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@pos-mare

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Tem uma coisa que eu preciso aprender, e talvez seja uma das lições mais difíceis da minha vida: nem todo mundo vai se importar comigo do jeito que eu me importo com eles.
Passei muito tempo gastando energia pensando em pessoas que nunca pararam para pensar em mim. Imaginando o que elas diriam, o que elas achariam, se aprovariam minhas escolhas, se lembrariam da minha existência. Enquanto isso, a vida delas seguia normalmente. A minha, não. Eu continuava preso em uma preocupação que só existia de um lado.
Hoje eu começo a entender que não posso continuar carregando esse peso.
A verdade é que já tenho responsabilidades demais. Cuido da minha avó todos os dias. Existem noites em que o sono simplesmente não existe, porque ela precisa de mim. Existem dias em que o cansaço parece atravessar os ossos, mas eu continuo ali, fazendo o que posso com o amor que tenho.
Então por que eu ainda insisto em gastar o pouco que me resta emocionalmente tentando ocupar um espaço na vida de pessoas que já decidiram que eu não faria parte da delas?
Talvez porque eu tenha um coração que insiste em permanecer onde já não existe reciprocidade. Talvez porque eu tenha dificuldade em aceitar que algumas pessoas passam pela nossa vida apenas como passagem. E tudo bem.
Estou aprendendo que soltar a mão de alguém não é desejar o mal. É simplesmente aceitar que não faz sentido segurar sozinho uma relação que só uma pessoa tenta manter.
Quero parar de mendigar atenção onde nunca existiu cuidado. Quero parar de imaginar o que pessoas indiferentes pensam sobre mim. Quero guardar minha energia para quem realmente escolhe ficar, para quem demonstra carinho sem que eu precise implorar por ele.
E, principalmente, quero aprender a cuidar de mim com a mesma dedicação que sempre ofereci aos outros.
Porque, no fim das contas, talvez a pessoa que mais precisou da minha atenção durante todo esse tempo fosse justamente aquela que eu mais ignorei: eu.
Hoje eu voltei para casa com o coração pesado.
Engraçado como algumas horas de paz são suficientes para fazer a gente perceber o quanto está cansada. Passei um tempo cercada de pessoas que eu amo, rindo, conversando, vendo a vida acontecendo. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não queria que o tempo passasse. Eu queria que aquelas horas durassem um pouco mais.
Na volta, a tristeza veio.
Existe um tipo de cansaço que não passa dormindo. É o cansaço de quem vive em estado de alerta, de quem está sempre resolvendo alguma coisa, sempre disponível, sempre colocando a própria vida em segundo plano. E, com o tempo, você começa a esquecer como é viver por você.
Às vezes eu me pego imaginando como vai ser o meu futuro. Como vai ser a minha vida. Quem eu vou me tornar. Se um dia vou construir uma família, encontrar alguém que me ame, alguém que escolha caminhar ao meu lado e faça por mim um pouco do que eu sempre faço pelos outros.
Hoje olhei ao redor e vi tantas pessoas vivendo histórias que eu também sonho viver. E, por um instante, me perguntei se a minha vez algum dia vai chegar.
Não é inveja. Nunca foi. É saudade de uma vida que eu ainda nem vivi.
Às vezes eu só queria dormir até a hora que meu corpo pedisse. Sair sem olhar o relógio. Voltar quando eu quisesse. Ter tempo para descobrir quem eu sou quando não estou apenas cumprindo responsabilidades.
Talvez o que mais doa seja isso: perceber que eu passei tanto tempo sobrevivendo, que quase esqueci como é simplesmente viver.
Mas, no fundo, eu ainda espero. Espero que um dia eu olhe para trás e entenda que essa fase não era a minha história inteira. Que ainda existe uma vida me esperando. E que, quando ela chegar, eu finalmente possa dizer que também aprendi a cuidar de mim.

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Ās vezes eu só queria me deitar e nunca mais acordar. Não porque eu queira morrer, mas porque estou cansada demais de existir todos os dias da mesma forma. Cansada de sentir, de pensar, de fingir que está tudo bem. Queria apenas descansar onde nenhuma lembrança alcançasse e nenhum sentimento
doesse.
Espero que Deus me leve a lugares incríveis e me permita viver o extraordinário. ✨
Sabe, durante a pandemia eu tive um amigo virtual muito especial. A gente passava noites conversando sobre tudo, e era o meu único refúgio no meio daquele caos todo. Com o tempo, sem que eu planejasse, comecei a sentir algo a mais.
Percebi que estava gostando dele de um jeito diferente. Eu esperava ansioso pela voz dele, adorava até quando a gente ficava em silêncio na chamada, e aquelas conversas bobas do dia a dia começaram a virar a melhor parte do meu mundo.
Aí a pandemia acabou, a rotina engoliu a gente e o contato foi sumindo. Mas é engraçado... algumas pessoas conseguem fazer morada na gente mesmo sem nunca terem pisado no mesmo lugar.
Tem dias em que minha cabeça parece um quarto fechado há anos.
Cheio de caixas empilhadas, memórias mal dobradas, sentimentos sem nome e palavras que nunca tiveram coragem de virar som.
Eu sinto tudo ao mesmo tempo.
Saudade sem rosto.
Raiva sem motivo claro.
Um vazio pesado que ocupa espaço demais.
E eu guardo.
Guardo porque não sei explicar.
Guardo porque ninguém entenderia do jeito certo.
Guardo até transbordar pelos olhos numa madrugada qualquer.
O choro até alivia por alguns minutos, mas não leva embora.
As coisas continuam aqui dentro, quietas, acumulando poeira na alma.
Às vezes acho que sou feita de tempestades que aprenderam a existir em silêncio.

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