Anhk, o símbolo da Vida. Sobre os processos de resgate da história que nos foi arrancada. "A terra e o meu quilombo, meu espaço e o meu quilombo. Onde eu estou, eu estou, quando eu estou eu sou." Beatriz Nascimento. (em Vitória, Brazil)
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Cidade e Produção de Subjetividade: Memórias Urbanas no Corpo
Vitória, 30 de Junho de 2016< /p>
Olá meus caros amigos! Escrevo para compartilhar com vocês algumas afetações produzidas a partir das leituras, conversas, questionamentos, gastações e tretas que se sucederam durante a disciplina de Processos Grupais Institucionais. Na minha ultima carta, eu me dediquei à descrição bastante sucinta, de uma experiência em um bairro da cidade de Vitória. Com a resposta do Ernesto, eu quis me atentar um pouco mais sobre os processos de produção de subjetividade na cidade em suas diferentes formas de se apresentar.A cidade, de múltiplas maneiras, em cada rua, cada bairro, cada arquitetura presente nos seus espaços urbanos, nos convoca a todo o momento a atuar. Processos que consistem em dispositivos de produção de desejo e de vida. Esses diálogos possíveis entre cidade e subjetividade nos chamam pra experienciar novos modos de ser e habitar. Paola Berestein escreve sobre esses diálogos e os chama de corpografias urbanas, um tipo de cartografia realizada pelo e no corpo, ou seja, as diferentes memórias urbanas inscritas no corpo, o registro de experiências corporais da cidade, uma espécie de grafia da cidade vivida que fica inscrita mas ao mesmo tempo configura o corpo de quem a experimenta. Quero chamar essas experiências aqui nessa carta de ''Memórias Afetivas Urbanas'', seguindo um pouco a linha de pensamento da Paola, esse nome me veio a cabeça depois de ter tido contato com uma obra de arte chamada ''Memórias Urbanas''. Esse contato me inquietou e me convocou a considerar o quanto de construção de si e de mundo compõem as nossas memórias urbanas. Guatatrri e Suely Rolnik apontam que somos como que terminais que recebem fluxos provenientes de todos os lados, resultando do que eles chamam de equipamentos coletivos de codificação de condutas, comportamentos e formas de desejar. Nesse sentido não podemos falar de um corpo-sujeito-ego fechado em si mas sempre em vias de ser e se deixar afetar por diferentes linhas. A cidade é composta por essas linhas,que nos atravessam a todo instante. Seja como for, aquilo que pensamos ser o mais intimo e internalizado, o desejo, como aponta Guatarri e Rolnik é da ordem de uma produção incessante. E que, pra ser vivido de forma a produzir autonomia, requer vetores de singularidade. Eu penso ser intrigante o modo como foi nomeado a obra de Guattari em parceria com a Suely Rolnik, recebe o nome de Cartografias do Desejo. Cartografar é fazer esse percurso das vias possíveis de passagem transformadora do desejo, quem sabe seja por isso que a designação seja essa, pois por se tratar de processos e não de evidencias empíricas. A possibilidade de pensar sobre os seus efeitos no sujeito se dá através de cartografias. O grande desafio para o trabalho de arquitetos e urbanistas, que ao projetar as cidades, pensem nesse, direta ou indiretamente como espaço de produção de desejo que possibilite a interação entre a cartografia, coreografia e corpografia. Paola Berestein aponta que uma cartografia já é uma atualização do projeto urbano, um mapa da cidade renormartizado, construído e muitas vezes já apropriado e modificado por seus usuários. O corpo com seus movimentos de coreografia na cidade a constrói, formando corpografias, cartografias de corpo. Cartografar algo que é da ordem do indizível mas possível de acessar pela via do sensível vivido. O desejo se fortalece quando consegue compor em movimentos singulares, que não se enrijecem por completo mas que sempre deixam brechas de possíveis alterações que se incorporam mas que estão em constante fluxo, assim como a cidade, ela não para. A cidade nos coloca sempre em contato com pontos de invenção constante da vida. Nessa perspectiva, estamos em constante processo transformação e criação de cartografias de desejos urbanos, de memórias afetivas urbanas. A arquitetura assim como a arte não é construída apenas pelo artista, ela se dá no encontro entre obra ,espectador e afeto, em um trecho da Paola ela afirma que os urbanistas indicam usos possíveis para o espaço projetado, mas são os usuários que o experimentam no cotidiano que o atualizam, são as experiências do espaço pelos habitantes, passantes ou errantes que reiventam esses espaços no seu cotidiano.
