Estou aqui fora.
hollymwoods:
- Bem, o tempo passou e você perdeu a chance de ver essa cena. E não, eu não recebia nada por isso, apenas experiência em me equilibrar numa bibicleta. – Respondeu à brincadeira com bom humor, lembrando-se de como era bom, naqueles tempos de criança, sentir-se útil e necessária para o funcionamento de algo tão grande como uma igreja, embora o lugar em si nem fosse grandioso. Com o passar do tempo e a evolução de sua doença, tudo parecia demasiadamente intocável. A vida, pela proteção de seu pai, tinha amor, mas pouca liberdade. Ela mesma havia se tornado limitada, medrosa, ainda que se esforçasse para ler, estudar e desenvolver sua personalidade de forma autêntica. Tudo isso fazia com que fosse agradecida a Mark, ainda mais do que podia expressar. Ele se tornou o símbolo de novas possibilidades. Quem diria que ela um dia estaria sentindo coisas que só tomava conhecimento através das histórias que havia lido em seus dias solitários?
A resposta sincera do namorado fez com que ela franzisse as sobrancelhas. A diferença entre a criação dos dois era muito clara, e enquanto Holly tinha memórias bastante alegres, Mark parecia guardar lembranças amargas de um relacionamento não tão próximo com os pais. E mesmo estando curiosa para entender a fundo aquela relação aparentemente complicada, preferiu não questionar o que ele falava, focando apenas em deixar a conversa fluir de forma leve. – Passou de primeira? Vou acreditar, porque nossa viagem até aqui foi bem tranquila. – Disse, rindo baixo enquanto se deixava ser levada por ele. Sentando-se à margem da lagoa, que cintilava em pequenos pontos de luz por causa do sol, surpreendeu-se um pouco com a pergunta sobre sua mãe. – Minha mãe? – Holly mirou a água, pensativa. – Sei que era muito bonita e, ao contrário de mim, extrovertida. Meu pai diz que sabia se adaptar a qualquer situação. Era uma líder nata. – Sorriu, olhando para Mark. – Mas só pude conhece-la um pouco. Ela morreu num acidente de ônibus quando voltava da casa da minha avó, na Carolina do Norte. Eu tinha cinco anos, e foi um baque para meu pai, porque eles eram tudo um para o outro. Assim fica mais fácil entender toda a proteção dele, não? – Riu levemente. – Se quiser, posso mostrar algumas fotos dela quando voltarmos para casa. Em troca, quero ver como era o Mark pequenininho. – Empurrou-o de leve, brincando.
Deu a ela um dos seus velhos sorrisos convencidos, passando um braço por sobre os ombros dela. -- Eu dirijo muitíssimo bem, foi sorte sua o acaso ter me feito ter um pequeno acidente perto da sua casa. -- Disse em tom divertido, querendo de alguma forma manter o clima leve entre eles. Ultimamente era fácil deixar sua mente viajar a tópicos menos felizes, preocupada demais com o futuro para deixá-lo aproveitar o presente, e aquilo não era algo que queria no momento. Agradeceu por Holly não ter insistido em perguntar sobre sua família e ter aceitado falar da própria com naturalidade. Gostava do som da voz da loira ao falar da mãe, era claro o quanto amava a mulher falecida, mesmo que devesse ter poucas recordações dela. A história não era das mais felizes, e o fazia compreender um pouco mais o comportamento do sogro. -- Um pouco, mas ele está melhorando...Quer dizer, ele agora me deixa ficar a menos de dois metros de você, antes eram cinco! -- Replicou no mesmo tom, antes de fazer uma careta leve com a sugestão dela. Não fora uma criança feia, mas não queria ter que lidar com a garota tirando sarro dele...Porém, quando é que negava algo que Holly pedisse? No fim das contas acabaria a mostrando de um modo ou de outro. -- Você sabe muito bem como eu era, estudamos juntos desde...Sempre! Não que você tenha mudado muita coisa, só cresceu… -- Apontou o cabelo dela. -- Aqui. Fica mais bonito assim mesmo.
O resto do dia se passou de forma tranquila. Visitaram alguns outros pontos do parque, tendo o cuidado de fazerem paradas estratégica para tirar fotos e garantir que Holly estava okay. Depois que se cansaram dali, foram até a cidade onde visitaram alguns lugares bonitos e comeram em um restaurante aconchegante, de modo que perto das 4 da tarde estavam de volta à praia para finalizar o passeio. Dessa vez não hesitou em tirar os sapatos e meias e deixá-los no chão do carro, aguardando que a loira fizesse o mesmo para que pudessem se aproximar da água. Ofereceu a mão a Holly, começando a caminhar em direção ao mar com passos lentos. Fitou a garota de lado, seu olhar gravando os traços relaxados na mente. -- Então, cumprimos todos os itens da lista de hoje? Mergulhos estão fora de questão, você sabe...Mas eu posso dar um jeito. -- Não queria a negar nada, mesmo que isso colocasse seu pescoço em perigo.









