oliviahz:
É verdade que Olivia tinha mudado bastante desde que chegou no Brasil, suas prioridades, objetivos, responsabilidades e até a forma que tratava as pessoas. Porém em eventos como aquele um pouco da Olivia Blanc de antigamente aparecia mais, então ela procurava achar formas de se entreter e se divertir, já que aqueles eventos estavam se tornando cada vez mais chatos desde que a mulher começou a focar nos projetos de sua loja. Então quando viu Gabriel ali, lógico que ela se deu conta que ele poderia ser quem a tiraria do tédio naquela noite. Porém não pensava que seria devido ao homem estar babando seu pai desde que chegou. Mas uma coisa que Liv sabia muito bem era se adaptar as situações que eram lhe propostas. Tinha um sorriso malicioso em seus lábios durante toda sua conversa entre seu pai e Gabriel e quando seu Mr. Blanc foi embora isso não mudou. Parando na frente de Gabriel e dando um gole da taça de champanhe que tinha em sua mão. Mordeu o lábio inferior escutando cada palavra que o homem agora falava diretamente para ela, e não pode negar que aquilo fez com que ele se tornasse ainda mais atraente em poucos segundos. Deu uma risada baixa, passando seus olhos da boca dele até seus olhos - Porque você acha que eu pretendia algo? - falou com uma voz calma dando mais um passo para frente - Talvez eu só quisesse cumprimentar meu pai e parabeniza-ló pela nova aliança. - deu de ombros e então tocou no ombro dele fingindo organizar o terno que já estava perfeito nele, espremendo os olhos o olhando mais de perto - Mas perceber que você ficou nervoso com minha presença aqui, confesso que foi bem divertido. - Sorriu de lado soltando a mão dando mais um gole de sua bebida mas não mudando a distância entre eles.
A maneira cínica como a moça reagia fazia com que a ira no peito de Gabriel crescesse ainda mais. Bem sabia que Olivia é o tipo de mulher inteligente demais para não entender o peso daquela situação. Seu desentendimento não era sinal de ingenuidade, mas sim de perspicácia. O tom de voz, o sorriso e o olhar entregavam o prazer extraído daquilo tudo, e parecia que, quanto mais furioso o homem à sua frente estivesse, maior era a alegria vivida por ela. Talvez. Olivia era quase uma década mais nova - não que à essa altura esse fato fosse conhecido por qualquer um dos dois, e mesmo assim, lhe dobrava com experiência. Queria irritá-lo e estava conseguindo. “Sim, eu estou nervoso.” Retrucou, dando ênfase no presente. “Mas não como um adolescente quando vê a boyzinha que gosta.” Direcionou o olhar em todas as direções possíveis antes de dar outro passo à frente e proferir a fala seguinte quase em um sussurro, tamanho era o seu medo de ser ouvido. “Eu tô nervoso porque não posso colocar meu emprego em risco porque uma menina mimada tá afim de testar os limites do pai. Ou tu acha que eu não sei como isso funciona? A festinha tá tediosa e tu decidiu que a menos que um desses caras caía morto na próxima hora, teu nível de adrenalina no sangue só sobe se for brincar de gato e rato.” Encarou-a em silêncio por alguns segundos e então respirou fundo, deixando os ombros cair ao passo que franzia o cenho, reorganizando os pensamentos. “Isso aqui...” Gesticulou, fazendo menção à festa. “... é o meu mundo inteiro, tu entende?” Seu tom de voz era sério, mas não mais agressivo. “Fora daqui a vida é outra. Mas, dentro, eu não preciso de nada que vá atrapalhar meus negócios com teu pai.” Levou uma das mãos ao braço de Olivia, ficando a uma distância segura para qualquer testemunha, mas perigosa para ele, que agora se embriagava com o cheiro do perfume importado. “Embora isso seja difícil pra tu acreditar, tem peixe muito maior do que a gente nesse rio, e eu não larguei tudo lá em Natal pra decepcionar chegando aqui por causa de um erro besta.”












