Ela fez uma careta assim que viu o sorriso no rosto do rapaz. Não porque não gostava de fazê-lo sorrir, bem pelo contrário. Seu sorriso se encaixava diretamente dentre as tantas coisas que gostava no chileno; a careta era mais um reflexo por saber que tinha dado aquela mínima satisfação ao mostrar que se importava. Sabia que tinha concordado em ser mais paciente, em ter menos medo de mostrar o que sentia, mas ainda era teimosa o suficiente, e apreciava ser colocada como aquela indomável. “Fiquei preocupada.” falou baixinho, embora soubesse que não havia necessidade de explanar. Era óbvio em seu olhar. Por isso falou bem baixinho mesmo, de uma forma que duvidava que ele iria ouvir, se não fosse pela proximidade. As mãos tocaram os fios de cabelo mais próximos num carinho, e ela deixou que ele se livrasse da blusa trabalhando constantemente para não corar. Os dedos passaram bem perto das feridas agora expostas, e embora soubesse que não era de muita ajuda passar as mãos por ali, sabia que era um dos momentos em que poderia usar a conveniente habilidade da cura, que vinha aprimorando nos últimos anos. Começou a retirar as bandagens com o máximo de cautela, o olhar alternando entre a atividade e o rapaz, procurando qualquer expressão que identificasse que extrapolara ou o machucara, se esse fosse o caso, para parar. Uma vez que estava com a ferida exposta, suspirou. Precisou dirigir um olhar apreensivo ao professor, antes de tentar, enfim, o curar. As mãos acariciaram o pedaço de pele próximo na tentativa de acalmar antes de por fim colocarem-se sobre o machucado, embora sem fazer contato. Inspirou, sentindo Pabot, o teiú, agitado. Ele nunca gostava quando ela usava aquela habilidade em específico, sempre acabava exausta. Mesmo assim, não hesitou por um momento, prosseguindo até sentir que já não existia muito a fazer. Suas pálpebras pesaram, e assim ela se recostou na cabeceira da cama, os dedos retornando ao cabelo do Herrera. “Melhor?” murmurou, um pouco mais alto do que antes.
Deixou que a garota tateasse por seus ferimentos, por vez soltando o ar de forma mais intensa que o comum: indicava quando ela atingia algum ponto demasiadamente sensível. Quando viu o que ela planejava fazer, seus lábios se curvaram instantaneamente. Estava prestes a impedi-la quando notou que o ato já estava feito. Suspirou, secretamente aliviado. Ele se sentia muito mais leve. Ao se virar para Dusana, no entanto, notou que ela não estava assim tão bem. “Sim. Mas... você se drenou. Não precisava...” Deixou que sua frase pairasse no ar. A examinou atentamente, por um breve instante. A forma com que ela não hesitara em gastar suas energias pelo bem estar dele dizia alguma coisa, Leo só não estava certo do que. Olhou em volta, avaliando os arredores. Não havia movimento naquela ala da enfermaria no momento. O garoto na cama ao lado não parecia estar capacitado de acordar tão cedo, e a cortina de seu leito estava fechada, ocultando-os do resto da sala. Sorriu para a moça. “Obrigado.” Disse apenas, enquanto se aproximava dos lábios dela.