Sem cor.
No fim da tarde, o mundo desbotava. As cores se desfaziam como memória antiga, e o sol, cansado, já não aquecia.
A grama — tão conhecida — já não tocava seus pés. Era como caminhar sobre o nada.
Tudo seguia um roteiro silencioso, um destino que ela reconhecia sem esforço, como quem já ensaiou o próprio fim.
No quarto, deitada, rabiscava pensamentos em folhas soltas, alinhando prós e contras como se a vida pudesse caber em uma conta.
“Faz sentido continuar?” “Eu ainda deveria estar aqui?” “Existe, ainda, algum depois?”
As perguntas ecoavam sem nunca encontrar resposta.
No fundo, ela já sabia — ou acreditava saber.
E então, voltava. Sempre voltava.
Aquele mesmo peso, a mesma ausência de chão, o mesmo silêncio que gritava por dentro.
Impotência.
Como um mar parado, profundo demais para atravessar.
E, aos poucos, a ideia de partir já não parecia um medo — mas descanso.













