davillagabriel:
A maneira cínica como a moça reagia fazia com que a ira no peito de Gabriel crescesse ainda mais. Bem sabia que Olivia é o tipo de mulher inteligente demais para não entender o peso daquela situação. Seu desentendimento não era sinal de ingenuidade, mas sim de perspicácia. O tom de voz, o sorriso e o olhar entregavam o prazer extraído daquilo tudo, e parecia que, quanto mais furioso o homem à sua frente estivesse, maior era a alegria vivida por ela. Talvez. Olivia era quase uma década mais nova - não que à essa altura esse fato fosse conhecido por qualquer um dos dois, e mesmo assim, lhe dobrava com experiência. Queria irritá-lo e estava conseguindo. “Sim, eu estou nervoso.” Retrucou, dando ênfase no presente. “Mas não como um adolescente quando vê a boyzinha que gosta.” Direcionou o olhar em todas as direções possíveis antes de dar outro passo à frente e proferir a fala seguinte quase em um sussurro, tamanho era o seu medo de ser ouvido. “Eu tô nervoso porque não posso colocar meu emprego em risco porque uma menina mimada tá afim de testar os limites do pai. Ou tu acha que eu não sei como isso funciona? A festinha tá tediosa e tu decidiu que a menos que um desses caras caía morto na próxima hora, teu nível de adrenalina no sangue só sobe se for brincar de gato e rato.” Encarou-a em silêncio por alguns segundos e então respirou fundo, deixando os ombros cair ao passo que franzia o cenho, reorganizando os pensamentos. “Isso aqui…” Gesticulou, fazendo menção à festa. “… é o meu mundo inteiro, tu entende?” Seu tom de voz era sério, mas não mais agressivo. “Fora daqui a vida é outra. Mas, dentro, eu não preciso de nada que vá atrapalhar meus negócios com teu pai.” Levou uma das mãos ao braço de Olivia, ficando a uma distância segura para qualquer testemunha, mas perigosa para ele, que agora se embriagava com o cheiro do perfume importado. “Embora isso seja difícil pra tu acreditar, tem peixe muito maior do que a gente nesse rio, e eu não larguei tudo lá em Natal pra decepcionar chegando aqui por causa de um erro besta.”
Joguinhos. Duplo sentidos. Sarcasmo. Inventar situações para simplesmente agradar sua noite. Não sabia o que mais usava nesses últimos dias para poder se divertir, mas sempre Olivia não se decepcionava com as consequências de suas brincadeira. Ou pelo menos na maioria das vezes. E cada reação dele a entretia ainda mais, pois mais que ele supostamente estivesse lhe dando um sermão, Liv não ligava nem um pouco na verdade. Deixou o homem falar e permaneceu com a mesma feição durante todo o seu discurso, com um sorrisinho de lado e olhar direto nos verdes dos dele. Não teve nenhuma reação nem ao mesmo quando ele se aproximou ainda mais de si, podendo ouvir a sua voz mais baixa e perto, sentindo o perfume que ele usava misturado com uma loção pós barba, fazendo um arrepio subir pelas suas costas, mas ela ainda prestava atenção em cada palavra. Então quando percebeu que o moreno havia terminado ela deu um leve suspiro assentindo com a cabeça - Gabriel eu podia imaginar você falando tudo mas sair da sua boca “boyzinha” isso eu nunca imaginei.- falou alargando ainda mais um sorriso sarcástico - E “garota mimada” é o pior que você pode fazer? - perguntou com um tom brincalhão dando um gole na sua taça. Olivia deu de ombros, verdadeiramente ela não ligava para os insultos já tinha ouvido coisas muito piores na sua vida e até de pessoas mais próximas que ele, com certeza. - Você acertou. - falou olhando para Gabriel. - Uma mulher tem que descobrir formas de se divertir nesse lugar, não é mesmo? E acredite, esses joguinhos e brincadeiras me excitam bastante. - falou calma e honesta com um sorriso sapeca no rosto. Logo mordeu o lábio inferior e se aproximando ainda mais dele. - Mas não se engane Gabriel, fora ou dentro, essa daqui é minha vida desde que eu aprendi a falar minha primeiras palavras e andar elegante com vestidos caros. - falou apontando com a taça para alguns grupos de ricos, empresários e políticos. - Então você pode até tentar, mas falsidade, lábia e manipulação de riquinhos, isso você nunca vai saber mais que eu. - sorriu de lado, se afastando dele mas logo o olhou de volta - E não se preocupe, eu já dormir com alguns “mão direita” do meu pai, não é por isso que eles são demitidos. - falou em um tom normal, depois tocando no ombro de um garçom - Pedro, o copo do Sr. D’Ávilla está vazio, não podemos deixar os convidados sem aperitivos. - falou com um sorriso nos lábios, acenando para Gabriel antes de virar e sair andando por entre as pessoas.













