— Ele está morto, não há muito mais o que fazer. O leve.
Os olhos castanhos de Angela encaravam o cadáver carbonizado de Ansel. Não havia sido um acidente, mas a mulher rezava mentalmente para que os oficiais continuassem achando aquilo, e provavelmente iriam. Ninguém pega fogo instantaneamente. Sentada na poltrona de seu escritório, a morena olhava atentamente para a foto onde estavam juntos no começo do ano. Férias ridículas. O indicador batia contra uma das têmporas enquanto os pensamentos da modelo se tornavam mais palpáveis.
29, agosto de 2018.
— O que merda eu fiz pra você? Eu te dei meses de felicidade que você estava implorando por todos esses anos! Você estava atrás de mim por todo esse tempo, você não pode simplesmente me deixar pela minha assistente!
— Você é uma bêbada, Angela! Uma desequilibrada que usa o álcool e essa compulsão por roubar coisas como desculpas pra sua vida de merda.
— Não fale assim de mim.
— Ou vai fazer o quê? Vai me matar? Ou vai me afastar como tudo que você faz? Não se preocupe com essa parte, eu estou me mandando. Acabou pra você, garota. É o fim, eu estou desafazendo meu pedido de noivado e espero que saiba que amanhã, nesse mesmo horário, estarei bem longe daqui com a Beatrice.
As lágrimas que escorriam dos olhos de Angel foram prontamente enxugadas, ela respirou fundo e se concentrou o suficiente para que sua mente estivesse vazia. O ódio se acumulou como radioatividade em um quarto de concreto e um sorriso se formou nos lábios dela. Amor era um luxo que não podia ter, muitos a odiavam e mais um entrava pra lista. Um a mais, um a menos, faria diferença se algum deles sumisse? Ela achava que não.
— Eu lhe garanto que não. Beatrice não está mais aqui e logo você também não estará.
— Isso foi uma ameaça?
— Pode apostar que foi. Mas sua amantezinha vendida morreu mais cedo, e se eu fosse você não acreditaria que ela morreu rápido, me certifiquei que ela sofresse muito antes de ganhar o privilégio de passar o resto dos dias debaixo da terra.
O silêncio que se fez foi o suficiente para que a mulher seguisse até o bar e pegasse uma dose de Martini, ela o bebeu e virou-se para seu ex-noivo que parecia incrédulo com a confissão.
— Você... Você matou ela
. — Parabéns, Sherlock. — Angela deu a volta sobre a mesa de vidro até que chegasse em uma ponta e depositasse o copo na superfície. — Achou mesmo que eu não percebi que estava me fazendo de palhaça todo esse tempo? Eu estou sempre dois passos a frente de uma traição mal elaborada, achei que tivesse checado meu histórico.
— SUA VADIA DESGRAÇADA.
— Oh, você ficou bravo? Que peninha. Espero que quando for encontrar sua namoradinha no inferno, ela não esteja sentando que nem uma cadela no colo do diabo. Não me surpreenderia considerando a índole dela.
Antes que o homem caucasiano se aproximasse o suficiente para tentar lhe causar algum arranhão, Angel apenas olhou nos olhos dele e usou de seu controle de mentes, estava com tanto ódio que poderia sentir eu sangue ferver dentre as veias se fechasse os olhos. Seu lábio inferior tremeu, a raiva que sentia estava se manifestando em todo o corpo e ela reconhecia aquilo. Ele a tinha feito perder seu filho, ele tinha a humilhado na frente de todos, ele tinha destruído toda a sua vida.
— O que é isso...? O QUE ESTÁ FAZENDO COMIGO SUA BRUXA MALDITA?!
— Não se humilha uma bruxa, não a faz ela perder seu filho. E, meu amor, nunca se trai uma bruxa. Suas últimas palavras?
— VAI PRO INFERNO SUA PUTA DESGRAÇADA!
— Dou essa honra aos cavalheiros primeiro. Dê um “oizinho” pra sua namoradinha.
Depois disso o corpo de Ansel pegou fogo. Literalmente. As chamas começaram de seus pés e consumiram o resto da estrutura depois de alguns minutos, os gritos agonizantes dele não causaram nenhum efeito sobre a feição da bruxa que via seu ex-noivo sofrer ali, era merecido. Karma era uma vadia e agora ela também era.