Posso citar aqui muitos modelos daquilo que anteriormente denominei de memórias afetivas urbanas, eu aprecio as memórias afetivas urbanas de visão mas não visão no sentido biológico, e sim visão no sentido de estar atento a algo, cuidar de algo. Gosto também das memórias afetivas urbanas de cheiros, essas memórias nos capturam em determinados locais e são capazes de atravessar a barreira de tempo e espaço muito espontaneamente. De quando em quando me pego sentindo cheiros e lembrando de lugares que passei, ocupei e de pessoas que habitei, que coisa linda é essa, a possibilidade de ocupar pessoas, o que há de mais belo em determinados momentos da nossa existência, ser habitado por e habitar alguém. Eu me recordo de uma memória urbana que é tanto de visão quanto cheiro, é uma miscelânea de coisas. Ocorreu há pouco tempo, por pouco tempo entretanto foi muito potente e que ainda me habita de forma muito bonita. Eu trouxe algumas vezes em aula, a questão da tecnologia, e de como ela é um dispositivo que altera os nossos modos de habitar o mundo, foi através da articulação possível entre o tecnológico e a subjetividade que eu pude me conectar com uma das memórias urbanas que mais me marcaram nesse ano. Vou chamar essa memória especifica de memória D. Que por intermédio da tecnologia de escrita de documentos online, me ajudou a compor esses dizeres ao longo do texto. Um afeto, desses que nos deslocam e nos reposicionam diante da vida e das relações que vamos tecendo. Quando deixamos de ocupar certos lugares e paisagens urbanas e passamos a ocupar outras, se muda também junto disso tudo, uma postura subjetiva diante do mundo. Cada corpo pode acumular diferentes corpografias, resultados das mais diferentes experimentações urbanas vividas por cada um. A questão da temporalidade e da intensidade dessas experiências é determinante na sua forma de inscrição. Ela traz nessa passagem aquilo que seria a especificidade de cada cidade ou de cada sujeito, ou seja, cada corpo e cada cidade possuem jeitos próprios de estar presente. A afetação oriunda da interação entre sujeito e espaço urbano depende do encontro e das circunstancias em que ele se dá. A cidade nos traz a todo instante possibilidades de produção de vida inventiva e criativa, o desafio é o trabalho de formação de um corpo atento aos sinais de vetores de singularidade, examinar o que se passa no teatro dos afetos. Por uma cidade de vias de acesso, de ruas e avenidas que nos levem a caminhos de transformações produtivas de vida potente de forma irreversível. Att. Marconi Daniel
Aniversariar!!!
Fazer aniversário é algo bastante interessante, mesmo sendo um dia comum, nesse dia, dentro da gente passa uma miscelânea de coisas, uma mistura louca de sentimentos. É um dia comum mas não menos importante, onde as vezes tem todo aquele clichê de desejar sentimentos bons e sem o menor preenchimento de sentido em alguns momentos, mas bacana de ser um dia comum é que abre a possiblidade de se reposicionar e considerar modos de de habitar a vida, modos endurecidos, flexíveis, possíveis que fui tendo até esse momento. Voce vai tentando cartografar o jeitinho em que ocorrem as transformações e onde a vida se dá a todo momento, isso é um movimento muito bonito. Nas horas desse dia eu tentei pensar-sentir os afetos que passaram por mim durante esse percurso de vida e tentei perceber de que modo eles foram me tornando a pessoa que estou sendo. Alguns que permaneceram por um tempo outros se foram mas deixaram seus efeitos. Hoje estive com pessoas incríveis, recebi vários abraços de pessoas super queridas e também recebi ligações e mensagens com palavras cheias de sentimentos bons. Nesse dia eu aproveitei pra descansar minhas emoções, ver aquilo que ta sendo bom, aquilo que não está mas que de certa forma traz algum aprendizado, fiz uma analise de tudo que já se passou e do que ainda está por vir e devir. Comemorar um aniversário com gente como a gente é poder fazer um resgate intenso e constante do brilho da alma. Obrigado a todos e todas por dedicar um tempo pra me enviar palavras de bons sentimentos.
Touro

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Sorriso numa sexta-feira estranha e fria #smile #blackbearded #beardlife #blackboy #beardman #beardedmen #beardedkings #naturalmystic #goodnight #vix #Vitória #capixaba #ES #sounegao #nossacor (em Maria Ortiz)
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O Pelourinho e lindo meu rei! #bahia #salvador #pelourinho #gabrielacravoecanela #blackguy #blackguy (em Pelourinho, Salvador, Bahia)

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Salve Salvador #bahia #blackguy #blackboy #salvador (em Elevador Lacerda, Bahia, Brasil)
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