Castanhos? Dourados?
Indescritíveis.
Seus olhos… inexplicáveis olhos exorbitantes, detentores de uma beleza surreal nunca vista por mim antes, nem mesmo nas obras revolucionárias do renascimento, pois na posição de escolher entre crença e razão, me deixo, sem pensar duas vezes, ser levada por seus belos e suaves encantamentos, deixando de lado meu pobre raciocínio lógico, ao passo que, ignoro completamente os sinais da minha infalível intuição.
Inúmeros mergulhos internos, afogando-me em meus próprios devaneios, buscando incansavelmente a tão esperada epifania, esperando que o brilho incandescente que suas orbitas nada inocentes exalam, me deixem chegar à margem mais uma única vez.
Essa busca incessável chega ao fim quando seu olhar penetrante e íntimo se encontra com o meu, tão tímido e esperançoso. Acontece então, em segundos, uma melancólica e arrebatadora dança entre nossas miseráveis almas, carentes de mais uma única chance de jamais permitir o fim dessa complexa coreografia viciante e vívida, que não tem a necessidade de uma requintada orquestra de violinistas profissionais ou de uma graciosa melodia de origem erudita para acontecer, basta só você e eu.
Então, aproveito como se fosse a última vez, a incomparável sensação sufocante e inebriante de ser observada por você, como se eu fosse a pessoa mais bonita que já ousou colocar os pés nesse maldito mundo.
Não resta uma mísera dúvida, essas correntes elétricas excitantes e únicas que exploram todo meu corpo, são causadas pelo brilho de suas íris. Seria uma blasfema compará-lo com até mesmo a luz do Sol, pois nem mesmo ela seria capaz de me fazer enxergar o que vejo quando avisto o seu brilho. Vejo você, só você.
Nós somos fogo, somos pólvora, prestes a entrar em contato e causar uma enorme combustão dolorosamente maléfica a todos ao nosso redor.
Isso me preocupa, porque agora sei que até mesmo aqui, sem você, e de olhos fechados, vejo somente castanho, dourado… Vejo seus indescritíveis olhos.