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with: @royalaleera
A presença da guarda da cidade na Fortaleza Vermelha não era tão frequente, mas para um evento com aquela dimensão, era necessário que Andreas colocasse um número de seus homens mais experientes e discretos no trabalho, aqueles que não tinham potencial para causar qualquer confusão com as dezenas de nobres ali presentes. E como parte de seu trabalho, os observava atentamente enquanto perscrutava o local atrás de qualquer atitude suspeita que pudesse atrapalhar a atmosfera festiva. As instruções eram claras: os guardas da cidade escolhidos para estar na Fortaleza deviam se manter afastados dos convidados e, especialmente, da família real. Não deviam deixar seus postos a não ser que fossem solicitados e não deviam engajar em nenhuma conversa, exceto se fosse iniciada por algum dos convidados. E, mesmo neste caso, deviam respeitosamente se retirar da situação. Por isso, quando percebeu que um deles conversava alguns segundos a mais com uma das princesas, de todas as pessoas, tratou de se aproximar e então perceber que aquele sequer era um dos guardas que tinha selecionado a dedo para o trabalho.
Andreas sentiu vontade de praguejar enquanto se perguntava quantos além dele haviam conseguido se esgueirar, provavelmente para dar uma olhada de perto nos tantos nobres que visitavam a Fortaleza, pois não tinha qualquer chance de aquilo ter sido trabalho de um homem só. Então, aproximou-se com autoridade do mesmo e percebeu seu olhar de medo ao vê-lo antes mesmo que tivessem próximos, mas não tinha para onde fugir, então ficou ali paralisado. Fez uma rápida mesura para a princesa e ordenou que o soldado encontrasse seus amigos e voltasse para o seu posto. Só quando o viu se afastando se voltou novamente para Aleera, fazendo outra mesura. — Peço perdão se este homem a importunou, alteza. Me responsabilizo por qualquer incômodo que ele possa tê-la causado.
Desde tenra idade, ainda no princípio de sua adolescência, Aleera tinha tomado para si a responsabilidade de seguir o legado de sua tia Selaene e receber também um título como o de "a princesa do povo". Por isso, enquanto ainda não tinha idade suficiente para se aventurar por Porto Real sem uma escolta, a jovem princesa dedicou-se a conversar com qualquer criado que estivesse dentro dos muros da Fortaleza, passando a entregar suas cortesias também aos soldados da Guarda da Cidade e aos demais cidadãos de Porto Real quando pôde começar a se esgueirar para fora do castelo e perambular pelas ruas.
Havia, porém, para além de sua dedicação ao povo não nobre, um apelo especialmente satisfatório em saber que estava desobedecendo às ordens de seu pai ao fazê-lo, motivo este pelo qual fazia questão de engajar em conversas com os criados e membros da guarda da cidade no salão, cujos assuntos tendiam a ser muito mais interessantes do que quaisquer tramas políticas e planos de casamento discutidos entre os tediosos nobres que diziam celebrar o dia do nome de seu irmão. Tinha acabado de trocar uma boa risada com o guarda com quem conversava quando testemunhou seu empalidecer e o puro terror em seus olhos, que já não mais prestavam atenção nela. Por um instante, a própria princesa se preparou para a presença terrível de seu pai aproximando-se deles, mas ao notar a aproximação de Ser Andreas, Aleera soltou um suspiro discreto e precisou cobrir o sorriso com uma das mãos enquanto assistia ao pobre soldado praticamente fugir dali. Fora tolice sua esperar que seu pai se importasse com o que fazia. — Importunar? De forma alguma. Na verdade, você interrompeu uma conversa bastante agradável, Ser Andreas. — Ela provocou, agarrando a chance de continuar a conversar com alguém mais agradável do que os lordes que tentavam a chance de conseguir sua mão em casamento. — Faça-me companhia, Comandante, por mais breve que possa ser o tempo permitido por meu pai. Já que assumiu a... Responsabilidade. — Pegou, sem cerimônias, um bolo de limão da mesa mais próxima e ofereceu a ele, sabendo que, quaisquer que fossem as ordens de seu pai, ninguém ousaria desobedecê-la com um pedido tão direto. — Como está o seu dragão? Sgaeyl, não é?
















