de repente, é 2014
Assim como qualquer pessoa sem muitos amigos nos anos finais da infância, comecei a ler bem jovem, pegando livros da biblioteca e procurando outros para ler na internet. E é de conhecimento de todos o boom de novos livros, entre 2012 a 2016, com várias sagas distópicas sendo lançadas, uma atrás da outra; e filmes com heróis de doze anos de idade sendo feitos a torto e a direito. Não irei mencionar aqui aquela série específica de um pobre coitado enviado para uma escola de magia. Foram anos bons para mim, desenvolvi mais meu gosto pela leitura e comecei a cultivar minha coleção de livros.
Com o relançamento de uma nova forma de mídia de Percy Jackson, uma outra certa série que é melhor ficar no off, me senti em 2014. E, para completar o antigo “big 3”, falta apenas uma série de livros: “Jogos Vorazes”, que chega prometendo tudo e entregando horrores. Apesar do foco não ser muito para pessoas mais velhas, todos têm que dar o braço a torcer para a, até então, trilogia de livros da Suzanne Collins. A mulher sabia escrever e sabia como escrever. A história é coesa, perfeita e tem a gostosa crítica social, que todos nós amamos.
Para você que vive embaixo de uma pedra, Jogos Vorazes é um livro sobre uma sociedade distópica na América do Norte, chamada Panem e, anualmente, eles têm a necessidade de enviar a um campo de batalha, crianças, entre 12 e 18 anos para lutarem até a morte enquanto todos assistem, interessadíssimos, quase como uma novela. E na septuagésima edição, a irmã de Katniss é escolhida por meio do sorteio, e, para salvar Prim, ela se oferece como tributo para lutar nos Jogos Vorazes.
Quando eu li, pela primeira vez, acredito que tinha talvez dezesseis anos, ou menos, e, apesar de reconhecer os bons aspectos da história, eu não tinha me aprofundado muito nas pequenas nuances do livro. Tem anos que queria reler, e, com o lançamento dos outros dois livros e seus respectivos filmes, fiquei ainda mais com vontade, só que claro, eu não reli. Sempre descobria algo diferente que queria ler, e colocava esse novo livro como prioridade. Até que pensei assim, “epa, tem audiolivro”, e comecei a escutar o audiolivro. E devo dizer: que experiência.
Mesmo que já tenha lido os livros, coisa de mais de dez anos atrás, foi uma história que ficou marcada (salvo o que mencionei anteriormente), então eu ainda lembrava de vários aspectos, mas tais aspectos eram os mais óbvios.
Nessa releitura, eu percebi momentos que ficaram tão nítidos para onde a história iria seguir, mas claro, isso porque eu tinha a bagagem do conhecimento nas costas. Cada palavra no livro foi colocada por um motivo, nada lá é por um acaso, e talvez seja isso que tenha feito gostar mais da história: a intencionalidade. A autora sempre soube o que iria escrever, tinha tudo planejado na cabeça dela, só não sei como provar. Às vezes, é óbvio quando um autor não sabe o que escrever na história, e isso não acontece em Jogos Vorazes. Eu sinto é alívio quando leio algo tão bem escrito, e são esses livros que me fazem querer continuar a ler.
Me desculpe se você não acredita nisso, mas leitura é revolução sim. E, apesar de achar graça em outros gêneros de livros, usar a capacidade de leitura e ficar só lendo dois branco no pelo é foda.
“Jogos Vorazes” é uma leitura essencial, e acredito que tenha se tornado um clássico (minha sincera opinião). Mas, assim como todos os livros, ele tem seus defeitos e eu não sei quais são, mas não impede que alguém fale mal, e eu prefiro ficar falando bem.
Finalizando, eu recomendo a leitura.









