Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, CAITRIONA SANDVIK! Ela é uma HUMANA que atua como HERDEIRA e INFLUENCER aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui DEZOITO anos. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é CARISMÁTICO, mas são os rumores sobre ser INDISCIPLINADA que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
Disclaimer: Obviamente, não serão abordados temas de conteúdo sexual nas interações dela, porém violência poderá aparecer no decorrer da trama devido ao plot central.
HEADCANONS
Os Sandvik nunca foram muito favoráveis ao submundo — forma com a qual se referem ao universo que não pertencem. Quando Ninivae não era nada mais do que um desejo longíquo e a sobrevivência, muito mais árdua do que as gerações atuais sequer poderiam imaginar, viviam por trás de uma muralha que nunca era o suficiente para manter os perigos longe de suas terras. Eram considerados amaldiçoados entre as más línguas, afinal, era impossível que tantas desgraças ocorressem à mesma família: dos quatro filhos do casal, apenas um permanecera intocado pelo submundo.
Dizem que a primeira a desaparecer fora a mais nova, sequestrada por um fae unseelie quando ainda aprendia a engatinhar. Ao menos, era o que se dizia pela cidade. O mais velho acabara assassinado por uma grande besta — um urso, disseram — durante uma caçada marco de sua maioridade. (Seu pai sabia melhor: O que os atacara era uma anomalidade da natureza e só escapara com vida por ter uma bala de prata preparada em seu revólver.) A terceira vítima, por sua vez, fora sacrificada pela própria família. Após se apaixonar por um vampiro e ser convertida em um por seu amante, acabou tirando a vida de sua mãe em meio à sua sede e tivera de ser eliminada pelo próprio pai. Ao final, sobrara apenas um filho.
Sem esposa e sem outros herdeiros, o patriarca dos Sandvik se viu ameaçado, mesmo que fosse detentor da maior parte dos terrenos da cidade e profundamente respeitado por todos os humanos que viviam ali. Não poderia correr o risco de outra espécie atacar seu último filho e acabar com sua linhagem, então recorreu à sua última arma: a diplomacia. Não importava que não gostasse do submundo, ele era inevitável àquela altura. Estava nas sombras, na floresta, no mar, no ar. Tinha de encontrar uma forma de conviver com eles.
Assim, começaram os acordos. Algumas terras foram cedidas, algumas riquezas, mas sobretudo, o que mais poderia oferecer era proteção. Com as bruxas, conseguia alguns ingredientes caros e raros em troca de amuletos e conhecimento sobre as outras espécies. Também fora responsável, à época, por sumir com algumas crianças — tanto demoníacas, quanto humanas. Aos vampiros, cedeu território e também se comprometeu a estudar formas de protegê-los do sol, uma vez que eram conhecidos por seu viés científico desde os primórdios da cidade. Com os lobisomens, evitavam suas rotas em noite de lua cheia, ajudando a esconder os rastros de possíveis vítimas quando o período acabava. Com cada raça, um acordo de trégua foi criado e algo foi fornecido: território, dinheiro, poder, proteção. Aturaram a existência um do outro por séculos, sem maiores incidentes, até Marsaili Sandvik.
Única herdeira do nome antigo, nunca fora boa em esconder seu rancor pelo submundo, ao contrário de seus antepassados. Isso piorou, entretanto, quando o amor de sua vida a trocou por uma sereiana, deixando nada além de seu coração partido para trás. Marsaili não entendia por que essas espécies eram agraciadas com tanto enquanto os humanos não possuíam nada: não só envelheciam e eram mortais, como não poderiam contar com magias, presas, garras e encantos para sobreviverem. Mas no lugar de assistir à realidade de forma inerte, a mulher decidiu utilizar sua única arma ao seu favor: a ciência.
Quando sua filha nasceu, fruto de um casamento estratégico e sem amor, Marsaili já havia construído todo seu laboratório no subsolo do castelo familiar — o mesmo local em que o Fundador utilizara, um dia, para desenvolver armas que os protegessem do submundo. Passava longas noites ali, deixando de dormir por diversas vezes, saindo apenas para tomar banho e verificar se Caitriona estava viva. Criada pelos funcionários, não demorou muito para que descobrisse que o local era sagrado para sua mãe e fora dos limites em que poderia brincar, o que apenas fomentou sua curiosidade sobre o que acontecia ali.
Tinha oito quando ouviu o primeiro grito vindo do porão, algo que beirava o uivo mais aterrorizante que já havia ouvido em sua curta vida. Dez quando assistiu a mãe caminhando em direção ao banheiro, coberta de sangue. Doze quando ouviu os funcionários sussurrando sobre como iriam ‘se desfazer do corpo’. Quatorze quando entendeu o que acontecia por ali. Ironicamente, enquanto Marsaili torturava indivíduos tocados pelo submundo em seu porão, tentando encontrar o segredo para a longevidade, Caitriona fugia pelas grades da propriedade e fazia amizade com eles. Apesar disso, nunca questionava a mãe, apenas fingia não saber o que acontecia no edifício; sua mãe, em troca, ignorava as péssimas companhias da jovem.
Até a notícia do noivado. Como se não bastasse ter de ignorar a insanidade que ocorria entre as paredes de sua casa, agora estava condenada à uma união que não desejava. Pelo resto de sua vida. Revoltada, fez questão de se envolver com um lobisomem em uma das festas em que participara ilegalmente, imaginando que seria algo de apenas um dia. Entretanto, acabaram se vendo de novo e de novo, até começarem um relacionado em segredo. Quando sua mãe descobriu, ficou furiosa — exatamente o que desejava — mas não desfez o acordo com os Mackenzie. Pelo contrário, demandou que Caitriona parasse de manchar a imagem delas de imediato, o que fora deliberadamente ignorado por sua parte.
Algumas semanas depois, porém, o garoto desaparecera. Não lhe mandou mais mensagens, nem apareceu na escola ou locais que frequentavam juntos. Era como se tivesse deixado de existir por completo. Desconfiada, decidiu invadir o laboratório de sua mãe na mesma madrugada, sendo interceptada pela própria mulher. Depois de muitos gritos e lágrimas, Caitriona se viu convencida de que havia sido abandonada porque era isso que sempre fariam com os humanos: usariam e iriam embora quando cansassem.
HABILIDADE & ARSENAL
RELICÁRIO FAMILIAR: Feito de prata, possui o formato do brasão familiar e alguns ramos de verbena em seu interior. Como é pontudo, pode facilmente ser utilizado como uma « adaga » improvisada. (Inspo)












