigo compreender da onde esse pensamento veio. O roteiro nada mais do que é uma estrutura para a direção e isso é impossÃvel de se negar. São palavras que vão se concretizar em imagens mas o que seria de um filme sem os dialogos? Querendo ou não, um escritor molda sua inserção e sua temporalidade. Com certeza não se deve apenas transcrever as palavras para as telas, mas na maioria das vezes, um personagem e uma história só exitem pois alguém construiu aquele mundo. O pensamento do Andrei me é entendivel, pois ele absolutamente pensa com as imagens e não com as letras. Bons diretores surgem dessa forma.Â
Conversando um pouco com a minha professora de cinema europeu e brasieliro, mencionei com ela sobre a forma como o Tarkovsky utiliza o silencio de maneira inteligente e como isso faz falta no cinema conmtemporaneo. Ela me abriu um pouco os meus olhos quando citou que os homens da era de Andrei passaram pela guerra e que hoje a crise do homem nà o reflete necessariamente sobre o silencio. Fiquei me pergutando sobre exatamente que tipo de crise teriamos nos dias atuais? Quais são os nossos dilemas? Ainda moldamos o tempo conforme o pensamento tarkovskyiano? De certa forma, o que me vem a cabeça é a ansiedade crônica populacional mundial. Hoje o silencio de Ivan a Stalker são ignorados pela rolagem infinita e não me leve a mal, eu sou uma dessas pessoas. No entanto, o proposto por ele em 70 pode não refletir em nossa sociedade atual. Os filmes de Andrei não são para todo mundo e ele sabe disso.Â
É possÃvel delimitar um tempo para as telas quando se vive em um mundo tão corrido? Me peguei pensando nisso enquanto assitia Stalker e Solaris. Não consegui largar do celular por muito tempo, mas ao mesmo tempo, as imagens quietas e alguns quadros me faziam fica encarando a TV por um tempo, especialmente em Solaris. Pessoalmente eu tenho uma relação estranha com esse filme, mas eu vou falar mais disso là na frente.Â
De toda forma, aqui vai alguns pensamentos nada crÃticos sobre algumas obras de Andrei Tarkovsky.
A infância de Ivan (1962)
Primeiro longa metragem do jovem cineasta. Baseado em um conto russo estruturado na segunda guerra mundial, onde o caçula Ivan quer entrar em movimentos revolucionarios e ir contra os alemãos. É meio engraçado pois enquanto o Ivan quer ir contra o inimigo e repudia quem quer fugir disso, os soldados co-protagonsitas do filme odeiam a guerra mais do que tudo. E diferente de muitos filmes da WW2, esse em espcifico foca mais em relaçoes interpessoais do que de fato na parte aventureira e aventuresca da coisa. É um bom filme, mostra um pouco do que iria vir pela frente, é possivel inclusive encontrar elementos que Tarkovsky inicialmente não tinha muito interesse e em seus filmes posteriores, ele utiliza.
Fun fact; antes desse longa o Andrei não sabia e não sentia nnehuma vontade de fato em seguir no cinema, mas foi com esse filme que ele descobriu futuro brilhante que tinha pela frente.
A tragetoria de um famoso pintor no século 14. Monge e pintor de Ãcones religiosas durante as invasões barbà ras ao território russo, um périodo marcado pela violência humana e atritos espirituais fortissimos. É quase como se o diretor quisesse lembrar o que foi o passado da Rússia e como era a vida de um artista na época, talvez correlacionando com a WW2 que teria acontecido no passado próximo. Alèm de claro, ser uma cinebiografia, o Andrei foca mais nas estrada de vida do Rublev e o que fez ele seguir como artista do que a vida pessoal dele.
O ponto dele é mais ou menos isso; com o caos e adestruição, como um artista deveria manter sua fé? Quem é o poeta perante a sua missão divina de fazer as pessoas entenderem a morte? Como foi que essa missão chegou até ele? De certa forma, esse é o filme mais bem feito dele. E ele é bem movimentado, foi um filme bem fácil de assistir, mas depois da 2 hora começa a ficar bem dificil. Porém, é um filme interessante para se entender a funçãe da igreja na formação de artistas pelo mundo. MAs não me leve a mal, a igreja foi somente onde a maioria deciidu focalizar sua fè, um artista que tem fè pode ser ateu e vice versa. A fé uma singularidade humana, não onipotente.Â
Outro fun fact: Um dos filmes favoritos do Bergman é esse. E que inclusive é um grande fã do Andrei Tarkovsky. No qual o mesmo também era um fã da Ignmar.
