SCARED TO BE LONELY.
— Ansel, qual o seu problema?!
 E mais uma vez tinham chegado em casa apĂłs brigarem novamente, claramente Angela nĂŁo iria conseguir um jantar decente sem chegar em casa com a cara fechada do noivo. Infelizmente, nesse jantar, aconteceu algo que deixou os dois surpresos. Mas toda surpresa vinha com uma consequĂŞncia, e a consequĂŞncia de Ansel era a raiva. O Ăłdio e a grosseria corria nas veias dele como sangue, era impossĂvel o controlar quando a respiração ficava pesada e os passos firmes, era como tentar acalmar um leĂŁo com fome e Angela nĂŁo era uma boa domadora, geralmente era atingida, nĂŁo de forma fĂsica, mas emocional. Enquanto jogava a bolsa de predaria no sofá, a morena se virava para escutar a resposta dele, estava farta daquilo, era extremamente desnecessário.
 — Meu problema? Quer saber a porra do meu problema! Meu problema Ă© aquele cara que fica atrás de vocĂŞ o tempo todo. Eu disse que ele estava ficando a fim de vocĂŞ, e vocĂŞ vinha com aquele papo de amigos de infância, me engana que eu gosto, Angela.Â
 — “Me engana que eu gosto, Angela”? Que tipo de frase Ă© essa? Tá achando que eu te traĂ com o Daniel ou o quĂŞ?Â
 — Eu não estou dizendo que você me traiu com ele, estou dizendo que ele está errado! Ele sabe que você está noiva, ele não tinha que ter dito aquelas coisas, tinha que ter guardado para si e ficado quieto, iria evitar tudo o que ocorreu no restaurante.
 — Sim, foi errado ele ter dito, mas não teve cabimento você ter ido embora daquela forma e você foi grosseiro com o garçom!
 — Não foi de propósito, ok? Eu estava e estou com os nervos a flor da pele com aquele cara e amanhã vou ter uma conversa com ele.
 [ • • • ]
 Era uma noite rara em que Ansel levava a noiva para um jantar, geralmente ele estava muito ocupado com os estudos para que pudesse dar alguma atenção para a moça, mas quando disse que tinha feito uma reserva no restaurante mais caro da cidade, a mulher passou o dia inteiro se preparando para aquele momento. Ansel não era um homem muito romântico, nunca tinha dito palavras doces para a bruxa. Ela se lembrava apenas de uma frase que ele tinha dito para ela que chegava a ser uma declaração de amor não induzida pela pressão dela. Foi exatamente na época em que alguns habitantes da cidade que a consideravam como ameaça e traiçoeira, vieram a perseguir pelas ruas. Ansel não a defendeu, mas no silêncio da noite quando estavam juntos, ele disse:
 “Angel, eu te amo tanto que seria capaz de matar qualquer um por você.”
 Aquela frase a fazia se sentir amada, segura, acolhida. NinguĂ©m nunca tinha dito aquilo para ela e finalmente pĂ´de confiar nele de olhos fechados. Mas ao decorrer do relacionamento era como se ela sempre levasse todo a responsabilidade de amar e ser amada nas prĂłprias costas. Ela sentia isso mas preferiu simplesmente ignorar aquele sentimento, Ă© claro que ele a amava. Ela estava plena e feliz.Â
 — Ansel... Por que você me ama?
 — Eu me faço essa pergunta todos os dias.Â
 — Você ama a pessoa mais odiada de Salem, sabia? Uma bruxa. É perigoso pra sua imagem, isso é...
 — Eu sei. E não ligo para essas pessoas, eu estou feliz com você, ok? — Eu te amo.
 — Eu tambĂ©m te amo.Â
 Parecia tudo perfeito. Parecia tudo bem, ela estava com alguém que a amava, mas por que aquele sentimento ruim ainda estava ali. Era como se as palavras que ele dissesse não estivessem tão cheias de sentimento, como se ela pudesse ser trocada sem muito esforço. Por qualquer uma. Uma menina normal que não fosse problemática, uma garota normal, bonita e inteligente. Ela era descartável. Sempre que tentava espantar aquele pensamento, aquela droga voltava a sua cabeça como se tivesse tentando apagar fogo com um lança-chamas. Durante o jantar, enquanto o homem mexia no celular, Angela percebeu que o seu também vibrava e desbloqueou a tela para que pudesse ver a mensagem que havia chegado.
 Danny : Angie? Sou eu, Dandy, pode vir aqui em casa? Tenho algo para te dizer.
 Angie : Oi? Estou no meio de um jantar, Daniel. Com o Ansel, eu te falei. Como está indo o encontro com a Beatrice?
 Danny : Foi chato. Ela nĂŁo Ă© meu tipo, ainda nĂŁo engoli o que ela disse naquele dia. Sinto que ela nĂŁo Ă© confiável.Â
 Angie : Ela Ă© minha assistente há dois anos, Dandy, claro que ela Ă© confiável. Vai por mim, ela sĂł fez aquilo porque estava tentando chamar a sua atenção. NĂŁo foi por mal, meninas fazem isso.Â
 Danny : Angela.Â
 Angie : Diga.
 Danny : Acho que gosto de vocĂŞ... Da maneira errada.Â
 Angie : Maneira errada?
 Danny : Eu amo você, Angela.
 Naquele momento o coração de Angela acelerou e o olhar de Ansel seguiu atĂ© o dela, parecendo decodificar a mensagem antes que ela pudesse abrir a boca para dizer algo sobre aquilo. NĂŁo podia mentir, ia ser bem pior.Â
 — Quem Ă©?Â
 — Daniel. O olhar fulminante dele já dizia tudo o que se passava em sua mente, mas Angela se concentrou para que ele nĂŁo entrasse em estado de fĂşria.Â
 — Não. — Ela pediu. — Em casa a gente conversa.
 [• • •]Â
 — Angela. Olha pra mim. VocĂŞ nĂŁo vai mais falar com aquele cara, vocĂŞ está entendendo o que eu estou dizendo a vocĂŞ? AmanhĂŁ vou conversar com ele e dizer pra ele ficar longe de vocĂŞ.Â
 — Não! Ele é meu amigo. Não vou me afastar do meu amigo por causa disso.
 — EntĂŁo fica com ele e longe de mim.Â
 — Ansel, que infantil!Â
 — Infantil? O cara diz pra vocĂŞ que gosta de vocĂŞ, mesmo sabendo que vocĂŞ está noiva! Ele era nosso padrinho, porra! Por que está defendendo tanto ele? Vai ver gosta dele tambĂ©m.Â
 — NĂŁo! Eu nĂŁo posso escolher uma coisa que eu quero fazer?Â
 — NĂŁo. Faz o que vocĂŞ quiser, nĂŁo temos mais nada.Â
 — Não... — Em um ato repentino, a garota segurou o braço do rapaz que estava um pouco trêmulo. Sentiu que ele estava prestes a chorar. — Eu... Vou dar um jeito de me afastar, ok? Só... Fica comigo. Eu preciso de você.
 “Eu mataria qualquer um por vocĂŞ...”Â
 A voz ecoando na cabeça de Angela a fez sentir o mesmo sentimento do restaurante. Ele era tudo que ela precisava, não podia deixá-lo ir. Era seu porto seguro e não iria o deixar escapar, não poderia perder um amor novamente.














