Juca “confessa que perdeu”, mas o Brasil ganhou!
O jornalismo é marcado pela presença sempre imprescindível do amplo e do contraditório. Ouvir a maior quantidade de lados envolvidos em uma mesma questão, apurar rigorosamente todas as informações que chegam até o jornalista e tentar, ao máximo possível, ser objetivo e direto. Esses são conceitos já consagrados para todo profissional que busca o conhecimento em um curso de graduação em jornalismo ou para aqueles que seguem a carreira mesmo sem o diploma, mas lidam com a comunicação de modo geral.
Ocorre que além disso o jornalismo é antes de tudo prestação de serviços ao interesse público, das minorias, das camadas menos favorecidas e daqueles que estejam de alguma forma sendo oprimidos pela sociedade. Jornalismo é colocar em cima da mesa tudo aquilo que querem colocar debaixo do tapete. Jornalismo é, por fim, uma das ferramentas que podem transformar uma sociedade.
Essas podem ser definições apaixonadas para uma profissão tão apaixonante. Porém, o ponto central do jornalismo, é a responsabilidade social que ele carrega. No admirável mundo das notícias, o jornalista é o senhor das armas e decide a todo instante que terá mais munição.
Assim, ao falar do jornalismo e dessa atividade profissional, muitas vezes esquecemos de falar que apenas ouvir os dois lados não basta. Seria um trabalho, na maioria das vezes, omisso. Jornalista sente, tem um lado, tem um argumento, um posicionamento, e que em quase toda a sua atuação são deixados de lado por não ir de encontro com a linha editorial da empresa que o remunera.
Para ir contra essa corrente, o Brasil tem uma das testemunhas oculares da história do jornalismo e do esporte no país. Esse cidadão é Juca Kfouri! Juca não é jornalista por formação, mas foi chamado por vocação para ser um operário da notícia.
Na obra “Confesso que perdi”, Juca tem boas histórias para contar: suas fontes, a trajetória de cobertura de eventos históricos ou a produção de reportagens especiais, além do velho dilema de publicação de conteúdos polêmicos tornam-se casos memoráveis. Sempre pautado pela ética, pela responsabilidade social e pelo apurado senso de justiça, a obra de suas recordações impressiona pelos relatos e pela forma que escreve, de um jeito quase informal, como numa conversa em um boteco na esquina.
Juca nunca escondeu o time do coração. Como corintiano, conta as memórias de suas aventuras para ver o Timão jogar. Ainda no esporte, acompanhou os grandes momentos do Brasil nas Copas, e, por meio de argumentos contundentes sempre se colocou como oposição à cartolagem do futebol brasileiro e todas as falcatruas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Além de sua importância para o esporte nacional, Juca tem papel fundamental em diversos episódios da trajetória política do Brasil, desde a resistência durante a Ditadura Militar, no período de redemocratização até os dias de hoje.
Mas, essas histórias são contadas bem rapidamente, pois, afinal este é um livro de memórias e revisitá-las não deve ser das coisas mais agradáveis. Mesmo assim, o livro vale a leitura como forma de conhecer ainda mais sobre esse personagem importante para história política, esportiva e jornalística do país.
Juca pode até ter perdido todos os seus confrontos, as bandeiras que nunca escondeu defender, o senso de justiça que sempre buscou alimentar com ética e honestidade, por outro lado nunca quis estar junto aos que venceram.