Solaris é um filme engraçado para mim. É a primeira ficção cientifica dele e também o primeiro filme colorido da sua carreira. Acontece que é a primeira vez que o silêncio de fato se aquieta e isso foi estranho para mim. É um filme parado mas ao mesmo tempo acontece tudo, tem cenas desse filme que eu lembro de não entender muita coisa mas sentir coisa até demais. Foi como se ele soubesse de algo que eu ainda não sei como cineasta, ele sabe de algo, só não quer me falar. E de fato ele sabe de algo no livro escrito por ele mas o que ele sabe, eu não posso adquirir somente lendo e assistindo, algo nele era milenar quase jurassico. Eu senti que Tarkovesky tinha vivido mil vidas antes de nascer na Rússia e morrer de câncer tão cedo. Não sei dizer, o filme não fala sobre isso, fala sobre mémorias na verdade, sobre como não podemos subtituir algo. Fala sobre essa orbe espacial que é rodeada por esse ocenao que entra na mente dos tripulantes e transforma mémorias em materialidade. Foi o primeiro filme dele que mexeu um pouco comigo, mas eu não acho que seja o melhor dele. A cena inicial do carro e a cena quase final de todos reunidos na biblioteca me deixou pensativa. Aquilo que falei de sentir e não compreender. Todas as vezes que aquele oceano aparecia e suas diversas cores, algo dentro de mim sde angustiava. Mas o que? Seria a atriz Marsha que estava aprendendo a ser humana ou seria a busca da humanidade pela sua auto descruição? Aqui é inserido também a questão do Ëspelho".
O filme foi bem recebido mas descobri que o autor desse livro não gostou tante pois Andrei — como sempre — seguiu sua intuição poética e foi descrito como uma nova versão de "Crime e castigo". Andrei Tarkovesky inclusive cita muito Fiodor em seu livro e também em seus filmes, claramente foi uma grande inspiração para ele.
Enfim, ainda tenho uma relação estranha com essa obra, mas ele me interessa pela sensibilidade do diretor. A forma como toda a trama é conduzida é de uma intimidade que nenhum homem comum seria capaz. Seria Andrei o primeiro homem-mulher da história?Â
Esse foi o primeiro filme que eu vi dele, eu tinha acabado de entrar no curso de cinema e um colega meu me indicou o livro e esse filme. Menti para meu pai falando que um professor tinha falado para assistirmos esse filme pois pelo fato de ser um longa soviético, poderia deixar meu pai emburrecido. No entanto, a imagem preconceituosa dos comunistas que ele tinha sumiram um pouco depois desse filme, já que ele nunca tinha visto um filme da Rússia.
Na primeira vez eu achei chato, mas muito bonito. As imagens eram cheias de segredos, de um mistério que jamais chegaria até mim. Todos os planos e cenas entraram na minha pele e nos meus ossos de maneira sublime. Algo ali era confortavel mas desconcertante. Novamente eu queria saber o que eram essas sensações.Â
Por um momento eu tentava achar um significado para a existência daquele mundo de imagem, mas lendo o livro, de fato, imagens são somente imagens que suprem o desejo de uma emoção. A história biografica de Andrei me atingiu mais que Solaris. Agora, quando vi pela 2 vez, os elementos faziam mais sentidos, eram mais claros, um novo horizonte tinha se aberto para mim. Por um momento, considerei que Andrei Tarkovesky era o pai dos sonhos, não o Lynch.Â
O público emburreceu com os anos e digo isso por mim mesma. Tudo é tão claro no filme, como eu não percebi? A falta de inteligencia artistica foi um pecado cometido por todos e pelo nosso modelo economico. Quero melhorar isso futuramente em mim.
Minha ideia inicial seria comentar sobre todos os filmes do Andrei, mas minhas aulas começaram e saio de casa as 5 da manhã para retornar apenas as 23. Estou focada em longas e curtas da faculdade. Futuramente quero voltar a comentar sobre.
Minha sintase é que Tarkovesky é um genio da imagem e de suas reflexões. Ele enxerga coisas que ninguém em um primeiro momento. De certa forma ele me intriga mas ele ainda não é o meu xodo, mas admiro sua arte.