[ele/dele. louis partridge.] —— Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, VIKTOR SYLAS MACKENZIE! Ele é um HUMANO que atua como HERDEIRO e ESGRIMISTA aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui DEZOITO anos. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é ASTUCIOSO, mas são os rumores sobre ser INSENSÍVEL que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
AVISO DE GATILHO: Essa ficha contém temas de violência infantil grave e assassinato de crianças. Não leia se for algo que te deixaria desconfortável. Esse tópico não será abordado em interações sem TW. Busquei não fazer nenhuma descrição explícita nem nada do tipo.
Viktor escutou sobre o baile durante toda a sua vida. Em seus primeiros quinze anos, fora proibido de participar -- enviado para cidades estrangeiras em aviões particulares por uma semana na companhia de babás que ele aprendera a desprezar e não media esforços para destratar. A honra de se tornar um Mackenzie, não ser apenas nascido como um, só lhe seria concedida aos dezesseis -- assim como fora com as suas irmãs e todos antes deles.
Ainda assim, Viktor não cresceu ignorante ao que habitava o mundo à sua volta. Antes de aprender a ler, ele fora ensinado sobre a verbena, o acônito e o ferro. Em vez de testar a aptidão para os esportes, fora testado em esgrima, arquearia e lutas corporais, provando-se exímio com o florete. No primeiro Natal que se recorda de ter vivido, fora presenteado com a espada do avô, Sylas Mackenzie. Não poderia usá-la por muitos anos, claro, a regra era que só tocaria em seu cabo no dia do seu décimo sexto aniversário, mas a arma permaneceu em exposição no seu quarto como um prêmio.
A gênese dos Mackenzie não possui uma data específica. Registros foram apagados e lendas ignoradas. Reza a mais comum, porém, que um homem Mackenzie foi o primeiro humano a se envolver com uma feérica e ser enganado por ela, e o resultado dessa união foi um ódio sempiterno contra todas as criaturas sobrenaturais, passado de pai para filho até chegarmos aqui. Em Viktor.
Em seu décimo sexto aniversário, o baile fora organizado para oficializá-lo como membro da casa Mackenzie. Os bailes aconteciam todos os anos, em datas diferentes, e os convidados eram só aqueles que compunham uma parcela exclusiva da sociedade: os que não estavam simplesmente no topo, mas que haviam tocado o céu e o inferno mediante o conhecimento do que existia entre eles. A festa organizada para comemorar o ingresso de Viktor em seu clã não decepcionou em abundância e luxo. Era normal que nos bailes dos Mackenzie, todos usassem máscaras, e naquele ano, o tema solicitava o uso de máscaras feitas com órgãos removidos de cabeças de lobos mortos.
Viktor tinha feito uma escolha antes do aniversário. Uma espécie. Ele sorriu ao responder os lykans.
Na primeira parte da noite, o baile se desenrolou como uma festa normal: conversas corriqueiras, música agradável, banquete luxuoso e bebidas finas. No entanto, quando o relógio majestoso no centro do salão de baile iniciou as doze badaladas que introduziriam a meia noite, a iniciação começou.
Doze crianças lykans foram trazidas por criados da mansão Mackenzie. Elas estavam vendadas e amordaçadas. O pai de Viktor fez o discurso habitual sobre os fins justificarem os meios: na ideologia Mackenzie, se fazia necessário eliminar os infantes antes que crescessem para se tornarem monstros como os pais. Não era culpa das crianças, mas que opção tinham? Consideravam-se salvadores por isso. Caçá-las uma noite por ano as livrava de um destino muito pior que a morte. As portas duplas na lateral esquerda do salão levavam para o arsenal longevo da família e de lá, pouco a pouco, humano atrás de humano saía com armas. Pistolas, facas, adagas, chicotes...
Viktor saiu com a espada de Sylas. A sua espada.
O gongo no canto da sala soou, por fim. As crianças e os convidados do baile foram redirecionados para o limiar da mansão Mackenzie e um bosque. Criados treinados desamarraram as mãos infantis e arrancaram as suas mordaças. Os humanos rezaram uma prece e repetiram as palavras de um lema antigo da casa Mackenzie em latim arcaico. Contaram até sessente e saíram atrás das crianças lykans no bosque.
Ao fim da noite, o sangue da primeira vítima de Viktor foi derramado no anel da família e ele se tornou um Mackenzie.
ARSENAL: Todo membro da família Mackenzie usa o anel familiar. É um anel de pedra de rúbi, mágico, cuja origem se mantém desconhecida e só pode ser ativado com sangue sobrenatural. Diz-se que o primeiro anel foi um presente da feérica para o primeiro Mackenzie, mas é impossível encontrar registros sobre a lenda que deu origem às tradições perversas mackenzianas ou sobre o anel. Ele funciona como um portal para o seu portador. Basta esfregar a pedra para atravessar alguns metros sem precisar de esforço físico. Não abrange distâncias longas e é principalmente usado pelos membros da família durante a caçada mackenziana. Além do anel, Viktor empunha a espada herdada do avô.













