oceancoralie:
Coralie não conhecia muito do rapaz além das grosserias que fazia consigo e o antigo relacionamento tóxico com sua amiga. Ainda assim, pela falta de jeito do homem em se desculpar, era fácil perceber que ele não tinha experiência com aquele tipo de conversa. Ainda assim, assentiu com a cabeça positivamente, em forma de agradecimento por ele confirmar que não usaria mais tais termos pejorativos para se referir à ela, nem mesmo mencionar a frase. Não esperava isso dele, pois já havia notado que o pirata fazia o que bem entendia, sem se preocupar se machucaria outra pessoa – física ou emocionalmente – e agora ele, assim, facilmente, aceitou o pedido dela de não repetir a frase. Era uma boa surpresa, mas ela preferiu não comentar. “ Sério? Não sei como consegue. É uma sensação tão horrível… ” Falava sobre sentir mágoa e rancor todo o tempo. Não conseguia imaginar como ele conseguia conviver com aquilo. Queria saber o motivo que o deixava sentir aquilo, podendo imaginar algumas opções viáveis, mas teve de segurar sua curiosidade. Afinal, ela mesma havia acabado de dizer que não queria assunto com ele, então não faria sentido render perguntas naquele momento. Entretanto, não era fácil para ela simplesmente ignorar a frase “queria ter te visto antes da forma como eu vejo agora”, e quando estava prestes a dizer algo, percebeu o Niffler pular em sua direção e se apoiar no banco próximo à ela. Apesar do susto, Coralie fez uma expressão de quem admirava algo fofo, quando se aproximou do animal. “ Ei, eu não estou usando palavras difíceis! ” Ela protestou, olhando para Jaxon e depois virando-se novamente para o Niffler. “ Awn, que fofura! É o seu daemon? Não parece nada com você. É tão fofo, e você é um bruto. ” Disse, o que poderia soar como uma ofensa, mas a risada leve que escapou dos lábios rosados da sereia faziam parecer mais uma brincadeira. E então a próxima fala dele fez com que ela murchasse sua expressão suave e ficasse brava. Lá estava ele de novo, o Jaxon debochado que ela conhecia. “ Você não sabe mesmo falar com alguém sem usar ironia, não é? Logo quando eu estava pensando que poderia haver gentileza em você. Eu sou mesmo uma idiota por ficar sempre esperando algo bom vindo das pessoas. Realmente, um Niffler fofo como esse não tem nada a ver com você. Seu grosseiro! Não sei onde o Narrador estava com a cabeça quando escolheu essa criaturinha adorável para ser seu daemon. E quer saber? Espero que não me incomode mais mesmo! E não tem problema nenhum o Cygnus tocar em mim, eu só não quero que você toque em mim. ” Falou, completamente diferente e irritada. Pegou o Niffler no colo, que não contestou e apenas abraçou a princesa. E foi só então que seu coração se acalmou e ela voltou a sorrir, olhando para o animal.
O encontro dos dois era basicamente um choque de dois mundos diferentes. Havia sido assim com sua ex-namorada, também membro da realeza, mas os dois tinham seus pontos parecidos. Pensavam da mesma forma em muitos momentos e dividiam opiniões parecidas, além dos gostos, o jeito de agir e as ambições para a vida. Afinal, mesmo membro da realeza, a garota ainda era uma filha de vilão. Mas com a filha de Ariel as coisas eram completamente diferentes. Eram perfeitos opostos, e ele não conseguia sequer enxergar algo em que os dois teriam em comum. —— É normal pra mim. Sentir raiva, mágoa, rancor, esse tipo de coisa... Acho que é comum para a maioria de nós. —— Filhos de vilões, ele disse implicitamente. Ela possivelmente não compreenderia, por vir de uma realidade diferente, mas parecia ter empatia o suficiente para tentar entender. Ele não entendia como era aquilo de se compadecer com a dor do outro, por isso era difícil para ele entender porque ela estava tão magoada, sendo que ele mesmo já havia escutado coisas muito piores no decorrer de sua vida. —— Usou sim. Pejorativo... Que merda é essa? —— Dizia em tom levemente divertido, mas logo percebendo que a ruiva estava mais focada em seu daemon. Instantaneamente, preocupou-se, porque apesar da fofura aparente, o Niffler poderia ser muito difícil de lidar. Sorriu ao vê-la tão adoravelmente falar sobre Cygnus, e então franziu o cenho quando percebeu o tom dela mudar para um muito conhecido por ele. Aquele momento em que ela se irritava com alguma grosseria dele, e o pirata só fazia rir das expressões dela, e da forma como ela rapidamente perdia a pose de princesa boazinha e se estressava verdadeiramente com ele. Mas naquele momento havia sido diferente. Ele não havia sido irônico, como ela o acusava, e realmente havia sido sincero até aquele momento. —— Ei, calma aí! Eu falei sério sobre não te incomodar mais. Não estava sendo grosseiro, e nem fiz ironia. Você diz quando te chamei de princesa? Olha, juro que dessa vez não foi ironia. Não estava te provocando, e se quer saber o motivo pelo qual ele é o meu daemon, é o mesmo motivo pelo qual pedi que ficasse afastado de você. O que sabe sobre Nifflers? —— Perguntou, quase retoricamente, e no mesmo minuto começou ele mesmo a explicar, enquanto se aproximava. —— São realmente criaturas adoráveis, bem diferentes de mim. Quer saber o que temos em comum? Adoramos ouro. —— E então puxou Cygnus do colo dela, e o virou de cabeça para baixo. No instante seguinte, o colar de ouro da princesa caiu ao chão. —— E eles roubam. De qualquer pessoa. Assim como nós, os piratas. Na hora que meus olhos viram o seu cordão, eu sabia que ele iria roubar. E você nem percebeu, tenho certeza. —— Colocou o daemon de cabeça para cima, ainda segurando-o, e abaixou-se para pegar o colar. Esticou na direção da sereia. —— E é por isso, princesa, que não devemos julgar as pessoas pela aparência. —— Respondeu, agora sim com certo grau de ironia, ignorando a fala dela sobre não querer que ele a tocasse. Irônico pensar que na festa ela parecia querer justamente o contrário.












